Fair play no futebol

Uma situação curiosa e polêmica nessa semana, durante a partida Bahia e Figueirense, pelo Campeonato Brasileiro sub-20. O atacante Pottker do time catarinense se negou a devolver a bola para a equipe rival e acabou anotando o gol. Antes do lance polêmico, o Bahia estava com a bola, mas o jogo foi parado para que o atleta Diogo do Figueirense recebesse atendimento. O árbitro David Baquini, corretamente, deu bola ao chão. Mas Pottker nem deu bola. O juiz validou o lance, mas expulsou o jogador do Figueirense pela falta de fair play.

Mas o que é Fair Play???

Quando o árbitro toma a iniciativa de paralisar o jogo, ninguém tem que fazer gentileza pra ninguém, independentemente de quem estava com a posse de bola.

Quando a equipe “A” interrompe o jogo para que um companheiro seja atendido, a equipe “B” não tem obrigação de devolver a posse de bola, a não ser por gentileza, mas no local em que o jogo foi interrompido e não longe como estamos acostumados a ver.

Quando a equipe A ou B interrompe o jogo para que um adversário seja atendido, por educação, a equipe que vai reiniciar o jogo deve praticar o fair play, devolvendo a posse de bola para o adversário, na mesma posição que se encontrava no momento da paralisação e não longe do local, como sempre fazem.

No caso do árbitro David Baquini, não carimbo a atitude de expulsar o jogador. É o chamado autoritarismo da autoridade.

Árbitros. Profissionais ou não?

Desde a época que era árbitro atuante, ouço questionamentos sobre a profissionalização dos apitadores. Não só eu, mas jogadores, dirigentes e até torcedores desejam isso. Sinceramente, acredito que um dia isso acontecerá. Seja de forma parcial ou que realmente venha pra ficar.

Mas o que realmente necessita para isso? Além da falta de vontade, existe também a
dificuldade de saber. Fazer isso acontecer é o ponto. Quem vai ser o patrão ou quem vai pagar a conta? Imagino uma situação fictícia, em uma relação patrão x empregado, que tem muito a ver com a rodada final do Brasileirão.

Montagem sobre fotos de Fernando Dantas/Gazeta Press

Os árbitros Wilson Seneme e Leandro Vuaden.

Suponham de um lado a Federação local e do outro o árbitro. Será que a expulsão do Valdivia contra o Corinthians na última rodada do Brasileirão, ou o pênalti a favor do Inter no Gre-nal seria apenas interpretação da regra? Lembrando que Wilson Seneme da Federação Paulista e Leandro Vuaden da Federação gaúcha foram os escolhidos.

Os interesses comerciais do “patrão”, como vaga na Libertadores , título de
campeão ou outro interesse, principalmente financeiro, permitiriam que os árbitros
apitassem com total independência?

Uma pergunta: “político safado pode criticar árbitro?” Qualquer
semelhança é mera coincidência.

Só para fechar. Essa semana uma situação intrigou e muito. Não tenho provas de trapaça. Mas jamais posso carimbar a vitória do Lyon por 7 a 1 sobre o Dínamo Zagreb na UEFA CHAMPIONS LEAGUE. Não cheira bem.

Vuaden escolhido. Não carimbo!!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A CBF divulgou os melhores do Brasileirão 2011 e Leandro Vuaden faturou o prêmio como melhor árbitro dessa edição. E parece que a escola gaúcha é mesmo tradicional, quando o assunto é arbitragem. Leonardo Gaciba já venceu quatro vezes, sem contar Carlos Eugênio Simon, eleito em anos anteriores e premiado com três Copas do Mundo.

Pois é, mas em 2011, não carimbo a escolha de Vuaden. Qualidade ele tem, mas esse ano ficou de fora por muitas rodadas, já que não foi aprovado em testes físicos no mês de Setembro. Só no final, acabou premiado em atuar no Gre-nal.

Por méritos, apontaria entre os escolhidos da CBF, o nome de Paulo César de Oliveira, que teve mais regularidade. E ainda, com menções a nomes que nem apareceram na escolha, casos de Evandro Roman e Wilson Seneme.

Encontros com o Doutor

Foto: Acervo/Gazeta Press

Sócrates, jogador do Santos FC, em partida do Paulistão de 1989

Dois encontros que tive com Sócrates.

Ao voltar para a arbitragem profissional em 1988, decidido a ser um dos melhores do Brasil, tinha como desejo pessoal me encontrar e apitar jogos dos boleiros ídolos de todos nós.

Infelizmente, me encontrei com Sócrates, quando o “doutor” já se preparava para encerrar a carreira.

A primeira vez foi como assistente de Dulcidio Wanderley Boschilia na inauguração do estádio Silvio Salles, no jogo Catanduvense x Santos.

A segunda oportunidade, no dia da morte de Ayrton Senna em 1994, em São José dos Campos, no jogo São José x Botafogo-RP. Sócrates era o capitão do “Pantera” e decidimos não fazer um minuto de silêncio por Senna. A frase do Magrão: “Vamos para o jogo, já que ele nunca chutou uma bola”.

Arbitragem do Pacaembu

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Valdívia (à direita) sai de campo após ser expulso

O jogo que acabou mostrando para o mundo o campeão Brasileiro foi fácil de ser apitado, até o momento da expulsão do chileno Valdivia. O árbitro Wilson Seneme optou pelo rigor do cartão vermelho, aos 3 minutos do segundo tempo. Ao perceber que exagerou, Seneme compensou. O zagueiro Wallace, mesmo não merecendo, levou o vermelho, apenas para compensar o excesso de rigor com Valdivia.

Ao todo, mostrou sete cartões amarelos e mais três vermelhos por causa do chute no vácuo do Jorge Henrique.

Mesmo com tantos auxiliares, Seneme não foi informado que deveria ter expulsado também, o palmeirense Thiago Heleno.

Nos lances técnicos, o árbitro foi muito bem. Um lance reclamado de Willian, não foi pênalti, pois o atacante toca a sola da chuteira no joelho de Henrique, apenas mero acidente.

Os assistentes foram exigidos e corresponderam. Lances difíceis e bem interpretados. Dá para carimbar: “Jogo fácil que o árbitro deixou difícil”.

Início com polêmica

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Wilson Luiz Seneme - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Amigos da GazetaEsportiva.net, começo hoje a escrever sobre arbitragem neste blog.

E pra começar um assunto polêmico.

Wilson Luiz Seneme foi o escolhido para apitar o jogo entre Corinthians x Palmeiras, no Pacaembu.

Partida decisiva e um árbitro tarimbado seria necessário. Seneme é o nome certo para isso. Experiente, melhor árbitro paulista e do quadro da FIFA.

E essa eu carimbei antes da hora. Tava na cara. No Mesa Redonda do último domingo, já afirmava isso.

Acertar é fácil. Mais do que um palpite, era praticamente uma certeza. O duro é entender, o que pensam os nossos dirigentes.

Não acredito na lisura desse sorteio. Como confiar nisso e compreender o que já se especulava?

Essa eu carimbei e vou continuar carimbando sempre.