Quatro anos mais do mesmo!

Foto: AFP

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A importância de uma imagem positiva é fundamental para o sucesso em qualquer área de atividade, seja ela uma pessoa física, entidade empresarial privada, produto de consumo ou mesmo um país.

Verdadeiras fortunas são gastas na mídia em propaganda e marketing e em eventos que se transformam em instrumentos de comunicação, a fim de se elevar uma imagem. Empresas aéreas chegam a construir grandes estádios para que elas assumam a denominação da razão social dos mesmos e participam de cotas de patrocínio em mega eventos. Certames enormes dos esportes mais populares chegam a valer verdadeiras fortunas.

Se, a custo benefício, o investimento em imagem não fosse vantajoso, ele não seria tão intenso e universal.

Infelizmente, o Brasil não pontifica nesta área tão rendosa. Embora seja a sexta economia do mundo e possua inúmeros méritos ausentes em outras nações, nosso país é pessimamente divulgado nos cinco continentes deste planeta. Nossa mídia e a do exterior publicam preponderantemente noticiário do tráfico nos morros, a criminalidade precoce dos jovens que neles habitam, a corrupção de nossa política e também da policia e toda uma série de informações que nenhum cidadão gostaria de ouvir sobre a sua pátria.

Esta cultura somente poderia ser alterada diante de uma situação de impacto, do aparecimento de uma bandeira que levaria políticos, empresários, professores e cidadãos conscientes desta situação mudar seus hábitos e valores, passando a considerar o Brasil um país sério, apagando a sua imagem atual como se apaga um exercício errado na lousa de uma sala de aula.

Muita coisa favorável nesta campanha do “Muda Brasil!” já vem sendo conseguida. No atual processo do Mensalão, a impunidade, maior aliada dos corruptos, está sendo visivelmente derrotada. O STF mostrou a cruz para o diabo e agora em diante os maus políticos irão pensar duas vezes antes de entrar numa ciranda de ilicitudes.

A realização de um Mundial de Futebol, outro de Judô, uma Concentração Mundial da Juventude Cristã e ainda os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos, alem da Copa das Confederações criaram uma expectativa de responsabilidade social, a necessária bandeira mobilizadora para mudar consciências e comportamentos para transformar a imagem do nosso país.

Quando o Brasil recebeu em Londres a Bandeira Olímpica, vinha junto com ela o desafio de uma comparação entre o último e o próximo Jogos Olímpicos. Iniciava-se um dos quadriênios mais importantes não só para o esporte, mas para o próprio país.

É verdade que, para que a grande meta seja atingida, é necessário remover o entulho e acabar com o lixo que teima em continuar enegrecendo a nossa imagem predominante no exterior.

O que se temia ocorreu com a queda do esquema da CBF, do Ricardo Teixeira e do Ministro dos Esportes, Orlando Silva. Quando esperávamos que o primeiro desafio estivesse superado com o afastamento do cenário de dois grandes figurantes, uma nova barreira se ergue com o fortalecimento do estigma que queremos extirpar dos personagens da nova peça que entrou em cartaz, a quinta “reeleição” de Carlos Nuzman; “mais quatro anos do mesmo”, a anti-renovação de uma realidade que queremos extinguir.

Sem entrar em pormenores (que já foram alvo de comentários anteriores), lembramos do caso entre o Comitê Organizador Londrino e do Brasil sobre a divulgação pelos brasileiros de detalhes sigilosos referentes à segurança dos Jogos Olímpicos recentemente concluídos na capital da Inglaterra. Nem precisamos dizer que a nossa imagem já foi emporcalhada logo no início do super quadriênio que está apenas se iniciando. A imprensa mundial deitou e rolou com o fato publicando amplamente o nosso despreparo para dirigir os eventos do mega quadriênio.

Entre outras coisas, é preciso mudar o sistema de distribuição dos recursos provenientes da Lei Piva, que garantem ao presidente do COB reeleições por unanimidade e até por aclamação. Não é que ele seja adorado. É que não há presidente de confederação (os votantes) que queira se arriscar e ver a dotação de sua entidade prejudicada ao desafiar o dono da chave do cofre. A vantagem dessa posição é tão grande que ele já lançou sua candidatura para o período de 2015 a 2020.

A imprensa, nesta luta moralizadora, tem uma grande missão. Se ela conseguiu na área do Mensalão contribuir para criar uma atmosfera de mudanças, será muito mais fácil evitar que os presidentes do COB transformem em benesses os recursos e os direitos do esporte que cabem a essa entidade zelar.

2 comentários em “Quatro anos mais do mesmo!

  1. Ola Sr Nicoloni! Muito boa tarde. Conheci o senhor por uma dessas gratas surpresas da vida em que uma chuva me fez correr para a barraca da praia e eis que me deparo com um dos maiores nomes do jornalismo esportivo brasileiro. Fiquei muito impressionada com sua trajetória de tanta luta e de tanto sucesso. Parabéns. O senhor é realmente um exemplo para todos nós. Go on e ainda mais saúde! ;) Cumprimentos, Cintya

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