O gol da ACEESP

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Luciano do Vale, Tatá Muniz, Lucas Neto, Henrique Nicolini e sua esposa Lillian

A noite da última sexta-feira pode ser considerada histórica para o jornalismo esportivo paulista. Nunca vimos reunidas tantas figuras de projeção da nossa crônica desde que quando, há 71 anos, Ary Silva juntou todos os que militavam nos bem poucos veículos de comunicação daquela época e fundou a ACEESP.

A entidade nestas sete décadas destacou-se pela diversidade de ações, cada diretoria sendo orientada para uma direção. Muitos consolidaram o reconhecimento da carteira da ACEESP como um “abre-te sésamo” para o ingresso em qualquer competição esportiva. Em outras épocas, como a da presidência de Emílio Colela, o enfoque centralizou-se na atenção à família do cronista. Nos festejos de Natal para os filhos dos jornalistas esportivos, Colela chegava a vestir-se de Papai Noel para distribuir presentes que ele conseguia arrecadar com grande empenho.

Nós, pessoalmente, porém, nunca vimos uma ação como a da sexta-feira, 30 de novembro, nos salões do Esporte Clube Sírio. A tradicional entrega de prêmios aos cronistas mais destacados do ano reuniu tantos e tão destacados profissionais que foi criou uma atmosfera de confraternização, de abraços e demonstrações de amizade. Uma modificação da sistemática empreendida pela atual diretoria na avaliação dos premiados conseguiu levar praticamente toda a classe jornalística à cerimônia, atingindo uma participação que eu nunca tinha visto ou da qual tivesse ouvido falar.

Emocionei-me ao ser chamado logo na primeira premiação da noite, destinada aos cronistas com mais de 50 anos de profissão e ainda em atividade. Éramos três: Luciano do Vale, Lucas Neto e o titular deste blog. Pessoalmente, eu sou o mais antigo jornalista esportivo em atividade, pois entrei para a ACEESP em 16 de março de 1946, algumas semanas antes de completar 20 anos. Se for feito um expurgo atual na lista de associados, excluindo-se os cronistas falecidos, eu ficarei com o número 2 da relação oficial.

Enquanto de acordo com a programação os melhores de cada área eram premiados, passavam pela minha mente fatos e coberturas ocorridos no passado, quando a maioria dos presentes nem tinha nascido. Eu estive na equipe de A Gazeta Esportiva que cobriu os primeiros Jogos Desportivos Pan-americanos, em 1951. Cobri também os Jogos Pan-americanos de Chicago, em 1959, e quatro Jogos Olímpicos: Munique (1972), quando os árabes do Setembro Negro assassinaram integrantes da delegação de Israel; Los Angeles (1984), como jornalista oficial da delegação brasileira; Seul (1988), quando fui chefe da delegação de imprensa do Brasil junto ao COI; e Barcelona (1992), quando a seleção brasileira, sob o comando de José Roberto Guimarães, voltou com a medalha de ouro de voleibol masculino.

Levei na festa da última sexta-feira a minha esposa Lillian, que falou por mim, pois numa operação de garganta perdi uma corda vocal, duas filhas e um neto que também curtiram, como eu esperava, a grande festa que foi até além de uma hora da madrugada seguinte.

Muitos jornalistas premiados no Sírio estariam no dia seguinte, às 10 da manhã, no Anhembi, cobrindo o sorteio da Copa das Confederações, “toque da alvorada” da série dos mega eventos programados para o próximo quadriênio em nosso país.

Muita gente da “velha guarda” veio me abraçar, conheci novos colegas e passei momentos de grande alegria e emoção.

Sou grato à ACEESP e dou o meu testemunho de que, no revezamento das diretorias da entidade, os dirigentes de hoje não deixaram cair a peteca.

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