Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Após a fracassada campanha na Copa do Mundo de futebol,
os torcedores brasileiros mais supersticiosos têm motivos
para se preocupar com o time masculino de vôlei. Afinal,
assim como nos gramados, a equipe brasileira é a favorita
para ganhar o hexa em um campeonato que envolve os melhores
combinados do mundo: a Liga Mundial de Vôlei. A estréia
será contra a Argentina, em San Juan, no dia 15 de julho.
Porém, se depender do técnico Bernardinho e dos jogadores,
as semelhanças param por aí. Primeiro, porque a seleção
pode ter passado por alguns momentos complicados, mas
venceu com todas as honras o seu principal desafio:
as Olimpíadas de Atenas. Segundo, porque o time (ao
que transparece) está realmente treinando sério para
a disputa. E terceiro, porque os atletas parecem ainda
não ter se convencido que a fama é motivo suficiente
para descuidar da forma física e perder a vontade de
vencer.
"A Liga Mundial é uma competição importante, na qual
mostraremos a mesma vontade de ganhar de sempre. Já
fomos bem no ano passado, conquistando a própria Liga
Mundial e a Copa dos Campeões", comenta o atacante Giba,
uma das estrelas da seleção. Para ele, o técnico Bernardinho
saberá cuidar do astral do time. "Tenho certeza que
ele vai continuar puxando o grupo para cima. Vamos manter
o entusiasmo que faz de nós um time diferenciado", assegura.
O técnico explica como está organizando os treinamentos,
já que a boa parte dos jogadores acabou de passar por
uma temporada bastante disputada, seja na Itália, na
Grécia ou no Brasil. "Estamos crescendo aos poucos.
O Giba (ponta) está voltando de uma lesão muscular e
o Sidão (meio-de-rede) se recuperou de uma tendinite.
Os trabalhos táticos têm melhorado bastante. Isso é
um bom sinal", afirma o treinador.
"A maior preocupação é ritmo de jogo. Priorizamos
os treinamentos porque a maioria dos jogadores veio
da Europa, onde estavam jogando muito por seus clubes.
Vamos tentar compensar a falta de ritmo com determinação
e vontade", completa Bernardinho. O medo de problemas
físicos ainda fez com que a comissão técnica adiasse
a apresentação de alguns atletas, de forma que todos
pudessem usufruir pelo menos um pouco de férias.
No início de maio, foram chamados o levantador Bruno
Rezende, os opostos Evandro e Leandrão, os pontas Murilo,
Samuel e Ézinho, além dos meios-de-rede Lucas e Sidão.
Eles formaram a base para a seleção de novos em uma
série de amistosos realizados no início da temporada
de seleções. Depois, chegaram Anderson, Giba, André
Nascimento, Escadinha, Ricardinho, André Heller. Por
fim, vieram Marcelinho, Rodrigão, Dante e Gustavo.
Bernardinho admite que a Liga Mundial será uma espécie
de treinamento para o Campeonato Mundial, competição
mais importante do ano, programada para novembro. "Temos
que pensar na Liga Mundial, por ser o primeiro torneio
que teremos no ano, mas já estamos trabalhando forte
para chegar bem ao Mundial. Precisamos resgatar nosso
grupo principal, agregar mais coisas novas às nossas
atuações. É um projeto escrito a 40 mãos", declara.
O capitão do time, Ricardinho deixa claro que a seleção
brasileira vai levar a Liga a sério. "Temos de conseguir
o maior número de vitórias no início para assegurar
logo a classificação para as finais. Depois dar uma
acertada no time nos últimos jogos da primeira fase,
em Fortaleza (contra Portugal, nos dias 19 e 20 de agosto),
para chegar bem à fase final, que começa logo depois
(no dia 23 de agosto)", estabelece.
Para o ponta Dante, esta será uma competição mais complicada
que as outras. "Chegando à fase final, vamos enfrentar
a Rússia em Moscou. É complicado, mas não é nada que
impeça o título. Estamos treinando muito para superar
isso", garante. "Nas finais, a equipe vai estar mais
lapidada", aposta o líbero Escadinha.
E é bom o time titular ficar esperto, porque Bernardinho
já cansou de mostrar que, se não jogarem bem, as estrelas
vão para a reserva. Por sua vez, os novatos prometem
não desperdiçar a oportunidade de mostrar seu trabalho.
É o caso de Sidão, melhor bloqueio da última Superliga,
que vai defender o time italiano do Modena na próxima
temporada. "Estou realizando meus sonhos: chegar à seleção,
jogar no Italiano. Isso está acontecendo porque eu treino
muito. Fui o melhor bloqueio da Superliga porque treinei
bloqueio. Se eu treinar mais, posso ser o melhor ataque
e o melhor saque também. O que eu faço no treinamento
é o que faço no jogo", assegura.
Melhor levantador do último Nacional, Bruno Rezende,
filho de Bernardinho com a ex-jogadora Vera Mossa, já
desperta a atenção do prestigiado Ricardinho. "O Bruno
é abusado, tem estilo próprio, mas ainda precisa de
mais precisão. O importante é que ele tem humildade
para aprender. E estou à disposição para ensinar", comenta.
Entretanto, o filho do técnico acabou ficando
fora da lista de 14 que viajaram para a estréia
contra a Argentina. Bernardinho levou os levantadores
Marcelinho e Ricardinho, os opostos Anderson e André
Nascimento, os pontas Dante, Ezinho, Giba, Murilo e
Samuel e os meios de rede Lucas, Sidão, André
Heller e Rodrigão.
O Brasil está no grupo B da Liga Mundial e enfrentará
Argentina, Portugal e Finlândia na primeira fase. Os
portugueses foram responsáveis pela única derrota brasileira
em 2005. A fase final da Liga Mundial será disputada
em Moscou, na Rússia, de 23 a 27 de agosto. O país venceu
as edições de 1993, 2001, 2003, 2004 e 2005 da competição.
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