| Boa estrutura
e revelações: as bases do vôlei nacional
Apesar de ainda estar longe do ideal, especialmente nos times
pequenos, a infra-estrutura do vôlei brasileiro não
pode ser considerada um dos fatores que contribui para a saída
dos atletas do país. No feminino, clubes como Rexona/Ades,
Finasa/Osasco e Cimed/Macaé possuem boas instalações
e dão apoio de primeiro mundo, assim como Telemig Celular/Minas,
Cimed/Florianópolis, Banespa/São Bernardo e
Unisul/Nexxera entre os homens.
“Acredito que o Minas, a Cimed e a talvez a Unisul
teriam condições de estar entre os oito primeiros
colocados do Campeonato Italiano, que é considerado
o mais forte do mundo. As estruturas daqui são boas,
assim como os técnicos e suas comissões”,
avalia o empresário Jorge Assef, agente credenciado
pela Confederação Brasileira de Vôlei
(CBV) para trabalhar com transferências de jogadores.
Reserva de Fofão no último Mundial, Carol Albuquerque
aponta exatamente esse como um dos fatores que a fizeram permanecer
no país quando, por conta do ranqueamento, teve que
sair do Osasco na última temporada. “Enquanto
eu tiver a oportunidade de ficar no Brasil em um time competitivo
eu vou permanecer, até pela minha família. Tive
proposta da Espanha, Itália, França e Turquia,
mas Macaé apresentou uma estrutura muito boa, com condições
de formar um time competitivo”, assegura.
| Foto: Divulgação/CBV |
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| "Esvaziada", Superliga tem funcionado como
celeiro. Última grande revelação
é Bruno Rezende, filho de Bernardinho |
Assistente de José Roberto Guimarães na seleção
feminina, Claudio Pinheiro tem a mesma opinião. Comandante
do Tenerife Marichal, líder da Superliga espanhola,
ele voltou a atuar no Brasil em janeiro, após sua filha
pequena não se adaptar à Europa.
“A infra-estrutura daqui nos proporciona um trabalho
melhor. Nós damos show nesse quesito porque lá
quase não se leva em consideração um
controle mais a sério dos atletas no aspecto físico,
de saúde, além de se treinar menos”, lembra
o atual comandante do Pinheiros. “Eles não costumam
valorizar a comissão-técnica, mas possuem a
vantagem de obter um maior retorno financeiro. Uma marca que
patrocina um clube espanhol é vista na Europa inteira,
o que não acontece se ajudar um time do Brasil”,
emenda.
Desta forma, muitos técnicos acreditam que a vocação
dos campeonatos brasileiros acabou por se tornar a de revelador
de talentos. “Os jovens ganham mais oportunidade, já
que forçosamente os técnicos têm que trabalhar
com o setor juvenil”, afirma Mauro Grasso, treinador
do Minas. “Nós temos que tentar revelar novos
atletas para dar continuidade a esta safra vitoriosa”,
completa Paulo Coco, que já dirigiu o Finasa/Osasco
e o Banespa.
Responsável pela seleção feminina infanto-juvenil
e pelo São Caetano/Mon Bijou, Antônio Rizola
garante que não está preocupado com o crescente
número de jogadoras brasileiras foea do paísr.
“O vôlei brasileiro é bicampeão
mundial com um time inteiro jogando no exterior. Essa experiência
lá fora, dá para eles condições
boas em momentos de decisão. Eu não vejo que
o nível técnico dentro do Brasil cai com a saída
deles porque novos atletas terão oportunidades que
talvez não teriam se todos estivessem aqui”,
explica.
As revelações que apareceram na última
temporada são tantas que o técnico Bernardinho
até criou uma seleção de novos no ano
passado para poder observar as promessas sem prejudicar o
trabalho do time principal. Tratam-se de nomes que já
estão sendo preparados para manter o alto nível
da equipe após as Olimpíadas de Pequim, quando
boa parte dos atuais jogadores deve se despedir do time principal.
São atletas que apareceram justamente na Superliga
“esvaziada”, como Sidão, Samuel, Bruno
Rezende, Thiago Alves e Lucas, entre outros.
Bastante criticado especialmente por Rexona e Osasco, que
garantem possui condições de manter algumas
jogadoras de seleção em seu plantel, o ranqueamento
da CBV tem apoio de grande parte do meio. A medida é
avaliada como uma necessidade para se manter a competitividade
na Superliga. Ao término da cada temporada, a entidade
que controla o vôlei nacional atribui pontuações
de zero a sete para cada atleta, de acordo com o seu desempenho.
Cada clube pode somar em seu elenco 32 pontos, além
de só inscrever duas atletas “sete”.
“O público quer competitividade. O ruim é
você ter uma equipe que todo mundo sabe que vai ser
campeã. Aí o torcedor não tem o entusiasmo
em assistir a uma partida”, acredita Rizola. O experiente
técnico Sérgio Negrão, de Macaé,
concorda. “A proposta de ranqueamento é de equilíbrio
das forças e cumpre com seu papel. A atenção
para a Superliga não está relacionada com a
permanência ou não das jogadoras de seleção
no Brasil, mas sim do grau de competitividade do torneio”,
afirma.
Gerente de competições da CBV, Renato D’Ávila
assegura que a norma deve continuar em vigor por um bom tempo.
“Não é desejo dos clubes que o ranking
seja suspenso. Ele foi negociado com as equipes, inclusive
Rexona e Osasco, e a gente tinha a expectativa que aquelas
jogadoras pudessem ser absorvidas em outras equipes da Superliga,
mas isso não foi possível. Enfim, nós
vamos continuar tentando fazer com que o ranking traga equilíbrio
para o campeonato, para que ele seja atraente para o público”,
encerra.
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