| Carolina Canossa, especial para a
Gazeta Esportiva.Net
“A classificação pela Copa do Mundo vai ser a missão mais
difícil dos últimos anos”. Foi desta forma que a ex-atacante
Ana Moser definiu a missão da seleção brasileira feminina
de vôlei a partir desta sexta-feira. Na Copa do Mundo do Japão,
o time de José Roberto Guimarães tem a chance de terminar
o ano classificado para as Olimpíadas de Pequim. Os três primeiros
colocados na disputa, que conta com 12 times, carimbam seu
passaporte para a China.
Mais do que tranqüilidade para trabalhar no ano que vem,
a classificação para os Jogos Olímpicos neste mês de novembro
é de grande importância para que as brasileiras voltem a retomar
a confiança perdida com recentes resultados negativos.
Terceiro colocado no ranking da Federação Internacional
de Vôlei (FIVB), o Brasil esteve muito perto de conquistar
o título mundial no ano passado, mas tomou uma virada da Rússia
e perdeu o duelo final por 3 sets a 2, depois de estar liderando
o tie-break. Nos Jogos Pan-americanos, o time voltou a falhar
nos momentos decisivos e, em casa, viu Cuba comemorar a conquista
da medalha de ouro.
| Foto: Divulgação |
 |
| Capitã da seleção, Fofão admite que fracasso na busca da vaga olímpica seria pesado para equipe |
O sistema da competição é de pontos corridos, ou seja, a
seleção que somar o maior número de vitórias será a campeã.
A estréia está programada para às 8h35 (horário de Brasília)
desta sexta-feira, contra a Polônia, no Hamamatsu Arena. A
partida terá transmissão do canal Sportv. No último Grand
Prix, as polonesas foram as últimas colocadas da fase final
da disputa, uma posição atrás do Brasil, que sem Fofão e Walewska,
fez sua pior campanha na disputa desde 2003, quando ainda
estava sob o comando de Marco Aurélio Motta.
O técnico José Roberto Guimarães, entretanto, alerta que
espera uma estréia complicada contra as semifinalistas do
último Campeonato Europeu. “A seleção polonesa não é a mesma
que disputou o Grand Prix. É uma partida complicada, ainda
mais por ser a estréia. A Polônia está reforçada da Glinka,
a principal atacante, e da Sliwa, segunda levantadora. Com
a chegada destas jogadoras, a equipe ganha em experiência”,
analisa o treinador.
Sem a presença da Rússia, que não conseguiu se classificar
para a Copa do Mundo, e da China, que por ser sede já tem
lugar assegurado nas Olimpíadas, Cuba e Itália tornam-se as
principais adversárias da seleção nacional. Sérvia, Polônia
e Estados Unidos correm por fora na tentativa de assegurar
um lugar no pódio. “O nível desta Copa será muito alto, independente
de quem está participando. O difícil está em saber qual será
o adversário mais fácil, porque todos vêm com suas seleções
completas e bastante motivadas. Por isso, a atenção é fundamental.
Qualquer deslize pode atrapalhar nossos objetivos”, admite
a capitã e levantadora Fofão, em entrevista exclusiva a Gazeta
Esportiva.Net.
Mesmo que não fique entre os três primeiros colocados na
Copa do Mundo, a torcida do Brasil não precisa se desesperar.
Além da seletiva continental, em 2008, o time de José Roberto
Guimarães terá nova chance com o Pré-Olímpico Mundial, em
junho do ano que vem. A facilidade é tanta que Ana Moser está
certa da presença das brasileiras na China. “Ficar fora da
Olimpíada é impossível”, resume a ex-atacante.
Mas disputar outros torneios classificatórios não é nem
de longe o desejo das jogadoras. “É muito importante a gente
se classificar agora porque daria uma tranqüilidade para se
trabalhar. E também não interfere nos clubes tendo que parar
os campeonatos em janeiro. No geral, pode ser feita uma melhor
programação para o próximo ano”, explica Fofão. “O grande
lance é fechar 2007 classificado para poder jogar campeonatos
numa boa. Senão, acaba atrapalhando os torneios internos
e as jogadoras da Europa não viajam tranqüilas”, completa
Ana Moser.
Questionada se a não obtenção da vaga olímpica este ano
pode abalar as atletas, a levantadora foi sincera. “Em certo
ponto, sim. Mas sabemos que esta não é a ultima chance e nosso
objetivo é dar o máximo aqui no Japão, mesmo sabendo que será
muito dura a nossa caminhada. Temos grandes possibilidades”,
anima-se a atleta. Ana Moser, por sua vez, não demonstra tanta
confiança. “Não vai ser fácil, mas tomara que o Brasil consiga
se classificar. O vôlei feminino vive um momento de forças
equilibradas e deverão ser umas cinco ou seis equipes disputando
as três vagas”, prevê.
O Brasil jamais venceu uma edição da Copa do Mundo. Nas
últimas três edições do torneio, a vaga olímpica veio através
de dois vices (1995 e 2003) e uma terceira colocação (1999).
Além de quebrar este jejum, um título no Japão será importante
para que as brasileiras não fechem uma temporada apenas com
o título sul-americano, o que não acontece desde 2003.
“O grupo sempre foi muito unido e temos uma competição onde
precisaremos de todas as jogadoras bem. Isso faz com que todas
estejam prontas e motivadas lutando juntas pelos mesmos objetivos”,
assegura Fofão. “O título é importante, mas tratando-se desta
competição o fundamental é garantir a vaga. Dentro disto,
nós vamos lutar para vencer. Se o titulo vier será melhor
ainda, pois a seleção merece ter um bom resultado por tudo
que fez este ano defendendo a camisa do Brasil”, encerra a
capitã. |