A despedida do rei de Portugal

JOSE MANUEL RIBEIRO / AFP

JOSE MANUEL RIBEIRO / AFP

Desde que veio a notícia da morte de Eusébio, Portugal não parou de chorar. O susto, as lamúrias e depois as homenagens. A segunda-feira de Lisboa foi fria e chuvosa. Mas isso não intimidou ninguém . Durante toda noite e madrugada, mais de 20 mil pessoas ficaram em filas de até três horas para ter alguns segundos do reverência diante do seu rei morto.

Por volta de meio-dia, caixão fechado, chegou a hora do ritual pré-elaborado. Com o Estádio da Luz com público de dia de jogo, o carro fúnebre deu a volta dentro de todo gramado debaixo de aplausos, gritos de viva o rei e acenos com lenços brancos. Cumpria-se o último desejo do grande campeão. Mas as homenagens só começavam.

Do lado de fora, torcedores de todos os clubes aplaudiam o cortejo, que circulou pelas principais ruas de Lisboa . A todo instante, pessoas invadiam a pista para tocar no veículo, que transportava o corpo. Aplausos eram ouvidos também nas ruas e nos prédios. Quase duas horas depois, a igreja, onde seria rezada a missa de corpo presente, teve que ser isolada para que o povo não invadisse o local. Presidente da República e Primeiro Ministro, presentes, perceberam que eram secundários naquele momento. As velhas estrelas do Benfica chegaram, seguidas pelo ônibus da delegação, dando a impressão de dia de final de campeonato. Era mais do que isso.

A estatua feita para Eusébio em frente ao estádio, a partir daquele momento, virara um santuário com flores, cachecóis, faixas e fotos. No final da missa mais aplausos dentro da igreja e histeria do lado se fora. Torcedores aguardavam na saída e mesmo com chuva muito forte seguiram correndo atrás do cortejo, criando “Eusébio és rei”. Foi difícil a manobra para a entrada no Cemitério do Lumiar. A cerimônia final na quadra 18, campa 439, ficou reservada aos parentes. Nas ruas, o clima de velório não diminuiu. Curiosamente, Eusébio morava num condomínio ao lado do cemitério. A família caminhou pouco para voltar para casa. Eusébio morreu ali na madrugada de sábado para domingo. Saiu rei morto, rodou por toda cidade e retornou a ponto de partida como mito.

As lições de dois vencedores

AFP

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O fado soa triste em Portugal. A linda terra dos grandes reis perdeu o seu maior, dos tempos modernos. Eusébio é um mito em todo país. Um negro, moçambicano, chamado de rei. Não é pouco num lugar de muitos preconceitos contra os que vem d’África. No mesmo dia o Brasil ficou sem  uma de suas grandes vozes. Cansei de rodar pela América Latina ouvindo canções e idolatria a ele. Morreu Nelson Ned. Um cara especialíssimo. Conquistar o que ele conquistou sendo anão é digno de respeito extremo. Até na morte, mais do que lamúrias ouviram-se piadinhas.  O ser humano é estranho. O cego é respeitado, o mudo é ajudado, mas o surdo vira motivo de chacota. O anão, da mesma forma, fica discriminado. Ou cria um gueto e se vira com trabalhos específicos, ou não entra no mercado de trabalho. Nelson Ned entrou e com uma qualidade espantosa. Venceu tudo. As dificuldades normais para fazer sucesso e as gozações e preconceitos. Minha reverência ao rei negro de Portugal e ao pequenino brasileiro. Deus lhes deu dimensões especiais. Um com gols e outro cantando usaram bem suas passagens pela Terra. E deixaram exemplos. A grandeza não está nem na cor e nem no tamanho e sim no caráter e na força de vontade. Subiram juntos com suas missões bem cumpridas.

Otimismo para 2014

Gazeta Press

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Péssimismo é um mal terrível. As pessoas inteligentes aproveitam as más fases para crescerem. O ano de 2013 foi terrível para o futebol no Brasil. Verdade que a seleção ressurgiu deixando esperanças para a Copa do ano que vem. O torcedor do Cruzeiro também não tem motivos para reclamações . Mas e o resto?

Até o Atlético Mineiro que finalmente venceu uma Libertadores e jogando um bolão, terminou a temporada de forma patética dando um tremendo vexame no Mundial, perdendo de marroquinos e chorando sangue para ganhar de chineses.

O futebol paulista nunca foi tão pequeno. O Corinthians sumiu depois do ano mágico de 2012. O São Paulo flertou com a Série B e ainda fez aquele papelão na Sul-Americana tentando prejudicar um pequenininho e tomando um vareio dentro de casa. O Santos se salvou porque nada se esperava dele. E perdeu Neymar. O Palmeiras subiu da Série B. Nada mais normal pela grandeza do clube. A pobre Portuguesa foi vítima de uma mutreta, que serviu para fechar o ano dentro da mediocridade que foi demonstrada nos jogos. Jogos feios e decisão em tribunal, sempre tendenciosa. Vergonhoso.

Falar das uniformizadas nem vale a pena. Essas não decepcionam nunca e no ano  que está acabando capricharam. Do assassinato do adolescente em Oruro  à briga de Joinville, elas mostraram do que são capazes acobertadas por poderosos canalhas. E aí eu falo em otimismo. Falo sim.

Teve o Bom Senso FC. Temos eleições em 2014 e podemos nos livrar de muitas porcarias, que infernizam nosso futebol faz tempo e o nível técnico em campo foi tão deprimente, que dificilmente será repetido. E a seleção pode ganhar mais uma Copa. Por tudo isso vejo bons fluidos em 2014. Acreditar é preciso e pessoas de boa fé e inteligentes, como já citei, aprendem com os piores momentos. Esperemos que surjam pessoas de boa fé e inteligentes no nosso futebol na próxima temporada.

Obrigado, minha Neguinha Véia

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Não há o que chorar. As coisas não são como a gente quer. A Ponte me deu muitas alegrias neste segundo semestre. Caiu para a Série B, mas num campeonato sujo, outra vez,  com as mutretas de tribunal,  não colocou a mão na lama. Sem dinheiro, sem apoio de ninguém a não ser a força própria, chegou a uma final inesperada, passando por cima de grandões como Velez e, especialmente,  São Paulo, em dois jogos memoráveis, deixando a soberba de joelhos. A torcida mostrou seu amor lotando o Pacaembu e de coitadinho o clube expôs muito do que pode. Enquanto os grandões  estavam de férias era a Ponte que via seu nome citado no exterior. O futebol é um esporte de emoções extremas. Poucas vezes vi meu controle tão abalado, mesmo durante as transmissões na Jovem Pan, embora, felizmente, me contendo no ar. Vibrei demais. Dei gritos como há tempos não dava. Soquei mesas, apertei as mãos e até mordi os dedos. Cada gol foi como um brinde ao coração. Sonhei muito, confesso, com o eventual título, que novamente não veio. Mas nunca esquecerei os gols no Amalfitani e os jogos contra o São Paulo. E isso valeu muito a pena. Obrigado minha Neguinha Véia. Quase sempre vejo o futebol, pela minha profissão, com a indiferença da neutralidade. Os jogos brasileiros de 2013 foram de um nível técnico baixíssimo. Ainda assim será sempre, para mim,  um ano marcante. A Ponte me deu isso de presente. Teria sido linda a vitória. Mas ainda não foi desta vez. Uma pena. Vamos em frente. É só um jogo.

Questão de filosofia

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Corria o ano de 1976. Um senhor rico e caipirão circulava com naturalidade pelas vielas da Federação Paulista de Futebol. Invariavelmente trazia nos dedos ou na boca um fedorento cigarro de palha e uma mala tipo 007, que tinha buracos pelas fagulhas vindas do cigarro. Falava alto, não passava sem ser percebido e tinha inteligência rara. Ele fora o mentor da candidatura vitoriosa de Alfredo Mettidieri, o último presidente que merece meu respeito, nesta entidade. O clube do senhor falante, Romeu Italo Ripoli,  era o XV de Piracicaba e fazia muito sucesso no, ainda válido, Campeonato Paulista.

Incrível que o modesto XV estava decidindo o título com o poderoso Palmeiras. Perdeu de 1 a 0, mas ficou na história. Esse XV de Piracicaba tinha uma administração diferente de tudo que se viu e vê no Brasil. Os jogadores ganhavam salários mínimos, ou pouco mais que isso. Porém, os prêmios por vitórias, empates e conquistas eram arrebatadores. Há quem diga que os rapazes, vice campeões, receberam mais do que os campeões. Jogador que deixava dúvida na contusão, imaginem Valdívia, tinha que se curar no sistema público de saúde, já na época muito ruim.

O que parecia cruel era uma forma de administrar em cima dos resultados. Passaram-se os anos. O pobre XV de Piracicaba quase sumiu. Ripolli virou nome de bairro de reputação duvidosa. E a ideia foi arquivada. Mas agora, com outra roupagem bem mais moderna, poderá voltar ao futebol paulista. O que o Palmeiras está propondo a Gilson Kleina nada mais é do que um programa de premiação por objetivos. O salário não será pequeno, já que isso é impossível nos dias de hoje, mesmo sendo menor do que o anterior. As bonificações por conquista, no entanto, terão números estelares.

Ninguém precisará cuidar-se no SUS, só que terá que se matar em campo para ganhar mais do que o normal, porque a filosofia deverá, com o tempo, servir para todos. O Palmeiras de 2014, sendo Kleina ou não,  terá um treinador com contrato valorizando as vitórias. Explico. Nos dias atuais as multas dos técnicos são enormes. E pagas quando eles são demitidos. Se são demitidos é porque o time está perdendo demais. Quase sempre os prêmios por títulos são menores que as multas por dispensas. Por dedução, é melhor, em termos de dinheiro, perder do que ganhar. Parece que o Palmeiras quer inverter o processo.

Uma nova ideia, não só para Gilson Kleina, mas para quem vier. Pagar o prêmio alto em caso de conquista será tranquilo. Os estádios estarão cheios. Os patrocinadores correrão atrás, os cofres ficarão repletos. Hoje a demissão vem depois de estádios vazios e períodos de vacas magras. Acho que esse novo modelo administrativo merece ser visto com atenção.

Parabéns, Flavio

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Estranho como a gente vira time. Passei a manhã toda sendo cumprimentado por conhecidos e desconhecidos. Onde chegava via uma amplo sorriso se abrindo e a frase inevitável: parabéns, Flavio.

Não joguei, não dirijo o time, não sou nem conselheiro da Ponte e, no entanto, sou parabenizado pela noite mágica da quarta feira.

Verdade que voltaram os tremores, que a boca ficou seca, especialmente nos minutos finais, de forma curiosa. A noite foi, de novo, mal dormida, porque a adrenalina não baixava. Quando acabou o jogo o misto de euforia e vontade de chorar impedia que se falasse algo com lógica.

Estava trabalhando pela Jovem Pan e, felizmente, consegui separar o profissional do torcedor.

Creio que isso também colaborou para a noite insone. O certo é que tudo está diferente. Nunca foi assim. A Ponte sempre foi uma espécie de México, “jugando como nunca perdiendo com siempre”. As equipes espetaculares dos anos 70 e 80 pararam em armações sujas e a fama de nunca vencer virou marca.

Agora, muito longe daqueles times, ganha-se do Velez em Buenos Aires e devolve-se com três gols, a arrogância de vetar um estádio construído com a alma e o suor dos torcedores. Pode não dar em nada, mas as noites do Amalfitani e do Morumbi não serão esquecidas.

Certa vez, vendo um documentário dos Beatles vi os quatro conversando e não entendendo porque, de repente, tudo começou a dar certo, sem que nada de diferente tivesse ocorrido. A Ponte não tem nenhum Beatle. Pelo contrário, pode ser, no máximo, uma banda de garagem. Porém, tudo está dando certo.

Estava na hora. No mínimo teremos duas noites de 2013 para nunca esquecer. E duas manhãs cheias de parabéns. Até mesmo para quem mal sabe chutar uma bola.

Tite, um até breve

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

A saída de Tite não surpreende. O desgaste é claro e as constantes declarações dos jogadores a favor dele, que estariam jogando pelo treinador e até o estranho episódio do Mato Grosso do Sul, quando os boleiros deram a coletiva, e não o treinador, mostraram que as coisas não estavam normais. Tite é o maior treinador da história do Corinthians e será sempre o primeiro nome da lista, quando o profissional do comando estiver para sair. Mas, a vida segue. Mano Menezes montou bem o Corinthians da Série B e da Copa do Brasil. Na seleção sofria muitas influências da crítica e mudava o time em função do que se falava. Porém conseguiu, no final, dar uma cara à seleção. Poderá sim, fazer a remontagem do Corinthians, retirando de cena alguns dos campeões do mundo, extremamente ligados a Tite. Faz parte da vida. Tite segue e vai trabalhar onde quiser, pela sua competência e Mano ganha outra chance numa grande equipe. Num tempo, que não imagino muito longo, Tite voltará. Ele não precisa ficar ouvindo ofensas de torcedores imbecis, como aconteceu domingo em Araraquara. Ele é bem maior que isso.

Minha netinha chorou

Gazeta Press

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Sei lá quantas gerações me separam dos bebês de hoje. A tecnologia criou uma distância imensa entre nós e cada novo aparelho eletrônico representa quase uma mudança nas cabeças das pessoas. Não sei cuidar de crianças. Nunca fiz isso. Minha mulher segurou a onda com os dois filhos, enquanto eu viajava com o futebol. O futebol ainda me encanta e sigo fazendo quase as mesmas coisas desde os tempos que bebês eram os meus filhos, não minha neta.

Não sei do que bebês gostam nem como fazê-los dar risadas gostosas. Na verdade até segurar no colo me assusta. Quando finalmente ganho coragem o pessoal tira foto. Eu com um bebê e a eterna cara de medo, sempre foi motivo de gozação de todos que me conhecem. Aí chegou a netinha. Ela sempre sorriu pra mim, desde a primeira vez. Outro dia eu tentava sair de casa e ela segurou minha mão, me puxou de lado e fechou a porta. E eu fiquei, meio sem entender e meio babão, pensando que aquela menininha, de pouco mais de um ano, queria minha companhia. Aí fui a casa dela. Tentei brincar dentro dos meus limites, fiquei observando a destreza dela com Ipad até que chegou a hora de ir embora. Sai e ela chorou. Sei lá porque. Não gostei de fazê-la chorar, mas senti uma ponta de orgulho. Como pode essa geração tão moderna ligar-se as brincadeiras antigas de um cara sem graça ?

É aquela coisa das ligações de Deus. Nada vem por acaso. Eu sou meu pai, que era meu avô, que era meu bisavô. Na vida e no mundo da bola. Por isso que as famílias precisam ser mantidas nos estádios. Nossos costumes passam sem que a gente perceba. Se o pai não for ao futebol por causa da violência, os filhos e os netos, provavelmente abandonarão o jogo. Meus valores de mundo e de bola passaram para o Bruno. Não creio que ele repasse para a menina, mas nunca se sabe. Depois do choro com a minha ausência, não será surpresa, se em poucos anos, estivermos discutindo sobre a semifinal da Champions League.

Os três anjos do Amalfitani

AFP

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Eles estavam lá no alto cumprindo suas missões. O emissário chegou com ordens expressas de viagem. Donana teve que encerrar a pintura das unhas, no preto e branco tradicional da primeira torcedora símbolo da Ponte Preta. Renato Silva parou de tentar descobrir como bom repórter, quem ditava as psicografias. E meu pai deu um tempo no trabalho de força que sempre faz. Desceram rápido. Chegaram sem saber exatamente o que acontecia. A readaptação à Terra foi rápida. Só não entendiam porque estavam na Argentina, onde nunca tinham passado nos tempos de vida. Aí viram a Ponte Preta entrando em campo. Nem acreditaram. O que fazia a Nega Véia naquele lugar. Mas a missão tinha que ser cumprida. Donana instalou-se atrás do gol de Roberto e começou a rezar. Meu pai ficou ao lado do goleiro, dando reforço nas defesas e até soprando bolas para o lado, como aquela que o Cesar quase fez contra. Renato Silva, sempre gozador, cuidou de amolecer os pés dos atacantes adversários. E foi o que se viu. Poucos notaram os três anjos vagando pelo campo do Velez. Eu percebi logo e me emocionei. Sabia que a noite seria inesquecível. Veio o gol do Elias, no lance do Rildo e o chapéu no minuto final com gol do Fernando Bob. Donana caiu de joelhos e lá ficou. Meu pai olhava atrás do gol procurando algum amigo dos anos 60, entre os pontepretanos. E Renato Silva chorava emocionado, ouvindo o hino que ele compôs, encobrindo os gritos dos argentinos. Minhas mãos e pernas tremeram o tempo todo. Quando as luzes começavam a se apagar, foram chamados de volta. Este retorno de 90 minutos à vida fora um prêmio. Eles tinham que estar lá na noite mágica. E voltaram para os seus lugares  lá em cima, repletos de felicidade.

A noite das duas paixões

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Um gol de Ratão, da Ponte Preta, ou o new age de Loreena McKennitt. Alguém pode me dizer o que faço?

31 de outubro. Passei o dia todo sem saber o que fazer a noite. Toda manhã abro o computador para saber as novidades da Ponte Preta. E faço isso ouvindo a cantora canadense Loreena McKennitt, com seu new age, que leva a sonhos. No meio do ano soube que ela estaria em São Paulo para um show inédito. Ela nunca viera a América do Sul.

Fui um dos primeiros a comprar ingresso. Nesta altura a Ponte Preta ainda estava disputando a Copa do Brasil. Trocou pela Sulamericana tempos depois e passou pelo Criciúma e pelo Deportivo Passo. Jogar contra o Velez no Majestoso era algo que nunca imaginei ver. Menos ainda num torneio oficial. Mas, assim foi. E justamente na noite do show da Loreena McKennit. Desde cedo, várias vezes, peguei numa camisa da Ponte e noutra social pensando no jogo e no show chique da canadense. Duas paixões, a música da Loreena e a Nega Véia.

Não teria companhia em nenhuma das empreitadas. Poucos se aventuram comigo aos jogos em Campinas. E menos gente ainda conhece ou gosta de new age. A decisão era só minha. Seis da tarde cheguei no carro e vi as duas camisas no banco de trás. Peguei a Marginal Tietê para resolver no caminho. Aí pesou o cabalismo. Não vi nenhum jogo da Ponte na Sulamericana e o time está seguindo. Não sei quando e se a Loreena voltará ao Brasil. Passei reto na entrada da Rodovia dos Bandeirantes e mesmo considerando, algumas vezes, fazer retorno, optei pelo show.

Foi lindo, emocionante. E como o clima era de respeito não dava para acionar o celular tentando saber algo do futebol. Um doce inferno. Aí a Loreena resolveu dar uma pausa. Fez um intervalo, talvez sentindo meu drama. Liguei e soube que foi zero a zero. Está bom. Dia 7 não tem show da Loreena e o contra ataque é nosso. A dúvida é se vou ou  não a Buenos Aires.

Não fui a nenhum jogo da Sulamericana e as coisas estão andando. Será outra semana de indecisão. Se for e perder vou me sentir culpado. Se não for e Big Mouse (o atacante Ratão) acertar um belo contra ataque e vencermos em Buenos Aires, não me perdoarei nunca. Soube que a Loreena vai fazer um show na capital argentina. Talvez no dia 7. Alguém pode me dizer o que faço?