O estudo incomoda

Foto: Divulgação

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Tite, Vagner Mancini, Dorival Junior, os técnicos brasileiros resolveram se atualizar. Desde Rinus Mitchels, nos anos 70, o futebol europeu uniu-se à faculdade. Nada que criasse a pólvora, mas que desse ao bom jogador condições de apresentar todo seu potencial.

A Holanda da Copa de 1974 mostrou que a tática era inevitável, fundamental até. Johan Cruyff foi o maior seguidor e divulgador de Mitchels. Foi com ele para o Barcelona e lá começou um trabalho, primeiro como jogador e depois treinador, que até hoje faz dos catalães referências mundiais. Mitchels era um professor de Educação Física. Lia muito, via muito. Sua Holanda de 74 tinha movimentos de basquete, voleibol e técnica muito apurada de futebol, boa parte inspirada na seleção brasileira de 1970.

Tudo que pudesse ser bom foi unido. A Academia trouxe a Fisiologia, o Condicionamento Específico, exames de laboratórios, que identificam os riscos de contusões e, mais tarde, Tecnologia de ponta. No Brasil os primeiros ruídos chegaram em 1978 com Claudio Coutinho. E, claro, com enorme rejeição. Mas ele deixou um Flamengo brilhante e uma seleção invicta em 1978, mesmo jogando feio.

O time mágico de Telê Santana em 1982 teve combustão espontânea, não há dúvida. Mestre Telê usou seus conhecimentos práticos, muito trabalho e uniu craques importantes num mesmo grupo. A derrota foi uma catástrofe. Não pelo que se perdeu, mas sim pelo que se filosofou. Criou-se o mito que jogar bonito não dava bons resultados. E o Brasil passou a copiar o que havia de pior lá fora. Não se deu conta de um movimento rumo a beleza do jogo.

Hoje vemos um Barcelona, um Bayern, um Real Madrid e a dinâmica européia como se fosse outro esporte. O ritmo de lá é muito maior, a cultura tática é outra, a beleza, que vimos pela última vez em 1982, virou rotina entre eles. Os cursos da Uefa, padronizações de esquemas em todas as categorias, escolinhas de captações em várias regiões dos países, e muita, muita, tecnologia, fizeram essas mudanças. As escolas de futebol proliferaram. Aquilo que Telê fazia como rotina no São Paulo, virou obrigação no exterior. O treinador tem que saber muito de treinamento e ter noção do todo. Ficamos muito para trás. O 7 a 1, o 8 a 0 as derrotas para Mazembe e Raja Casablanca deixam isso bem claro. E o que se fez para mudar o quadro? Nada. Sempre a ridícula conversa dos 5 títulos mundiais, como se alguém hoje tivesse algum mérito pelo que se conseguiu em 58, 62, 70 ou 94. E mesmo o pessoal de 2002 já está aposentado. Passou. Foi. Hoje não é. Quem tenta fazer algo, vira motivo de chacota.

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O Corinthians não perdeu do Guarani do Paraguai porque Tite esteve se atualizando na Europa. Nem Mancini e Dorival adquiriram varinhas mágicas. Mas eles têm o mérito de procurar, pesquisar, querer saber e respeitar o que se faz lá fora. O Brasil hoje tem um futebol, com boa vontade, intermediário. Não é nada mais do que uma Colômbia ou Chile. Precisa estudar muito, se quiser voltar a ser de ponta. Mas o estudo incomoda. Por preguiça e arrogância da maioria, a minoria, que tenta aprender, não recebe apoio. O intercâmbio é absolutamente necessário para que se saia do péssimo momento atual.

Fico feliz quando o São Paulo tenta uma novidade. Vai sem campeão? Não sei. No entanto, tentar o diferente, não diminui em nada os profissionais daqui. Seria ótimo se eles, também, fossem lá fora também, aprender e ensinar. Nosso futebol está parecendo a história de um senhorzinho japonês, encontrado numa ilha deserta nos anos 60, que se dizia escondido da guerra mundial. A guerra tinha acabado há mais de 20 anos e ele não sabia. E vivia como se ela estivesse em plena ebulição.

Um técnico de outro mundo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

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O velho cartola saiu para mais uma viagem do futebol. Sete da manhã já chegava. Tão cedo em outro país. Táxi, hotel e o encontro. A conversa deveria ser objetiva, mas o treinador tinha muito que mostrar. A começar pelo drone. Jogadores em campo sobe o moderno aparelho e tudo passa a ser gravado e visualizado de cima.

Orientações táticas detalhadas, individuais e em bloco e o momento da checagem. Sobe um telão no fundo do campo e as imagens do drone são exibidas. As correções são feitas. O trabalho coletivo, ou alguma movimentação, não saíram como se esperava. Sobe o drone e o treino segue. Há uma filosofia em cada movimento. Não é o cada um por si. É o  todo. Você pode até bater certo na bola, fazer a marcação correta, mas estar no momento errado.

Difícil entender? Sobe o telão de novo e as novas imagens do drone são vistas e, na insistência no erro, um joystick entra em ação. Os jogadores entendem essa linguagem. Usam joystick desde criança. Agora o movimento é feito pelas setas e fica bem claro o que o treinador quer. O meio campista, que tinha dúvidas, sabe, por fim, exatamente o que fazer. Sobe o drone de novo e depois de assistirem a tudo, outra vez no telão, fica claro, que o treinamento tático, daquela manhã, foi assimilado. Foi tudo rápido e intenso. A tarde tem mais. Da mesma forma rápida e intensa.

A equipe do treinador está fazendo o mesmo trabalho com as outras categorias. A instrução tática não muda. O jeito de jogar é bem nítido na cabeça do garoto de 12 anos ou do veterano de mais de 30. Sabendo que o dirigente é brasileiro um  laptop com informações detalhadas do Brasil é mostrado, agora. E com dados incríveis, do time do cartola. Aquilo está lá faz tempo. Jogos do Brasil são vistos e gravados como rotina. Qualquer time está bem mapeado. Hora do  almoço. Trocam idéias e o sonho de consumo fica revirando a cabeça do visitante. Ele parece uma criança numa loja de brinquedos, ou um adulto dentro de um carrão importado. Quanto custa esse sonho? O preço é compatível. A viagem de volta foi, literalmente, nas nuvens.

As 23 horas, em casa, ele era outa pessoa. Seus conceitos, seus objetivos, seu jeito de ver futebol mudaram, completamente, nas pouco mais de 15 horas de viagem. Dias depois a frustração. Não será possível fechar negócio. Segue a vida rotineira do Brasil. Só que ele mudou. Depois de tudo, que vivenciou, quer algo grande, próximo do que viu naquela viagem. Não tem como dormir em paz com menos.

Vai ao jogo. Em campo seu time é um sono. Nada funciona, o ritmo é tão lento que ele cochila. No sonho sobe um drone, ergue-se um telão, usam-se joysticks. A velocidade de jogo, naquela pequena cochilada, é muito forte e vibrante. Tem coisas que é melhor não conhecer. Quem não conhece não sente falta. Mas depois de saber que existe, fica quase impossível o convívio com a mediocridade.

NOTA DO BLOGUEIRO: A história acima parece de ficção. Mas não é. Ocorreu na semana passada.

O susto

Detesto fazer refeições sozinho. Às vezes, prefiro não almoçar ou jantar caso não tenha companhia.

Nos últimos 25 anos, tempo que trabalho na Jovem Pan, 70% dos almoços foram com o mesmo cara. Dividimos piadas, lágrimas, temores, histórias e estórias, felizmente repetidas milhares de vezes. Muita gente participou, eventualmente. Mas eu e ele estávamos sempre lá no “melhor momento da rádio” conforme definição dele. Nesse mesmo espaço de tempo devo ter almoçado ou jantado com minha única irmã, no máximo uma vez por ano. Coisas da vida, do trabalho, do nosso tempo. Ou seja, o parceiro de almoço sabe bem  mais de mim do que minha própria família.

Nos últimos meses, pelas correrias, escalas, compromissos diferentes, os almoços foram ficando mais espaçados. Quase raros. Sem problemas. Eles podem voltar a qualquer hora.

Na quinta-feira, fiz o convite, mas ele não pode. Na sexta cedo cheguei à rádio e levei enorme susto. Meu amigo estava na UTI. Coisa séria. Nem deu tempo de chegar ao hospital pretendido. Teve que ser atendido num outro, no meio do caminho.

Um filme assustador passou na minha cabeça. Lembrei do Miguel Dias, querido mestre das artes pouco sacras, que morreu do nada, numa notícia de rádio, numa noite de São Paulo e Santos no Morumbi. Como lamentei não ter aproveitado mais a presença dele. E o Ely Coimbra, então… Foi devastador. Nossas brincadeiras eram tão cruéis, um com o outro, que só uma amizade de pedra suportaria. E ele se foi quase que me gozando. Inacreditável. Até hoje costumo falar dele no verbo presente, como se apenas estivesse viajando e voltasse nas próximas horas.

quartarollo_pan_dvMas dessa vez ficou só no susto. A UTI passou rápido. As brincadeiras por telefone voltaram. Em alguns dias estaremos juntos de novo e voltaremos à rotina dos almoços longos e engraçados. Luiz Carlos Quartarollo teve um problema, mas está bem. Não sei o que foi direito e não vem ao caso. Sei que o amigo com o qual discuto, troco confidências, choro e dou muita risada, segue ao meu lado.

Não sou afeito a luxo, carros caros, roupas de grifes, nem perfumes importados. Porém, sou viciado em amigos. Os almoços com o Quartarollo, as pizzas às segundas-feiras, os papos com o Roberto Petri e o Fernando Soléra, as palhaçadas com o Fernando Fontana, as mesmas conversas, e as histórias repetidas ao infinito. São minha riqueza.

Não tenho a menor condição psicológica, no momento, de perder nada disso. Então as mesas já estão reservadas. Quando o Quartarollo voltar, os almoços voltarão. Vamos dar um tempo, no tempo, nos compromissos e nas escalas. Temos que viver a vida na plenitude. E uma das grandes coisas é jogar conversa fora sabendo que, na hora da necessidade, o cara que ri com você, será também seu ombro de apoio.

Punidos pela competência

Divulgação

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O Audax é o antigo Pão de Açúcar do empresário Abílio Diniz. Agora pertence a outro homem de negócios, o Mário Teixeira. Desde que surgiu, coordenado por José Carlos Brunoro, o projeto sempre foi muito bom. Havia uma verba fixa  a ser trabalhada, objetivos de promoção nas diversas divisões, até chegar à Primeira e assim sucessivamente. Tudo foi cumprido, o clube não deve nada, criou um estilo bonito de jogo, revelou muita gente, sendo a joia do coroa o Paulinho, hoje no Tottenham e só não seguiu no rumo inicial, pela venda do Grupo Pão de Açúcar. Mas a filosofia segue a mesma.

Fernando Diniz fez trabalho competente, chegando sempre entre os melhores e chamando a atenção pela maneira moderna e diferente de jogar. Tanto no ano passado, como agora, o Audax ficou na frente, em pontos, de times que se classificaram para a fase decisiva do paulistinha. Em 2015 terminou em sétimo no geral. Mas o regulamento imbecil da FPF excluiu a equipe, nas duas temporadas, das fases decisivas. Assim, o projeto de brigar por vagas nas melhores divisões do Brasileiro ficou entravado.

É preciso começar pela Série D se quiser algo  em nível nacional. E isso passa pelo regional.A classificação do certame local pesa. O Audax conseguiu os pontos nos dois anos, mas parou no regulamento. Em 2014 o dono resolveu investir “assumindo” o Guaratinguetá na Série C. Custou caro e não deu para subir. Em 2015, mesmo melhorando a classificação em São Paulo o time segue sem calendário para o segundo semestre, de novo por causa do esquema do paulistinha.

E aí até mesmo o mais ousado empreendedor tem seus limites. Na quinta-feira, antes ainda de fazer seu último jogo no Paulista, 20 jogadores e mais a comissão técnica tiveram seus contratos rescindidos com o Audax. Pouco importou a capacidade, a diferença legal no jeito de jogar e os resultados. A CBF não fez a parte dela, as federações, imprestáveis, não ajudam em nada.E 20 atletas sérios, pais de famílias e uma comissão técnica competente estão desempregados. Claro que vários vão se virar por aí.

Mas, o projeto legal do Audax ficará parado por seis meses e em 2016, sabe-se lá como virá. É assim que as coisas funcionam no futebol brasileiro. Os dirigentes, incompetentes, barram ações positivas. E não saímos do lugar. Como o presidente da FPF, especialista em fechamento de clubes na gestão dele, vai assumir a CBF, só podemos esperar dias negros. É uma tristeza. Não é a toa que a seleção brasileira é formada por jogadores lá de fora. Aqui dentro quem tenta fazer algo de bom encontra grandes obstáculos. O que interessa, para a cartolagem, são os esquemas nebulosos e a grana que rola solta no futebol. O resto que se dane.

Time virtual

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Saiu Muricy Ramalho. Era questão de tempo. Sim, o treinador está doente, mas se o time funcionasse em campo, não haveria necessidade de saída imediata e nem de operação na semana que vem. Pedra na vesícula incomoda, porém espera. O grande problema do São Paulo está na referência criada do elenco. Ouço muito que “o elenco do São Paulo é dos melhores”, “que têm jogadores de muito bom nível”, “que é o melhor do Brasil”. Será mesmo? Para mim é uma força imaginada, baseada no passado ou em projeções, que não se confirmaram. Vamos lá:

Rogério Ceni – Mito, o maior jogador da história do clube. Ainda vai bem. No entanto não é mais o mesmo, embora sua liderança e gols ainda façam diferença.

Luiz Fabiano – Um grande centro avante. Fez uma Copa do Mundo em 2010, muito boa. E depois?  Contusões, dificuldades na movimentação, desacertos táticos, são fatores que o impediram até de ser cogitado para 2014, apesar do bom trabalho de 2010, ou seja há 5 anos.

Paulo Henrique Ganso – Um grande problema. Quando surgiu,ao lado de Neymar, passou a impressão, no começo, de que seria até melhor do que o grande craque do Barcelona. A ilusão durou 6 meses. Vieram contusões, problemas no Santos e ele, apesar disso, sempre crescendo em prestígio, mesmo sem corresponder em campo. Chegou no São Paulo com honras de gênio. Nos melhores momentos foi mais ou menos. De solução para o futebol brasileiro, sumiu das listas de convocações dos últimos três treinadores da seleção. Muricy tentou de tudo. Fez esquema para ele, colocou mais a frente, mais atrás e nada.Chegou a perder do reserva Osvaldo em número de assistência, no ano passado, mesmo sendo teoricamente um “especialista”. E ainda insistem que se trata de um craque. Craque imaginário como bem estampou a Revista Placar anos atrás.

Souza – Único que vem sendo chamado pela seleção brasileira, claramente por pouco tempo. Jogador comum, não demonstra senso de coletividade e joga muito menos do que pensa que joga. Se fosse vendido pelo que ele acha que é, o São Paulo ganharia uma fortuna. Na realidade fica até a dúvida se valeu tê-lo trocado por Rodolpho.

Alan Kardec – Contratado junto ao Palmeiras gerando briga com Paulo Nobre. Henrique, que foi para o lugar dele no Palestra, fez mais gols lá, do que ele fez no São Paulo. Agora está machucado. Mas nunca conseguiu, sequer, ser titular. E também brilhou somente à sombra de Neymar.

Alexandre Pato. Esse me enganou muito. Embora tenha um talento enorme e capacidade para ser um dos melhores centro-avantes do mundo, é preguiçoso. Um grande ex-goleiro fez a perfeita definição dele. “É muito talentoso, mas não gosta de jogar futebol”. A partir daí não tem  jeito. Vai viver um ou outro grande momento, porém fazendo o que não gosta, fica muito difícil render com constância.

E agora chegou o Wesley. Jogou bem, também, ao lado do Neymar. Lembrem-se, ao lado do Neymar, como o Zé Love, o André e outros tais. Foi um enorme mico no Palmeiras e chegou ao São Paulo com expectativa de solução no meio campo. Sem o Neymar ao lado, não consigo enxergar utilidade nele.

No mais o São Paulo foi busca dois laterais fracos no Rio, Bruno e Carlinhos, reforçando a tradição de amar laterias ruins do futebol carioca. É só lembrar de Cortes, Junior Cesar, Joilson e outras coisas do tipo. Os meninos da base não estão aguentando a pressão em cima, até pela instabilidade da equipe titular. Enfim, mais do que a inevitável saída de Muricy o São Paulo terá muito trabalho pela frente. O novo treinador poderá até conseguir algo no começo, como fez Muricy. Mas o material humano é pobre. A reformulação ampla é mais do que necessária. A grande equipe do São Paulo é apenas um time virtual.

 

Tomara que dê Liga

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O previsível fracasso dos Regionais deixa marcas mais fortes a cada ano. Se o dinheiro dos grandes é maior do que da Libertadores, os prejuízos com as rendas acabam significando problemas. As exceções, Palmeiras e Corinthians não valem, porque os torcedores vão curtir os novos estádios, sem se importar com o nível das partidas.

São rodadas e rodadas perdidas, que vão estourar lá na frente, quando os campeonatos, que realmente interessam, estiverem chegando ao final. Dentro das normalidade, os grandes times aproveitavam para poupar seus principais jogadores, visando eventos maiores. Aí a cartolagem resolveu limitar em 28 atletas o número de inscritos. Talvez o grande time do Santos do Cirque de Soleil, não tivesse sido montado caso essa estupidez já estivesse em voga à época.

Mas, voltando ao hoje, no Rio, Flamengo e Fluminense não têm aceitado a politicagem de um tal Rubinho, que assumiu a presidência da Federação e anda de braços dados com Eurico Miranda. Ingressos com preços de pinga, pouco uso dos times de base e suspensões a cada declaração contrária, geraram nos dois rivais o desejo de liberdade. Mais de uma vez os presidentes falaram em cuidar dos próprios destinos. O mesmo acontece no Paraná.

O estado de São Paulo têm sido frouxo, submisso, como sempre morrendo de medo do presidenteco da FPF. É assim desde os tempos do Farah e os paulistas só têm perdido terreno.

De qualquer forma ouvir falar em Liga traz uma certa esperança. Sei que estamos no Brasil e, quase sempre,” eles” acabam se acertando. Mesmo assim, insisto em sonhar. Não há campeonato no mundo, bem disputado, emocionante e com  lucros, que não seja promovido por Ligas. Aqui ainda se vive dando dinheiro a rodo para as párias federações e CBF. Por quê? Eles são incompetentes, as contas não fecham, não servem para nada e mandam em todo mundo.

Não consigo entender o motivo do receio de rompimento dos clubes com essas porcarias. Sei que a Liga precisa ser autorizada pela CBF. Mas, também sei que a CBF só vai mudar de postura com posições firmes dos clubes. Para ela, a mamata está perfeita.

É hora de pagar para ver.

A Fifa vive ameaçando suspender os rebeldes, porém sempre pune apenas pequenos países, onde não há tanto dinheiro envolvido no futebol. Não é o caso do Brasil. A Fifa nunca faria nada contra um grandão, por mais irregularidades que venha a cometer.

Passou da hora de vermos um pouco de coragem no nosso esporte. Os cartolas não avaliam o tamanho dos times que dirigem e a insignificância dos que estão mandando neles.

Tomara que dê liga. Ou melhor, ligas. E que o nosso futebol, finalmente, volte a subir e pare de ficar girando, ano após ano, sem sair do lugar.

Falando sério

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Longe da picaretagem que os clubes tentaram impor no final do ano passado, a Medida Provisória para o futebol, que a presidente Dilma está assinando, poderá ajudar a começar a colocar as coisas em ordem no nosso futebol.

O que os clubes queriam era pegar um montão de dinheiro do governo, fazer de conta que estavam fiscalizando e, em pouco tempo, novas dívidas monstruosas viriam e muitos bolsos de cartolas estariam forrados de grana. Felizmente o pessoal do Bom Senso FC entrou na parada e ajudou, com outro grupo de pessoas, que querem falar sério, na elaboração da MP, que entra em vigor agora.

O dinheiro será liberado em até 20 anos. Isso não tem jeito, porque os clubes estão quebrados por anos de roubos e desmandos. Mas serão criados dois órgãos fiscalizadores. O da CBF, que terá a presença até de atletas e não o ridículo esquema de hoje, onde querem que os jogadores denunciem seus patrões e fiquem expostos à ira das torcidas. E um segundo, montado pelo Ministério dos Esportes, já que a CBF não é confiável, mesmo com pessoas de fora em seus grupos de trabalho.

Os beneficiários dos empréstimos, terão que prestar contas mensais de quitação de débitos com jogadores e funcionários e não poderão aumentar as dívidas, já existentes, em mais de 20 por cento. Caso não façam isso podem ser multados, terem o refinanciamento cancelado e até mesmo serem rebaixados, no ano seguinte, para evitar que se mude o aspecto técnico da competição por problemas extra campo.

Ou seja, não cumpriu direto em 2015, cai em 2017. Isso tudo ainda será detalhado e algumas alterações poderão ocorrer. Porém, de modo geral o dinheiro será liberado, mas haverá cobrança séria das administrações das equipes beneficiadas. Há ainda a ideia de não se permitir mais de uma reeleição, valendo inclusive para a CBF.

A MP entra em vigor imediatamente, mas terá que passar depois pelo Senado e Câmara, onde tem gente remunerada pela CBF, que poderá criar dificuldades, a tristemente famosa Bancada da Bola, a mesma que propôs o projeto anterior, vetado pela presidente. Começa-se a falar sério no futebol brasileiro. Ainda há muito caminho pela frente, no entanto, num momento que cobramos um país passado a limpo, essa MP é uma boa notícia para o nosso esporte.

Imediatismo no futebol brasileiro

AFP

AFP

Meu amigo Betão, ex Corinthians e que esteve na Ponte Preta, recentemente, voltou ao futebol europeu. Ele está na Ucrânia jogando pelo Dínamo de Kiev. De vez em quando trocamos idéias e recebi dele um texto, que compartilho com vocês. Fala, Betão:
Jogando praticamente 5 anos no “Velho Continente” e vendo de perto como as coisas caminham por aqui e acompanhando o futebol brasileiro “de fora”,  é inevitável a comparação do nosso futebol, com o futebol praticado na Europa em diversos aspectos: Qualidade dos campeonatos, qualidade dos jogadores, organização dentro e fora dos gramados e etc. O futebol do “Velho Continente” tem superado o futebol brasileiro em números e resultados. Mas, o ponto em que quero chegar é sobre o imediatismo que requer o nosso futebol ou o imediatismo que as pessoas envolvidas requerem. Na minha opinião esse tem sido um grande adversário para a evolução do nosso futebol. Enquanto na Europa a razão supera a emoção, no Brasil é exatamente ao contrário. A emoção toma conta e algumas opiniões e decisões (imprensa, torcedores, diretores) são tomadas sem qualquer perspectiva futura. Por exemplo, alguns jogadores que se destacam em uma temporada já são super valorizados, sendo que somente fizeram uma boa temporada. O contrário também acontece muito; o jogador não vai bem em uma temporada e a opinião sobre ele, é de que ele não serve, não está preparado. No “Velho Continente” as pessoas em geral não se iludem com uma boa temporada de um jogador e tampouco se decepcionam tanto com uma temporada ruim. No Brasil os treinadores são contratados já sabendo que, se os resultados não saírem em no máximo um mês, suas cabeças já estarão a prêmio. O clube investe bastante dinheiro em diversas contratações que o treinador solicitou, pensando em um planejamento a médio prazo, pois no Brasil a longo prazo não se pode pensar, e após um mês o treinador é demitido. O que fazer com jogadores que ele pediu? Será que servirão para o próximo treinador? O imediatismo pode jogar “por água abaixo” um ano todo de um clube. Vemos no “Velho Continente” treinadores que ficam uma, duas, três temporadas sem conquistas, mesmo assim seus trabalhos são mantidos por uma questão de planejamento. No Brasil, diretorias que assumem os clubes super endividados, devem fazer milagres logo no primeiro ano de mandato, caso contrário, devem ser trocados imediatamente. Não se pode fazer um planejamento a longo prazo. O imediatismo ou a emoção também interferem no que diz respeito da “paixão e ódio” de um um torcedor pelo jogador de seu clube. Se o jogador vive uma boa fase, ele é tido como um semideus, caso contrário não querem vê-lo nem pintado de ouro. Vai de herói à vilão em questão de dias. Quantos talentos perdidos por isso e quantas precipitações em super valorizar um jogador temos visto ao longo dos anos. Por essas e outras que reafirmo, o Imediatismo joga contra o futebol brasileiro.

Estudar é preciso

Daniel Augusto Jr/Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Tite não nega. O ano sabático de estudos fez com que seus conhecimentos melhorassem, os sistemas de treinamentos fossem aprimorados e a confiança até ficasse maior. Tite não saiu para aprender os princípios do futebol. Ele foi se atualizar, ver o que os outros estão fazendo e crescer no intercâmbio. Pessoas inteligentes agem assim. Os menos dotados sentam nas conquistas já obtidas e se acham os melhores.

O Corinthians de 2015 está melhor, mais consistente, jogando em espaços menores de campo, marcando mais à frente e ganhando de equipes com o mesmo nível de jogadores, até com certa facilidade, vide o primeiro jogo da Libertadores contra o São Paulo. Agora Vagner Mancini e Dorival Junior estão fazendo o mesmo. É muito bom trocar ideias com Guardiola, Ancelotti, Carlos Bianchi, pessoas com outros conceitos, outros conhecimentos e que podem ajudar na formação de qualquer pessoa do mundo da bola.

É só ver os jogos do Brasil para percebermos a diferença tática. É um abismo. Não adianta vir com a história de que aqui o calor é maior, a cultura é outra e bobagens semelhantes. Já era assim nos anos 60 e 70 e o Brasil sobrava no futebol. Enquanto os europeus usaram as novas tecnologias, estudaram formatações diferentes, criaram metodologias novas de treinamentos, onde José Mourinho é o papa, os brasileiros inventavam desculpas.

O 7 a 1 foi só mais um detalhe. As duas goleadas sofridas pelo Santos contra o Barcelona, as derrotas de Internacional e Atlético Mineiro para times africanos de quinta linha, já tinham deixado claro, que as coisas vão mal. Ainda bem que os profissionais, por iniciativa própria, resolveram sair em busca de evolução. O material humano morre sem a utilização correta. E o Brasil tem sido perdulário com meninos, que querem jogar futebol. Nem chance eles têm, a menos que aceitem esquemões com empresários, clubes e tudo que pode haver de pior no meio.

A CBF não serve para nada. Então temos que saudar essas iniciativas particulares. Eles poderão levar o Brasil à patamares onde nosso futebol já esteve, mas de onde saiu, faz tempo e sem perspectiva de volta tão cedo de dependermos de quem está na direção das nossas entidades.

Desperdício

AFP

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Não é raro um pai ligar pedindo ajuda para colocar o filho, “bom de bola”, num time de futebol. Antes, era só dar um bilhetinho e o treinador da base, de qualquer time, observava, por um tempo o garoto e aproveitava ou não.

Hoje as coisas mudaram. Só os empresários de futebol têm acesso aos clubes. Nem sempre entram os melhores, mas sim os mais apadrinhados. A grana, que corre solta em negociações do mundo da bola, gerou tanta ganância, que não são preparados jogadores e sim, brucutus, que possam ser repassados o quanto antes.

De cada 3 mil meninos, que tentam jogar profissionalmente, apenas um consegue algo efetivo. Os que ficam pelo caminho somem nas estatísticas. O Brasil é o país do desperdício. Quer na água, na comida, na energia e também no futebol.

Com um território enorme e tanta miscigenação racial, que ajuda nessa modalidade esportiva, um trabalho sério, dirigido e com cunho nacional, faria toda diferença para o futuro. Nem os 7 a 1 sensibilizaram os cartolas. A arrogância segue a mesma, a vida vai igual, como se nada tivesse acontecido.

Não falo só de um jogo. Há os 8 a 0 do Barcelona no Santos, as eliminações em mundiais de clubes, para africanos e os constantes vexames em copas do mundo.

O novo presidente da CBF será o Marco Polo Del Nero. O novo Ministro dos Esportes nunca foi do ramo.

Ou seja, nada indica que teremos mudança.

Que desperdício.