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Hepatites: perigo quase invisível
Jacqueline Tiveron Manfrin, especial para o Cidadania
Foto Divulgação
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Na Cinelândia
(centro do Rio de Janeiro), o Grupo Otimismo distribui
folhetos da campanha do Dia Mundial das Hepatites.
A ação atingiu 190 mil pessoas.
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CONHEÇA A DOENÇA
Hepatite é um termo genérico utilizado
para as inflamações no fígado.
A hepatite A é transmitida pela água
não tratada. O tipo B é pelo sangue,
além de ser altamente transmissível
sexualmente, muito mais do que a Aids. Existe uma
vacina muito eficaz para a prevenção,
no entanto, as campanhas de vacinação
são praticamente nulas, a maioria dos jovens
em idade sexual desconhece a existência de
vacina para a hepatite B. Caso uma criança
seja contaminada, será uma doença
crônica.
A hepatite C não é transmitida sexualmente,
apenas pelo sangue. Hoje, são pouquíssimas
as pessoas contaminadas, a maioria foi infectada
antes de 1993, quando não existiam testes
diagnósticos. Cerca de 85% daqueles que têm
contato com o vírus da hepatite C adquirem
a doença crônica. Diferente do tipo
B, não existe nenhuma vacina para a doença.
Não realizar campanhas de detecção
das hepatites no Brasil pode acarretar mais de 1.500.000
de casos de cirroses nos próximos 10 anos.
Se detectada precocemente, até 600.000 mortes
poderão ser evitadas.
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INFORMAÇÕES
Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite
Av. Atlântica, 3170/30 – Copacabana
CEP 22070-000 - Rio de Janeiro (RJ)
hepato@hepato.com
Tel.: (21) 9973-6832 |
O Grupo Otimismo luta para conseguir com que o governo
assuma a sua responsabilidade constitucional e assegure
a saúde para toda a população. A divulgação
das hepatites é o objetivo principal da organização,
assim como suas formas de prevenção e de tratamento.
Atualmente, existem de 5 a 6 milhões de brasileiros
infectados e aproximadamente 550 milhões em todo
o mundo. Pelos dados estatísticos, uma a cada 12
pessoas apresenta hepatite do tipo B ou C. O número
é alarmante, mas, alarmante mesmo é que a
maioria destas pessoas nem imagina que está contaminada
com o vírus.
Apenas 300 mil brasileiros sabem que tem hepatite, porque
a doença é silenciosa e não apresenta
sintomas. Após 25 anos, um a cada quatro contaminados
desenvolve cirrose ou câncer no fígado, que
é o terceiro tipo que mais mata no mundo. O Grupo
Otimismo atua através do Controle Social, ou seja,
emprega diversas formas de negociação ou pressão,
utilizando-se da mídia e do Ministério Público
e da Justiça para conseguir uma posição
do governo federal ao tratamento das hepatites.
Dentre as 25 organizações não governamentais
selecionadas para a II Conferência Internacional -
Inovação para o Terceiro Setor: Sustentabilidade
e Impacto Social, o Grupo Otimismo irá apresentar
o seu trabalho. O evento será realizado em agosto
deste ano pelo William Davidson da Universidade de Michigan,
em parceria com o CNU-Brasil (Programa Conversando com as
Nações Unidas). As organizações
terão espaço para contar quais foram os resultados
obtidos, os desafios encontrados e qual a estratégia
de trabalho utilizada.
Em 2007, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) procurou o Grupo Otimismo, com o objetivo de ampliar
o Dia de Divulgação da Hepatite, criado no
Brasil, em 2000. A idéia é transformá-lo
no Dia Mundial da Hepatite, mas, para isso, é preciso
que a Assembléia Geral de 2009 decrete o dia 19 de
maio como o Dia Mundial das Hepatites. Para alcançar
o objetivo, foi fundado o World Hepatitis Alliance e, no
mês de maio, 55 países realizaram um trabalho
conjunto, numa parceria formada por mais de 220 ONGs.
Negligência do Governo Federal
“Nós estamos com um documento com 12 pontos
que o governo deverá assinar publicamente com compromissos
a assumir até o ano de 2012”, conta Carlos
Varaldo, diretor do Grupo Otimismo. Para conhecer as metas
para o governo, acesse o link www.hepato.com/eventos/12_metas.doc.
“Não temos que ser um prestador de serviços
do governo. A doença atinge um número muito
grande de pessoas e já se configura como um problema
público. No artigo 5 da Constituição
está escrito que a ‘saúde é um
direito do cidadão e um dever do Estado’”,
lembra o diretor Carlos Varaldo. “Se o governo brasileiro
se interessasse, o preço do remédio poderia
cair muito. A dificuldade do tratamento está exatamente
aí, no preço muito alto”.
Com mais de 30 mil visitantes por mês, o site www.hepato.com
fornece informações sobre hepatites, disponíveis
em português e espanhol.
O diretor do Grupo Otimismo, Carlos Varaldo, deixa uma
mensagem para toda a população sobre o desconhecimento
e alienação quando o assunto é hepatite.
“Não saber é ruim, não querer
saber é pior, mas não se preocupar com as
conseqüências dessa omissão é imperdoável”.
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