Voltar para a home Sexta, 16 de Maio de 2008 Home Fale conosco Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
Home
Basquete
Doping
Futebol - Brasileirão
Futebol - Calvário Corintiano
Futebol - Copa 2014
Futebol - Copa do Brasil
Futebol - Estaduais
Futebol feminino
Futebol - Policial
Futebol - Rei das Copas
Futebol - Seleção Brasileira
Motor
Mundiais
Pan
Tênis
Vagas Olímpicas
Vôlei
 Basquete
Basquete: sonho ficou para 2008... Nacionais: uma novela sem fim
Basquete: sonho ficou para 2008...

Por Marta Teixeira

Ainda bem que tem segunda chance. Em 2007, as seleções brasileiras feminina e masculina de basquete bateram na porta, mas não conseguiram entrar. Nenhuma delas obteve sucesso nos torneios Pré-olímpicos.

Com apenas uma titular remanescente do Mundial de 2006, estreando novo técnico e com uma vaga em disputa, a ida para a repescagem da seleção feminina foi a menos traumática. No masculino, ao contrário, o abalo foi geral com direito a denúncias de racha interno e dispensa do técnico Aluísio Ferreira, o Lula, com toda sua comissão técnica.

A temporada da seleção começou bem. Mesmo sem suas principais estrelas, o time conquistou o tricampeonato nos Jogos Pan-americanos do Rio com uma campanha perfeita. Nem mesmo Porto Rico, que costuma ser uma pedra no caminho brasileiro, parou o grupo de Lula. Os Estados Unidos, com jogadores universitários, terminaram no modesto quinto lugar.

Foto: Divulgação/CBB
Foto: Divulgação/CBB

Principal estrela do Brasil no Pré-olímpico, Leandrinho terminou torneio abatido, mas negou problemas dentro do grupo

O sossego, porém, não durou até o Pré-olímpico, disputado em agosto, em Las Vegas. Leandrinho, Anderson Varejão, Tiago Splitter e até Nenê, que ‘fez as pazes’ com a Confederação para buscar a classificação, assinavam embaixo no projeto.

Mas os problemas não demoraram a começar. Negociando seus contratos, Anderson Varejão e Rafael ‘Baby’ Araújo ficaram fora da disputa. Operado, Guilherme Giovannoni só foi liberado para os treinos na semana final de preparação. Assim como Splitter, que precisava definir sua situação entre o Tau Ceramica e o San Antonio Spurs. Um impasse para estipular o valor do seguro adiou a apresentação de Nenê até a véspera do embarque da seleção.

Para complicar, o ala/armador Alex Garcia machucou a mão durante os Jogos Pan-americanos e só voltou à ativa nos Estados Unidos. Mas chegando a Las Vegas, a situação só piorou para a equipe de Lula.

Rumores de desentendimentos internos e racha entre jogadores tiraram o sossego do grupo. No retorno ao Brasil, depois de ser cortado após uma lesão na mão, o pivô Marquinhos colocou mais lenha na fogueira, afirmando que atletas e comissão técnica não falavam a mesma língua.

Em quadra, a situação brasileira foi se deteriorando. Na primeira fase houve apenas a esperada derrota para os Estados Unidos. Mas nas quartas-de-final, o fantasma porto-riquenho voltou a assombrar a equipe, que perdeu e se complicou na competição. A derrota seguinte para a Argentina, em uma virada na qual o Brasil desperdiçou 17 pontos de vantagem e perdeu na prorrogação, praticamente enterrou os planos.

Os brasileiros ainda se reergueram contra o Uruguai, partida na qual o armador Nezinho se recusou a entrar, mas no reencontro com a Argentina, já nas semifinais, não tiveram forças. Com os bastidores estremecidos pela polêmica do desentendimento interno, a equipe de Lula foi vítima quase indefesa frente a uma Argentina movida pelo ímpeto de Luis Scola.

Única estrela da NBA e do título olímpico de Atenas-2004 a marcar presença na competição, Scola ditou o ritmo argentino e foi peça fundamental na classificação para a final, o que assegurou sua seleção em Pequim-2008. A final foi decidida contra os revigorados Estados Unidos, que levaram um grupo de respeito, incluindo LeBron James, Jason Kidd, Kobe Bryant, Amare Stoudemire e Carmelo Anthony.

Os norte-americanos ficaram com o título. Aos brasileiros restou uma despedida melancólica e sem medalhas. Isso porque na disputa do bronze, apáticos e sem Nenê, que lesionara a panturrilha na semi, sofreram nova derrota para Porto Rico. O único consolo foi obter o direito de disputar a repescagem mundial para Pequim, em julho do ano que vem.

No retorno ao Brasil, jogadores e comissão técnica, esta com a cabeça a prêmio, lamentaram o tropeço e negaram os desentendimentos. “Não teve nada disso. Infelizmente, não deu para conseguir a vaga, mas vamos continuar a luta”, garantia Splitter. Mas a boa recepção à idéia de comando estrangeiro na seleção ficou evidente. Dias depois, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) dispensou a comissão técnica e confirmou que o próximo treinador será mesmo um estrangeiro.

Segundo o presidente da CBB, Gerasime Grego Bozikis, a medida é datada: apenas para obter a classificação olímpica. O nome do substituto de Lula só deve ser divulgado em janeiro e depois de cumprir seu papel no Pré-olímpico, ele pode virar consultor da seleção, que deve voltar às mãos de um técnico nacional.

Mas a notícia principal é que muito provavelmente, ele contará com a força máxima da seleção. Já no desembarque de Las Vegas, os jogadores se comprometiam em lutar pela vaga em 2008. 'Eu estou disposto a ir para o próximo Pré-olímpico', puxou a fila Leandrinho. E com a renovação do contrato de Anderson por três temporadas e suas declarações de interesse no Pré-olímpico mundial o ala/pivô reforçará o grupo.

Feminino – A seleção feminina também ficou de segunda chamada na classificação olímpica. O torneio foi o primeiro compromisso internacional após a saída da ala Janeth e do técnico Antonio Carlos Barbosa e teve apenas três remanescentes do Mundial de 2006 sob o comando de Paulo Bassul.

O Pan do Rio, no qual a equipe foi prata, foi a derradeira competição a contar com Barbosa e Janeth. Na capital fluminense, o Brasil já ensaiava sua transição porque era a primeira disputa de título importante desde a saída de Helen, Alessandra e Cíntia Tuiú. Aos 25 anos, a ala Iziane tornou-se a referência no Pré-olímpico.

A competição marcou também o retorno da armadora Claudinha após cinco anos longe da seleção. Sem a titular Adrianinha, que pediu dispensa por motivos particulares, a veterana assumiu a responsabilidade. ”Vamos ter uma equipe não com uma estrela, mas com todas brilhando”, dizia Barbosa antes de deixar a equipe. E foi o que Bassul buscou.

O novo técnico correu seus riscos, cortou a experiente Kelly por problemas na balança e a promissora Érika, que não treinou com o grupo por causa da WNBA. Mesmo assim, investindo no talento coletivo e com uma nova metodologia defensiva, o Brasil chegou às semifinais para um duelo decisivo contra Cuba. O time cubano, que havia se mostrado apático e fora superado na semifinal dos Jogos Pan-americanos, mostrou outra postura em Valdívia, no Chile.

Depois de quase superar os Estados Unidos na rodada de abertura – após o primeiro tempo as cubanas dispararam no marcador e as norte-americanas só conseguiram virar nos quatro minutos finais -, Cuba bateu o Brasil por dois pontos. Estados Unidos e Cuba decidiram o título com vitória norte-americana. As brasileiras ficaram em terceiro e se classificaram para o Pré-olímpico Mundial.

O técnico Bassul não se abalou. 'A equipe está em formação e temos de ver em cada situação uma oportunidade de aprendizado, melhorando o time para o Pré-Olímpico Mundial. Vamos continuar o trabalho sério rumo a uma das cinco vagas restantes para Pequim'.
Janeth abandona as quadras, mas não o basquete
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Prata no Pan selou despedida de Janeth da seleção

Durante duas décadas, a ala Janeth construiu uma sólida carreira com a camisa brasileira. De coadjuvante na época de Paula e Hortência, tornou-se estrela e referência para a geração seguinte. O adeus à seleção foi quase perfeito, faltou apenas o título nos Jogos Pan-americanos do Rio, sua última competição oficial pelo país.

No entanto, conquistas não faltaram ao longo de sua carreira. Janeth foi campeã mundial em Melbourne-94, vice-campeã olímpica nos Jogos de Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000. Quatro anos depois, contentou-se com o quarto lugar em Atenas-2004.

A experiência mais sofrida foi o Mundial de 2006, em São Paulo. O amargo quarto lugar ficou ainda mais doloroso pelos 40 pontos de diferença para os Estados Unidos no marcador. A maior surra da história da competição.

O jeito foi apostar no Pan do ano seguinte para sair com a cabeça erguida. Mas no Rio, novamente, as norte-americanas estragaram a festa verde-amarela com nova vitória sobre o Brasil. "Minha vida é um livro, simplesmente coloquei um ponto e agora continuo uma nova página", afirmou após o confronto decisivo.

Nascida em Carapicuíba (SP) e no basquete desde os 13 anos, a ex-jogadora de vôlei Janeth fez 147 jogos pelo país em 23 competições oficiais. Em 20 anos, foram 2.366 pontos para o Brasil.

Pelos clubes, a coleção de troféus também é expressiva. Quatro vezes campeã da WNBA com o Houston Comets (1997, 98, 99 e 2000), Janeth possui ainda o título sul-americano de clubes com o Santo André (1999) e quatro títulos nacionais (99 – Santo André, 2001 – Vasco da Gama, 2002 – São Paulo/Guaru e 2004 – Ourinhos).

A ala abandonou as quadras, mas não o esporte. A ex-jogadora, que já dirigia um Centro de Treinamento em Santo André (SP), intensificou a atividade. Virou também comentarista esportiva e agora se acostuma à vida sem as exigências do dia a dia de atleta.



Confira também:

Pré-olímpico Masculino Pré-olímpico Feminino
Jogos Pan-americanos/Feminino Jogos Pan-americanos/Masculino


Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net