Não vale torcer contra PH Ganso

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Para usar um clichê: Paulo Henrique Ganso é a “bola da vez”. Nada que surpreenda. Costuma ser assim, mesmo, quando um jogador custo caro e não começa bem em nova equipe. Os comentaristas e torcedores mais experientes sabiam que a contratação do meia santista pelo Tricolor envolvia riscos. Portanto, não se justificam críticas mais duras da mídia nem cobranças pesadas dos são-paulinos. Por um simples, único e bom motivo: o São Paulo talvez seja o clube com maior experiência em contratar jogadores importantes que demoram algum tempo para começar a praticar seu verdadeiro futebol.

Os exemplos são muitos. Mas um deles é emblemático. Falo de Pedro Virgílio Rocha, um dos maiores craques da história do time, eleito por Pelé “um dos cinco melhores jogadores” que conhecera. Pois “dom Pedrito” veio para o Morumbi logo após a Copa do Mundo do México-1970. Estava “praticamente recuperado” da contusão que impedira de jogar toda a Copa. Estreou na Taça de Prata, que se tornaria, no ano seguinte, o Campeonato Nacional de Clubes.

Não apenas não brilhou no começo como fez partidas abaixo da crítica. A ponto de, em uma transmissão da antiga TV Tupi, Roberto Petri, grande jornalista e grande torcedor, não segurar, ao ver mais uma jogada medíocre do uruguaio: “Mas Rocha, você já entrou na seleção da FIFA”…

Pois o tempo passou. 1971 chegou e saiu e Rocha teve altos e baixos. A partir de 1972, porém, tornou-se a principal estrela do time. A mesma coisa aconteceu com Dario Pereira, que demorou mais de dois anos para curar-se de uma série de lesões que o faziam entrar e sair do time. E entrou para a história do clube. Nem mesmo Raí, que muitos exageram afirmando ser o maior nome da história do São Paulo – embora certamente seja um dos grandes –, livrou-se. Demorou para mostrar o craque que, de fato, era.

Raí, aliás, já comentei aqui em outra ocasião, enfrentou situação semelhante quando foi para o Paris SG: demorou para acertar e tornou-se ídolo na França. O genial Paulo Roberto Falcão, antes de receber a coroa como oitavo rei de Roma, teve que cumprir o estágio de dificuldades na temporada 1981/1982. Vejam que falo aqui apenas de jogadores que aturam pelo São Paulo. Todos eles, craques.

Tudo isso para dizer que a mesma coisa pode acontecer com Paulo Henrique Ganso. Que tal, pelo menos, torcer a favor?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>