Pato desencanta e Flamengo decepciona

Vanderlei Almeida

Overdose de futebol na quarta-feira. E teve bola para todo gosto: redonda, cheia, murcha, quadrada, alegre, triste, chorôro, protesto, decepção e por ai vai. O que começou ontem com a classificação de Real Madrid e Chelsea para as semi-finais da Liga dos Campeões se completou hoje com Atlético de Madrid e Bayern. Sexta-feira teremos o sorteio para conhecermos os confrontos.

No começo da noite foi a vez dos torcedores do Flamengo se decepcionarem com a derrota para o León por 3 a 2 em pleno Maracanã com 60 mil torcedores. Mais uma vez o Flamengo é eliminado da Libertadores por um adversário mexicano. Em 2008 o algoz foi o América em noite iluminada de Cabañas. Agora foi o León, campeão mexicano que tem Rafa Marquez na defesa e Boselli no ataque.

Inconformada com a condição física precária de Amaral, Léo Moura, André Santos, Paulinho e Wallace, parte da torcida começou a protestar chamando o time de sem vergonha. Ironia ou não, o rubro-negro decide o título do Cariocão domingo contra o rival Vasco da Gama. Já pensaram se estivesse eliminado do estadual como o Botafogo?

O descontentamento se deu pela maneira do Flamengo jogar. Tocava bem a bola mas não agredia, não pressionava nem finalizava. Tanto é que sempre esteve atrás no placar.

Arisala fez 1 a 0 de cabeça com falha de André Santos e do goleiro Felipe que nunca sai do gol. André Santos, também de cabeça empatou. Boselli, de cabeça fez 2 a 1 com colaboração da dupla André Santos e Felipe.

Alecsandro empatou com ajuda do zagueiro mas, no segundo tempo Peña fez o terceiro, despachando o Mengão que se junta ao Atlético Paranaense e Botafogo FR. O Brasil continua na Libertadores com Atlético Mineiro, Cruzeiro e Grêmio.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Pela Copa do Brasil o São Paulo eliminou o CSA ao vencer no Morumbi por 3 a 0, já havia vencido o jogo em Maceió por 1 a 0 mas, continuará enfrentando adversário alagoano na sequência, o CRB que também se classificou.

Foi um jogo fraco tecnicamente e lento. O CSA preferiu jogar para não perder até sofrer o primeiro gol de Pato pelo tricolor. Ai, resolveu sair pro jogo e levou perigo para o goleiro Rogério Ceni. O jogo serviu também para a despedida do presidente Juvenal Juvêncio que deverá ser substituído por Carlos Miguel Aidar. No segundo tempo o São Paulo ampliou o placar com dois gols de Luiz Fabiano que contou com a preciosa ajuda do goleiro Pantera no que fechou o placar em 3 a 0.

Na decisão da Copa do Nordeste o Ceará não conseguiu devolver a derrota de 2 a 0 que sofreu no jogo de ida para o Sport e, em pleno Castelão lotado com mais de 61 mil torcedores, desperdiçou muitas oportunidades de gol e ficou no 1 a 1, permitindo que o Sport se tornasse tri-campeão. Magno Alves fez 1 a 0 para o Vôzão e Neto Baiano, de pênalti, empatou. Sabem quem ergueu a taça? O predestinado Durval. Mais um título na carreira do veterano e vencedor zagueiro.

Mas, se o becão é campeão todo ano, o técnico Eduardo Baptista, filho do consagrado Nelsinho Baptista deu a volta olímpica pela primeira vez. Ele era o preparador físico da equipe quando o técnico Geninho foi demitido e, mesmo desacreditado e sem apoio popular, resolveu investir na carreira de técnico e, após 70 dias, conquista seu primeiro título e está na decisão do Pernambucano contra o Santa Cruz. Se puxar ao pai será muitas vezes campeão.

O público no Castelão é recorde no futebol brasileiro em 2014. Coisa linda!

Elias sozinho não vai resolver os problemas do Corinthians

Tudo o que é novidade deixa o ser humano eufórico e, principalmente, torcedor brasileiro especialmente no futebol. É assim que está a fiel corintiana vivendo um momento de estase pela anunciada contratação de Elias, repatriado após uma desgastante negociação com os inteligentes e porque não, exploradores dirigentes portugueses do Sporting.

Diretores do Corinthians envolvidos diretamente na transação estão achando o máximo adquirirem 50% dos direitos de Elias, jogador de 30 anos, por 4 milhões de euros.

Será que foi um bom negócio mesmo? Foi, principalmente para quem vendeu e do próprio Elias, que volta com a imagem de quem fracassou por onde passou na Europa e desprezado pelo Sporting.

E não podemos esquecer que sempre tem alguém, que ganha lá e cá, mesmo que não apareça no noticiário.

Para o Corinthians, tecnicamente foi um excelente negócio. Elias está identificado com o clube, faz parte de um capitulo vitorioso recente da história corintiana e, está fresquinha na memória do torcedor o quanto Elias jogou e contribuiu para o Flamengo ser campeão da Copa do Brasil no ano passado, fazendo com que os dois clubes disputassem pelo retorno do atleta.

Mesmo com 30 anos, o histórico de Elias ajuda. Atleta que dificilmente vai parar no departamento médico, disciplinado, regrado, responsável e se relaciona muito bem com o técnico Mano Menezes e tem moral com o torcedor, o que está faltando para o atual elenco.

Quem está ai está decepcionando e quem se transferiu não deixou saudade, casos específicos de Renato Augusto e Pato.

E financeiramente, foi um bom negócio?

O pagamento de aproximadamente R$ 13 milhões de reais será em quatro parcelas anuais o que corresponde a, aproximadamente R$ 3.250 milhões por ano que, poupados mensalmente daria, aproximadamente R$ 271 mil reais.

Os responsáveis pelas finanças do clube estão somando a esses valores mais aqueles que Elias receberá por mês, totalizando uma despesa de ?. Ah, mas você vai lembrar que Elias só poderá ser utilizado depois da Copa do Mundo da FIFA e que, por três meses ele receberá apenas R$ 190 mil por mês.

Portanto, trata-se de mais um jogador que o Corinthians, inteligentemente, vai pagar e não poderá utilizar em nove jogos do Brasileirão nem Copa do Brasil. Resta de consolo para o torcedor corintiano de que, pelo menos esse, está sendo pago, mas não está reforçando os adversários como Pato, Emerson e Douglas

Será que a diferença salarial não vai respingar no relacionamento em campo e no vestiário? Pelos equívocos praticados pela administração Mario Gobbi nas renovações de contratos de uns e negociações de outros, essa preocupação não é levada muito em conta não.

Só a vinda de Elias será suficiente?

Qual o retorno financeiro ou técnico que o clube está visando?

Com todo esse valor envolvido não daria para contratar mais quantidade com qualidade também?

Será possível manter a folha de pagamento e premiações em dia com todos os profissionais?

Um clube que gasta R$ 2 milhões de reais por mês com as categorias de base não consegue revelar um jogador ao menos por ano em condições de ser aproveitado ou comercializado?

São perguntas que torcedores, economistas, analistas, curiosos, adversários e secadores fizeram, fazem e continuarão fazendo para entender como é que nossos clubes conseguem gastar mais do que arrecadam?

Ituano larga na frente do Santos

Djalma Vassão – Gazeta Press

Quem pensava que o time pequeno da cidade que tem fama de tudo grande fosse pipocar se enganou.

O Ituano jogou um futebol que todo mandante tem que praticar, mesmo que o jogo esteja sendo jogado em um estádio considerado mais neutro pra ele do que para o Santos.

Não se preocupou somente em se defender, surpreendendo a previsão e a preparação do adversário. Atacou, agrediu, se impôs, marcou o gol que acabou sendo o da vitória com Cristian, ainda na primeira metade do primeiro tempo e desestabilizou emocionalmente os santistas que não conseguiram jogar tão bem quanto mostraram no Paulistão deste ano.

Ah, mas os torcedores do Santos estão lamentando muito o pênalti cobrado pelo Cícero para fora do estádio do Pacaembu. Para o árbitro Rodrigo Guarizzo foi muito bom que um dos melhores jogadores do Santos errasse grosseiramente a finalização.

A bola tocou no braço de Jasa em um lance que David Braz dominou mal. Então, mesmo que as orientações dos especialistas da comissão de arbitragem da Federação Paulista seja equivocada, esse lance continua sendo aquele típico de bola na mão. Portanto, não é falta nem pênalti.

Outro detalhe. De onde ele estava nem o Super-Homem conseguiria ver. O corpo de Jasa encobre seu braço e o corpo do David Braz e de mais um defensor do Ituano dificultam a visão do árbitro Adicional Vinicius Furlan.

Será que foi o adicional que achou que foi intencional o toque ou o árbitro apitou por dedução? Saiba você que muitas faltas no futebol são marcadas por dedução e não pela visualização do lance.

Não houve explicitamente má intenção da arbitragem porque, se estivesse afim de arrumar a casa para o Santos teria marcado pênalti em Gabriel ou em Rildo mas, nas duas oportunidades Rodrigo Guarizzo acertou.

No primeiro lance o goleiro Vagner visa a bola e toca nela. Rildo apanha da bola e se joga ao ser tocado por Dick. Foi bem o árbitro em não marcar.

Pênaltis duvidosos a favor dos grandes contra os pequenos é ruim para a carreira do árbitro e, nesse Paulistão, Guarizzo já havia marcado um pênalti inexistente a favor do Palmeiras contra o Audax. Árbitro não é mordomo, ele esta lá para decidir e não fazer favor algum.

Alexandre Vidal – Fla Imagem

Arbitragem com lances polêmicos e discutíveis tivemos no primeiro clássico decidindo o título do Cariocão. Vasco  e Flamengo ficaram empatados em 1 a 1 mas o destaque maior foi para Rodrigo Sá.

Ele conseguiu desagradar as duas equipes. Foi mais serviçal do que árbitro. Lances que só juizão enxerga dá até para enganar o público mas, aqueles que todo mundo está vendo mesmo sem o recurso eletrônico, tem que ser apitados.

Tivemos um lance daqueles de agarra-agarra que o defensor do Vasco tirou a camisa de Samir e a bola já esta em jogo: pênalti não marcado na cara do árbitro. Deixou de expulsar Ewerton Costa quando ele mereceu e só o fez quando nem falta foi.

Os rubros-negros reclamam que no gol do Vasco marcado por Rodrigo teve falta no goleiro Felipe. Ai o árbitro acertou. O goleiro do Flamengo vai de encontro ao atacante do Vasco quem está olhando a bola. Felipe falha e Rodrigo marca. Gol legaaaaaaaaaaaaaaaalllll, diria Mário Vianna.

O gol de empate foi marcado por Paulinho que acertou um pombo sem asas lá de fora da área. Quando falta futebol sobra reclamações. Foi, é e continuará sendo assim.

Olha só que detalhe interessante no jogo que inaugurou o novo Beira Rio entre Internacional e Peñarol, vencido pelo colorado por 2 a 1. Os três gols – D’Alessando de falta e de pênalti e Fernandez para os uruguaios – foram marcados todos no mesmo gol ou goleira como diz os gaúchos. Portanto, temos uma meta que ainda não sentiu o gostinho de ser carimbada. Festa linda heim?

Europa x Brasil. Quanta diferença!!!

AFP

Depois de assistir Real Madrid 3 x 0 Borussia, tive muita boa vontade para acompanhar os jogos da Copa do Brasil entre Palmeiras 2 x 0 Vilhena e Mixto 0 x 0 Santos e Botafogo 0 x 1 Union Española do Chile pela Libertadores. A diferença técnica e tática é muito grande, chega a ser irritante. Gramado, iluminação, a dinâmica de jogo então nem se fala.

Por aqui a bola fica mais fora de jogo do que rolando. Lá, do outro lado do “córgão” (sinônimo de córrego grande, largo) que é o oceano, a gorduchinha é tratada com mais carinho. E que carinho!

Poucas simulaçõe,s nem contusões. Veja quantas vezes a maca motorizada ou conduzida por gente entra em campo lá. Aqui, tem jogo que os maqueiros se desgastam mais do que os jogadores. É mole?

Você teve a oportunidade de ver o gol que o Pastore marcou para o Paris San Germain contra o Chelsea, o terceiro? Nem falta o argentino quis. Do lado de cá até o árbitro contribui para perda de tempo ao permitir que o camarada que vai ser substituído atravesse todo o campo para cumprimentar quem está entrando. Pô é palhaçada! Marca falta que só ele viu e deixa de punir aquelas que só ele não vê.

Sergio Barzagui – Gazeta Press

Abalado, desfalcado e nivelado por baixo, o Palmeiras judiou da bola e dos quase cinco mil torcedores que compareceram ao Pacaembu para ver se o alviverde conseguia passar pelo Vilhena na Copa do Brasil. Logo de cara o juizão mineiro Vanderson de Souza ignora pênalti em Leandro para desespero até do humorista Geraldo Magela. O atacante foi puxado pela camisa na cara do assoprador.

Tá certo que a bola da competição da CBF é diferente da bola jogada no Paulistão mas, tem o mesmo tamanho, peso e o que é melhor, o mesmo formato! Então, não dá para dizer que a culpa é da bola por tanta mediocridade técnica.

Ainda bem que no segundo tempo entrou Marquinhos Gabriel e deixou Bruno Cesar na cara do gol para fazer 1 a 0 e logo em seguida o bom goleiro Dalton fez pênalti em Bruno Cesar e ele mesmo se encarregou de marcar o seu segundo gol e dar a vitória ao Palmeiras por 2 a 0.

Convivendo no dia-a-dia com tanta coisa diferente dos costumes e conceitos aprendidos e pré-conceitos estabelecidos pela sociedade sendo quebrados ou estabelecidos, poderia escrever que nada mais me espanta. Já me acostumei com a rapaziada que gosta de andar com a calça arriada mostrando a cueca mas jogador de futebol jogar com o calção caindo para ficar mostrando a cueca só o Leandro.

Será que se ele amarrar o calção vai se sentir incomodado ou o uniforme do Palmeiras não tem cadarço? Uma hora o calção vai derrubá-lo, uns vão rir outros preferirão xinga-lo. Não é melhor chamar a atenção fazendo gols? Jogando bem? Os melhores do mundo jogam mostrando a bunda ou a cueca?

 

Quanta mediocridade

Todos os clubes reclamam da redução que, gradativamente, vem sendo notada do público presente nas arquibancadas dos seus jogos. A torcida está selecionando mais as competições e só comparece quando é interessante ou tenha uma motivação enorme.

Pois bem, o Botafogo está atravessando um momento financeiro delicado, com as receitas empenhoradas ou bloqueadas e, mesmo assim, com jogadores realizando atos de manifestação de desagrado pelos dois meses de salários atrasados, 43 mil torcedores compareceram ao Maracanã para ver Botafogo x Union Española do Chile.

Quais os motivos para um público tão grande comparecer ao Maraca em plena quarta-feira a noite? O Botafogo não disputa a Libertadores desde 1996; não sofreu nenhum gol como mandante; uma vitória garantiria a classificação antecipada.

Se são suficientes ou não o que importa é que a torcida estava lá e fez o seu papel. Quem não fez foi o time comandado pelo técnico Eduardo Ungaro. Perderam por 1 a 0, classificaram o adversário e agora, não pode perder para o San Lorenzo lá na Argentina. É mole?

Vou te contar, teve um momento no jogo que se tirassem a bola do campo ninguém que estava jogando notaria. Quanta ruindade. Quanta mediocridade desfilando seu talento em pleno gramado do Maracanã.

Fico imaginando os torcedores mais antigos vendo essa babaiada, com raríssimas excessões, vestindo camisas com números que já foram de Quarentinha, Gerson, Jairzinho, Rildo, Leonidas, Mauro Galvão, Gottardo, Rogério, Amarildo, Túlio, Carlos Alberto Torres e alguns outros como Seedorf.

Hoje precisam se contentar com Allisson, Lodeiro, Ronny, Daniel, Henrique, Lucas, Julio Cesar, meu Deus! O time sofreu o gol, de pênalti, aos 26 minutos do segundo tempo e não conseguiu reagir. Pior. Lembram-se daquele meio campista que brilhou no Santos de Robinho e Diego, o Renato?

O técnico colocou ele em campo aos 46 minutos, restando três minutos para o fim do jogo. Será que ele está tão mal assim? Coitado, nem tocou na bola. O que será que o técnico pede e espera que o jogador faça? Brincadeira de mau gosto, né? Ainda bem que o Renato é um profissional cumpridor com as suas obrigações. Tem quem mandar o técnico tomar na extremidade externa do reto, ou não?

E a Portuguesa heim? Aquela que foi rebaixada por uma enorme mutreta esportiva e que tenta se manter no Brasileirão através da Justiça Comum, conseguiu uma liminar em São Paulo e iniciou sua participação na Copa do Brasil perdendo por 1 a 0 para o Potiguar lá no Rio Grande do Norte.

Que fase! Se cada português doasse o valor equivalente de 10 pães francês para a Lusa, seria o clube mais rico do Brasil. Pena que não são unidos.

Será que estamos evoluindo??

gazeta net

Para quem entende que os campeonato regionais não valem nada, eis que temos mais uma vitima. O Fluminense demitiu Renato Gaúcho e já contratou Cristóvão Borges, que na década de 80 foi jogador do próprio Flu.

De que vale um contrato assinado com validade de um ano se, ao término do estadual ou depois de uma derrota na primeira rodada da Copa do Brasil a equipe não consegue o que dela se esperava?

O Flu ficou fora da final do Carioca ao ser eliminado pelo Vasco, clube que, por enquanto, está na série B do Brasileirão, e foi derrotado pelo cearense Horizonte por 3 a 1 no jogo de ida da competição nacional. Renato Gaúcho que já deu muitas alegrias a torcida tricolor teve que interromper seu planejamento se é que é possível planejar, programar ou elaborar um trabalho para a temporada toda se o que vale mais é o resultado imediato do que um trabalho bem feito.

Interessante é que em se tratando de técnico mudando de equipe ou de empregador, a torcida nem os dirigentes se preocupam com algumas coincidências que somadas a desconfianças viram suspeitas na imaginação popular.

Cristóvão Borges era técnico do Bahia, adversário que o Fluminense precisava vencer na última rodada do Brasileirão-13 e contar com uma combinação de resultados para escapar do rebaixamento.

Venceu de virada e foi beneficiado pelo empate da Portuguesa contra o Grêmio, colocando na súmula e em campo o jogador Everton de maneira irregular pela Portuguesa. Não vai faltar aquele “capetinha” que vai dizer: “aí tem!”

Num passado não muito distante tivemos acusações de que o Corinthians “entregou” para o Flamengo, Palmeiras “para” o Fluminense, Grêmio não se empenhando para não ajudar o Inter e recentemente o São Paulo perdendo para o Ituano.

A suspeita de “marmelada” ficou tão evidente que a Confederação Brasileira de Futebol carimbou que realmente havia entregação ao marcar os clássicos regionais para a última rodada do Brasileirão para que a rivalidade local inibisse a acomodação de alguns.

Voltando especificamente ao jogo Corinthians x Flamengo e a perda de memória dos dirigentes, algum tempo depois ex-corintianos foram defender com dignidade a camisa rubro-negra dando muitas alegrias a fanática torcida: Felipe, Chicão, Elias, André Santos e o técnico Mano Menezes, esse não deu muitas alegrias enquanto lá esteve, só quando saiu.

Ainda bem que estamos evoluindo!

 

Pacaembu vai sediar as finais do Paulistão

Sergio Barzagui – Gazeta Press

Em reunião que a Federação Paulista de Futebol realizou com os presidentes dos clubes finalistas, Odilio Ribeiro e Juninho Paulista, Santos e Ituano, respectivamente, ficou definido que o Pacaembu será o palco para a festa das duas partidas finais.

A Federação Paulista, através do presidente Marco Polo Del Nero fez prevalecer o seu direito de indicar o local e os clubes concordaram.

Para os torcedores do Ituano com poucos recursos e grandes dificuldades para se locomoverem até a Capital a escolha foi muito ruim.

Para os torcedores do Santos da cidade de Itu e região, nas mesmas condições, também. Os santistas da baixada mais acomodados, também não gostaram.

Porém, a grande maioria ficou satisfeita. Em termos de quantidade de torcedores não muda muito para o Ituano jogar com a minoria a seu favor já que conquistou o direito de ser finalista eliminando o Botafogo em Ribeirão Preto e o Palmeiras em pleno Pacaembu lotado e torcendo contra.

Em termos de números o que ficou definido foi que o Ituano terá direito a ingressos para preencher até 15% do estádio e o Santos 85%. A renda continuará sendo dividida meio a meio independentemente da ordem de mando ou do placar.

Os valores dos ingressos também estão definidos e acho difícil a atuação de cambistas.

O mais barato é o do Tobogã, R$ 40 reais e o mais caro é o da cadeira azul coberta por R$ 200 reais. Temos ainda ingressos de R$ 70 e R$ 130 reais. Até que os dirigentes foram inteligentes em não elevarem tanto os preços já que o apelo popular para esse jogo não é tão grande.

O Santos chega a sua sexta final de Paulistão consecutiva, tendo ganho três. O Ituano tenta o título pela segunda vez (2002), após quase ter sido rebaixado no ano passado, escapando no último minuto do último jogo na última rodada.

É mole? Méritos para a administração do Juninho Paulista que está chegando no seu quinto ano e cumprindo com o que programou quando iniciou o projeto. Pena que o estádio municipal não está em condições de receber os 18 mil torcedores que a sua capacidade total permite.

Estão interditados 10 mil lugares por questões de segurança. Será que ninguém da administração pública não acredita na classificação do Ituano para uma final? Acho que nem o Juninho Paulista, nem o técnico Doriva.

Vamos ser realistas. Para os clubes do interior o primeiro objetivo é não ser rebaixado o segundo é obter uma classificação para uma das divisões do Brasileirão e, se tudo for dando certo, vamos que vamos.

E foi assim que o Ituano chegou e, agora, segura porque o desejo e a confiança da equipe toda para a conquista do título estão do tamanho de tudo o que é grande em Itu.

Meninos da Vila na final do Paulistão

Sergio Barzagui – Gazeta Press

Nem a chuva intensa que caiu no gramado da Vila Belmiro foi suficiente para esfriar as emoções que Santos e Penapolense proporcionaram para seus torcedores.

O Santos saiu na frente com um gol de Cícero,  mas não teve nem tempo para comemorar. Infantilmente o zagueiro David Braz cometeu pênalti em Gualberto e o árbitro Marcelo Rogério não exitou em apitar.

Guaru bateu, a bola tocou na trave direita do gol de Aranha e entrou. Ainda no primeiro tempo o Penapolense passou a frente em mais uma bobeada do becão David Braz e o goleiro Aranha, bem aproveitada pelo oportunista Douglas Tanque que acreditou até o fim na jogada.

David Braz poderia recuar a bola para seu goleiro com a cabeça, coxa ou canela e não o fez porque o goleiro Aranha saiu da área. Enquanto os dois pensavam no que fazer Douglas roubou a bola e virou o placar: 2 1 , placar do primeiro tempo para desespero dos santistas.

A estrela do técnico santista Osvaldo de Oliveira brilhou logo aos 16 minutos de jogo. Ele colocou Rildo no lugar de Gabriel e, logo no primeiro lance, o ex-ponte-pretano ganhou de Rodnei na corrida e cruzou para Leandro Damião empatar de cabeça: 2 a 2. O zagueiro Gualberto ficou marcando a bola e deixou o atacante santista sozinho para marcar. Nem Rodrigo Biro fez a cobertura.

Um lance que poderia dar muita confusão para a boa arbitragem de Marcelo Rogério aconteceu aos 39 minutos. Ele marcou falta de Jailton, quando, na realidade, o zagueiro do Penapolense foi derrubado por  Thiago Ribeiro. Na cobrança da falta David Braz se redimiu parcialmente ao marcar o que seria o terceiro gol do Santos. Acontece que ele estava impedido e o gol foi corretamente anulado.

Há um provérbio popular que diz: “pouca sorte é bobagem”. Assim sendo, aos 41 minutos Osvaldo de Oliveira colocou em campo o jovem Stefáno Yuri que, no seu primeiro toque na bola, após lançamento de Thiago Ribeiro, marcou o gol da vitória: 3 a 2. Ufa! Vitória merecida que só não foi mais fácil por grossura de Leandro Damião ao perder quatro oportunidades de gols. Para quem chegou onde está e supervalorizado, não pode errar como errou Leandro Damião.

O Santos é finalista do Paulistão-14 com a melhor campanha e joga um futebol que dá prazer assistir no estádio ou na televisão. Agora só resta saber onde a Federação Paulista de Futebol vai mandar jogar as duas partidas que decidem o título.

“Gigante” Ituano derruba o Verdão

Fernando Dantas/Gazeta Press

E a maldição do centenário continua! Mais um time considerado grande do nosso futebol é eliminado de um campeonato onde se manteve como favorito  até a conquista do título.

O Palmeiras perdeu em pleno Pacaembu para o Ituano e  está fora da decisão do Paulistão-14. Para desespero dos interesses financeiros, Corinthians, São Paulo e agora o Palmeiras, ficaram pelo caminho, mostrando que a arbitragem soube se comportar e deu aos clubes considerados pequenos a oportunidade de jogarem de igual para igual. É assim que tem que ser sempre, não só em São Paulo como no Brasil.

No dia em que o técnico Gilson Kleina fazia mais um aniversário e completava 100 jogos no comando do Palmeiras, a equipe encerra sua participação no Paulistão com uma derrota merecida.

Embora tenha exigido um pouco mais do goleiro adversário, mostrou se nervosa o tempo todo errando uma enormidade de passes e tendo muito pouca inspiração principalmente com Valdívia no banco, poupado pela contusão no tornozelo e por estar pendurado com dois cartões amarelos.

Ainda no primeiro tempo a equipe ficou sem o artilheiro Alan Kardec, contundido numa disputa de bola que entendi acidental com o zagueiro Alemão. Sofreu uma “paulistinha” na coxa esquerda e precisou ser substituído pelo limitado Vinícius. Esse é daqueles jogador que precisa guardar o poster de ter jogado com a camisa do Palmeiras para o resto da vida e agradecer a Deus todos os dias.

Se desgraça pouca é bobagem, no intervalo o Palmeiras ficou sem o goleiro e capitão Fernando Prass, substituído por Bruno. Lembram-se da última eliminação palmeirense? Quem era o goleiro? Não que ele tenha falhado no gol de Marcelinho, mas, é daqueles goleiros gente boa mas que não tem sorte. Entende?

O Ituano comandado pelo ex-volante são-paulino Doriva jogou o tempo todo tranquilo, tanto é que errou menos passes mesmo tendo menor porcentagem de posse de bola e cumpriu fielmente o que foi determinado taticamente, além de mostrar um condicionamento físico excelente.

Tanto é que no contra-ataque que resultou no gol da vitória do Ituano, aos 38 minutos, Vinicius perdeu a bola e ficou, Juninho dividiu, perdeu e ficou, no primeiro chute de Josa a bola bateu em Lúcio e sobrou para Marcelinho que, livre de marcação, de fora da área, bateu de primeira no canto esquerdo do goleiro Bruno. Marcelinho é aquele mesmo que foi campeão da Taça São Paulo pelo Corinthians. Mais esta ainda, heim?

Detalhe interessante. O Verdão teve um dia a menos para se preparar que o Ituano, mas o Palmeiras foi eliminado por sua incompetência e pela equipe dona da melhor campanha como visitante, além de ter a defesa menos vazada do campeonato.

Mesmo que o árbitro Antonio Rogério Batista do Prado não tenha acrescentado todo o tempo que o Palmeiras queria, deu apenas quatro minutos, não pode ser responsabilizado embora tenha sido muito conivente com a simulações de contusões sofridas pelo goleiro Vagner. Mas, não é só ele que age assim no Brasil. Já passou da hora dos árbitros punirem as farsas protagonizadas pelos goleiros. Pau neles! Não, cartão.

Palmeiras e Santos devem fazer a decisão do Paulistão

Sergio Barzagui – Gazeta Press

Definidos os semi-finalistas do Paulistão-14, observamos que as equipes com melhores campanhas e, disparadamente, candidatas ao título não deram chances para que a zebra, literalmente adversários de preto e branco, os eliminassem.

O Santos goleou a Ponte Preta e o Palmeiras venceu o Bragantino por 2 a 0 com gols de Alan Kardek e Wesley. Domingo conheceremos os finalistas depois dos jogos entre Santos x Penapolense e Palmeiras x Ituano. São dois clubes considerados grandes contra dois clubes rotulados de pequenos e do interior. Será que teremos zebra?

A euforia toma conta dos torcedores palmeirenses e santistas que não acreditam numa final que não envolvam as duas equipes donas das melhores campanhas do campeonato. Bem, em se confirmando os dois grandões na final, que será em dois jogos, como serão definidos os estádios já que é prerrogativa da Federação Paulista de Futebol escolher o local para as finais.

Seria um jogo em Santos e outro em São Paulo ou os dois jogos em São Paulo? Ou um jogo no interior e outro na capital ou no litoral? O poder de atender ou não a vontade dos clubes é da FPF. Espero que os torcedores descontentes com o que ficar definido não apareçam na avenida Paulista para encher o saco como estão fazendo contra a Copa do Mundo da FIFA.

O Palmeiras foi superior o tempo todo mas encontrou muita dificuldade para vencer o Bragantino em pleno Pacaembu. O técnico Kleína foi corajoso ao iniciar o jogo com Valdívia, Leandro, Bruno Cesar e Kardek, formando o meio campo com Marcelo Oliveira e Wesley. Não sei se chegou a surpreender Marcelo Veiga mas, que deixou o time de Bragança mais preocupado em marcar e defender do que atacar, deixou.  Pena que, no primeiro tempo, Leandro não rendeu o que dele se esperava e Valdívia carregava mais a bola do que criava e raciocinava mais para encontrar uma maneira de provocar os adversários do que deixar seus companheiros em condições de abrir o marcador.

Será que para ser ídolo um jogador talentoso, daqueles que faz a diferença, precisa ser catimbeiro, odiado, caçado e taxado de mau caráter pelos adversários? Como é o comportamento em campo daqueles que sempre estão concorrendo pelos prêmios de melhores do mundo?

O árbitro Flávio Guerra que, por ser muito tranquilo, sossegado, frio, daqueles que você pode escala-lo para ficar contando degraus de escada rolante por horas, tem um estilo de arbitragem que ao mesmo tempo que acalma os ânimos dos jogadores, as vezes também possibilita um confronto mais agressivo justamente por não ser enérgico no comento correto. Assim sendo, permitiu que Valdívia fosse caçado e caçasse os adversários como Francesco e Jeandro. Todos foram advertidos com o cartão amarelo mas Guerra não teve coragem de expulsar Francesco pelo segundo amarelo.

Estaria o árbitro orientado para não expulsar ninguém ou só não expulsou porque o Palmeiras já vencia por 2 a 0? Se um árbitro atender pedidos para evitar cartões, ficará vulnerável para solicitações de que determinada equipe tem que ganhar ou perder. Ou não?

Embora o mando tenha sido do Palmeiras, os dirigentes se acertaram para que a renda fosse dividida