| Carolina Canossa, especial para a GE.Net
O torcedor mais desatento que for acompanhar os primeiros
jogos da seleção brasileira de vôlei na
Liga Mundial pode tomar um susto. Ao invés de nomes
como Ricardinho, Giba, Gustavo, Dante, André Nascimento
e Escadinha, ele vai se deparar com Bruninho, Roberto Minuzzi,
Éder, Thiago, Samuel e Alan. O estranhamento pode ser
maior ainda com a presença de Nalbert, que não
atua com a camisa amarela desde a medalha de ouro nas Olimpíadas
de 2004.
| Foto: Divulgação/CBV |
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| Em busca de espaço na seleção,
Nalbert se junta a novatos para disputa da Liga |
Exceto pelo campeão olímpico, que ganha a chance
de conquistar o ouro no Pan-americano em casa, Bernardinho
apresenta ao grande público os atletas que devem substituir
a atual e vitoriosa geração após as Olimpíadas
de Pequim. O Brasil está no grupo A ao lado de Coréia
do Sul, Finlândia e Canadá e faz sua estréia
neste sábado contra os orientais na cidade de Cheonan,
às 2 horas da madrugada (horário de Brasília).
Os fãs assíduos de vôlei já conhecem
tais jogadores dos campeonatos de clubes e da seleção
de novos, projeto de Bernardinho criado no ano passado para
dar mais experiência aos novatos. Até agora,
no entanto, tais atletas não tinham ganhado uma chance
tão grande de aparecer quanto agora. Por conta da disputa
dos Jogos Pan-americanos, único torneio que Bernardinho
não conseguiu levar o Brasil à decisão
desde que assumiu o comando da equipe, em 2001, e da cansativa
temporada européia de clubes, Bernardinho optou por
preservar os principais nomes da seleção nacional
neste início de Liga Mundial.
“Usaremos muito os jovens jogadores nesta competição
devido ao desgaste do grupo mais experiente”, justificou
o treinador. Alguns jogadores que já participam da
seleção há mais tempo, porém,
estão no grupo para auxiliar os mais novos, caso do
levantador Marcelinho, do ponteiro Murilo, do oposto Anderson
e do central Rodrigão, capitão do time enquanto
Ricardinho não volta. Os jogadores que formam a base
da equipe titular devem voltar aos poucos durante as partidas
que serão realizadas no Brasil e na fase final da Liga.
| Foto: Divulgação/CBV |
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| Filho do "chefe", Bruno valoriza processo
de renovação encabeçado pelo pai |
Confiante de que está tomando a decisão certa,
Bernardinho se justifica usando exemplos. “Quando eu
jogava, todos queriam ver o William. Lembro também
que estávamos jogando em Brasília, perdendo
por 2 sets a 0 e a torcida pedia o Mauricio. Mantive o Ricardinho.
Vencemos por 3 sets a 2. É isso”, argumenta o
treinador, que, por outro lado não nega a grande pressão
aos quais os jovens atletas estarão submetidos.
“Não será fácil. A garotada sofrerá
uma forte pressão. Se não conseguirmos os resultados
imediatamente, todos pedirão os grandes nomes”,
analisa o técnico, apreensivo devido ao fato de ter
contado com apenas cerca de três semanas como preparação
para a competição.
“A manutenção dos bons resultados depende
da nossa atenção aos detalhes. Além disso,
a presença de jovens valores dentro de um grupo vitorioso
ajuda também pelo entusiasmo. Com isso, eles já
vão se preparando para herdar a situação
que esse grupo criou. É muito difícil herdar
seis anos de vitória. Eles sofrerão uma pressão
internacional muito grande. Se pegassem uma situação
adversa, seria mais fácil. Entrar como franco favorito
é mais difícil”, complementa, se referindo
ao fato de os brasileiros terem levado nada menos que as últimas
cinco edições da Liga Mundial.
A despeito da responsabilidade, os atletas que iniciam a
competição estão empolgados. É
o caso do filho de Bernardinho e levantador Bruno, eleito
o melhor em sua posição nas duas últimas
Superligas masculinas. “Somos, atualmente, o melhor
voleibol do mundo. A renovação que está
sendo realizada já tem dado bastante certo. Novos nomes
foram mesclados com jogadores experientes e isso tem tudo
para ser um sucesso. A união é o segredo”,
acredita o jogador.
Parente também de outra estrela do time, o ponteiro
Murilo – que é irmão do central Gustavo
–, tem opinião semelhante. “A união
da seleção brasileira acaba fazendo a diferença
porque chegamos no final das competições focados
em um só objetivo”, explica. Destaque nas categorias
de base e atleta da Unisul, Thiago Alves, por sua vez, comemora
a chance no time adulto. “É um prêmio,
um privilégio estar na seleção adulta.
Nos treinamentos, me dediquei ao máximo e tentei seguir
os exemplos dos que estavam ao meu lado. Espero corresponder
sempre que for solicitado”, afirma.
E antes que ocorra qualquer menção de rivalidade
entre as duas equipes nacionais, os jogadores mais experientes
fazem questão de demonstrar apoio aos colegas. “Esse
grupo que jogará as primeiras partidas é novo,
mas experiente. Alguns atletas já vêm participando
da seleção há algum tempo e sabem da
importância de estar na quadra representando o Brasil.
Eles estão preparados para isso e nos representarão
muito bem”, afirma André Heller. O líbero
Escadinha completa. “O nível internacional é
alto, mas a molecada irá suportar isso bem. Nos classificaremos
para a fase final. Temos tempo para que os resultados desse
grupo apareçam e eles aparecerão”, encerra,
confiante.
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