Dia de São Paulo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Nunca esqueci as palavras de um torcedor num depoimento para um documentário sobre a Copa do Mundo de 94: “O futebol é a vida em 90 minutos, com todos seus altos e baixos”. Altos e baixos que marcaram o clássico paulista deste domingo.

O Corinthians desfrutou o melhor da vida contra o São Paulo nos primeiros 15 minutos. Começou a mil por hora. Abriu o placar aos quatro e acenou com uma sonora goleada sobre um rival atordoado e atônito. Criou e teve chances de aniquilar o adversário neste período. Não fez!  Melhor para o Tricolor que pôde renascer em meio ao desastre desenhado. Luis Fabiano, aos 23 minutos, marcou após jogada individual de Lucas. De quebra, o gol que freou o ímpeto corintiano.

Na segunda etapa, foi o São Paulo quem voltou melhor e com um inspirado Luis Fabiano virou a partida aos 16 minutos. O jogo ficou tenso, nervoso. Os corintianos de maneira afobada buscavam o empate diante de um rival fechado e pronto pra encaixar o contra-ataque mortal. Nem uma coisa, nem outra. A tarde era de quebra de tabu. Coube ao São Paulo dar a volta por cima.  E Luis Fabiano também!

Duelo digno de campeões

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Santos e Corinthians fizeram um bom jogo na Vila Belmiro. Especialmente no primeiro tempo quando a bola rolou solta, com poucas faltas e muitas finalizações. Cássio e Rafael foram bem acionados, enquanto Douglas, Romarinho e Guerrero se destacaram do lado corintiano, e Neymar e Patito Rodriguez pelo santista.

Os gols na primeira etapa tiveram origem daquilo que as equipes apresentam de melhor. O Corinthians com a bola parada partindo dos pés de Douglas até a cabeça de alguém – hoje o desvio foi de Danilo – e o Santos, a partir da individualidade de Neymar que se livrou de meia dúzia de corintianos pra cruzar na medida pra definição de André.

No segundo tempo o jogo ficou mais tenso e a arbitragem deixou a desejar. O auxiliar Émerson Augusto de Carvalho ignorou uma sequência de três impedimentos e validou o segundo gol de André. A partir daí o jogo perdeu em beleza e ganhou em dramaticidade. André, cara a cara com Cássio, teve a chance de matar a partida aos 21 minutos. Não fez, e ainda viu o Corinthians empatar em jogada individual do argentino Martínez. Mas Bruno Rodrigo, após cobrança de escanteio de Neymar soube usar a cabeça pra definir o jogo aos 39: Santos 3 a 2, num duelo digno de campeões.

São Paulo decepciona de novo

O São Paulo decepcionou mais uma vez. Em Recife, o time de Rogério Ceni e Cia foi presa fácil para o Náutico que ditou o ritmo, envolveu o adversário, e fez os gols com muita tranquilidade. Os comandados de Ney Franco marcavam mal, não criavam nada e praticamente assistiam às ações dos donos da casa. Os 3 a 0 até que ficaram de bom tamanho considerando o que aconteceu no jogo. Foi uma das piores apresentações do São Paulo neste Brasileirão. Se as derrotas anteriores (Fluminense e Grêmio) foram fruto de um “apagão” momentâneo, hoje a luz sequer foi acesa.

Mano segue

A Seleção Brasileira foi bem contra a Suécia, no adeus ao Rasunda, palco da conquista do primeiro título mundial pelo Brasil. Os 3 a 0 contra os suecos devem dar um pouco mais de tranquilidade ao técnico Mano Menezes, pelo menos até a próxima derrota. Sim, o treinador vai estar na berlinda, em cada tropeço, jogo após jogo. Infelizmente no Brasil, parte dos torcedores – e da própria imprensa – só considera o resultado e ignora situações que vão se repetir mesmo que haja a troca de treinador. A experiência com futebol revela ano após ano que só  longevidade e planejamento, salvo um empurrão da sorte, levam às conquistas. No clube, teoricamente isso é mais fácil, uma vez que o trabalho é diário. Já na seleção, com pouco tempo de treinamento, a missão se torna árdua; pior ainda, como no caso de Mano, quando uma reformulação é a tarefa principal. Sem falar que o nível técnico da atual geração está longe daquele que predominou nas conqusitas do passado. Uma maneira de compensar essa deficiência é na força do conjunto – o Corinthians, neste caso, é exemplo – mas isso, só com tempo e paciência. É pedir demais?

Bonito Palmeiras!

Mesmo prejudicado pela arbitragem que anulou gol legítimo do argentino Barcos, o Palmeiras derrotou o Botafogo de Seedorf em pleno Engenhão no Rio de Janeiro. Em termos de classificação não muda muita coisa, afinal a equipe segue na zona do rebaixamento, mas é resultado pra dar moral. É hora de assumir que não é time pra brigar por título, nem tampouco time pra cair. Se o problema era confiança, chegou o momento de virar a página. Até a sorte se mostrou do lado verde nesta noite. Andrezinho que o diga com aquela bola na trave aos 48 do segundo tempo.

Santos acordou

Situação parecida vive o Santos de Muricy Ramalho. A reformulação do elenco em pleno campeonato tem consequências dolorosas. O então melhor ataque estava devendo. Estava! Contra o Cruzeiro foram logo quatro, de bom tamanho pra garantir um pouco de tranquilidade na já não tão calma Vila Belmiro.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Vacilo corintiano

Desta vez o Corinthians não jogou bem. Perdeu boas oportunidades, mas não fez o suficiente pra merecer melhor sorte diante do Atlético Goianiense. Continua na zona intermediária e cada vez mais distante do título. Resta saber o quanto esta impossibilidade pode influenciar na motivação da equipe neste Brasileirão. A Fiel está fazendo a parte dela com média de 23 mil torcedores por jogo, mas a continuar assim, até ela tende a desanimar.

As mesmas virtudes, o mesmo problema

Foto: Vasco.com.br

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O Corinthians mais uma vez não jogou mal. Teve o domínio da partida na maior parte do tempo, graças à disciplina de sempre, mas padece ainda de um único e grande problema: a falta de gols.

A imprecisão nas finalizações contrapõe a aplicação que faz desta equipe uma das mais fortes do país. O resultado é outro zero a zero – já havia passado em branco na Bahia na última rodada – que deixa a equipe na zona intermediária e longe do líder Atlético Mineiro. Tite vai ter muito trabalho pra ajustar o poder de fogo desta equipe.

 

                                                                        São Paulo cresce

 

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foi uma vitória magra sobre o Sport, porém importante. Além de se aproximar ainda mais do G4, o time vai ganhando confiança sob o comando de Ney Franco. A volta de Rogério Ceni, principalmente pela liderança que ele representa em campo, tem sido importante nesta fase de recuperação. Dá pra sonhar com dias melhores!