A “Super Copa”

Israel de Oliveira/Divulgação Santos FC

Israel de Oliveira/Divulgação Santos FC

Acompanhei com grande interesse os jogos da Copa São Paulo de Futebol Junior e revoltei-me com a denominação de “Copinha” que lhe é dada pela mídia. Embora podendo ser interpretada como um diminutivo carinhoso, o epíteto não faz jus a grandiosidade deste evento.

Sigo a Copa desde quando ela foi oficializada pelo Conselho Municipal de Esportes, época em que nem a SEME havia sido ainda criada, no final da década de 60.

A Copa São Paulo nasceu do empenho de Fábio Lazzari e Paulo Soares Cintra. A cada ano ela era ampliada, até tornar-se estadual, sob o comando da FPF. Nos últimos tempos assumiu o âmbito nacional, com o apoio da CBF.

A Copa São Paulo deste ano reuniu 96 equipes de 25 dos 26 Estados do país e congregou equipes juvenis dos certames efetuados de leste a oeste, de Rondônia, Paraíba ou Roraima, de norte a sul, além de defensores de equipes renomadas como Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e tantos outros. Ela congrega ainda vários clubes do interior de São Paulo, que chegam divididos em 28 séries.

O certame é um exemplo de democracia, pois coloca jogando em igualdade de condições o Vasco e o Mirassol, o Internacional contra um Veloclube de Rio Claro e outros times muito pouco divulgados.

Com tão grande amplitude de participação, este torneio tornou-se a vitrine do futebol brasileiro. Foi a iniciativa que vale como uma verdadeira prospecção de talentos. Vitrine que é atentamente observada pelos agentes, não só do país como do próprio exterior.

É indubitável que a altura do vértice técnico de uma modalidade esportiva depende da largura da sua base quantitativa. Quanto mais valor se der às categorias de base, maior a possibilidade para o aparecimento de grandes nomes no esporte.

Este é, aliás, o tema do livro “Esporte, da base ao vértice”, que estou preparando há mais de 3 anos. Ele defende que ninguém chega ao pódio sem pisar no primeiro degrau.

Infelizmente, a divulgação dos eventos de base não encontra o merecido apoio da mídia, que prefere dar destaque aos jogos de equipes secundárias do exterior e a fofocas entre jogadores e as diretorias de seus clubes.

Mesmo fora da égide do esporte de alto rendimento, este princípio tem grande validade. As competições massivas ocupam o tempo livre da infância, da juventude, evitando o descaminho para as drogas e outras mazelas decorrentes da falta de atividade física. Também adultos e a terceira idade beneficiam-se com a valorização da saúde.

Domingo passado vimos, horrorizados, o programa de Silvio Santos e ficamos estupefatos com a temática usada em uma apresentação de crianças de 9 a 11 anos. A preocupação com que se falava do sexo abusivo chocou a todos que gostariam de ver a atividade esportiva bem divulgada, integrando a escala de valores dos cidadãos do futuro.

Chamar de “Copinha” um evento que tem todo este embasamento teórico, ético e social é definitivamente injusto. Em vez do diminutivo devem chamá-la pelo seu aumentativo, ou seja, “Super Copa”.

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