Sem ilusões

Foto: Marcelo Ferrelli/ Gazeta Press

Estive no Canindé ontem pra narrar Palmeiras e Portuguesa. O Verdão venceu, divide o topo da tabela com o Santos, mas não me empolga. Marcos, um dos maiores ídolos ainda em atividade no Brasil, segue seguro lá atrás. Fez pelo menos três importantes defesas no jogo e confirmou sua importância para o time depois de tanto tempo afastado. Kléber, na frente, é quem se impõe, guerreiro e decisivo. Vale destacar que Marcos Assunção – que não jogou no final de semana – e Valdívia, que sequer estreou, vão acrescentar muito a essa equipe que está longe de ser brilhante.  Os outros jogadores que completam o elenco ainda lutam pelo reconhecimento, por um lugar ao sol, mas não passam de promessas. São uma aposta.

Ao conversar com Arnaldo Tirone, novo presidente do clube, no Mesa Redonda de ontem, ficou a certeza de que grandes estrelas não virão tão cedo. O clube está endividado e a prioridade neste instante é minimizar o déficit.

Definitivamente, não dá pra ter ilusões. Fica, entretanto, a torcida para que os sonhados dias de glória não tardem no Palestra Itália.

Enfim, um camisa dez

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Rivaldo chegou com status de ídolo. E assim deve mesmo ser, apesar dos 38 anos de vida do craque. A idade com certeza o deixará menos veloz, menos impetuoso, mas não menos genial.

Rivaldo pode ser a criatividade que falta ao São Paulo e na entrevista de hoje, quando apresentado oficialmente, o meia-atacante deixou claro que quer ser esse homem.

E ele pode, com certeza!

Foi mal

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

O primeiro tempo foi melancólico, modorrento.  Lento, o Corinthians pouco chegou à meta do goleiro Anthony Silva. De relevante mesmo, só uma cabeçada de Jorge Henrique fruto de um cruzamento de Bruno César. Mais atenção chamou a linha de impedimento formada pelo time corintiano. Por duas vezes o Tolima saiu na cara do Júlio César, mas por sorte a arbitragem marcou impedimento.

Na segunda etapa, esperava-se que o time seguisse a orientação do técnico Tite, infiltrando, jogando pelos lados, chutando de longe… Mas não foi assim. O Corinthians continuou passivo diante da retranca armada pelos colombianos. Criou quase nada. Chegou com perigo, apenas no final do  jogo num chute do Danilo e em cobrança de falta de Chicão aos 40. Teve quem gritasse gol, mas tudo não passou de ilusão de ótica.

Falando em ilusão, pra quem ainda acredita na classificação, fica o consolo  de que um empate com gols na Colômbia garante a vaga ao Corinthians. Teoricamente é viável,  mas com essa bola fica difícil acreditar.

Foi mal Corinthians, foi mal.

A cara nova da Seleção

A lista anunciada por Mano Menezes não reflete o que há de melhor no futebol brasileiro no momento. O calendário, obviamente, tem real influência nos nomes anunciados. Os jogadores brasileiros estão iniciando a temporada agora e não estão no mesmo nível dos atletas que atuam na Europa. A Libertadores também tem peso importante e, neste caso, prevaleceu o bom senso por parte do treinador da Seleção Brasileira. Por que desfalcar os clubes nacionais em uma competição tão importante para um simples amistoso?

Enquanto um calendário globalizado não passa de um sonho de uma noite de verão, Mano segue em busca da tão desejada renovação. Jadson, Hulk, Neto, Renato Augusto, Rafael e André são alguns nomes que simbolizam essa nova era.  Se ainda não são suficientemente famosos a ponto de garantir a confiança plena do torcedor, nos clubes onde atuam fizeram por merecer a chance de vestir a camisa amarela. Provavelmente poucos chegarão à Copa de 2014, mas é bom testá-los.

Que venha a França!

foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Seleção exposta

foto: AFP

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Apesar de quatro bolas na trave, da pressão sobre o frágil adversário, o Brasil não conseguiu ir além de um empate com a Bolívia, no Sul-americano Sub-20 realizado no Peru.

O empate foi um daqueles acidentes de percurso, naquelas tardes nas quais o destino não ajuda. Soma-se a isso, um pouquinho de salto alto - aquela certeza de que o fraco rival pode ser batido a qualquer momento - e um esquema tático que favorece os sustos e as surpresas.

A inegável vocação ofensiva dessa seleção tem mesmo que ser aproveitada, mas o time não pode deixar tanto espaço no meio-campo como tem deixado. Um oponente um pouco mais qualificado, a continuar assim, pode trazer sérias dificuldades ao Brasil. Esses garotos, bons de bola, especialmente do meio pra frente, precisam aprender um pouco mais sobre disciplina tática e isso é responsabilidade do professor Ney Franco.

Tirone e o futuro do Palmeiras

Agora o Palmeiras pode caminhar. Se Arnaldo Tirone, presidente eleito nesta quarta-feira, será um bom gestor, só o tempo dirá. Entretanto, não há mais desculpas para inércia palmeirense neste início de temporada.

 Uma das principais tarefas de Tirone é reforçar a equipe, carente de qualidade, apesar do discurso do “bom e barato” que marcou sua campanha para a presidência do clube e que ainda causa arrepios na torcida palmeirense.  Difícil não lembrar que o time “bom e barato” da era Mustafá Contursi caiu para a segunda divisão do Brasileiro em 2002. A propósito, o presidente eleito conta com o apoio de Mustafá.

Mesmo cauteloso do ponto de vista financeiro, o Palmeiras tem que pensar grande, e tudo começa com um bom planejamento. Que Arnaldo Tirone se mostre sensível a essas necessidades.

O dono da bola

Impressionante a atuação de Neymar na estreia do Brasil no Sul-americano Sub-20 realizado no Perú. À vontade, o atacante santista chamou a responsabilidade e jogou com a mesma alegria das “peladas” realizadas nas férias. Driblou, jingou, dançou e o melhor de tudo: decidiu.

Dos quatro gols marcados pelo craque, os dois últimos foram os mais importantes devido às circunstâncias. Com um homem a mais quando o jogo estava 2 a 1, o Paraguai pressionava e não parecia distante do empate. Mas Neymar resolveu jogando o fino da bola. Já é o dono da seleção Sub-20 e a continuar assim, logo logo será o dono do mundo.

Um bom começo

Apesar do pouco tempo de preparação, os grandes não tiveram problemas na primeira rodada do Campeonato Paulista. A exceção foi o Palmeiras que não conseguiu ir além de um 0 a 0 com Botafogo, no Pacaembu, no sábado, e deixou o campo merecidamente vaiado pela torcida. Mesmo considerando as dificuldades iniciais da temporada, o ano promete ser difícil para o palmeirense.

Já o santista sorri mais tranquilo. Também no sábado, o Santos atropelou o caçula Linense, em Lins. Inspirado, Zé Eduardo foi fundamental na construção da goleada do Peixe. O atacante participou diretamente do primeiro marcado por Maikon Leite, o artilheiro da estreia com dois gols, e marcou o segundo. Um bom começo!

Em Mogi, o São Paulo não teve a mesma facilidade. O jogo foi um pouco mais complicado. Rogério Ceni, pra variar, foi o destaque. Fez boas defesas lá atrás e, de pênalti, marcou o primeiro gol.  A partida, entretanto, só foi definida com o gol de Marcelinho Paraíba, aos  41 do segundo tempo.

No Pacaembu, o Corinthians matou o jogo na primeira etapa com os gols de Paulinho e Roberto Carlos. Na outra metade da partida, o time sentiu o cansaço e apenas administrou o resultado. A Lusa até merecia um golzinho mas, na melhor das chances, Ralf tirou de cabeça e teve o nome gritado pela Fiel torcida. Fiel que pode rever Edno e Morais que reestrearam no Timão.

Paulistão na berlinda

O Campeonato Paulista é um dos mais importantes do país. Isso é fato! Entretanto, não tem mais o prestígio e a força do passado. Os clubes do interior, salvo alguma surpresa, são meros coadjuvantes e os grandes do estado, com outras prioridades, já não se empolgam . Tudo por culpa de um calendário que evoluiu se comparado à alguns anos atrás, mas que ainda está longe do ideal.Isso faz com que o Paulistão pareça um estorvo na vida dos clubes. O tempo de preparação é curto – cerca de 10 dias – e coloca em risco o futuro dos atletas que têm uma temporada inteira pela frente.

Os torneios regionais deixaram de ser prioridade e falta organização. Os dirigentes ainda não perceberam o óbvio: Um campeonato com menos clubes e mais curto seria muito mais interessante.

Nesse sentido, os cariocas estão à frente dos paulistas.

Vai deixar saudades

Whashington sempre foi um centroavante clássico. O tradicional camisa nove. Nunca primou pela técnica refinada, mas dentro da área era um especialista . Um fazedor de gols como popularmente se diz no futebol.

Artilheiro por onde passou, Washington foi um vencedor. Driblou os problemas do coração e seguiu até onde poucos acreditavam. Poderia ter parado seis anos atrás quando descobriu o problema. Entretanto, o camisa nove fez jus ao apelido de “Coração Valente” e venceu.

Tudo bem que a fase ano passado no São Paulo e no Fluminense não era das melhores. Altos e baixos fazem parte da vida de qualquer futebolista. Mas difícil mesmo é aceitar o momento de parar.

Washington, hoje com 35 anos, anunciou de maneira emocionada o encerramento da carreira. Não é o coração mas sim o diabetes que sugere a aposentadoria antecipada.

Vai deixar saudades, Washington! Ainda assim, pode parar . Os gols vão fazer falta, mas seu nome já está na história. É o maior artilheiro de uma edição de Campeonato Brasileiro – em 2004 fez 34 gols pelo Atlético/PR – e é o atual campeão brasileiro. Uma bela ficha de serviços prestados.