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03/10/2004
Montagem sobre foto FIVB/Divulgação

O 'novo' Zé Roberto

As jogadoras erram ataques e saques. Não conseguem um rali. E a serenidade característica do técnico José Roberto Guimarães dá lugar à irritação. "Não pode pensar que errou, tudo bem, vem outra bola, porque é treino. Se errar, não tem outra chance, é um ponto perdido pela gente e ganho pelo adversário, c..., acabou. Não pode deixar a bola cair não, p....", esbraveja.

Estaria o comandante da seleção feminina, quarta colocada nas Olimpíadas de Atenas, mudando sua postura? Realmente, o incrível jogo perdido para a Rússia, nas semifinais dos Jogos da Grécia, mexeu com Zé Roberto. Ele admite.

"Acho que eu já era chato e fiquei um pouco mais chato", começa, para em seguida completar. "Tudo aquilo que a gente passa na vida deixa marcas, ainda mais uma derrota como aquela, muda mesmo. Não a personalidade, mas o profissional", avalia.

A mudança, na verdade, ainda está em curso. Desde que voltou de Atenas, Zé Roberto está se dedicando exclusivamente ao Finasa/Osasco, clube que começou a treinar em 2000, quando retomou a carreira de técnico. Ainda não sabe se continuará à frente da seleção, que assumiu em julho do ano passado.

"Tivemos um ano de bons resultados, apesar de não ir à final olímpica. O importante é deixar as portas abertas. Nunca digo nunca", afirma ele, que comandou a equipe nas vitórias do Sul-americano e do Grand Prix, e ao vice na Copa do Mundo.

O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça, já afirmou que pretende mantê-lo no cargo, mas o técnico ainda não se reuniu com o dirigente. "O relatório das Olimpíadas ainda não está pronto", justifica. Mas o balanço de seu período na seleção está na ponta da língua. "Essa seleção teve um resultado bom. Em 39 jogos, foram apenas seis derrotas", contabiliza.

O que ele defende, independente de sua decisão, é que o trabalho para Pequim-2008 seja pensado para todo o período de quatro anos, com uma programação prévia e adequação do calendário às necessidades da seleção.

Com cinco jogadoras, ele continua a trabalhar diariamente. Bia, Arlene, Érika, Valeskinha e Mari disputaram os Jogos Olímpicos e são contratadas do Osasco. A revelação Mari se recupera de uma tendinite no ombro direito e um estiramento no abdômen.

Para encontrar novos talentos, Zé Roberto faz o que considera função de todos os técnicos. "Ver o que as jogadoras estão apresentando, o que está sendo feito nas categorias de base. Eu acompanho as seleções e sempre que posso venho ver os treinos das categorias de base aqui no Osasco", diz.

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