Ao dizer que ao Santos é mais importante a Libertadores Muricy dá um recado que pode desmotivar a galera para os jogos do Paulistão.<p>
Aliás, essa de participar de uma competição com o pensamento voltado para outra não costuma dar certo. Ou não foi assim no ano passado, quando o Peixe minimizou o Brasileirão e jogou todas as suas fichas na preparação para o Mundial de Clubes? <p>
Os primeiros dias de Campeonato Paulista já não motivaram muito. Tudo bem, pré-temporada nada bem feita, férias fora de prazo por causa justamente do calendário internacional e, com isso, o grupo entrou no regional com o bonde andando. Só que, na hora que julgou oportuno botar os titulares em campo, o comando deveria atentar para a importância de vencer os jogos, aplicar o melhor na busca de resultados que o fizessem tentar uma subida na tabela. <p>
Nada a reparar na derrota para o Palmeiras, pois, afinal, tudo foi tão surpreendente, um inesperado acidente. Perder um clássico faz parte da vida dos grandes do futebol. Só que, no momento imediato, ainda no vestiário em Presidente Prudente, a palavra do técnico devia ter sido de motivação para o elenco e seus torcedores para tudo quanto der e viver. Acima de tudo, cabia ressaltar que a inesperada virada do Verdão não seria capaz de gerar um clima de desânimo. <p>
Manter-se ligado no campeonato de São Paulo não impede que, na primeira data da Libertadores, aí, sim, o futebol de Neymar e seus companheiros entre em campo para brigar pelo bicampeonato. Jogar por taças simultâneas significa se aplicar por igual em todas. Até porque cada jogo de um torneio serve para manter o time afinado também para o outro.<p>
Quanto maior o Santos, mais importante será sua presença em qualquer competição. Por isso que precisa fazer a felicidade de seus seguidores em todas as apresentações, jogando cada partida com o melhor a escalar e com o maior interesse em deixar sua marca de grande pela sua baita qualidade atual tanto quanto por sua história gloriosa.<p>
Gente, um timaço como o da Vila tem que ser sempre candidato a qualquer título.
Faço coro com a torcida do São Paulo. Rogério Ceni estará de volta, sim. O desconforto que o tira de campo por um tempo previsto de meio ano não será mais problema, passada a cirurgia de que não foi possivel fugir. Dentro do futuro campeonato brasileiro quero vê-lo reassumindo seu lugar.
Atleta por excelência, extremamente rigoroso nos cuidados consigo mesmo, tão lógo possa iniciar o trabalho fisioterápico ele dará provas de sua absoluta devoção profissional. Como sempre costuma fazer, cumprirá as metas ditadas pelos médicos na busca da realização de movimentos que sua especialidade obriga.
Rogério é exemplar como profissional voltado para a busca da perfeição em todas as suas atitudes. Padrão como goleiro, lidera há anos o elenco são-paulino pela enorme seriedade com que conduz sua vida pessoal, familiar e atlética. E foi essa sua liderança que o levou a tentar fugir da cirurgia para – quem sabe? – obter alívio mínimo que permitisse prosseguir conduzindo a chama tricolor em campo. Pena, sentiu que não daria. Entendeu e aceitou os argumentos cientificos. Com a mesma seriedade que sempre marcou sua carreira, acatou o que a prudência lhe recomendava.
Consciente, articulado e apegado ao compromisso de jogar por sí, pelo clube único de sua vida e pelos seus ideais ele com certeza tentará correr mais que o tempo, fará de tudo para cumprir (sem saltar nenhuma delas) as metas estabelecidas para sua plena recuperação e, creio, ainda dentro do primeiro turno do Brasileirão, poderá voltar com grandes defesas, podendo, inclusive, fazer seu primeiro gol em 2012.
Creiam, por tudo que ele representa para o futebol brasileiro, torço muito por esse gol.
Tudo claro e indiscutível, mas o Santos não precisava abandonar seu estilo, entrar em campo tão humilde e recuado, mais assistindo ao adversário tocar a bola do que tentando fazer o que sabe. Ao contrário da ofensividade exibida na primeira partida, ficou longe demais sem exercitar marcação que tem competência para fazer.
Nem de longe se exigia do Peixe que vencesse e desse show. Mas podia, pelo menos, tornar mais trabalhosa a partida para o Barcelona. Não era para se ver seus jogadores tão perdidos na marcação, abrindo espaços absurdos para a troca de passes dos espanhóis.
A vitória do time catalão não significa que, mesmo reconhecidamente melhor, seja tão superior. A inexperiência dos melhores talentos santistas para esse tipo de parada internacional foi responsável pela timidez que apagou a chama do extraordinário futebol de Neymar e Ganso. Marcados com rigor, foram encapsulados pelo esquema do melhor time do mundo.
Sem conseguir utilizar a pleno suas duas maiores estrelas, o time de Muricy Ramalho caiu para quase a metade do seu nível de atuação. Quanto ao Barça, mereceu, sim, pois jogou tudo que sabe, um lindo futebol.
Que ótimo! Bastaram dezoito minutos para o Santos aquecer e chegar próximo do seu melhor nível. Até então, com a bola entre lá e cá, a partida era veloz, alegre, equilibrada e, lógico, ineressante. Faltavam os gols.
Chegando aos vinte, o que era bom para os brasileiros começou a se tornar ótimo. Foi quando aconteceu o primeiro. Feito por quem devia – Neymar. Passe de quem mais sabe entregar a bola – Ganso. Pronto, estava oficialmente apresentada ao mundo (e ao vivo) a dupla famosa. Um par de artistas excepcionais, dois legítimos representantes do melhor futebol do mundo.
Aberto o placar – que beleza! – continuou o espetáculo do jeito que o torcedor gosta. Nem bem o time japonês havia se recuperado da pancada e Borges, em estilo espetacular também, fez o segundo. Voltar do intervalo com dois a zero era tudo que a galera alvi-negra queria.
Evidente que o show não podia parar. Mesmo sofrendo um gol do Kashiwa nem pensar em perder o ritmo. E foi no melhor da euforia local que aconteceu o lance que costuma decorar as melhores páginas do futebol de quem mais sabe e gosta de jogar – batida na bola parada. Ganso encenou. Só para deixar o goleiro confuso. E Danilo mandou a bomba certeira. Também empolgante o terceiro gol.
Foi marcado pela superioridade brasileira, foi encantador mas nada fácil. O vencedor teve que lutar para sair sob os aplausos. Aliás, ganhar de ninguém qualquer um ganha. Mas não tem a menor gaça; é obrigação. O Santos foi Brasil fazendo exibição contra um respeitável time dirigido por Nelsinho Baptista. Só podia ser um brasileiro a dar aquela qualidade de toque de bola aos garotos de camisa amarela.
Excelente que o Peixe tenha dado o retorno aos milhares que pagaram muitos ienes para ver de perto o melhor futebol. Um futebol em ritmo de samba, um show que o mundo adora.
Quanto à final, bem… tomara que seja tão verde-amarela quanto à saborosa estreia.
Com mais um título conquistado, de novo a história se repete. Parece que cada triunfo tem que ser como este último, difícil, arrastado, sofrido até o último instante da derradeira partida.
O sabor com o que está acostumada a Fiel é marcado pela árdua luta que termina em inigualável explosão de calor humano. Isso é inesquecível, é indescritível, é inexplicável.
O Corinthians é, sim, um campeão grande, sempre altaneiro. Porque é mais que um clube que com ótimo time de futebol. Carregado pela massa, por milhões de fanáticos artistas anônimos que tornam cada jogo um mega-show, ele é a felicidade, a sublimação do amor por um puríssimo ideal. Ideal brasileiro de ser feliz sempre, seja como for, haja o que houver.
Sem a Fiel, nem de longe o Corinthians seria o fenômeno que é.
Incrivel, ele nem é titular do Vasco, mas ocupa a terceira posição entre os artilheiros de São Januário este ano. Aos 21 anos, Bernardo, formado na base do São Bento de Sorocaba, tornou-se jogador do Cruzeiro e, por obra do destino, acabou sendo emprestado ao clube cruzmaltino. Autor do gol que fez a diferença na tarde histórica da penúltima rodada do Brasileirão, chorou de alegria pelo sucesso que alcança no Rio. No íntimo – quem sabe? -sentindo enorme tristeza pelos colegas do clube que preferiu não contar com seu futebol em 2011.
Lembro-me bem do dia em que Marcos Assunção renovou seu contrato pelo Palmeiras. Era 27 de maio deste ano e Felipão, no meio da tarde, dava uma entrevista. Foi quando chegaram a ele para dizer que o camisa 20 tinha assinado até dezembro de 2012. Na hora, Luiz Felipe exclamou (e o nosso site publicou): “Agora tem que marcar gols com aquele chutezinho de bola parada, viu?” Sabia bem do que estava falando.
Por isso não se surpreendeu – como, de resto, todos os palmeirenses – com o mais recente “golzinho”, na vitória contra o São Paulo.
Na prática o mais importante jogador do Verdão, Assunção merece especial homenagem da diretoria e da torcida.
Afinal, mesmo sem jogar todas as partidas, é o segundo artilheiro da equipe dom 8 gols. Pode ser que não repita a dose ante o Corinthians. Nem se obriga a isso. Mas que pode ser considerado o melhor do grupo, isso, pode.
Da contusão grave até a explosão, no entanto, o caminho foi longo. Só oito meses depois, o Pacaembu viveu a emocionante hora do Imperador mostrar o que mais sabe fazer.
No auge da felicidade pela vitória de virada contra o Galo, muitos fanáticos não contiveram as lágrimas. Foi, para eles (e para todos, lógico), mais que o gol da vitória, foi o prazer histórico da virada na raça, para a galera muito mais gostosa do que qualquer outro estilo de triunfo.
Adriano, enfim, depois de conseguir mandar às favas a demora e a ansiedade, chutar a má sorte pra longe do estádio, realizou aquilo que aguardava desde que começou o segundo semestre do ano – a prova provada de que é, sim, um corintiano.
Kaká é mais que um bolão. Conduz seus passos com enorme equilíbrio e senso de responsabilidade. Humilde, cativa e tem o poder de esbanjar uma energia extraordinária na direção de seus colegas. O hoje experiente meia/atacante continua sendo um grande homem de equipe para o futebol brasileiro.
Respeitado pelo que sabe jogar, pelos passes perfeitos, assistências e gols que marca, não podia mesmo estar ausente por mais tempo. Sua imagem de competidor competente, solidário e respeitado vai fazer bem ao time brasileiro.
Mudança de atitude
Pronto, Emerson Leão fez sua estreia com derrota. Ninguém critica porque deram a ele, nas condições em que assumiu, um complicado conjunto de problemas. Precisava tentar o quase milagre de voltar do Paraguai pelo menos com um empate. Mas não tinha a menor obrigação de conseguir essa façanha. Era como consertar o avião em pleno vôo. Não deu, pronto, agora, sacode a poeira, esquece a disputa internacional e volta ao grande objetivo: classificar o São Paulo entre os brasileiros que participarão da Libertadores em 2012.
De hoje em diante, o grande treinador tem como traçar planos, avaliar adversários, fazer os reparos que o mau futebol do time anda reclamando e – quem sabe? – devolver, em dezembro, à galera tricolor, uma equipe de fisionomia diferente daquela que assumiu. Sua competência tem que atuar ao lado de muita, mas muita garra dos atletas.
Como ganhar de um time retrancado? Complicado… O São Paulo, como tantos outros, sentiu a dureza de correr, chegar quase à exaustão e só conseguir um golzinho. E tem que erguer as mãos para os céus.
Porque tudo parecia indicar que os paraguaios conseguiriam o que buscavam. Sim, decididamente, o time deles veio determinado a empatar para, em casa, semana que vem, fazer a diferença. Seu plano só falhou porque Luis Fabiano estava lá.
Uma das mais antigas verdades do futebol é que nunca se deve tirar de campo um artilheiro. Sem jogar o que devia e podia (ele próprio confessou isso no final), salvou o jogo, deu novo moral à equipe para brigar pela sobrevivência na Copa Sul-americana e se reencontrou como homem-gol.
Uma coisa foi a vitória muito difícil. Outra será jogar na quarta feira próxima do jeito que seu adversário atuou aqui. Ou seja, consagrar o empate como ideal.
Como brasileiro é pouco habituado a jogar na retranca, Milton Cruz vai ter que trabalhar muito esse tipo de comportamento. Convicto de que competição no estilo mata-mata nem sempre pede futebol de luxo, o competente homem certo das horas incertas do Tricolor saberá como fazer.







