No dia seguinte ao da publicação do texto abaixo, todo jubiloso por uma medida idônea da juíza de primeira instância, lemos a notícia de apenas sete linhas informando que a juíza Leila Mariano, do Tribunal de Justiça do Rio, suspendeu a liminar concedida pela respeitável Gisele Faria.
Surpreende-nos que a justiça brasileira, endemicamente morosa, agiu neste caso com velocidade supersônica.
Mantivemos este post, já superado, em nosso blog, como uma forma de homenagear Gisele Guida de Faria pelo seu gesto.
Não entendemos nada de Direito Civil. Esperamos que o Ministério Público possa recorrer da medida a favor da Odebrecht, da AEG e da IMX de Eike Batista, tomada com a velocidade de um Fórmula Um.
O noticiário da mídia independente divulga em quase todo o espaço disponível falcatruas, incompetência, sonegação, corrupção e obras importantes que não saem do papel.
Quando terminamos de ler o jornal pela manhã, começamos o dia com um desânimo enorme quanto ao futuro do Brasil. Vemos o nosso país como aquele corredor que está sendo ultrapassado pelos demais e sem nenhum esboço de reação. São poucas as notícias alvissareiras e animadoras como a da conquista da OMC (Organização Mundial do Comércio) por um brasileiro, ou da conduta do Supremo Tribunal Federal no caso do Mensalão, o primeiro em que a inidoneidade foi punida.
Quando conquistamos a sede do Mundial de Futebol e dos Jogos Olímpicos, chegamos ingenuamente a julgar que, por patriotismo e desejo de conquistar uma excelente imagem no exterior, a avidez da corrupção seria contida. A maioria esperava que todos abririam mão de seus interesses em favor de um grande benefício para a nossa nação.
Tudo ao contrário. Nada de altruístico aconteceu. Os turistas prematuros passaram a ser os principais alvos dos nossos bandidos. Cada crime deste tipo soa como um trombone na mídia do exterior levando nossa imagem para o brejo. Os custos das obras para a Copa e Jogos Olímpicos dobraram e as despesas com dirigentes e serviços viraram um escândalo.
Parte do judiciário desapontou quem quer ver o nome do Brasil no alto, também facilitou o caminho dos que agem menos eticamente.
Quando se verifica um ato que foge a todo este contexto geral, vem a consciência e a esperança de que é possível melhorar o nosso país. Foi o que sucedeu com o contrato para a exploração do Maracanã pelos próximos 35 anos.
Estava claro que a “concorrência” para a exploração do maior estádio do Brasil era lesiva aos interesses do país. O Estado do Rio de Janeiro sairia perdendo e o consórcio vencedor havia participado inclusive da redação do edital da concorrência. Tudo era dirigido para a vitória de um triunvirato que tinha em sua composição Eike Batista, a Odebrecht e uma empresa norte-americana.
Eu poderia parecer ridículo, mas, se eu cruzasse com a juíza Gisele, gostaria de beijar-lhe as mãos, um agradecimento em nome do esporte ético nacional.
O Estado do Rio de Janeiro prometeu recorrer da liminar concedida. Tomara que na segunda instância este processo seja distribuído a um membro do judiciário com a mesma integridade de uma Gisele Guida de Faria, ou de um Joaquim Barbosa, presidente do STF. Afinal, o bem precisa, ao menos algumas vezes, vencer o mal.
NO PÉ
Para Belém
Dias depois da divulgação da decisão de Gisele Faria, veio a notícia que os atletas domiciliados no Rio de Janeiro não tinham onde treinar para os Jogos e os principais eventos nacionais e internacionais. Mudaram de endereço. Foram para Belém, no Pará. O histórico Célio de Barros virou canteiro de obras da reforma do Maracanã. Que pena!
Prestigiar o Ministério Público
O desfecho (até o momento) deste caso mostra a incoerência de vários processos que tramitam no legislativo querendo reduzir a ação investigativa do Ministério Público, deixando-a exclusivamente para a polícia. Este trabalho de promotores e procuradores públicos estaria perdido se os “políticos” já tivessem conseguido aprovar o projeto em favor da impunidade nacional.

Foi firmado em meados de março um acordo entre o BNDES e a Sabesp que prevê investimento para a terceira etapa no Programa de Despoluição do Rio Tietê.



