Não precisa de centroavante

AFP

AFP


Mano Menezes vai acertando o time sem um centroavante especialista. Pode ser chocante para alguns mas, nos dias de hoje, dá para jogar, e bem,  sem centroavante. O Brasil tem jogadores com talento e inteligência para entrar no espaço vago, deixando de ter  um atacante de área, trocando por  quatro, cinco, até seis homens chegando, sem referência de marcação para a zaga adversária. Não é fácil, demanda treinamentos. Eles terão que participar da marcação, de preferência da saída de bola da outra equipe, porque a recuperação próxima à área inimiga facilita a finalização rápida. Mas que dá, dá. Aliás, o Brasil cresceu muito depois que esse esquema foi adotado. Cabem mais jogadores de habilidade, de bom tratamento à bola. O grande centroavante Vavá dizia que “centroavante vive de resto”. Nessa forma de jogar, ninguém pode viver de resto. Todos terão que participar e muito o tempo todo. Os volantes mais hábeis, no caso Paulinho e Ramires, precisam de zagueiros mais fixos, daí ter que improvisar um zagueiro, por falta de laterais e excesso de alas, que não são mais usados no mundo evoluído taticamente do futebol. Claro que será  necessário um homem de área no elenco. Quem sabe dois. Só não, necessariamente, dentro do campo. Os tempos mudaram. Considerando-se que o futebol começou com sete atacantes e três defensores, e hoje se pode ganhar títulos importantes com, apenas, homens habilidosos de meio-campo, vivemos quase outro esporte, comparando-se  com aquele dos primórdios. Também por essa razão é tão encantador.

Shakhtar bom de ver

AFP

AFP

O futebol é delicioso porque, às vezes,  aparecem surpresas de onde menos se espera. Agora é a vez desse Shakhtar da Ucrânia. No momento que escrev,o ele perdeu o primeiro jogo na temporada. Mas foi bem agradável assistir uma equipe modesta enquadrar o campeão da Europa, o Chelsea, dentro da Inglaterra. O 3 a 2 nem de longe mostrou o que foi o jogo. Atuando com plena definição tática, o rápido time de Mircea Lucescu impôs seu ritmo, teve mais posse de bola e criou mais chances. Porém, como quase toda esquadra que joga bonito, sei lá porque, o Shakhtar também tem um goleiro fraco. Ele deu dois gols ao Chelsea, que com mais individualidades, “achou” a vitória no minuto final. Mas isso não diminui a beleza do futebol do time ucraniano. Aliás, bem pouco ucraniano. Tem apenas três na equipe titular e 13 no elenco. Brasileiros são nove  e, no mínimo, quatro titulares. Fernandinho é o melhor de todos. Dá o ritmo no meio-campo ajeitando a vida de Willian, aquele mesmo ex-Corinthians, o mais talentoso do grupo. Luiz Adriano, o centroavante, é esforçado e Alex Teixeira, ex-Vasco, mostra que vai evoluir. Lá jogam também Ilsinho, Dentinho, reservíssimo, é verdade, o “croata” Eduardo Silva, Douglas Costa e o menino Bruno, que começou no Grêmio. O esquema tem quatro zagueiros, um volante fixo e aí três ou quatro meias, um ou dois atacantes, podendo ter ainda dois volantes, três meias e um atacante. Mas a variação é natural. A equipe joga rápido de forma intensa com pouca retenção de bola. Mkhitaryan, titularíssimo, pode ser chamado de facilitador de tudo. É um fora de série, mesmo tendo nascido na Armênia, onde o futebol não tem referências anteriores. Não sei até onde  irá no Shakhtar na Champions, o maior campeonato do mundo. Espero que longe. Ver a Champions é sempre muito agradável. Quando surge uma equipe assim, melhor ainda.

Cuidado com o sucesso

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Quando a querida Ponte Preta atingiu os 43 pontos respirei aliviado. Missão, totalmente cumprida em 2012. Com orçamento limitado e patrocinadores menores, é natural que o elenco seja enxuto. E sendo assim, há que se ter uma visão exata de onde o time pode chegar. Disputar dois torneios com o mesmo ímpeto, nesses casos, pode custar caro. Uma das razões do sufoco do Palmeiras, na luta desesperada para não cair, passa pela conquista da Copa do Brasil. Lógico que foi importante e levou a equipe à importantíssima Libertadores do ano que vem. Mas o preço está pesado. O Palmeiras tem um bom time, porém, um elenco bem limitado. As reposições em casos de contusões, suspensões e convocações, que são naturais durante o ano, desequilibram qualquer sistema tático. Em 2010, o Santos, com bom elenco, então, ganhou a Copa do Brasil. O vice, Vitória,  foi rebaixado na sequência. O mesmo drama para os  semifinalistas, Ceará e Avaí. E o Goiás, depois da Libertadores? O próprio Coritiba, já não tão forte em 2012, sofreu para fugir do rebaixamento depois de ser, novamente, finalista da Copa do Brasil, ao lado do Palmeiras, em 2012. Então, é bom tomar cuidado com o sucesso. Quando  você tem um elenco grande, muito dinheiro em caixa, dá para atacar em várias frentes, numa boa. Os clubes mais humildes precisam ter mais cuidado. A Ponte pode disputar a Sul-americana como parece estar virando sonho de consumo por lá e até andar um pouquinho, com fez na Copa do Brasil nesse ano. Depois é bom sossegar. O que interessa é ficar na Primeira Divisão o máximo de tempo possível. O resto é supérfluo. Avante, Macaca e todos os seus iguais. Sei que o Palmeiras está em outro patamar. Hoje, no entanto, lá também o dinheiro anda curto e o prestígio e a organização da mesma forma. Talvez tenha faltado, na hora do embalo rumo ao título nacional, alguém ter pensado nisso.