Um autêntico campeão

Foto: AFP

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Assistir a um jogo do Barcelona é como ver um espetáculo no Teatro Municipal, graças ao lirismo e refinamento da apresentação. O Barcelona joga por música, na cadência que só os melhores possuem.

Exceção feita aos primeiros cinco minutos de jogo, a equipe catalã fez o Manchester United, comandado pelo competente Alex Ferguson, parecer um time pequeno. Com a tradicional posse de bola e inquietante alma ofensiva, o Barça fez o que quis de um adversário entregue à superioridade do oponente.

Mas o Barcelona não é só o melhor time do mundo. O clube conta também com o melhor jogador do planeta. Messi vibrou como poucas vezes se viu ao marcar seu 53° gol na temporada, se igualando ao português Cristiano Ronaldo. Talvez não tenha nada a ver com a marca, mas com a importância da partida e também com o ineditismo do feito, uma vez que o argentino jamais marcara um gol em terras inglesas. O “Homem do Jogo” também deve ser mais uma vez eleito o futebolista do ano quando dezembro chegar.

Tem certas conquistas que não se discute. Parabéns, Barcelona, autêntico campeão!

Neymar é o cara!

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

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Não foi daqueles jogos inesquecíveis, marcantes e que pautarão conversas sobre o futebol daqui a pelo menos dez anos. Não, realmente não foi. Por outro lado, serviu pra ratificar a ótima fase vivida por Neymar. O garoto usou a inteligência e a habilidade para furar a competente marcação armada pelo Cerro Porteño e foi o grande destaque da partida. Foi dele a jogada que resultou no único gol da magra, mas importante vitória do Santos. No primeiro drible, deixou atônitos simplesmente três paraguaios; na sequência se livrou de mais um marcador e cruzou na medida para o cabeceio do zagueiro Edu Dracena.

Neymar brilhou também em outras jogadas, seja com dribles desconcertantes, seja com assistências primorosas para companheiros de equipe. Mesmo quando não marca gols, o garoto é protagonista.

Coritiba x Vasco

Dois campeões nacionais vão decidir, merecidamente, a Copa do Brasil deste ano. O Vasco fez bonito em Floripa, onde eliminou de maneira incontestável o surpreendente Avaí. O Coritiba depois de um breve período de queda – ficou três jogos sem marcar – se reencontrou com a vitória na hora certa. Coritiba e Vasco fazem uma final inédita, justa e de difícil prognóstico.

Sonho frustrado

Não será desta vez! O anúncio do acerto da renovação de Seedorf com o Milan frustrou os sonhos de corintianos e fãs do jogador holandês. Uma pena. Seria interessante ver o craque desfilando pelos gramados brasileiros. Visão de jogo, toque refinando, elegância no trato com a bola… Sem dúvida, seria um espetáculo, mesmo considerando a elevada idade do atleta: 35 anos.

Agora, cabe ao Corinthians correr atrás de outro nome pra reforçar o time e minimizar a decepção da Fiel.

Um sim à modernidade

Foto: Reprodução
Sempre vi com bons olhos uma terceira camisa com cores diferentes das tradicionais. Algo muito comum na Europa, mas que não evoluiu por aqui devido ao grande conservadorismo que pauta a postura de dirigentes e torcedores organizados.

O curioso é que, normalmente, as camisas “vetadas” pelos radicais é fenômeno de vendas. Foi assim com a Laranja jamais utilizada pelo Fluminense, a Azul marinho do Santos… O Palmeiras, desde a parceria com a Parmalat, tem sido o mais moderno dos clubes nacionais emplacando modelos diferentes que variaram do verde limão, passando pelos detalhes em vermelho e depois assumindo o azul.

O São Paulo, por questões estatutárias talvez, é mais radical e não adota a terceira camisa.

O Corinthians, fruto de um belo trabalho de marketing, inovou com o roxo que caiu na graça dos torcedores comuns, mas soava quase uma agressão aos organizados. Agora o Timão inova com a grená, em homenagem ao Torino que em 49 foi vítima de um acidente aereo que vitimou um dos melhores times da história do futebol italiano. Com uma camisa grená, o Timão enfrentou a Portuguesa naquele mesmo ano e venceu. Que essa nova camisa tenha melhor sorte que a roxa e faça sucesso não só nos gramados como também nas arquibancadas.

O mais equilibrado do mundo!

Pela nona vez seguida, o Campeonato Brasileiro acontece no sistema de pontos corridos. Esse é a grande virtude da competição que começa neste final de semana. O grande equilíbrio também faz do Brasileirão um campeonato especial. Não há no mundo torneio nacional mais equilibrado. Tanto que desde que foi implantada essa fórmula, só o São Paulo conseguiu ser campeão mais de uma vez – na verdade, três seguidas na Era Muricy. Além do tricolor, venceram Cruzeiro, Santos, Corinthians, Flamengo e Fluminense. Seis diferentes campeões em nove anos. Difícil encontrar no planeta bola situação semelhante.

Por outro lado, o Brasileirão não é tão valorizado como deveria. O campeonato está mal localizado no calendário. Os times nunca estão prontos para a competição e na maioria das vezes ficam enfraquecidos por causa da janela de transferências para a Europa. A solução seria adequar o calendário ao futebol europeu. Começar em meados de agosto e terminar em maio. Além da manutenção da força dos principais favoritos, os clubes ainda teriam datas pra excursionar e fazer dinheiro com amistosos fora do país, algo impossibilitado pelas condições atuais. Uma pena!

Noite de agonia

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

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O Santos entrou em campo como favorito, tomou a iniciativa e fez um a zero logo aos 10 minutos com Neymar. Parecia que tudo se encaminharia com facilidade. O Once Caldas, entretanto, mostrou que não eliminou o Cruzeiro nas oitavas – até então o melhor time da competição – por acaso. Com bom toque de bola, frio e calculista, o time colombiano superou o momento ruim e chegou ao empate com o bom Renteria numa jogada de bola parada. Faltava um gol para classificação e os colombianos gostaram do jogo. Ao final do primeiro tempo, porém, o empate foi o mais justo.

Na segunda etapa, Zé Eduardo, em impedimento, com menos de dois minutos de bola rolando, perdeu uma chance de ouro para colocar o Santos na frente. Aos quatro, perdeu mais uma; foi a deixa para as vaias da torcida, impaciente com a fase ruim do atacante. Impaciência com Zé Love, desespero com o time. O Santos perdia uma chance atrás da outra. Pior, Neymar desperdiçou um pênalti – que ele mesmo sofreu – aos 40 minutos. Até o apito final, aos 49, foi uma agonia. Mas o Santos segue.

Hoje conheceremos o adversário santista: Cerro Porteño do Paraguai ou Jaguares do México.

Neymar, Muricy… E o Santos campeão de novo!

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

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O Santos é campeão mais uma vez graças à uma bela combinação: O comando do melhor treinador associado ao brilho do melhor jogador do país.

Neymar, indiscutivelmente o melhor do Brasil na atualidade, correspondeu às expectativas comuns a um protagonista e dentro de campo cumpriu seu papel com maestria. Claro que no gol marcado na decisão contra o Corinthians, Júlio César colaborou com uma falha grotesca, mas nada que tire o brilho do craque santista, campeão pela terceira vez em dois anos.

O que dizer então de Muricy Ramalho, o maior vencedor nos últimos dez anos? Pegou o time na 18° rodada e teve como grande mérito o acerto da defesa santista. Conseguiu junto aos seus comandados a disciplina necessária pra tornar um time vencedor. Mal chegou e já é campeão. Tem estrela – e muita competência – o nosso querido Muricy que agora sonha com o inédito título de campeão da Libertadores da América.

Tudo isso transforma o Santos num dos maiores vencedores quando considerada a performance do clube nos últimos dez anos. Desde 2001, foram quatro títulos paulistas, dois brasileiros e uma Copa do Brasil. Façanha só superada pelo rival derrotado hoje – o Corinthians -, campeão nove vezes no mesmo período.

Falcão campeão no Sul

Se Falcão sentia falta da adrenalina nos campos de futebol, não tem do que reclamar. A decisão com o Grêmio foi um bom teste pra cardíacos. O título veio nos pênaltis. Parabéns, Falcão! Parabéns, Internacional!

Parabéns também ao Chapecoense, Santa Cruz, Atlético Goianiense, Bahia de Feira e Cruzeiro outros campeões neste domingo.

Semifinal surpreendente

De um lado Coritiba e Ceará, de outro Avai e Vasco. Os favoritos foram despachados sem dó no meio do caminho da desejada Copa do Brasil. Palmeiras e Flamengo caíram ontem. Hoje foi a vez do São Paulo.

A eliminação do Tricolor foi dolorosa para o torcedor. O time saiu na frente, resultado que obrigava o Avaí a fazer três, e os gols do time catarinense foram acontecendo naturalmente diante de um São Paulo passivo e vulnerável. Difícil compreender como um jogador experiente como Rivaldo não teve oportunidade nessas circunstâncias. O não aproveitamento do meia não explica a eliminação, mas causa estranheza.

Dos que restaram, o Vasco é a marca mais famosa e vitoriosa, nada entretanto que o torne favorito. Se existe um favorito, ele tem outro nome: Coritiba.

Em aberto

Um zero a zero nunca é bom aos olhos de quem gosta do futebol bem jogado. Mas o empate sem gols não representou um jogo ruim entre Corinthians e Santos. Muito pelo contrário, foi uma partida bem interessante do ponto de vista tático.

No primeiro tempo, o time comandado pelo técnico Tite esteve melhor que o adversário, embora a chance mais aguda tenha sido do Peixe, num chute de Neymar que morreu na trave.

Na segunda etapa, nos primeiros 20 minutos, Neymar começou a aparecer com mais contundência; deu um passe maravilhoso pra Danilo marcar o gol – Chicão salvou o chute por cobertura – e na sequência, mais uma vez, acertou a trave. Quando o atacante caiu de produção, o Corinthians voltou a crescer e desta vez a trave foi proeza de Liedson que por pouco não deixou o Timão na frente. A propósito, Liedson foi bem no clássico, mas o melhor do Timão na partida foi o zagueiro Leandro Castán. Do lado santista, Neymar apareceu pouco, mas o suficiente pra destacá-lo dos demais.

A decisão, no próximo domingo, segue sem favoritos. A briga está aberta.

Que fiasco!

Foto: AFP

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Difícil explicar o que houve nesta noite na Libertadores da América. Imaginava-se dois confrontos brasileiros nas quartas-de-final; os mais otimistas apostavam até numa semifinal com três clubes do país. Mas só sobrou o Santos nas quartas.

A quarta-feira de fiascos começou com o desastre de Porto Alegre. O Inter começou bem, fez um a zero, mas no segundo tempo viu o Peñarol virar o jogo em apenas cinco minutos. Nenhum jogador do Colorado conseguiu explicar o que ocorreu.

No Paraguai, o Fluminense pagou caro pela covardia tática. Jogou abraçado com o regulamento e morreu goleado com ele nos braços. Desta vez não funcionou o heroísmo que fez a equipe renascer das cinzas na primeira fase. Heróicos foram os paraguaios do Libertad.

O “imortal” Grêmio não passou de um time comum em Santiago. Era, do Brasil, o clube que menos se esperava algo. A tarefa era difícil e poucos acreditavam na possibilidade de uma vitória gremista por dois gols de diferença. E a expectativa foi confirmada: Universidad Católica 1 a 0.

Pior mesmo fez o Cruzeiro, surpreendentemente eliminado em Sete Lagoas pelo pior classificado da primeira fase. Do favoritismo inquestionável para o vexame histórico bastaram 90 minutos, tudo sob olhares incrédulos de desolados cruzeirenses.

Realmente é difícil explicar.