Gazeta Esportiva
Foto: AFP

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Nada é fácil para o Corinthians. No último lance do jogo, aos 48 minutos do segundo tempo, o volante Ralf meteu a cabeça na bola e deixou tudo igual no placar, 1 a 1, em São Cristobal, na Venezuela. O gol da equipe da casa foi de Herrera, depois de uma bobeira geral do zagueiro Chicão com goleiro Júlio César. Timão, porém, sentiu a estreia e o fantasma da Libertadores incomodou bastante. Do técnico Tite ao massagista, sem dúvida.

Tite, por exemplo, entrou em campo com o mesmo time que venceu o São Paulo, domingo passado, pelo Paulistão. Só que a fidelidade do treinador ao grupo acabou sendo danosa. Jorge Henrique e Danilo não renderam a mesma coisa e produção caiu demais.

Na etapa final, valeu o esforço, a pegada, a raça e a garra do Alvinegro Paulista. Várias chances de gol foram criadas. Leandro Castan, por exemplo, perdeu gol certo diante do goleiro venezuelano. Elton (que entrou no lugar de Liedson e jogou bem melhor) também arriscou. Alex, substituto de Emerson Sheik, deu outra movimentação ao meio-campo e tentou finalizações.

O Tachira ainda teve um gol anulado, aliás, corretamente. Atacante estava à frente da linha bola no momento do segundo toque. Mas Júlio César não deixou de falhar. Primeiro defendeu com o pé. E novamente rebateu  para dentro da área. No final, Ralf fez o gol salvador e tudo ficou zen de novo. Começo duro, suado, rasgado. Bem ao estilo do Timão.

E tenho dito!

Para o fanático corintiano dois nomes eram esperados no clube para a disputa da Libertadores: Carlitos Tevez (Manchester City) ou Montillo (Cruzeiro). Com a vitória de Mário Gobbi sobre Paulo Garcia, veio o primeiro grande reforço para a difícil temporada de 2012: o chinês Chen Zhi-Zhao. Documentação da fera já foi liberada e o meia vai desabar por aí nos próximo dias.

A vinda do bruto é a primeira jogada de marketing de Luís Paulo Rosenberg, agora o vice de Gobbi. Para ele, essa será uma tentativa de explorar o mercado da China, com bilhões de habitantes e um grande potencial econômico. A idéia é espetaculosa, mas uma tremenda bomba, sem pé e nem cabeça.

O tal Chen Zhi-Zhao não tem a menor expressão, aliás, o futebol na China e um cachorro balançando o rabo ali na esquina são a mesma coisa. Os caras gostam de natação, vôlei, basquete e vários esportes olímpicos, sem falar das milenares lutas marciais. Mas futebol não é a praia deles. Antes tivesse contratado um japonês ou um coreano, onde o dito esporte já tem uns 30 anos de tradição. Ou trazer um especialista para treinar atletas na academia de MMA do Anderson Silva. Por que não?

Rosenberg já avisa que não quer Tevez, mas podem chegar outros Chens Zhi-Zhaos. O anuncio, estatégicamente, foi feito na véspera da estréia na Libertadores. Quer dizer, ninguém está nem aí com o grande reforço de Rosenberg. Mas quem é o empresário? Quanto vai custar essa aventura? A custo zero que não será. Ou tem gente no Timão que acredita em coelhinho da Páscoa?

É o que eu sempre digo: da cabeça de publicitário e do bumbum de um nenê ninguém sabe nunca o que irá aparecer.

E assim caminham a genialidade e a mediocridade…

Uma velha fábula serve de alerta para o novo presidente do Corinthians, o delegado Mário Gobbi. Reza a lenda que uma tempestade provocou grande enchente no reino animal. Vários bichos se afogaram quando tentaram atravessar um rio. Ali, em uma das margens, uma velha e boa tartaruga prestes a se aventurar. O mergulho seria difícil, mas para ela, com mais de 120 anos nas costas, não haveria maiores problemas.

Quando se preparou para enfrentar o desafio, um grito veio de um galho de árvore, quase levado pela forte correnteza. “Me ajude tartaruga. Eu não sei nadar”. A cascuda olhou para cima e viu um escorpião preto, feio, daqueles de ferrões fortes. “Não brinque. Não sou louca de andar com um escorpião nas costas”, retrucou. “Por favor, prometo que não vou mordê-la. Se fizer, morreremos nós dois. Socorro!!!”.

Bondosa, cheia de compreensão, a tartaruga aceitou o acordo. O escorpião preto como a noite, carregado de veneno, subiu em cima dela, entre as patas e o casco, vamos dizer, no que se poderia chamar de ombro. A travessia foi mais dura do que a velha e experiente tartaruga imaginava. Águas estavam barrentas, cheias de pedaços de troncos e violentas demais.

Sucesso. Quando os dois bichos estavam para chegar à margem, o escorpião não aguentou. Seguindo os instintos assassinos, cravou o ferrão na companheira de infortúnio. Enquanto a bichinha morria envenenada e o escorpião afogado, a tartaruga desabafou: “Você prometeu que não ia me picar. Está vendo. Agora estamos morrendo…”. Já com água lotando seus frágeis pulmões, o escorpião suspirou: “…quem mandou levar um escorpião nas costas?”.

Boa sorte, Mário Gobbi, e ande sempre com os ombros limpos.

E tenho dito!

Foto: Marcelo Ferrelli/GAzeta PressA hora de estrear na Libertadores vem chegando (será na próxima quarta-feira na Venezuela) e o Corinthians já começa a demonstrar uma certa tensão. Não é à toda que somou dois empates no Paulistão, contra adversários apenas razoáveis, casos de Bragantino e agora Mogi Mirim. Sem dúvida, a síndrome da Maldição da Libertadores já atacou o elenco alvinegro, pentacampeão brasileiro nomês de dezembro.

Impressionante: equipe jogou do meio-campo para trás contra o Sapão, como se o Mogi fosse o Real Madrid ou o Barcelona. Respeitou demais um adversário fraco e sem expressão. O técnico Tite é um tremendo retranqueiro é verdade, mas jogadores não estão demonstrando vontade de vencer, garra e pegada. Fazem um golzinho e já estão felizes. Deu para o gasto.

Estariam de pernas bambas, sentindo o peso da responabilidade de uma competição sul americana, nunca vencida pelo clube? Para piorar tem clássico contra o São Paulo no domingo e eleições no clube no sábado. Elenco está inseguro quanto ao futuro. Se perder do Tricolor, como será recebida a queda pela Fiel? Caso perca Mário Gobbi, Tite será mantido?

Resumo: Timão sem crise, não é Timão.

E assim caminha a mediocridade…

Quem viu a partida entre Santos 1, Oeste Paulista 1 matou a charada de vez: o Peixe vai passar o ano tentando exorcizar o fantasma do Barcelona. Afinal, a derrota de 4 a 0 na decisão do Mundial de Clubes, um vexame histórico e internacional, ainda pesa nas costas dos Meninos da Vila. De repente, Éder Lima tinha a cara do Puyol; Adriano Alves era Piqué. Sem falar que Fernandinho lembrou Messi e Wanderson tinha repentes de Pedro. Bobear, Muricy Ramalho viu alguma semelhança entre Estevam Soares e Guardiola.

Claro que tudo isso faz parte do imaginário santista, mas acaba influenciando no real, no jogo disputado contra qualquer adversário. Por incrível que pareça, o mais desinibido, embora cansado, foi Ganso. Talvez até por estar de saída (confessou interesse do Porto de Portugal e do Corinthians). O restante dos atletas envolvidos no trágico encontro com o Barça estão com o moral em frangalhos.

Antes, então, atuar com a maioria dos reservas. Muitos deles não se afetaram com a derrocada do Japão, mesmo porque nem fizeram parte dela. Dessa forma, o Santos pegaria corpo de novo e voltaria a encantar os olhos do povão brasileiro, como diria o meu amigo Fernando Soléra.

E tenho dito!

Os dirigentes do Flamengo chegaram ao fundo do poço. Ninguem recebe salário na Gávea há cinco meses (atacante Deivid entrou na Justiça na quarta-feira), trouxeram Vágner Love sem um tostão nos cofres, querem piratear Adriano no Corinthians  e agora jogam dois profissionais de maior respeito no futebol brasileiro um contra o outro, casos dos técnicos Vanderlei Luxemburgo e de Joel Santana.

Brincadeira tem hora e limite também. Luxa deu entrevista após a classificação do Mengo na Libertadores sem saber se ainda era treinador. Na Bahia, Joel nem sabia o que dizer sobre a situação. No final da noite desta quarta-feira, o site Globo.com publicou que Luxa seria despedido após partida do Engenhão e que Joel já era novo técnico do Mengo.

Colegas cariocas não tem a menor noção. O Flamengo é intocável. Se Patrícia Amorim fosse presidenta do Corinthians, já tinha sido chamada para depor na Polícia Federal sem dúvida. Mas lá no Rio nada acontece. Romário, por exemplo, deputado federal pelo Rio, vive metendo o pau em São Paulo. Mas é na terra dele que aconteceu escândalo do Panamericano, Complexo do Alemão foi invadido, bueiros explodem pelas ruas do nada, três prédios desabaram e ninguém sabe explicar nada até agora.

Em uma linguagem bíblica, Rio é uma mistura de Sodoma e Gomorra, mais Babilônia.

E assim caminham o desrespeito e a mediocridade…

Deus escreve certo por linhas tortas, dizia sempre a minha finada avó. Vejam os casos dos polêmicos Adriano (Corinthians), Ronaldinho (Flamengo); Rogério Ceni e Luís Fabiano (São Paulo). O futebol brasileiro deve a todos eles momentos de glória e esperança, sem dúvida. No entanto, o mais criticado deles todos, o Imperador, foi o único a ganhar um título em 2011. Aliás, gol dele contra o Atlético Mineiro foi decisivo e belíssimo. Não é qualquer um que faz um igual.

Luís Fabiano estourou a coxa (quatro semanas parado). Rogério Ceni fez uma cirurgia no ombro (ninguém sabe se volta a jogar bola, afinal tem 40 anos) e Ronaldinho Gaúcho é uma uruca só no Fla. Não recebe há meses, brigou com o técnico Vanderlei Luxemburgo e agora luta contra a sombra de Vágner Love.

Todos fracassaram. Porém, só Adriano é cobrado. E por que? Ora, joga no Corinthians. Imaginem se a contusão de Luís Fabiano tivesse ocorrido com o Imperador? Um caos! Adriano seria linchado em praça pública pelos coleguinhas blogueiros, que usam a internet como se fosse o próprio banheiro.

Enquanto isso, Adriano se mostra iluminado. É problemático, sem dúvida. Porém, todo gênio é excêntrico, foge da normalidade, tem lá os seus caprichos. Enquanto Ceni e Favela estão de molho no departamento médico tricolor; Ronaldinho lamentando-se pelos corredores da Gávea, Adriano treina firme e forte para ajudar o Timão na Libertadores.

E tenho dito!

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, fez questão de colocar os pingos nos is quanto ao assunto Adriano. Ele, pelo telefone, esclareceu toda a situação. Disse que ainda acredita sim em um ótimo desempenho do Imperador nos próximos seis meses. “Fui mal-entendido. Falei que Adriano não tinha correspondido às expectativas. Mas vários fatores contribuíram para isso, alguns que fugiram do controle do jogador. A contusão no tendão de Aquiles, por exemplo, deixando-o vários meses parado”, falou com exclusividade para o Blog  ”E Tenho dito”.

Andrés, por outro lado, não nega ter alimentado uma enorme expectativa com a chegada de Adriano. “Na minha cabeça, ele seria o substituto de Ronaldo que, aliás, só parou por problemas físicos mesmo. Mas veio a contusão e a recuperação foi lenta e difícil. Foi nesse sentido que fiquei frustrado”, reforçou. Na transmissão da TV Globo de quarta-feira, durante a partida entre Guaratinguetá 0 x Corinthians 2, o repórter Mauro Naves revelou que Adriano ficou chateado com as ponderações de Sanchez. “Chegou a ele metade só do que eu falei. Infelizmente, tenho muitos inimigos por aí. Eles adorariam me ver em choque não só com Adriano, mas com todo elenco”, fuzilou.

Quanto à conquista da 8ª Copinha São Paulo pelo Timãozinho, Sanchez também retrucou. “Não é que deixamos as categorias de base de lado. Simplesmente tivemos de tirá-los de Itaquera por causa da construção da nossa Arena. Fizemos um acordo com o Flamengo de Guarulhos e os alojamos por lá. Eu como corintiano entendo ter sido o mais correto. O estádio foi sempre um sonho da Fiel torcida. Durante um século fomos humilhados. Éramos chamados de sem-teto por alguns rivais. Agora, isso vai acabar”, disse. “Mesmo assim, ganhamos o pentacampeonato brasileiro, a Copinha e vamos disputar todos os campeonatos dessa temporada”, finalizou.

E tenho dito!

Nunca vi tamanha injustiça com um jogador de futebol. Afinal, Adriano não é um anjo de candura, nem um monge franciscano. Porém, tem qualidades inegáveis e ajudou muito o Corinthians a ser pentacampeão brasileiro. Fez um gol apenas, é verdade. Gol que valeu por 50, contra o Atlético Mineiro, no Pacaembu, na vitória suada por 2 a 1.

Só por ter faltado um treino para curtir o aniversário da mãe, querem crucificá-lo. A torcida xinga e pede para clube mandá-lo embora. Aí, então, me pergunto: teria o jogador assassinado a mãe? Não, claro que não. Agiu de boa fé. Como diria o poeta, “mãe é mãe”. Qual é o problema?

O paulistano é conservador demais. Votava sempre em Paulo Maluf, elegeu Collor de Mello, Geraldo Alckmin e José Serra, contra Lula, Marta Suplicy, Genoíno e outros representantes da esquerda. Fiel é irritantemente conservadora. Gosta de ver o ídolo caído, aos pés da cruz. Quando deveria ser esperta, usar a cabeça e pensar a longo prazo.

O Imperador precisa ser encarado com outros olhos. É uma  espécie de arma secreta. Fica ali, esperando a vez de ser utilizado, de forma estratégica. Tem tanta qualidade que pode se dar a esse luxo. Sheik, inteligente e experiente, pediu paciência e com razão. É melhor apostar em Adriano do que chorar na rampa no final da Libertadores. Ou não?

E assim caminham a consciência de culpa e a mediocridade

No Corinthians, as coisas para darem certo precisam acontecer às avessas. Ou seja, às vezes é melhor perder do que ganhar. Curiosamente, o primeiro jogo de 2011 foi contra a Portuguesa. O Timão venceu e Roberto Carlos marcou um gol olímpico. Lembram? Partida válida pelo Paulistão. Um mês e pouco depois, o Bando de Louco viu a equipe do coração ser eliminada da Libertadores pelo Tolima.

Pela lógica da desgraça e do absurdo, que sempre norteia os corintianos, a derrota para a Portuguesa agora no princípio de 2012 pode significar um bom desempenho na primeira fase da Libertadores e, talvez, até o título. E não adianta dizer que não. Tudo para o Timão é meio estranho, místico, atrapalhado e sem coerência.

E Tenho dito!