Sonhar é o melhor da vida. Boa parte dos brasileiros sonha com o futebol pelo prazer, pelo amor, mas principalmente para tirar a família das privações. Adilson era apenas mais um desses sonhadores. Nunca foi um grande jogador, porém aprendeu uma arte, misto de sorte e gana, que é fazer gols. Grandão, veloz, chamou a atenção nos times do interior, primeiro no Noroeste e depois no XV de Piracicaba. Quando ficou sabendo do interesse do Corinthians, deve ter perdido o folego. Equivale a um pico de carreira, que pouquíssimo conseguem e os felizardos, normalmente, mudam seus patamares de vida para sempre. Há seis meses Adilson chegou cheio de sonhos no Corinthians. Deu até coletiva e chegou a atuar em algumas partidas. Os familiares estavam em extase. Até parentes e amigos distantes faziam questão de dizer que, um dia, conviveram com aquele rapaz. A conta bancária, ufa, deu uma trégua e os sonhos começavam a virar realidade. Mas, não ficou assim. A passagem meteórica pelo Corinthians faz com que muitos nem lembrem dele. No Ceará também não conseguiu se firmar. Afinal o que estava acontecendo? E aí veio a notícia cruel. O coração de Adilson tem um problema. A princípio ele está afastado por alguns meses. Talvez volte, talvez não. Os projetos foram arquivados, os amigos voltaram a ser raros e ninguém aponta para ele quando passa pela rua. Não deu tempo de fazer o pé de meia e a conta bancária, logo, logo, não será mais gentil. Adilson é jovem tem todo tempo do mundo pela frente. No entanto, para fazer o que ? Ele foi preparado para jogar futebol, chegou ao Corinthians, quase foi campeão do mundo, deu entrevistas, apareceu nas televisões. Como começar tudo outra vez? O diagnóstico definitivo virá em alguns meses. Meses de insonia, de medo, de reclusão. As vezes a vida judia. Tudo poderia ter sido mais simples. Bastava não ter dom para bola, não passar nos testes e não fazer gols pelo interior afora. Ele não teria pisado o Pacaembú e não teria sentido o encantamento da camisa corintiana. Agora é tarde. Ele já viveu tudo isso. Como ser outra vez uma pessoa comum ? Como fingir que tudo não foi um conto de fadas? Como ser um pacato cidadão do interior, depois de ter vivido tantas emoções na cidade grande?
janeiro 14, 2013 – 5:22 pm
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Apresentador do programa Mesa Redonda.
Comentarista do programa Gazeta Esportiva e da Rádio Jovem Pan.
Profissional desde 1974, tendo iniciado a carreira jornalística na TV Gazeta, com passagens pelas TVs Record, Bandeirantes e Cultura.
Está de volta à TV Gazeta desde 2003.
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