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30/10/2006
Montagem sobre fotos Alexandre Arruda/CBV/Divulgação
Fofão e Sheilla: pilares de duas gerações em um mesmo time

Campanha do Brasil em todos os Mundiais
Ano Classificação Campeão Local
1952 Não disputou URSS URSS
1956 11º lugar URSS França
1960 5º lugar URSS Brasil
1962 8º lugar Japão URSS
1967 Não disputou Japão Japão
1970 13º lugar URSS Bulgária
1974 15º lugar Japão México
1978 7º lugar Cuba URSS
1982 8º lugar China Peru

1986

5º lugar China Tchecoslováquia
1990 7º lugar URSS China
1994 Vice-campeão Cuba Brasil
1998 4º lugar Cuba Japão
2002 7º lugar Itália Alemanha
Destaques do Brasil na impressionante campanha desta temporada (quatro títulos em quatro competições disputadas), a levantadora Fofão e a atacante Sheilla retratam bem a atual situação da equipe: um grupo renovado, mas que não dispensa as orientações de uma geração que alçou o país à condição de protagonista do vôlei feminino mundial.

Aos 36 anos, Fofão é, ao lado da meio-de-rede Walewska, remanescente das belas seleções que contaram com nomes como Fernanda Venturini, Leila, Virna, Érika, Ana Moser, Márcia Fu, entre outras. Por isso, possui a responsabilidade de comandar a transição dentro de quadra. Com a experiência de nada menos que quatro Olimpíadas e dois bronzes conquistados Fofão foi designada por José Roberto Guimarães para ser a capitã da seleção nacional. “Ela é o centro do time”, reconhece o treinador.

Mas de nada adianta bons levantamentos e cabeça no lugar se o time não tem sucesso no ataque. E, na equipe brasileira, a garantia de bola no chão da quadra adversária tem um nome: Sheilla. Eleita melhor jogadora do último Grand Prix, a atleta de 23 anos mostrou aproveitamento de 53,54% nos ataques que realizou na competição, perdendo apenas para a companheira de time, Fabiana. A jovem mineira, porém, ainda figurou como segunda melhor sacadora e terceira maior pontuadora da disputa.

O interessante é que os bons números apareceram quase de repente. Isso porque em 2004 ela sequer era cotada para integrar a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Atenas. Ainda assim, a atleta não se diz triste, justamente por entender que precisava de mais experiência para fixar seu nome no cenário esportivo. “Sabia que eu tinha outra Olimpíada e outro Mundial pela frente, pois estava com 19 para 20 anos. Por isso, fiquei tranqüila”, relembra.

Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação
Fofão e Sheilla: a mais experiente em quadra e a melhor jogadora do Grand Prix

Fofão, por sua vez, viveu uma situação exatamente oposta. Convocação certa para a disputa na Grécia, ela esteve no time que por muito pouco não chegou à final olímpica. Há muitos anos sem curtir férias, porém, a jogadora pediu para não ser convocada para a equipe nacional na temporada 2005, exatamente quando Sheilla começou a se destacar e o Brasil ganhou todos os torneios que disputou.

Questionada se ficou com medo de não voltar ao time este ano por conta do sucesso daquele grupo, Fofão mostrou a serenidade de quem já passou por muitas experiências no esporte. “Depois das Olimpíadas de 2004 a gente sabia que haveria uma renovação, mas eu estava tranqüila: se fosse convocada, iria com prazer. Caso contrário, minha vida continuaria do mesmo jeito”, comenta a jogadora. “Não podemos viver como se a seleção fosse a última coisa do mundo. Eu iria continuar torcendo de qualquer jeito”, declara.

Um pouco mais de conversa e Fofão revela que não ficou tão afastada assim da seleção em 2005. E que manteve sempre o contato com o grupo e, principalmente, com a comissão técnica. “Eu sempre conversei com o Zé, ele me ligava para saber como estava na Itália... E ele sempre deixou claro que este ano eu faria parte do time desde o começo”, comenta.

No último Mundial, em 2002, as duas jogadoras também viviam momentos opostos. A levantadora havia pedido dispensa ao lado de Érika, Virna, Raquel, Walewska e Elisângela por não concordarem com a postura de trabalho do então técnico Marco Aurélio Motta. O treinador então se viu obrigado a apostar em alguns jovens nomes às pressas: e um deles era o de Sheilla.

Apesar de muito jovem na época (19 anos), a oposto diz que foi a partir daquele torneio que começou a evoluir para valer no vôlei. “Para mim, aquela convocação foi uma surpresa, pois eu era juvenil e nem esperava entrar no adulto. Fiquei feliz e, apesar de não ter jogado o tempo inteiro no Mundial, fiz bons avanços e fui crescendo e conseguindo mais status”, analisa.

Apelidada pelas companheiras de equipe como “Rainha das largadinhas”, graças à sua grande habilidade com a jogada, Sheilla esbanja confiança, característica essencial para uma atacante. E não acredita que seja uma privilegiada por jogar como oposto, posição que na seleção brasileira divide apenas com Renatinha, enquanto na ponta a disputa é entre Jaqueline, Mari, Paula Pequeno e Sassá. Pelo contrário.

“É mais fácil a oposto aparecer, mas isso não quer dizer que a posição seja menos concorrida que as outras. Muitas jovens opostos estão crescendo. Só que quanto mais gente melhor, porque todos evoluem. É um estímulo a mais para mim”, afirma a atleta, que se diz pronta para encarar o desafio do Mundial. “Estou preparada para ser a bola de confiança do time. A Fofão confia em mim e eu espero continuar retribuindo”.

Apontada pelo técnico Bernardinho como uma das melhores atacantes do mundo depois de Ana Moser, a atacante aparentemente evita se deixar levar pelos elogios. “É sempre bom ouvir isso dele, que é um dos melhores técnicos do mundo. Fico feliz e espero continuar evoluindo para ele continuar achando isso”, promete.

Fofão é outra que pretende pensar ano a ano, sem promessas para a torcida. “A minha proposta é acabar o ano bem e depois pensar no próximo. Ir aos poucos: estou treinando e se conseguir ir até uma Olimpíada, vou ficar muito feliz”, comenta a atleta, que ainda não faz planos de aposentadoria. “Essas coisas eu não marco, vou sentir quando é a hora. Essas coisas te deixam muito presa”, finaliza.

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