| Basquete: sonho ficou
para 2008... Por Marta
Teixeira
Ainda bem que tem segunda chance. Em 2007, as seleções
brasileiras feminina e masculina de basquete bateram
na porta, mas não conseguiram entrar. Nenhuma delas
obteve sucesso nos torneios Pré-olímpicos.
Com apenas uma titular remanescente do Mundial de
2006, estreando novo técnico e com uma vaga em disputa,
a ida para a repescagem da seleção feminina foi a menos
traumática. No masculino, ao contrário, o abalo foi
geral com direito a denúncias de racha interno e dispensa
do técnico Aluísio Ferreira, o Lula, com toda sua comissão
técnica.
A temporada da seleção começou bem. Mesmo sem suas
principais estrelas, o time conquistou o tricampeonato
nos Jogos Pan-americanos do Rio com uma campanha perfeita.
Nem mesmo Porto Rico, que costuma ser uma pedra no caminho
brasileiro, parou o grupo de Lula. Os Estados Unidos,
com jogadores universitários, terminaram no modesto
quinto lugar.
| Foto: Divulgação/CBB |
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| Principal estrela do Brasil no Pré-olímpico, Leandrinho terminou torneio abatido, mas negou problemas dentro do grupo |
O sossego, porém, não durou até o Pré-olímpico, disputado
em agosto, em Las Vegas. Leandrinho, Anderson Varejão,
Tiago Splitter e até Nenê, que ‘fez as pazes’ com a
Confederação para buscar a classificação, assinavam
embaixo no projeto.
Mas os problemas não demoraram a começar. Negociando
seus contratos, Anderson Varejão e Rafael ‘Baby’ Araújo
ficaram fora da disputa. Operado, Guilherme Giovannoni
só foi liberado para os treinos na semana final de preparação.
Assim como Splitter, que precisava definir sua situação
entre o Tau Ceramica e o San Antonio Spurs. Um impasse
para estipular o valor do seguro adiou a apresentação
de Nenê até a véspera do embarque da seleção.
Para complicar, o ala/armador Alex Garcia machucou
a mão durante os Jogos Pan-americanos e só voltou à
ativa nos Estados Unidos. Mas chegando a Las Vegas,
a situação só piorou para a equipe de Lula.
Rumores de desentendimentos internos e racha entre
jogadores tiraram o sossego do grupo. No retorno ao
Brasil, depois de ser cortado após uma lesão na mão,
o pivô Marquinhos colocou mais lenha na fogueira, afirmando
que atletas e comissão técnica não falavam a mesma língua.
Em quadra, a situação brasileira foi se deteriorando.
Na primeira fase houve apenas a esperada derrota para
os Estados Unidos. Mas nas quartas-de-final, o fantasma
porto-riquenho voltou a assombrar a equipe, que perdeu
e se complicou na competição. A derrota seguinte para
a Argentina, em uma virada na qual o Brasil desperdiçou
17 pontos de vantagem e perdeu na prorrogação, praticamente
enterrou os planos.
Os brasileiros ainda se reergueram contra o Uruguai,
partida na qual o armador Nezinho se recusou a entrar,
mas no reencontro com a Argentina, já nas semifinais,
não tiveram forças. Com os bastidores estremecidos pela
polêmica do desentendimento interno, a equipe de Lula
foi vítima quase indefesa frente a uma Argentina movida
pelo ímpeto de Luis Scola.
Única estrela da NBA e do título olímpico de Atenas-2004
a marcar presença na competição, Scola ditou o ritmo
argentino e foi peça fundamental na classificação para
a final, o que assegurou sua seleção em Pequim-2008.
A final foi decidida contra os revigorados Estados Unidos,
que levaram um grupo de respeito, incluindo LeBron James,
Jason Kidd, Kobe Bryant, Amare Stoudemire e Carmelo
Anthony.
Os norte-americanos ficaram com o título. Aos brasileiros
restou uma despedida melancólica e sem medalhas. Isso
porque na disputa do bronze, apáticos e sem Nenê, que
lesionara a panturrilha na semi, sofreram nova derrota
para Porto Rico. O único consolo foi obter o direito
de disputar a repescagem mundial para Pequim, em julho
do ano que vem.
No retorno ao Brasil, jogadores e comissão técnica,
esta com a cabeça a prêmio, lamentaram o tropeço e negaram
os desentendimentos. “Não teve nada disso. Infelizmente,
não deu para conseguir a vaga, mas vamos continuar a
luta”, garantia Splitter. Mas a boa recepção à idéia
de comando estrangeiro na seleção ficou evidente. Dias
depois, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB)
dispensou a comissão técnica e confirmou que o próximo
treinador será mesmo um estrangeiro.
Segundo o presidente da CBB, Gerasime Grego Bozikis,
a medida é datada: apenas para obter a classificação
olímpica. O nome do substituto de Lula só deve ser divulgado
em janeiro e depois de cumprir seu papel no Pré-olímpico,
ele pode virar consultor da seleção, que deve voltar
às mãos de um técnico nacional.
Mas a notícia principal é que muito provavelmente,
ele contará com a força máxima da seleção. Já no desembarque
de Las Vegas, os jogadores se comprometiam em lutar
pela vaga em 2008. 'Eu estou disposto a ir para o próximo
Pré-olímpico', puxou a fila Leandrinho. E com a renovação
do contrato de Anderson por três temporadas e suas declarações
de interesse no Pré-olímpico mundial o ala/pivô reforçará
o grupo.
Feminino – A seleção feminina também
ficou de segunda chamada na classificação olímpica.
O torneio foi o primeiro compromisso internacional após
a saída da ala Janeth e do técnico Antonio Carlos Barbosa
e teve apenas três remanescentes do Mundial de 2006
sob o comando de Paulo Bassul.
O Pan do Rio, no qual a equipe foi prata, foi a derradeira
competição a contar com Barbosa e Janeth. Na capital
fluminense, o Brasil já ensaiava sua transição porque
era a primeira disputa de título importante desde a
saída de Helen, Alessandra e Cíntia Tuiú. Aos 25 anos,
a ala Iziane tornou-se a referência no Pré-olímpico.
A competição marcou também o retorno da armadora Claudinha
após cinco anos longe da seleção. Sem a titular Adrianinha,
que pediu dispensa por motivos particulares, a veterana
assumiu a responsabilidade.
”Vamos ter uma equipe não com uma estrela, mas com
todas brilhando”, dizia Barbosa antes de deixar a equipe.
E foi o que Bassul buscou.
O novo técnico correu seus riscos, cortou a experiente
Kelly por problemas na balança e a promissora Érika,
que não treinou com o grupo por causa da WNBA. Mesmo
assim, investindo no talento coletivo e com uma nova
metodologia defensiva, o Brasil chegou às semifinais
para um duelo decisivo contra Cuba. O time cubano, que
havia se mostrado apático e fora superado na semifinal
dos Jogos Pan-americanos, mostrou outra postura em Valdívia,
no Chile.
Depois de quase superar os Estados Unidos na rodada
de abertura – após o primeiro tempo as cubanas dispararam
no marcador e as norte-americanas só conseguiram virar
nos quatro minutos finais -, Cuba bateu o Brasil por
dois pontos. Estados Unidos e Cuba decidiram o título com vitória
norte-americana. As brasileiras ficaram em terceiro
e se classificaram para o Pré-olímpico Mundial.
O técnico Bassul não se abalou. 'A equipe está em
formação e temos de ver em cada situação uma oportunidade
de aprendizado, melhorando o time para o Pré-Olímpico
Mundial. Vamos continuar o trabalho sério rumo a uma
das cinco vagas restantes para Pequim'.
| Janeth abandona
as quadras, mas não o basquete |
| Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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| Prata no Pan selou despedida de Janeth da seleção |
Durante duas décadas, a ala Janeth construiu uma
sólida carreira com a camisa brasileira. De coadjuvante
na época de Paula e Hortência, tornou-se estrela
e referência para a geração seguinte. O adeus à
seleção foi quase perfeito, faltou apenas o título
nos Jogos Pan-americanos do Rio, sua última competição
oficial pelo país.
No entanto, conquistas não faltaram ao longo
de sua carreira. Janeth foi campeã mundial em
Melbourne-94, vice-campeã olímpica nos Jogos de
Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000. Quatro anos
depois, contentou-se com o quarto lugar em Atenas-2004.
A experiência mais sofrida foi o Mundial de
2006, em São Paulo. O amargo quarto lugar ficou
ainda mais doloroso pelos 40 pontos de diferença
para os Estados Unidos no marcador. A maior surra
da história da competição.
O jeito foi apostar no Pan do ano seguinte para
sair com a cabeça erguida. Mas no Rio, novamente,
as norte-americanas estragaram a festa verde-amarela
com nova vitória sobre o Brasil. "Minha vida é
um livro, simplesmente coloquei um ponto e agora
continuo uma nova página", afirmou após o confronto
decisivo.
Nascida em Carapicuíba (SP) e no basquete desde
os 13 anos, a ex-jogadora de vôlei Janeth fez
147 jogos pelo país em 23 competições oficiais.
Em 20 anos, foram 2.366 pontos para o Brasil.
Pelos clubes, a coleção de troféus também é
expressiva. Quatro vezes campeã da WNBA com o
Houston Comets (1997, 98, 99 e 2000), Janeth possui
ainda o título sul-americano de clubes com o Santo
André (1999) e quatro títulos nacionais (99 –
Santo André, 2001 – Vasco da Gama, 2002 – São
Paulo/Guaru e 2004 – Ourinhos).
A ala abandonou as quadras, mas não o esporte.
A ex-jogadora, que já dirigia um Centro de Treinamento
em Santo André (SP), intensificou a atividade.
Virou também comentarista esportiva e agora se
acostuma à vida sem as exigências do dia a dia
de atleta. |
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