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Sem estrelas, Superliga masculina
deve ser muito equilibrada
Se existe alguma coisa em comum
entre o vôlei masculino e o futebol, com certeza é
a fuga dos melhores jogadores para campeonatos mais ricos,
como os europeus. E este fato vai se repetir na Superliga
desta temporada. Quando a edição 05/06 da disputa
entre os homens começar, a torcida poderá acompanhar
de perto apenas dois jogadores relacionados na última
convocação de Bernardinho: Samuel, do Minas/Telemig
Celular, e Ézinho, da Unisul/Barueri. O capitão
da equipe catarinense, no entanto, só disputou a Copa
dos Campeões por conta do corte de Dante, que ainda
se recuperava de uma lesão no ombro esquerdo.
Atraídos pelos euros, todas
as outras estrelas da seleção campeã
em Atenas-2004 estão atuando na Itália nesta
temporada. Porém, é possível ver um lado
positivo nesta situação, de acordo com o presidente
da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV),
Ary Graça. O fato de alguns jogadores estarem
no exterior é ruim, mas, por outro lado dá uma
chance para novos talentos aparecerem, acredita o dirigente,
que também aposta em uma mudança neste panorama.
Com a queda do dólar, nossos times vão
ficar mais competitivos no mercado, prevê.
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press |
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| O técnico da Unisul, José Roberto
Guimarães |
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Outra curiosidade desta edição
da Superliga é que a disputa já teve uma prévia:
o Campeonato Paulista. Nada menos que oito dos nove participantes
do Estadual de São Paulo vão tentar o título
brasileiro (Banespa/São Bernardo, Lupo/Náutico/Araraquara,
São Caetano/Tamoyo, Shop. ABC/Aramaçan/Santo
André, Telemig Celular/Minas, Ulbra/Ferraz/SPFC, Unisul/Nexxera,
Wizard/Campinas). E é exatamente por ter se sagrado
campeão paulista que o Minas é apontado como
uma das equipes favoritas ao título.
Na minha opinião,
o Minas está em melhores condições porque
manteve a base do ano passado. A equipe deles é forte
e bastante homogênea, aposta o experiente técnico
Ricardo Navajas, que vai dirigir a Ulbra/Ferraz/SPFC. Técnico
do time de Belo Horizonte, atual vice-campeão brasileiro,
o argentino Jon Uriarte prefere adotar um discurso mais cauteloso.
A Superliga é o nosso grande objetivo na temporada,
mas é uma competição longa e podem acontecer
muitas coisas. Temos que fazer um trabalho a longo prazo,
pois muitas equipes fortes estão disputando o torneio.
Não podemos relaxar, afirma.
Apesar de também não
esbanjar otimismo, o levantador Marlon, capitão do
Minas, está um pouco mais animado que o treinador.
Acho que somos um sério candidato a chegar na
final, pois o título paulista nos deu uma motivação
a mais. Mas o Banespa, a Unisul, a Cimed e a On Line também
são favoritos, comenta.
Atual campeão da Superliga,
o Banespa aposta na sua tradição de revelar
novos talentos para tentar o bi no torneio, já que
não pode contar mais com Nalbert, que foi para o vôlei
de praia, nem Vinhedo, negociado com a Unisul. Sempre
pensamos em chegar na decisão, mas dessa vez vamos
depender da superação dos jovens. Estamos bem
desfalcados, mas o segredo é manter um rendimento em
torno de 80 a 90% em todos os jogos, ao invés de ficar
oscilando entre o 30% em uma partida e o 100% na seguinte,
analisa o técnico Mauro Grasso, que já está
fazendo um trabalho psicológico com os jogadores do
Banespa. Faço isso para que eles respondam à
altura na hora da decisão, emenda.
Comandada por José Roberto
Guimarães, a Unisul também surge como uma das
candidatas à taça, uma vez que conta com um
elenco forte, composto por Ézinho, Vinhedo e João
Paulo. O vice-campeonato Paulista, porém, deixou o
experiente treinador em alerta. Temos que trabalhar
o time e melhorar principalmente o sistema defensivo, que
é o nosso calcanhar-de-aquiles, analisa. Supervisor
esportivo da equipe, Giovane Gávio também prevê
um grande equilíbrio na Superliga. A briga vai
ser boa e todo mundo é favorito, mas nosso objetivo
é chegar nas finais. Tenho total confiança no
trabalho do Zé Roberto, comenta.
Campeões da Liga Nacional,
competição que garante duas vagas na Superliga,
os catarinenses da Cimed surgem como uma das novas forças
do vôlei nacional. Mesmo assim, o técnico do
time, Renan Dal Zotto, prefere não fazer apostas. Estamos
com uma expectativa grande por conta da juventude de nosso
grupo e esperamos ficar entre os quatro primeiros. Mas sei
que vai ser muito complicado e o jogo seguinte sempre será
o mais difícil, comenta o medalhista de prata
em Los Angeles-84. Entre os destaques da equipe está
o levantador Bruno Resende, filho do técnico Bernardinho.
Quatro equipes gaúchas
também vão tentar mostrar a força do
vôlei no Sul do país: Bento Vôlei, On Line,
UCS/Colombo e a própria Ulbra. Campeão da última
edição do Estadual do Rio Grande do Sul, o Bento
acredita no bom desempenho dos jogadores e no potencial da
equipe. Estamos trabalhando para ficar entre os seis
melhores, mas vamos lutar até o final para estar entre
os quatro primeiros, promete o técnico Carlos
Alberto Castanheira, o Cebola.
Já Ricardo Navajas, da
Ulbra, não aposta somente em seus jogadores. O
objetivo é ganhar a Superliga, mas vamos depender do
fator sorte no cruzamento dos playoffs. Não somos o
time mais forte, analisa. Opinião semelhante
tem Jorge Schmidt, treinador da On Line. Passar pela
primeira etapa é o nosso objetivo, afirma. O
ponteiro da UCS, Dante Trevisan, revela que sua equipe possui
a mesma meta. Nosso time é jovem e todo mundo
tem que jogar bem para ficar entre os oito melhores do torneio,
opina.
Existem as equipes de nome
e as que estão tentando buscar espaço. Somos
o último caso. É com este espírito
que o treinador Marcelo Madeira define o Aramaçan/Shop.
ABC/Santo André para a disputa da Superliga, lema copiado
por outras equipes paulistas, exceção feita
ao Banespa. Somos estreantes, mas a gente sempre vai
querer aprontar uma surpresa, aposta José Izar,
técnico do Lupo/Náutico/Araraquara. O ponteiro
Filipi, da Wizard/Campinas, que será comandado por
Percy Oncken, concorda: Vamos mostrar nossa cara, mas
não dá para falar em posições
por enquanto.
Confira
a tabela da Superliga masculina
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