Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net*
No Campeonato Mundial feminino, o maior obstáculo
do Brasil não serão as rápidas chinesas.
Muito menos as fortes cubanas ou as gigantes da Rússia.
Apesar da história de sucesso da seleção,
a torcida sempre desconfia: toda vez que o time nacional
chega como favorito a uma grande competição,
algo dá errado e a taça escapa. Foi o que
aconteceu nas Olimpíadas de Atenas, por exemplo.
E é exatamente para acabar com isso que as brasileiras
evitam falar em favoritismo na disputa, jamais vencida
pelo país.
Os números insistem em apresentar a equipe de
José Roberto Guimarães como principal
candidata ao título. Este ano, foram quatro títulos
em quatro torneios disputados (Montreux Volley Masters,
Torneio de Courmayeur, Copa Pan-americana e Grand Prix).
Sem contar o fato de o time ter perdido apenas uma vez
no ano: 3 a 2 diante de Porto Rico na Copa Pan-americana.
Justamente o adversário da estréia brasileira
no Mundial, na madrugada desta terça-feira.
| Foto Alexandre Arruda/CBV/Divulgação |
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| José Roberto Guimarães:
favoritismo preocupa comissão técnica |
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Exatamente para evitar novas decepções
que o favoritismo é visto com preocupação
pela comissão técnica e jogadoras do Brasil.
“No último Mundial de basquete feminino,
falou-se muito nos Estados Unidos, mas as norte-americanas
perderam a semifinal para a Rússia e acabaram
em terceiro lugar”, exemplifica o técnico
José Roberto Guimarães. “Não
estamos à frente das rivais, mas entre as equipes
que têm chances de conquistar o título,
assim como China, Cuba, Rússia e Itália”,
complementa, modesto.
Ele aponta os maiores perigos das seleções
estrangeiras. “A base de Cuba é a mesma
que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos
de Atenas. A China passa por uma renovação
natural, mas tem no time titular cinco jogadoras que
foram campeãs olímpicas. Já a Rússia
conta Sokolova, Gamova e Godina. Nos Estados Unidos,
a Keba (Phips) parou de jogar, mas as outras jogadoras
estão aí. E a Itália vem com o
mesmo time que ganhou o último Mundial”,
descreve.
O discurso do técnico não é apenas
para a imprensa. De acordo com a oposto Sheilla, Zé
Roberto fez o máximo para que as jogadoras mantivessem
o foco no Mundial. “Ele fala para nós que
não há favorito absoluto. E todas as jogadoras
estão tranqüilas quanto a isso, pois qualquer
errinho pode decidir uma partida. Os times estão
equiparados”, analisa.
O treinador, inclusive, não concorda com o companheiro
de profissão Bernardinho, que disse considerar
a atual seleção a de maior potencial na
história. “Acho que o time de 1996 também
tinha um grande potencial. Este grupo ainda tem de provar
seu valor”, despista.
Por isso, a rotina de treinos específicos para
a competição foi intensa. Durante quase
um mês, as jogadoras treinavam de segunda a sexta
no Centro de Desenvolvimento de Voleibol da CBV, em
Saquarema. Lá, o dia começava às
9 horas com duas horas exercícios físicos
e uma hora e meia de treinos com bola. Depois do almoço
as atletas ganhavam um descanso até às
17h30, quando começava os treinos táticos,
focados principalmente nos contra-ataques, que podiam
durar mais outras três horas.
“A idéia era assimilar duas coisas: a
técnica que o Brasil já possui naturalmente
com a força física. Mudamos também
alguns aspectos do nosso jogo porque sabemos que o Brasil
tornou-se uma equipe muito visada. O Zé queria
algo diferente para surpreender”, revela a capitã
Fofão, que não reclama da carga horária
puxada. “O voleibol agora exige muita repetição
e um bom trabalho de técnica. Tudo acontece muito
rápido no jogo”, explica.
De acordo com ela, outra arma brasileira é o
excelente clima entre as atletas. “É uma
filosofia que o Zé implantou na equipe: “Não
temos uma estrela, mas sim várias”. Todas
têm a oportunidade de ser titular, então
a cada dia buscamos nos dar ao máximo porque
sabemos que quem estiver bem vai sair jogando”,
explica.
Melhor jogadora do Grand Prix 2006, Sheilla embasa
as palavras da colega. “Uma das coisas mais legais
da seleção é o relacionamento.
As meninas estão rindo o tempo inteiro. Estamos
desde maio juntas, mas parece que nos encontramos. Acho
que essa é a força do grupo”, aponta
a atleta, que só promete uma coisa: vibração
não vai faltar. “Nós temos que continuar
assim: crescendo, treinando bastante, correndo atrás
dos torneios que a gente não tem, como as Olimpíadas
e o Mundial. Ainda não chegamos a lugar nenhum,
mas estamos no caminho certo”, acredita.
* Colaborou Elói Silveira
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