|
Foto: Djalma Vassão/Gazeta
Press |
 |
| Bernardinho: 21 títulos em 25 campeonatos |
Por Carolina Canossa
Considerado um dos melhores times
de todos os tempos, a vitoriosa formação da seleção brasileira
masculina de vôlei já tem data para terminar: agosto de 2008.
Logo após as Olimpíadas de Pequim, a equipe nacional deve intensificar
a renovação e nomes como Gustavo Endres já adiantaram que podem
se despedir do grupo assim que voltarem da China. Apesar da
vontade de Ary Graça, presidente da Confederação Brasileira
de Vôlei (CBV), a permanência do badalado treinador no cargo
também não é certa.
Mas há uma Olimpíada até lá. E um favoritismo
que não escapa ao Brasil, graças aos resultados dos últimos
anos: desde 2001, quando Bernardinho assumiu o time, foram 21
títulos em 25 campeonatos. Uma nova medalha de ouro, a terceira
do país, seria a coroação ideal para um trabalho extremamente
respeitado e reconhecido. De olho no ponto mais alto do pódio
em Pequim, a equipe nacional inicia a reta final da preparação
neste sábado, quando recebe a equipe da Sérvia no ginásio do
Ibirapuera, em partida válida pela Liga Mundial - um torneio
que os brasileiros venceram nada menos que seis das sete últimas
edições.
“Vamos encontrar nesta Liga Mundial as mesmas seleções que
estarão nas Olimpíadas. Estamos chamando isso de treino de
luxo e creio que as outras seleções estão encarando da mesma
forma. Vamos ver como os estrangeiros estão no momento, como
estão se preparando, o que estão fazendo de certo, o que mudaram
ou não...”, explicou o ponteiro Dante, ressaltando que acredita
que “muitos vão esconder o jogo”. Porém, como fazer isto?
Central da equipe, André Heller diz que não sabe. E por
um simples motivo: a seleção brasileira não faz isso. “Nunca
tivemos armas escondidas. Nossa arma, se é pode-se dizer assim,
é o nosso trabalho. Nossa filosofia é dar o máximo em quadra,
em todos os sentidos. Nunca escondemos nada e não temos nada
a esconder”, garante o jogador, cuja opinião é compartilhada
pelo companheiro de posição Gustavo. “Isso não existe. Todo
mundo fala em esconder o jogo, mas é conversa fiada”, admite.
Dos 19 convocados para a fase de treinamentos para a Liga
Mundial em Saquarema, 12 poderão atuar na rodada dupla realizada
a cada final de semana. Para dar oportunidade a todos, a comissão
técnica optou por um rodízio: em São Paulo, atuam os principais
jogadores, que logo depois seguem de volta a Saquarema para
novo período de treinos. Enquanto isto, os atletas que ainda
buscam um lugar no time encaram França e Venezuela fora de
casa. Os titulares voltam para enfrentar a Sérvia na Europa
e entram em quadra também nos confrontos contra franceses
em Belo Horizonte e venezuelanos em Goiânia.
“O principal objetivo disto é a renovação. Nos últimos anos,
o Bernardo vem convocando a gente para nos dar experiência.
Vamos jogar fora do país com torcida contra, sem as comodidades
daqui e essa é uma experiência válida”, afirma o meio-de-rede
Éder Carbonera, presença constante no time B do Brasil. Apesar
da consciência de que dificilmente estarão em Pequim, estes
atletas também dizem trabalhar com foco na China. “Claro que
eu tenho a expectativa de ir para as Olimpíadas. Estamos treinando
e preparados. Caso houver necessidade, estamos em condições”,
assegura.
Devido ao fato de o Rio de Janeiro sediar os jogos da fase
final da Liga, entre 23 e 27 de julho, os brasileiros já têm
vaga garantida na disputa pelo título. A escolha não agradou
ao técnico Bernardinho, que já disse publicamente que prefere
jogar no exterior pois assim os atletas ficam mais concentrados,
sem assédio intenso da imprensa e dos fãs, além de preocupação
com os familiares. Os jogadores, entretanto, não concordam.
“Sabemos que qualquer desatenção pode ser uma armadilha
para a gente mesmo. Caímos em algumas delas nos últimos anos,
como no Pan de 2003 contra a Venezuela, mas já tomamos desta
vacina”, comenta o líbero Escadinha. “Temos que jogar, prestar
atenção e estar concentrados porque se a gente errar no Brasil,
o público vai cobrar também”, observa o atleta.
Gustavo, por sua vez, não esconde a felicidade de jogar
com um ginásio lotado apoiando a equipe. “Se a gente não gostar
de jogar no Brasil, vamos gostar de jogar onde?”, questiona
o atleta. “Claro que à vezes tem confusão, a família está
junto e os jogadores se preocupam, mas somos experientes e
sabemos lidar com isso. Se nós perdermos, não vai ser porque
jogamos no Brasil ou porque não estamos focados. Vai ser porque
o outro time terá sido melhor”, resume.
Melhor como a Rússia da Liga Mundial de 2002, que, em pleno
ginásio do Mineirinho, derrotou o Brasil, frustrando na torcida.
Os jogadores, obviamente, não descartam a possibilidade de
sair do Rio sem a medalha de ouro, mas mandam o aviso: não
será a falta deste título que vai abalar a preparação para
o grande objetivo do ano. “Este grupo é fechado, todo mundo
se conhece há muito tempo e a confiança é grande. Claro que
é uma bela oportunidade de redenção perante a torcida por
causa daquele jogo, mas de forma alguma uma derrota vai nos
abalar”, assegura Nalbert. “Todos anos escutamos as mesmas
perguntas sobre pressão e as respostas são dadas em quadra.
Ninguém nunca sentiu nenhum tipo de pressão ou cobrança, pois
o Brasil sempre confirma o favoritismo. Isso nunca foi problema”,
completa o veterano.
Escadinha concorda. “Se a pressão de jogar no Brasil existe,
é por parte da imprensa e não nossa. Lógico que eu não vou
querer perder, mas todos têm de estar cientes que é uma preparação.
Não temos a obrigação de ganhar, pois o foco são as Olimpíadas.
Aqui nós vamos testar todas as peças e lapidar o grupo para
estar bem em Pequim”, define. Os jogos contra a Sérvia em
São Paulo estão programados para este sábado e domingo, sempre
às 10 horas (horário de Brasília), com transmissão ao vivo
da TV Globo. |