Ainda é pouco

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

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Não há dúvida de que a Conmebol marcou um golaço ao punir o Corinthians no episódio de Oruro e manter a posição diante do recurso movido pelo clube paulista. A Confederação nada mais fez do que cumprir o que prevê o artigo 11 do regulamento da Libertadores da América. Jogar com portões fechados num prazo máximo de 60 dias até que seja julgado o caso, traz prejuízo enorme ao clube – uma vez que mais de 80 mil ingressos já foram vendidos – mas ainda está longe de ser das mais pesadas penas. O clube corria o risco, inclusive, de ser excluído da competição.

Por outro lado, apesar do golaço, a Conmebol segue perdendo de goleada na luta pela moralidade do futebol sul-americano. Explico. A punição ao Corinthians é justa, entretanto, todos os clubes, cujas torcidas infrinjam a lei também merecem punição. Sinalizadores são proibidos por força de regulamento, mas nem por isso deixaram de ser vistos, mesmo depois da tragédia de Oruro que vitimou o garoto Kevin Espada de 14 anos.  Ora, se estão presentes nos estádios, mesmo proibidos, há de certo, negligência dos mandantes e da própria entidade. Sem falar nas moedas, pilhas e tantos outros objetos atirados na beira do gramado, não obstante, contidos por policiais protegidos com seus escudos nos mais variados gramados da América. Nada mais medieval. Neste caso, vale a perda de mando de campo e – por que não? – a obrigatoriedade de jogar com portões fechados. A triste morte do garoto boliviano não pode cair no esquecimento, sob o risco de novas mortes acontecerem num curto espaço de tempo.

Moralidade, segurança, ética e um espetáculo belo estão entre as principais coisas que esperamos no futebol do continente e a Conmebol ainda deve fazer muito pra virar esse jogo. Se parar por aí, tudo não passará de demagogia

Até que enfim, Conmebol

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

A Conmebol surpreende e anuncia punição ao Corinthians pelo comportamento inadequado de parte de sua torcida, ontem em Oruro, durante partida contra o San José, válida pela Libertadores da América. Um sinalizador lançado por um torcedor, de acordo com a polícia boliviana, atingiu o jovem Kelvin Douglas Espada, de 14 anos, morto logo após o disparo. Imagens de uma emissora de TV da Bolívia revelam a ação do lançamento e a maneira como o torcedor corintiano foi acobertado, logo em seguida, pelos colegas, pra fugir da visão dos policiais.

O caso ainda é investigado e 12 torcedores continuam presos até que tudo seja esclarecido. Costumeiramente omissa em questões que envolvem violência e falta de segurança nos torneios do continente, desta vez a Conmebol decidiu agir com rigor. O Corinthians terá que jogar com portões fechados no período de 60 dias ou até que sejam concluídas as investigações. Fora do Brasil, está proibida a venda de ingressos para corintianos. Nada mais justo.

Na área esportiva já foi dado um grande passo. Que a polícia boliviana se encarregue de prender – ou deixar presos – os responsáveis. Doloso ou culposo cabe a Justiça definir, mas que foi homicídio não há dúvida. Quem utiliza este tipo de artefato num estádio de futebol sabe bem o risco ao qual está submetendo outros torcedores.

De bom tamanho

AFP

AFP

A melhor estratégia contra a altitude é atitude. E desta forma o Corinthians iniciou o jogo contra o San José. Com presença marcante no ataque, o time paulista começou apertando a saída de bola do adversário, com o objetivo de forçar o erro do anfitrião. E o primeiro gol não tardou. Logo aos cinco minutos, Guerrero, artilheiro do time, abriu o placar, após cruzamento de Fábio Santos. Paulinho perdeu outro aos oito. Passada a euforia inicial – 15 minutos de pressão – os comandados de Tite passaram a dosar o ritmo sem perder, entretanto, o comando da partida.

Com o passar do tempo, como era de esperar, o gás corintiano foi diminuindo. Nunca foi fácil respirar nas alturas. O San José, por outro lado, se aproveitou da situação e empatou aos 15 minutos com Saucedo. Émerson ainda teve a chance de garantir a vitória, mas mandou na trave o que seria a bola dos três pontos, após um lúcido passe do peruano Guerrero, outra vez, o nome do jogo.

O Corinthians volta dos 3700 metros de Oruro com um ponto na bagagem. Tá de bom tamanho.

Como manda a tradição

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Com menos de 15 minutos de jogo, o Corinthians já havia aberto o placar com Émerson e mandado duas bolas na trave. A impressão era de que a velha história de quem está num mau momento acaba por vencer o clássico de maior rivalidade em São Paulo, não passava de lenda nas rodas de prosa entre amantes do futebol.  Pelo menos até os 29 minutos, quando Vilson meteu cabeça na bola pra empatar o jogo.

Com o empate, o Palmeiras cresceu e criou oportunidades pra virar a partida. E se havia um abismo entre um campeão do mundo e um time da segunda divisão, a força das camisas tratou de equilibrar o derby.

Na segunda etapa, aos sete minutos, Vinicius se aproveitou da falha do grande Cássio para fazer dois a um. A história se repetia. Desta vez um humilde Palmeiras levava a melhor sobre um gigante Corinthians. Mas há quem diga que há jogadores que nasceram para se dar bem neste clássico. É o caso de Romarinho. Em três jogos contra o rival, quatro gols marcados; o último justamente o que deu números finais à partida: 2 a 2. Placar justo pra fazer jus à história. Não importa o estágio de cada um, quem vive dias melhores ou piores. Num Corinthians e Palmeiras, a luta é árdua até o fim.

Atlético venceu e convenceu

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

O jogo em BH começou a mil por hora. Confiante com o retrospecto no Independência, onde não perde há 23 jogos, o Atlético Mineiro tomou a iniciativa. Bernard pelo lado esquerdo do ataque era um terror diante dos defensores são-paulinos. Foi num vacilo do rival, entretanto, que os donos da casa abriram o placar. Ronaldinho Gaúcho, como quem não quer nada, ficou totalmente livre na área quando recebeu a bola após cobrança de lateral de Marcos Rocha. Sem muito esforço, ele cruzou pra definição de Jô, logo aos 13 minutos. O São Paulo sentiu o golpe e tonto quase foi a nocaute diante da intensidade atleticana. Tardelli teve a melhor chance pra ampliar na primeira etapa num rebote de Rogério Ceni, mas errou o alvo.

No segundo tempo, esperava-se um pouco mais de ousadia do São Paulo. O time até criou a oportunidade de empatar com Luis Fabiano, mas o que se viu, de fato, foi o Atlético mandar no jogo. E não demorou muito pra pintar o segundo gol. Ronaldinho, depois de passar por Ganso e Wellington, deu assistência pra Réver usar a cabeça e ampliar: dois a zero.  Aloísio ainda diminuiu, enquanto Ganso perdeu uma grande chance pra empatar. No final, justa vitória do Galo. Agora já são 24 jogos de invencibilidade no Independência e pelo jeito ela ainda vai durar muito.

Pato, um ótimo começo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Hoje estive no agradável Pacaembu para narrar Corinthians e Oeste (os melhores momentos são exibidos nos programas Mesa Redonda e Gazeta Esportiva, da TV Gazeta). Como sempre a fiel torcida compareceu em bom número. A possibilidade de estreia de Alexandre Pato também serviu de motivação.

Com bola rolando, o atual campeão do mundo não deu a menor chance para o esforçado time de Itápolis. Com 12 minutos de jogo, o Timão já abrira dois a zero em  jogadas muito semelhantes -  cruzamento de Alessandro para o cabeceio de Paolo Guerreiro.  Numa jornada tranquila, Paulinho ainda na primeira etapa, fez o terceiro depois de bela troca de passes entre Guerrero e Émerson.

No segundo tempo, Émerson perdeu pênalti, mas a goleada já estava desenhada. Ideal para a estreia de Alexandre Pato, cuja presença era solicitada no Pacaembu pelos felizes corintianos. Tite atendeu aos pedidos e quando o camisa sete já estava na linha do meio-campo esperando para entrar, Danilo fez um golaço em bela trama com Fábio Santos que só carregou a marcação, livrando espaço para o chute do capitão. Eram jogados 24 minutos.

Pato entrou aos 25 e precisou de apenas dois toques na bola pra marcar seu primeiro gol no Pacaembu como corintiano. Início promissor, sem dúvida. De incontestável, a força deste time comandado com mãos seguras por Tite.  Há pelo menos 15 jogadores com qualidade pra atuar entre os titulares. Elenco que coloca o Corinthians como forte candidato ao título de tudo que vier a disputar.