A entidade nestas sete décadas destacou-se pela diversidade de ações, cada diretoria sendo orientada para uma direção. Muitos consolidaram o reconhecimento da carteira da ACEESP como um “abre-te sésamo” para o ingresso em qualquer competição esportiva. Em outras épocas, como a da presidência de Emílio Colela, o enfoque centralizou-se na atenção à família do cronista. Nos festejos de Natal para os filhos dos jornalistas esportivos, Colela chegava a vestir-se de Papai Noel para distribuir presentes que ele conseguia arrecadar com grande empenho.
Nós, pessoalmente, porém, nunca vimos uma ação como a da sexta-feira, 30 de novembro, nos salões do Esporte Clube Sírio. A tradicional entrega de prêmios aos cronistas mais destacados do ano reuniu tantos e tão destacados profissionais que foi criou uma atmosfera de confraternização, de abraços e demonstrações de amizade. Uma modificação da sistemática empreendida pela atual diretoria na avaliação dos premiados conseguiu levar praticamente toda a classe jornalística à cerimônia, atingindo uma participação que eu nunca tinha visto ou da qual tivesse ouvido falar.
Emocionei-me ao ser chamado logo na primeira premiação da noite, destinada aos cronistas com mais de 50 anos de profissão e ainda em atividade. Éramos três: Luciano do Vale, Lucas Neto e o titular deste blog. Pessoalmente, eu sou o mais antigo jornalista esportivo em atividade, pois entrei para a ACEESP em 16 de março de 1946, algumas semanas antes de completar 20 anos. Se for feito um expurgo atual na lista de associados, excluindo-se os cronistas falecidos, eu ficarei com o número 2 da relação oficial.
Enquanto de acordo com a programação os melhores de cada área eram premiados, passavam pela minha mente fatos e coberturas ocorridos no passado, quando a maioria dos presentes nem tinha nascido. Eu estive na equipe de A Gazeta Esportiva que cobriu os primeiros Jogos Desportivos Pan-americanos, em 1951. Cobri também os Jogos Pan-americanos de Chicago, em 1959, e quatro Jogos Olímpicos: Munique (1972), quando os árabes do Setembro Negro assassinaram integrantes da delegação de Israel; Los Angeles (1984), como jornalista oficial da delegação brasileira; Seul (1988), quando fui chefe da delegação de imprensa do Brasil junto ao COI; e Barcelona (1992), quando a seleção brasileira, sob o comando de José Roberto Guimarães, voltou com a medalha de ouro de voleibol masculino.
Levei na festa da última sexta-feira a minha esposa Lillian, que falou por mim, pois numa operação de garganta perdi uma corda vocal, duas filhas e um neto que também curtiram, como eu esperava, a grande festa que foi até além de uma hora da madrugada seguinte.
Muitos jornalistas premiados no Sírio estariam no dia seguinte, às 10 da manhã, no Anhembi, cobrindo o sorteio da Copa das Confederações, “toque da alvorada” da série dos mega eventos programados para o próximo quadriênio em nosso país.
Muita gente da “velha guarda” veio me abraçar, conheci novos colegas e passei momentos de grande alegria e emoção.
Sou grato à ACEESP e dou o meu testemunho de que, no revezamento das diretorias da entidade, os dirigentes de hoje não deixaram cair a peteca.

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