Nada mais corriqueiro, infelizmente, do que carrinhos transportando entulhos pelas ruas das grandes cidades do Brasil. É um pessoal batalhador, em busca de sobrevivência digna, mesmo vivendo das coisas que os outros descartam. Há os que vivem em condições piores. Os que, praticamente, moram nos lixões. Um brilhante curta metragem, chamado Ilha das Flores, dos anos 90, nos contou um pouco desse drama de tantos brasileiros. Há histórias impressionantes de sofrimento e abandono. Falta tudo para essa gente, que morre cedo, sem ajuda de ninguém. Mas, há exceções. Uma delas que une a pobreza extrema, com a maior paixão do nosso povo, o futebol. Richard Luca vivia num lixão em Aparecida de Goiânia com poucas perspectivas de futuro. Chutava tudo que encontrava pela frente, curiosamente com bastante talento. Até que alguém lhe conseguiu um bolsa para a Escolinha do Goiás. Era o início de um sonho e de mais sacrifícios ainda. Para que tivesse transporte e pudesse tomar um café reforçado, o restante da família não conseguia sequer ter o básico em casa. Ele era humilhado pela falta de chuteira, roupas de marca, tenis e até mesmo chinelo. Venceu tudo com seu talento. Quando o treino começava era melhor que os “gozadores”, obrigados ao silêncio pela bola de Richard Luca. Na manhã do último dia 28, a família nem sabia o que fazer para comemorar. Richard Luca foi convocado para a seleção brasileira sub 15, que disputará amistosos na Espanha e no Catar. Ele já passara por um período de treinamentos na Granja Comary. Mas, agora a situação é diferente. Viagens, hotéis de luxo, comida de primeira e, quem sabe, um pouquinho de conforto para os parentes, que tanto se sacrificaram por ele. Richard Luca tinha tudo para ser mais um garoto doente, sem muitos sonhos e vivendo miseravelmente. Porém, a bola fez outro milagre. Não dá para saber até onde esse rapaz chegará. Mas vale a espera. Esse conto de fadas do mundo da bola só está começando.
Nem acreditei quando li a informação. A Conmebol saiu da sua perene letargia e puniu o Corinthians pela morte do garoto em Oruro. Não por ser o Corinthians, mas por uma postura inédita de uma entidade movida só a interesses financeiros. Parece que novos ares estão chegando. Se puniu o poderoso campeão da Libertadores, por ação de sua torcida, poderá e deverá fazer o mesmo com outros, que igualmente pisem na bola.
Fiquei mais feliz ainda, ao perceber que até os mais fanáticos corintianos entenderam como justo o afastamento da torcida dos estádios por, pelo menos, 60 dias. Aliás, a postura do Tite e dos jogadores, também, foi sempre elegante durante o incidente.
O vínculo de todos os clubes com esses bandos é evidente. Eles trazem prejuízos financeiros e na imagem, porém, ou por medo, ou comprometimento, ninguém limpa o futebol dessa gente. A atitude forte, que espero vire norma, deixa claro aquilo, que hipocritamente se negava, que os times bancam esses grupelhos, e que passou da hora dos estádios serem saneados deles.
Estou surpreso e ao mesmo tempo contente. O Corinthians, que tem feito um trabalho admirável, pode perder num primeiro momento. Mas, o futebol ganhará bastante se essa mudança de postura perdurar. E a morte do menininho boliviano não será jogada debaixo do tapete, como tantas nos últimos anos.
A manicure era viúva porque o marido morreu roubando, ou passando droga, ou algo do tipo. Não dá para julgar aquele homem. Eram três filhos e mulher para sustentar e as oportunidades bem pequenas, a não ser aquelas que o poder paralelo dava. Ao mesmo tempo que ele era um criminoso, era também uma vítima. E a família ficou na mão da mãe. Não eram poucos os problemas. Além de dar comida, educação e orientação aos filhos ela precisava lutar contra os maiores inimigos, as tentações que vinham de fora.
Na medida que as crianças cresciam mais ouviam propostas de “trabalho”. Entregar drogas, participar de assaltos, enfim, conseguir dinheiro, como eles diziam, de forma “fácil”. Mas ela estava atenta e lembrava o quanto sofreu com a morte do pai e que não suportaria perder qualquer filho da mesma forma. Apesar da simplicidade soube mostrar valores para as três crianças. Até que um deles descobriu que sabia jogar futebol. Primeiro os joguinhos de rua, onde era sempre um dos primeiros a ser escolhido, até o convite para um teste no Botafogo. Topou e foi aprovado, mas não aproveitado. Aí a sugestão para largar tudo no Rio e tentar a vida em São Paulo, no Palmeiras.
Mesmo não sendo um clube de dar muitas oportunidades ao pessoal da base, o Palmeiras o recebeu com carinho e Gilson Kleina resolveu apostar nele. Bingo. O garoto não tremeu. E porque ficaria assustado depois de tudo que passou na vida ? Na estréia da Libertadores ele fez o gol da vitória contra o Sporting Cristal e encarou o campeão do mundo, Corinthians, com total naturalidade. Patrick Vieira só está começado. Tem virtudes, porém é difícil saber até onde poderá chegar. Mas é um grande, um vencedor. Só a sobrevivência, ao contrário da maioria dos amigos de infância, mortos ou presos, já mostra que o rapaz tem valor. Isso não se discute.
Só que a grande vitória não é dele. É da manicure da Vila Kennedy, a heroína, que além de dar um jogador de bom nível para o nosso futebol, preservou três jovens, que tinham tudo para serem criminosos. Não foi o governo, não foi o estado, não foi ninguém. Foi a mãe batalhadora, cujo nome, lamentavelmente não sei, que fez sozinha o que tanta gente, que tinha obrigação de fazer, simplesmente virou as costas. Minha homenagem a figuras assim, anônimas, que ainda dão alguma esperança ao nosso país.
O futebol sempre viveu de polêmicas. A única coisa que concordo com o João Havelange é que o brilho do futebol se deve, muito, aos erros de arbitragem. E eles passam para a história mais, as vezes, do que dribles bonitos ou momentos de criatividade. Quem não lembra do “gol de mão” do Leivinha na final do Paulista de 1972. Ou da expulsão do Rui Rei em 1977 e não expulsão do Edmundo em 1993. Tem ainda o Garrincha disputando final de Copa do Mundo, depois de ser expulso na semi final, ou o gol de Maradona de mão contra os ingleses. Ingleses que não tiveram pudor de comemorar o gol, que não entrou, contra a Alemanha Ocidental em 1966, tomando o troco na Africa do Sul, frente aos próprios alemães. É o gol “roubado”, é o erro que dá raiva ao penalizado, porém traz um prazer imenso ao beneficiado. Já vivi os dois lados. Já xinguei mãe de juiz e já gargalhei vendo o rival duas vezes irado. Uma pela derrota em si e outra porque a regra não foi cumprida e contra o time dele. O penalti a favor da Ponte Preta no jogo contra o Corinthians na quarta a tarde, para mim, não existiu. Espero que não tenha existido mesmo. O que teve de corintiano resmungando, não tem dinheiro que pague. O jogo não valia grande coisa. Na verdade nem o campeonato paulista vale. Porém, valeram várias brincadeiras, urros, broncas e gozações. Ganhar é muito bom. “Roubado”, então, nem se fala. Nesse momento de bom mocismo no Brasil, sei que muitos não vão gostar dessa opinião. Sugiro que joguem e acompanhem, mais amiúde, golfe.
A primeira convocação do Felipão mostrou a tendência que esperávamos. A seleção ficou mais velha na média de idade, ou em outras palavras, deu-se mais respaldo aos craques Neymar, Oscar e Lucas. Luiz Fabiano, Fred, Julio Cesar, Hernanes, Ronaldinho Gaucho entre outros, ajudarão aos meninos, que podem fazer a diferença, para que o Brasil tenha alguma chance na Copa de 2014.
Aí não é questão de melhor ou pior é aproveitar a rodagem que eles adquiriram. E nenhum deixou de merecer, em algum momento de 2012, uma oportunidade. Ou seja, dos 20 nomes chamados, 17 já tinham passado pelo Mano Menezes na sua imensa lista de convocados. Talvez em momentos diferentes. Felipão apostou em uni-los para ver o que acontece. Pode dar certo.
Quanto a Filipe Luis , Dante e a volta de Miranda, concordo plenamente. Todos estão muito bem e acostumados a enfrentar os ingleses, adversários do próximo dia 6.
Rogério Ceni faz 40 anos nessa terça feira. Deveria receber como prêmio a convocação para a seleção brasileira, já que será o dia da primeira chamada de Felipão. Não há nenhum melhor do que ele, menos ainda com a experiência acumulada. Eu não teria dúvida em chamá-lo.
Adilson Maguila está internado vítima do terrível Mal de Alzheimer. Lamento muito. Vivi o auge do Maguila na TV Bamdeirantes. Ele sempre deu grandes entrevistas e é um cara especial. Lembro do casamento dele com a Irani, que agora está lhe dando grande força. Foi num sítio em Mogi das Cruzes numa festa linda. Maguila trouxe respeitabilidade ao boxe com seu enorme carisma. E grandes audiências em suas lutas. Não era fora de série, porém cumpriu bem seu papel. Pena.
Kaká está voltando ao Milan. Lembro de um ditado da minha avó que “não se deve voltar aos lugares onde se foi feliz”. Kaká conseguiu tudo com a camisa do Milan e nada em Madrid. Baixou bastante o salário para retornar a Itália. O Milan não é o mesmo de antes, no entanto ele perde pouco deixando o time de Mourinho, onde nunca rendeu o esperado. Chega como salvador a Milão. Não sei se conseguirá. De qualquer forma precisava fazer algo. Não dava para continuar como méra terceira opção, mesmo no grande Real.
A boa estreia no Campeonato Paulista trouxe um certo destaque ao Penapolense. O presidente Nilso, assim mesmo, sem o n final, Moreira deu uma entrevista horas depois, falando do clube
Primeiro explicou que o público nunca será maior do que os pouco mais de 2 mil que estiveram no jogo contra o Ituano. Justificou que o preço mínimo, $ 40,00, é caro demais para a região. Garantiu que tem jogadores próprios, só faz convênio com outros clubes, não empresários, além de não ter projeto exato para o segundo semestre.
Fundado a 68 anos vive seu maior momento, com acessos rápidos na A3, em 2011 e na A2, no ano passado. O custo anual do Penapolense é de pouco menos de 5 milhões de reais. A comparação é inevitável. Esse é o mais ou menos o ganho mensal de Neymar. Penapolis não depende do futebol. Seus 58 mil habitantes vivem da indústria canavieira, da pecuária, das lavouras de café e o estilo de vida é diferente.
Lá não tem show do Elton John, não há baladas estilo Nova Iorque, nem a violência das grandes cidades. É outro mundo. E de repente, Penapolense e Neymar estão no mesmo caminho. Durante 19 rodadas veremos Alexandre Pato e Linense, Rogério Ceni e Ituano, Barcos e Barbarense. Coisas muito desiguais. A falta de profissionalismo é latente. Quando não havia campeonato brasileiro as lutas regionais se justificavam. Hoje são saudades, como as ruas sem asfalto, as tvs preto e branco e os papos de vizinhos nas esquinas.
O mundo mudou. Alguns entendem que para melhor e outros para pior. Só o futebol brasileiro não se deu conta disso e insiste nos regionais. Coisas do passado, que atualmente só atrasam o nosso futebol. As pré-temporadas são atropeladas, os verdadeiros craques se desgastam e os clubes pequenos não saem do lugar, faz tempo. Se as federações querem insistir nesse esquema ultrapassado, que subsidiem os pequenos. O interior teve equipes de excelencia em vários esportes. A pequena Sertãozinho era o máximo em hoquéi, lembram? E as ”seleções” de basquete masculino de Franca e Sorocaba, além do fantástica Ponte Preta, campeã mundial no feminino? Mas, havia muito dinheiro por trás. Sem dinheiro não se faz esporte de nível elevado.
As federações são riquíssimas com a grana dos clubes. Emprestam o dinheiro, conseguido através deles mesmos, cobrando juros e dependencia dos verdadeiros donos do capital. Então que se distribua o dinheiro, que se dê chance de algum equilibrio. Mas, já que não é assim, então precisamos preservar os neymars e acabar com esse tipo de competição. Ou você, internauta, acha que devemos virar todos penapolenses?
Vivi grandes emoções em campeonatos paulistas. Ferroviária, Botafogo, América, minha Ponte Preta, o Guarani, XV de Piracicaba, enfim um monte de times que dava gosto ver atuar. O Botafogo do Sócrates, a Ponte do Dicá, o Guarani do Zenon, a Ferroviária do Dudu e sei lá quantos craques mais. Eram anos de brilho. Mas, o tempo passou. Veio o Campeonato Brasileiro a partir de 1971. No meio dos anos 80, já não era mais a mesma coisa, no entanto ainda tinha alguma emoção. Nos últimos tempos porém, acabou o sentido. Em São Paulo, Eduardo Farah destroçou o interior, junto com presidentes irresponsáveis, que só pensavam neles. Marco Polo deu sequencia perfeita a destruição. Os regionais hoje, em especial o de São Paulo, só servem para angariar poderes aos presidentes. Os votos de cabrestos são acertados examente com eles. Os clubes do interior, na maioria, são entregues a empresários de jogadores, que usam a vitrine das camisas tradicionais. Não há revelações e se elas vierem, a grana das negociações não retornará aos clubes. Ou seja, eles continuarão exatamente como estavam, situação comoda para a federação. E os grandes são usados. Não conseguem boas pré temporadas, não podem viajar e ainda cedem seus produtos caros, para dar rendas aos menores, que, como já explicado, não sairão do lugar. Ou seja, começam os regionais e só será bom para as federações, especialmente a de Marco Polo Del Nero, padrinho, de patrocínio, de um monte deles. Tecnicamente não devemos esperar nada. No entanto, os votos futuros estarão garantidos, para os donos do poder.
Nunca conversei com o Vitor Andrade, mas ouço falarem muito mal dele. Dizem que é chato, mascarado, folgado, etc. Conheci o pai dele na inauguração da quadra do Neymar em São Paulo. Vi um pessoa entusiasmada com o filho, sonhadora, humilde e que sofre quando ouve esse tipo de coisa. O rapaz tem pouquíssima idade. Jogaram muitas coisas nas costas dele. Essa é uma fase da vida no futebol onde um erro pode ser fatal. Muita gente boa ficou pelo caminho e outros com menos talento chegaram longe. Todo mundo precisa ter limites. E eles devem vir dos patrões e familiares. Nenhum garoto de 16 anos é de trato fácil. Imaginem badalado por todos. Hoje as escolas não impõe disciplina, os empresários são babões e os pais, que deveriam ser os ídolos dos filhos, invertem esse processo. Muito material humano pode se perder com essa estrutra. Mais ainda no futebol, onde o herói vira vilão do dia para noite. Ou aparece outro tão bom, ou melhor, como se viesse do nada.







