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13/06/2008
Montagem sobre foto Divulgação

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Bernardinho: 21 títulos em 25 campeonatos

Por Carolina Canossa

Considerado um dos melhores times de todos os tempos, a vitoriosa formação da seleção brasileira masculina de vôlei já tem data para terminar: agosto de 2008. Logo após as Olimpíadas de Pequim, a equipe nacional deve intensificar a renovação e nomes como Gustavo Endres já adiantaram que podem se despedir do grupo assim que voltarem da China. Apesar da vontade de Ary Graça, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), a permanência do badalado treinador no cargo também não é certa.

Mas há uma Olimpíada até lá. E um favoritismo que não escapa ao Brasil, graças aos resultados dos últimos anos: desde 2001, quando Bernardinho assumiu o time, foram 21 títulos em 25 campeonatos. Uma nova medalha de ouro, a terceira do país, seria a coroação ideal para um trabalho extremamente respeitado e reconhecido. De olho no ponto mais alto do pódio em Pequim, a equipe nacional inicia a reta final da preparação neste sábado, quando recebe a equipe da Sérvia no ginásio do Ibirapuera, em partida válida pela Liga Mundial - um torneio que os brasileiros venceram nada menos que seis das sete últimas edições.

“Vamos encontrar nesta Liga Mundial as mesmas seleções que estarão nas Olimpíadas. Estamos chamando isso de treino de luxo e creio que as outras seleções estão encarando da mesma forma. Vamos ver como os estrangeiros estão no momento, como estão se preparando, o que estão fazendo de certo, o que mudaram ou não...”, explicou o ponteiro Dante, ressaltando que acredita que “muitos vão esconder o jogo”. Porém, como fazer isto?

Central da equipe, André Heller diz que não sabe. E por um simples motivo: a seleção brasileira não faz isso. “Nunca tivemos armas escondidas. Nossa arma, se é pode-se dizer assim, é o nosso trabalho. Nossa filosofia é dar o máximo em quadra, em todos os sentidos. Nunca escondemos nada e não temos nada a esconder”, garante o jogador, cuja opinião é compartilhada pelo companheiro de posição Gustavo. “Isso não existe. Todo mundo fala em esconder o jogo, mas é conversa fiada”, admite.

Dos 19 convocados para a fase de treinamentos para a Liga Mundial em Saquarema, 12 poderão atuar na rodada dupla realizada a cada final de semana. Para dar oportunidade a todos, a comissão técnica optou por um rodízio: em São Paulo, atuam os principais jogadores, que logo depois seguem de volta a Saquarema para novo período de treinos. Enquanto isto, os atletas que ainda buscam um lugar no time encaram França e Venezuela fora de casa. Os titulares voltam para enfrentar a Sérvia na Europa e entram em quadra também nos confrontos contra franceses em Belo Horizonte e venezuelanos em Goiânia.

“O principal objetivo disto é a renovação. Nos últimos anos, o Bernardo vem convocando a gente para nos dar experiência. Vamos jogar fora do país com torcida contra, sem as comodidades daqui e essa é uma experiência válida”, afirma o meio-de-rede Éder Carbonera, presença constante no time B do Brasil. Apesar da consciência de que dificilmente estarão em Pequim, estes atletas também dizem trabalhar com foco na China. “Claro que eu tenho a expectativa de ir para as Olimpíadas. Estamos treinando e preparados. Caso houver necessidade, estamos em condições”, assegura.

Devido ao fato de o Rio de Janeiro sediar os jogos da fase final da Liga, entre 23 e 27 de julho, os brasileiros já têm vaga garantida na disputa pelo título. A escolha não agradou ao técnico Bernardinho, que já disse publicamente que prefere jogar no exterior pois assim os atletas ficam mais concentrados, sem assédio intenso da imprensa e dos fãs, além de preocupação com os familiares. Os jogadores, entretanto, não concordam.

“Sabemos que qualquer desatenção pode ser uma armadilha para a gente mesmo. Caímos em algumas delas nos últimos anos, como no Pan de 2003 contra a Venezuela, mas já tomamos desta vacina”, comenta o líbero Escadinha. “Temos que jogar, prestar atenção e estar concentrados porque se a gente errar no Brasil, o público vai cobrar também”, observa o atleta.

Gustavo, por sua vez, não esconde a felicidade de jogar com um ginásio lotado apoiando a equipe. “Se a gente não gostar de jogar no Brasil, vamos gostar de jogar onde?”, questiona o atleta. “Claro que à vezes tem confusão, a família está junto e os jogadores se preocupam, mas somos experientes e sabemos lidar com isso. Se nós perdermos, não vai ser porque jogamos no Brasil ou porque não estamos focados. Vai ser porque o outro time terá sido melhor”, resume.

Melhor como a Rússia da Liga Mundial de 2002, que, em pleno ginásio do Mineirinho, derrotou o Brasil, frustrando na torcida. Os jogadores, obviamente, não descartam a possibilidade de sair do Rio sem a medalha de ouro, mas mandam o aviso: não será a falta deste título que vai abalar a preparação para o grande objetivo do ano. “Este grupo é fechado, todo mundo se conhece há muito tempo e a confiança é grande. Claro que é uma bela oportunidade de redenção perante a torcida por causa daquele jogo, mas de forma alguma uma derrota vai nos abalar”, assegura Nalbert. “Todos anos escutamos as mesmas perguntas sobre pressão e as respostas são dadas em quadra. Ninguém nunca sentiu nenhum tipo de pressão ou cobrança, pois o Brasil sempre confirma o favoritismo. Isso nunca foi problema”, completa o veterano.

Escadinha concorda. “Se a pressão de jogar no Brasil existe, é por parte da imprensa e não nossa. Lógico que eu não vou querer perder, mas todos têm de estar cientes que é uma preparação. Não temos a obrigação de ganhar, pois o foco são as Olimpíadas. Aqui nós vamos testar todas as peças e lapidar o grupo para estar bem em Pequim”, define. Os jogos contra a Sérvia em São Paulo estão programados para este sábado e domingo, sempre às 10 horas (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da TV Globo.

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