Caio Bonfim entre os melhores do Circuito Mundial de Marcha

Wagner Carmo/CBAtO brasiliense Caio Bonfim terminou em terceiro lugar no Circuito Mundial de Marcha da IAAF. Foi o primeiro marchador do País a conseguir tal feito. Mais ainda: subiu três vezes ao pódio em etapas do Circuito. E em Portugal foi o primeiro colocado nos 20 km.

Caio, de 23 anos, atleta do Caso (DF), somou 17 pontos e ficou atrás apenas do ucraniano Ruslan Dmytrenko, que fez 29, e do australiano Jared Tallent, com 23.

O brasileiro ficou à frente do vice-campeão olímpico em Londres-2012, Erick Barrondo, da Guatemala, quinto colocado, e do campeão europeu em Zurique-2014, Miguel Angel López, da Espanha, que foi o sexto.

Este ano Caio estabeleceu novo recorde pessoal, com 1:20:28, tempo alcançado com o 16º lugar na Copa do Mundo de Marcha disputada em maio na cidade chinesa de Taicang. Ele lidera o Ranking Sul-Americano da temporada.

Fabiana Murer e um bicampeonato especial

Fernando Dantas/Gazeta Press

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A campineira Fabiana de Almeida Murer tem uma carreira de vitórias no atletismo internacional. Nesta quinta-feira dia 28 em Zurique ela venceu o salto com vara com 4,72 m e garantiu o bicampeonato da Diamond League. Ela que já havia conquistado o título do principal circuito do atletismo mundial em 2010, quando a final da prova foi, por coincidência também nesta cidade da Suíça.

Ela deixou em segundo lugar na prova e na classificação geral a norte-americana Jennifer Suhr, ganhadora da prova na Olimpíada de Londres em 2012.

Fabiana vai encaminhando com brilho sua participação na alta temporada europeia. Antes de voltar ao Brasil ainda compete na Copa Continental de Marrakesh. Depois disputará o Troféu Brasil no Ibirapuera. Agora vem o Mundial de Pequim, grande competição de 2015 do esporte em geral.

Além do título na Diamond League, Fabiana mantém o primeiro lugar no Ranking Mundial da temporada, com 4,80 m, marca feita na etapa de Nova York. Parabéns.

Palmeiras, um século de bom futebol

Acervo/Gazeta Press

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Taí. Há 100 anos um grupo de italianos radicados na capital paulista criou o Palestra Itália. Nos anos 1940 o clube passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. Somando as conquistas das duas fases, o “Verdão” é um dos maiores times da história do futebol brasileiro. Vejo o Palmeiras desde a década de 1960, época da Academia, quando o time se equiparava ao Santos de Pelé e ao Botafogo de Garrincha.

Aquele timaço começou a ser formado por Geninho e logo na sequência por Silvio Pirilo, com quem o Palmeiras foi campeão paulista em 1963. O auge, no entanto, foi sob o comando de Nelson Filpo Nuñez, com dois título em 1965: o Rio-São Paulo, então um torneio importante, e a Taça do 4º Centenário do Rio de Janeiro. Sem o mesmo glamour, mas ainda eficiente e treinado por Mario Travaglini, levou o Paulistão de 1966.

Pois é, em 1965 o time tinha: Valdir de Morais; Djalma Santos, Djalma Dias, Procópio e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho, Servilio, Tupãzinho e Rinaldo. Escrito assim, parece o 4-2-4 clássico, mas Rinaldo completava o meio campo. Assim o time jogava também no 4-3-3.

Era um time de astros, mas Ademir certamente pontificava. Mais jovem daquele elenco, com 22 anos em 1965, ainda ficaria por muito tempo no Palmeiras, ao lado de outros craques nos anos 1970, como Luís Pereira, Leivinha e Leão. Com Osvaldo Brandão, o time foi campeão paulista em 1972 e 1974, e campeão brasileiro em 1972 e 1973.

Outro time formado no Parque Antártica e que “jogava por música”, como se dizia à época, foi o de 1979. Com apenas um craque (Jorge Mendonça), Telê Santana montou uma equipe capaz de brigar pelo título paulista e brasileiro, além de golear por 4 x 1 o Flamengo de Zico em pelo Maracanã.

Aí vem a fase difícil até os anos 1990, quando o Palmeiras teve belas equipes. Com Vanderlei Luxemburgo, chegou a reunir Miller, Rivaldo, Djalminha, Antonio Carlos, Cafu, Roberto Carlos, o bom e o melhor.

Sem ser palmeirense, mas acima de tudo fã do bom futebol, reconheço que o Verdão está na história do esporte brasileiro.

Há dez anos, o pódio de Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas

AFP

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No próximo dia 29, o Atletismo nacional comemora os 10 anos da conquista da medalha olímpica por Vanderlei Cordeiro de Lima nos Jogos de Atenas-2004. O caso é relativamente recente e quase todo mundo viu e pôde rever inúmeras vezes pela televisão. Mas, se alguém não lembra, Vanderlei liderava a disputada da maratona, com quase 40 segundos de vantagem sobre seu mais direto perseguidor, o italiano Stefano Baldini, quando foi empurrado por um manifestante.

Ajudado por populares, que dominaram o intruso, o corredor recuperou-se do susto e do empurrão e voltou a competir. No entanto, perdeu ritmo e concentração. Acabou ultrapassado por Baldini e pelo eritreu naturalizado norte-americano Mebrahton Keflezighi, que ganharam as medalhas de ouro e prata.

Vanderlei ainda garantiu o bronze para o Brasil. Elegante, perguntado se ganharia a prova se não fosse a agressão, ainda no Estádio Panatinaiko, onde aconteceu a chegada da prova, o corredor nascido em Cruzeiro d’Oeste, no Paraná, respondeu não sabia. “O que posso dizer é que teria terminado a prova em melhores condições físicas”, explicou.

Em retribuição à sua postura olímpica, o COI deu ao brasileiro a Medalha Pierre de Coubertin, de distribuição restrita. Vanderlei faz parte da Assembleia da Confederação Brasileira de Atletismo, por sua condição de medalhista nos Jogos. E integra o Programa Heróis Olímpicos, que busca divulgar o Atletismo junto a crianças de comunidades carentes.

Deixe o Neymar livre, Dunga. Ele sabe o que deve fazer

AFP

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Saiu a primeira convocação de Dunga em sua nova passagem pela Seleção Brasileira. Vieram nomes que parecem agradam os que apreciam um bom jogo de bola. Caso de Miranda, que poucos entendem porque ficou fora da Copa – para a sorte dele, é certo.

Outro nome aclamado é Diego Tardelli. Faço coro aqui também. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart não sofrem restrições. Philippe Coutinho também muita gente queria há tempos ver na seleção. Da turma da Copa ele chamou alguns nomes óbvios, como David Luiz e Oscar.

E Neymar não poderia faltar, é claro. Vejo muita gente pessimista, achando que Dunga pode policiar o craque, para que “jogue mais para a equipe”… Ora, um jogador como Neymar sempre joga para a equipe. Não faz muito, li o Tostão que explicava que no tempo do grande Cruzeiro um jogador não tinha nenhuma função específica em campo: Dirceu Lopes, que entrava sem nenhuma orientação.

Sei que os tempos são outros etc e tal. Mas acho que seria assim que Neymar deveria entrar em campo. Para fazer o que quisesse. Pois ele saberia exatamente o que fazer. Porque é craque.

Medidas necessárias para os Jogos de 2016

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Algumas ações precisam ser imediatas, para demonstrar que a organização do Rio 2016 está no caminho certo. Vamos falar por agora do atletismo, que afinal é o esporte olímpico mais importante.

1 – Como de fato estão as obras de recuperação do Estádio do Engenhão? Uma fonte me garantiu que em novembro a empreiteira responsável pelo trabalho entregará o Estádio pronto para a organização dos Jogos. Espero que a informação esteja correta.

a) Isso se confirmando, é preciso impedir que a administração fique por conta do Botafogo. Será preciso preservar a principal praça esportiva dos Jogos. E o Botafogo, treinando diariamente no campo principal não deixará a pista em boas condições. Seria bom, ainda, que o Rio 2016 faça o desenho interno das instalações recuarem ao ponto em que estava no PAN 2007, demolindo aquelas “casinhas” minúsculas no andar térreo, que tanto enfeiam o espaço.

2 – É difícil entender porque não começam logo a reforma do Estádio Célio de Barros, no complexo do Maracanã. Conheço o que sobrou do Estádio apenas pelas horripilantes fotos que os jornais publicam. Mas está claro que tudo preciso ser reconstruído: campo de competição, pista, arquibancadas e demais instalações. O atraso no início das obras é injustificável.

E o futebol? Fluminense, São Paulo e Internacional perderam vergonhosamente pela Copa do Brasil. O que houve? “Deu branco” geral? Mas nem tudo foi mal. A boa atuação de Robinho é da dar esperanças à torcida do Santos.

Brasil busca lugar na Diamond League

Divulgação/IAAF

Divulgação/IAAF

Foi disputado o Grande Prêmio Brasil Caixa Pará de Atletismo em Belém. Alguns bons resultados, como o de Asafa Powell, que venceu os 100 m com 10.02. O presidente da Diamond League, Petr Stastny, acompanhou as ações dos organizadores do Meeting. O Brasil é candidato a integrar o circuito a partir de 2015, com uma etapa no Rio de Janeiro. A definição sai em novembro, na reunião do Conselho da liga, em Mônaco.

A favor do Brasil há o apelo que o Rio exerce naturalmente. A realização da Olimpíada de 2016 na cidade é mais um ponto a favor. Expandir o negócio para a América do Sul também conta para os diretores da liga.

A cidade adversária mais poderosa sem dúvida é Pequim. O fato der Xangai já ser a sede de uma etapa do circuito não é um grande impeditivo para um país poderoso como a China, que tem dinheiro e público para dois torneios da liga.

Ostrava, cidade tcheca (nação do presidente da liga) é a que tem menos chances de ser aceita, embora realize um Meeting tradicional. O próprio Petr explica que, para Ostrava entrar, é preciso que saia outra cidade europeia. Isso dificilmente o Conselho aprovará. Finalmente tem Rabat, que parece brigar diretamente com o Rio. A favor da cidade marroquina há a proximidade com a Europa. Vamos ver.

Os 30 anos do ouro de Joaquim Cruz

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta PressHá 30 anos, um brasiliense de 21 anos dava ao Brasil sua única medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Seu nome: Joaquim Carvalho Cruz, que deixou como vice-campeão ninguém menos que o astro Sebastian Coe, o britânico que detinha o recorde mundial com 1:41.73.

Joaquim Cruz venceu a final dos 800 m em 6 de agosto de 1984 no Coliseu de Los Angeles, que era sede de uma Olimpíada pela segunda vez, com 1:43.00, recorde olímpico. Na primeira edição dos Jogos na cidade californiana, em 1932, o melhor brasileiro do atletismo fora o paulistano Lucio Almeida Prado de Castro, sexto colocado no salto com vara.

Quando chegou a Los Angeles, embora jovem, Joaquim era respeitado entre os corredores de 800 m, pois subira ao pódio no Mundial de Helsinque-1983, quando ganhou a medalha de bronze. Um ano depois ele faria a melhor marca de sua carreira, com 1:41.77, no Meeting de Koblenz, na então Alemanha Ocidental.

Por uma década, Coe e Cruz foram os únicos meio-fundistas a correrem os 800 m em menos de 1:42.00. Nesse período, 14 vezes a prova foi corrida abaixo de 1:43.00 e sete dessas performances foram do brasileiro. Em 1995 o queniano naturalizado dinamarquês Wilson Kipketer baixou o recorde a 1:41.11 e outro corredor nascido no Quênia, David Rudisha, é o atual recordista mundial, com 1:40.91.

Os estudiosos, em sua maioria, consideram Coe e Cruz dois dos grandes nomes da história da prova. Cruz enfrentou várias vezes problemas de alergia e teve que passar por cirurgias, quase sempre provocadas pelo tendão de Aquiles.

Mesmo assim, são muitos os que o consideram o melhor corredor de 800 m na segunda metade do século XX. Embora reconheçam também que o britânico era mais completo, por ser tão bom nos 800 m como nos 1.500 m, especificamente nos 800 m admitem que poucos se igualam a Joaquim Cruz.

Daqui a dois anos, a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio

Pois é, estamos exatamente a dois anos da Olimpíada do Rio de Janeiro. No dia 5 de agosto de 2016 será realizada a festa de abertura, no Maracanã. Como era previsto, e falamos disso aqui há tempo, as críticas à organização dos Jogos foram retomadas, tão logo encerrada a Copa do Mundo de futebol. Vamos concordar que muitas críticas são justas e o Governo e a organização devem considerar e, no que couber, explicar as providências a serem tomadas.

Uma dessas críticas que cabem é a que lembra que o Estádio Olímpico do Engenhão ainda está com suas reformas no ponto verde. Isto é, não começaram ou estão em ponto inicial. O que não é bom, porque o estádio é a sede do torneio de Atletismo, de longe o mais importante dos Jogos.

No caso do Atletismo, no entanto, a pior situação é a do Estádio Célio de Barros. Foi uma vitória do esporte o Governo Estadual ter desistido de acabar com o estádio. Mas as reformas – que precisam ser completas, tal o estrago que as obras do Maracanã provocaram – sequer começaram. Falam que o Consórcio do Maracanã é o responsável pelas obras. Está certo, mas cabe ao Governo do Rio e ao Comitê Organizar exigir que as obras comecem imediatamente.

Mas vamos esperar também que não comecem daqui a pouco a falar que o COI tem um plano B porque as obras no Rio estão lentas e coisa e tal. Não tenham dúvidas, há obras que serão entregues com atraso. Mas o fundamental é que o necessário seja entregue dentro dos prazos.

Ampla vitória brasileira no Ibero. E Asafa Powell é o astro do GP Brasil

Foto: DivulgaçãoA Seleção Brasileira ganhou o Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, que terminou no domingo no Ibirapuera. Foi a oitava vitória por equipe do Brasil, que teve alguns bons resultados. Um dos destaques do time nacional foi a velocista Ana Cláudia Lemos, campeã dos 100 m com 11.13, marca boa, principalmente porque a atleta voltou há pouco tempo aos treinos, depois de recuperar-se de lesão.

Anderson Henriques nos 400 m, Wagner Domingos no lançamento do martelo, Franciela Krasucki nos 200 m, Jucilene Sales de Lima no lançamento do dardo, entre outros, também conseguiram bons resultados.

E terminado o Ibero o País já começa a receber nos próximos dias os atletas que disputarão a 30ª edição do GP Brasil Caixa Pará de Atletismo, em Belém. Grandes nomes estão confirmados, caso do ex-recordista mundial dos 100 m, Asafa Powell, da Jamaica.

Powell tem a impressionante marca de 9.72 nos 100 m, tempo que foi recorde mundial até ser superado por outro jamaicano, o astro Usain Bolt. Em Belém, no próximo domingo, Powell terá pela frente jovens velocistas com marcas fortíssimas, caso de Antoine Adams (São Cristóvão e Nevis), que este ano já fez a prova em 10.01.