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O 'novo' Zé Roberto
As jogadoras erram ataques e saques. Não conseguem um rali.
E a serenidade característica do técnico José Roberto Guimarães
dá lugar à irritação. "Não pode pensar que errou, tudo bem,
vem outra bola, porque é treino. Se errar, não tem outra chance,
é um ponto perdido pela gente e ganho pelo adversário, c...,
acabou. Não pode deixar a bola cair não, p....", esbraveja.
Estaria o comandante da seleção feminina, quarta colocada
nas Olimpíadas de Atenas, mudando sua postura? Realmente,
o incrível jogo perdido para a Rússia, nas semifinais dos
Jogos da Grécia, mexeu com Zé Roberto. Ele admite.
"Acho que eu já era chato e fiquei um pouco mais chato",
começa, para em seguida completar. "Tudo aquilo que a gente
passa na vida deixa marcas, ainda mais uma derrota como aquela,
muda mesmo. Não a personalidade, mas o profissional", avalia.
A mudança, na verdade, ainda está em curso. Desde que voltou
de Atenas, Zé Roberto está se dedicando exclusivamente ao
Finasa/Osasco, clube que começou a treinar em 2000, quando
retomou a carreira de técnico. Ainda não sabe se continuará
à frente da seleção, que assumiu em julho do ano passado.
"Tivemos um ano de bons resultados, apesar de não ir à final
olímpica. O importante é deixar as portas abertas. Nunca digo
nunca", afirma ele, que comandou a equipe nas vitórias do
Sul-americano e do Grand Prix, e ao vice na Copa do Mundo.
O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça,
já afirmou que pretende mantê-lo no cargo, mas o técnico ainda
não se reuniu com o dirigente. "O relatório das Olimpíadas
ainda não está pronto", justifica. Mas o balanço de seu período
na seleção está na ponta da língua. "Essa seleção teve um
resultado bom. Em 39 jogos, foram apenas seis derrotas", contabiliza.
O que ele defende, independente de sua decisão, é que o
trabalho para Pequim-2008 seja pensado para todo o período
de quatro anos, com uma programação prévia e adequação do
calendário às necessidades da seleção.
Com cinco jogadoras, ele continua a trabalhar diariamente.
Bia, Arlene, Érika, Valeskinha e Mari disputaram os Jogos
Olímpicos e são contratadas do Osasco. A revelação Mari se
recupera de uma tendinite no ombro direito e um estiramento
no abdômen.
Para encontrar novos talentos, Zé Roberto faz o que considera
função de todos os técnicos. "Ver o que as jogadoras estão
apresentando, o que está sendo feito nas categorias de base.
Eu acompanho as seleções e sempre que posso venho ver os treinos
das categorias de base aqui no Osasco", diz.
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