“Quero convidar a todos os paulistanos: no domingo, vamos a Congonhas receber os vice-campeões mundiais de basquetebol.” Assim falava Éder Jofre, na noite de uma sexta-feira de maio de 1970, no ringue do ginásio do Ibirapuera, lotado para ver sua luta que logo começaria contra o italiano Nevio Carbi, boxeador valente, que apanhou por dez roundes, mas aguentou de pé e perdeu por pontos. Éder estava voltando a competir, já como peso pena, categoria de que acabaria campeão mundial – assim como fora dos galos por cinco anos, até 1965 –, ao vencer o cubano naturalizado espanhol José Legra em 1973, em Brasília.
Pois Éder chamava o público para receber “os herois do basquete nacional” que voltavam da Iugoslávia com a medalha de prata. Lembrei desses fatos depois de ler a matéria de Bruno Ceccon, colocada no ar em boa hora neste site da Gazeta Esportiva.Net, quando estamos próximos de comemorar o cinquentenário do bicampeonato mundial, conquistado pela seleção masculina de basquete, no Campeonato disputado no Brasil em 1963. Na final, em 25 de maio daquele ano, 85 a 81 contra a maior potência do esporte na época, os Estados Unidos.
O texto do Bruno faz justiça àquela maravilhosa equipe e ao técnico Togo Renan Soares, o Kanela, nascido na Paraíba. A maioria dos jogadores daquela seleção havia competido na conquista do primeiro título, quatro anos antes, no Chile. Nas duas edições do Mundial estavam no quinteto brasileiro dois craques: Wlamir Marques, de quem tive o prazer de ser colega numa rápida passagem pela antiga TV Manchete em que éramos comentaristas (ele de basquete, é claro, e eu, de atletismo), e Amaury Passos. Ambos estão na matéria do, ilustrada por foto do Djalma Vassão, com outros jogadores daquela seleção, como Sucar, Menon, Mosquito, Paulista, Jatyr, Fritz…
Além dos títulos mundiais, Kanela e aqueles jogadores, e outros como Ubiratan e Rosa Branca, ganharam também a medalha de bronze olímpica em Roma 1960. O Brasil foi novamente bronze em Tóquio 1964, assim como fora em Londres 1948.
O primeiro mundial de basquete o Brasil conquistou em 1959, um ano depois do título mundial do futebol na Suécia, com Pelé e Garrincha, de quem Wlamir e Amaury eram correspondentes como estrelas do basquete. Em 1960, Éder Jofre ganhou o título mundial dos galos, vencendo o mexicano Eloy Sánchez, em Los Angeles. Em 1956, Adhemar Ferreira da Silva ganhara o bicampeonato olímpico no triplo, em Melbourne. Em 1959, Maria Ester Bueno fora campeã em Wimbledon, na época, espécie de mundial do tênis.
Ou seja, uma grande época para o esporte nacional e o basquete brilhou. E num nível um pouco abaixo, Kanela e o grupo, com algumas mudanças de nomes, continuaram subindo ao pódio em Mundiais: ganharam bronze em 1967 no Uruguai e prata em 1970 na Iugoslávia.
Em 1970 o chamamento de Éder surtiu efeito. Bom número de pessoas foi receber os vice-campeões mundiais no Aeroporto de Congonhas. Na sexta-feira seguinte, Moacir Franco, que tinha um programa na TV Record, levou Wlamir Marques, que foi merecidamente aplaudido pelo auditório, lotado, representando ali jogadores e a comissão técnica comandada por Kanela.





