Vôlei de Praia: brasileiros no pódio

Denis Ferreira Netto/CBV

Denis Ferreira Netto/CBV

O último fim de semana foi a glorificação do vôlei de praia do Brasil nas finais do Campeonato Mundial da modalidade, realizadas em Haia, na Holanda.

Nosso país teve um desempenho tão fabuloso que, das seis vagas do pódio nas jornadas decisivas, cinco eram de nossos conterrâneos.

Estes triunfos chegam em um momento em que o futebol começa a perder impulso e as críticas estão superando os aplausos no nosso soccer.

Não podemos argumentar com o fato do vôlei de praia ser considerado um esporte de importância secundária. O Campeonato Mundial, efetuado em várias cidades da Holanda, teve sempre casa cheia e a final masculina entre Brasil e os donos da casa reuniu um público de mais de 5000 pessoas. O pódio da disputa masculina teve no topo Alison e Bruno Schmidt, os holandeses Christiaan Varenhorst e Reinder Nummerdo, que ficaram com a prata, e no degrau destinado ao bronze mais uma dupla amarelinha, integrada por Evandro e Pedro Solberg. Estes, na disputa pelo terceiro lugar, superaram a dupla norte-americana, composta por Theodore Brunner e Nick Lucena por 2 sets a zero.

A foto do pódio dos jogos finais do mundial feminino, disputados no sábado, documentada por dezenas de fotógrafos, é digna de figurar no nosso museu do esporte para que as futuras gerações nunca esqueçam de nossa hegemonia no vôlei de praia nesta década. Três equipes ocupando os lugares destinados para o ouro, a prata e o bronze. Eis os nomes das estrelas: as do ouro se chamam Ágatha e Barbara Seixas, as da prata, Fernanda Berti e Taiana (que disputaram a final) e as de bronze Juliana e Maria Elisa, que derrotaram as alemãs Holtwick e Semmler.

Na hora em que o torcedor brasileiro abandonar a sua centralização no futebol e diversificar seu interesse para outras modalidades, terá muitas alternativas de bons espetáculos para curtir e alegrias da vitória. Os Jogos Olímpicos, com 42 modalidades, podem contribuir para esta ampliação do leque de interesses.

Falando-se em Jogos Olímpicos, estes dois ouros obtidos na Holanda, nos certames masculino e feminino, aumentarão duas vagas para o nosso país naquele mega evento poliesportivo de 2016: a primeira é a vaga natural por ser cidade-sede do evento e a segunda uma outra por termos vencido o Campeonato Mundial.

Pelo jeito, não estamos livres de ver dois brasileiros no pódio olímpico do Rio de Janeiro, onde o vôlei de praia vai tornar-se modalidade de primeira grandeza.

 

NO PÉ

Também no vôlei de quadra

Também no vôlei de quadra estamos por cima. Ontem o time principal feminino do Brasil, comandado por José Roberto Guimarães, superou a Tailândia na casa do adversário, diante de um público impressionante torcendo pelo time da casa.

Nossas conterrâneas lideram o Grupo A do Grand Prix da Federação Internacional de Voleibol.

O certame terá prosseguimento a partir da próxima sexta-feira, no Ginásio do Ibirapuera, onde a equipe feminina enfrentará a Bélgica, a Alemanha e a própria Tailândia.

Cem anos de Moacyr Daiuto

1948 - Moacyr DaiutoSe fosse vivo, o grande técnico de basquete estaria completando cem anos neste mês de julho. Ele foi meu professor quando eu cursei a Escola Superior de Educação Física de São Paulo, hoje integrada à USP. Eu fui seu amigo próximo e escrevi um livro biográfico e sobre a sua carreira.

Para não deixar passar em branco tão importante efeméride, a unidade Centro da Associação Cristã de Moços, sediada na rua Nestor Pestana, 147, lançou a “Semana Comemorativa do Centenário do Prof. Dr. Moacyr Brondi Daiuto”, programada para o período entre 13 e 18 deste mês de julho, na sede daquela entidade, com as seguintes atividades:

13/07 – 18 horas – Abertura, coquetel e lançamento da revista “O Centenário de Moacyr Brondi Daiuto”

14/07 – 12:30 horas – Quadrangular de basquete (adulto)

15/07 – 16 horas – Clínica de basquete (07 a 14 anos)

16/07 – das 14 às 10 horas – Clínica de basquete e jogos das faixas

17/07 – 16 horas – Dessafio de basquete (11 a 17 anos)

18/07 – das 8 às 12 horas – Workshop e palestra do prof. Dante de Rose

Moacyr foi o primeiro técnico de basquete a conquistar uma medalha olímpica para o Brasil (bronze) em um esporte coletivo. Este fato ocorreu em 1948, na cidade de Londres, logo após o encerramento da II Guerra Mundial (os Jogos de 1940, programados para o Japão, e os de 1944 deixaram de ser realizados por causa daquela conflagração).

 

Algo sobre Moacyr

Meu biografado nasceu na Alta Mogiana, num vilarejo denominado Nossa Senhora da Piedade do Mato Grosso dos Batatais, a 377 quilômetros da Capital. Quando ele tinha 3 anos de idade, o vilarejo tornou-se município com o nome de Altinópolis, em homenagem a Altino Arantes, figura de destaque na política no início do século XX.

Aquela região tornou-se rica em virtude da expansão da cultura cafeeira. Este fato levou ao desenvolvimento da educação. O pai de Moacyr, João Daiuto, foi para o Arraial, como professor primário, e lá encontrou sua esposa, Maria Brondi. Ambos eram filhos de italianos.

No mesmo ano do nascimento de Moacyr, o prof. João Daiuto foi transferido para Brodowski, também na Alta Mogiana, onde foi professor do grande artista Cândido Portinari. Chegou a ser diretor do Grupo Escolar de Igarapava, em 1921. Foi nesta escola que Moacyr se alfabetizou.

A vida nômade de um diretor de escola primária trouxe o pai de Moacyr para São Paulo, que foi residir com a família no bairro da Barra Funda. Moacyr foi estudar no grupo escolar da região, hoje denominado Grupo Escolar Antônio Prado, localizado na confluência da rua Albuquerque Lins com Vitorino Carmilo. Este estabelecimento dividiu o seu espaço durante mais de três décadas com o Colégio Estadual prof. Macedo Soares, onde o autor destas linhas exerceu a melhor parte de sua carreira de professor de Educação Física. Neste colégio estudou o filho de Moacyr, chamado Fernando Thide Daiuto.

 

Primeiro contato com o basquete

A mudança do clima quente da Alta Mogiana para o frio de Sâo Paulo causou-lhe problemas de saúde, que eram tratados com remédios da época, como a Emulsão Dr. Scott, composta por óleo de fígado de bacalhau. Seus médicos também lhe recomendaram exercícios, fato que selou seu destino. Assim que se formou na escola primária, ele foi encaminhado para a Associação Cristã de Moços, que funcionava na Rua Santa Isabel, 3, bem perto do Largo do Arouche. Sua admissão ocorreu em 1928, quando ia completar 13 anos.

Foi lá que aprendeu ginástica calistênica e se apaixonou pelo basquetebol, na época chamado de Bola ao Cesto. Esta modalidade deu-lhe, em 1929, sua primeira medalha num campeonato interno.

A seguir, Moacyr entrou na Escola Normal Caetano de Campos, e obteve o diploma de professor normalista assinado pelo famoso educador Antônio Firmino de Proença.

Em 1934, o Governo do Estado de São Paulo abriu inscrições para a 1ª turma da Escola Superior de Educação Física de São Paulo e Moacyr foi aprovado.

Estava claro que no início desta Escola havia uma carência de professores especializados para este curso. Logo após sua formatura na ESEF, partiu para a conquista de uma vaga de professor na Escola em que acabava de se formar, valendo-se da experiência que havia adquirido na ACM. Sua nomeação não o afastou das atividades acemistas.

 

Carreira

Para não extrapolar o espaço deste artigo, basta informar que Moacyr desenvolveu alta atividade cultural, proferindo elevado número de conferências no exterior. Em 1935, resolveu fazer o CPOR, Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva, de onde saiu com a graduação de Tenente.

Foi técnico da seleção universitária de basquete e, entre outros títulos, foi cinco vezes campeão brasileiro. Obteve 6 títulos de campeão paulista masculino e 5 de campeão feminino. Conquistou 5 títulos nacionais e 2 internacionais.

Nas três décadas de banco de quadras, Moacyr atuou em diversos clubes, principalmente no Corinthians. Sua carreira não foi somente de dirigir seleções. Ele dirigiu o alvinegro nos anos de 1964, 65, 66, 67, 68, 69 e 70, com jogadores idolatrados no basquete brasileiro.

Sob seu comando, o clube do Parque São Jorge venceu cinco certames estaduais (64, 66, 67, 68 e 69). EM nível nacional, o Corinthians venceu três campeonatos brasileiros (65, 66 e 69).

O Corinthians não teve, porém, a exclusividade sobre Daiuto. Ele já envergou os uniformes do CR Saldanha da Gama, de Santos, do CR Tumiaru, de São Vicente, da SE Palmeiras, doTênis Clube Paulista, do EC Pinheiros e, nos Jogos Abertos do Interior, foi responsável pelas equipes de Campinas e Piracicaba.

Excluindo as atividades na área universitária, o total de títulos do grande técnico é o seguinte:

- Campeonatos da cidade de São Paulo: 17 (masculino)

- Campeonatos do Estado de São Paulo: 6 (masculino)

- Campeonatos Nacionais: 14 (masculino) e 4 (feminino)

- Campeonatos internacionais: 16 (masculino)

Além de técnico de basquete, Moacyr fez carreira como técnico do Departamento de Esportes do Estado de São Paulo e chefe do Serviço de Esportes (1956).

Em 1970, Daiuto atingiu o teto de sua carreira profissional ao assumir a direção da Escola de Educação Física, na ocasião já incorporada à USP. Ele encerrou sua carreira como diretor do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da SEME.

Hoje o resgate da memória da grande obra de Moacyr Daiuto se deve à sua esposa Loyde Del Nero Daiuto.

 

Uma Copa efetivamente Continental

fotoO pioneirismo de A Gazeta Esportiva na divulgação de mega eventos patrocinados (com a implementação de Comunicações Nicolini) foi sempre pontuado por certames de alta repercussão. Um dos principais, até os dias de hoje, foi a Taça Continental de Futebol de Salão, patrocinada pela Cia. De Cigarros Souza Cruz, no ano de 1981.

Em sua primeira edição, em harmonia com a denominação da marca patrocinadora, reuniu o que havia de melhor nesta modalidade em nosso continente. O certame contou com a participação das equipes do Palmeiras, Corinthians, Gercan e São Paulo FC (de São Paulo), Fluminense, Flamengo, Vasco da Gama e Monte Sinai (do Rio de Janeiro), Atlético e Olympico (de Minas Gerais), Grêmio (do Rio grande do Sul) e Sumov (do Ceará). Trouxe ainda do exterior o Olímpia, do Paraguai, o Rosário Central e o Newell’s Boys, da Argentina, e o Peñarol, do Uruguai.

A abertura foi efetuada no ginásio da SE Palmeiras, com um desfile que lotou o centro da quadra com os participantes e as arquibancadas repletas de entusiasmados espectadores, além de deixar também completa a tribuna composta por esportistas de prestígio e o alto comando da Souza Cruz.

Foi uma festa colorida pela bandeira de todas as equipes participantes. Antes do início de cada partida era executado o hino de um dos dois clubes litigantes.

Este mega evento foi repetido em 1983, com um “status” ainda maior dos clubes participantes e a vinda de uma equipe da Holanda. Foi disputado no Ginásio do Ibirapuera e transmitido pela TV Record, alcançando altos índices de audiência.

Vôlei de Praia em destaque

Juliana e Maria Elisa, dupla brasileira que está no grupo G da competição. Foto: CBV

Juliana e Maria Elisa, dupla brasileira que está no grupo G da competição. Foto: CBV

Interrompemos a série de artigos sobre os setenta anos de atividade contínua no jornalismo para comentar um fato glorioso de eficiência esportiva na modalidade de vôlei de praia, que não conta com a justa divulgação do jornalismo.

O vôlei de praia é um esporte olímpico e está realizando o seu Campeonato Mundial na Holanda, tanto na área feminina, onde é mais acentuada a nossa hegemonia, quanto na masculina.

No último sábado vencemos todos os jogos programados, o mesmo acontecendo com os seis do domingo e três dos seis marcados na tabela de ontem.

Alison e Bruno Schmidt terminaram em 1º lugar no grupo C das etapas classificatórias, com 100% de aproveitamento.

Também no feminino, três duplas se garantiram para a próxima fase: Ágatha e Bárbara Seixas lideram a chave F, Juliana e Maria Elisa estão em segundo no grupo G e Fernanda Berti e Taiana venceram as adversárias suíças e já são as líderes do grupo I.

É uma pena que, exceto pelas transmissões do canal por assinatura da Globo, o vôlei de praia esteja praticamente ignorado pelos demais veículos de comunicação, principalmente os impressos. A geração que defende esta modalidade esportiva precisa ser estimulada para que, nos Jogos Olímpicos do próximo ano, ela contribua com um número de medalhas que coloquem o Brasil no “big ten”, isto é, entre as nações com maior número de medalhas.

O Campeonato Mundial prossegue, agora com partidas mais difíceis, destinadas a serem apreciadas por quem gosta do verdadeiro esporte. São um convite para belos espetáculos, jogos que não se pode perder. É preciso conter o “tsunami” de más notícias proporcionadas pela economia, pela política e pelo futebol brasileiro e internacional.

O patrocínio mais diversificado

Acervo Pessoal

Acervo Pessoal

Em artigo desta série, publicado no último dia 15 de junho, falamos sobre um dos maiores eventos que produzimos nestas sete décadas de jornalismo contínuo. Trata-se do “Revezamento Gigante”, a maior prova de natação realizada no mundo e reconhecida pelo Guinness Book. O cliente foi “Casas Pernambucanas”, um dos patrocinadores mais fiéis dos eventos efetuados sob a égide de A Gazeta Esportiva.

Em outros textos desta série, citamos a “Pernambucanas” como colaboradora com merchandising de quadra no 1º Campeonato Mundial Universitário de Futebol de Salão, divulgado pelo mais completo jornal esportivo do continente.

Entretanto, esta é apenas uma pequena parte da diversidade de eventos que caracterizaram o vínculo da empresa criada pela família Lundgren com a Fundação Casper Líbero.

Se buscarmos a relação das iniciativas que se enquadram neste caso, vamos encontrar, entre elas, o Programa Ricardo Prado, que recebeu a medalha de ouro do Prêmio Colunistas em 1984 e que deu margem ao aparecimento de Gustavo Borges na natação brasileira. Voltaremos a publicar uma reportagem exclusiva sobre este evento. Por ora, apenas dizemos que ele era constituído por várias dezenas de competições para nadadores não filiados a então Federação Paulista de Natação, com uma final em São Paulo com os 16 melhores classificados no ranking de todas as competições regionais.

Outro super certame que vai receber um artigo exclusivo são os Jogos do Oeste, mais tarde rebatizados com o nome de Jogos Pernambucanas. Esta foi uma disputa colegial poliesportiva, realizada em uma dezena de regiões e com a grande final itinerante, efetuada em diversas cidades do Paraná e Santa Catarina, área na qual as Casas Pernambucanas tinham interesse mercadológico especial.

No verão de 1985, a “Casas Pernambucanas” patrocinou o “Vôlei no Parque”, um evento realizado no Parque do Ibirapuera, nos meses de janeiro e fevereiro. As equipes eram mistas (três homens e três mulheres), fato original nesta modalidade esportiva. O público alvo era amplo, ia desde os jovens (18 anos) até os “coroas” de mais de 35 anos. O público acompanhava interessado todas as partidas.

Já o Programa Pernambucanas de Natação foi uma ampliação do Programa Ricardo Prado, e convidou nadadores do exterior para exibições e clínicas. Uma delas teve a participação do recordista mundial Alex Bauman. As “Pernambucanas” também convidaram os nadadores mais destacados neste torneio para assistir aos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles.

Juntamente com A Gazeta Esportiva, patrocinaram ainda uma travessia do nadador carioca Gastão Figueiredo, de 75 anos de idade, no Rio Tietê. Frustrado por não ter conseguido atravessar o Canal da Mancha, ele se dispôs a nadar da foz do Rio Piracicaba até chegar em Barra Bonita, 33 quilômetros a frente e 12 horas depois. Comunicações Nicolini foi contratada para a estrutura desta ação, que constava da autorização de autoridades para a locação de uma embarcação para o acompanhamento do nadador e seu médico e outra maior para jornalistas e autoridades.

Concluindo, podemos dizer que “Casas Pernambucanas” foi uma das primeiras patrocinadoras, permanecendo como cliente de A Gazeta Esportiva durante mais de uma década, criando até vínculos de amizade entre seus executivos e os jornalistas encarregados da implementação de tantos mega eventos.

Resgatando a memória do esporte

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Já contamos mais de uma vez neste blog que na segunda quinzena de março do próximo ano completaremos setenta anos de atividades ininterruptas no jornalismo esportivo. Na avaliação desta carreira, verifiquei que nenhum outro colega de São Paulo e mesmo do Brasil havia chegado a uma vida profissional tão longa. Estou pesquisando no Guinness Book se minha carreira não é a mais longa do mundo.

Sou o associado mais antigo da ACEESP e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e o funcionário com mais tempo de registro na Fundação Casper Líbero.

Esta rara circunstância me levou a escrever uma série de artigos sobre a diversidade das ações desenvolvidas nestas sete décadas através de A Gazeta Esportiva, um mega projeto que está precedendo outro com a mesma ousadia: escrever cerca de 500 artigos sobre a história do Olimpismo Brasileiro. Devo iniciá-lo dentro de um mês, quando espero concluir a série sobre os setenta anos.

Ela pretende ser um dos mais completos relatos do jornalismo eletrônico, começando em 23 de junho de 1894, quando os Jogos Olímpicos foram restabelecidos e fundado o Comitê Olímpico Internacional, até fins de setembro de 2016, um mês após o encerramento daquele grandioso evento programado para o Brasil. Será o balanço final da disputa da qual seremos os anfitriões.

Quando já havíamos avançado bastante no primeiro mega projeto, nos demos conta de que este trabalho está tendo uma outra finalidade além dos motivos pelo qual foi criado e que não fazia parte das intenções iniciais. Através dos meus artigos sobre momentos vividos e das coberturas que fiz, acabamos contando muita coisa da própria história de A Gazeta Esportiva, o que não deixa de ser do próprio esporte nacional, tal o papel que este jornal representou no esporte brasileiro.

Contribuir para preservar a memória do esporte constitui uma responsabilidade para um jornalista com muitas décadas de vivência, que cobriu os 1º Jogos Desportivos Pan-americanos em 1951 e que viveu todas as promoções deste jornal que, além de noticiar, produzia esporte.

O entusiasmo com que me dedico nos meus quase 90 anos a esta tarefa prende-se também ao fato de que as gerações modernas, em sua maioria, ignoram os acontecimentos que levaram à atual estrutura do esporte. No grande revezamento de gerações, é fundamental que os mais jovens tenham conhecimento do que fizeram os que correram o percurso anterior. Um sólido conhecimento do passado é a base para o planejamento do futuro. Nesta série, também divulgamos com grande felicidade a grandeza da Fundação Casper Líbero.

 

Mundial Universitário de Futsal

MUNDIAL UNIVERSITÁRIO 20001O êxito obtido pela realização no Brasil do 1º Campeonato Mundial de Futebol de Salão, em 1982, animou a Confederação Brasileira de Desportos Universitários a seguir a trilha de sucessos, unificando a regulamentação da modalidade esportiva que estava nascendo e conquistando um recorde de público no Ibirapuera.

MUNDIAL UNIVERSITÁRIO 30001_pO clima já estava formado e, dois anos depois, em 1984, foi lançado o certame estudantil, que contou com a participação dos principais países da América do Sul, onde a modalidade já estava consolidada, e ainda com a presença de Alemanha, Itália, Espanha e Líbano.

A solenidade inaugural do evento universitário, também realizada no Ginásio do Ibirapuera, foi primorosa, seguiu todos os preceitos olímpicos e caracterizou-se por seu alto nível. Alguns jogos do certame foram realizados na cidade de Sorocaba, mostrando para as equipes visitantes o vigor do esporte no Interior de São Paulo.

Todas as partidas estavam repletas de espectadores, fato comprovado pelas fotos que ilustram este artigo. A Gazeta Esportiva deu grande cobertura a este evento, cuja organização esteve a cargo de Comunicações Nicolini.

A CBDU não conseguiu um patrocinador. Os recursos para a sua realização foram obtidos por intermédio de “merchandising” de quadra, do qual participaram as Casas Pernambucanas, a Cia Souza Cruz (promovendo a marca Plaza) e Pão Americano Ind. Com. S.A. (fabricante do pão Pullman).

Este 1º Campeonato Mundial Universitário teve prosseguimento com 13 edições do certame. O último foi efetuado em 2014, em Málaga, na Espanha, com a equipe feminina conquistando o tetracampeonato e a equipe masculina ficando com a prata.

A edição de 2016 está programada para o Brasil, na cidade de Goiânia, com a presença de 30 países.

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Natação: Capital X Interior

Nestes setenta anos de promoção do esporte a Yakult se destacou por ter sido a primeira patrocinadora da “Operação Juventude” (corrida e salto em distância). Ela também diversificou a sua atuação na área do esporte, promovendo um importante evento na área da natação. Foi o primeiro confronto entre as seleções da Capital e do Interior. A sede da competição obedecia um sistema de rodízio entre São Paulo e uma das cidades interioranas.

O primeiro destes certames foi realizado na cidade de Campinas, com a presença de grande público, porque apresentava os melhores nadadores do Estado de São Paulo.

O curioso é o contraste entre os dois eventos patrocinados pela Yakult: um, a Operação Juventude, na área do atletismo e voltada para a base do esporte, para os jovens que nunca tinham competido anteriormente; o outro, de natação, somente para os atletas consagrados.

 

NO PÉ

1 – Nos três degraus do pódio

nico_PÓDIO VÔLEI DE PRAIAComo brasileiro senti-me muito feliz ao ver, no último domingo na televisão, a solenidade de premiação do Grand Slam de Vôlei de Praia, realizado em São Petersburgo, no Estados Unidos.

Os três degraus do pódio estavam ocupados por duplas brasileiras, mostrando nitidamente para todo o mundo a hegemonia do nosso país nesta modalidade esportiva.

Fazemos votos que esta superioridade prossiga até o início do segundo semestre do próximo ano, quando qualquer das três poderá conquistar mais um ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

 

2 – Faleceu Celso Pinheiro Doria

nicolini_300É uma pena a gente verificar como o culto à nossa memória esportiva é desprezado pelos esportistas das gerações atuais.
A notícia da missa de sétimo dia de falecimento de Celso Pinheiro Doria saiu somente na seção de necrologia do “Estadão”. Não vimos nenhuma referência ao grande campeão nos jornais ou noticiários de TV que costumamos acompanhar.

Celso foi um grande atleta na década de 40 e voleibolista do CA Paulistano. No atletismo, conquistou três medalhas de prata no sul-americano de 1945, no Uruguai.

Em 1946, foi vice no sul-americano de decatlo, e nos anos 60 foi para o basquete e o vôlei, modalidades em que se tornou um dos melhores de São Paulo defendendo o CA Paulistano. Chegou a ser campeão sul-americano de voleibol.

Como dirigente, ocupou importantes cargos na direção da agremiação alvi-rubra do Jardim Europa.

Nosso blog, que sempre prezou a história do esporte, não poderia esquecê-lo, principalmente porque sempre presenciei e escrevi em minha longa carreira jornalística sobre inúmeras apresentações do grande campeão, quer na pista do CR Tietê, quer no ginásio do Paulistano.

 

3 – Bem-vinda Luiza

Os jornais de ontem contam que o Governo Federal nomeou Luiza Trajano para representá-lo na Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos, que serão realizados no ano que vem no Rio de Janeiro. Ela substitui Henrique Meirelles que teve, há alguns anos, uma atuação destacada no Banco Central.

Luiza Trajano é proprietária da rede de lojas de varejo Magazine Luiza e é altamente considerada por sua experiência administrativa.

Para chegar no ponto em que chegou, creio que não há dúvidas quanto à sua  idoneidade, o que a torna a esperança de todos os esportistas bem intencionados de nosso país. Esperamos que ela venha coibir os abusos de corrupção, que chega a ser endêmica na área do COB.

A expectativa é que ela, como grande administradora, faça com que os parcos recursos provenientes do Governo e dos patrocinadores sejam efetivamente utilizados para os Jogos e desviados dos bolsos de gestores pouco idôneos.

Bem-vinda Luiza!

 

O evento mais diversificado

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foto01No artigo de 17 deste mês de junho, que integrava a série dos meus setenta anos de atividade jornalística ininterrupta, citamos as empresas que patrocinam eventos para o público interno, isto é, o estímulo aos seus servidores e a integração entre os diversos setores que as compõem. Propositadamente, deixamos o caso da Philips para um capítulo específico, pois o evento por ela encabeçado teve uma ação tão ampla e diversificada que merecia um texto a parte. Esta deve ter sido a maior iniciativa do gênero já realizada em nosso país.

A motivação do patrocínio da Philips foi a comemoração dos 70 anos da chegada da grande empresa ao nosso país. Foi uma inspiração do então presidente Franciscus Sluiter e envolveu todas as empresas integrantes da holding. Na parte esportiva, foram realizadas disputas de voleibol (masculino e feminino), basquetebol, futebol de campo, tênis, xadrez, futebol de salão, dominó, tênis de mesa, atletismo, natação e truco.

Entre as atividades artísticas e culturais, foram realizados concursos literários, de desenho, de pintura, de fotografia e de música (composição e interpretação).

Foi criada ainda uma categoria a parte, para integrar a família dos competidores, nas modalidades de atletismo, natação, xadrez, concurso literário, pintura e desenho. Com esta medida, também filhos e esposas eram incorporados à festa.

A “Olimpíadas Philips” teve também competições eliminatórias, envolvendo unidades sediadas em Manaus e Recife.

Houve ainda ações que complementaram a programação, como a escolha da mais bela funcionária, a melhor apresentação no desfile de abertura e a entrega do Troféu Fair Play ao melhor comportamento ético esportivo do certame.

Com tal diversidade de universos, praticamente todos os funcionários da Philips acabaram sendo mobilizados, pois dificilmente haveria uma pessoa que não estivesse apta para participar de alguma ação da intensa programação.

Conseguimos que as principais finais fossem realizadas no Estádio Municipal do Pacaembu. Imaginem o orgulho das duas equipes finalistas jogarem a final de futebol no principal estádio de esportes daquela época ou os tenistas jogando as últimas partidas na quadra coberta de tênis de nossa municipalidade, bem ao lado da estátua de Maria Esther Bueno. As finais de natação tiveram lugar na piscina coberta da Água Branca.

O desfile da final nacional foi realizado no ginásio de esportes do Pacaembu e reuniu um dos maiores públicos da história daquele local. Lá foram realizadas as finais dos esportes de quadra, eleita a mais bela funcionária e todas as atividades artísticas. No palanque das autoridades estavam o Estado Maior da Philips, Osiris Silva (presidente da Embraer) e o presidente do COB. No júri, para a escolha da mais bela funcionária, estavam personalidades como Ala Szerman, Joyce Leão e Wolfgang Sauer. No espetáculo, registrando a glória de sua amplitude, os espectadores ouviram até um repentista do Nordeste.

A Philips editou uma revista específica sobre estas olimpíadas internas com fotos que documentaram toda a grandiosidade do evento.

Satisfeita com os resultados obtidos, esta empresa desenvolveu um programa muito ativo de estreitamento com seus clientes preferenciais, com a realização de um certame de futebol de salão de alto padrão. Concorreram 48 empresas de seu relacionamento comercial, através de convite, sediadas em São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Americana, Campinas, Jundiai e Santos.

Nas escolas de samba do Rio

COPA-RIVER0001-2Uma das experiências mais extravagantes nos meus 70 anos de jornalismo ativos e sem interrupções aconteceu no Rio de Janeiro no ano de 1982, quando um dos dirigentes da RJ Reynolds, sediada naquela cidade e em São Paulo, solicitou que organizássemos um certame de futebol para as principais escolas de samba do Rio de Janeiro para divulgar sua marca de cigarros River. O torneio seria realizado no Aterro do Flamengo, espaço que na época era utilizado para “peladas” vinte e quatro horas por dia.

Este campeonato movimentou um público médio de 5000 pessoas por jogo, teve um espetacular retorno na mídia impressa e a participação das seguintes escolas de samba: Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija Flor, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha, Mocidade Independente, Unidos de São Carlos, Unidos da Tijuca, Unidos da Ponte, Unidos do Lucas, Império Serrano, Império da Tijuca, Arrastão de Cascadura, Vila Isabel e Lins Imperial.

Como o cliente queria realizar o certame duas semanas antes do Carnaval, o regulamento foi divulgado um pouco em cima da hora. Ele previa que jogadores profissionais ou registrados na federação correspondente não poderiam ser inscritos, a fim de que fosse preservada a autenticidade dos participantes do evento.

Certas de que não haveria tempo para conferir a condição dos jogadores, muitas equipes incluíram atletas registrados. Mas essa irregularidade foi anotada pela equipe de organização, deslocada de São Paulo, que apurou diversos jogadores que não poderiam participar.

De olho em um prêmio em dinheiro, alguns dirigentes de escola de samba vieram me “peitar” numa reunião realizada no restaurante do Hotel Novo Mundo, bem em frente ao local dos jogos. O presidente da Unidos de São Carlos era o interlocutor. Respondi com uma frase: “Assim como não estou deixando jogar um atleta irregular no seu time contra outro time, não estou deixando o de outro time jogar contra o seu”.

Numa atmosfera reinante de grande desconfiança dominada no samba Guanabara daquela época, a frase teve efeito fulminante: todos aceitaram a igualdade e abriram mão de seus “gatos”, certos de que a regra do campeonato era geral.

Sei que corri sérios riscos pessoais e que o certame poderia ter sido anulado, mas até hoje soa nos meus ouvidos uma frase dita por um dirigente de escola para outro e que eu consegui ouvir: “Precisava vir um paulista para moralizar o samba carioca”.

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A municipalidade do Rio instalou no local um palanque para as autoridades e o próprio prefeito municipal da cidade maravilhosa, Marcello Alencar, compareceu e assistiu partidas inteiras e deu a maior força para a competição.

Enquanto eu percorria o local das partidas em que a equipe de A Gazeta Esportiva atuava como anotadora, minha esposa me representava no reservado para autoridades. A Federação das Escolas de Samba colaborou, enviando uma das rainhas de bateria (ou comissão de frente) com tão pouca roupa que foi a grande atração do público masculino.

A satisfação das escolas com a participação no evento foi tão grande que, terminados os jogos, a direção da Portela convidou a mim e a minha esposa para uma noitada de samba em seu barracão de ensaios. Perto da exibição das passistas portelenses, vimos que nós, paulistas, não tínhamos “samba no pé”.

Até hoje, quando assistimos pela televisão ao desfile das escolas do Rio, nossa torcida é para a Portela.

Satisfeita com o êxito, a Reynolds decidiu realizar o mesmo evento em São Paulo. Na ausência de um local específico como as quadras do Aterro do Flamengo, o certame transformou-se na Copa River de Futebol de Salão, repetindo-se também em 1983 o certame no Rio Grande do Sul.