Não houve decepção na final da Champions. Festa impecável e jogo lindo. O Barcelona sobrou, de novo, o que é bom para o futebol. Jogou tanto que o Manchester United parecia uma equipe qualquer. Aliás, foi assim com todo mundo, até com o Real Madrid do José Mourinho. E mais do que um jogo foi um espetáculo. Final em Londres, Wembley, tudo muito organizado e até, em alguns momentos, a falsa impressão de que haveria equilibrio. Aí vieram Xavi, Iniesta e principalmente Messi e o assunto ficou encerrado.Ótimo para o futebol, que o melhor, o que joga bonito, tenha vencido. Que ele sirva de exemplo para outros. Há os que falam em trabalhar com a base, mas quando aparecem os produtos, eles são fracos, quase sempre. Aí surge uma equipe que veio dos juvenis e faz isso que estamos vendo. É para reverenciar. Quem ganhou em Londres foi mais do que o Barça, foi a bola. Aliás, nos últimos anos, Barça tem sido mesmo, sinônimo de bola.
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Dia primeiro de junho, haverá eleição na Fifa. Blatter quer o quinto mandato e o presidente da Confederação Asiática, Bin Hamman, é seu oponente. Não sei o que houve entre eles, mas ambos foram aliados em vários esquemas vergonhosos da Fifa nos últimos anos. Passam por eles, juntos e com outros companheiros, do porte de Julio Grondona, Ricardo Teixeira e o candidato a vice pela oposição o presidente da Concacaf, Jack Warner, as piores acusações de ações terríveis, contra o futebol, contra o dinheiro da Fifa e frente a quem tenha resolvido, em algum momento, cruzar o caminho deles. Todos estão, ou ficaram, riquíssimos e nenhum consegue explicar de onde tiraram tanto dinheiro. Coincidentemente estou lendo o livro Jogo Sujo, do grande jornalista investigativo ingles, Andrew Jennings, que é o único no mundo proibido de participar das coletivas de Blatter. Esses nomes são citados em praticamente todos os casos obscuros, e são muitos, nas quase 400 páginas da bela publicação. Histórias escabrosas, que começaram nos tempos de Havelange e persistem com aperfeiçoamento e toque pessoal do suiço Blatter, herdeiro da cadeira do brasileiro na entidade. Ganhe quem ganhar, o rumo do futebol não será melhor. Ingressos para jogos da Copa sumirão e aparecerão nas mãos de cambistas, suspeitas de compra de votos nas decisões importantes serão mantidas, gastos gigantescos, sem comprovação vão se manter na rotina da Fifa, e nosso querido esporte, quando for falado em termos políticos, continuará dando nojo. A única coisa boa, nisso tudo, é que os velhos parceiros de tantas histórias, estão brigados. E isso vai implicar na revelação de várias histórias, que só eles conhecem. Tudo verdade, por mais assustador que possa parecer. Diz um velho ditado do interior, que “brigam as comadres e aparecem as verdades”. Nos próximos dias surgirão podres de todos os lados. Eles sabem muito bem do que estão falando.
Incrível. Novamente os nomes de Ricardo Teixeira de João Havelange estão envolvidos em rolos. Agora, matéria da BBC fala na devolução de subornos recebidos da ISL. Se foram devolvidos é porque existiram. E voltaram pelo escândalo e divulgação dos fatos.
Quem pode garantir que outros fatos semelhantes não tenham ocorrido sem divulgação ou devolução? É muito comum no mundo da bola, as pessoas acharem que são donas das instituições que dirigem. Creem piamente nisso e passam a ver clubes, entidades, confederações e federações como quintais de suas casas. Ganham poder, arrogância, espaço e, incrível, respeito de muita gente. Passa a ser uma filosofia de vida. Não há mais o público, vira tudo privado, ou seja, deles.
Pior é que ficam longos anos com essas práticas, viram referencias e modelos a “serem seguidos”. É triste e mal cheiroso, porém não os constrangem e nem lhes traz inconvenientes. A não ser uma ou outra materiazinha, que eles digerem na boa. Meu pai me ensinou diferente. Não se importava em ser rico… Mas, deu à família dignidade e respeitabilidade. É uma questão de filosofia de cada um.
Foram 23 datas. E,felizmente, ganhou o melhor. Já que entrou na disputa, o melhor é vencer e o Santos está comemorando e está de parabéns. Mas, é nesse momento, que precisamos parar para pensar. Campeonato regional não existe em nenhum lugar do mundo e há países maiores, territorialmente, que o Brasil. Por causa desse torneio. as pré-temporadas deixaram de existir por aqui. Também não sobra tempo para excursões, que eram tão legais nos anos 60. O Brasil tem tudo que os outros tem. Copas, torneios nacionais, internacionais, eventualmente mundial, datas Fifas para a seleção, etc. Só que, lá fora, esses grandes certames duram o ano inteiro. Aqui fica tudo espremido. A Libertadores e a Sulamericana deveriam durar o ano todo, junto com os nacionais e as Copas. Sobrariam datas, por certo, e as finais, de cada evento, viriam lá na frente, sem se encavalar, via de regra. Os estaduais, há alguns anos, eram importantes, revelavam jogadores, serviam de base até para convocações. Hoje não valem nem para montar equipes. Ao contrário, todos estão sendo remontados, grandes e pequenos e sem tempo para treinamentos. O Corinthians vai perder 3 ou 4 e outros tantos virão. O mesmo vale para o Palmeiras, ou a Ponte, ou a Lusa, ou o Guarani. E como há rivalidade, caem treinadores, geram-se vilões e o início do Brasileiro vira um inferno. Não tenho nada contra ninguém , porém tudo a favor da competência. Se o time menor não tiver nível, que acabe. Se for médio, que dispute as divisões intermediárias e assim por diante. Estaduais são atraso de vida, atraso do nosso futebol, que melhorou bastante na sua estrutura nos últimos tempos, apesar da CBF. Fica somente esse ranço de algo, que já contou sua história. Os títulos, que estão sendo comemorados agora, em todo Brasil, pouco servirão quando as competições importantes, realmente, começarem. É só esperar e conferir. Vai sobrar vergonha e rebaixamento para muitos, que hoje acham que tem equipes de alto nível.
Foi vergonhoso, além de patético o final da vida do São Paulo na Copa do Brasil. Primeiro dentro de campo, onde jogou por dez ou quinze minutos e depois desapareceu, assistindo passivamente o Avaí, time limitado, comandar o jogo e conseguir a classificação. E no final, os jogadores falando mal do comandante, deixando claro que gostariam que ele saisse. E isso aconteceu até com o sempre sereno Rivaldo, que chegou com um discurso humilde de colaboração e terminou cornetando explicitamente seu treinador, além de companheiros de equipe. No meio desse itinerário o fraquíssimo Marlos reclamou, também abertamente, por ter entrado e saído durante o segundo tempo. As coisas estão bem feias no Morumbi. O time é limitado, contando apenas com Lucas e Rogério Ceni, como craques efetivos. O São Paulo tem piorado bastante. Até presidente perene inventou, coisa que nunca teve. Perdeu o apoio total da Fifa. Preferiram tirar da cidade a inexpressiva Copa das Confederações, do que colocá-la no Morumbi. Enfim, momento ruim e sem muito jeito de solução a curto prazo.
Jogo igual esse primeiro em São Paulo.Muita gente entende que agora a vantagem será do Santos por jogar em casa. Não penso assim. O contra ataque costuma ser a arma predileta de quase todos os times brasileiros e ele será do Corinthians. E o Santos fará uma viagem terrível, longa, enfrentando uma equipe chata e por um torneio maior. Chegará muito cansado. Enquanto isso o Corinthians estará só treinando. O Ganso não deverá jogar. Então, para mim, não mudou nada. O jogo de lá também poderá ser amarrado e aí, ou uma individualidade resolve, ou vai para os penaltis. O que precisa ser relembrado é a inutilidade daquela enorme primeira fase do Campeonato Paulista. Agora, quando começa a valer, bate com as datas de mata-mata na Libertadores. O Santos está pagando pela competencia. E como ninguém tem coragem de largar o Paulista, fica essa agonia física da molecada da Vila. Não dá para entender isso. Só a Federação Paulista ganha. Será que ela merece esse respeito?
ET: Parabéns ao Flamengo, time que eu mais respeito no Rio. De novo eles não terão os dois jogos finais, como no ano passado.





