Arquivos do mês: novembro 2012
Mano Menezes vai acertando o time sem um centroavante especialista. Pode ser chocante para alguns mas, nos dias de hoje, dá para jogar, e bem, sem centroavante. O Brasil tem jogadores com talento e inteligência para entrar no espaço vago, deixando de ter um atacante de área, trocando por quatro, cinco, até seis homens chegando, sem referência de marcação para a zaga adversária. Não é fácil, demanda treinamentos. Eles terão que participar da marcação, de preferência da saída de bola da outra equipe, porque a recuperação próxima à área inimiga facilita a finalização rápida. Mas que dá, dá. Aliás, o Brasil cresceu muito depois que esse esquema foi adotado. Cabem mais jogadores de habilidade, de bom tratamento à bola. O grande centroavante Vavá dizia que “centroavante vive de resto”. Nessa forma de jogar, ninguém pode viver de resto. Todos terão que participar e muito o tempo todo. Os volantes mais hábeis, no caso Paulinho e Ramires, precisam de zagueiros mais fixos, daí ter que improvisar um zagueiro, por falta de laterais e excesso de alas, que não são mais usados no mundo evoluído taticamente do futebol. Claro que será necessário um homem de área no elenco. Quem sabe dois. Só não, necessariamente, dentro do campo. Os tempos mudaram. Considerando-se que o futebol começou com sete atacantes e três defensores, e hoje se pode ganhar títulos importantes com, apenas, homens habilidosos de meio-campo, vivemos quase outro esporte, comparando-se com aquele dos primórdios. Também por essa razão é tão encantador.
Quando a querida Ponte Preta atingiu os 43 pontos respirei aliviado. Missão, totalmente cumprida em 2012. Com orçamento limitado e patrocinadores menores, é natural que o elenco seja enxuto. E sendo assim, há que se ter uma visão exata de onde o time pode chegar. Disputar dois torneios com o mesmo ímpeto, nesses casos, pode custar caro. Uma das razões do sufoco do Palmeiras, na luta desesperada para não cair, passa pela conquista da Copa do Brasil. Lógico que foi importante e levou a equipe à importantíssima Libertadores do ano que vem. Mas o preço está pesado. O Palmeiras tem um bom time, porém, um elenco bem limitado. As reposições em casos de contusões, suspensões e convocações, que são naturais durante o ano, desequilibram qualquer sistema tático. Em 2010, o Santos, com bom elenco, então, ganhou a Copa do Brasil. O vice, Vitória, foi rebaixado na sequência. O mesmo drama para os semifinalistas, Ceará e Avaí. E o Goiás, depois da Libertadores? O próprio Coritiba, já não tão forte em 2012, sofreu para fugir do rebaixamento depois de ser, novamente, finalista da Copa do Brasil, ao lado do Palmeiras, em 2012. Então, é bom tomar cuidado com o sucesso. Quando você tem um elenco grande, muito dinheiro em caixa, dá para atacar em várias frentes, numa boa. Os clubes mais humildes precisam ter mais cuidado. A Ponte pode disputar a Sul-americana como parece estar virando sonho de consumo por lá e até andar um pouquinho, com fez na Copa do Brasil nesse ano. Depois é bom sossegar. O que interessa é ficar na Primeira Divisão o máximo de tempo possível. O resto é supérfluo. Avante, Macaca e todos os seus iguais. Sei que o Palmeiras está em outro patamar. Hoje, no entanto, lá também o dinheiro anda curto e o prestígio e a organização da mesma forma. Talvez tenha faltado, na hora do embalo rumo ao título nacional, alguém ter pensado nisso.


