Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Dona dos títulos das últimas nove competições internacionais
que disputou, a seleção brasileira feminina de vôlei estréia
nesta sexta no Grand Prix contra a Coréia do Sul, às 2
horas da madrugada. Mais do que a sua sexta taça, entretanto,
o time nacional busca a afirmação definitiva como maior
potência da modalidade no momento.
Após o fiasco dos últimos Jogos Olímpicos, quando
ficou com uma decepcionante quarta colocação, o Brasil
fez uma excelente campanha em 2005, obtendo 100% de
aproveitamento nos torneios da temporada. Isso, porém,
não foi o suficiente para que a equipe inspirasse tanta
confiança na torcida quanto a seleção masculina de Bernardinho.
| Foto Divulgação |
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| José Roberto Guimarães
decidiu apostar em uma mescla de nomes experientes
com novos talentos para o Grand Prix. |
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Em busca deste objetivo, o técnico José Roberto Guimarães
decidiu então apostar em uma mescla de nomes experientes
com novos talentos para o Grand Prix. O objetivo do
treinador é usar a competição como preparação para o
Campeonato Mundial, programado para novembro, no Japão,
e fazer testes, já que o atual ciclo olímpico se aproxima
da metade.
O calendário avisa: é a partir de agora que os times
vão começar a mostrar o seu verdadeiro potencial. Cuba,
por exemplo, sonha em voltar a ser o temido time de
dez anos atrás, enquanto a China busca reafirmar o que
a faz campeã olímpica. Já a Rússia está de volta após
um ano fora das competições internacionais. A Itália,
por sua vez, tenta ser a surpresa, assim como os Estados
Unidos e o Japão.
“A equipe do Brasil tem qualidade e ainda pode crescer
muito. Temos de evoluir essa capacidade de adaptação
às diferentes escolas, já pensando no Mundial. Enfrentaremos
adversários extremamente difíceis e a preparação tem
de ser no limite”, afirma o técnico Zé Roberto Guimarães.
Vontade é o que não vai faltar, garantem as atletas.
“Estamos treinando duro para, no mínimo, tocar em todas
as bolas. A relação do bloqueio com a defesa está cada
dia melhor. Que as adversárias não achem que vai ser
fácil passar por nós, pois não vai ser. Por causa do
que aconteceu no ano passado, minha vontade de vencer
é ainda mais forte”, garante a meio-de-rede Fabiana,
que às vésperas da edição 2005 da competição quebrou
o pé e não pôde entrar em quadra.
“Vai ser difícil, mas esse grupo é show. Uma ajuda
a outra. O que nos torna confiantes é saber que todas
estão unidas pelo mesmo objetivo”, complementa a atleta,
a mais alta da equipe, com 1,93m. Melhor jogadora da
partida que deu o título às brasileiras no ano passado,
quando marcou 31 pontos, Sheilla concorda. “Estamos
trabalhando pesado para que tudo dê certo e que consigamos
trazer o sexto título do torneio”, comentou.
As maiores novidades em relação ao ano passado são
as voltas da levantadora Fofão e da meio-de-rede Walewska.
Ambas não vestiam a camisa amarela desde Atenas-2004.
Ao lado da ex-capitã Valeskinha, que por determinação
de Zé Roberto deixa de ser meio-de-rede para atuar como
ponteira, elas serão as responsáveis por liderar o grupo.
Tarefa importante em uma seleção que tem o histórico
de ceder quando enfrenta grande pressão.
“A chegada de Walewska e da Fofão foi superimportante
e agora o grupo só tende a crescer. Temos que trabalhar
muito, já que somos o alvo principal das outras equipes”,
analisa a ponteira Jaqueline, que disputará posição
com ninguém menos que Sassá e Mari, além da própria
Valeskinha.
Destaque do último Grand Prix, quando foi eleita a
melhor jogadora, a atacante Paula Pequeno é o grande
desfalque da seleção. Mãe de Mel, nascida em junho,
a atleta corre para recuperar o melhor de sua forma
física e garantir sua vaga no Mundial. Experiente, Zé
Roberto quer utilizar essa disputa como motivação para
as jogadoras se darem ao máximo em quadra.
“Ninguém tem cadeira cativa. Todo mundo quer ficar
mais forte e ter a oportunidade de entrar e ajudar o
time. Essa competição sadia é o grande trunfo dessa
equipe”, comenta o técnico, que deposita grande confiança
na raça do time. “Temos um grupo com muita vontade de
treinar, de estar junto. As jogadoras estão concentradas
em um mesmo objetivo e têm espírito lutador. É um time
que joga com o coração. Espero que possamos fazer um
bom Grand Prix”, completa.
Até agora, a estratégia tem dado certo: em três torneios
disputados em 2006 foram três títulos - Mountreux Volley
Masters, Torneio de Courmayeur e a Copa Pan-americana
-, incluindo vitórias sobre Cuba e China. O único tropeço
aconteceu diante de Porto Rico, que custou uma invencibilidade
que chegava a 29 partidas.
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