Salvemos o CR Tietê

XII – A década de ouro!

Terminamos o capítulo precedente desta série sobre o glorioso clube da Ponte Grande dizendo que a década de 30 foi a mais importante da história do CR Tietê. Além de ter incorporado as importantes áreas do São Paulo FC (da Floresta) e do Clube São Bento, aquela agremiação ainda construiu sua piscina olímpica, suas quadras de tênis, novos vestiários e a pista de atletismo, onde se realizou o inesquecível Campeonato Sul-americano desta modalidade em 1937.

Tudo isto foi fruto de uma administração eficiente e idônea, uma vez que não entrou em todas as despesas nem um tostão fora da arrecadação proveniente das mensalidades dos associados.

Foi visto nos capítulos anteriores como o Tietê conseguiu triplicar o espaço ocupado, e também é importante contar a história da construção das principais obras e benfeitorias.

Comecemos pelo atletismo, dizendo que, nos anos que sucederam 1913, o clube apenas possuía uma pista de reduzidas dimensões, designada como “pistinha”. Quando o Tietê fez a fusão com o São Paulo FC da Floresta, ele entrou na posse do estádio de futebol, com arquibancadas, vestiários e outras instalações complementares.

Em minha infância, eu tive condições de ser uma testemunha ocular dessa transformação. Logo depois da incorporação, vi naquela época Friedereich dirigindo um treino de futebol, fato que indicava que, em 1936, poderia ter acontecido um desejo efêmero do clube continuar com o time daquela modalidade. Entretanto, não tive conhecimento da realização de algum jogo oficial. Na realidade eu era um menino de apenas 10 anos.

Logo depois começaram as obras de adaptação do campo de futebol, transformado na melhor pista do país. Já estavam prontas as tribunas e arquibancadas, faltava somente fazer a pista (de 400 metros), os tanques de saltos e os locais específicos para o arremesso no lugar onde antes era o gramado.

Para inaugurá-la, foi marcado o Campeonato Sul-americano de 1937, do qual eu não perdi nenhuma prova. Lembro dos nomes de quase todos os participantes, tal o impacto que aquele certame me causou. O meu ideal pelo esporte nasceu daquele espetáculo ao qual assisti aos 11 anos de idade.

O Tietê necessitou colocar arquibancadas móveis suplementares para abrigar os que queriam ver competindo Ícaro de Castro Mello, Aluízio Queiróz Teles, José Carlos Figueiredo Ferraz (depois grande arquiteto e prefeito de São Paulo), Bento de Assis, Luiz Pagliari, Bento de Camargo Barros (o Pastelão), Walter Rehder, Alfredo Mendes e representantes de países sul-americanos, entre eles José Ibarra, que dominou todas as corridas de fundo. Os intervalos eram preenchidos pelos cânticos de uma torcida uniformizada de meia centena de integrantes, comandada pelos tieteanos históricos Zoccoli, Banha e Fuzarca.

Eu me aproximei dos dirigentes, fiz amigos entre atletas e os próprios dirigentes e, aos 14 anos, já me tornei juiz das provas de saltos de extensão e triplo. Até hoje guardo recortes publicados dando a minha escalação.

Eu era de estatura pequena. Não me atrevi a ser atleta, por isso militei na natação, com uma carreira muito modesta como competidor, mas muito expressiva como dirigente.

Esta série do meu blog não é para falar de mim, mas para me qualificar como testemunha de uma história que não pode ser ignorada e sensibilizar os administradores dos dias presentes em favor da renovação do comodato do clube que é uma verdadeira instituição.

A pista de que hoje falamos serviu ao atletismo de São Paulo e do Brasil durante meio século. No próximo capítulo é a vez da natação.

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