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01/11/2007
Montagem sobre foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Carolina Canossa, especial para a Gazeta Esportiva.Net

“A classificação pela Copa do Mundo vai ser a missão mais difícil dos últimos anos”. Foi desta forma que a ex-atacante Ana Moser definiu a missão da seleção brasileira feminina de vôlei a partir desta sexta-feira. Na Copa do Mundo do Japão, o time de José Roberto Guimarães tem a chance de terminar o ano classificado para as Olimpíadas de Pequim. Os três primeiros colocados na disputa, que conta com 12 times, carimbam seu passaporte para a China.

Mais do que tranqüilidade para trabalhar no ano que vem, a classificação para os Jogos Olímpicos neste mês de novembro é de grande importância para que as brasileiras voltem a retomar a confiança perdida com recentes resultados negativos.

Terceiro colocado no ranking da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o Brasil esteve muito perto de conquistar o título mundial no ano passado, mas tomou uma virada da Rússia e perdeu o duelo final por 3 sets a 2, depois de estar liderando o tie-break. Nos Jogos Pan-americanos, o time voltou a falhar nos momentos decisivos e, em casa, viu Cuba comemorar a conquista da medalha de ouro.

Foto: Divulgação
Capitã da seleção, Fofão admite que fracasso na busca da vaga olímpica seria pesado para equipe
O sistema da competição é de pontos corridos, ou seja, a seleção que somar o maior número de vitórias será a campeã. A estréia está programada para às 8h35 (horário de Brasília) desta sexta-feira, contra a Polônia, no Hamamatsu Arena. A partida terá transmissão do canal Sportv. No último Grand Prix, as polonesas foram as últimas colocadas da fase final da disputa, uma posição atrás do Brasil, que sem Fofão e Walewska, fez sua pior campanha na disputa desde 2003, quando ainda estava sob o comando de Marco Aurélio Motta.

O técnico José Roberto Guimarães, entretanto, alerta que espera uma estréia complicada contra as semifinalistas do último Campeonato Europeu. “A seleção polonesa não é a mesma que disputou o Grand Prix. É uma partida complicada, ainda mais por ser a estréia. A Polônia está reforçada da Glinka, a principal atacante, e da Sliwa, segunda levantadora. Com a chegada destas jogadoras, a equipe ganha em experiência”, analisa o treinador.

Sem a presença da Rússia, que não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo, e da China, que por ser sede já tem lugar assegurado nas Olimpíadas, Cuba e Itália tornam-se as principais adversárias da seleção nacional. Sérvia, Polônia e Estados Unidos correm por fora na tentativa de assegurar um lugar no pódio. “O nível desta Copa será muito alto, independente de quem está participando. O difícil está em saber qual será o adversário mais fácil, porque todos vêm com suas seleções completas e bastante motivadas. Por isso, a atenção é fundamental. Qualquer deslize pode atrapalhar nossos objetivos”, admite a capitã e levantadora Fofão, em entrevista exclusiva a Gazeta Esportiva.Net.

Mesmo que não fique entre os três primeiros colocados na Copa do Mundo, a torcida do Brasil não precisa se desesperar. Além da seletiva continental, em 2008, o time de José Roberto Guimarães terá nova chance com o Pré-Olímpico Mundial, em junho do ano que vem. A facilidade é tanta que Ana Moser está certa da presença das brasileiras na China. “Ficar fora da Olimpíada é impossível”, resume a ex-atacante.

Mas disputar outros torneios classificatórios não é nem de longe o desejo das jogadoras. “É muito importante a gente se classificar agora porque daria uma tranqüilidade para se trabalhar. E também não interfere nos clubes tendo que parar os campeonatos em janeiro. No geral, pode ser feita uma melhor programação para o próximo ano”, explica Fofão. “O grande lance é fechar 2007 classificado para poder jogar campeonatos numa boa. Senão, acaba atrapalhando os torneios internos e as jogadoras da Europa não viajam tranqüilas”, completa Ana Moser.

Questionada se a não obtenção da vaga olímpica este ano pode abalar as atletas, a levantadora foi sincera. “Em certo ponto, sim. Mas sabemos que esta não é a ultima chance e nosso objetivo é dar o máximo aqui no Japão, mesmo sabendo que será muito dura a nossa caminhada. Temos grandes possibilidades”, anima-se a atleta. Ana Moser, por sua vez, não demonstra tanta confiança. “Não vai ser fácil, mas tomara que o Brasil consiga se classificar. O vôlei feminino vive um momento de forças equilibradas e deverão ser umas cinco ou seis equipes disputando as três vagas”, prevê.

O Brasil jamais venceu uma edição da Copa do Mundo. Nas últimas três edições do torneio, a vaga olímpica veio através de dois vices (1995 e 2003) e uma terceira colocação (1999). Além de quebrar este jejum, um título no Japão será importante para que as brasileiras não fechem uma temporada apenas com o título sul-americano, o que não acontece desde 2003.

“O grupo sempre foi muito unido e temos uma competição onde precisaremos de todas as jogadoras bem. Isso faz com que todas estejam prontas e motivadas lutando juntas pelos mesmos objetivos”, assegura Fofão. “O título é importante, mas tratando-se desta competição o fundamental é garantir a vaga. Dentro disto, nós vamos lutar para vencer. Se o titulo vier será melhor ainda, pois a seleção merece ter um bom resultado por tudo que fez este ano defendendo a camisa do Brasil”, encerra a capitã.

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