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26/02/2007
Montagem sobre fotos Divulgação

CBV e clubes se viram como podem

Sem grandes armas para lutar contra o poder do dinheiro oferecido pelos estrangeiros, a Confederação Brasileira de Vôlei e os times nacionais fazem o que podem para evitar o enfraquecimento dos campeonatos nacionais. As medidas vão desde acordo com federações internacionais até uma boa conversa com os atletas, além do repatriamento de alguns jogadores que já não possuem grande destaque.

Um acordo político feito entre a CBV e a Federação Italiana, por exemplo, impede que atletas brasileiros menores de 23 anos joguem por clubes de lá. Mas não se trata de uma proibição propriamente dita, o que faz com que algumas equipes tentem tirar talentos nacionais que começam a se destacar por aqui. Na avaliação dos dirigentes e técnicos nacionais, a saída prematura de um atleta pode comprometer toda a sua carreira.

“Uma coisa que me preocupa é o procurador. Nesta ânsia de ganhar dinheiro, ele manda o garoto muito prematuramente para fora. Um Felipe Chupita, por exemplo, foi cedo demais e muitas vezes acaba relegado ao segundo plano, jogando pouco. O que é bom na Itália, que é o melhor campeonato, é o cara poder jogar”, explica o técnico Bernardinho. “Alguns jogadores nossos ficaram no meio do caminho, poderiam ter rendido mais se tivessem jogado mais”, emenda.

Sabendo disso, muitos técnicos tentam sentar e conversar com seus atletas para, em nome de um futuro promissor, permanecer no Brasil até que apareça uma proposta realmente fenomenal. “Tentamos passar um pouco da experiência que temos, mas muitas vezes entendemos as necessidades de cada um. O Bob, por exemplo, era um garoto que estava precisando financeiramente e aí recebeu uma proposta muito boa da Coréia, ganhando o que nunca iria ganhar aqui no Brasil. Infelizmente não temos como controlar isso, mas tentamos orientar principalmente os garotos mais jovens para que eles pensem sempre a longo prazo e não apenas no próximo ano”, afirmou Renan Dal Zotto, técnico da Cimed.

Com passagens por Itália, Bélgica e Porto Rico, o ex-jogador da seleção Kid avalia que o dinheiro faz com que muitos atletas desistam de chegar ao topo da modalidade. “Para mim, quem vai jogar em um lugar como a Finlândia, por exemplo, não tem a pretensão de estar em uma seleção brasileira”, explica o atleta, afirmando que ele mesmo usou esta lógica quando decidiu sair do Brasil, por volta das Olimpíadas de Sidney-2000. “Eu tinha encerrado um ciclo e não tinha mais o objetivo de continuar na seleção. Então, fiquei aberto a novas oportunidades”, explicou.

Foto: Divulgação/CBV
Ex-atleta da seleção de Bernardinho, Henrique é um dos repatriados da Superliga depois de maus bocados na Itália
E, já que não é possível contar com atletas do porte de Giba e Ricardinho, os clubes nacionais estão contando com estrelas de outros tempos que estavam no exterior. É o caso do próprio Kid, que agora atua pela On Line, de Raquel e Elisângela, ambas bronze em Sidney-2000 e agora no Finasa/Osasco, além Henrique, que participou de diversas conquistas da Era Bernardinho na seleção brasileira, e agora defende a Unisul/Nexxera.

“Estamos tentando resgatar os atletas e todo mundo tem que fazer isso: aos poucos as equipes têm que procurar trazer de volta a seleção brasileira para melhorar cada vez mais o campeonato. Sem o ideal, perdemos espetáculo e interesse”, comenta o ex-jogador Giovane Gávio, agora dirigente da Unisul/Nexxera. Ele, porém, alerta para o risco de os times quebrarem seus caixas. “É bom todos estarem aqui, mas isso é um processo que tem que ser feito com calma”, adverte.

Outra solução, para clubes com maior poder aquisitivo, é a contratação de estrangeiros, caso da Cimed/Florianópolis, que conta com o argentino Marco Milinkovic, e do Cimed/Macaé, de Danielle Scott. No sentido contrário do movimento, a norte-americana não pretende sair do vôlei nacional. “O campeonato aqui é forte, tem três, quatro times bem competitivos e isso é bom. Pretendo jogar por mais uns dois anos e depois vai depender do meu marido. Não sei se a gente fica definitivamente no Brasil. Mas parece que sim”, promete, apaixonada pelo país..

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