Pacaembu é inalienável

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com a construção pelo Corinthians da arena de Itaquera e com o Palmeiras tendo reformado o seu campo no Parque Antártica, ressurge a triste notícia que o poder municipal pretende privatizar, isto é, vender o Pacaembu.

Eu discordo completamente desta ideia, nascida provavelmente da crise econômica que assola os poderes públicos.

O Pacaembu tem uma história da qual a cidade não pode abrir mão. Foi a sede de grandes espetáculos desde a sua fundação, em 1940. Aconteceram lá o desfile inaugural e as principais disputas de natação, atletismo, tênis, basquete e vôlei dos IV Jogos Desportivos Pan-americanos. Durante décadas o Pacaembu foi o teatro das finais dos Jogos Colegiais, com demonstrações de educação física e também foi sede da Escola Superior de Educação Física, mais tarde incorporada à Universidade de São Paulo.

Atualmente o estádio dos paulistas não é utilizado somente para grandes jogos. Ele pertence à população da cidade, que utiliza suas instalações para a prática de atletismo, natação, tênis, basquete, vôlei e outras modalidades.

Se o nosso estádio histórico permanecer nas mãos da municipalidade ele servirá para jogos em que não intervenham os clubes que já possuam suas arenas.

A mim, pessoalmente, a desmunicipalização do estádio causa uma grande desilusão. Creio que sou um dos poucos esportistas vivos que participaram do desfile inaugural daquele estádio. Como nadador do CR Tietê, integrei o grupo de seus militantes para representá-lo. Quando a Escola Superior de Educação Física de São Paulo funcionou naquele local, fiz todo o meu curso naquela casa do esporte. Nos Jogos Pan-americanos de 1963, como membro do conselho técnico da entidade que hoje seria a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e como presidente da Federação Paulista de Natação, comandei a realização daquela Olimpíada das Américas.

Foi no Pacaembu que milhares de japoneses e descendentes asiáticos choraram durante a visita dos Peixes Voadores ao Brasil. Foi a primeira vez em que o hino nacional nipônico foi executado, após uma década do rompimento de relações diplomáticas causadas pela II Guerra Mundial.

O Pacaembu é um patrimônio público, até recentemente enriquecido neste aspecto como propriedade de nossa comunidade.

É uma imprudência deixar nas mãos de pessoas despreparadas a alienação de um patrimônio que representa a cultura da população de São Paulo. O Pacaembu é um bem cultural de nosso povo.

 

Uma “Copinha” bem grande

AFP

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Em janeiro de 2014, fizemos uma crônica neste meu blog discordando da denominação que parte do jornalismo esportivo está dando para a Copa de Futebol  Júnior.

Este evento está sendo chamado por muitos de “Copinha”, diminutivo que pode ter até um tom carinhoso. Mas, se ele não for empregado com este intuito, achamos que a denominação representa uma grande injustiça, dada a grande dimensão e a contribuição da Copa para a difusão da infra-estrutura  do futebol brasileiro.

Este certame foi criado há mais de meio século dentro da Secretaria Municipal de Esportes. Foi em torno de 1970, na gestão de Carlos Joel Neli, primeiro titular daquela pasta, que assumiu as funções no “Conselho Municipal de Esportes”.

A “Taça São Paulo” teve como principal condutor o esportista Fabio Lazari,na época chefe do DEPEL,  o Departamento de Promoções Esportivas da SEME.

Fabio acompanhou todas as vicissitudes da Copa São Paulo, inicialmente sob a égide da SEME (Secretaria Municipal  de Esportes) depois da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo e, a seguir, da Federação Paulista de Futebol.

Hoje, pela sua regulamentação, ela mobiliza 104 equipes de todo o país.  São 26 chaves de 4 equipes, em subsedes  distribuídas por todo o Estado de São Paulo . Esta diversidade de participação torna a Copa uma verdadeira vitrine do nosso futebol. É o primeiro degrau de uma grande escada, cujo último degrau significa o título de campeão, prestígio e resultados econômicos para times e jogadores.

De há muito tempo defendemos a tese (para todas as modalidades e não somente para  o futebol) que diz que a altura do vértice qualitativo depende da base quantitativa. A Copa São Paulo representa essa fase e é motivadora para times quase anônimos, que têm a oportunidade de jogar contra clubes da maior hierarquia dos grandes Estados brasileiros. Também motivados pela alta visualidade da competição, jogadores que estão dando os primeiros passos nas equipes vanguardeiras do futebol nacional lutam com todo denodo por uma chance de aparecer.

Cidades do interior paulista que sediam a fase classificatória ganham a possibilidade de assistir aos jogos das principais equipes do Brasil sem ter de sair da sede do município em que residem. Este trabalho de base está sendo incentivado em muitos países de destaque no futebol  mundial, principalmente após a Copa realizada recentemente.

Existem no Brasil outros eventos oficiais infanto-juvenis que contribuem para a formação da base horizontal , como a sub 17 e a sub 20, mas poucos possuem o “charme” e visibilidade da Copa São Paulo de Futebol Junior, cuja final será no dia 25 de janeiro, aniversário da capital paulista.

UM NOME A SER LEMBRADO

Quando a Secretaria Municipal de Esporte ainda não havia sido constituída e o Conselho Municipal promovia eventos para jovens, de uma dimensão muito menor que a “Copinha” de hoje, um dirigente da época lutava por certames para a juventude. Ele era Paulo Soares Cintra, que dividia com Fabio Lazari o pioneirismo dos eventos dessa categoria. Para que tivessem a necessária visualização, sempre contaram com o prestígio de “A Gazeta Esportiva”.

Fiscalização x corrupção: O drama olímpico

AFP

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Com o último dia de 2014, terminou o ano da Copa do Mundo de futebol que mobilizou a população de todo o Brasil. Para muitos, ela realizou-se com desilusão por aqueles 7 a 1 contra a Alemanha. Para outros, até que ela não desapontou totalmente e o nosso país demonstrou a capacidade de construir em um rush final nada menos de doze estádios para cinco dezenas de espectadores. Dia de jogo era dia de lotação esgotada [veja matéria de 15 de julho deste blog].

O ano de 2015 está chegando com novas esperanças e novas atrações. Começamos a pensar nos jogos olímpicos de 2016 que, como a copa de 2014, tem como objetivo melhorar a imagem nacional frente os cinco continentes, uma propaganda que traria resultados nas áreas de turismo e economia.

Terminado o mundial, o governo enfrentou uma luta eleitoral muito acirrada, uma campanha transparente em que a corrupção foi o tema dos debates.  Após uma década de corrupção ignorada por toda uma população. Felizmente nossos meios de comunicação noticiaram fartamente os desmandos dos políticos que tinham a missão de gerir nosso país e a copa.

Estamos estranhando, todavia, que os veículos de comunicação não estejam divulgando, com a intensidade necessária  o noticiário olímpico. Estamos a um ano e meio do maior certame esportivo do mundo e, nesta altura, a copa já deveria ser dona do espaço nos jornais e nas emissoras eletrônicas. A constatação necessária é que as modalidades esportivas, exceto o futebol, não acolhem, juntas, tantos afeiçoados quanto o `soccer`. Este fato não deixa de constituir uma demonstração de cultura nacional  reduzida, pois nos jogos olímpicos mais de três dezenas de modalidades esportivas estarão em disputa , o que exigirá um número correspondente de provas e de arenas esportivas.

A diversificação de modalidades corresponderá a diversificação de países concorrentes. enquanto no mundial o brasil recebeu 32 nações [com os respectivos jogos, dirigentes, torcedores e turistas], nos jogos olímpicos temos a previsão de 205 países de cinco continentes. o comitê olímpico internacional tem maior número de filiados do que a própria ONU.  Esta multidão não estará distribuída por todo o Brasil, como no Mundial de futebol, mas concentrar-se-á no Rio de Janeiro, que irá enfrentar problemas econômicos e de idoneidade dos gestores e dificuldades para hospedar tanta gente.

As mazelas que vieram a público após as eleições e as dificuldades econômicas vão influir e prejudicar  muito mais os Jogos Olímpicos do que a própria Copa do Mundo.

Esta situação é tão grave que não são poucas as vozes a dizer para desistirmos dos jogos por falta de condições estruturais, pois  além dos custos com o certame teremos pela frente os custos com a corrupção.

Só uma atitude poderá evitar o maior vexame da história olímpica: “fiscalização”. Temos um ministro da fazenda promissor e uma infraestrutura de órgãos com esta finalidade.

Da competição entre corrupção e fiscalização depende,  enfim, o sucesso e o nosso prestígio, ou uma vergonha que não será esquecida.

Jogos Olímpicos – só com fiscalização

Alex Ferro/Rio 2016

Alex Ferro/Rio 2016

A um ano e meio dos próximos Jogos Olímpicos, o Brasil vai enfrentar as mesmas vicissitudes que antecederam o Mundial de Futebol, pioradas pelo agravamento da situação econômica do país, além da perda de confiança na maioria dos dirigentes que terão a missão de gerenciar a maior competição esportiva do mundo.

É verdade que entre os dois eventos ocorreu um acontecimento que alterou a problemática que os Jogos Olímpicos vão enfrentar. Foi a realização das eleições presidenciais, o que trouxe mais transparência ao nosso país: vieram à luz fatos que demonstram o tsunami de corrupção que arrasou a economia e a imagem interna e externa do Brasil.

Logo após o pleito eleitoral começaram a ser divulgados casos de escândalos que mostram a existência de uma roubalheira coletiva. Onde houvesse obra pública havia desvio de recursos, suborno e apropriação indébita que comprometiam o desenvolvimento de todas as áreas da administração pública e de muitas empresas privadas. Denúncias como as da “Operação Lava Jato”, feitas pela Polícia Federal, puseram o conceito das empreiteiras no chão. Os órgãos públicos tornaram-se corruptores e corrompidos, deixando uma migalha da arrecadação destinada para os serviços essenciais de que necessita uma nação. Um exemplo é o de nossas estradas e outras vias, tão precárias que o transporte até o porto de um quilo de soja e outros grãos produzidos no oeste custa o mesmo que sua produção em si.

O que aconteceu com a Petrobrás envergonhou o Brasil, passou a ser o símbolo nacional da falta de escrúpulo. O que deveria ser a nossa fonte de recursos passou a ser a maior fonte de despesas do orçamento nacional.

Também no esporte tivemos exemplos semelhantes como nos Jogos Pan-americanos de 2007, orçados em 386 milhões, quando se gastou 3,5 bilhões, ou seja, 10 vezes mais, e as instalações construídas já estão obsoletas ou inúteis.

Para os Jogos Olímpicos, que vão trazer ao Brasil dirigentes, jornalistas, atletas e turistas de mais de 200 países, os governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, após reunião sigilosa, anunciaram que não colocarão nenhum tostão do dinheiro governamental para a realização do evento. Tudo deve sair da iniciativa privada, fato que cria uma situação ultrapreocupante.

Os Jogos Olímpicos estão orçados em sete bilhões e a atual crise econômica que atravessamos está afastando os potenciais investidores. Resta-nos, porém, um ângulo favorável para os Jogos. Foi nomeado Ministro da Fazenda Joaquim Levy, reconhecido unanimemente como um “não corrupto”. A ampla divulgação que os veículos de comunicação estão dando às falcatruas do governo também vai inibir os gestores administrativos dos próximos anos a pensar duas vezes antes de aderir à corrupção.

Tudo faz crer que vai-se optar pela redução de gastos e zelo específico em fiscalização de todos os recursos advindos, até os de patrocínios e donativos. Os próprios patrocinadores deveriam também ser transformados em órgãos controladores.

O Comitê Olímpico Internacional não virá com a mesma volúpia por lucros como ocorreu com a FIFA na Copa do Mundo. O COI demonstra ser uma entidade mais idônea do que a responsável pelo futebol, fato que ajuda a tornar viável a realização dos Jogos que muitos consideram hoje praticamente impossíveis.

O interesse que os Jogos Olímpicos despertam é enorme: a diversidade de modalidades envolvidas será um atrativo que arregimentará públicos tão grandes quanto os do futebol pela soma de universos a serem abrangidos.

O novo clima resultante das eleições poderá poupar o esporte brasileiro de mais um vexame. O fator que pode tornar os Jogos Olímpicos na grande festa projetada há dois anos será a fiscalização: usar o escasso dinheiro dos Jogos nos próprios Jogos.

 

Natação – somos os melhores do mundo!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O último dia 7 foi o mais glorioso da natação brasileira desde que o esporte aquático começou a ser praticado de forma organizada em nosso país.

O Brasil sagrou-se campeão mundial de natação em piscina curta (25 metros), em campeonato realizado na cidade de Doha, no Catar, fato que consagrou o nosso país como um dos mais poderosos na modalidade aquática.

Conquistamos sete medalhas de ouro contra seis da Hungria. Os Estados Unidos, que sempre lideraram a modalidade, não passaram do oitavo posto, embora tivessem obtido uma quantidade majoritária de pratas e bronzes. Em natação, como na economia, o ouro tem maior valor.

Nestes sete ouros estão incluídos dois recordes mundiais: no revezamento 4 x 50 medley masculino (1m30s51), e o de Etiene Medeiros, com 25,67 nos 50 metros, nado de costas.

Felipe França conquistou 5 dos 7 ouros que ganhamos e foi o maior vencedor do Mundial. Ele participou, juntamente com Guilherme Guido, Marcos Macedo e Cesar Cielo, do revezamento 4 x 100, quatro estilos, que marcou nossa consagração.

Aos poucos, o Brasil vai fixando o seu prestígio em diversas modalidades esportivas, tudo indicando que seremos protagonistas e não expectadores nos Jogos Olímpicos de 2016 que serão efetuados em nosso país.

O triunfo de Doha marcou o autor desta coluna que teve sua vida muito ligada à natação. Seus primeiros contatos com os esportes aquáticos foram no início da década dos anos 30, quando o CR Tietê não havia ainda construído a sua piscina. Na época, nadava-se em “cochos”, caixas correspondentes a quadriláteros de madeira mergulhados no rio. A piscina do Tietê foi inaugurada somente em 1934. Fomos um nadador tecnicamente medíocre, mas participamos das Travessias de São Paulo a Nado de 1939, 40, 41, 42 e 43. Em 1944 elas foram desativadas: João Havelange havia adquirido “tifo negro” em 1943, após vários triunfos a partir de 1936.

Fomos presidente da Federação Paulista de Natação em duas ocasiões e membro do conselho técnico de esportes aquáticos da CBD, entidade eclética que dirigia várias modalidades, inclusive o futebol e naturalmente a CBF. Este Conselho tinha a função da atual Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

Existem cronistas que têm preferências por clubes. São os são-paulinos, corintianos, palmeirenses, santistas etc. Nós também somos partidários, não de clubes, mas da natação, razão de minha alegria com estas sete medalhas de ouro.

 

A importância do verbo querer

Fernando Torres/Paysandu

Fernando Torres/Paysandu

Na profusão de transmissões que a TV nos ofereceu no último sábado, eu escolhi assistir ao encontro entre Paysandu e Macaé, na decisão do Campeonato da terceira divisão.

Quando as câmeras deram várias tomadas do público presente, que chegava a 40.000 espectadores, eu senti a confirmação arraigada das minhas convicções há mais de meio século, e que serão o objeto do meu livro ainda em elaboração.

Dezenas de vezes já escrevi que “na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da extensão da base quantitativa”. Quanto maior for o número de praticantes de uma modalidade esportiva, maior a possibilidade da revelação de talentos que atingirão o nível internacional. Esta generalização dos esportes em toda a população corresponde ao primeiro degrau de uma escada que leva ao pódio olímpico.

Os nossos gestores do esporte e até os veículos de divulgação estão sempre olhando para o alto, para o firmamento, não dando a merecida importância às categorias intermediárias que levam ao topo, ao destaque mundial.

No futebol, por exemplo, torneios Sub-20 ou Sub-17 (juvenis e infantis), certames nacionais da terceira e da quarta divisões, ou mesmo de campeonatos municipais (efetuados em pelo menos mil municípios brasileiros, sem contar os times de várzea), representam uma infraestrutura que poucos países possuem. O esporte brasileiro dará um passo à frente no momento em que um presidente da CBF se dignar a entregar a taça de campeão ao vencedor de um torneio municipal.

Este princípio não é aplicável somente ao futebol, mas à quase uma centena de outras modalidades. Os praticantes que não se destacarem pelo talento técnico aproveitar-se-ão dos benefícios que as atividades físicas trazem para a saúde e os esportes para a educação, a solidariedade e o fair play. É dessa camada que saem os dirigentes, os espectadores, os árbitros e todo o universo vinculado à regência do esporte.

O grande espetáculo oferecido neste último sábado no norte do país, o jogo entre Macaé e Paysandu, mostrou que tudo isto é possível. Falta somente os gestores começarem a conjugar o verbo “querer”.

NO PÉ

Confirmando a tese defendida neste blog, o Macaé vai entrar na série B do Brasileirão, acimentando o “peso específico”. Vai aparecer mais vezes na televisão e estimular a frequência da população de sua região aos estádios no certame de 2015. Seus jogadores valerão mais e o aporte financeiro será muito maior. O mesmo se pode dizer também do CRB, do Mogi Mirim e do próprio Paysandu que já jogaram em divisões mais evoluídas do futebol brasileiro.

Os clubes de prestígio, quando são rebaixados, não perdem tanto. Tornam-se estrelas da divisão logo abaixo. Vejam o exemplo do Vasco da Gama que, lotando com sua torcida várias vezes o Maracanã, recebeu mais divulgação na série B do que se estivesse na A.

 

O Jatene esportista

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Os jornais de sábado passado, dia 15 de novembro, ao lado das cotidianas notícias sobre a economia do país, escândalos da Petrobrás, descrédito do Governo e leniência do judiciário, trouxeram mais uma péssima notícia, estarrecedora para nossa população escolarizada: faleceu Adib Jatene, um dos maiores nomes da medicina do Brasil. Ele morreu do coração, órgão ao qual se dedicou desde o início da sua carreira. Foi o primeiro cirurgião a usar a ponte de safena, além de ter utilizado outras inovações na área médica. Pertenceu à equipe de Zerbini, autor do primeiro transplante de coração no Brasil.

Adib nasceu em Xapuri, no Acre, e chegou a Ministro da Saúde, Secretário Estadual da Saúde, e fundador do INCOR, que leva seu nome.

Todos os jornais dos dias 15 e 16 foram pródigos em relatar brilhantes fatos de sua vida, quer na medicina quer na política. Entretanto, não encontramos referências à sua presença no esporte.

Adib chegou a ser vice-campeão brasileiro de remo nos “out-rigger” a dois sem patrão. Seu colega de guarnição era Miguel Zuppo, também médico. Defendiam o Esperia. Naturalmente, nas MAC-MEDs, em provas de remo, eram ponto certo para a MED. Adib Jatene foi associado do Pinheiros, onde se dedicou ao basquete e ao vôlei. O futebol de salão era praticado no campo do Hospital Dante Pazzanese.

Seu filho Fábio, também médico, foi um voleibolista de prestígio, galgando o time principal do clube da Rua Tucuman. Adib se interessava tanto pela eficiência de seu filho que chegava, no período do almoço, a dar treino específico e individualizado para ele. Isto, naturalmente, sem descuidar de sua carreira médica.

É para nós um fato altamente gratificante poder acrescentar à biografia de um dos maiores nomes da história médica de nosso país o seu lado esportivo. É mais um tema para que a atividade física esteja na escala de valores da população, trazendo benefícios para jovens e adultos.

A morte de uma esperança

Todas as semanas, na volta do meu sítio em Mairiporã, eu passo pela Ponte das Bandeiras e Praça dos Esportes, hoje Bento de Camargo Barros, e contemplo com melancolia o belo visual do gramado com uma mini pista, construído no local onde foi a piscina pioneira do Clube de Regatas Tietê, a primeira de 50 metros do país. Este natatório foi fundamental para o esporte aquático paulista durante 5 décadas e esteve intimamente ligado à minha própria vida e de minha família.

Meu tio, Inácio Haslinger, figura na pequena relação de sócios fundadores tieteanos; meu pai ingressou no clube em 1918 e eu, desde os 4 anos de idade, fui frequentador da agremiação que, em seus primeiros cinquenta anos, era um marco no esporte nacional e símbolo da boa administração. Este natatório deu início a uma fase de progresso do nosso esporte aquático, que até sua construção era praticado nos remansos do rio Tietê e nos “cochos”, mega caixas de madeira inseridas no rio do esporte.

Foi em um deles que eu dei as minhas primeiras braçadas, terminando meu aprendizado de natação com o técnico Paulo Lenk, genitor de Maria Lenk. Esta nadadora, já consagrada, transferiu-se da Associação Atlética São Paulo para o Tietê, acompanhando seu pai e seu técnico, Carlos de Campos Sobrinho, o “Carlito”, depois que o “vermelhinho” construiu a sua piscina de 50 metros.

O aprendizado nesta piscina transformou-me por vários anos em nadador militante. Tive pouco brilho, mas competimos nas Travessias de São Paulo a Nado de 39 até 43, quando ela foi suspensa pela poluição do Tietê.

Desde os anos 30 eu me mantive ligado àquela agremiação, um monumento do esporte. Fui professor de natação e entre meus alunos estavam Maria Esther Bueno, seu irmão Pedro, além de centenas de jovens que em vários horários frequentavam as aulas, às quais eu dedicava o máximo de entusiasmo.

Tornei-me técnico auxiliar, no tempo em que o titular era Décio Lang, isto é, no final dos anos 40. No término dessa década deixei de ser técnico para prestar dois concursos bem sucedidos para o magistério público secundário oficial. Fui aprovado em ambos, mas nem por isso abandonei essa piscina que representava o teatro de toda a minha infância e juventude. Eu já era jornalista de A Gazeta Esportiva e cobria as competições de natação, saltos ornamentais e polo-aquático sediadas no natatório da Ponte Grande.

Esta piscina não é somente parte da minha vida. Ela foi sede de grandes torneios de um longo período da natação paulista, até ser vítima da má administração que levou este clube à ruína.

Infelizmente, os dirigentes tieteanos adotaram a mesma conduta dos governamentais “i”responsáveis, que promovem obras cujos custos chegam a ultrapassar várias vezes os orçamentos iniciais, o que levou o poder municipal, em boa hora, a transformar o clube em um Centro Esportivo.

Foi a boa administração dos primeiros 50 anos de existência que permitiu ao Tietê contribuir para a fundação do São Paulo FC (da Floresta) no início dos anos 30 e a pagar as dívidas do “Tricolor” cinco anos mais tarde, incorporando o espaço e as instalações deste clube.

Na mesma década, o Tietê também conseguiu o estádio da A.A. São Bento, igualmente inadimplente por dívidas resultantes do futebol profissional. Este espaço, de 1915 a 1926, tinha abrigado o Corinthians e, de 1926 a 1935, a A.A. São Bento. Nesse espaço, transformado em quadras de tênis, surgiu Maria Esther Bueno, a melhor tenista brasileira de todos os tempos.

A insolvência do CR Tietê em 2014 levou-o a tornar-se um Centro Esportivo Municipal para atender a população das adjacências. Esta atitude acertada, entretanto, não condiz com o destino dado ao natatório pioneiro. Ele não estava assim tão desgastado (o que justificaria a sua demolição) e poderia ter sido aproveitado para o aprendizado massificado da população (principalmente dos jovens) sem recursos para associar-se aos clubes atuais.

Os frequentadores mais talentosos poderiam encaminhar-se à militância e os esportes aquáticos paulistas e brasileiros ganhariam um grande incremento. Um imóvel de grande valor histórico, que já sediou campeonatos brasileiros e internacionais, não deveria desaparecer em favor de um projeto predominantemente paisagístico.

É por isso que, visualizando o Esperia, seu vizinho, num apogeu que o Tietê deveria estar ostentando, depois de atravessar a Ponte das Bandeiras a bela paisagem do ex-Tietê me produz uma profunda tristeza causada pela morte de uma esperança.

 

Esporte fora das cogitações

Divulgação

Divulgação

Os veículos de comunicação que saíram após as 20 horas do último domingo dedicaram a quase totalidade do espaço e o tempo disponíveis para noticiar tudo o que acontecerá com o Brasil no próximo governo: emprego, câmbio, economia, relacionamento entre partidos, política interna e externa, as caras novas da administração e várias dezenas de ângulos decorrentes desta nova situação.

Como pessoa ligada ao esporte, estranhei a ausência de abordagens do tema referente aos Jogos Olímpicos de 2016, em plena programação da presidente reeleita.

Toda a população brasileira viveu amargas vicissitudes neste ano, com o Brasil enxovalhado pelas entidades internacionais e pela imprensa de várias nações no preparo para a Copa do Mundo. Além do mais, foi uma fase em que a corrupção correu solta.

Acontece que, para todo o povo com escolaridade desenvolvida, os Jogos Olímpicos são muito mais importantes que o Mundial de Futebol. Na Copa do Mundo disputa-se apenas uma modalidade, enquanto nos Jogos são 28 os esportes envolvidos. Do Mundial participaram 32 equipes, enquanto que no certame olímpico serão 205. O Comitê Olímpico Internacional tem mais membros que a própria ONU.

A diversificação de locais para a disputa de competições, os cerimoniais mais imponentes, a presença de concorrentes e de autoridades governamentais serão muitas vezes maiores que os da Copa.

O tempo que resta para o preparo dos Jogos é de menos de dois anos e nossa economia está em frangalhos. Se não houver planejamento e bom senso nesta área, nada pode segurar o vexame pelo qual vai passar o nosso país.

Além disso, em virtude da grande quantidade de atletas, dirigentes e público, os problemas deverão ser bem maiores em outras áreas como a de construção de alojamentos para os participantes e a consequente infraestrutura turística composta pela adaptação de hotéis, restaurantes, pousadas e todos os itens que permitam uma festa inesquecível, de acordo com o respeito que pretendemos para nossa festa.

Se trabalharmos bem, a nossa imagem internacional será prestigiada e o Brasil terá um forte impulso na luta para a recuperação, o que é o almejo de todo o país.

 

Bosque da Fama – êxito previsto

DANIEL DIAS - NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

DANIEL DIAS – NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

A solenidade da homenagem aos nossos principais atletas de todos os tempos está com êxito previsto. Os preparativos estão adiantados para a realização do plantio das árvores pelos atletas (ou seus familiares, no caso de homenageados falecidos).

A lista inicial resultante de uma reunião entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Panathlon Club São Paulo já encontrou importantes adesões, entre as quais a do cestobolista Amaury Pasos e do paratleta da natação Joon Sok Seo. Também os familiares de Oberdan Cattani, Hideraldo Luiz Bellini e Waldir Pagan Perez já confirmaram presença.

Outros esportistas de destaque deverão confirmar suas presenças na solenidade programada para o dia 8 de dezembro, no final da pista de atletismo do Centro Olímpico, a partir das 10 horas da manhã, e que será prestigiada por autoridades, dirigentes esportivos, jornalistas e panathletas.

Palco, banners, banda da PM, organista e uma atmosfera de entusiasmo marcarão o evento.

 

TAMBÉM OS ATLETAS DOS ANOS ANTERIORES

A solenidade do Bosque da Fama existe desde 2008. Os homenageados dos anos anteriores são convidados para o evento, pois todos recebem, no ano seguinte ao plantio das árvores, um diploma de membro da “Ordem do Bosque da Fama”

 

OS INTEGRANTES

Desde que foi criado, o Bosque da Fama homenageou os seguintes ícones do esporte:

- Maria Esther Bueno – tênis

- Helen Cristina Santos Luz – basquete

- Hortência Marcari – basquete

- Manoel dos Santos Jr. – natação

- Ricardo Prado – natação

- Rogério Sampaio Cardoso – judô

- Maria Paula Gonçalves da Silva – basquete

- Janeth Arcain – basquete

- Gustavo Borges – natação

- Nelson Prudêncio – atletismo

- Alberto Marson – basquete

- Amauri Ribeiro – voleibol

- Carlos Domingos Massoni – basquete

- Éder Jofre – pugilismo

- Fernando Meligeni – tênis

- José Macia (Pepe) – futebol

- José Ely de Miranda (Zito) – futebol

- Ana Beatriz Moser – voleibol

- Ana Margarida Vieira Álvares (Ida) – voleibol

- Antônio Wilson Honório (Coutinho) – futebol

- Daniel Farias Dias – natação paralímpica

- Douglas Vieira – judô

- Jair Picerni – técnico de futebol

- Maurren Higa Maggi – atletismo

- Antônio Salvador Succar – basquete

- José Montanaro Junior – voleibol

- Emerson Fittipaldi – automobilismo

- Fabiana Murer – atletismo

- Henrique Guimarães – judô

- Marcelo Negrão – voleibol

- Miguel de Oliveira – boxe

- Wiliam Carvalho da Silva – voleibol

- Walter Carmona – judô

 

In memoriam

 

Representados por seus familiares, foram homenageados:

 

- Adhemar Ferreira da Silva – atletismo

- Ayrton Senna da Silva – automobilismo

- Carmo de Souza – basquete

- Edson Bispo dos Santos – basquete

- Gylmar dos Santos Neves – futebol

- Ícaro de Castro Mello – atletismo

- João Carlos de Oliveira – atletismo

- José Ferreira Santos – dirigente

- Moacyr Brondi Daiuto – basquete

- Sylvio de Magalhães Padilha – dirigente

- Tetsuo Okamoto – natação

- Ubiratan Maciel – basquete