O São Paulo caiu em desgraça na Federação Paulista de Futebol depois do, até hoje, mal explicado caso Madonna em 2008. Jurou que seria oposição ríspida, que não daria tréguas e que passaria a exigir mais respeito. Nada disso ocorreu. Ao contrário, o São Paulo tem sido prejudicado, faz tempo e mantém uma postura de carneirinho. O inimigo ideal, aquele que fala, porém não tem coragem de agir. Novamente o Tricolor está sofrendo com isso e, de novo, não parece esboçar reação. A transferência do clássico de domingo para Presidente Prudente gera prejuízos e desconfortos ao clube, que, com uma postura firme poderiam ser evitados. O Palmeiras, entenda-se Federação, que parece ter convênio com a cidade, mudou seu mando do Pacaembú para o Farazão. As despesas do mandante são pagas. As do visitante, não. Se o São Paulo reagisse, uma vez que fosse, a esse tipo de coisa, por certo essas retaliações já teriam acabado. Com é mansinho, continua pagando, para dar renda ao adversário, beneses aos políticos de Prudente e dividendos para Marco Polo Del Nero. E nada seria mais simples. Era só esvaziar o jogo. Time totalmente reserva. Mesmo que perdesse não teria grandes problemas, já que vai se classificar facilmente, como todos os outros grandes, nesse campeonato de nível tão baixo. Isso diminuiria público, ibope da tv e as cobranças iriam parar na FPF. O São Paulo mostraria sua verdadeira força. Ao invés disso, chegou até a pensar em levar Luiz Fabiano, sua grande atração, para o evento . A viagem será brava. Na volta, por exemplo, vai ter que descer em Campinas e seguir de onibus até a Capital. E bancando tudo. Está na hora do presidente Juvenal Juvencio deixar a retórica bonita de lado e sair para a ação. Quando ele brigou com Andrés Sanchez foi tão retalhado, que não há mais clássicos no Morumbi. Os patrocínios estão mais difíceis e o adversário tirou de lá a Copa do Mundo e consegue incomodar até na hora dos alvarás para shows. Esse é um inimigo complicado. Enquanto isso, o São Paulo faz o jogo de Del Nero. Protesta, porém aceita. Em síntese, passa recibo. Até consigo ver o presidente da FPF rindo do documento enviado, como o máximo que o “inimigo” pode fazer. Parece que Juvenal perdeu a noção da força do São Paulo. Talvez seja o caso de fazer as pazes com Andrés e pedir a ele alguns conselhos de como se faz para incomodar, aqueles que não lhe agradam.
Os comentários sobre uma possível renúncia de Ricardo Teixeira são fortes. Espero que isso ocorra o quanto antes. Mas, o futebol precisa de bem mais que isso. Não resolve só tirar o presidente. É preciso limpar a área completamente. Se Teixeira sair e não se fizer uma grande intervenção na CBF, quem assumirá o comando será José Maria Marin, ele mesmo, o Zé das Medalhas. E caso ele se manque e caia fora, tem um filho do José Sarney, na linha sucessória. Ou seja, Ricardo Teixeira cercou-se de iguais e sua simples saída nada resolverá, mesmo entendendo que o ar fique bem mais respirável. Caso a ótima notícia da renúncia se concretize, será o momento exato para uma mudança radical no perfil de administração do nosso futebol. Não adiantará nada somente trocar a mosca.
Inacreditáveis as diferenças entre a nossa Libertadores da América e a Liga dos Campeões da Europa. E um equivale ao outro dependendo do lado do mundo, que voce estiver. Os clubes brasileiros morrem pela nossa Copa continental e com razão. Ganhar muda qualquer clube de patamar. Mas, nos últimos tempos começamos a ouvir que, financeiramente, a competição é deficitária.
Fui me informar e fiquei assustado. O Santos, campeão da Libertadores de 2011, ganhou 8 milhões e 300 mil reais. Isso equivale, mais ou menos a um quinto do que recebeu o último colocado da Champions, que ficou com mais de 17 milhões de euros. Vou reafirmar para que você entenda a loucura. O campeão daqui, recebeu o equivalente a um quinto do que o último colocado de lá.
O vice europeu, Manchester United, ganhou dez vezes mais do que o nosso campeão, Santos. Antes que você diga que aqui temos Venezuela, Perú, Bolívia, etc, lembro que, lá, participam Chipre, Romenia e a falida Grécia. Aliás, praticamente toda a Europa está quebrada. Só que, o evento deles, é grandioso. Assistindo uma partida da Champions a pessoa se emociona na entrada dos times, na cerimonia de abertura e vendo estádios bonitos e uma organização impecável. Aqui os estádios são mal cheirosos até pela televisão. A técnica é boa, porém os jogos são bagunçados, cheios de confusões, impunidades e, acima de tudo, falta de transparência.
Enquanto a Uefa é super profissional, a Conmebol não publica sequer o seu balanço. É uma verdadeira caixa preta e com um caudilho eterno. Quem mantém a competição são os clubes brasileiros e mexicanos com suas televisões poderosas. No entanto, aceitam essa antiga dinastia, pacificamente. Por que será? Dentro da lógica, Leoz já deveria ter tomado um pontapé nos fundilhos, faz tempo. No entanto, é tratado como rei, recebendo títulos de cidadania das nossas principais cidades. É bastante estranho.
Ele é incompetente, não cuida do seu principal evento e não presta contas a ninguém. De onde vem esse poder? Com a palavra os presidentes dos principais times da América, que nunca se mobilizaram para mandar esse Nicolas Leoz, no mínimo, para casa.
Sai cedinho de casa. E as manhãs de domingo são especiais na periferia. Grupos de moleques misturam-se a senhores gordões pelas ruas, com uniformes coloridos, rumo aos sobreviventes campos de várzea. Os papos são animados. As chuteiras, quase sempre com travas barulhentas, batem forte nas calçadas mal conservadas, provocando um som único, que me remete à infância, quando a Penha inteira era repleta desses campinhos, criados e cuidados, pelos próprios moradores. Onde hoje passa o metro, viam-se festivais de futebol começando na Vila Guilhermina e chegando até a Rua Guaiauna, espécie de divisa dos “estados unidos” da Penha com o vizinho Tatuapé. Tinha o Ruve, o 5 de julho, o Guarani, o meu querido Macalé, que virou Miolo da Vila e perdeu o campo por acreditar, que a Marta Suplicy,então prefeita, daria uma outra área para o clube. No lugar do velho campo fez-se um buraco fedido, que chamam de piscinão. Voltando aos times, vale falar da parte de cima do hoje metro da Zona Leste. Lá destacavam-se o Vila Matilde e o Triangulo e, um pouco mais abaixo, Ameriquinha, Palmeirinha e Rio Branco, esse último, time do maior nome da história do bairro, o grande Julio Botelho. Os tempos mudaram. Porém, a várzea ainda teima em sobreviver. São raros os “olheiros”, que antes sobravam pelos campinhos. Os “craques” saem das escolinhas de futebol. São mais delicados, mais cuidadosos e não sonham com Corinthians, Palmeiras, São Paulo ou Santos. Eles agora querem Barcelona, Milan e Manchester United. Aliás, os próprios times, até da várzea, usam uniformes, que se referem as equipes européias. Difícil encontrar os corintinhas, palmeirinhas, flamenguinhos e portuguesinhas. Mas, a sofisticação nos nomes não muda o conceito varzeano de sempre. O que valem são as histórias, do que se fez e do que se quis fazer, no rachão. Já no boteco rolam também as apostas nos jogos dos profissionais, do período da tarde. Isso não mudará nunca. É por essa razão, que o futebol continua sendo a coisa mais importante na vida do brasileiro, tendo ele dinheiro no bolso, ou não. Lazer tão amplo, tão misturado e tão barato, não se encontra em nenhum outro lugar do planeta.
Quase cem mortos, um montão de feridos. O que aconteceu no Egito pode ocorrer no Brasil, facilmente. Lá, como cá, gangues acompanham os times, com a teórica desculpa de amor às equipes. Na verdade amam seus grupelhos e sua violência. Também no Egito havia tolerância plena com essa “gente”. Até que deu nisso. Por certo agora falarão em “providências enérgicas”, investigações rigorosas e outros que tais. Não vai acontecer nada de prático. Os países de terceiro mundo seguirão aceitando a bandidagem no futebol, como algo natural do nosso tempo. Não é. E os ingleses provaram isso. Há um monte de vandalos lá também. Só que eles foram enquadrados pelas leis. Não há perdão. E hoje o melhor e mais belo espetáculo de futebol do mundo, vem de lá. Os estádios egípcios não se parecem em nada com os da Inglaterra, porém lembram muito os do Brasil.

Eduardo José Farah (à direita) em almoço com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, na Copa de 1998 (Acervo/Gazeta Press)
Os olhos do velho senhor não têm brilho. Ele passa horas sentado no quarto ou na sala, com pijama e chinelinho estofado, entre cochilos, divagações e, às vezes, resmungos. Deve pensar onde errou. Difícil dizer. Pela minha forma de ver a vida, ele fez tudo errado. Passou por cima de muita gente, criou uma máquina de dinheiro, com métodos nada convencionais, que lhe trouxe poder, soberba e temor dos inimigos, que, no entanto, estavam ao lado dele, o tempo todo, sem que desconfiasse. Num ambiente onde não há ética, respeito, solidariedade, e somente o dinheiro vale, é muito normal que os adversários se aproximem, aguardando o momento do bote fatal. E o golpe contra ele, foi mesmo mortal. Esse senhorzinho, que hoje vive quase solitário, não recebe visitas, perdeu todo glamour e encanto, depois de ter tanta gente lhe lambendo as botas, por muitos anos, é Eduardo Farah.
O ex-presidente da Federação Paulista de Futebol faz, hoje, três hemodiálises por semana. A rotina de sofrimento difere totalmente dos dias de glória, onde caravanas de presidentes de grandes e pequenos clubes cercavam sua sala, em busca de benesses e favores, e seu grito significava desespero para todos. Farah teve que sair do cargo para amainar uma investigação da Receita Federal. Queria passar o poder para José Reinaldo, em quem ele confiava. Mas o estatuto dava o comando a Marco Polo Del Nero.
Como Farah ainda tinha voz forte, Del Nero prometeu-lhe tudo. Até permanência na mesma sala, motorista, salário régio etc. Aos poucos foi cortando tudo. Até que Farah sumiu, enquanto José Reinaldo se aliava a Del Nero. Durante algum tempo ainda falou-se dele. Hoje, ninguém pergunta mais. As botas a serem lambidas são de Del Nero, e os serviçais fazem isso com a mesma maestria exigida, tempos atrás, por Farah. O reino continua de pé. Agora os gritos do nosso monarca é que assustam.
O velho rei vive seu crepúsculo, quase anonimo. Raríssimas visitas e a luta pela volta da saúde é tão difícil, ou até mais, do que o retorno aos dias magistrais. Assim é a vida. Não há reinado eterno, para ninguém. Mas você pode fazer o bem enquanto reina, ou criar cobras, que, em algum momento, vão lhe picar. Farah não deixa nenhuma saudade no mundo da bola. Del Nero segue fazendo o que ele fazia. Com aprimoramentos, é claro.
Salvador Cabañas está voltando ao futebol. Ele atuará no 12 de outubro, time paraguaio, onde começou. Desde que tomou um tiro na cabeça, dia 25 de janeiro de 2010, Cabañas foi só luta, primeiro pela vida, depois pela volta à alegria de jogar futebol. Confesso que torci pela vida dele, porém, nunca acreditei, que ele pudesse voltar a ser futebolista profissional. A notícia de sua volta é surpreendente e fantástica, ao mesmo tempo. Exemplo de vontade de viver plenamente, a qualquer custo, mesmo que a vida tenha lhe preparado uma emboscada. Se eu tivesse acesso ao Adriano, do Corinthians, faria um video especial desses dois anos de luta do paraguaio. Com um problema muito mais grave, já que Adriano se entregou depois da morte do pai, Cabañas tornou-se um vencedor, enquanto o brasileiro perde pontos a cada dia, apesar das inúmeras chances. Sei que cada um sente de um jeito e reage à sua maneira. Mas, muitas vezes o bom exemplo abre cabeças. Adriano sempre foi muito mais jogador, que Salvador Cabañas, porém, nessa luta para voltar a jogar em alto nível, o gordinho paraguaio está ganhando, de mil a zero, do gordinho brasileiro.
Adriano faltou em mais um treino do Corinthians. Fizeram um escandalo, não sei porque. Ele está fazendo exatamente o que tem feito nos últimos anos. No São Paulo, no Flamengo, na Roma. Por que seria diferente no Parque São Jorge? Nós temos mania de achar, que as coisas serão de outra forma, quando estamos envolvidos nela. Bobagem. Ao fazer um contrato com o velho artilheiro, os cartolas do Corinthians sonhavam com o Imperador. Mas isso ele não é mais, faz tempo. E vem, lamentavelmente, em franca decadência. Teve a contusão, que deixou no ar, por mais algum tempo, a dúvida de alguns, se ele estava ou não disposto a mudar. Nunca tive essa dúvida. Não há o que reclamar do Adriano. Ele está no Corinthians, como esteve nos últimos 50 meses. Não dá para dizer, que se comprou gato por lebre. É como aquela consagrada música, do meu amigo Luiz Airão, a Bola Dividida, que fala da mulher do amigo, que fica dando bola para ele. E o cara, não sabe como agir e lembra “se ela faz com ele, vai fazer comigo” Vou mandar o cd para os dirigentes corintianos.
Um dos grandes filmes de 2011 foi o argentino “Um Conto Chinês”. Na história, um chinês aparece na porta da casa de um cara mal humorado, o maravilhoso ator Ricardo Darin, que acaba lhe dando acolhida, apesar de não entender nada do que ele fala e nem dos costumes do surpreendente hóspede. No final, o chinês acha sua turma e deixa até uma ponta de saudade no aliviado argentino, que retorna à sua rotina. Longe de mal humorado, Luiz Paulo Rosenberg, o homem do marketing corintiano, colocará dentro do clube em alguns dias, um desconhecido chinês. Aliás, todo jogador de futebol da China é desconhecido. Vi imagens de boas jogadas dele na internet, porém, lembrei que já fiz um video meu, jogando e até deu a impressão que eu sabia jogar futebol, coisa que está muito longe da verdade. Então lá vai o Corinthians rumo ao mercado asiático. Correto. Mas, só isso? De que adianta trazer um china, que servirá como motivo de piadinhas de todos os adversários, se o clube não sair para se mostrar. Por exemplo, a pré temporada do clube, deveria ter sido programada para a China. Ao invés de ficar confinado por aqui, porque não treinar na terra do rapaz, lançar camisas como o nome dele e até fazer jogos treinos por lá. Isso poderia durar um ou dois meses, a pré-temporada e a primeira fase do inútil Campeonato Paulista. Aí sim as coisas começariam a fazer sentido. Milan, Barcelona, Real Madrid e outros times, realmente globalizados, fazem efetivamente isso. Vão aos centros, que lhe interessam, para se mostrar e se divulgar. Poderia-se, enfim, dar-se alguma utilidade ao Adriano, conhecido no mundo todo e até negociar-se participações do Ronaldo, elevando a fama do clube e, por certo, conseguindo-se patrocínios de grandes empresas chinesas. As vendas de objetos, com a marca do clube, viriam atreladas a essa, aí sim, inteligente aventura. Do jeito que está, não creio em grande serventia. Para se por o chinês no time terá que se sacar alguém, por certo melhor do que ele. O Tite vai topar? No Paulistão ainda vá lá, no entanto, vai-se jogar, eventualmente, com o Boca em La Bombonera, com um chinês como arma secreta? Aí virará mesmo motivo de chacota. Enfim, a idéia é boa e aproveitável, desde que usada na plenitude. O Corinthians tem que deixar de se preocupar com certamezinhos regionais e desbravar o mundo, empurrando sua marca para novos consumidores. Se para isso tiver que colocar um bode na sala, que use o bode para atrair adeptos de uma buchada de bode (sem alusão a FHC, nos tempos de campanha presidencial, por favor). Por hora, só enfiaram o bode na casa e dessa forma, só poderão contar, pelo menos por enquanto, com o mal cheiro dele.




