Medo, incompetência ou os dois ?

AFP

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Estou lendo El Efecto Simeone, livro escrito, na primeira pessoa pelo, hoje, badalado treinador argentino do Atlético de Madrid. Num determinado ponto ele fala da queda do nível do jogo na Argentina. E eu estico para a América do Sul. Vendo a Libertadores não conseguimos sentir prazer nas partidas. São batalhas de força com técnica exígua, chutões e tentativas de burla às arbitragens. Na Europa há um contra ponto de beleza técnica e tática. Mas, muitos dos astros, que estão lá, não são sulamericanos ?. Então como se explica isso ? Para Simeone passa muito pela forma de se torcer de cada continente. Enquanto aqui os estádios são dominados por bandidos uniformizados, em boa parte da Europa eles foram chutados para longe e proibidos de entrar em campos de futebol. Não recebem nada dos clubes, que pelo contrário, dão todo privilégio aos torcedores comuns, ou sejam as famílias. Isso traz mais leveza aos espetáculos. Simeone conta sobre as pressões, violências e ataques a que jogadores são submetidos na Argentina, e eu repasso para o Brasil, pelos vândalos, que têm carta branca nas principais equipes da América do Sul. Com receio de errar, os jogadores arriscam pouco, fazem o mais simples, o óbvio. Sem ousadia não há futebol bem jogado. Claro que o raciocínio é lógico, até pela experiência dele como jogador e treinador. No caso do Brasil acrescento também a preguiça e a incompetência na formação de jogadores. Os cartolas fizeram obras bonitas, em CTs,  mas não credenciaram os profissionais para o objetivo principal, que é revelar bons atletas. É tudo de qualquer jeito. Grandões, que possam entrar em negociatas, valem ouro. E fica nisso. Se assistimos os jogos europeus aplaudindo de pé a muitos sulamericanos, como podem os campeonatos daqui serem tão medíocres ? Será por medo, por incompetência, ou pelos dois ?

A escolha

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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Depois da produtividade, que alguns não apoiam, mas eu acho legal, o Palmeiras inova outra vez, agora na escolha do novo treinador. Os nomes estão escolhidos e são três. Wanderley Luxemburgo, Ney Franco e Dorival Junior. Qualquer um deles é visto com respeito e competência para dirigir o antigo time de Gilson Kleina. Aí vem o diferencial. Os três serão, ou já foram, procurados, para apresentar seus projetos e ideias sobre, o que pode ser feito com o atual Palmeiras.

Todos conhecem o elenco e sabem que ele terá alguns reforços, mas que,  por certo, não serão peças caras, simplesmente porque não há dinheiro para isso. E nesse item  entra também outro fator decisivo. Quanto o treinador contactado pretende ganhar ? A somatória das ideias apresentadas e o custo delas indicará o nome do novo técnico palmeirense.

Assim são escolhidos os mais importantes executivos das grandes empresas. Um projeto, o custo do projeto, com uma “concorrência” aberta, porém não livremente. No caso do Palmeiras, os nomes admitidos na tal “concorrência” foram, previamente,  escolhidos pelos dirigentes.

Gosto da novidade. Dá mais responsabilidade a todas as partes. É um trabalho profissional, sério, que implicará em exposição maravilhosa ao escolhido, mas também enormes cobranças. O executivo/treinador precisará de muito respaldo da direção. Nesse sistema, eles terão uma certa “cumplicidade” de pensamentos, o que poderá ajudar, lá na frente, se vierem crises.

Num momento tão difícil no futebol apoio a criatividade. E o Palmeiras está fazendo isso. O esquema de produtividade funcionou. O time não está pior que os demais , e muito mais caros, concorrentes, pelo menos no nosso estado. E esse jeito de escolha, que já foi usado até pela seleção do México, que sabatinou treinadores em 2001, sendo um deles Luiz Felipe Scolari, preterido por Della Volpe, gera conjunção de objetivos. Coisa de empresas de grande porte. Vejo como uma evolução no nosso combalido futebol.

As quedas dos gênios

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Futebol é um esporte terrível. É o único onde nem sempre vence o melhor. É o único onde nem é preciso conhecer as regras, para se  jogar em alto nível. É o único onde o acaso pode resolver e deixar marcas eternas. Procuro estudar muito futebol. É o meu trabalho. Valem cursos, leituras e pesquisas. E nestes últimos anos li muito sobre José Mourinho e Pep Guardiola. Agora mesmo estou lendo Paradigma Guardiola e já li, algumas vezes, o,  Mourinho, porque tantas vitórias ? Não tenho dúvida que são dois dos maiores técnicos da histórias do futebol. Guardiola é o que traz mais DNA do maior de todos, o histórico Rinus Mitchels, da Laranja Mecânica de 1974. Pegou de Cruyff, de Van Gaal e Rijkaard as sementes, que implementou no mágico Barcelona dos últimos anos. Mourinho é um revolucionário. Seus métodos de treinamentos, únicos, revertem todas, ou quase todas, as ideias anteriores. Para mim, haverá um modelo de treinamento antes e depois de Mourinho. E sonhava ver um contra o outro na final da Champions League. Deu tudo ao contrário. Primeiro Guardiola e depois Mourinho, levaram banhos de bola de Carlo Ancellotti  e de Diego Simeone. Menores do que eles, pelo menos por enquanto, porém, que viveram momentos mágicos e classificaram-se sem discussão. É o encanto do mundo da bola. O momento pode ser algo definitivo. Talvez uma semana antes, ou depois e a história seria completamente outra. Até por essa razão, não dá para julgar o pontual. Tem que se analisar o conjunto da obra. Não é simples, mas me fascina. Continuarei lendo e aprendendo com Guardiola e Mourinho. Porém não perderei a final da Champions por nada. E nem vou me arriscar a dizer qual será o ganhador.

Luciano do Valle

Divulgação

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Trabalhei com Luciano do Valle em duas oportunidades. Primeiro na Tv Record, por volta de 1984 e depois como funcionário dele na Tv Bandeirantes. Sempre me tratou muito bem. No começo achou que eu poderia acompanhá-lo nas jornadas históricas de vôlei. Sai da parada. Tinha gente muito melhor para a função, no caso, Ely Coimbra. Depois fui para a equipe do Show do Esporte e ,de repórter, passei a comentar jogos para a Rede e depois do Campeonato Italiano. Foi um divisor de águas na minha carreira profissional.

Quando sai para a Jovem Pan tinha outra cabeça e outras pretensões. Depois da Copa de 1990, onde trabalhamos juntos, cada um foi para o seu lado, porém nossos encontros eram sempre festivos. Fica, da minha parte, um enorme respeito. Mesmo quando ele criticou uma postura minha, num evento em Recife, jamais respondi. Isso chama-se respeito. Ele ajudou muita gente no meio. Deu muitos empregos, criou bastante. O esporte no Céu ficará mais inventivo.

 

 

Coutinhos

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O Santos de dos anos 60 foi o melhor times de todos os tempos, pelo menos na minha opinião. Mesmo que alguém tenha visto algo melhor, em algum lugar do planeta, não conseguirá deixar de reconhecer aquela “magnífica escola de bola” com uma das principais da história da bola. Pelé viveu seu auge por lá. Grandes craques desfilaram ao lado dele, mas um, em especial, conseguia acompanhá-lo e fazer com ele as famosas “tabelinhas”. Estou falando do fabuloso Antonio Wilson Honório, ou simplesmente, Coutinho. Esse gênio da bola seria titular em qualquer seleção do mundo na Copa de 1962 no Chile. Menos em uma.

Acervo/Gazeta Press

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Na do Brasil. Ele foi reserva de Vavá em todos os jogos. Coutinho era muito mais jogador que Vavá, mas Vavá era campeão do mundo de 1958. E, naquele tempo,” time que ganhava, não se mexia”. Passam-se os anos e estamos às vésperas da Copa de 2014. Na Europa um jovem, Philippe Coutinho, ou só Coutinho como eles dizem lá, é um dos condutores do Liverpool rumo a um título, que o clube não tem há 24 anos. Não se pode pensar em comparar o Coutinho de hoje com o Coutinho do passado. Primeiro que são posições bem diferentes. Segundo que o primeiro era genial e o de hoje apenas bom jogador, que deverá evoluir, mas nunca chegar´ao nível do Antonio Wilson Honório. No entanto, chama a atenção a repetição da história. Philippe Coutinho jogaria em qualquer seleção do Mundial de 2014. Ou pelo menos estaria entre os 23. E, provavelmente, não será chamado por Felipão. Ele deu azar. Quando sua convocação seria certa, num dos amistosos do Brasil, veio uma incomoda contusão, que complicou até mesmo o Liverpool. Abriu-se espaço para William, que aproveitou, muito bem, a chance. E aí, quando ele voltou a jogar em grande nível, o espaço estava preenchido. Philippe Coutinho só será chamado, dentro da normalidade, em caso de algum problema sério com os meias brasileiros, que estão jogando muito bola nos clubes e na equipe nacional. Outro Coutinho, que poderia ter melhores oportunidades. Um foi e não jogou. O outro provavelmente não irá. O Philippe Coutinho é novinho e ainda poderá ter outras chances. O outro, na Copa seguinte em 1966, já estava em final de carreira, vitimado por muitas dores no joelho. Que o Coutinho de hoje seja mais feliz. Deve ser muito frustrante ter tanto potencial e tão pouca condição de mostra-lo, no maior espetáculo da Terra.

A moça dos milhões

Ela era apenas mais uma pessoa circulando entre tantas, naquela tarde de domingo, de começo de dezembro, no Aeroporto do Galeão. Andava de um lado para o outro, fazia ligações e demonstrava tédio com o que ouvia. Uma televisão ligada a atraiu. Perguntou a um dos que assistiam, indiferente, que jogo era aquele e mostrou decepção com a resposta. Voltou a ligar. Passava das 16 horas e ela agora estava no balcão de embarque, perguntando com que antecedência poderia fazer o check in. O voo para Montevidéu sairia pouco depois da 18 hs. Ela deu mais uma volta, ajeitou os óculos escuros, retocou discretamente a maquiagem, como convém a uma executiva de ponta, fazendo, mesmo que no domingo, um trabalho estratégico. O investimento em marketing de 2014 da sua importante empresa, parecia depender daquela viagem. Voltou a olhar para o telefone. Ligou para alguém demonstrando tensão, especialmente quando falava em números. “20 milhões”, confirmava  ela. E com a resposta positiva, mesmo meneando a cabeça seguia esperando a ordem de embarque. Passava das 5 da tarde. Ela pedia paciência ao pessoal da empresa aérea que sorria, lembrando que o voo estava quase vazio. Aí o telefone tocou. O rosto da moça ficou vermelho. Ela estava claramente nervosa. Anotou um nome. Depois mais um. Não parava de escrever. Foram mais de dez anotações com as devidas confirmações. Checou tudo outra vez, guardou na bolsa, que ficou presa embaixo do braço, como se quisesse esconder, lá dentro, o segredo de vida ou morte que levava consigo. Foi ao balcão de embarque. Passagem executiva, mesmo que para uma viagem tão curta. No momento que ela entrou no avião e sentou-se  aliviada, as pessoas, que viam aquele jogo na tevê do saguão, faziam comentários em altos brados. Acabara o Campeonato Brasileiro. Eles, como botafoguenses, sorriam pela volta à Libertadores. Nas redações dos jornais as teclas batiam fortes criticando vexames de outras equipes cariocas. A executiva era servida de champanhe. O comandante pedia que se desligassem todos os aparelhos eletrônicos. Ela ainda teve tempo de rechecar a missão, enquanto ouvia a informação de que o tempo de voo até Montevidéu seria de duas horas e cinco minutos. Lá embaixo saiam os primeiros jornais esportivos. Lá no alto a moça sorria maliciosamente, enquanto ordenava melhor os nomes, que anotara as pressas.

OBS: Essa é uma história de ficção. Acabei de fazer um curso para escrever romances e com a devida licença dos leitores, estou usando esse espaço para ver se aprendi algo.

O sonho

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Tive um sonho bem estranho dias desses. Incrível como a gente sonha com coisas do trabalho. Meu sonho era sobre futebol. Mais especificamente uma semana decisiva. Envolvia dois times. Um pobre, enrolado, mas sem problemas naquela competição. Outro grandão, campeão, só que a beira do abismo. O pobretão já fizera a sua parte. Não iria cair. O outro estava vendo que as coisas desabariam. O que fazer ? Como num filme de espionagem e máfia, as conversas começaram de todos os lados. Um plano incrível foi concebido, com autorização até dos superiores, para que o grandão ficasse onde estava. Mas alguém tinha que sair. Um gênio do mal pensou numa situação maluca. O time enrolado teria que perder mais pontos do que a regra admite num jogo, para salvar o outro. Coisa de doido, só em sonho mesmo.

É mas em sonho e filme tudo vale. O poderoso chefão apareceu no meu sonho, naquela noite intranquila e disse que faria a parte dele se lhe dessem chances. Insinuou até, que se pode perder mais que 3 pontos numa partida de futebol, em determinados e específicos casos. E ensinou a possibilidade. Que dava, dava, mas precisava de muita grana e muita gente para fechar o esquemão. Aí veio um problema extra. Na verdade o grandalhão, no momento, vivia só de aparências. Estava duro, sem dinheiro, como todos os seus demais companheiros dos anos áureos. Restavam apenas as fortes  influências. Amigos ricos não faltavam e um deles gritou : “dinheiro não é problema. Até porque se você ficar bem, eu também fico”.

Conversaram com o time pobretão.  Sentiram que o pessoal de  lá topava qualquer negócio. Só exigiam sigilo. E o plano mirabolante foi colocado em prática. Deu tudo certo. O pobre voltou para baixo e o time das boas amizades safou-se. O que eles não esperavam é que a polícia entraria no meio. Mas, ela veio com tudo. Vasculhou e achou grandes buracos no “crime perfeito”, que passava até por remessas de dinheiro do exterior e para o exterior. E a polícia foi chegando, chegando, chegando. E aí eu acordei. Antes que vocês me perguntem se os criminosos foram punidos, eu lamento não poder responder. Acordei na hora errada. Tentei dormir e voltar ao ponto que estava e não consegui. Nunca saberei o fim dessa história. Fosse num filme e daria para ver de novo. Sonho não. Sonho é sonho e acordei na hora errada. Saco. Tem horas que o despertador não deveria funcionar.

ATENÇÃO: Esse é só um sonho. Qualquer semelhança é mera coincidência, tá ?

A falácia das eleições e Copa

dilma_300x250_dvToda hora ouço que o Brasil vai ganhar, ou vai perder o Mundial de 2014, por causa das eleições presidenciais de outubro. Nada é mais mentiroso. Eleição é uma coisa e Copa do Mundo outra, completamente diferente.

Primeiro que o povo brasileiro não tem esse discernimento todo para ligar as duas situações. Segundo, que, o que deveria contar é se o dinheiro gasto com o evento, terá retorno para a população. A vitória ou derrota do time de Felipão não mudará em nada o resultado de outubro no grande jogo do ano para nós, pelo menos os não alienados. Mas, mistura-se tudo no Brasil.

Vejo um cara pedindo esmolas e alguém diz, “e aqui vai ter Copa”. O transito está congestionado e não falta o “quero ver na Copa”. Para alguns tudo tem ligação com o Mundial. Só que ele vai durar só um mês e a vida seguirá. Então nosso problema social, nossa incompetência administrativa, para o transito ou coisas do tipo, devem ser vistas de um outro patamar.

A Copa é passageira e o que ela poderia deixar, que seriam os legados, não virão mesmo. Ao contrário ficarão elefantes brancos, por todo país, com o Brasil ganhando ou perdendo. Mas voltando ao mote inicial. Não sei de onde veio a ideia de ligar-se o jogo com a eleição. Vamos dar uma olhadinha se as coisas se unem mesmo ?

1994 – eleito Fernando Henrique, Brasil campeão. Foi a Copa ou o Plano Real, que melhorou a vida das pessoas ?
1998 – reeleito Fernando Henrique, Brasil perdeu a Copa.
2002- oposição ganha a eleição com Lula. Brasil campeão no Japão.
2006- Lula reeleito facilmente. Brasil dá vexame na Copa da Alemanha.
2010- Lula elege Dilma, até então desconhecida da população. Brasil perde a Copa na África do Sul.

Ou seja, o Brasil tem grande chance de ser hexacampeão. E Dilma é favorita a reeleição. Porém, não adianta ligar as duas  situações. Se o Brasil erguer a Taça a Dilma não deve comemorar sua vitória em outubro. Até pelo contrário. Pelo que vimos até hoje, ela que se cuide. O hexa poderia até  jogar pela oposição, se é que podemos dizer que há oposição no Brasil.  Em síntese, temos dois favoritos para as “Copas” de 2014. Mas uma não tem qualquer ligação com a outra.

Bonzinhos e mauzinhos

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Muita gente deve ter ficado comovida com a cena. Os presidentes e técnicos de Corinthians e Palmeiras abraçados em nome da paz nos estádios. Mais do que isso. Falas firmes, prometendo que a violência é um mal, que os clubes não aceitam. Claro que por trás, especialmente o Corinthians, vai continuar subsidiando as torcidas bandidas, mas tema é outro.

Enquanto se fazia jogo de cena em São Paulo, do outro lado do oceano, os técnicos José Mourinho, Arsene Wenger e Manuel Pellegrini não paravam de se xingar. Mourinho disse que seu time não era favorito ao título inglês. Wenger falou que era medo de perder. Mourinho respondeu que de derrota Wenger entende como poucos. Pellegrini, logo depois, resmungou porque Mourinho apontou o Liverpool como favorito e não o seu Manchester City, lider da competição. E Mourinho fechou retrucando que não respondia a freguês, já que Pellegrini perdeu 9 dos 10 jogos que tinham disputado até então.

O chileno garantiu que não daria mais a mão ao português, ao contrário de Kleina e Mano, que se abraçavam, efusivamente, em público. Na hora do jogo entre City e Chelsea, pela Copa da Inglaterra, o freguês, Pellegrini, ganhou e até houve um cumprimento básico. O estádio estava lotado, o jogo foi lindo e não houve qualquer evento violento em campo ou na região.Foi uma semana de manchetes, provocações e confusões na mídia inglesa, que terminaram  nas palavras.

Nenhum torcedor, de nenhum lado, fez qualquer coisa na partida, além de torcer pela sua equipe. Em tese, pelas atitudes do Brasil e da Inglaterra, os bons gestos dos brasileiros deveriam significar segurança, tranquilidade e até conforto para famílias e adeptos do futebol. E na Europa uma violência desmedida. E é tudo ao contrário. A diferença é que o Brasil brinca de faz de conta. Dá respaldo pleno aos vândalos e faz cara de bonzinho. Os ingleses amassaram os holligans e dão discursos firmes, provocativos, ótimos para o futebol.

Na Inglaterra o bandido é tratado como bandido. No Brasil ele vai ao campo de jogo com escolta policial, daquelas só reservadas à pessoas realmente importantes. Lá se joga Premier League e aqui o Paulistinha. Lá os insetos são combatidos e aqui dialogam com os pernilongos, pedindo a eles, que parem de sugar o sangue do futebol. A coisa mais legal da bola são as gozações e os desafios. E a pior, em todos os sentidos, a violência. Na Inglaterra eles amam as trocas de farpas nas entrevistas. Aqui as coletivas são, sempre, politicamente corretas. De fato as posturas são bem antagônicas, dentro e fora dos campos.

País infeliz

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Recebi com tristeza a notícia da saída de Paulo André do futebol brasileiro. Desde a Democracia Corintiana do Sócrates eu não vibrava tanto com um movimento de atletas no Brasil. Conheci o Paulo André através das entrevistas com postura diferente e um nível intelectual acima do comum nos nossos dias. Quando surgiu o Bom Senso F.C. fiquei esperançoso de que, finalmente, a boleirada descobriria o tamanho da força e importância que têm.

Mas, as declarações ignorantes dos que seriam os maiores beneficiários, ou sejam, os jogadores de times pequenos, assustou-me um pouco. Entre companheiros de imprensa, da mesma forma, vi pessoas contrárias à evolução. CBFs e Federações, por incrível que pareça, agradam ou por falta de conhecimento ou por conformismo.

Paulo André e outros passaram a lutar não só por suas ideias, como contra aqueles que pretendiam favorecer. Quando os bandidos invadiram o CT do Corinthians, Paulo André era um dos mais visados. As placas de seu carro foram colocadas nas redes sociais e o medo de uma emboscada sobressaiu, afinal todos somos humanos e não dá  para confiar na Segurança Pública ou do clube, coniventes,  faz tempo, com esses criminosos, que espantam famílias dos estádios. E aí surgiu a China.

Seria um bom negócio para um profissional de 31 anos em qualquer situação. Mais ainda num quadro como esse. E o líder do Bom Senso F.C. e do Corinthians foi embora. País infeliz o nosso. As coisas boas e as boas perspectivas duram pouco. Os incompetentes e corruptos se renovam facilmente. É assim que é. O futebol não poderia ser diferente do resto da nação. Embora, por algum tempo, eu tenha sonhado com isso.