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26/02/2007
Montagem sobre fotos Divulgação

Boa estrutura e revelações: as bases do vôlei nacional

Apesar de ainda estar longe do ideal, especialmente nos times pequenos, a infra-estrutura do vôlei brasileiro não pode ser considerada um dos fatores que contribui para a saída dos atletas do país. No feminino, clubes como Rexona/Ades, Finasa/Osasco e Cimed/Macaé possuem boas instalações e dão apoio de primeiro mundo, assim como Telemig Celular/Minas, Cimed/Florianópolis, Banespa/São Bernardo e Unisul/Nexxera entre os homens.

“Acredito que o Minas, a Cimed e a talvez a Unisul teriam condições de estar entre os oito primeiros colocados do Campeonato Italiano, que é considerado o mais forte do mundo. As estruturas daqui são boas, assim como os técnicos e suas comissões”, avalia o empresário Jorge Assef, agente credenciado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para trabalhar com transferências de jogadores.

Reserva de Fofão no último Mundial, Carol Albuquerque aponta exatamente esse como um dos fatores que a fizeram permanecer no país quando, por conta do ranqueamento, teve que sair do Osasco na última temporada. “Enquanto eu tiver a oportunidade de ficar no Brasil em um time competitivo eu vou permanecer, até pela minha família. Tive proposta da Espanha, Itália, França e Turquia, mas Macaé apresentou uma estrutura muito boa, com condições de formar um time competitivo”, assegura.

Foto: Divulgação/CBV
"Esvaziada", Superliga tem funcionado como celeiro. Última grande revelação é Bruno Rezende, filho de Bernardinho

Assistente de José Roberto Guimarães na seleção feminina, Claudio Pinheiro tem a mesma opinião. Comandante do Tenerife Marichal, líder da Superliga espanhola, ele voltou a atuar no Brasil em janeiro, após sua filha pequena não se adaptar à Europa.

“A infra-estrutura daqui nos proporciona um trabalho melhor. Nós damos show nesse quesito porque lá quase não se leva em consideração um controle mais a sério dos atletas no aspecto físico, de saúde, além de se treinar menos”, lembra o atual comandante do Pinheiros. “Eles não costumam valorizar a comissão-técnica, mas possuem a vantagem de obter um maior retorno financeiro. Uma marca que patrocina um clube espanhol é vista na Europa inteira, o que não acontece se ajudar um time do Brasil”, emenda.

Desta forma, muitos técnicos acreditam que a vocação dos campeonatos brasileiros acabou por se tornar a de revelador de talentos. “Os jovens ganham mais oportunidade, já que forçosamente os técnicos têm que trabalhar com o setor juvenil”, afirma Mauro Grasso, treinador do Minas. “Nós temos que tentar revelar novos atletas para dar continuidade a esta safra vitoriosa”, completa Paulo Coco, que já dirigiu o Finasa/Osasco e o Banespa.

Responsável pela seleção feminina infanto-juvenil e pelo São Caetano/Mon Bijou, Antônio Rizola garante que não está preocupado com o crescente número de jogadoras brasileiras foea do paísr. “O vôlei brasileiro é bicampeão mundial com um time inteiro jogando no exterior. Essa experiência lá fora, dá para eles condições boas em momentos de decisão. Eu não vejo que o nível técnico dentro do Brasil cai com a saída deles porque novos atletas terão oportunidades que talvez não teriam se todos estivessem aqui”, explica.

As revelações que apareceram na última temporada são tantas que o técnico Bernardinho até criou uma seleção de novos no ano passado para poder observar as promessas sem prejudicar o trabalho do time principal. Tratam-se de nomes que já estão sendo preparados para manter o alto nível da equipe após as Olimpíadas de Pequim, quando boa parte dos atuais jogadores deve se despedir do time principal. São atletas que apareceram justamente na Superliga “esvaziada”, como Sidão, Samuel, Bruno Rezende, Thiago Alves e Lucas, entre outros.

Bastante criticado especialmente por Rexona e Osasco, que garantem possui condições de manter algumas jogadoras de seleção em seu plantel, o ranqueamento da CBV tem apoio de grande parte do meio. A medida é avaliada como uma necessidade para se manter a competitividade na Superliga. Ao término da cada temporada, a entidade que controla o vôlei nacional atribui pontuações de zero a sete para cada atleta, de acordo com o seu desempenho. Cada clube pode somar em seu elenco 32 pontos, além de só inscrever duas atletas “sete”.

“O público quer competitividade. O ruim é você ter uma equipe que todo mundo sabe que vai ser campeã. Aí o torcedor não tem o entusiasmo em assistir a uma partida”, acredita Rizola. O experiente técnico Sérgio Negrão, de Macaé, concorda. “A proposta de ranqueamento é de equilíbrio das forças e cumpre com seu papel. A atenção para a Superliga não está relacionada com a permanência ou não das jogadoras de seleção no Brasil, mas sim do grau de competitividade do torneio”, afirma.

Gerente de competições da CBV, Renato D’Ávila assegura que a norma deve continuar em vigor por um bom tempo. “Não é desejo dos clubes que o ranking seja suspenso. Ele foi negociado com as equipes, inclusive Rexona e Osasco, e a gente tinha a expectativa que aquelas jogadoras pudessem ser absorvidas em outras equipes da Superliga, mas isso não foi possível. Enfim, nós vamos continuar tentando fazer com que o ranking traga equilíbrio para o campeonato, para que ele seja atraente para o público”, encerra.

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