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15/08/2006
Gazeta Press
Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Dona dos títulos das últimas nove competições internacionais que disputou, a seleção brasileira feminina de vôlei estréia nesta sexta no Grand Prix contra a Coréia do Sul, às 2 horas da madrugada. Mais do que a sua sexta taça, entretanto, o time nacional busca a afirmação definitiva como maior potência da modalidade no momento.

Após o fiasco dos últimos Jogos Olímpicos, quando ficou com uma decepcionante quarta colocação, o Brasil fez uma excelente campanha em 2005, obtendo 100% de aproveitamento nos torneios da temporada. Isso, porém, não foi o suficiente para que a equipe inspirasse tanta confiança na torcida quanto a seleção masculina de Bernardinho.

Foto Divulgação
José Roberto Guimarães decidiu apostar em uma mescla de nomes experientes com novos talentos para o Grand Prix.
Em busca deste objetivo, o técnico José Roberto Guimarães decidiu então apostar em uma mescla de nomes experientes com novos talentos para o Grand Prix. O objetivo do treinador é usar a competição como preparação para o Campeonato Mundial, programado para novembro, no Japão, e fazer testes, já que o atual ciclo olímpico se aproxima da metade.

O calendário avisa: é a partir de agora que os times vão começar a mostrar o seu verdadeiro potencial. Cuba, por exemplo, sonha em voltar a ser o temido time de dez anos atrás, enquanto a China busca reafirmar o que a faz campeã olímpica. Já a Rússia está de volta após um ano fora das competições internacionais. A Itália, por sua vez, tenta ser a surpresa, assim como os Estados Unidos e o Japão.

“A equipe do Brasil tem qualidade e ainda pode crescer muito. Temos de evoluir essa capacidade de adaptação às diferentes escolas, já pensando no Mundial. Enfrentaremos adversários extremamente difíceis e a preparação tem de ser no limite”, afirma o técnico Zé Roberto Guimarães.

Vontade é o que não vai faltar, garantem as atletas. “Estamos treinando duro para, no mínimo, tocar em todas as bolas. A relação do bloqueio com a defesa está cada dia melhor. Que as adversárias não achem que vai ser fácil passar por nós, pois não vai ser. Por causa do que aconteceu no ano passado, minha vontade de vencer é ainda mais forte”, garante a meio-de-rede Fabiana, que às vésperas da edição 2005 da competição quebrou o pé e não pôde entrar em quadra.

“Vai ser difícil, mas esse grupo é show. Uma ajuda a outra. O que nos torna confiantes é saber que todas estão unidas pelo mesmo objetivo”, complementa a atleta, a mais alta da equipe, com 1,93m. Melhor jogadora da partida que deu o título às brasileiras no ano passado, quando marcou 31 pontos, Sheilla concorda. “Estamos trabalhando pesado para que tudo dê certo e que consigamos trazer o sexto título do torneio”, comentou.

As maiores novidades em relação ao ano passado são as voltas da levantadora Fofão e da meio-de-rede Walewska. Ambas não vestiam a camisa amarela desde Atenas-2004. Ao lado da ex-capitã Valeskinha, que por determinação de Zé Roberto deixa de ser meio-de-rede para atuar como ponteira, elas serão as responsáveis por liderar o grupo. Tarefa importante em uma seleção que tem o histórico de ceder quando enfrenta grande pressão.

“A chegada de Walewska e da Fofão foi superimportante e agora o grupo só tende a crescer. Temos que trabalhar muito, já que somos o alvo principal das outras equipes”, analisa a ponteira Jaqueline, que disputará posição com ninguém menos que Sassá e Mari, além da própria Valeskinha.

Destaque do último Grand Prix, quando foi eleita a melhor jogadora, a atacante Paula Pequeno é o grande desfalque da seleção. Mãe de Mel, nascida em junho, a atleta corre para recuperar o melhor de sua forma física e garantir sua vaga no Mundial. Experiente, Zé Roberto quer utilizar essa disputa como motivação para as jogadoras se darem ao máximo em quadra.

“Ninguém tem cadeira cativa. Todo mundo quer ficar mais forte e ter a oportunidade de entrar e ajudar o time. Essa competição sadia é o grande trunfo dessa equipe”, comenta o técnico, que deposita grande confiança na raça do time. “Temos um grupo com muita vontade de treinar, de estar junto. As jogadoras estão concentradas em um mesmo objetivo e têm espírito lutador. É um time que joga com o coração. Espero que possamos fazer um bom Grand Prix”, completa.

Até agora, a estratégia tem dado certo: em três torneios disputados em 2006 foram três títulos - Mountreux Volley Masters, Torneio de Courmayeur e a Copa Pan-americana -, incluindo vitórias sobre Cuba e China. O único tropeço aconteceu diante de Porto Rico, que custou uma invencibilidade que chegava a 29 partidas.

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