Jogos Olímpicos – só com fiscalização

Alex Ferro/Rio 2016

Alex Ferro/Rio 2016

A um ano e meio dos próximos Jogos Olímpicos, o Brasil vai enfrentar as mesmas vicissitudes que antecederam o Mundial de Futebol, pioradas pelo agravamento da situação econômica do país, além da perda de confiança na maioria dos dirigentes que terão a missão de gerenciar a maior competição esportiva do mundo.

É verdade que entre os dois eventos ocorreu um acontecimento que alterou a problemática que os Jogos Olímpicos vão enfrentar. Foi a realização das eleições presidenciais, o que trouxe mais transparência ao nosso país: vieram à luz fatos que demonstram o tsunami de corrupção que arrasou a economia e a imagem interna e externa do Brasil.

Logo após o pleito eleitoral começaram a ser divulgados casos de escândalos que mostram a existência de uma roubalheira coletiva. Onde houvesse obra pública havia desvio de recursos, suborno e apropriação indébita que comprometiam o desenvolvimento de todas as áreas da administração pública e de muitas empresas privadas. Denúncias como as da “Operação Lava Jato”, feitas pela Polícia Federal, puseram o conceito das empreiteiras no chão. Os órgãos públicos tornaram-se corruptores e corrompidos, deixando uma migalha da arrecadação destinada para os serviços essenciais de que necessita uma nação. Um exemplo é o de nossas estradas e outras vias, tão precárias que o transporte até o porto de um quilo de soja e outros grãos produzidos no oeste custa o mesmo que sua produção em si.

O que aconteceu com a Petrobrás envergonhou o Brasil, passou a ser o símbolo nacional da falta de escrúpulo. O que deveria ser a nossa fonte de recursos passou a ser a maior fonte de despesas do orçamento nacional.

Também no esporte tivemos exemplos semelhantes como nos Jogos Pan-americanos de 2007, orçados em 386 milhões, quando se gastou 3,5 bilhões, ou seja, 10 vezes mais, e as instalações construídas já estão obsoletas ou inúteis.

Para os Jogos Olímpicos, que vão trazer ao Brasil dirigentes, jornalistas, atletas e turistas de mais de 200 países, os governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, após reunião sigilosa, anunciaram que não colocarão nenhum tostão do dinheiro governamental para a realização do evento. Tudo deve sair da iniciativa privada, fato que cria uma situação ultrapreocupante.

Os Jogos Olímpicos estão orçados em sete bilhões e a atual crise econômica que atravessamos está afastando os potenciais investidores. Resta-nos, porém, um ângulo favorável para os Jogos. Foi nomeado Ministro da Fazenda Joaquim Levy, reconhecido unanimemente como um “não corrupto”. A ampla divulgação que os veículos de comunicação estão dando às falcatruas do governo também vai inibir os gestores administrativos dos próximos anos a pensar duas vezes antes de aderir à corrupção.

Tudo faz crer que vai-se optar pela redução de gastos e zelo específico em fiscalização de todos os recursos advindos, até os de patrocínios e donativos. Os próprios patrocinadores deveriam também ser transformados em órgãos controladores.

O Comitê Olímpico Internacional não virá com a mesma volúpia por lucros como ocorreu com a FIFA na Copa do Mundo. O COI demonstra ser uma entidade mais idônea do que a responsável pelo futebol, fato que ajuda a tornar viável a realização dos Jogos que muitos consideram hoje praticamente impossíveis.

O interesse que os Jogos Olímpicos despertam é enorme: a diversidade de modalidades envolvidas será um atrativo que arregimentará públicos tão grandes quanto os do futebol pela soma de universos a serem abrangidos.

O novo clima resultante das eleições poderá poupar o esporte brasileiro de mais um vexame. O fator que pode tornar os Jogos Olímpicos na grande festa projetada há dois anos será a fiscalização: usar o escasso dinheiro dos Jogos nos próprios Jogos.

 

Natação – somos os melhores do mundo!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O último dia 7 foi o mais glorioso da natação brasileira desde que o esporte aquático começou a ser praticado de forma organizada em nosso país.

O Brasil sagrou-se campeão mundial de natação em piscina curta (25 metros), em campeonato realizado na cidade de Doha, no Catar, fato que consagrou o nosso país como um dos mais poderosos na modalidade aquática.

Conquistamos sete medalhas de ouro contra seis da Hungria. Os Estados Unidos, que sempre lideraram a modalidade, não passaram do oitavo posto, embora tivessem obtido uma quantidade majoritária de pratas e bronzes. Em natação, como na economia, o ouro tem maior valor.

Nestes sete ouros estão incluídos dois recordes mundiais: no revezamento 4 x 50 medley masculino (1m30s51), e o de Etiene Medeiros, com 25,67 nos 50 metros, nado de costas.

Felipe França conquistou 5 dos 7 ouros que ganhamos e foi o maior vencedor do Mundial. Ele participou, juntamente com Guilherme Guido, Marcos Macedo e Cesar Cielo, do revezamento 4 x 100, quatro estilos, que marcou nossa consagração.

Aos poucos, o Brasil vai fixando o seu prestígio em diversas modalidades esportivas, tudo indicando que seremos protagonistas e não expectadores nos Jogos Olímpicos de 2016 que serão efetuados em nosso país.

O triunfo de Doha marcou o autor desta coluna que teve sua vida muito ligada à natação. Seus primeiros contatos com os esportes aquáticos foram no início da década dos anos 30, quando o CR Tietê não havia ainda construído a sua piscina. Na época, nadava-se em “cochos”, caixas correspondentes a quadriláteros de madeira mergulhados no rio. A piscina do Tietê foi inaugurada somente em 1934. Fomos um nadador tecnicamente medíocre, mas participamos das Travessias de São Paulo a Nado de 1939, 40, 41, 42 e 43. Em 1944 elas foram desativadas: João Havelange havia adquirido “tifo negro” em 1943, após vários triunfos a partir de 1936.

Fomos presidente da Federação Paulista de Natação em duas ocasiões e membro do conselho técnico de esportes aquáticos da CBD, entidade eclética que dirigia várias modalidades, inclusive o futebol e naturalmente a CBF. Este Conselho tinha a função da atual Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

Existem cronistas que têm preferências por clubes. São os são-paulinos, corintianos, palmeirenses, santistas etc. Nós também somos partidários, não de clubes, mas da natação, razão de minha alegria com estas sete medalhas de ouro.

 

A importância do verbo querer

Fernando Torres/Paysandu

Fernando Torres/Paysandu

Na profusão de transmissões que a TV nos ofereceu no último sábado, eu escolhi assistir ao encontro entre Paysandu e Macaé, na decisão do Campeonato da terceira divisão.

Quando as câmeras deram várias tomadas do público presente, que chegava a 40.000 espectadores, eu senti a confirmação arraigada das minhas convicções há mais de meio século, e que serão o objeto do meu livro ainda em elaboração.

Dezenas de vezes já escrevi que “na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da extensão da base quantitativa”. Quanto maior for o número de praticantes de uma modalidade esportiva, maior a possibilidade da revelação de talentos que atingirão o nível internacional. Esta generalização dos esportes em toda a população corresponde ao primeiro degrau de uma escada que leva ao pódio olímpico.

Os nossos gestores do esporte e até os veículos de divulgação estão sempre olhando para o alto, para o firmamento, não dando a merecida importância às categorias intermediárias que levam ao topo, ao destaque mundial.

No futebol, por exemplo, torneios Sub-20 ou Sub-17 (juvenis e infantis), certames nacionais da terceira e da quarta divisões, ou mesmo de campeonatos municipais (efetuados em pelo menos mil municípios brasileiros, sem contar os times de várzea), representam uma infraestrutura que poucos países possuem. O esporte brasileiro dará um passo à frente no momento em que um presidente da CBF se dignar a entregar a taça de campeão ao vencedor de um torneio municipal.

Este princípio não é aplicável somente ao futebol, mas à quase uma centena de outras modalidades. Os praticantes que não se destacarem pelo talento técnico aproveitar-se-ão dos benefícios que as atividades físicas trazem para a saúde e os esportes para a educação, a solidariedade e o fair play. É dessa camada que saem os dirigentes, os espectadores, os árbitros e todo o universo vinculado à regência do esporte.

O grande espetáculo oferecido neste último sábado no norte do país, o jogo entre Macaé e Paysandu, mostrou que tudo isto é possível. Falta somente os gestores começarem a conjugar o verbo “querer”.

NO PÉ

Confirmando a tese defendida neste blog, o Macaé vai entrar na série B do Brasileirão, acimentando o “peso específico”. Vai aparecer mais vezes na televisão e estimular a frequência da população de sua região aos estádios no certame de 2015. Seus jogadores valerão mais e o aporte financeiro será muito maior. O mesmo se pode dizer também do CRB, do Mogi Mirim e do próprio Paysandu que já jogaram em divisões mais evoluídas do futebol brasileiro.

Os clubes de prestígio, quando são rebaixados, não perdem tanto. Tornam-se estrelas da divisão logo abaixo. Vejam o exemplo do Vasco da Gama que, lotando com sua torcida várias vezes o Maracanã, recebeu mais divulgação na série B do que se estivesse na A.

 

O Jatene esportista

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Os jornais de sábado passado, dia 15 de novembro, ao lado das cotidianas notícias sobre a economia do país, escândalos da Petrobrás, descrédito do Governo e leniência do judiciário, trouxeram mais uma péssima notícia, estarrecedora para nossa população escolarizada: faleceu Adib Jatene, um dos maiores nomes da medicina do Brasil. Ele morreu do coração, órgão ao qual se dedicou desde o início da sua carreira. Foi o primeiro cirurgião a usar a ponte de safena, além de ter utilizado outras inovações na área médica. Pertenceu à equipe de Zerbini, autor do primeiro transplante de coração no Brasil.

Adib nasceu em Xapuri, no Acre, e chegou a Ministro da Saúde, Secretário Estadual da Saúde, e fundador do INCOR, que leva seu nome.

Todos os jornais dos dias 15 e 16 foram pródigos em relatar brilhantes fatos de sua vida, quer na medicina quer na política. Entretanto, não encontramos referências à sua presença no esporte.

Adib chegou a ser vice-campeão brasileiro de remo nos “out-rigger” a dois sem patrão. Seu colega de guarnição era Miguel Zuppo, também médico. Defendiam o Esperia. Naturalmente, nas MAC-MEDs, em provas de remo, eram ponto certo para a MED. Adib Jatene foi associado do Pinheiros, onde se dedicou ao basquete e ao vôlei. O futebol de salão era praticado no campo do Hospital Dante Pazzanese.

Seu filho Fábio, também médico, foi um voleibolista de prestígio, galgando o time principal do clube da Rua Tucuman. Adib se interessava tanto pela eficiência de seu filho que chegava, no período do almoço, a dar treino específico e individualizado para ele. Isto, naturalmente, sem descuidar de sua carreira médica.

É para nós um fato altamente gratificante poder acrescentar à biografia de um dos maiores nomes da história médica de nosso país o seu lado esportivo. É mais um tema para que a atividade física esteja na escala de valores da população, trazendo benefícios para jovens e adultos.

A morte de uma esperança

Todas as semanas, na volta do meu sítio em Mairiporã, eu passo pela Ponte das Bandeiras e Praça dos Esportes, hoje Bento de Camargo Barros, e contemplo com melancolia o belo visual do gramado com uma mini pista, construído no local onde foi a piscina pioneira do Clube de Regatas Tietê, a primeira de 50 metros do país. Este natatório foi fundamental para o esporte aquático paulista durante 5 décadas e esteve intimamente ligado à minha própria vida e de minha família.

Meu tio, Inácio Haslinger, figura na pequena relação de sócios fundadores tieteanos; meu pai ingressou no clube em 1918 e eu, desde os 4 anos de idade, fui frequentador da agremiação que, em seus primeiros cinquenta anos, era um marco no esporte nacional e símbolo da boa administração. Este natatório deu início a uma fase de progresso do nosso esporte aquático, que até sua construção era praticado nos remansos do rio Tietê e nos “cochos”, mega caixas de madeira inseridas no rio do esporte.

Foi em um deles que eu dei as minhas primeiras braçadas, terminando meu aprendizado de natação com o técnico Paulo Lenk, genitor de Maria Lenk. Esta nadadora, já consagrada, transferiu-se da Associação Atlética São Paulo para o Tietê, acompanhando seu pai e seu técnico, Carlos de Campos Sobrinho, o “Carlito”, depois que o “vermelhinho” construiu a sua piscina de 50 metros.

O aprendizado nesta piscina transformou-me por vários anos em nadador militante. Tive pouco brilho, mas competimos nas Travessias de São Paulo a Nado de 39 até 43, quando ela foi suspensa pela poluição do Tietê.

Desde os anos 30 eu me mantive ligado àquela agremiação, um monumento do esporte. Fui professor de natação e entre meus alunos estavam Maria Esther Bueno, seu irmão Pedro, além de centenas de jovens que em vários horários frequentavam as aulas, às quais eu dedicava o máximo de entusiasmo.

Tornei-me técnico auxiliar, no tempo em que o titular era Décio Lang, isto é, no final dos anos 40. No término dessa década deixei de ser técnico para prestar dois concursos bem sucedidos para o magistério público secundário oficial. Fui aprovado em ambos, mas nem por isso abandonei essa piscina que representava o teatro de toda a minha infância e juventude. Eu já era jornalista de A Gazeta Esportiva e cobria as competições de natação, saltos ornamentais e polo-aquático sediadas no natatório da Ponte Grande.

Esta piscina não é somente parte da minha vida. Ela foi sede de grandes torneios de um longo período da natação paulista, até ser vítima da má administração que levou este clube à ruína.

Infelizmente, os dirigentes tieteanos adotaram a mesma conduta dos governamentais “i”responsáveis, que promovem obras cujos custos chegam a ultrapassar várias vezes os orçamentos iniciais, o que levou o poder municipal, em boa hora, a transformar o clube em um Centro Esportivo.

Foi a boa administração dos primeiros 50 anos de existência que permitiu ao Tietê contribuir para a fundação do São Paulo FC (da Floresta) no início dos anos 30 e a pagar as dívidas do “Tricolor” cinco anos mais tarde, incorporando o espaço e as instalações deste clube.

Na mesma década, o Tietê também conseguiu o estádio da A.A. São Bento, igualmente inadimplente por dívidas resultantes do futebol profissional. Este espaço, de 1915 a 1926, tinha abrigado o Corinthians e, de 1926 a 1935, a A.A. São Bento. Nesse espaço, transformado em quadras de tênis, surgiu Maria Esther Bueno, a melhor tenista brasileira de todos os tempos.

A insolvência do CR Tietê em 2014 levou-o a tornar-se um Centro Esportivo Municipal para atender a população das adjacências. Esta atitude acertada, entretanto, não condiz com o destino dado ao natatório pioneiro. Ele não estava assim tão desgastado (o que justificaria a sua demolição) e poderia ter sido aproveitado para o aprendizado massificado da população (principalmente dos jovens) sem recursos para associar-se aos clubes atuais.

Os frequentadores mais talentosos poderiam encaminhar-se à militância e os esportes aquáticos paulistas e brasileiros ganhariam um grande incremento. Um imóvel de grande valor histórico, que já sediou campeonatos brasileiros e internacionais, não deveria desaparecer em favor de um projeto predominantemente paisagístico.

É por isso que, visualizando o Esperia, seu vizinho, num apogeu que o Tietê deveria estar ostentando, depois de atravessar a Ponte das Bandeiras a bela paisagem do ex-Tietê me produz uma profunda tristeza causada pela morte de uma esperança.

 

Esporte fora das cogitações

Divulgação

Divulgação

Os veículos de comunicação que saíram após as 20 horas do último domingo dedicaram a quase totalidade do espaço e o tempo disponíveis para noticiar tudo o que acontecerá com o Brasil no próximo governo: emprego, câmbio, economia, relacionamento entre partidos, política interna e externa, as caras novas da administração e várias dezenas de ângulos decorrentes desta nova situação.

Como pessoa ligada ao esporte, estranhei a ausência de abordagens do tema referente aos Jogos Olímpicos de 2016, em plena programação da presidente reeleita.

Toda a população brasileira viveu amargas vicissitudes neste ano, com o Brasil enxovalhado pelas entidades internacionais e pela imprensa de várias nações no preparo para a Copa do Mundo. Além do mais, foi uma fase em que a corrupção correu solta.

Acontece que, para todo o povo com escolaridade desenvolvida, os Jogos Olímpicos são muito mais importantes que o Mundial de Futebol. Na Copa do Mundo disputa-se apenas uma modalidade, enquanto nos Jogos são 28 os esportes envolvidos. Do Mundial participaram 32 equipes, enquanto que no certame olímpico serão 205. O Comitê Olímpico Internacional tem mais membros que a própria ONU.

A diversificação de locais para a disputa de competições, os cerimoniais mais imponentes, a presença de concorrentes e de autoridades governamentais serão muitas vezes maiores que os da Copa.

O tempo que resta para o preparo dos Jogos é de menos de dois anos e nossa economia está em frangalhos. Se não houver planejamento e bom senso nesta área, nada pode segurar o vexame pelo qual vai passar o nosso país.

Além disso, em virtude da grande quantidade de atletas, dirigentes e público, os problemas deverão ser bem maiores em outras áreas como a de construção de alojamentos para os participantes e a consequente infraestrutura turística composta pela adaptação de hotéis, restaurantes, pousadas e todos os itens que permitam uma festa inesquecível, de acordo com o respeito que pretendemos para nossa festa.

Se trabalharmos bem, a nossa imagem internacional será prestigiada e o Brasil terá um forte impulso na luta para a recuperação, o que é o almejo de todo o país.

 

Bosque da Fama – êxito previsto

DANIEL DIAS - NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

DANIEL DIAS – NATAÇÃO PARALÍMPICA (Divulgação)

A solenidade da homenagem aos nossos principais atletas de todos os tempos está com êxito previsto. Os preparativos estão adiantados para a realização do plantio das árvores pelos atletas (ou seus familiares, no caso de homenageados falecidos).

A lista inicial resultante de uma reunião entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Panathlon Club São Paulo já encontrou importantes adesões, entre as quais a do cestobolista Amaury Pasos e do paratleta da natação Joon Sok Seo. Também os familiares de Oberdan Cattani, Hideraldo Luiz Bellini e Waldir Pagan Perez já confirmaram presença.

Outros esportistas de destaque deverão confirmar suas presenças na solenidade programada para o dia 8 de dezembro, no final da pista de atletismo do Centro Olímpico, a partir das 10 horas da manhã, e que será prestigiada por autoridades, dirigentes esportivos, jornalistas e panathletas.

Palco, banners, banda da PM, organista e uma atmosfera de entusiasmo marcarão o evento.

 

TAMBÉM OS ATLETAS DOS ANOS ANTERIORES

A solenidade do Bosque da Fama existe desde 2008. Os homenageados dos anos anteriores são convidados para o evento, pois todos recebem, no ano seguinte ao plantio das árvores, um diploma de membro da “Ordem do Bosque da Fama”

 

OS INTEGRANTES

Desde que foi criado, o Bosque da Fama homenageou os seguintes ícones do esporte:

- Maria Esther Bueno – tênis

- Helen Cristina Santos Luz – basquete

- Hortência Marcari – basquete

- Manoel dos Santos Jr. – natação

- Ricardo Prado – natação

- Rogério Sampaio Cardoso – judô

- Maria Paula Gonçalves da Silva – basquete

- Janeth Arcain – basquete

- Gustavo Borges – natação

- Nelson Prudêncio – atletismo

- Alberto Marson – basquete

- Amauri Ribeiro – voleibol

- Carlos Domingos Massoni – basquete

- Éder Jofre – pugilismo

- Fernando Meligeni – tênis

- José Macia (Pepe) – futebol

- José Ely de Miranda (Zito) – futebol

- Ana Beatriz Moser – voleibol

- Ana Margarida Vieira Álvares (Ida) – voleibol

- Antônio Wilson Honório (Coutinho) – futebol

- Daniel Farias Dias – natação paralímpica

- Douglas Vieira – judô

- Jair Picerni – técnico de futebol

- Maurren Higa Maggi – atletismo

- Antônio Salvador Succar – basquete

- José Montanaro Junior – voleibol

- Emerson Fittipaldi – automobilismo

- Fabiana Murer – atletismo

- Henrique Guimarães – judô

- Marcelo Negrão – voleibol

- Miguel de Oliveira – boxe

- Wiliam Carvalho da Silva – voleibol

- Walter Carmona – judô

 

In memoriam

 

Representados por seus familiares, foram homenageados:

 

- Adhemar Ferreira da Silva – atletismo

- Ayrton Senna da Silva – automobilismo

- Carmo de Souza – basquete

- Edson Bispo dos Santos – basquete

- Gylmar dos Santos Neves – futebol

- Ícaro de Castro Mello – atletismo

- João Carlos de Oliveira – atletismo

- José Ferreira Santos – dirigente

- Moacyr Brondi Daiuto – basquete

- Sylvio de Magalhães Padilha – dirigente

- Tetsuo Okamoto – natação

- Ubiratan Maciel – basquete

O nome do Palmeiras

Recebemos um amável comentário do leitor Luiz Margutti Neto sobre nosso post anterior. A principal razão do seu e-mail é nos mostrar a origem verdadeira do nome “Palmeiras”, quando seu tio, Estevam Margutti, era presidente do Palestra Itália em 1945, ocasião em que o clube passou a ser denominado Sociedade Esportiva Palmeiras.

Luiz Margutti Neto terminou sua missiva com as seguintes palavras: “Depois de ouvir tantas versões sobre a origem da Sociedade Esportiva Palmeiras, resolvi então procurar seu blog na Gazetaesportiva.Net em razão de sua credibilidade como jornalista, grande historiador alviverde admirado por todos nós, e também por estarmos em pleno ano do centenário do clube, que por sinal não anda nada bem…”

Naturalmente, nosso “blog” está à disposição para divulgar o que herdeiros de antigos presidentes guardaram sobre a história do alviverde.

A única coisa que eu sei, e não deve estar relacionada com o nome “Palmeiras”, foi que a Associação Atlética das Palmeiras era uma equipe que disputou o primeiro Campeonato Paulista de Futebol. A A.A. Palmeiras era formada pelos jogadores que não encontraram um lugar na forte equipe do Clube Atlético Paulistano.

Na falta de um campo, o time passou a jogar em um terreno de propriedade de Dona Veridiana Prado, na rua das Palmeiras. Pouco tempo depois, mudou seu estádio para a atual Praça Bento de Camargo Barros, onde permaneceu por 30 anos e chegou a vencer um campeonato paulista.

Em vez de verde, a sua cor era o preto, ou melhor, alvinegra. Por volta de 1930, quando foi fundado o São Paulo da Floresta, o Palmeiras, com integrantes do C.A. Paulistano, entrou com o seu estádio e suas cores para formar o novo Tricolor. O campo do São Paulo da Floresta foi o primeiro da cidade a ser iluminado; pudera, seu vice-presidente era Edgard de Souza, então vice-presidente da Light.

Mais tarde, quando foi absorvido pelo Clube Tietê, este campo se transformou em uma grande pista de atletismo, que sediou o Campeonato Sul-americano desta modalidade em 1937. Eu assisti a este evento e dele recebi um forte impacto em favor do esporte. Cheguei mais tarde a ser juiz da Federação Paulista de Atletismo. Lembro-me bem dos principais atletas que participaram deste inesquecível campeonato sul-americano, entre eles Ícaro de Castro Mello, Alberto Mendes, Luiz Pagliari, José Bento de Assis, José Carlos Figueiredo Ferraz, Bento de Camargo Barros e muitos do exterior, como os peruanos Mera e Castro, o velocista uruguaio Walter Perez e tantos outros.

Naturalmente o Palmeiras alvinegro da Ponte Grande não tem nada a ver com o time do Parque Antarctica. Por isso, aguardo muito interessado o prometido contato do nosso leitor.

 

A gloriosa história do Palmeiras

1TimeNo último post de nosso Blog prometemos publicar a história completa da Sociedade Esportiva Palmeiras, nascida com o nome de Palestra Itália.

Trata-se da reprodução integral do capítulo sobre o alviverde publicado em meu livro “Tietê – O Rio do Esporte” que se tornou um verdadeiro “best seller”, com uma venda de mais de 20 mil exemplares.

Certamente é um trabalho longo, a mais longa coluna que já escrevemos desde que estamos vinculados à gazetaesportiva.net, isto é, desde o início de suas atividades.

Nesta época da entrada do Palmeiras na “Ordem das Entidades Centenárias” justifica-se esta prodigalidade informativa.

Vamos ao assunto:

 

O nacionalismo, como já vimos ao longo deste livro, foi um fator aglutinador dos clubes formados nas primeiras décadas do esporte paulista. Podemos até distinguir duas ondas nesse movimento de associativismo esportivo: a primeira, até a virada do século XX, quando foram fundados, entre outros, os clubes alemães de ginástica e o SC Germania, o Clube Esperia por italianos e o São Paulo Athletic Club por ingleses.

O Palestra Itália, agremiação que teve como sucessora a atual Sociedade Esportiva Palmeiras, fez parte da segunda onda, ocorrida concomitantemente ou logo após a primeira conflagração mundial. Também integravam esse grupo o SC Sírio, a Portuguesa de Desportos e a Hespanha de Santos (naquele tempo escrevia-se com H), que posteriormente se transformou em Jabaquara AC.

Antônio Figueiredo, jornalista de O Estado de São Paulo e historiador, contemporâneo à época da fundação do Palestra Itália, conta, em seu livro sobre a história do futebol, como as coisas aconteceram. A visita a São Paulo de duas equipes italianas, a Torinese e a Pró-Vercelli, cada qual convidada por uma das duas entidades que, naquele tempo, disputavam o prestígio da direção do futebol paulista, a Apea e a Liga Paulista de Futebol, despertou grande interesse pelo esporte na sociedade de origem italiana estabelecida em São Paulo.

Segundo Figueiredo, um grupo de empregados da Casa Matarazzo, entusiasmados pelo êxito das apresentações dos futebolistas visitantes, decidiu fundar um clube que representasse a colônia italiana sediada na capital, cobrindo assim uma grande lacuna. O mesmo autor, em uma publicação de 1918, informava que a primeira assembleia que contou com o comparecimento de 35 pessoas foi realizada no Salão Alhambra, na rua Marechal Deodoro nº 2, em 14 de agosto de 1914.

Surpreendentemente, porém, predominou nessa reunião inicial a ideia de constituírem uma sociedade basicamente recreativa, sem outros objetivos ou interesses. Um grupo minoritário que participava das discussões, todavia, insistia para que essa sociedade tivesse um cunho esportivo, sendo, por esse fato, seus integrantes alcunhados de “fundadores” da parte esportiva do clube: Adolpho Izzo, Luiz Izzo, Alfredo Izzo, Luiz Emmanuel Marzo, Sylvio Lagreca, Herculo Russo, Guido Gianetti, Jorge e Giulio Gianetti, Armando Rubicci, Luigi Vanini e A. Camargo.

A primeira diretoria do clube estava integrada por Ezequiel Simone, presidente; Luiz Marzo, vice; Luiz Cervo, secretário; Antônio Aulicino, sub-secretário; Francesco de Vivo, caixa; Francesco Morelli, 1º mestre-sala; Vicente CIllento, 2º mestre-sala; Guido Gianetti, Oreste Giangrande e Armando Rebucci, revisores de contas; e Vicente Ragonetti, diretor de esportes.

Os “mestre-salas” corresponderiam, nos dias de hoje, a diretores sociais e indicam a tendência predominante nos primeiros anos de fundação. Felizmente, a ala esportiva, com o passar do tempo, foi adquirindo prestígio e força, protagonizando a belíssima história futura do clube emergente. O termo “revisor de contas” corresponde ao conselho fiscal. A terminologia é até hoje adotada nos clubes e associações italianas. O nome Palestra Itália foi escolhido por indicação de Luiz Cervo.

A joia para a entrada no clube era de cinco mil réis e a mensalidade de três mil réis, que garantiriam a participação nas atividades sociais e o direito de assistir aos jogos de futebol. Comparado às demais associações da época, o total cobrado era módico, fato indicativo de que o Palestra começou sua trajetória como clube popular.

Como qualquer agremiação em vias de estruturar-s, o Palestra atravessou períodos difíceis. Passaram pela presidência, nos primeiros doze meses de existência, nada menos do que quatro dirigentes, até que o marco de sua consolidação definitiva aconteceu em 9 de janeiro de 1915, quando foi realizado um baile de inauguração no Salão Germania, na rua Dom José de Barros. Participou desse baile o real cônsul geral da Itália em São Paulo, Pietro Barolli, convidado de honra que acabou recebendo o título de presidente honorário do clube. Ficou famoso o discurso entusiasmado do diplomata, pronunciado na ocasião, conclamando os sócios a praticarem esportes ao ar livre. Também o apelo lançado por Vicente Ragonetti, pelo Fanfulla, fez com que um significativo número de futebolistas de origem italiana, que jogavam em outros clubes de São Paulo, viessem a fazer parte da equipe do Palestra Itália. A mensagem foi atendida por nomes de peso daquela época, como Bianco, Amilcar, Policci, Vale I, Américo Fiaschi, Ferré e Cervinati, transformando o clube que mal havia nascido em um grande esquadrão.

A equipe do Palestra jogou pela primeira vez com o Sport Club Savoya, de Votorantim, vencendo por dois a zero. Foi o primeiro troféu da atual Sociedade Esportiva Palmeiras.

Essa vitória inicial constituiu um forte estímulo para a agremiação emergente que buscava, a partir de então, não somente congregar os jogadores, mas toda a colônia italiana em sua torcida. Já se notavam iniciativas que reforçavam o nacionalismo peninsular, a ponto de a bandeira da Itália ser hasteada antes de cada partida. No seu segundo jogo, contra o Santos, equipe de ponta, em partida beneficente em favor da Cruz Vermelha, o Palestra mostrou que precisava melhorar muito se quisesse, tecnicamente, atingir os escalões principais do futebol paulista. Perdeu por 8 a 0. A partida seguinte já revelou progresso: a derrota foi por apenas três a zero para o Paulistano, um dos principais participantes do campeonato da Apea.

A essa altura, os palestrinos partiam para uma sede (a primeira delas ficava na rua Florêncio de Abreu) e já alugavam um campo na Vila Mariana, na rua Major Maragliano. O fato de a Itália ter declarado guerra a Áustria meses mais tarde levou a um arrefecimento do ímpeto com que o clube avançava. Muitos italianos dirigentes, reservistas na Itália, foram obrigados a partir. A agremiação ficou nas mãos de um pequeno grupo de associados.

Apesar dessas vicissitudes, por empenho de Luiz Cervo e Ernesto Giugliano, palestrinos da primeira hora, a agremiação conseguiu reagir e passar para uma sede melhor, na rua Riachuelo, perto do Largo São Francisco. Além desses dois dirigentes, destacaram-se, por seu devotamento, Ludovico Bachiani e José Roberti, respectivamente presidente e secretário naquele período.

Uma coincidência importante colaborou para que o Palestra Itália conseguisse o seu grande sonho: um lugar no campeonato da Apea, a mais badalada das duas entidades que, na ocasião, regiam o futebol de São Paulo. Estava sendo dissolvida a equipe do Scottish Wanderes, um clube britânico que havia ocupado a vaga do São Paulo Athletic Club no campeonato. A boa vontade de dois dirigentes da Apea, Edgard Nobre de Campos e Rangel Christofle, amainou qualquer possível dificuldade para a admissão do Palestra como representante da colônia italiana.

No Campeonato de 1916, o Palestra pagou o imposto do noviciado e colecionou derrotas. Nenhuma, porém, que lembrasse aquele amistoso beneficente com o Santos. A partir de 1917, a eficiência do clube progrediu. Nesse ano, o clube já estava em uma sede melhor, na rua Líbero Badaró, e mantinha ainda o seu campo na Vila Mariana. Em 1918, o Palestra abandonou o campeonato da Apea, desgostoso com o resultado de um jogo contra o Paulistano. Retornou, porém, meses depois, atendendo a pedidos das demais entidades.

Faltava um estádio à altura do prestígio adquirido em tão pouco tempo. O Parque Antarctica era propriedade da Cia Antarctica Paulista e, já em 1902, fora local do primeiro jogo entre o Mackenzie e o Germania. O estádio, que ia da avenida Antarctica até a avenida Pompéia de um lado e da avenida Água Branca (hoje Francisco Matarazzo) à rua Turiassu do outro, era utilizado para treinos e jogos de futebol e de outras modalidades. Aquele espaço era um teatro permanente de importantes acontecimentos esportivos. Em 1916, a Cia Antarctica Paulista fez um contrato de locação amplo de todas as instalações com o SC Germania, com vigência até 1921.

Entretanto, a Primeira Guerra Mundial veio interferir nesse contrato. Todas as agremiações de origem alemã foram alvo de grandes “pressões” e o Germania foi obrigado a renunciar a um compromisso ainda em vigência, situação da qual se aproveitou o Palestra Itália para adquirir o Parque Antarctica, saindo assim das precárias instalações conhecidas por “Barradão”, na rua Major Maragliano, na Vila Mariana.

A assinatura do contrato de compra ocorreu no dia 26 de abril de 1920. Firmaram o documento, representando a Societá Sportiva Palestra Itália, seu presidente, Menoti Falchi, o secretário geral, Eurico Belli, e o tesoureiro em exercício, Luiz Izzo.

A história do esporte reservou a Menotti Falchi um lugar muito especial: graças a esse empresário (era proprietário dos Chocolates Falchi), dois grandes clubes chegaram a possuir um respeitável patrimônio: o Esperia, que ele presidiu em 1903, e o Palestra Itália. O Parque Antarctica custou 500 contos de réis, com metade daquela quantia de entrada e o restante em duas prestações de 125 contos de réis, uma com vencimento em dezembro de 1921 e a outra em dezembro de 1922. Era garantida ainda a exclusividade de comercialização dos produtos da Antarctica naquele local.

Nada mais importante para a consolidação de qualquer agremiação esportiva do que a posse de um patrimônio, principalmente um estádio e uma sede social. Os dirigentes palestrinos, com a aquisição do imóvel, garantiram a perpetuidade do clube, pois uma propriedade patrimonial resiste às vicissitudes e às tormentas dos resultados negativos do gramado.

O ano de 1920 ficou histórico para o Palestra, pois, além do estádio, o clube  conquistou seu primeiro título. A decisão se realizou no campo da Associação Atlética Palmeiras, na Chácara Floresta, onde hoje fica a pista de atletismo do Clube de Regatas Tietê. A final foi contra o Paulistano, o grande rival dos três últimos campeonatos, em 19 de dezembro de 1920, e o jogo terminou 2 a 1.

A partir desses sucessos, o Palestra colocou-se entre os maiores esquadrões do futebol paulista, conquistando o vice-campeonato em 1921, 1922 e 1923 e voltando a vencer em 1926, proeza repetida em 1927.

Os anos de 1932, 1933 e 1934 foram especialmente gloriosos – obteve o primeiro tri de sua história. EM 1936, venceu mais uma vez.

Em 1942, quando o Brasil, abandonando a neutralidade dos três primeiros anos, entrou na Segunda Guerra Mundial, surgiram problemas para os clubes de origem japonesa, alemã e italiana. A declaração formal de guerra ocorreu em 22 de agosto de 1942 e o tradicional Palestra Itália foi obrigado a trocar subitamente de nome. Em 14 de setembro de 1942, menos de um mês depois, o time entrava em campo para a partida decisiva do campeonato paulista com o nome de Palmeiras. O Palestra despediu-se com a vitória, legando o título para um Palmeiras que nascia campeão.

Como todas as agremiações integradas pelas colônias alemã e italiana, a Sociedade Esportiva Palmeiras atravessou momentos de grandes riscos. O patrimônio desses clubes despertava grande cobiça. Contribuiu muito para a solução específica do caso da Sociedade Esportiva Palmeiras a ativa participação de Adalberto Mendes, um oficial do Exército que posteriormente atingiu o generalato. Ele não só preservou o clube, como, naquele jogo histórico de 14 de setembro, entrou em campo à frente da equipe com a bandeira do Brasil, demonstrando publicamente que, com o passar dos anos, aquela agremiação tinha se transformado em uma entidade antes de tudo brasileira. O Palestra, desde abril daquele ano, não usava mais o vermelho no seu uniforme: seis meses antes já era alviverde.

Se houve muitas glórias com o nome do Palestra Itália, elas se multiplicaram com a denominação de Palmeiras. A partir de então, passou a colecionar títulos e alcunhas, pelos quais é hoje ainda chamado e reconhecido por sua numerosa torcida, hoje multirracial. Foi campeão em 1941 e o feito repetiu-se em 1949.

Nesses anos todos, tem sido o berço de grandes nomes da história do futebol, como Junqueira, Ademir da Gruia e Waldemar Fiume, transformados em estátuas no Parque Antarctica. Entre as alcunhas famosas, destaca-se a de “Campeão das Cinco Coroas” em 1950/51 e, em 1960, a de “Academia”.

Embora este livro enfoque os primeiros cinquenta anos do esporte paulista, não custa resumir toda a glória esmeraldina:

  • Uma vitória na Libertadores da América;
  • Quatro títulos de campeão brasileiro;
  • Vinte e uma vezes campeão paulista;
  • Inúmeros títulos e troféus internacionais,      documentados por uma galeria que deveria fazer parte do roteiro turístico      de São Paulo.

Um clube, porém, como dissemos, não é feito só de títulos, mas também de patrimônio; nesse particular, aconteceram fatos que engrandeceram na mesma proporção que as vitórias em campo. Foram gols marcados por dirigentes que plantaram para o futuro. Essas melhorias no estádio de futebol começaram a ser feitas logo após a aquisição do Parque Antarctica, em 1920. Tudo ocorreu gradativamente.

Em 1933, na gestão de Dante Delmanto, um dos principais advogados da época, uma parte das arquibancadas do estádio tinha sido erguida em concreto. Uma outra grande reforma, ocorrida em 1964, na gestão de Delfino Fachina, deu ao estádio também o nome de “Jardim Suspenso”, aumentando a sua capacidade para receber espectadores.

Outro marco na evolução do Palmeiras foi a construção da piscina, em 1955, na primeira gestão de Paschoal Walter Byron Giuliano. Acompanhamos os detalhes dessa obra como jornalista, com reportagens frequentes solicitadas por dois palmeirenses dedicados: José Capobianco e Oswaldo Caviglia. A natureza do terreno não permitia a utilização de maquinário moderno. As escavações foram feitas “na antiga”, ainda com caçambas e burros.

Cobrimos a festa inaugural desta piscina. A família de Ermelindo Matarazzo paraninfou o ato e Giugliano, com o sorriso de orelha a orelha que o caracterizava, foi jogado, de roupa e tudo, na piscina, que iria mudar completamente o perfil do clube. Zezinho Capobianco e Caviglia, trabalhando mineiramente em silêncio, conseguiram que logo depois, em 1960, fosse inaugurado o Ginásio de Esportes, teatro de grandes acontecimentos, palco da fama de Oscar Schmidt na primeira gestão de Delfino Fachina, que durou 12 anos.

O clube, que praticava a modalidade de tênis desde 1937, atualmente possui um conjunto de 14 quadras e instalações complementares tão luxuosas que receberam o nome de “Palácio do Tênis”. Em 1963, sob a presidência de Delfino Fachina, foi adquirida uma área de 455 mil metros quadrados na margem da represa Guarapiranga. Ali, além de arruamentos urbanizados, existem sede social, piscinas, quadra de basquete, vôlei e futsal, playground e instalações para a prática de esportes náuticos.

Em 1991, na administração de Carlos Fachina, foi inaugurada a Academia de Futebol, um conjunto de três campos de treinamento, arquibancadas para duas mil pessoas, ginásio e muitas outras instalações numa área cedida em comodato pela Prefeitura Municipal de São Paulo, ocupando 500 mil metros quadrados na rua Marquês de São Vicente, ao lado do Parque Antarctica, no próprio bairro da Água Branca.

O Palestra, um clube distante do rio Tietê, não poderia deixar de integrar essa relação de agremiações de colônia que se tornaram brasileiras de corpo e alma, um clube da “terra nostra” que se tornou da “nossa terra”.

 

 

Panathlon comemora o centenário do Palmeiras

Divulgação

Divulgação

A Sociedade Esportiva Palmeiras será homenageada no dia 16 deste mês de outubro pelo Panathlon Club São Paulo, que dedicará todo o seu próximo convívio para comemorar um século de fundação do clube alviverde.

Desde o ano de 2000, o Panathlon Club São Paulo homenageia com a outorga de um diploma as entidades que completam 100 anos de existência, contribuindo dessa forma para o crescimento e a difusão do esporte do Estado de São Paulo.

Todos estes clubes juntos formam a “Ordem das Entidades Centenárias”, à qual a SE Palmeiras, sucessora do Palestra Itália, será incorporada.

Até a presente data e por ordem cronológica passaram a integrar a “Ordem” as seguintes entidades: Clube Esperia, Esporte Clube Pinheiros, São Paulo Athletic Club (Clube dos Ingleses), Clube Atlético Paulistano, São Paulo Golf Club, Mackenzie College, Federação Paulista de Futebol, Clube Atlético Ypiranga, Clube de Regatas Tietê, Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo, Sport Club Corinthians Paulista, Associação Cristã de Moços, Associação Atlética São Paulo e agora a Sociedade Esportiva Palmeiras.

A comemoração ocorrerá no restaurante do Clube Esperia e, além das figuras mais expressivas da direção palmeirense, contará também com dirigentes de federações estaduais e, obviamente, com representantes dos integrantes da “Ordem das Entidades Centenários”. Acreditamos que na solenidade contaremos também com o apoio da crônica esportiva.

Este Blog pretende, até o próximo dia 16, publicar um histórico do glorioso clube alviverde.