Técnico de futebol trata jogadores como crianças e paga o preço

O Marlon Brando da bola nacional faz alerta importante sobre o “fator humano”, esquecido pelo futebol.

Assim falou Valdir Espinosa: “Técnico de futebol no Brasil trata jogadores como crianças e paga o preço”. Declaração foi dada nos bastidores do programa “Mesa Redonda”, da TV Gazeta, no último domingo. O velho e bom Marlon Brando da bola nacional fala com propriedade. Para ele, o tempo passa e ninguém resolve um grave problema: o paternalismo. “Antigamente, o treinador se metia muito na vida particular dos jogadores. Às vezes com razão. Boa parte gostava de boemia”, lembra. “Agora, porém, o mesmo acontece em outro nível. Todos se transformaram escravos da tecnologia”, fuzilou sem pestanejar.

Espinosa critica aqueles que, por meio de exames prévios, aconselham o treinador a poupar um e outro atleta, temendo rupturas musculares ou stress ósseo. “É muito excesso de zelo. Futebol é contato, choque. Contusões acontecem e são imprevisíveis. Técnicos aceitam esses critérios, sacam jogadores importantes e prejudicam o conjunto da equipe”, analisou. Perfeito! Ou não foi exatamente assim a tragédia do Corinthians no último mês? Poupa um, poupa outro; preserva fulano; descansa beltrano e leva chumbo do Guarani do Paraguai na Libertadores.

“O próprio treinador cria um clima de terror, de medo, no elenco”, constatou. Tirando os oportunistas (os chinelinhos da vida), atletas ficam preocupados sim. Qualquer dorzinha, um espirro fora de hora, e vem aquela insegurança de atuar e estourar o músculo. Me lembro do lateral-esquerdo Vladimir. Ele foi o jogador que mais vestiu a camisa do clube em jogos oficiais. Quase 900 vezes. Vladi me confessou ter jogado com gripe, com suspeita de fratura no braço, sem condições físicas ideais. Não tinha medo de cara feia e nem era preguiçoso. Sentia dores e nem falava nada. Queria jogar; e jogar; e jogar.

E mais: tecnologia (programas de computador, engenhocas fisiológicas, números e estatísticas) serve como instrumento de trabalho, mais nada. Não foram feitos para serem seguidos cegamente. E o fator humano, heim? “Que me interessa saber se o cara correu 9 quilômetros durante a partida? Romário fica parado entre os beques e cansou de fazer gols e somar glórias”, sentenciou Espinosa.

E assim caminham as parafernálias da bola e a mediocridade…

Nos pés de Guerrero, Corinthians perde a liderança

Peruano mandou bola na Baia de Guanabara, após passe preciso do volante Petros. FFC

Graças a um lance infeliz do artilheiro Guerrero, o Corinthians deixou de vencer o Fluminense, neste domingo, em pleno Maracanã e manter a liderança isolada do Brasileirão. Partida não estava fácil, pelo contrário. O Flu obrigou o goleiro Cássio a fazer duas grandes defesas e ainda acertou uma bola na trave com Vinícius. Em uma roubada de Petros, bola veio limpa para o peruano sacramentar o placar positivo e deixar a diretoria do clube com a pulga atrás da orelha sobre a dispensa já anunciada. Caprichosa, porém, a “gorduchinha” pingou antes da conclusão do bruto e foi parar na Baia de Guanabara.

Bem a propósito, deve ser questionada essa decisão da diretoria sim, com a anuência do técnico Tite. Afinal, Guerrero estava desconcentrado visivelmente durante o jogo, com a cabeça talvez na Copa América (na qual defenderá o Peru) ou nos dólares desejados. O atacante nem deveria ter entrado. Seria melhor para todos, inclusive para o próprio Timão, que terá de se acostumar a atuar sem ele. Mas Tite pensa diferente. Até Emerson Sheik, na mesma situação, entrou no lugar de Mendoza na etapa final. Esse é outro dispensado, sem acordo, atuando sabe-se lá porque motivo.

O treinador corintiano, por outro lado, deveria agradecer para o estreante técnico Enderson Moreira. O agora tricolor carioca, ex-Santos, colocou um fim na ofensividade da própria equipe ao sacar Vinícius. Lateral estava caindo nas costas do “cansado” Fábio Santos e levando o terror para a zaga alvinegra. Por isso, Timão deixou de ser agredido e quase chegou à uma excelente vitória. Incompreensível também o motivo de Elias não ter começado como titular. Veio Bruno Henrique que, por sua vez, saiu para a entrada de Elias no finalzinho. Estranho. Muito estranho!

Apesar do resultado ter sido bom, o futuro do Corinthians na competição é uma grande icognita, uma interrogação do tamanho do coração da Fiel torcida.

E tenho dito!

Futebol ruim e derrota vergonhosa na Arena Verde

Bruno Henrique fez jogada de Messi e Vitor Ramos marcou contra. Na cara dura, Péricles comemorou. Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Impressionante como está difícil acertar essa equipe do Palmeiras. Neste domingo pela manhã, uma derrota trágica e inesperada diante do Goiás em circunstâncias extraordinárias. Azar ou incompetência? Eis a questão. O árbitro deu o gol do visitante para Péricles, porém acabou sendo contra de Vitor Ramos. Zagueiro, por sua vez, deu um tapa no rosto do beque Alex Alves e recebeu vermelho. No gol goiano, Bruno Henrique fez uma jogada de Messi. Passou por quatro marcadores, a trancos e barrancos, driblou o goleiro Fernando Prass e cruzou. Bola tocou em Ramos e acabou a alegria dos 39 mil torcedores presentes no ex-Palestra Itália. Em seguida, comemorou frente aos simpatizantes do Goiás (sobre uma escadinha) e acabou expulso.

E a cabeça do técnico Oswaldo Oliveira? Já está a prêmio. E a cobrança sobre um melhor futebol do chileno Valdívia? Essa, então, virou jargão nas luxuosas dependências do Allianz Parque. Afinal, em três partidas (ou seja 9 pontos) o Verdão marcou apenas dois. Perder em casa para equipes intermediárias, como o Goiás, complica a situação na tabela na hora de o campeonato brasileiro afunilar. Verdão começou a partida envolvendo a equipe adversária e com goleiro Prass tendo nenhum trabalho. No entanto, pecou nas finalizações. Quando chegava, Verdão parou nas mãos do velho e bom arqueiro Renan.

O juizão Marcelo de Lima Henrique, por sua vez, engoliu o apito várias vezes. Kelvin deixou o gramado reclamando de penalidade máxima. Com razão. Falta dentro da área (ou no mínimo em cima da linha) e Lima Henrique assinalou fora. Sem falar de falta absoluta de critério na distribuição de cartões amarelos e atitudes indisciplinadas. Valdívia, por exemplo, levou amarelo e encheu a paciência do árbitro até o final da partida. Deveria ter sido expulso.

Péssimo início de Brasileirão para o Alvi Verde.

E assim caminham a esperança e a mediocridade…

Vaias para o Fabuloso em noite de Pato no Morumbi

Michel Bastos (camisa 7) agradeceu ao patológico atacante o passe para o segundo gol. Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O São Paulo está muitos anos luz (medida astronômica para medir distância entre as estrelas) à frente do Joinville. Por isso mesmo, não encontrou a menor dificuldade de golear o Joinville  por 3 a 0, neste sábado à noite, no Morumbi. E, finalmente, o milagre dos pães: Pato deitou e rolou. Fez um dos melhores jogos com a camisa Tricolor. Deu passe para o gol de Michel Bastos (o segundo), mandou uma bola na trave e ainda fez o terceiro. Se o ainda corintiano viveu glórias nos braços da torcida, Luís Fabiano caiu em desgraça. Gritos da arquibancada de “Luís Pipoqueiro” ecoaram pelo estádio Cícero Pompeu de Toledo. Ainda brincando com os astros, a estrela de Pato brilha, enquanto que a Fabuloso se apaga, lentamente.

Um grande erro de cálculo cometeu a diretoria do Joinville. A base da Série B foi mantida na Série A. Ou seja, o time catarinense está um degrau abaixo de todos os outros no Brasileirão 2015 e o sinal de alerta vermelho já deveria estar ligado por lá. O São Paulo continua com problemas, principalmente táticos. O interino Mílton Cruz encontra dificuldades explicar para os laterais Bruno (direito) e Reinaldo (esquerdo) o significado da palavra “apoio”. Também cansa de gritar para zaga se posicionar melhor nas bolas cruzadas em velocidade. Mílton deve estar rezando um Pai Nosso e uma Ave Maria para a diretoria se acertar logo com outro treinador. Fardo pesado demais. Mesmo assim, teve peito para lançar João Paulo, garoto da base, artilheiro da última Copa São Paulo de Juniores.

A qualidade dos jogadores, porém, era grande demais e fez a diferença. No primeiro gol, cruzamento do teimoso Bruno, testada firme do becão Dória, no ângulo. O inspirado Pato levou a defesa com um jogo de corpo e um drible, deixando com classe para Michel Bastos. Camisa 7 marcou e agradeceu a gentileza do companheiro. No último, o ainda alvinegro bateu no cantinho. Festejou bastante. Tirou a camisa, mostrou o corpo musculoso e, como prêmio, recebeu cartão amarelo.

Vai entender esse cara…

E tenho dito!

 

 

Teoria na prática é outra, Tite que o diga…

Gazeta Press

Gazeta Press

O eterno Joelmir Beting (um dos melhores jornalista da área econômica do planeta), justificava análises de crises sociais e políticas com a famosa frase: “Na prática, a teoria é outra”. Ele tinha razão. Sujeito às vezes chega a um cargo político cheio de boa vontade, bem intencionado, a fim de trabalhar como leão e acaba sendo “engolido pelo sistema” e vira um cordeirinho. Explica-se: a Cultura é um caminhão e o indivíduo, um fusquinha. No choque, no acidente, sobra sempre para o fusquinha. O mesmo se aplica à Educação, à Saúde, a patrões e empregados. Pior: quase ninguém tem consciência disso, mas a Civilização exige sempre um culpado, um bode expiatório para pagar o pato. Um vilão, um imbecil. A cruz de Cristo precisa ser carregada ao longo da história sempre.

No Esporte, claro, não é diferente. Vejam, por exemplo, o caso do Corinthians do técnico Tite. Antes de voltar à ativa,o esforçado Adenor Bacchi resolveu se reciclar. Viajou pela Europa, conversou com Deus e o mundo. Viu treinamentos das melhores equipes da Europa. Prestou atenção na preparação física, na alimentação, no relacionamento entre jogadores e desses com cartolas e técnicos. Fez anotações, tirou dúvidas, acrescentou melhorias, tentou adaptar o aprendizado à realidade brasileira.

E no que soe acontecer, a máxima de Joelmir (aliás palmeirense roxo) ressurgiu da história: “Na prática, a teoria é outra”. Eu acrescentaria, bem outra em termos de futebol. Tite pegou um Corinthians montado “a ferro e fogo” pelo polêmico Mano Menezes. Classificado para a Pré Libertadores (ficou em 4º lugar no Brasileirão 2014). Puxou dali, pegou de lá. Contratou pouco e aproveitou a base de Mano. Só deu a ela uma cara diferente. De 4-4-2 a transformou em 4-1-4-1. No começo, um sucesso. Amigo Casagrande, entusiasmado, chegou a dizer na TV Globo que o Timão poderia disputar tranquilamente a Liga dos Campeões da Europa. Naquele momento, o Casão estava correto.

No entanto, nada mais ingrato do que desgosto de filha e torcer para um time de futebol irregular, sem confiança. As duas coisas fazem sofrer demais. Você fica com um olho no peixe e outro no gato. Timão atingiu um pico antes da hora. Quando foi para decidir, duas pauladas em plena Arena de Itaquera. Derrotas para o Palmeiras (nos pênaltis pela semifinal do Paulistão) e para o Guarani (desclassificado da Libertadores).

O saudoso Joelmir Beting, aliás pai do competente companheiro e amigo Mauro Beting, descobriu a pólvora do esforço inútil: “Na prática, a teoria é outra”. Em termos de resultado, o retorno de Tite por enquanto configurou-se em um enorme desastre. Nada deu certo. Táticas, esquema, dinâmica de grupo, preparação física. De Vágner Love a Cristian, passando por Renato Augusto (amarela na hora H), pelo atrapalhado Felipe e chegando ao goleiro Cássio. Tudo errado.

Timão não passa de um cavalo paraguaio. Disparou na frente, cansou e perdeu para os azarões no páreo da bola. Tite ficou mais sábio teoricamente. Porém, ainda não conseguiu explicar direito o caminho do sucesso para os jogadores. Falhou como professor e como aluno. Estudou, estudou e foi mal na prova.

Tirou zero com louvor.

E tenho dito!

Liberdade para Dudu, já!

Tribunal da bola precisa “corrigir” não “punir”, eis a questão no caso de Dudu.

Um grande empresário amigo meu (não gosta de aparecer por isso vou omitir o nome) sempre alerta: “Não podemos dar um tiro no pé; bombardear o nosso próprio forte”. Ou seja, não basta cumprir a Lei para fazer justiça. A tal da “Deusa Cega” também é uma questão de gestão. Vejam, por exemplo, o caso de Dudu, do Palmeiras. O garoto pegou 180 dias de punição (seis meses) por ter “agredido” o árbitro Guilherme Ceretta de Lima na final contra o Santos, na Vila Belmiro. Sem dúvida, sentença exagerada.

O rapaz tem apenas 23 anos. Perdeu a cabeça é verdade. Agiu no calor da emoção. Mesmo porque, se parasse para pensar, só o tamanho de Ceretta já o intimidaria (juiz é forte, grandão e briga bem, segundo meu amigo Oscar Roberto Godoy). Depois, Dudu havia perdido um pênalti na partida anterior (1 a 0 para o Palmeiras no Allianz Parque) e ficou visivelmente afetado por isso. Além do mais, e esse é um aspecto importante, o garoto é uma das gratas revelações do combalido futebol brasileiro e ficar afastado de jogos oficiais por tanto tempo seria punir um talento.

Como diria o filósofo grego Aristóteles, “o equilíbrio está no meio”. O bom senso manda essa tal pena cair para, no máximo, um mês ou cinco jogos, além de serviços comunitários em escolinhas de futebol (uma boa ideia, por que não?). Dudu aprenderia a controlar o gênio explosivo numa boa. Entenderia sem traumas o tamanho da besteira que fez e, com certeza, nunca mais a repetiria. Se fosse o caso, promover um encontro dele com o Ceretta onde seriam pedidas desculpas públicas.

Ou seja, um corretivo no rapaz estaria bem demais. Uma “enquadrada”. O Palmeiras, um clube investidor e bem administrado nos últimos tempos, também seria beneficiado pela boa gestão e não pagaria caro vendo um alto investimento “bloqueado” pela Justiça da Bola.

Futebol, minha gente, não é guerra. Dudu não cometeu nenhum “crime hediondo”.  Nessa idade, até craques renomados como Pelé, Rivellino, Renato Gaúcho, Enéas, Dênner fizeram bobagens parecidas em épocas passadas. No futebol, a bola não deve punir e sim corrigir.

Liberdade para Dudu, já!

E tenho dito!

 

Trem Maldito apita, Ponte ganha e afunda Tricolor…

Rogério Ceni salvou São Paulo de goleada e ainda consolou Paulo Miranda. Gazeta Press

O mito do “Apito do Trem” caiu por terra, neste domingo à noite, em Campinas. A Ponte Preta venceu o São Paulo por 1 a 0, golaço de Renato Cajá e poderia ter goleado o combalido adversário, eliminado pelo Cruzeiro na Libertadores nas cobranças de pênalti quarta-feira última se não fosse a grande atuação do goleiro Rogério Ceni, prestes a se aposentar. E a maldição do “Trem”? Explico: toda a vez que o trenzinho passava perto do Moisés Lucarelli e apita, cinco minutos depois a Macaca levava um gol.  Desta vez aconteceu o contrário.

Cinco minutos depois, aos 19 minutos, Renato Cajá percebeu Rogério Ceni adiantado e tocou por cobertura, marcando um belíssimo gol. “Barrigudinho”, goleiro ainda tocou na bola. A maldição do “Apito do Trem” desmanchou no ar. Animada, a Macaca deu um baile no adversário. Toque para lá e para cá, Tricolor ficou na “roda”. Cajá ainda acertou uma bola na trave. Ceni, como o velho e bom arqueiro de time pequeno, destacou-se. Só dava ele pegando até pensamento. Salvou, no mínimo, três gols certos. Por punição da CBF, público foi proibido de assistir a partida.

Diretoria são-paulina deverá arregaçar as mangas e arrumar, de cara, um técnico ou oficializar Mílton Cruz. Afinal, Rogério não estará ali por muito tempo. O campeonato brasileiro ainda está no começo e tem muita água para correr debaixo da ponte. Ou seria Ponte, com “P” maiúsculo?

PALMEIRAS SE ENROSCA, MAS SEGURA JOINVILLE

Egidio também teve de correr atrás do veterano Marcelinho Paraíba. Giuliano Gomes / Gazeta Press

Em outra partida sem torcida, o Joinville e Palmeiras empataram em 0 a 0. Duas equipes pecaram nas finalizações, embora tenham criado oportunidades para mexer no placar. Faltou qualidade. O técnico Oswaldo Oliveira insiste com Dudu solto pela esquerda, correndo desenfreadamente atrás da bola. Jogador exerceu mais uma vez uma função inútil em termos ofensivos. Não cruzou, nem chutou.

Pelo meio-campo, Valdívia era o mais lúcido como sempre. No entanto, encontrou dificuldades para tabelar com Rafael Marques. Já Zé Roberto passou apertado pela lateral-esquerda. Teve muito trabalho para conter a velocidade de outro veterano, Marcelinho Paraíba e às vezes de Kemps. Aliás, Paraíba fez aniversário neste domingo, completou 40 anos. Deixou o gramado frustrado. Queria marcar um gol e soprar velinhas com à família depois. Ledo engano. Agora, o Joinville está há cinco jogos sem vencer.

Paciência.

E tenho dito!

 

Santos faz gato e sapato do mistão do Cruzeiro

Menino Geuvânio marcou um golaço, só para variar. Djalma Vassão/Gazeta Press

O placar de 1 a 0, gol de Geuvânio, não expressou o domínio do Santos na vitória sobre o Cruzeiro, nesta tarde de domingo, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão. O time misto armado pelo técnico Marcelo Oliveira escapou de uma goleada histórica. Duas bolas foram tiradas em cima da linha e várias outras oportunidades foram desperdiçadas. Equipe santista reencontra o futebol campeão paulista e deixa claro a grande facilidade de atuar em casa. Estádio será, sem dúvida, uma grande arma para o Peixe na competição.

O treinador peixeiro, Marcelo Fernandes, soube usar muito bem o fator campo. Armou o esquema tática em um poderoso 4-3-3, com Lucas Lima colocando Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho a todo instante em condições de mandar a bola para o gol. Sem falar nos deslocamentos, sempre objetivos e conscientes, de Robinho, meio que “flutuando” pelo gramado e deixando a defesa adversária maluca.

Já o esquadrão mineiro, por sua vez, mostrou-se fora de órbita. Ou melhor, com cabeça, corpo e membros na Libertadores (quarta-feira enfrenta o River Plate, na Argentina, na primeira partida das Quartas). No fundo, entrou para não perder, criando pouco. William precisa ainda ser apresentado para “Henrique” (ex-Palmeiras), por exemplo, tão grande o desentrosamento entre eles.

Fabrício evitou um gol certo de Robinho. Minutos depois, já na etapa final, Eurico repetiu a dose em bola chutada por Gabigol. Para os cruzeirenses, o empate esteve na cabeça de Gabriel Xavier (substituiu De Arrascaeta), em cruzamento de Marquinhos. Bom futebol do Santos, excelente vitória. Na quarta-feira, tem Copa do Brasil diante do Sport, em Recife. Boa sorte!

E tenho dito!

 

Timão junta cacos e ganha outra no Brasileirão

Golzinho estranho e salvador de Fábio Santos muito festejado pelos corintianos. José Luiz Silva/Gazeta Press

Temporada dura pela frente. O Corinthians viveu mais uma etapa do calvário depois da desclassificação da Libertadores para o desconhecido Guarani, do Paraguai. Para serenar os ânimos, outra vitória no Brasileirão. Aliás, a segunda seguida (derrotou reservas do Cruzeiro na estreia). A “vítima” foi a Chapecoense, com um gol de Fábio Santos. A partida aconteceu em Araraquara por uma punição do campeonato passado (sinalizadores contra o Grêmio em Itaquera) e, mesmo assim, os pouco mais de 10 mil torcedores presentes no estádio vaiaram e xingaram jogadores de “mercenários” e “vagabundos”.

Pressão total. Na sexta à tarde e na manhã deste sábado, protestos semelhantes aconteceram no CT Joaquim Grava e no Parque São Jorge. Por causa do clima negativo, claro, o time rendeu pouco. O gol saiu, diga-se, em um lance de sorte. Jadson rolou para Fábio Santos. Ele vinha na corrida e bateu forte. Goleiro Danilo iria fazer a defesa. Porém, no caminho, bola bateu na cabeça de Mendoza e morreu no fundo do gol. Antes, Timão começou tocando e imprimindo ritmo forte. Guerrero arriscou e de longe e Jadson acertou uma bela cabeçada. Nos dois lances perigosos, Danilo fez defesas extraordinárias.

O técnico Tite, pelo menos, abandonou o 4-1-4-1. Entrou no velho e bom 4-3-3, depois variou para um 4-4-2 levando o adversário no banho maria. A falta de confiança de alguns jogadores é nítida. Elias, por exemplo, até substituído por Bruno Henrique na etapa final. O próprio Guerrero. Precipitado, tentou resolver o jogo sozinho, na busca desesperada pelos gols que tanto fizeram falta na Libertadores. Um ponto positivo: a zaga formada por Edu Dracena e Gil esteve impecável nas bolas cruzadas, o que não acontecia com Felipe em campo.

Abalado, Corinthians junta os cacos e dorme na liderança do Brasileirão. Menos mal.

E tenho dito!

Terror nas arquibancadas prejudica Corinthians e Boca

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Ainda está bem viva na memória a emoção sentida. Abri a “Folha de S. Paulo” em um dia perdido de 1980 e li uma frase lapidar do finado jornalista José Roberto de Aquino: “Todos times têm uma torcida. O Corinthians é uma torcida que tem um time”. Era a pura verdade. Os meus olhos marejaram no mesmo instante. Fiel era parceira, valente e estava com o Timão até morrer. Provou ser assim esperando um título por 22 anos. Atuava como o “12º jogador”.  Exalava bons fluídos das arquibancadas, outrora baratas e populares.

No entanto, o cenário atual deixou de ser romântico como naquele tempo. O perfil do uniformizado mudou. Muitos não trabalham e vivem para torcer. Transformaram a poética vibração de antigamente em uma profissão informal. A guerra entre esses senhores passou dos limites dos estádios. Cem famílias (de todos os clubes) já choraram “guerreiros” mortos nos últimos 30 anos. A Gaviões da Fiel superou-se. Teve integrantes envolvidos na morte do menino boliviano Kelvin Espada em 2013, em Oruro. Por isso mesmo, clube sofre retaliação na Conmebol nos bastidores. Será difícil ser campeão outra vez na Libertadores. Ferida do ódio sempre demora para cicatrizar.

Na quinta-feira, a torcida do Boca agiu violentamente atingindo com gás de pimenta jogadores do River Plate, na segunda partida das Oitavas da competição. Resultado: a Conmebol deve anunciar a qualquer momento a eliminação do ex-clube de Maradona, Riquelme e Tevez, indicando o River como adversário do Cruzeiro (despachou o São Paulo). Ou seja, a equipe de melhor campanha na fase classificatória do torneio será desclassificada por causa de um imbecil, aloprado, maníaco, que de repente resolveu “entrar em campo” e definir a vaga.

Desta vez, ninguém morreu. Gaviões ainda detém o recorde dos recordes da estupidez. Os fanáticos do Boca, porém, atrapalharam o clube da mesma forma. Esse tipo de “amor”, de “dedicação” não serve. Torcida existe para vibrar, empurrar a equipe, dar sustentação psicológica na hora “h”, quando o futebol e a fadiga se acotovelam na exaustão máxima da disputa esportiva.

Torcida uniformizadas de Corinthians e Boca, hoje, são um fardo. Pesam contra. Querem ser maiores do que o clubes. E caem na delinquência, agem fora da Lei, fazem justiça com as próprias mãos. Para eles, o futebol é guerra. O profissionalismo dentro de campo não existe. É facção A contra B. Lembram sem dúvida a forma de pensar de alguns fundamentalistas islâmicos em relação a Maomé. Não deixa de ser um tipo de “terrorismo”. Um “buling” coletivo.

Quem são eles para impor a dor sobre o amor? Agem sem a menor civilidade. Matam e morrem por um símbolo. Corinthians e Boca, ou qualquer outro clube do planeta, são entidades criadas para diversão, para o laser, passando longe de outra finalidade qualquer. Esses fanáticos animalesco misturaram o real e o simbólico. Transformaram princípios da paz em ditames de guerra. Perderam as referências sociais, humanas, cegos por uma paixão desenfreada.

E quem sofre com essa afetividade descontrolada e agressiva? Os clubes, claro. A Conmebol está na “captura” do Timão. “Das Oitavas não passará jamais”, sentenciaram na calada da noite. Agora, deve agir da mesma forma com o Boca.

Antes românticas e teatrais, hoje bélicas e mortais. Obrigado por nada. Esse tipo de torcida cheira câncer.

E assim caminha a mediocridade…