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Foto: Divulgação
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Jovem brasileiro recebe
Oscar na Itália
Poderia ser uma revelação do cinema, mas
foi nas quadras que Luiz Felipe Marques Fontales, o
Chupita, chamou a atenção no mais poderoso
mercado do vôlei internacional. No início
de janeiro, o jovem de 20 anos foi eleito o melhor jogador
sub-21 da temporada 2003/2004. Para se ter uma idéia
da importância do Oscar do vôlei italiano,
também foram premiados vice-campeões olímpicos
como Andrea Sartoretti (melhor atacante), Alessandro
Fei (meio-de-rede) e Valerio Vermiglio (levantador),
além de Paolo Tofoli, homenageado por sua carreira.
O mais curioso é que ele conseguiu se destacar
em um ano ruim para o Modena, clube que o contratou
ainda no período de formação. O
time, que tem uma tradição de vitórias
na Europa, teve de fugir do rebaixamento na última
temporada e, pela primeira vez, ficou fora das quartas-de-final
da Liga. Com vários problemas de lesões
em seu elenco, a equipe recorreu ao novato brasileiro,
que deu conta do recado. Cheguei sabendo que seria
difícil conseguir um lugar no grupo, porque o
regulamento permitia só três estrangeiros
em quadra, e o Modena já tinha três. Vim
sabendo que não ia jogar muito. Meu intuito era
treinar com os grandes campeões e evoluir no
voleibol. Pensava que em dois ou três anos poderia
conquistar meu espaço, reconhece o jogador.
O resultado veio antes do que eu esperava.
No processo de crescimento dentro da equipe, Chupita
contou com a ajuda providencial de um compatriota, o
ponta Dante, seu colega de time na última temporada.
E agora, o reforço brasileiro veio com o levantador
Ricardinho, espécie de padrinho do jovem no time.
Antes tinha muita preocupação, porque
eles tinham medo que eu não conseguisse segurar
a pressão do jogo. Mas o Ricardinho e o Dante
me dão uma força absurda. O Ricardinho
me fala o que eu posso fazer com a bola, me dá
umas dicas e eu me sinto muito mais tranqüilo porque
já tem um treinamento todo por trás para
me dar segurança, conta.
Ele revela que o trio verde-amarelo provoca um certo
ciúmes no resto do elenco. Eles falam muito
e sentem um pouco o fato de a gente não precisar
da ajuda deles.
Com a contusão do titular Cernic, o brasileiro
assumiu a ponta e já chegou a ser eleito o melhor
em quadra. De personalidade forte, também já
brigou com a torcida, que reclamou da má atuação
do time. O Modena faz mais uma vez uma péssima
campanha na Liga e pode ficar novamente fora dos playoffs.
O pessoal daqui de dentro, que está acostumado
a ganhar, sofre mais. Pra mim é uma coisa nova.
Eu comecei a jogar agora e já estou lutando com
dificuldades, mas eu entro em qualquer jogo pensando
que é um jogo bom para aprender.
E mostrar trabalho principalmente para o técnico
Bernardinho, já que seu sonho é chegar
à seleção brasileira. Sempre
sonhei com isso. Queria sair da infanto, passar pela
juvenil e ir direto pra adulta, conta ele, que
integrou as duas primeiras. Não acho que
por estar longe fica mais difícil, porque o Bernardinho
olha os jogos e tem contato com os jogadores daqui,
diz, confiante. Chupita começou no Curitibano,
passou pelo Cocamar de Maringá, pelo Bunge/Barão,
quando disputou sua primeira Superliga, aos 17 anos,
e pelo Banespa, antes de ir para a Itália, onde
foi recebido com casa, carro e toda a estrutura necessária
para fazer seu trabalho. Para ele, só vale a
penadeixar o país se for assim. Eu vim
para um grande time, sem pensar duas vezes. Mas sair
sem ter nada certo, para ter problema lá fora,
não dá.