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Sarah: A falta de transparência na administração dos recursos compromete a legitimidade do setor

Para exigir é preciso ser

Sarah Duarte (*)

A sociedade brasileira, cada vez, mais toma consciência da importância em se posicionar e exigir ética e transparência em todas as atitudes, atos e ações dos diversos setores de nossa sociedade.

Denúncias realizadas no país têm levado a uma situação desconfortável sobre a atuação das organizações não-governamentais. Tal questionamento em torno do Terceiro Setor se dá por seu crescimento exponencial, pela precariedade da fiscalização que sofrem e se o investimento do dinheiro está de acordo com as atividades a que se destinam.

O grande questionamento do Terceiro Setor se dá por seu vertiginoso crescimento sem que haja o necessário aumento de fiscalização ou mecanismos de regulação. O que se questiona é a transparência e correção no trato do dinheiro de mantenedores públicos e privados, por quem quer que o acesse. As poucas ONG’s “pilantrópicas” acabam por denegrir todo trabalho e imagem de um setor.

A falta de transparência na administração de recursos acaba por comprometer a legitimidade do setor e pode até colocar em risco seu trabalho. Os constantes escândalos relacionados a desvio de dinheiro, do não-cumprimento de padrões mínimos de qualidade e até de organizações criadas para fins ilícitos, aumentam a preocupação e a necessidade de se assegurar objetivamente transparência, eficiência e eficácia do Terceiro Setor.

É preciso uma atitude pró-ativa na busca de metodologias que provenham às organizações do Terceiro Setor, assim como mantenedores públicos e privados uma avaliação independente de desempenho com base em pontos verificáveis extraídos de Códigos de Boas Práticas e Padrões Internacionais do Terceiro Setor.

Diante de “medidas moralizantes” e pouco efetivas, cabe às organizações buscar uma metodologia de verificação que tenha legitimidade na avaliação das ações, que seja simples e compreensível para entendimento dos mantenedores e seus stakeholders. Mais do que nunca o Terceiro Setor deve quebrar o paradigma de incapacidade gerencial.

* Sarah Duarte é Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie. Especialista em gestão de projetos e desenvolvimento de novos negócios. Atua como consultora de marketing e logística. Gerencia e coordena na SGS do Brasil a Certificação de Transparência e Ética para o Terceiro Setor – NGO Benchmarking.

  EDIÇÃO DE ABRIL 2008

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