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18/01/2005
Foto: Divulgação
Jovem brasileiro recebe ‘Oscar’ na Itália

Poderia ser uma revelação do cinema, mas foi nas quadras que Luiz Felipe Marques Fontales, o Chupita, chamou a atenção no mais poderoso mercado do vôlei internacional. No início de janeiro, o jovem de 20 anos foi eleito o melhor jogador sub-21 da temporada 2003/2004. Para se ter uma idéia da importância do Oscar do vôlei italiano, também foram premiados vice-campeões olímpicos como Andrea Sartoretti (melhor atacante), Alessandro Fei (meio-de-rede) e Valerio Vermiglio (levantador), além de Paolo Tofoli, homenageado por sua carreira.

O mais curioso é que ele conseguiu se destacar em um ano ruim para o Modena, clube que o contratou ainda no período de formação. O time, que tem uma tradição de vitórias na Europa, teve de fugir do rebaixamento na última temporada e, pela primeira vez, ficou fora das quartas-de-final da Liga. Com vários problemas de lesões em seu elenco, a equipe recorreu ao novato brasileiro, que deu conta do recado. “Cheguei sabendo que seria difícil conseguir um lugar no grupo, porque o regulamento permitia só três estrangeiros em quadra, e o Modena já tinha três. Vim sabendo que não ia jogar muito. Meu intuito era treinar com os grandes campeões e evoluir no voleibol. Pensava que em dois ou três anos poderia conquistar meu espaço”, reconhece o jogador. “O resultado veio antes do que eu esperava.”

No processo de crescimento dentro da equipe, Chupita contou com a ajuda providencial de um compatriota, o ponta Dante, seu colega de time na última temporada. E agora, o reforço brasileiro veio com o levantador Ricardinho, espécie de padrinho do jovem no time. “Antes tinha muita preocupação, porque eles tinham medo que eu não conseguisse segurar a pressão do jogo. Mas o Ricardinho e o Dante me dão uma força absurda. O Ricardinho me fala o que eu posso fazer com a bola, me dá umas dicas e eu me sinto muito mais tranqüilo porque já tem um treinamento todo por trás para me dar segurança”, conta.
Ele revela que o trio verde-amarelo provoca um certo ciúmes no resto do elenco. “Eles falam muito e sentem um pouco o fato de a gente não precisar da ajuda deles.”

Com a contusão do titular Cernic, o brasileiro assumiu a ponta e já chegou a ser eleito o melhor em quadra. De personalidade forte, também já brigou com a torcida, que reclamou da má atuação do time. O Modena faz mais uma vez uma péssima campanha na Liga e pode ficar novamente fora dos playoffs. “O pessoal daqui de dentro, que está acostumado a ganhar, sofre mais. Pra mim é uma coisa nova. Eu comecei a jogar agora e já estou lutando com dificuldades, mas eu entro em qualquer jogo pensando que é um jogo bom para aprender.”

E mostrar trabalho principalmente para o técnico Bernardinho, já que seu sonho é chegar à seleção brasileira. “Sempre sonhei com isso. Queria sair da infanto, passar pela juvenil e ir direto pra adulta”, conta ele, que integrou as duas primeiras. “Não acho que por estar longe fica mais difícil, porque o Bernardinho olha os jogos e tem contato com os jogadores daqui”, diz, confiante. Chupita começou no Curitibano, passou pelo Cocamar de Maringá, pelo Bunge/Barão, quando disputou sua primeira Superliga, aos 17 anos, e pelo Banespa, antes de ir para a Itália, onde foi recebido com casa, carro e toda a estrutura necessária para fazer seu trabalho. Para ele, só vale a penadeixar o país se for assim. “Eu vim para um grande time, sem pensar duas vezes. Mas sair sem ter nada certo, para ter problema lá fora, não dá.”
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