Vou sentir muita falta do Campeonato Ingles até a volta para a temporada 2012/2013. Sempre achei, que ele tinha roteiro, tal a emoção dos jogos e a beleza dos estádios e do espetáculo como um todo. Porém, a rodada final extrapolou. Os jogos, simultaneos, dos inimigos de morte, Manchester United e Manchester City, foram dignos dos melhores suspenses de Hollywood. O City só precisava ganhar e jogava contra o fraco QPR em casa. O United ia ao campo do Sunderland. 91 minutos depois o United tinha vencido e o City estava perdendo. Aos 92, Dzeco empatou e aos 94, Aguero virou. A torcida da casa enlouqueceu.Muitos não comemoram, ficaram se abanando com medo de um enfarto. Os “sobreviventes” invadiram o campo, pecado mortal por lá, mas para beijar os seus heróis. Fazia 44 anos que o City não ganhava a competição e ela veio de forma inacreditável. Futebol é o maior esporte do mundo,disparado, no entanto, o Campeonato Ingles é mais do que futebol. Tenho uma doce inveja deles, ao mesmo tempo, que sonho em ver algum dia, algo parecido por aqui. Afinal, lá também já foi a zona, que temos por aqui, desde sempre. Mas, o governo quis e resolveu o problema. Futebol não falta aos brasileiros, já governo e vontade política, aí já fica mais complicado.
Fim dos regionais. Ainda bem. Esse atraso de vida, que não se justifica e não leva a nada, nos deixou até metade do quinto mês do ano, falando de times menores, equipes de empresários e praticamente nenhuma revelação. Finalmente começa domingo a temporada brasileira com os torneios nacionais em suas diversas séries e a realidade dentro de campo. Guardem os nomes dos campeões regionais e confiram em dezembro, quem justificou o título. Lógico que o Santos vai estar bem. O Coritiba e o Internacional muito provavelmente. Porém, como estarão Atlético Mineiro e América, finalistas em Minas. Ou o Caxias, que engrossou para o Inter, além do Guarani, que encarou o Santos na segunda final. Ou ainda o histórico Santa Cruz, que segue na terceira divisão mas, é bi campeão em Pernambuco. São exemplos, que poderiam ser ampliados. Ilusões geradas em certames, que já foram importantes, mas que pararam no tempo e hoje prejudicam as equipes, realmente profissionais, as mais fortes, que não podem fazer pré-temporadas decentes e nem conseguem expor as suas marcas e ganhar dinheiro no exterior. Termos apenas competições nacionais, mesmo que em 10 ou 20 divisões, seria o ideal. Se alguns times dependem, apenas, dos regionais para demonstrarem grandeza, creio que devam repensar seus momentos atuais. Ou há adaptação aos novos tempos, ou qualquer um, humano ou empresa, fica pelo caminho. É um absurdo o tempo, que se perde, com esses campeonatinhos. Talvez por essa razão o futebol brasileiro tenha entrado num atraso tático, tão grande.
O Dr.Paulo Machado de Carvalho foi o melhor, ou um dos melhores dirigentes, da história do futebol brasileiro. Ligado ao São Paulo, ao receber o privilégio de organizar a seleção para a Copa da Suécia, em 1958, convidou para técnico seu funcionário, Vicente Feola, que fora auxiliar do revolucionário Bella Gutman no tricolor.
Quando alguns craques perceberam, que a equipe precisava de mudanças, já no transcorrer do Mundial e comentaram com o chefe da delegação, ele percebeu que algo precisaria ser feito. Porém, respeitando a ética, não quis interferir no trabalho do treinador. Inteligente, achou um jeito de passar o recado. Em conversa informal, sorrindo disse, “Feola, aquela sua idéia de colocar Pelé, Garricha, Zito e Vavá no time, que eu achava absurda, parece que é boa sim. Faça o que achar melhor”.
Feola nunca comentara sobre o fato, mas, inteligente, passou a considerar a hipótese, falou com os jogadores e montou a equipe, que ganharia a primeira Copa do Mundo para o Brasil. O São Paulo era uma escola de grandes dirigentes. Havia Manuel Raimundo Paes de Almeida, Porfirio da Paz, Laudo Natel, antes Cicero Pompeu de Toledo, Frederico Menzen, entre tantos. E o São Paulo virou um dos maiores times do mundo.
O tempo passou e hoje o estágio do clube é um dos mais tristes da sua história. Perpetuaram Juvenal Juvencio. A oposição é frágil. Os parceiros de diretoria só servem para apagar e acender a luz da sala do presidente. E ele toma posições dignas dos piores ditadores de republiquetas de bananas. O episódio Paulo Miranda mostrou exatamente isso. Ao contrário da sensilidade de Paulo Carvalho, veio uma atitude ridícula, que ao invés de humilhar o técnico Leão, talvez o grande objetivo, apequenou o clube, de novo.
O São Paulo vive hoje da união do treinador com seus jogadores, muitos deles também limitados, mas que correm por Emerson Leão. E assim venceram a Ponte por 3 a 1 e se classificaram para a próxima fase da Copa do Brasil. Porém, mesmo depois da vitória dificílima contra a Ponte, que só foi assim pela intervenção indevida dos cartolas no jogo de Campinas, ninguém teve o bom senso de, sequer, abraçar o comandante, e agradecer por evitar o vexame, que eles, dirigentes, quase provocaram.
O São Paulo nunca esteve tão mal dirigido. Está se apequenando rapidamente. Quando demitiram Muricy, após o tri brasileiro, com mérito quase todo dele, disseram que tudo se devia ao clube, e sua estrutura, e não ao técnico, que saía. Muricy se foi e só fez ganhar, inclusive Libertadores, para a qual o São Paulo não consegue, no momento, nem a classificação.
Muito triste. E não custa lembrar, que para subir demora, mas a queda é sempre rápida. E Juvenal está caprichando. Faz tempo que ele não dá uma bola dentro.
As grandes conquistas não acontecem de um dia para o outro. Você tem que ir vencendo etapas e, muitas vezes, fica no meio do caminho. O Corinthians entrou em neurose com a Libertadores depois da sequencia de derrotas contra equipes, às vezes, insignificantes, como o Tolima. Desde 2000 não ganhava um mata-mata e nesse período caiu duas vezes para o River Plate, que jamais eliminou outro time brasileiro nessa competição. E teve o Flamengo, último da primeira fase, ganhando do melhor, no caso o Corinthians, gerando mais frustração. Era preciso acabar com isso, para que as coisas entrassem no seus lugares. Pode-se perder um torneio desse nível, porém não para si mesmo, como já vimos ocorrer. Não sei se o título virá em 2012, porém andou-se um pouco mais e isso é o que importa, nesse momento. O jogo do Vasco será muito difícil para o Corinthians, no entanto, o Vasco agora sabe que para ele também.
O Campeonato Paulista é um torneiozinho como todos os regionais. E ficou menor com a decisão de dois jogos em São Paulo, tirando a maior arma do Guarani, que é o Brinco de Ouro. Mais curioso é que as partidas serão no Morumbi. Banido nos últimos anos, quando Andrés Sanchez ganhou, de goleada, todas as pendências com Juvenal Juvencio e com o respaldo da CBF de Ricardo Teixeira, o campo do tricolor voltou ao protagonismo com a acensão de Marin, ligado ao São Paulo, ao poder. De repente, o Morumbi foi escolhido não para um jogo decisivo, mas sim para os dois. Ou seja, claramente houve influência de bastidor até mesmo para se resolver onde se jogará a final de um campeonatinho, como existia antes, para ninguém jogar lá. E podem esperar jogos e mais jogos, outra vez, no Morumbi. E aí fica a dúvida. Se a CBF pode influenciar em algo tão menor, podemos imaginar o que ocorre nas coisas mais importantes. Nada é resolvido com profissionalismo, previsão ou lógica. Tudo funciona na base da vantagem, que se possa tirar, daquilo que está sendo feito. Fica fácil entender porque os clubes estão sempre duros e, mesmo assim, os cartolas, normalmente, não querem deixá-los. O futebol no Brasil não é feito para a evolução das equipes, mas sim para que alguns, os mesmos, possam sempre tirar proveito.
Já estamos caminhando para o final de abril e, no Brasil, ainda não começou a temporada séria de futebol. Os erros se repetem, ano após ano. Pré-temporadas mal feitas, campeonato regionais inúteis e o início da Copa do Brasil, torneio, que gosto muito, com as primeiras fases, naturalmente, medíocres. E vamos entrar em maio falando de equipes inexpressivas, sem condições de sequer avaliarmos o nível daqueles que, de fato, importam, para, só então, começar o campeonato brasileiro, a fase boa da Copa do Brasil e o filé mignon da Libertadores.Por que essa insistência? No Brasil tem-se a mania de se confundir futebol profissional com beneficência. Times que não tem condições de se manter que fechem as portas. Vários maravilhosos pararam através dos tempos. O Paulistano, o Ipiranga, hoje belos clubes sociais, a Ambrosiana na Itália e tantos outros pela vida. E não ficaram menores por causa disso. Deixaram um passado de glórias. Esse desespero de ressucitar os mortos, no mundo da bola, não leva a lugar nenhum.Ao contrário, os timecos que se apresentam com aquelas camisas históricas, só fazem denegrir grandes momentos e atravancar o avanço do nosso esporte, já que mal se treina pelo acúmulo de partidas e torneios sem valor. É a politicagem no país. A brincadeira de faz de conta. E assim, faz de conta que, ainda temos, o melhor futebol do mundo.
José Maria Marin chamou os presidentes de clubes da primeira divisão. Alguns estavam conversando sobre a liga brasileira, que poderia modernizar o nosso futebol. Não sei o tema da reunião mas, alguns, estão desistindo de partir para a evolução. A CBF é um atraso de vida, faz tempo. Usa os clubes e retribui bem pouco. É rica e os times pobres, embora ela não sirva para nada. Mesmo assim, parece que, vão afinar novamente. Não sei se por burrice, ou rabo preso, eles tendem a seguirem reféns. Não há nenhuma vantagem na manutenção do estágio atual. A Liga geraria, na pior das hipóteses, nova esperança. E eles só teriam, que se unir e cuidar das próprias vidas. Criar produtos próprios, pensar num campeonato rentável, excursionar, enfim, ganhar o dinheiro que pode ser gerado, se o futebol for bem dirigido. Mas, eles estão optando pela covardia. Não querem, ou não tem capacidade de crescer. Acho que a maioria dos clubes, tão grandes na história, está sendo dirigida por gente pequena demais. A revolução, que precisamos, talvez tenha que começar dentro das agremiações mesmo. Vão conseguir perder a grande chance, que se abre na nossa história, de tranformar as federações em cartórios e a CBF em “cuidadora” das seleções. É vergonhoso, porém, cada um é o que é. Talvez eu tenha imaginado, que os presidentes de clubes fossem melhores do que são, ou seja, farinha do mesmo saco, que o pessoal das federações e da CBF.
Tenho me incomodado com o atraso tático no futebol brasileiro atual. Procurei ouvir jogadores,treinadores, colegas, enfim, pessoas ligadas ao dia a dia do mundo da bola. Praticamente todos concordam com a deficiência atual. Alguns ampliam a discussão. O Zico, maravilhoso Galinho de Quintino, acredita mais na falta de boas revelações, do que propriamente no mau momento tático. Zico não gosta de ver tantos brucutus saindo das bases dos clubes brasileiros. Chega a crer, que não seria sequer avaliado num teste nos dias de hoje. E com ele, Maradona, Messi, Tostão e outros pequenos brilhantes da história desse esporte. Xavi, Iniesta, Daniel Alves, são todos baixinhos. O Bilbao, que faz sucesso na Liga Europa, da mesma forma só tem pequenos. O próprio Coritiba, que agradou no Brasil no ano passado, tinha o que ? De novo jogadores rápidos e ágeis, não grandalhões fortões. Parece que o problema vai sendo detectado. Claro que fortões também são necessários nos dias de hoje, vide Pique, Cristiano Ronaldo e até Hulk, astro em Portugal, goste voce ou não. Porém, os times que dão espetáculo voltaram a acreditar na agilidade, rapidez e técnica. Isso só voltará se os reveladores de jogadores pararem de mandar garoto com menos de 1,70 mt serem joqueis, como brinca Zico. Esperemos a revolução dos baixinhos. Pode ser a salvação até da nossa seleção.
Estou muito feliz. O final da ditadura Ricardo Teixeira é ótimo para o futebol brasileiro. Ele mostrou completa falta de virtudes. A administração sempre foi nebulosa, a seleção deixou de ser brasileira, virou um balcão de negócios, e o torcedor, com o passar do tempo, começou a ignorar um dos maiores patrimonios, que tínhamos. Hoje nossa seleção só gera indiferença. Ele ainda montou um time de assessores horroroso, tanto que assumiu José Maria Marin, que dispensa comentários negativos, tendo ainda filho de Sarney e toda espécie de coisa ruim, do nosso país, no grupelho. É hora dos clubes tomarem vergonha e dar uma reviravolta nisso. Uma coisa é o ditador, outra os auxiliares dele. A história mostra, que os herdeiros, não conseguem manter o poder anterior. Que venham administradores profissionais e que se fiscalize, a fundo, todo mal, que foi feito à entidade, além dos outros lugares por onde ele passou. Que não se perdoe nada pela queda. Ao contrário. Espero ver transparência, finalmente, na CBF. O ar pelo menos, está mais respirável.






