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Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação
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| Inicialmente, Zé reclamou do Grand
Prix, mas agora vê a disputa como um bom treino
para Pequim. |
Por Carolina Canossa
“Lógico que vamos fazer de tudo para ganhar, pois brasileiro
não entra em quadra para perder. Mas estamos com a cabeça
nas Olimpíadas. Uma derrota no Grand Prix não vai mudar nossa
vida, pois a meta do time é Pequim”. A declaração da atacante
Mari resume muito bem o espírito da seleção brasileira feminina
de vôlei para a disputa do Grand Prix. O tradicional torneio
anual inicia sua edição 2008 nesta sexta-feira, com a partida
entre Turquia e Estados Unidos no Japão. Pouco depois, o Brasil
entra em quadra para fazer sua estréia diante da Tailândia,
na cidade chinesa de Ningbo, às 4 horas da manhã (horário
de Brasília).
Última etapa antes da disputa das Olimpíadas, o GP está
sendo encarado como um treino de luxo pelas meninas do Brasil.
Um treino, aliás, que o técnico José Roberto Guimarães já
confessou que não queria ter. “O Grand Prix é um pepino que
eu tenho que resolver. Nem sei como vamos jogar esta competição,
da qual eu não gostaria de participar”, comentou o treinador,
durante o desembarque da seleção brasileira em Cumbica no
final do ano passado, depois do segundo lugar na disputa da
Copa do Mundo - a Rússia, inclusive, não fez muita questão
de se empenhar no qualificatório europeu para o GP, no ano
passado e está fora da disputa.
Às vésperas da estréia na competição, contudo, Zé Roberto
mudou o tom. O comandante da seleção feminina preferiu conscientizar
suas atletas sobre o valor de um bom resultado no GP para
pegar confiança para Pequim. “É importante estarmos na final
do Grand Prix porque essa é a nossa preparação para as Olimpíadas”,
comentou o treinador, já em Ningbo.
Ou seja, como a participação do Brasil é
obrigatória, a comissão técnica optou
por tentar tirar o máximo da competição. “Estamos um
pouco ansiosas para as Olimpíadas, mas a gente tem o Grand
Prix antes. Queremos aproveitar bastante”, explica a oposto
Sheilla, titular absoluta da equipe nacional. Fofão completa
com uma revelação. “O Zé disse para a gente que o resultado
não vai importar, porque continuaremos com o mesmo tipo de
treino físico”, afirmou a atleta, antes de ir para os Estados
Unidos, onde machucou o joelho e descobriu que ficará afastada
do time até a terceira semana do GP.
Foto: Alexandre Arruda/CBV/Divulgação
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| De volta à seleção, a versátil
Mari alerta que rendimento pode não ser o mesmo
durante o GP. |
Um dos problemas do Brasil é que, pouco menos de dois
meses antes das Olimpíadas, a malhação está pesada, podendo
influenciar o rendimento das atletas em quadra. “Imagina levantar
todos os dias 70 kg de supino: quando você vai pegar na bola,
o braço está pesado, está travado mesmo... Normalmente, quando
a gente vai jogar, temos que parar de malhar um dia antes
ou malhar um pouco mais leve. Essa vai ser a diferença: talvez
vocês vejam uma seleção um pouco mais lenta. Pode acontecer
de alguém errar um movimento porque o braço estava meio travado.
Não tem com escapar”, admitiu Mari.
Capitã do time, Fofão ainda comentou que a seleção pode
mudar sua postura em quadra para não entregar todas as armas
para as adversárias pouco antes do torneio mais importante
do ano. “É uma das nossas preocupações não demonstrar tudo
o que podemos fazer, qualquer mudança tática, por exemplo.
Temos que jogar o mais simples possível pra que possamos surpreender
nas Olimpíadas. Vamos tentar treinar de um jeito e jogar de
outro, porque sabemos que todo mundo vai estar de olho no
Grand Prix”, afirmou.
Outra arma do Brasil é um trabalho desenvolvido ao longo
dos últimos meses pelo “espião” Zé Roberto. “Como ele não
trabalhou de técnico nesta temporada (Zé foi diretor técnico
do Pesaro, campeão italiano), ele esteve na Espanha,
na Itália... onde tinha uma brasileira jogando, ele ia assistir
ao campeonato. Foram feitas filmagens e pegamos todas as informações
que podemos usar contra. Temos que aproveitar tudo”, comentou
Fofão, que não acredita em uma grande modificação nas principais
rivais da seleção verde-amarela. “Acho que o Brasil é o único
time que tem mais variações. Nos outros times, pouca coisa
pode mudar”, emendou.
Sem contar com Walewska e Fofão, que ganharam folga depois
dos Jogos Pan-americanos, além de Mari, cortada da disputa,
o Brasil decepcionou no Grand Prix 2007, ao acumular quatro
derrotas em cinco jogos da fase final. Uma nova derrota, entretanto,
não vai afetar o ânimo para Pequim - pelo menos, é o que garantem
as próprias jogadoras. “Em 2004, a China ficou em quinto lugar
no Grand Prix, que acabou um mês antes das Olimpíadas. E depois
ganhou a medalha de ouro”, observou Sheilla. Na época, o Brasil
ficou com o título do GP, mas terminou o torneio de Atenas-2004
na quarta posição.
O GP também vai ser importante para que Zé Roberto faça
as observações necessárias para definir as duas jogadoras
que serão cortadas do grupo antes das Olimpíadas. E, apesar
de ter usado um esquema com quatro centrais no Sul-americano
e da Copa do Mundo do ano passado, o técnico já adiantou que
uma das jogadoras a serem dispensadas será uma meio-de-rede.
A briga é basicamente entre Fabiana, Thaisa e Carol Gattaz,
uma vez que o treinador deu como certa a participação de Walewska
nas Olimpíadas de Pequim, assim como Fofão e as atacantes
Paula Pequeno e Jaqueline.
Carol Gattaz, entretanto, se diz tranqüila e destaca o bom
clima do grupo. “A decisão vai ser do Zé e por enquanto só
posso ficar feliz por ter sido convocada. Vou lidar com a
possibilidade de corte, como sempre lidei. Eu nunca tive vida
fácil, mas todas as quatro meios tem condições de estar nas
Olimpíadas. É uma felicidade para a seleção e uma sorte termos
quatro centrais tão bem”, elogiou.
E é justamente o bom clima do time que empolga Fofão nesta
reta final de sua despedida da seleção brasileira - a atleta
deixa a camisa amarela logo após as Olimpíadas de Pequim,
independente do resultado obtido. “O Grand Prix é uma viagem
muito pesada, com um desgaste muito grande, pois cada semana
joga-se em uma cidade diferente e longe uma da outra. Minha
motivação vem das meninas. Elas lutam todo dia para ser titular,
brincam e estão sempre rindo. Às vezes, eu chego cansada e
começo a dar risada com elas. Daqui a pouco, eu já esqueci
do cansaço. Isso faz muita diferença. Este é um dos melhores
grupos com o qual eu trabalhei”, garantiu a veterana jogadora.
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