Gazeta Esportiva
Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O Corinthians correspondeu às expectativas e ratificou a força de seu elenco com a conquista do Campeonato Paulista. Na decisão contra o Santos foi melhor nas duas partidas e mereceu ficar com a taça; mais uma do maior vencedor da história do torneio – esse é o 27° título.

A festa do Paulista não apaga a dor da eliminação diante do Boca, na última quarta-feira, mas ameniza. Comprova o acerto do trabalho de Tite e companhia – já campeões do Brasil, sul-americano e do mundo -,  e gera motivação para o que ainda está por vir. Tem Copa do Brasil e Campeonato brasileiro, torneios que levam novamente à Libertadores. E o Corinthians, desde já, é favorito.

Fernando Dantas/Gazeta Press

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O Boca Juniors fez taticamente uma bela partida. Sob o comando de um magnífico Riquelme em campo e o mestre Bianchi fora dele, o time argentino criou sérios problemas para o Corinthians no primeiro tempo. Marcou o time corintiano como se não houvesse amanhã, enquanto Roman teve liberdade pra criar. E saiu dos pés dele a abertura do placar; um chute de rara felicidade que surpreendeu o goleiro Cássio que estava adiantado.

O maior adversário do atual campeão da Libertadores, porém, não foi o bom Boca, mas definitivamente a arbitragem. Juiz e auxiliares foram fundamentais no resultado. Pelo menos três erros mudaram o rumo da partida. O primeiro deles, um pênalti não marcado de Marín que tirou Émerson da jogada logo aos oito minutos ao colocar a mão na bola – o lateral já tinha amarelo e seria expulso; Carlos Amarilla, de quebra, ainda deu amarelo ao atacante corintiano por reclamação. O segundo foi protagonizado pelo auxiliar Rodney Aquino, aos 23, quando Romarinho em condição legal marcou para o Corinthians – ele assinalou impedimento. E o terceiro, outro pênalti, já no final da partida quando Émerson foi empurrado dentro da área. Paulinho também teve um gol anulado, esse corretamente, uma vez que o meio-campista empurrou Orión antes de definir.

Há muito eu não via uma arbitragem tão caótica. Por outro lado, também nunca vi em território brasileiro comportamento tão bonito de uma torcida depois de uma eliminação. O que a Fiel fez no Pacaembu após o jogo foi de arrepiar. Um reconhecimento raro e estimulante. O Corinthians deixa a Libertadores triste, mas de cabeça erguida.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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O cenário era favorável. Casa cheia, torcida animada, time raçudo. Até que Bruno tomou um gol daqueles de dar dó. Bola fraca, despretensiosa, fácil; tão fácil que lhe escapou das mãos e deixou desolado um Pacaembu que até então era festa. A torcida sentiu o baque, e o time também. As limitações técnicas, antes compensadas pela disposição em campo, se tornaram ainda mais evidentes.

O quadro piorou no segundo tempo quando Arce acertou um belo e forte chute de primeira pra marcar dois a zero. O Pacaembu se transformou num silêncio só. A torcida só acordou quando o árbitro marcou um pênalti duvidoso convertido por Souza. Renascia a esperança, mas ela se esvaiu rapidamente com o passar do tempo.

Não deu para o Palmeiras. É hora de pensar na Série B. Lá existe a obrigação de que tudo dê certo.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Chiadeira quando uma lista de convocados é anunciada, seja para uma Copa do Mundo, seja para outro torneio qualquer, sempre existe. Nunca há unanimidade. E os erros e acertos só o tempo mostra. Lembro-me de 2002 quando Felipão recebeu uma saraivada de críticas por não levar Romário para o Mundial e por escalar o time com três zagueiros e dois volantes – eu mesmo participei do coro da revolta – e daí? Scolari voltou da Ásia com a taça na bagagem.

Hoje, após o anúncio dos convocados para a Copa das Confederações, Scolari deve receber muitas outras críticas, apesar de haver consenso em cerca de 80% dos nomes. Diferentemente de 2002, não estou mais no coro da revolta, porém tenho as minhas observações. Considero um erro deixar de fora Ronaldinho Gaúcho, indubitavelmente, o melhor jogador brasileiro neste momento. No Atlético, ele tem feito boas partidas e na Seleção poderia dar respaldo aos jovens Neymar e Bernard – este, companheiro de Galo, premiado hoje com uma chance. Ramires também merece minha defesa; deveria estar na lista. Claro que critérios técnicos referendam minhas preferências, mas sei que nos bastidores, fatores disciplinares podem ter influenciado na decisão de não levá-los.

Na conquista do penta, a seleção chegou desacreditada ao Japão e à Coreia. Hoje, o descrédito, 11 anos depois, é ainda maior. Que Felipão, mesmo assim, repita 2002.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

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Sábio Muricy Ramalho: “a bola pune.”

O São Paulo teve um começo de jogo contra o Atlético surpreendente e arrasador. Abriu o placar com Jadson logo aos sete minutos. E poderia ter feito pelo menos mais três, fruto da blitz muito bem organizada. Atordoada, a equipe mineira não via a cor da bola. Só que faltou pontaria, especialmente pra Ademilson que, ainda frio – substituiu Aloísio machucado logo após o primeiro gol – perdeu duas chances, uma delas na cara do goleiro Vitor.

O mata-mata não permite vacilo. Não bastassem os gols perdidos, Lúcio se perdeu. O experiente zagueiro carregou na pegada, atingiu de maneira indefensável o atacante Bernard e, justamente, recebeu o cartão vermelho do árbitro paraguaio Antônio Arias, aos 36 minutos. O jogou então mudou. O Atlético se aproveitou da situação e empatou logo em seguida com Ronaldinho Gaúcho. Um duro golpe no valente time armado por Ney Franco.

No segundo tempo, o Atlético mandou na partida e virou com Diego Tardelli, o melhor em campo, indubitavelmente. E poderia ter feito o terceiro no segundo final quando Rosinei, diante do gol vazio, não alcançou o cruzamento de Luan. Ainda assim, trata-se de uma respeitável vantagem. Ao São Paulo resta a difícil tarefa de vencer em BH por dois gols de diferença. Haja superação.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O favorito Corinthians, mesmo diante de um Boca muito distante dos seus melhores dias, não justificou o favoritismo. Em noite apática em La Bombonera, não foi nem sombra daquele time que ganhou a Libertadores no ano passado; tampouco daquela equipe que enquadrou o campeão da Europa cerca de cinco meses atrás no Japão.

A costumeira marcação na saída de bola não aconteceu; o mesmo pode-se dizer da disciplina tática europeia que tanto caracteriza esse time comandado por Tite. Erros de passes, apatia ofensiva… Numa das raras vezes que ousou trabalhar a bola na defesa adversária, acertou a trave em chute desferido por Paolo Guerrero. Muito pouco.

O Corinthians saiu no lucro ao perder só por um a zero. Dá pra garantir a vaga no Pacaembu desde que apresente o futebol que fez deste time um campeão do mundo.

AFP

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O Palmeiras teve no México diante do Tijuana postura à altura da sua tradição. Confiante e com personalidade, o time superou as dificuldades oferecidas pela grama sintética e poderia até ter vencido a partida não fosse um erro do árbitro Martin Vasquez que ignorou um pênalti sobre Wesley ainda no primeiro tempo.

Os mexicanos tiveram um pouco mais de volume no final de cada tempo, quando então surgiu a figura do goleiro Bruno. Com defesas importantes, pelo menos três de considerável dificuldade, ele se tornou o principal jogador do Palmeiras na partida.

Foi uma atuação acima das expectativas e o placar em zero a zero deixa os palmeirenses em excelentes condições de classificação para a próxima fase.

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

Pouco importa que o Paulistão não estivesse entre as prioridades dos grandes – nem poderia ser diferente, como já dissecado em posts anteriores. Para o Mogi Mirim, o Campeonato Paulista interessa e muito. Dono da segunda melhor campanha e do melhor ataque do torneio, este é o melhor momento vivido pelo clube desde o “Carrossel Caipira” nos anos 90 que revelou para o Brasil, jovens como Rivaldo, Valber e Leto.

É um estranho no ninho, entre os grandes e favoritos. Mas pode se transformar em protagonista e – por que não dizer? – decidir o título do regional, desde que pense grande. A começar pela postura firme em relação às propostas indecentes que, segundo consta, já surgiram. Circulou ontem a informação de que o Santos, adversário da semifinal, teria proposto realizar a partida decisiva no Pacaembu, em troca da renda.

Mando de jogo, do ponto de vista da ética e da credibilidade da competição, é invendável; inegociável. Já vimos isso tantas vezes no passado – no último ano, Santos e Guarani decidiram em dois jogos no Morumbi – fato que desequilibra e põe uma pá de cal na dignidade. Se existe alguma chance de o Mogi vencer, o fator campo é fundamental.

Que prevaleça o bom senso.

Arte GE

Arte GE

São Paulo e Penapolense em jogo único no Morumbi. Incontestável o favoritismo são-paulino.

Mogi Mirim e Botafogo. Terminar a primeira fase em segundo lugar foi uma enorme façanha do querido Sapão. Escapou de Corinthians e Palmeiras. É favorito diante do Botafogo.

Santos e Palmeiras. Um grande vai ficar pelo caminho. A vantagem santista é de poder jogar na Vila Belmiro. É o que lhe garante um leve favoritismo.

Pra finalizar, Ponte e Corinthians fazem um revival das quartas-de-final do ano passado, quando a macaquinha levou a melhor em pleno Pacaembu. O Corinthians tem a chance – e time – pra dar o troco, desta vez em Campinas.

Agora sim, começa o Paulistão!

As oitavas-de-final da Libertadores prometem ser emocionantes por conta de três confrontos em especial: Corinthians x Boca Juniors, Atlético Mineiro x São Paulo e Velez x Newell´s Old Boys.

Corinthians e Boca revivem a final do ano passado, mas em circunstâncias diferentes. Na ocasião, embora o time paulista fizesse boa campanha, o bicho-papão era o mais popular clube da Argentina, dono de seis títulos continentais. Hoje, entretanto, o campeão sul-americano e do mundo é o Corinthians. Ele é quem mete medo. E é o favorito no confronto.

Uma  circunstância diferente também  pauta o confronto entre Atlético e São Paulo. Enquanto o time mineiro impressionava com uma campanha fantástica na primeira fase, a derrota no Morumbi na última quarta-feira abalou a confiança e o favoritismo atleticano. O Tricolor renasceu e tem força suficiente pra avançar. Definitivamente, agora a história é outra.

Velez e Newell`s também chamam a atenção pela rivalidade local. São dois bons times  e o vencedor  deve ir longe na competição.

Pra finalizar, o Palmeiras deve ter problemas com o bom Tijuana, do México. A distância a ser percorrida para o jogo de ida, o gramado sintético e a qualidade do time mexicano preocupam muito o palmeirense. Mais uma vez a superação tem de estar a serviço do Palestra. E que assim seja!