Gazeta Esportiva

Neste mês de maio, muitos fatos referentes a um mesmo conteúdo, por uma coincidência inédita, acumularam-se em minha agenda. São temas ligados à idoneidade no esporte, ao fair play e às críticas bastante contundentes à invasão antiética do dinheiro na atividade esportiva.

Ainda no último dia 10, contemplamos com grande satisfação o XV de Piracicaba ser premiado com o Troféu Fair Play e com o título de Campeão Paulista da Disciplina. Foi uma iniciativa resultante de uma parceria da Federação Paulista de Futebol com o Panathlon Club São Paulo, filiado ao Panathlon International.

O “Nho Quim” conquistou o troféu e o diploma correspondente ao ser a equipe que recebeu o menor número de pontos perdidos durante a fase de classificação do Campeonato Paulista. O critério prevê a perda de 1 ponto para cada cartão amarelo e 3 pontos por cartão vermelho. Na mesma cerimônia, o técnico Estevam Soares recebeu um diploma, como reconhecimento da função educativa desse tipo de profissional na disciplina de uma equipe. O bom comportamento dos jogadores enriqueceu a galeria do XV este ano com um significativo prêmio.

A equipe mais violenta, o Guaratinguetá, foi rebaixada para a Série A2.

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A antítese desta vitória da boa conduta é acompanhada de perto pela mídia impressa e eletrônica que, a cada edição, noticia diariamente fatos que agridem a ética, como o superfaturamento de obras, negociações escusas, dirigentes que recebem altos salários e até aposentadoria, quando a boa ética prevê um trabalho voluntário. Os atuais confrontos do Brasil com a FIFA em relação aos interesses econômicos da próxima Copa do Mundo são vergonhosos, dentro dos princípios que devem orientar o esporte em todos os continentes.

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Talvez pela presença de todos estes problemas, além do racismo vigente no futebol europeu e da agressividade entre as torcidas (que aumenta preocupantemente em todo o mundo), o Panathlon International escolheu para o seu próximo congresso, programado para 18, 19 e 20, em Siracusa, na ilha da Sicilia, o tema “Integridade no Esporte”. Assunto que será debatido por representantes de mais de duas dezenas de países, principalmente da Europa, América Latina e África.

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Para grande satisfação pessoal, fui convidado para ser um dos cinco expositores deste congresso, que acontecerá na terra em que nasceu o matemático Arquimedes. Neste trabalho, já redigido, defendo com ênfase o esporte como instrumento educativo. Que haja uma união de todos os países para que o comportamento ético venha a integrar a escala de valores de todos os povos. Acrescento também que o nosso país será anfitrião de dois dos maiores eventos esportivos internacionais, no período de quatro anos – Mundial de Futebol e Jogos Olímpicos – e estará no centro das atenções de todo o mundo. Mais do que nunca, o Brasil precisa de um comportamento idôneo dos dirigentes dos órgãos governamentais, dos dirigentes esportivos, da polícia e da população. Nossa imagem estará exposta à crítica dos meios de comunicação de mais de 200 países que nos visitarão em cada um destes dois mega eventos.

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Para completar a defesa do esporte ético, no mesmo dia 10 de maio, quando o XV era homenageado, o Santos FC ganhava por 8 a 0 do Bolívar. Este clube tinha sido protagonista, no jogo efetuado em seu campo, na primeira partida, de uma brutalidade que entrará na história do futebol sul-americano. Não revidar a agressão e jogar esportivamente talvez seja a conduta mais recomendável e responsável por aquele placar tão dilatado. Creio que, de agora em diante, times que queiram fazer da violência uma tática para a vitória venham a pensar duas vezes antes de fazê-lo.

Maio está sendo, mesmo, o mês da ética.

Estivemos neste último fim de semana em Juiz de Fora. A razão desta viagem foi participar do Congresso e Assembléia Geral do Distrito Brasil do Panathlon International, entidade de caráter mundial que visa preservar o culto à ética em todas as modalidades esportivas.

A programação geral daquele evento, além dos assuntos ligados ao panathletismo, previa um lado cultural, onde aquela cidade mineira apresentaria aos congressistas as suas atrações e pontos de interesse, principalmente seu patrimônio na área do ensino universitário.

A “vedete” da mostra que Juiz de Fora exibiu, plena de orgulho. foi a Escola de Educação Física da Universidade Federal. Nunca vimos em instalações voltadas ao ensino desta matéria um parque esportivo tão completo. Inserido no meio de um bosque, possui uma estrutura com uma pista digna de grandes eventos, utilizáveis até em certames de âmbito internacional, com uma tribuna para milhares de espectadores. O mesmo pode ser dito da piscina e do ginásio. Há ainda modernas quadras de voleibol, handebol e tênis. Não faltam também um exuberante auditório e um bosque para envolver este conjunto.

O autor destas linhas, que conhece por causa de sua profissão muitas instalações esportivas, pode dizer que a Faculdade de Educação Física de Juiz de Fora ou é a maior e melhor do mundo ou está entre elas. O seu acesso é franqueado a todos que querem visitá-la. A quem gosta de viajar e de conhecer o nosso país, sugerimos uma ida a Juiz de Fora para verificar o que acabamos de contar. É um bom motivo para ufanar-se do Brasil.

NO PÉ

Acreditamos que Toninho Fernandes, panathleta e presidente recentemente eleito para a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) lerá este artigo e começará a avaliar uma forma de brindar essa pista de alto nível com uma competição do seu mesmo padrão, de âmbito nacional ou internacional. Nossos amigos mineiros merecem.

Eu continuo impressionado com o espaço exagerado que vem sendo dado, nas emissoras de TV e nos veículos gráficos, ao futebol internacional. É certo que o leitor e o espectador de nosso país não devam ignorar os principais fatos esportivos que ocorrem no resto do mundo, entretanto, pessoalmente achamos um erro a disparidade do volume de divulgação dos fatos esportivos ocorridos no Brasil e no exterior.

É óbvio que as notícias sobre os outros reduzem as disponibilidades de divulgarmos as nossas, fato que causa sensível prejuízo não só ao futebol, mas a todo o esporte nacional, principalmente às divisões de base, à estrutura de acesso ao estrelato nacional e internacional.

Já enfatizamos mais de uma vez em nosso Blog a importância de uma base quantitativa para que tenhamos na pirâmide do esporte um vértice técnico de elevado padrão. Transmite-se hoje, ao vivo, jogos de quase todos os países que militam no futebol europeu, times que ocupam o terço inferior da tabela de classificação dos respectivos campeonatos. Enquanto isto, partidas de nossas segunda e terceira divisões, com a participação de equipes de prestígio, o máximo que conseguem é um singelo resultado seco, sem nenhum comentário.

Enquanto o melhor do banquete da divulgação vai para países que chegam até a nos ignorar, os jogos das divisões menores do nosso país muitas vezes nem migalhas recebem. As vítimas desta segregação da mídia são clubes que já foram campeões estaduais, como o Internacional de Limeira e outros que envolvem importantes regiões, como a Ferroviária, a Francana, o América de Rio Preto, o Comercial e o Botafogo (os dois esquadrões de Ribeirão Preto, que se revezam entre a primeira e a segunda divisão), o São Bento de Sorocaba (que elegeu até o Mitidieri na FPF), o EC Taubaté (que simbolizou o futebol do Vale do Paraíba), o Marília, a Portuguesa Santista e outros. Todas estas nossas agremiações foram substituídas por clubes do exterior que, para sabermos onde ficam, é necessário recorrer ao mapa-múndi, ou a um atlas bem detalhado.

As divisões A2 e A3 são etapas para um clube subir aos mais altos degraus do pódio do prestígio. Todas as divisões existentes, incluindo até as infantis e juvenis (que não conseguem ter nem os resultados publicados) são a base que sustenta o futebol de primeiro nível. Cada uma destas divisões já é um estágio desta escada. Ninguém chega ao seu topo sem pisar no primeiro degrau.

A única exceção a favor da tese que defendemos neste momento é a Copa São Paulo de Futebol Junior, uma obra dedicada ao futuro criada pelo amigo Fábio Lazzari, recentemente falecido, e pelo esportista Paulo Soares Cintra. Mesmo assim, a sua grande final, no dia 25 de janeiro, data da fundação da cidade de São Paulo, é “atropelada” pelo início do Campeonato Paulista e demais campeonatos Brasil afora.

Se este espírito de divulgação da base for ampliado pelo patrocínio de eventos de futebol amador, ou pela divulgação do futebol varzeano, ele poderá promover o aparecimento de mais talentos. Os participantes que não tiverem os méritos para ser um campeão, ainda assim poderão contribuir para o esporte como dirigentes, árbitros, jornalistas ou fiéis freqüentadores dos estádios.

Voltando à concorrência dos estrangeiros na distribuição do espaço dos jornais e da TV, um velho provérbio talvez resuma tudo o que procuramos dizer nesta crônica:

“Mateus, primeiro os teus”.

 

Noticiamos em nosso último post que o E.C. XV de Novembro estava prestes a vencer o Troféu Fair Play, que equivale ao título de Campeão Paulista da Disciplina. O resultado desta avaliação, após o encerramento da fase classificatória do “Paulistão”, foi o seguinte:

1º – XV de Piracicaba       – 39 pontos perdidos

2º – Corinthians                  – 42 pontos perdidos

3º – Santos                           – 47 pontos perdidos

O menos “delicado” dos clubes foi o Guaratinguetá com 83 pontos. O critério para a classificação é a perda de 1 ponto por cartão amarelo e 3 pontos por cartão vermelho.

A entrega deste prêmio está prevista para o próximo dia 10 de maio, no Clube Esperia, em uma solenidade conduzida pelo Panathlon Club São Paulo em parceria com a Federação Paulista de Futebol.

Desde 1995, o Panathlon Club São Paulo, entidade particular vinculada ao Panathlon International, com sede na Itália, outorga o Troféu Fair Play, destinado às equipes que disputam o Campeonato Paulista de Futebol. Trata-se de uma parceria com a Federação Paulista dessa modalidade e destina-se a premiar o clube mais disciplinado do “Paulistão”.

A avaliação do vencedor é feita pelo número de cartões que cada time recebe: a cada amarelo, o infrator perde um ponto e, a cada vermelho, três. No regulamento leva-se em consideração somente a fase classificatória, momento em que participam todas as 20 equipes concorrentes.

Um levantamento da apuração parcial, feito após a penúltima rodada desta primeira etapa, apontou a liderança do XV de Novembro de Piracicaba, com 34 pontos perdidos, 4 pontos a frente do Corinthians (vencedor dos dois últimos anos), que aparece em segundo lugar. Em terceiro há um empate entre Santos e Palmeiras, ambos com 45 pontos.

O clube mais violento e menos disciplinado é o Guaratinguetá, com 81 pontos perdidos.

A vantagem piracicabana é considerada folgada. Se os jogadores do XV não fizerem nenhuma loucura na partida que lhes falta contra o Mogi Mirim, no próximo domingo, certamente o clube será “Campeão Paulista da Disciplina”, um título respeitável para aqueles que apreciam um futebol sem violência.

O prêmio é um troféu e um diploma que, por ser oficial, leva o logotipo e a assinatura do presidente da Federação Paulista de Futebol. Eles serão entregues em meados de maio, numa cerimônia que terá o comparecimento dos organizadores, dos clubes da 1ª Divisão, autoridades, convidados e membros do Panathlon de São Paulo e de Piracicaba, além da crônica esportiva.

Também o técnico Estevam Soares receberá um diploma, pois a comissão organizadora considera muito importante a contribuição deste profissional numa conquista como esta.

Desde que foi instituído, já receberam o Troféu Fair Play os seguintes clubes:

1995         -       São Paulo F.C. e América de Rio Preto

1996         -       S.E. Palmeiras

1997         -       Santos F.C.

1998         -       São Paulo F.C.

1999         -       Portuguesa de Desportos

2000         -       São Paulo F.C.

2001         -       Botafogo F.C.

2002         -       C.A. Juventus e E.C. Santo André

2003         -       Paulista (Jundiaí)

2004         -       S.E. Palmeiras

2005         -       Santos F.C.

2006         -       Portuguesa de Desportos

2007         -       S.E. Palmeiras

2008         -       Paulista (Jundiaí)

2009         -       E.C. Santo André

2010         -       S.C. Corinthians Paulista e A.D. São Caetano

2011         -       S.C. Corinthians Paulista

O “Estadão”, visando criar desde já uma atmosfera de interesse para os Jogos Olímpicos de 2016, está publicando aos domingos um caderno sobre cada modalidade. Fala naquelas páginas das possibilidades de nossos atletas para o evento programado para o Rio de Janeiro e conta um pouco da história de cada esporte olímpico.

O último trabalho foi sobre o Atletismo. Entre as matérias da pauta, foi destacado Nelson Prudêncio. Dele constavam seus dados biográficos, sua brilhante participação nos Jogos Pan-americanos realizados no México e suas duas medalhas olímpicas.

A reportagem, que ocupou toda a última página daquele caderno, despertou-me muitas recordações, pois este atleta, até hoje um grande amigo, tem muito a ver comigo.

Após fazer o então curso primário em Lins, onde nasceu, ele foi residir em Jundiaí e cursou a Escola Industrial Antenor Soares Gandra, da qual eu era professor. Com os alunos, construímos uma quadra de voleibol e outra de futebol de salão, ambas de terra. Não havia verba para aquele estabelecimento de ensino da rede pública.

Ágil como ele só, era um dos melhores do time de futsal de sua classe e, por esta qualidade, foi apelidado de “Pelé”. Seu time, no final dos anos 50, venceu o Campeonato Interno da Escola e eu tive o prazer de entregar a ele a sua primeira medalha, à qual vieram juntar-se, anos mais tarde, a de prata, nos Jogos Olímpicos da Cidade do México (1968) e a de bronze, nos Jogos Olímpicos de Munique (1972).

Durante os anos 60, o município de Jundiaí construiu seu ginásio de esportes, conhecido localmente como “Bolão”, e a pista de atletismo, obras estas necessárias para a cidade sediar os Jogos Abertos de 1961. A última vez que o vi na “Terra da Uva” já foi saltando extensão e triplo. Ele ainda era desconhecido naquela época.

Mesmo formado em Escola Industrial e estando preparado profissionalmente para trabalhar em uma empresa deste ramo, ele resolveu seguir os apelos da Educação Física e dos esportes que já ocupavam os seus sonhos. Foi estudar na Escola de Educação Física de São Carlos, da qual se tornou professor muito prestigiado. Atualmente é vice-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo.

Fico feliz com estas recordações, quando me lembro que o meu palito de fósforos ajudou a acender a chama de um ideal que se transformou numa grande carreira. Há uma década, quando Nádia Campeão, então Secretária Municipal de Esportes, resolveu candidatar São Paulo para sede dos Jogos Olímpicos (aspiração vetada por Nuzman), era Nelson Prudêncio quem estava sentado na parte central da mesa principal, e quem falava em nome de todos os atletas.

Os verdadeiros campeões não nascem em berço de ouro.

Os jornais do último fim de semana noticiaram com destaque um considerável aumento de furtos e roubos com o turista como vítima. Gente que vem do exterior para congressos e convenções, ou ainda para curtir a beleza de nossas praias são o alvo preferencial destes marginais que não imaginam o mal que causam ao Brasil.

O Brasil busca vultuosos recursos econômicos, “vendendo” sua imagem de país belo e ensolarado. A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos constituem um grande investimento para que sejamos ponto obrigatório do destino de visitantes procedentes de outras nações distribuídas pelo nosso planeta. Em termos de marketing, não deixamos de ser uma mercadoria a ser vendida aos vários bilhões de habitantes do globo.

Para que isto ocorra, necessitamos possuir uma excelente imagem. Toda a fortuna que gastam a iniciativa privada e também a oficial em propaganda e publicidade visa exatamente a conquista essencial desta imprescindível imagem. É esta procura que motiva empresas a investimentos fabulosos, fato que se pode conferir pela presença de patrocinadores do esporte, pelos anúncios que sustentam todos os meios de comunicação, impressa e eletrônica.

Nada mais funesto para uma empresa do que a perda de um crédito. Todos os empresários querem manter o conceito de sua marca no topo. Este fato é revelado pelo freqüente noticiário dos “recalls”, isto é, fabricas que substituem gratuitamente peças e artigos que apresentem possíveis defeitos de produção. A grife é um “up grade” da imagem.

Um país como o Brasil, prestes a ser admitido no primeiro mundo, precisa, portanto, manter cada vez mais seu prestígio. Neste contexto, pode-se imaginar o estrago que nos causa a divulgação aos quatro ventos da preferência de nossos ladrões pelos endinheirados turistas do exterior. Um turista assaltado torna-se, ao retornar, um arauto contra o nosso país. Este tipo de bandidagem chega a corroer o orgulho de ser brasileiro. A Copa e os Jogos Olímpicos tornam-se caixa de ressonância da má propaganda.

Estas quadrilhas, inconscientes ou conscientes do mal que estão causando, vão acelerar a sua ação nefasta em 2014 e 2016 quando a “mercadoria” será farta. Cumpre agora, portanto, às autoridades policiais ver se salvam o tão importante prestígio de nosso país perante o mundo. Entre nossos governantes encarregados desta grande missão deve haver alguns executivos que tenham escapado da epidemia de corrupção coletiva que nos invade. É nestes que confiamos para que a imagem do Brasil seja salva.

Cada cidadão também pode colaborar, manifestando-se ruidosamente a favor da formação de uma consciência pública atuando contra as quadrilhas poderosas do crime organizado.

Este artigo é a minha modesta colaboração.

Os jornais da última terça-feira, dia 13, estavam pródigos de notícias sobre o pedido de demissão do presidente da CBF, seu afastamento do futebol e a despedida da Copa do Mundo de 2014.

Numa profusão de informações esportivas, a minha atenção focalizou-se em outra página, na manchete do noticiário geral, especificamente que dizia que o Governo Municipal de Kassab fechou o maior contrato do último ano de sua gestão: a aplicação de dois bilhões e oitocentos milhões de reais em obras de urbanização de favelas e recuperação de mananciais nas orlas da represa Billings e Guarapiranga.

Trata-se de um grupo de 13 lotes de obras que visam resolver os principais problemas de habitação e poluição, obras essas que serão iniciados no segundo semestre deste ano, com conclusão prevista para 2016.

Quando lemos esta notícia lembramo-nos que uma décima quarta realização poderia ser incluída naquele lote: a construção de uma raia olímpica, uma escola de remo e canoagem e a construção de locais para a prática de esportes aquáticos e náuticos.

A Billings já teve seu momento de apogeu. Sediou as primeiras competições de remo no início do século passado e possuía uma raia e um barracão de barcos nos anos 50. Eventos como os Jogos Pan-americanos de 1963 foram realizados em suas águas. O mesmo aconteceu com outra iniciativa grandiosa: a Regata das Forças Armadas do Brasil, destinada a out-riggers a 8 remos com patrão de todo o país. Nessa festa, idealizada pelo então presidente da Federação de Remo de São Paulo, Alberto Pereira de Castro Jr., com o apoio do prefeito de São Bernardo do Campo, Lauro Gomes, e do então Governador do Paraná, Moisés Lupion, doze barcos imponentes como são os “oito” competiram no mesmo páreo simultaneamente, com tripulações de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo e, se não me falha a memória, do Pará.

Ninguém pode imaginar a beleza do espetáculo, esteticamente insuperável do remo, que é ver mais de 100 remadores em uma mesma prova.

Quem contemplar um mapa da região verá a massa de água represada do rio Jurubatuba desde o começo do século passado e poderá constatar o elevado número de locais aproveitáveis para o remo e para outras modalidades náuticas e aquáticas. Depois de 1944, quando a Travessia de São Paulo a Nado foi suspensa devido às más condições sanitárias do rio Tietê, esta prova de águas abertas chegou a ser realizada por uma vez na represa Billings.

Agora, com o saneamento das águas previsto por este projeto de Kassab, São Paulo ganhará um excelente lugar para treinamento e realização de provas do calendário de natação em águas abertas.

Este projeto não atenderá somente o esporte de vértice, os militantes consagrados, mas também o esporte de base e competidores do esporte do futuro.

São vizinhos da represa bairros como o Jardim Ângela, Parelheiros, Cidade Dutra, Grajaú, Socorro, Campo Grande e outros com altos índices de ilicitudes. Nas suas margens poderiam ser montados cochos (não é necessária a construção de piscinas), pontões para o remo, instalações de barcos-escola e outras destinadas aos esportes aquáticos e náuticos.

A exemplo do Centro Olímpico da SEME, poderia ser criada no local uma estrutura de professores e técnicos para tirar das ruas, das drogas e da criminalidade uma juventude carente de orientação, com uma grande incidência estatística naquela região. O crack e a droga seriam substituídos pelo craque-campeão.

Nossa cidade seria enriquecida também por atender a população adulta com a criação de mais um núcleo recreativo como são o Ibirapuera e o Parque do Carmo.

O remo ganharia uma nova opção para progredir, libertando-se das amarras que o prendem ao único local que ainda resta para a sua prática, a raia olímpica da Cidade Universitária, onde o CRUSP não permite regatas aos domingos e cobra pela locação dos barracões de barcos uma exorbitância. No ano passado, o Esperia, clube fundador da Federação de Remo, desfiliou-se por não ter condições de pagar o aluguel dos barracões para a guarda de seus barcos.

Tomara que haja tempo para incluir este complemento sócio-esportivo no grandioso projeto de dois bilhões e oitocentos que está para se tornar uma grande realidade, com as obras sendo iniciadas no 2º semestre deste ano.

Tomara que este artigo chegue às mãos dos responsáveis para ver se a sugestão pode ainda vir a integrar o lote de obras programadas.

Tenho o hábito de, entre sete e nove da noite, assistir a TV, de controle remoto na mão. Quando entram os anúncios, mudo a sintonia para outra emissora. É verdade que, com este hábito, chego a ouvir duas ou três vezes a mesma notícia. Em compensação, vejo e ouço diversas interpretações dos vários canais e as comparo com o que saiu escrito nos veículos gráficos do dia seguinte. Alguns noticiários televisivos são tão desatualizados que fazem sua pauta pelo o que já foi publicado no “Estadão” ou nas “Folhas” daquele dia.

Numa dessas rápidas passagens de meu controle digital, ouvimos no fim da última semana um informe simplesmente estarrecedor numa emissora que neste momento eu não poderia identificar, tal o ritmo com que eu mudo os canais. Impressionantemente, não vi qualquer repercussão sobre ele em outros veículos impressos ou eletrônicos, fato que me deixou duvidoso.

O tópico informava que, nos Jogos Olímpicos de Londres, por orientação da Associação Olímpica Britânica, os atletas da Inglaterra deveriam abster-se de abraçar, cumprimentar, ou apertar a mão dos demais competidores, evitando adquirir, pelo contágio, moléstias endêmicas de outras paragens ou doenças de algum outro atleta olímpico. Esta restrição incluiria até os procedimentos que fazem parte do ritual de fair play que antecedem e sucedem as partidas. Trata-se de um cerimonial muito representativo, que vemos com grande freqüência em todos os jogos de voleibol e mesmo de futebol.

Eu acredito que a confirmação deste fato significa um verdadeiro “chute no traseiro” de todas as nações do mundo, dado justamente pelo país anfitrião. Trata-se da negação de um princípio básico inerente aos Jogos Olímpicos e à ética do esporte. Constitui uma agressão a um símbolo de irmandade e confraternização entre os povos.

A Inglaterra, como principal país cultor do colonialismo, é avessa à integração com outras nações (não entrou na Comunidade Europeia). Historicamente julga-se superior aos demais, herança da época vitoriana, tempo em que era a “rainha dos mares”.

Levando-se em conta este “back ground”, até que poderia ser julgada como verdadeira uma atitude como aquela, que atenta contra o espírito de democracia e de igualdade humana, que constitui a grandeza do esporte olímpico.

Gostaríamos que esta notícia não fosse verdadeira, estivesse somente na área da especulação, considerando-se a forma ligeira com que foi divulgada e a ausência de uma rumorosa repercussão, tão grande quanto à causada pelo secretário geral da FIFA. Mas, uma pequena nota dada pelo Estadão de domingo (anexa) confirma a veracidade do vergonhoso ato discriminatório. 

Acredito que, com a evolução da economia mundial ocorrida nas últimas décadas, com o primeiro mundo enfrentando nos dias de hoje sérios problemas financeiros, e com o evidente progresso social dos Brics e de outros países emergentes da América Latina, da Ásia e da África, já não dá mais para a Inglaterra ter “nojo de pobre”.

A insurreição das Polícias Militares da Bahia e do Rio de Janeiro teve uma repercussão que vai permanecer ainda durante muito tempo. Nos dias da crise, ela foi motivo de ampla divulgação em nosso país e no exterior, principalmente pela diversidade de abordagens que ela oferecia.

Muitos consideraram a questão do ponto de vista do incremento da criminalidade, amplamente aumentada nos dias da greve. Outros ficaram perplexos com a ousadia da invasão do prédio da Assembléia Legislativa, justamente por uma classe que tem a missão de preservar a lei e a ordem.

O “affair” demonstrou a vacilação de políticos no exercício da gestão pública. Eles não exerceram uma plena autoridade neste episódio, quando era a única forma de preservar a ordem e o estado de direito. Este ângulo deixou claro o paradoxo do Governador Estadual que, meses antes, na campanha eleitoral, fazia a apologia da greve e logo depois teve a obrigação moral de combatê-la com todo o rigor.

Este incidente acarretou ainda uma discussão de cunho ideológico na área jurídica. Houve até radicais que tiveram a ousadia de defender o direito de greve para uma categoria que tem a responsabilidade precípua de preservar a segurança dos habitantes de todo o país. Felizmente predominou nos órgãos de comunicação e, consequentemente na opinião pública, a repulsa ao movimento grevista e o aplauso ao encarceramento de seus principais líderes, policiais militares e bombeiros.

Compreende-se, até, a reivindicação de melhor remuneração para um trabalho de risco como é o policial, mas a paralisação da atividade para chegar a “benesses” é inaceitável.

Quando o incidente já estava adiantado, aumentando sua adesão nos quartéis, escutas telefônicas, autorizadas pelo Ministério Público, mostraram que até táticas terroristas, incêndios de viaturas e paralisação do tráfego nas estradas estavam na programação, no melhor estilo de um movimento subversivo e bandido.

Inclusive a escolha dos locais e das datas próximas ao Carnaval da Bahia e Rio de Janeiro deu ao movimento o sentido de “chantagem”. O objetivo era o de surpreender as autoridades num momento em que a segurança pública tornava-se ainda mais necessária nos folguedos momísticos.

A Copa e os Jogos Olímpicos

Este fato vale como um alerta, daqueles de tirar o sono, para as autoridades ligadas ao esporte. Se o Carnaval (de realização anual a mais de um século), já serviu para a citada chantagem, o que dizer dos dois mega eventos previstos para 2014 e 2016 – a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Se a ameaça a um singelo Carnaval já causou um grande estrago e preocupações, o que se pode esperar das duas maiores coberturas da mídia esportiva mundial?

A breve insurreição do Carnaval deste ano já repercutiu intensamente na imprensa mundial. O Brasil não foi poupado pelos principais veículos e agências de informação e que causaram o cancelamento de vários pacotes turísticos, com sérios prejuízos econômicos para nossa nação. E o que dizer de uma situação análoga nos dois grandiosos certames internacionais?

Numa hora em que, em termos políticos, econômicos e sociais é fundamental uma excelente imagem do Brasil no exterior, meia dúzia de líderes carreiristas colocam em perigo o turismo nacional, a nossa economia e retiram o emprego de muitas centenas e milhares de habitantes do país.

Está na hora de nossas autoridades mostrarem coragem e não cederem a pressões ideológicas ou eleitorais. John F. Kennedy ganhou o Prêmio Pulitzer de literatura quando escreveu sobre os vultos da história de seu país que souberam dizer não quando submetidos a pressões.

Nos próximos quatro anos, é preciso estarmos com o olho muito vivo nos arrivistas que buscam, através deste tipo de subversão, a consolidação de uma liderança para conquistar cargos eletivos e políticos. Basta apenas analisar a biografia daqueles que nos comandam há dez anos