| CBV e clubes
se viram como podem
Sem grandes armas para lutar contra o poder do dinheiro oferecido
pelos estrangeiros, a Confederação Brasileira de Vôlei e os
times nacionais fazem o que podem para evitar o enfraquecimento
dos campeonatos nacionais. As medidas vão desde acordo com federações
internacionais até uma boa conversa com os atletas, além do
repatriamento de alguns jogadores que já não possuem grande
destaque.
Um acordo político feito entre a CBV e a Federação Italiana,
por exemplo, impede que atletas brasileiros menores de 23
anos joguem por clubes de lá. Mas não se trata de uma proibição
propriamente dita, o que faz com que algumas equipes tentem
tirar talentos nacionais que começam a se destacar por aqui.
Na avaliação dos dirigentes e técnicos nacionais, a saída
prematura de um atleta pode comprometer toda a sua carreira.
“Uma coisa que me preocupa é o procurador. Nesta ânsia de
ganhar dinheiro, ele manda o garoto muito prematuramente para
fora. Um Felipe Chupita, por exemplo, foi cedo demais e muitas
vezes acaba relegado ao segundo plano, jogando pouco. O que
é bom na Itália, que é o melhor campeonato, é o cara
poder jogar”, explica o técnico Bernardinho. “Alguns jogadores
nossos ficaram no meio do caminho, poderiam ter rendido mais
se tivessem jogado mais”, emenda.
Sabendo disso, muitos técnicos tentam sentar e conversar
com seus atletas para, em nome de um futuro promissor, permanecer
no Brasil até que apareça uma proposta realmente fenomenal.
“Tentamos passar um pouco da experiência que temos, mas muitas
vezes entendemos as necessidades de cada um. O Bob, por exemplo,
era um garoto que estava precisando financeiramente e aí recebeu
uma proposta muito boa da Coréia, ganhando o que nunca iria
ganhar aqui no Brasil. Infelizmente não temos como controlar
isso, mas tentamos orientar principalmente os garotos mais
jovens para que eles pensem sempre a longo prazo e não apenas
no próximo ano”, afirmou Renan Dal Zotto, técnico da
Cimed.
Com passagens por Itália, Bélgica e Porto Rico, o ex-jogador
da seleção Kid avalia que o dinheiro faz com que muitos atletas
desistam de chegar ao topo da modalidade. “Para mim, quem
vai jogar em um lugar como a Finlândia, por exemplo, não tem
a pretensão de estar em uma seleção brasileira”, explica o
atleta, afirmando que ele mesmo usou esta lógica quando decidiu
sair do Brasil, por volta das Olimpíadas de Sidney-2000. “Eu
tinha encerrado um ciclo e não tinha mais o objetivo de continuar
na seleção. Então, fiquei aberto a novas oportunidades”, explicou.
| Foto: Divulgação/CBV |
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| Ex-atleta da seleção de Bernardinho, Henrique
é um dos repatriados da Superliga depois de maus
bocados na Itália |
E, já que não é possível contar
com atletas do porte de Giba e Ricardinho, os clubes nacionais
estão contando com estrelas de outros tempos que estavam no
exterior. É o caso do próprio Kid, que agora atua pela On Line,
de Raquel e Elisângela, ambas bronze em Sidney-2000 e agora
no Finasa/Osasco, além Henrique, que participou de diversas
conquistas da Era Bernardinho na seleção brasileira, e agora
defende a Unisul/Nexxera.
“Estamos tentando resgatar os atletas e todo mundo tem que
fazer isso: aos poucos as equipes têm que procurar trazer
de volta a seleção brasileira para melhorar cada vez mais
o campeonato. Sem o ideal, perdemos espetáculo e interesse”,
comenta o ex-jogador Giovane Gávio, agora dirigente da Unisul/Nexxera.
Ele, porém, alerta para o risco de os times quebrarem seus
caixas. “É bom todos estarem aqui, mas isso é um processo
que tem que ser feito com calma”, adverte.
Outra solução, para clubes com maior poder aquisitivo, é
a contratação de estrangeiros, caso da Cimed/Florianópolis,
que conta com o argentino Marco Milinkovic, e do Cimed/Macaé,
de Danielle Scott. No sentido contrário do movimento, a norte-americana
não pretende sair do vôlei nacional. “O campeonato aqui é
forte, tem três, quatro times bem competitivos e isso é bom.
Pretendo jogar por mais uns dois anos e depois vai depender
do meu marido. Não sei se a gente fica definitivamente no
Brasil. Mas parece que sim”, promete, apaixonada pelo país..
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