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05/12/05
Montagem sobre fotos

Sem estrelas, Superliga masculina deve ser muito equilibrada

Se existe alguma coisa em comum entre o vôlei masculino e o futebol, com certeza é a fuga dos melhores jogadores para campeonatos mais ricos, como os europeus. E este fato vai se repetir na Superliga desta temporada. Quando a edição 05/06 da disputa entre os homens começar, a torcida poderá acompanhar de perto apenas dois jogadores relacionados na última convocação de Bernardinho: Samuel, do Minas/Telemig Celular, e Ézinho, da Unisul/Barueri. O capitão da equipe catarinense, no entanto, só disputou a Copa dos Campeões por conta do corte de Dante, que ainda se recuperava de uma lesão no ombro esquerdo.

Atraídos pelos euros, todas as outras estrelas da seleção campeã em Atenas-2004 estão atuando na Itália nesta temporada. Porém, é possível ver um lado positivo nesta situação, de acordo com o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça. “O fato de alguns jogadores estarem no exterior é ruim, mas, por outro lado dá uma chance para novos talentos aparecerem”, acredita o dirigente, que também aposta em uma mudança neste panorama. “Com a queda do dólar, nossos times vão ficar mais competitivos no mercado”, prevê.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
O técnico da Unisul, José Roberto Guimarães

Outra curiosidade desta edição da Superliga é que a disputa já teve uma prévia: o Campeonato Paulista. Nada menos que oito dos nove participantes do Estadual de São Paulo vão tentar o título brasileiro (Banespa/São Bernardo, Lupo/Náutico/Araraquara, São Caetano/Tamoyo, Shop. ABC/Aramaçan/Santo André, Telemig Celular/Minas, Ulbra/Ferraz/SPFC, Unisul/Nexxera, Wizard/Campinas). E é exatamente por ter se sagrado campeão paulista que o Minas é apontado como uma das equipes favoritas ao título.

“Na minha opinião, o Minas está em melhores condições porque manteve a base do ano passado. A equipe deles é forte e bastante homogênea”, aposta o experiente técnico Ricardo Navajas, que vai dirigir a Ulbra/Ferraz/SPFC. Técnico do time de Belo Horizonte, atual vice-campeão brasileiro, o argentino Jon Uriarte prefere adotar um discurso mais cauteloso. “A Superliga é o nosso grande objetivo na temporada, mas é uma competição longa e podem acontecer muitas coisas. Temos que fazer um trabalho a longo prazo, pois muitas equipes fortes estão disputando o torneio. Não podemos relaxar”, afirma.

Apesar de também não esbanjar otimismo, o levantador Marlon, capitão do Minas, está um pouco mais animado que o treinador. “Acho que somos um sério candidato a chegar na final, pois o título paulista nos deu uma motivação a mais. Mas o Banespa, a Unisul, a Cimed e a On Line também são favoritos”, comenta.

Atual campeão da Superliga, o Banespa aposta na sua tradição de revelar novos talentos para tentar o bi no torneio, já que não pode contar mais com Nalbert, que foi para o vôlei de praia, nem Vinhedo, negociado com a Unisul. “Sempre pensamos em chegar na decisão, mas dessa vez vamos depender da superação dos jovens. Estamos bem desfalcados, mas o segredo é manter um rendimento em torno de 80 a 90% em todos os jogos, ao invés de ficar oscilando entre o 30% em uma partida e o 100% na seguinte”, analisa o técnico Mauro Grasso, que já está fazendo um trabalho psicológico com os jogadores do Banespa. “Faço isso para que eles respondam à altura na hora da decisão”, emenda.

Comandada por José Roberto Guimarães, a Unisul também surge como uma das candidatas à taça, uma vez que conta com um elenco forte, composto por Ézinho, Vinhedo e João Paulo. O vice-campeonato Paulista, porém, deixou o experiente treinador em alerta. “Temos que trabalhar o time e melhorar principalmente o sistema defensivo, que é o nosso calcanhar-de-aquiles”, analisa. Supervisor esportivo da equipe, Giovane Gávio também prevê um grande equilíbrio na Superliga. “A briga vai ser boa e todo mundo é favorito, mas nosso objetivo é chegar nas finais. Tenho total confiança no trabalho do Zé Roberto”, comenta.

Campeões da Liga Nacional, competição que garante duas vagas na Superliga, os catarinenses da Cimed surgem como uma das novas forças do vôlei nacional. Mesmo assim, o técnico do time, Renan Dal Zotto, prefere não fazer apostas. “Estamos com uma expectativa grande por conta da juventude de nosso grupo e esperamos ficar entre os quatro primeiros. Mas sei que vai ser muito complicado e o jogo seguinte sempre será o mais difícil”, comenta o medalhista de prata em Los Angeles-84. Entre os destaques da equipe está o levantador Bruno Resende, filho do técnico Bernardinho.

Quatro equipes gaúchas também vão tentar mostrar a força do vôlei no Sul do país: Bento Vôlei, On Line, UCS/Colombo e a própria Ulbra. Campeão da última edição do Estadual do Rio Grande do Sul, o Bento acredita no bom desempenho dos jogadores e no potencial da equipe. “Estamos trabalhando para ficar entre os seis melhores, mas vamos lutar até o final para estar entre os quatro primeiros”, promete o técnico Carlos Alberto Castanheira, o Cebola.

Já Ricardo Navajas, da Ulbra, não aposta somente em seus jogadores. “O objetivo é ganhar a Superliga, mas vamos depender do fator sorte no cruzamento dos playoffs. Não somos o time mais forte”, analisa. Opinião semelhante tem Jorge Schmidt, treinador da On Line. “Passar pela primeira etapa é o nosso objetivo”, afirma. O ponteiro da UCS, Dante Trevisan, revela que sua equipe possui a mesma meta. “Nosso time é jovem e todo mundo tem que jogar bem para ficar entre os oito melhores do torneio”, opina.

“Existem as equipes de nome e as que estão tentando buscar espaço. Somos o último caso”. É com este espírito que o treinador Marcelo Madeira define o Aramaçan/Shop. ABC/Santo André para a disputa da Superliga, lema copiado por outras equipes paulistas, exceção feita ao Banespa. “Somos estreantes, mas a gente sempre vai querer aprontar uma surpresa”, aposta José Izar, técnico do Lupo/Náutico/Araraquara. O ponteiro Filipi, da Wizard/Campinas, que será comandado por Percy Oncken, concorda: “Vamos mostrar nossa cara, mas não dá para falar em posições por enquanto”.

Confira a tabela da Superliga masculina

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