Fofão e
Sheilla: pilares de duas gerações em um
mesmo time
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Campanha
do Brasil em todos os Mundiais |
| Ano |
Classificação |
Campeão |
Local |
| 1952 |
Não disputou |
URSS |
URSS |
| 1956 |
11º lugar |
URSS |
França |
| 1960 |
5º lugar |
URSS |
Brasil |
| 1962 |
8º lugar |
Japão |
URSS |
| 1967 |
Não disputou |
Japão |
Japão |
| 1970 |
13º lugar |
URSS |
Bulgária |
| 1974 |
15º lugar |
Japão |
México |
| 1978 |
7º lugar |
Cuba |
URSS |
| 1982 |
8º lugar |
China |
Peru |
| 1986 |
5º lugar |
China |
Tchecoslováquia |
| 1990 |
7º lugar |
URSS |
China |
| 1994 |
Vice-campeão |
Cuba |
Brasil |
| 1998 |
4º lugar |
Cuba |
Japão |
| 2002 |
7º lugar |
Itália |
Alemanha |
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Destaques do Brasil na impressionante campanha desta temporada
(quatro títulos em quatro competições
disputadas), a levantadora Fofão e a atacante Sheilla
retratam bem a atual situação da equipe:
um grupo renovado, mas que não dispensa as orientações
de uma geração que alçou o país
à condição de protagonista do vôlei
feminino mundial.
Aos 36 anos, Fofão é, ao lado da meio-de-rede
Walewska, remanescente das belas seleções
que contaram com nomes como Fernanda Venturini, Leila,
Virna, Érika, Ana Moser, Márcia Fu, entre
outras. Por isso, possui a responsabilidade de comandar
a transição dentro de quadra. Com a experiência
de nada menos que quatro Olimpíadas e dois bronzes
conquistados Fofão foi designada por José
Roberto Guimarães para ser a capitã da
seleção nacional. “Ela é
o centro do time”, reconhece o treinador.
Mas de nada adianta bons levantamentos e cabeça
no lugar se o time não tem sucesso no ataque.
E, na equipe brasileira, a garantia de bola no chão
da quadra adversária tem um nome: Sheilla. Eleita
melhor jogadora do último Grand Prix, a atleta
de 23 anos mostrou aproveitamento de 53,54% nos ataques
que realizou na competição, perdendo apenas
para a companheira de time, Fabiana. A jovem mineira,
porém, ainda figurou como segunda melhor sacadora
e terceira maior pontuadora da disputa.
O interessante é que os bons números
apareceram quase de repente. Isso porque em 2004 ela
sequer era cotada para integrar a seleção
brasileira nos Jogos Olímpicos de Atenas. Ainda
assim, a atleta não se diz triste, justamente
por entender que precisava de mais experiência
para fixar seu nome no cenário esportivo. “Sabia
que eu tinha outra Olimpíada e outro Mundial
pela frente, pois estava com 19 para 20 anos. Por isso,
fiquei tranqüila”, relembra.
| Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação |
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| Fofão e Sheilla:
a mais experiente em quadra e a melhor jogadora
do Grand Prix |
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Fofão, por sua vez, viveu uma situação
exatamente oposta. Convocação certa para
a disputa na Grécia, ela esteve no time que por
muito pouco não chegou à final olímpica.
Há muitos anos sem curtir férias, porém,
a jogadora pediu para não ser convocada para
a equipe nacional na temporada 2005, exatamente quando
Sheilla começou a se destacar e o Brasil ganhou
todos os torneios que disputou.
Questionada se ficou com medo de não voltar
ao time este ano por conta do sucesso daquele grupo,
Fofão mostrou a serenidade de quem já
passou por muitas experiências no esporte. “Depois
das Olimpíadas de 2004 a gente sabia que haveria
uma renovação, mas eu estava tranqüila:
se fosse convocada, iria com prazer. Caso contrário,
minha vida continuaria do mesmo jeito”, comenta
a jogadora. “Não podemos viver como se
a seleção fosse a última coisa
do mundo. Eu iria continuar torcendo de qualquer jeito”,
declara.
Um pouco mais de conversa e Fofão revela que
não ficou tão afastada assim da seleção
em 2005. E que manteve sempre o contato com o grupo
e, principalmente, com a comissão técnica.
“Eu sempre conversei com o Zé, ele me ligava
para saber como estava na Itália... E ele sempre
deixou claro que este ano eu faria parte do time desde
o começo”, comenta.
No último Mundial, em 2002, as duas jogadoras
também viviam momentos opostos. A levantadora
havia pedido dispensa ao lado de Érika, Virna,
Raquel, Walewska e Elisângela por não concordarem
com a postura de trabalho do então técnico
Marco Aurélio Motta. O treinador então
se viu obrigado a apostar em alguns jovens nomes às
pressas: e um deles era o de Sheilla.
Apesar de muito jovem na época (19 anos), a
oposto diz que foi a partir daquele torneio que começou
a evoluir para valer no vôlei. “Para mim,
aquela convocação foi uma surpresa, pois
eu era juvenil e nem esperava entrar no adulto. Fiquei
feliz e, apesar de não ter jogado o tempo inteiro
no Mundial, fiz bons avanços e fui crescendo
e conseguindo mais status”, analisa.
Apelidada pelas companheiras de equipe como “Rainha
das largadinhas”, graças à sua grande
habilidade com a jogada, Sheilla esbanja confiança,
característica essencial para uma atacante. E
não acredita que seja uma privilegiada por jogar
como oposto, posição que na seleção
brasileira divide apenas com Renatinha, enquanto na
ponta a disputa é entre Jaqueline, Mari, Paula
Pequeno e Sassá. Pelo contrário.
“É mais fácil a oposto aparecer,
mas isso não quer dizer que a posição
seja menos concorrida que as outras. Muitas jovens opostos
estão crescendo. Só que quanto mais gente
melhor, porque todos evoluem. É um estímulo
a mais para mim”, afirma a atleta, que se diz
pronta para encarar o desafio do Mundial. “Estou
preparada para ser a bola de confiança do time.
A Fofão confia em mim e eu espero continuar retribuindo”.
Apontada pelo técnico Bernardinho como uma das
melhores atacantes do mundo depois de Ana Moser, a atacante
aparentemente evita se deixar levar pelos elogios. “É
sempre bom ouvir isso dele, que é um dos melhores
técnicos do mundo. Fico feliz e espero continuar
evoluindo para ele continuar achando isso”, promete.
Fofão é outra que pretende pensar ano
a ano, sem promessas para a torcida. “A minha
proposta é acabar o ano bem e depois pensar no
próximo. Ir aos poucos: estou treinando e se
conseguir ir até uma Olimpíada, vou ficar
muito feliz”, comenta a atleta, que ainda não
faz planos de aposentadoria. “Essas coisas eu
não marco, vou sentir quando é a hora.
Essas coisas te deixam muito presa”, finaliza.
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