Plano A é um sucesso e Timão faz resultado mortal contra Bahia

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O técnico Mano Menezes está lembrando um grande jogador de xadrez. Talvez Bobby Fisher (americano), lá por 1980. Ou seria Anatoly Karpov (da extinta URSS)? Não importa. É que o treinador, polêmico, descobriu um jeito de disputar e somar pontos preciosos em dois campeonatos difíceis, o Brasileirão (pontos corridos) e a Copa do Brasil (mata-mata). Nesta quarta-feira, na Arena Itaquera, Timão meteu 3 a 0 no Bahia. Agora, pode perder de 2 a 0 que passa para a próxima fase (Vasco ou Ponte Preta, em Campinas, 2 a 0 para os cariocas).

O Corinthians, aqui entre nós, fez a chamada “lição de casa”. Despencou para cima do Bahia, fez 2 a 0 (Elias e o bom Romero) e deixou o resto por conta do desespero do adversário. Na etapa final, Rafinha meteu a mão na bola dentro da área. Pênalti indiscutível. Renato Augusto bateu no ângulo.

Na verdade, como todos sabem, o “Plano A” corintiano mostra-se eficiente. Quer dizer, na Arena marcação sob pressão da saída de bola do adversário. E fazer dois gols e não levar nenhum no primeiro tempo. Na etapa final, administrar a partida e um abraço. A tática mostra-se inteligente e se adapta bem ao novo estádio. Aí, então, o décimo segundo jogador é a Fiel torcida.

E tenho dito!

PS da Santa Casa fecha: legado da Copa sobra para os ricos

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Revolta total quando se vê uma notícia dessas. A Santa Casa de Misericórdia fechou o Pronto Socorro por falta de verbas. Tudo bem que já aconteceu um acordo. O Governo do Estado adiantou R$ 3 milhões de um buraco de R$ 50 milhões de verbas não repostas pelo SUS (Sistema Único de Saúde, responsabilidade do Governo Federal). Tomara mesmo que tudo se acerte. Mas pegou muito mal.

A Fifa levou 18 bilhões de dólares do Brasil graças à Copa. É dinheiro demais para 30 dias de competição. Imaginem o lucro desses senhores. Sem falar de obras superfaturadas, não só em reformas e construção de estádios. Obras viárias, lugares asfaltados, “melhorias” em geral. Responsabilidades sim de Prefeituras, Governos Estaduais e Federais.

Ou seja, dá para fazer um Mundial e levantar milhões de dólares em dias, mas o SUS não repõe verbas para gastos hospitalares. Na balança da Justiça, mil a zero para os ricos e poderosos, do futebol e fora dele (principalmente).

Minha mãe morreu no PS da Santa Casa há cinco anos. Teve toda assistência possível. Era ex-funcionária pública municipal. Foi internada sábado e faleceu no domingo. Na época, médicos residentes cuidaram da Zezé (como era carinhosamente chamada). Isso porque estavam lá quebrando um galho, diante de tanta demanda. Não pensem os senhores que esse PS é a Porta do Céu. Pelo contrário, está mais para o Portal do Inferno. Todos casos graves são levados para lá. É de fundamental importância para a cidade, o Estado e para o País.

Belo legado do Mundial!!! Onde está o dinheiro que ficou aqui, na terra descoberta por Pedro Álvares Cabral? Será que não sobraram malditos R$ 50 milhões para cobrirem o rombo federal da Santa Casa?

Por incrível que pareça, existem coisas piores do que a CBF, a volta de Dunga, a falta de compromisso dos jogadores ganhando os tubos no Exterior, o futebol medíocre exibido contra a Alemanha e de empresários da bola (a maioria, “urubus de plantão).

E assim caminham a malandragem e a mediocridade…

Marin bate o pé e Dunga é o novo técnico da seleção

Gazeta Press

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O presidente José Maria Marin, da CBF, não quis nem saber. Depois da saída de Felipão, resolveu bancar a escolha do próximo técnico, por conta e risco de si próprio. Colocou Gilmar Rinaldi no lugar de Carlos Alberto Parreira e optou por Dunga no cargo de Felipão. Nem toda cúpula concordou, aqui entre nós. Teve gente com receio das críticas. Afinal, Dunga cheira mofo, derrota na Copa de 2010 para o Holanda, dentre outros problemas.

No entanto, Marin determinou e fim. Segundo as más línguas, dirigente falou em “justiça histórica”, “lealdade”, “honestidade”, “trabalho sério” dentre outros adjetivos compostos, dando murros na mesa e falando em voz alta. Diante de tanta “firmeza”, que “se cumpra a Lei”, como nos tempos dos faraós.

Sinceramente, minha preferência era por José Mourinho, técnico do Chelsea. Um contrato de quatro anos, com carta branca para realizar uma profunda reforma no futebol nacional. Pelo menos na Canarinho. Valeria pagar um ótimo salário para o português. Não teria problemas com a língua e todo jogador do planeta gostaria de tê-lo como treinador.

Qualquer nome fora Mourinho, para mim é a mesma coisa. Se bem que tenho simpatia por Muricy Ramalho, do São Paulo. Antes de Mano Menezes assumir, ele recusou a oferta de Ricardo Teixeira, ficando no Fluminense na época.

O que irá mudar?

Para mim, absolutamente nada. Mas quem sou eu? Não tenho o dom de prever o futuro.

E tenho dito?

Timão usa “Plano B” e só empata com Vitória

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Fica bem claro o seguinte neste Brasileirão. O Corinthians tem o “Plano A” e o “Plano B” para tentar o título na competição. Quando atua em casa, sufoca o adversário, faz os gols necessários e segura o resultado (o A). Fora,joga do meio-campo para trás e faltando 5 minutos, tenta pular na frente. Se conseguir, legal. Do contrário, tudo bem. Arruma um pontinho (o B).

Diante do Vitória, um time candidato ao rebaixamento com certeza, o técnico Mano Menezes pôs em prática o “Plano B”. Por isso, o jogo foi faltoso, grande número de passes errados e pouquíssimas finalizações. Para dizer a verdade, apenas de Romero e Guerrero, no final, duas bolas de cabeça à queima roupa, com o goleirão do Vitória fazendo milagres.

O torneio nacional é duro, pegado. Cheio de armadilhas e atalhos sem volta. Mesmo assim, o “Plano A” me agrada mais. Por outro lado, fica claro estar o time corintiano sem nenhum jogador em destaque. Aos poucos prevalece o coletivo sobre a individualidade. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Elias e Jádson foram figuras ridículas. Ao passo que Gil e Cléber estiveram ligados e atuaram muito bem.

É o macaco que come a banana. Vice-versa não dá.

E assim caminha a mediocridade…

São Paulo cai na real: cadê a “seleção do Morumbi”?

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Como o São Paulo, um dos favoritos para vencer o título brasileiro, perde de 1 a 0 para a coitadinha da Chapecoense, em pleno Morumbi, diante de 40 mil pessoas? Qual a dificuldade de derrotar uma das piores equipes do campeonato? O time de Santa Catarina veio para não perder. Nunca esperava vencer. É que o futebol brasileiro, principalmente torcedores e coleguinhas da imprensa, tem a péssima mania de endeusar as coisas são-paulinas.

Vieram Alan Kardec, Kaká, Tolói e estavam lá Pato, Luís Fabiano, Álvaro Pereira e Rogério Ceni. “Agora sim, com essa seleção, vamos ser campeões”, repetiam aos quatro cantos os tricolores animados. Não é bem assim. Não tão simples assim. Nome deixou de ganhar jogo há tempos. O Brasileirão é traiçoeiro. Cada partida é uma história. E o time do técnico Muricy Ramalho, por incrível que pareça, ainda está em formação.

Contra um adversário fechado, na retranca, nem a Alemanha conseguia jogar. A Copa mostrou que só mesmo a abestalhado Felipão para mandar o Brasil para cima dos campeões do planeta. Deu no que deu: vexatórios 7 a 1. A bola pune, como diria o próprio Muricy. Principalmente quando apenas dois ou três atletas fazem a diferença. No São Paulo tirando Álvaro Pereira, Alan Kardec e Pato (Rogério Ceni e Luís Fabiano nem contam mais), quem é craque? Ninguém.

Então, cadê a seleção do Morumbi?

E tenho dito!

Timão é mais Argentina do que Alemanha após Copa

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dia 17 de julho de 2014 entra para a história do Corinthians. Nesta quinta-feira, finalmente o clube de maior torcida no Brasil venceu o primeiro jogo na novíssima Arena de Itaquera. Placar terminou apertado, 2 a 1, sobre o Internacional Gaúcho. Partida teve a reestréia de Elias e os gols foram de Paolo Guerrero e Fágner, ainda no primeiro tempo. No final, Winck fez o gol de honra do adversário.

O que mudou no Timão depois da parada da Copa?

Bem, o técnico Mano Menezes reposicionou toda a equipe. Elias, por exemplo, fica como uma espécie de “líbero”. Ora na marcação atrás da zaga; ora no apoio ao ataque. Ralf, por sua vez, transformou-se em um autêntico cabeça de área, preocupando-se em evitar a aproximação dos atacantes ou chutes de fora da área. Fábio Santos, por outro lado, apoiou pouco. Ou seja, Mano agora se defende com seis e deixa a função ofensiva para Fágner (pela ala direita), Jádson (meio-campo), Guerrero e Luciano na frente.

A equipe, dessa forma, está mais compactada e não se incomoda em jogar bonito. Ficou clara a intenção de fazer um ou dois gols e segurar o resultado. Afinal, o Timão ainda devia uma vitória para a Fiel no estádio novo. Pelo jeito, o treinador alvinegro quer mesmo somar pontos. Custe o que custar, agrade quem agradar.

Diante do Inter, a tática funcionou. O Corinthians está mais para Argentina do que para Alemanha.

E tenho dito!

Cai a ficha: Alemanha leva 14 anos para ser tetra na bacia das almas

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Passada a Copa 2014, caiu a ficha. Os alemães levaram 14 anos para desenvolver um trabalho de base e levantar um tetra mundial (último aconteceu em 1990). Aqui entre nós, muito esforço para pouco resultado.Sem contar que o futebol dos chucrutes não é grande coisa. Afinal, argentinos perderam dois gols feitos durante a finalíssima. Germânicos marcaram na bacia das almas da prorrogação

Brasil perdeu de 7 a 1 dos caras, é verdade. Mas atuou aberto, sem marcação no meio-campo. Nos jogos anteriores, contra adversários fechados, os atuais campeões encontraram grandes dificuldades. Portugal cometeu o mesmo erro e acabou levando goleada. Gana, Argélia, Estados Unidos e França deram sufoco neles. Hermanos idem.

A conquista está sendo supervalorizada. Principalmente pelo pessoal que deseja ver o circo pegar fogo aqui na bola brasileira. Os nomes de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero transformaram-se em sinônimos de “coisa retrograda”. Felipão e Parreira, mitos até então são tratados como vilões. Ricardo Teixeira e Telê Santana foram melhores?. Zico e Pelé chegaram a ministros dos Esportes. E o que mudou? Absolutamente nada.

Todas federações e clubes estão na roça. Federações têm dinheiro, mas não sabem onde gastar. Daí uma provável corrupção vira tentação. Os clubes estão duros, porém, são obrigados a montar grandes elencos para serem campeões. Ninguém se salva.

Um clube faz dois bons campeonatos e cai para Segundona no terceiro ano. Não pode ser má administração somente. Todos batem com a cara no muro do ainda quase amadorismo e da maldita Lei Pelé: jogadores e empresários estão ricos e os clubes vendem o almoço para pagar a janta.

Brasileirão, por exemplo, cada time tem 39 jogos e 20 clubes. São meses de disputa. Apenas 15 jogadores não seguram a onda. Um elenco competitivo necessita ter dois bons atletas para cada posição. Com salários lá em cima.

O quê fazer?

Está na hora sim de colocar as chuteiras no chão e parar de imitar os europeus. Campeonatos mata-mata sempre foram mais atraentes e baratos. Dá para fazer estaduais, um bom nacional, uma ótima Copa do Brasil, além de torneios como Rio-São Paulo, São Paulo-Nordeste, Rio-Minas e assim por diante e ter um lucro muito maior. O ibope baixo das TVs abertas e a pouca procura das fechadas que o digam.

Antes de mais nada respeitemos a cultura e os costumes do nosso pais. Não somos alemães, ingleses, franceses, holandeses ou coisa que o valha. Somos melhores do que eles com a bola nos pés. Imitá-los para quê?

E tenho dito!

Vai Alemanha e chora na rampa, Argentina!!!

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

“Herzlichen Glückwunsch Deutschland”, quer dizer, “Parabéns Alemanha” para quem não sabe. Afinal, ser tetracampeã em uma Copa no Brasil, no segundo tempo da prorrogação, em pleno Maracanã, sobre a prepotente Argentina, é um feito magnífico. Mário Götze o herói do jogo. Matou no peito e fuzilou o hermano. Já “llores por mí Argentina” é “chores por mim Argentina”. Pelas provocações, o desrespeito e a folga, merecem um Rio Amazonas de lágrimas.

Em resumo, Vai Alemanha e chora Argentina!!!

Prevaleceu o conjunto sobre a individualidade. Os argentinos fizeram de tudo para não deixar os alemães darem um show de bola, como contra o Brasil (nos inesquecíveis 7 a 1). Bateram demais. Juiz italiano economizou cartões vermelhos. Schweinsteiger levou um soco no rosto e ficou por isso mesmo. E onde estava Messi? Um fracasso total. Uma prova de quem ninguém ganha nada sozinho no futebol.

Hermanos não aguentaram o tranco. E fica a pergunta: será que Carlitos Tevez, fora da lista de convocados, perderia os gols que os pernetas Higuaín e Palacio desperdiçaram?

Esse foi o erro primário do técnico Sabella. Levou o arco (Messi), a flecha (Aguero) e deixou o coração (Tevez) de fora do Mundial. Agora, começamos do zero, como fizeram os tetracampeões há 14 anos. Os argentinos choraram por último. Aqui entre nós, ser vice ou último colocado dá no mesmo.

E tenho dito!

Quer saber: dane-se a seleção e vai Corinthians!

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Nos últimos dias, chorei tudo que tinha para chorar. Lamentei a morte do querido Osmar de Oliveira. Fui ao velório do finado na Assembléia Legislativa de São Paulo para consolar a família. Não aguentei a emoção e lá se foi uma enxurrada de lágrimas. Fiquei com vergonha, mas afinal não tenho sangue de barata. Na terça-feira, ver o 7 a 1 para a Alemanha doeu demais. A ficha foi cair no dia seguinte. E dá-lhe emoção. Depois de assistir aos 3 a 0 da Holanda sobre o Brasil de Felipão e companhia bela, joguei a toalha de uma vez.

O quarto lugar entra para a história, assim como esse vexame. Foram 14 gols tomados em um único Mundial. Desastroso. Jogadores nem davam bola para o que dizia o técnico Felipão. Desmoralizaram o treinador logo após os 2 a 0. E no primeiro tempo.

O juizão ainda nos roubou! Falta fora da área e um lance antes do gol, impedimento claro. Um pênalti em cima de David Luiz e assim vai. É tristeza demais para minha cabeça. Uma desgraça só. Lembrei do maldito Amarilla na Libertadores contra o Boca Juniors, no Pacaembu.O enfarto do Dr Osmar aconteceu por causa da roubalheira.

O jeito, então, para não sair olhando de lado e resmungando com o chão ou dar boa noite para o poste, é lembrar que ainda existe o Corinthians.

Que alegria!

​Esse time, ganhando ou perdendo, agora tem um estádio para jogar. Aliás, deveria charma-se Osmar de Oliveira, como sugeri no blog anterior. Vieram reforços: Elias, Romero, Lodeiro e Anderson Martins. Para quem não sabe, a equipe vem treinando muito bem. Mostra organização tática, boa marcação e um ataque objetivo. Pensar no título brasileiro? Por que não?

Amigos e inimigos (como escreveria o também corintiano Suzuki Matinas): danem-se a seleção, a Copa 2014 e vai Timão.

O coração é puro e o amor, cego.

E tenho dito!

Arena Corinthians só pode ter um nome: Osmar de Oliveira

Os corações de todos, não só os de corintianos, estão tristes, vazios. Morreu nesta sexta-feira o grande médico ortopedista e jornalista Osmar de Oliveira. Minha voz está embargada. Era um amigo, companheiro, conselheiro, mestre e referência para todos nós nas duas profissões. Tomo a liberdade de lançar aqui uma idéia. Que a Arena Corinthians seja também chamada de estádio Osmar de Oliveira. É o mínimo que a Nação Alvinegra, defendida por ele nos 71 anos de vida dedicada ao clube (como torcedor e médico), pode fazer. Uma homenagem eterna a um corintiano íntegro, honesto e apaixonado.

De resto, só nos resta lembranças. Momentos inesquecíveis de narrações, debates, críticas brilhantes e emoção, muita emoção. Choro nas derrotas do Timão. Alegria nas vitórias. Bom senso nas colocações ou nas sugestões. Nunca deixou de atender um toque de celular. Nem que fosse para jogar conversa fora.

Certa vez, eu para variar sem um tostão, tive uma crise de ácido úrico no joelho. Nem aguentava falar, de tanta dor. Ele me tratou em sua clínica (ainda na Rua Turiassú). Quando falei em dinheiro, quase apanhei. “Corintiano, aqui, não paga”, disse, com aquele charmoso porém maldito cigarro no canto da boca.

Vou brigar por essa homenagem ao amigo que se foi. Prepare um lugar bem ao seu lado. Um dia estaremos todos juntos outra vez. Eu, você Osmar, meu pai Francisco (que me levava nos ombros para ver o Corinthians no Pacaembu) e tantos outros ligados no nosso Timão.

Arena Corinthians ou estádio Osmar de Oliveira.

E tenho dito!