UM EVENTO NO GUINNESS BOOK

Foto: Gazeta Press

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Muitas vezes, além da divulgação de um evento, o cliente de A Gazeta Esportiva necessita de apoio da área de merchandising para tirar maior resultado do investimento na promoção. Nem sempre, porém, os patrocinadores possuem um departamento próprio para produzir peças de merchandising e, mesmo, aproveitar eventos de acordo com os seus objetivos mercadológicos. Para cobrir este espaço, criamos Comunicações Nicolini, uma empresa para implementar os certames que A Gazeta Esportiva comercializava.

Um dos principais clientes neste aspecto foi “Casas Pernambucanas”, cuja atuação voltará a ser abordada, não somente nesta coluna, mas em muitas outras, dada a diversidade de ações patrocinadas por aquela empresa na A Gazeta Esportiva.

Começamos pelo “Revezamento Gigante”, competição aquática agraciada no ano de 1987 pelo “Guinness Book of Records” como o maior do mundo. Trata-se de um revezamento de 50 nadadores, perfazendo o percurso de 50 metros cada um.

Balizamos a piscina do Ibirapuera no sentido lateral, obtendo 18 raias. Foram colocadas também 6 balizas no tanque de saltos, obtendo-se um total de 1200 nadadores, em uma mesma competição.

Em um lado das arquibancadas ficavam os nadadores, que desciam para as pilastras de partida por intermédio de escadas de madeira que foram construídas.

Para um clube completar os 50 nadadores necessários para montar uma equipe, apelava não só para seus campeões, mas também para os infanto-juvenis e veteranos. Como curiosidade, informamos que a prova realizada em 1984 teve a participação de quatro recordistas mundiais: Maria Lenk, José Silvio Fiolo, Manoel dos Santos e Ricardo Prado (foto).

Temos em nosso gabinete de trabalho o certificado do Guinness, confirmando o recorde mundial e complementamos a comprovação com duas fotos panorâmicas, uma das raríssimas vezes em que a piscina, hoje denominada Caio Pompeu de Toledo, esteve repleta.

Uma foto vale mais do que 1.000 palavras. Quatro fotos valem mais do que 4.000 palavras.

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Uma “Copinha” bem grande

AFP

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Em janeiro de 2014, fizemos uma crônica neste meu blog discordando da denominação que parte do jornalismo esportivo está dando para a Copa de Futebol  Júnior.

Este evento está sendo chamado por muitos de “Copinha”, diminutivo que pode ter até um tom carinhoso. Mas, se ele não for empregado com este intuito, achamos que a denominação representa uma grande injustiça, dada a grande dimensão e a contribuição da Copa para a difusão da infra-estrutura  do futebol brasileiro.

Este certame foi criado há mais de meio século dentro da Secretaria Municipal de Esportes. Foi em torno de 1970, na gestão de Carlos Joel Neli, primeiro titular daquela pasta, que assumiu as funções no “Conselho Municipal de Esportes”.

A “Taça São Paulo” teve como principal condutor o esportista Fabio Lazari,na época chefe do DEPEL,  o Departamento de Promoções Esportivas da SEME.

Fabio acompanhou todas as vicissitudes da Copa São Paulo, inicialmente sob a égide da SEME (Secretaria Municipal  de Esportes) depois da Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo e, a seguir, da Federação Paulista de Futebol.

Hoje, pela sua regulamentação, ela mobiliza 104 equipes de todo o país.  São 26 chaves de 4 equipes, em subsedes  distribuídas por todo o Estado de São Paulo . Esta diversidade de participação torna a Copa uma verdadeira vitrine do nosso futebol. É o primeiro degrau de uma grande escada, cujo último degrau significa o título de campeão, prestígio e resultados econômicos para times e jogadores.

De há muito tempo defendemos a tese (para todas as modalidades e não somente para  o futebol) que diz que a altura do vértice qualitativo depende da base quantitativa. A Copa São Paulo representa essa fase e é motivadora para times quase anônimos, que têm a oportunidade de jogar contra clubes da maior hierarquia dos grandes Estados brasileiros. Também motivados pela alta visualidade da competição, jogadores que estão dando os primeiros passos nas equipes vanguardeiras do futebol nacional lutam com todo denodo por uma chance de aparecer.

Cidades do interior paulista que sediam a fase classificatória ganham a possibilidade de assistir aos jogos das principais equipes do Brasil sem ter de sair da sede do município em que residem. Este trabalho de base está sendo incentivado em muitos países de destaque no futebol  mundial, principalmente após a Copa realizada recentemente.

Existem no Brasil outros eventos oficiais infanto-juvenis que contribuem para a formação da base horizontal , como a sub 17 e a sub 20, mas poucos possuem o “charme” e visibilidade da Copa São Paulo de Futebol Junior, cuja final será no dia 25 de janeiro, aniversário da capital paulista.

UM NOME A SER LEMBRADO

Quando a Secretaria Municipal de Esporte ainda não havia sido constituída e o Conselho Municipal promovia eventos para jovens, de uma dimensão muito menor que a “Copinha” de hoje, um dirigente da época lutava por certames para a juventude. Ele era Paulo Soares Cintra, que dividia com Fabio Lazari o pioneirismo dos eventos dessa categoria. Para que tivessem a necessária visualização, sempre contaram com o prestígio de “A Gazeta Esportiva”.

Fiscalização x corrupção: O drama olímpico

AFP

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Com o último dia de 2014, terminou o ano da Copa do Mundo de futebol que mobilizou a população de todo o Brasil. Para muitos, ela realizou-se com desilusão por aqueles 7 a 1 contra a Alemanha. Para outros, até que ela não desapontou totalmente e o nosso país demonstrou a capacidade de construir em um rush final nada menos de doze estádios para cinco dezenas de espectadores. Dia de jogo era dia de lotação esgotada [veja matéria de 15 de julho deste blog].

O ano de 2015 está chegando com novas esperanças e novas atrações. Começamos a pensar nos jogos olímpicos de 2016 que, como a copa de 2014, tem como objetivo melhorar a imagem nacional frente os cinco continentes, uma propaganda que traria resultados nas áreas de turismo e economia.

Terminado o mundial, o governo enfrentou uma luta eleitoral muito acirrada, uma campanha transparente em que a corrupção foi o tema dos debates.  Após uma década de corrupção ignorada por toda uma população. Felizmente nossos meios de comunicação noticiaram fartamente os desmandos dos políticos que tinham a missão de gerir nosso país e a copa.

Estamos estranhando, todavia, que os veículos de comunicação não estejam divulgando, com a intensidade necessária  o noticiário olímpico. Estamos a um ano e meio do maior certame esportivo do mundo e, nesta altura, a copa já deveria ser dona do espaço nos jornais e nas emissoras eletrônicas. A constatação necessária é que as modalidades esportivas, exceto o futebol, não acolhem, juntas, tantos afeiçoados quanto o `soccer`. Este fato não deixa de constituir uma demonstração de cultura nacional  reduzida, pois nos jogos olímpicos mais de três dezenas de modalidades esportivas estarão em disputa , o que exigirá um número correspondente de provas e de arenas esportivas.

A diversificação de modalidades corresponderá a diversificação de países concorrentes. enquanto no mundial o brasil recebeu 32 nações [com os respectivos jogos, dirigentes, torcedores e turistas], nos jogos olímpicos temos a previsão de 205 países de cinco continentes. o comitê olímpico internacional tem maior número de filiados do que a própria ONU.  Esta multidão não estará distribuída por todo o Brasil, como no Mundial de futebol, mas concentrar-se-á no Rio de Janeiro, que irá enfrentar problemas econômicos e de idoneidade dos gestores e dificuldades para hospedar tanta gente.

As mazelas que vieram a público após as eleições e as dificuldades econômicas vão influir e prejudicar  muito mais os Jogos Olímpicos do que a própria Copa do Mundo.

Esta situação é tão grave que não são poucas as vozes a dizer para desistirmos dos jogos por falta de condições estruturais, pois  além dos custos com o certame teremos pela frente os custos com a corrupção.

Só uma atitude poderá evitar o maior vexame da história olímpica: “fiscalização”. Temos um ministro da fazenda promissor e uma infraestrutura de órgãos com esta finalidade.

Da competição entre corrupção e fiscalização depende,  enfim, o sucesso e o nosso prestígio, ou uma vergonha que não será esquecida.

O esporte tornou-se exemplo

Foto: AFP

Foto: AFP

Diversas vezes contei neste Blog o desânimo que me causa a leitura dos jornais pela manhã. É uma sequência tão grande de más notícias. Não há uma boa qualquer que seja, tanto na área da regência da nossa economia, como na pouca idoneidade dos políticos no controle dos recursos públicos e no aumento da enorme criminalidade.
O ânimo para continuar vivendo o resto do dia esvai-se e é substituído pelo pessimismo. Isto, sem dúvida, também desanima a autoestima coletiva.

A página de esportes de hoje, porém, trouxe um sentimento completamente oposto ao que era normal há uma década. Acreditamos que dificilmente na história da nossa atividade esportiva tivemos num único dia tantas e tão significativas vitórias:

1) Na sequência do Campeonato Mundial de Basquetebol, em jogo efetuado em Madri, vencemos a Argentina, nossa algoz dos dois últimos confrontos, por uma diferença de 20 pontos (85 a 65). Nosso time teve uma atuação maravilhosa, com destaque especial para Raulzinho, Anderson e Varejão.

2) Após alguns anos o nosso piloto Felipe Massa liberou-se da má sorte e subiu ao pódio no grande prêmio da Itália. Nossa bandeira galgou a haste do triunfo e ele entrou na guerra do champanhe, molhando os principais adversários, sobrando um fundinho da garrafa para um gole que nunca esteve tão delicioso.

3) O Futsal cresceu em prestígio, lotando o Estádio Mané Garrincha (sim, o da Copa do Mundo de Futebol), com um público de 55 mil espectadores. Além do recorde de público, houve a glória do retorno do craque Falcão, maior jogador de futebol de salão de todos os tempos. Com o resultado da partida (4 a 1) surramos mais uma vez os argentinos.

4) No Campeonato Mundial de Voleibol Masculino, que está sendo realizado na Polônia, o time do Brasil, jogando na cidade de Katowice, venceu Cuba, tradicional adversário, no último jogo da primeira fase.
O Brasil perdeu o 1º set por 25 a 23, mas venceu os três seguintes (25 a 23, 25 a 18, 25 a 17).
Agora, com adversários mais fortes, nosso país será protagonista de um evento sensacional.

5) Também há 15 dias a equipe brasileira feminina de voleibol venceu pela 10º vez o Grand Prix realizado no Japão, com 13 vitórias e apenas uma derrota.

Esperamos que a mudança de rumo do nosso esporte e a sequência de triunfos brasileiros irão apagar a derrota dos 7 a 1 do Mundial contra a Alemanha e sejam um estímulo para que possamos superar a fase vergonhosa e desanimadora exposta no início deste artigo. Se o esporte consegue, por que a administração, economistas e governo não conseguem também?

O esporte é o exemplo!

E POR FALAR EM BRASIL X CHILE

Foto: Jose Duran/AFP

Foto: Jose Duran/AFP

Aproveito o meu blog para inserir um texto de Lauret Godoy, uma das maiores estudiosas da história do esporte. Catedrática em Olimpismo, na vida de Santos Dumont e outros temas, ela é uma grande historiadora, razão da cessão deste espaço.
Eis o e-mail que ela nos mandou:

“ Olá, querido Professor Nicolini
Aconteceu há 25 anos….

Decidi registrar, para que os jovens saibam o que aconteceu no Maracanã em 1989, durante o jogo entre Brasil e Chile.

Como amanhã é dia de novo confronto, é bom espalhar, o senhor não acha?”

Um abraço,

Laurete Godoy

ROSEMARY E O ROJÃO

Laurete Godoy*

A cada quatro anos a mesma história: Copa do Mundo de Futebol e a esperança de um novo título para o Brasil. Vem à lembrança a bonita figura dos capitães do passado, com a taça brilhante levantada lá no alto e depois, o desfile dos jogadores, em carro aberto, pelas capitais do país.

Era um futebol de lindos passes, dribles miraculosos, pernas que corriam o campo inteiro, pé bem treinado, batendo forte na bola ensinada a encontrar o caminho do gol. Bons tempos aqueles! Cada jogador com sua mágica, procurando vencer, mas respeitando o adversário. Vez ou outra o tempo esquentava contra argentinos e uruguaios, nossos eternos rivais sul-americanos. Mas os chilenos eram amigos. Até vencemos uma Copa do Mundo em solo chileno! E foi aquela bruta festa! Mas faz tanto tempo… Isso aconteceu em 1962.

Com o passar dos anos as coisas mudaram. Em 1989 explodiu uma guerra envolvendo, justamente, Brasil e Chile. O mais forte de nervos venceria, porque chute e cabeçada não eram apenas na bola, mas, de preferência, no adversário.

Em um Maracanã lotado, no dia 3 de setembro o Brasil disputou uma vaga para a Copa de 1990. O time da casa jogando pelo empate, mas o desejo era mesmo de vencer os chilenos, de goleada, para comemorar na Avenida Atlântica e na Paulista. Até o “bicho” dos jogadores ficou sofisticado. Americanizou-se. Em vez de ser pago em cruzados novos, moeda nacional vigente na época, seria em dólares.

No segundo tempo, o Brasil vencia por 1 x 0. Os chilenos estavam nervosos, à espera de uma oportunidade que, de repente, aconteceu. Foi apenas um gesto. Com o puxar do cordão de um sinalizador da Marinha, o céu iluminou-se no Maracanã. O clarão, a fumaça no gramado e Rojas, o goleiro chileno, foi ao chão, mãos segurando a cabeça e contorcendo-se. O jogo foi interrompido e a confusão generalizou-se. Os chilenos abandonaram o campo e a partida não terminou.

Indagada, Rosemary, a autora, disse que não sabia de nada, que foi sem querer. Com relação ao Chile, mais tarde a verdade veio à tona. Rojas confessou que estava com um plano preparado para anular a partida. Descoberta a fraude, ele foi banido do Futebol. E tudo isso por quê? Por causa do rojão de Rosemary, que a levou para as páginas da revista Playboy, transformando a fogueteira em estrela temporária e apagando, por longo tempo, a estrela de Rojas.

Coisas do esporte… Que podem ser relembradas neste ano de 2014, em que o mundo vive as emoções de mais uma Copa do Mundo de Futebol.

E de outro confronto entre Brasil e Chile…

* Laurete Godoy é pesquisadora e escritora

NO PÉ

Após o artigo publicado ontem, a autora nos escreveu acrescentando um anexo importante àquele texto.

Informou-nos ela:

Rosemary, a que disparou o petardo, faleceu em 2011, vítima de um aneurisma quando tinha 47 anos. O Rojas, após ter sido perdoado, virou treinador de goleiros do S.Paulo F.C. e nestes dias está na fila de espera para um transplante de fígado por causa de uma grave hepatite.

 

A “capilarização” do futebol

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

São Paulo (SP) – Teremos em 2014 a maior temporada do futebol brasileiro e a possibilidade de uma das principais transformações estruturais desta modalidade esportiva em nosso país.

Vários fatos ocorridos recentemente mostram que caminhamos em direção a um fenômeno que foi tema de nossas ultimas colunas e que poderíamos chamar de “capilarização”.

O futebol do Brasil, país de mais de 200 milhões de habitantes e de muitos campeonatos mundiais no seu acervo de conquistas, tem características metropolitanas. As grandes equipes e os grandes jogadores estão concentrados nas capitais estaduais ou cidades interioranas com mais de 500 mil habitantes, caso de Santos, Campinas, Ribeirão Preto e Joinville, por exemplo.

Temos defendido com ardor a tese de que esta modalidade esportiva deve desenvolver-se também em alto nível em cidades menores e de todos os Estados do Brasil.

A mídia deve também contribuir para este objetivo com maior noticiário voltado para agremiações que representam estas comunidades menos populosas e mais distantes dos grandes polos de futebol.
Este fortalecimento da base do futebol já começou nesta direção este ano de 2014 com a Copa São Paulo, que registrou 104 conjuntos de jogadores Sub 20, com grande incidência de equipes provenientes de regiões distantes, ou de clubes poucos conhecidos.

Numerosas localidades de fronteira com times que não frequentam o noticiário jornalístico diário, ganharam a chance de enfrentar o Corinthians e o Flamengo. Na lista que se segue estão alguns exemplos de “cinderelas” que tiveram esta chance para aparecer: Aquidauanense (MT), J.V.Lideral (MA), Rondonópolis (MT), Guaicurus , Real Deodorense, São Mateus (ES), Ji-Paraná(RO), Primavera , Sumaré de São Paulo.

É estimulante para uma equipe e para a própria população de uma pequena cidade o intercâmbio com esquadrões da Divisão “A”, notadamente Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Flamengo ou Botafogo, Cruzeiro ou Grêmio. Este intercâmbio aumenta o entusiasmo das torcidas, bem como a arrecadação, o prestígio e a consistência do futebol e nas comunidades envolvidas.

De acordo com informações da CBF, o mesmo principio de capilarização do futebol que existe há anos na Taça São Paulo acontecerá na Copa Brasil, programada entre 12 de março e o fim de novembro. Este evento é conhecido como um caminho mais curto para o Libertadores da América.

Este ano a Confederação está estimulando a realização de partidas das grandes equipes em locais distantes de suas sedes, estabelecendo o contacto de clubes que dificilmente se cruzariam em outros campeonatos. Na primeira rodada, por exemplo, estão programados encontros entre Vilhena e o Palmeiras, o Goianense e o Barueri, o Fluminense e o Horizontino (AM). Este princípio da CBF de fazer os clubes viajar evitará que a Copa Brasil deixe de ser a mesma “mesmice”, apresentando um diferencial de inegáveis vantagens da valorização dos clubes distantes do eixo Rio – São Paulo.

Em outro caminho, nesta mesma direção, caminham os dirigentes do grupo denominado “Bom Senso” que acaba de se pronunciar a favor da interiorização do esporte (ao lado de outros interesses de futebolistas como a pontualidade salarial, o direito a férias e outras ações importantes para a classe que vive do futebol). Os dirigentes deste movimento sentiram a importância do fortalecimento das series C e D do Campeonato Brasileiro. (Detalhes sobre este assunto o leitor encontrará no nosso blog publicado em 07/01/2014).

A própria organização da Copa do Mundo de Futebol, sediada este ano no Brasil, também contribui para a capilarização da modalidade. As 32 melhores equipes da seleção do mundo estarão realizando jogos decisivos distribuídos em cidades que cobrem toda a extensão do território nacional, como Natal, Cuiabá, Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba e não somente São Paulo, Rio e Brasília.

Cremos que, após 2014, nosso futebol poderá ser diferente e sofrer uma grande evolução especialmente causada por esta capilaridade.

Como consequência, os jogos de todas as categorias poderão ter mais público e divulgação, divulgação esta que ocuparia o espaço que hoje é dedicado aos campeonatos de outros países, o que está superando em transmissão os eventos nacionais.

Talvez o aparecimento de um Neymar em Rondonópolis, Ji-Paraná ou em Sabiá do Maranhão venha a ganhar o espaço resultante desta capilarização. A balança comercial será incrementada com a redução quase que completa da importação de craques e uma grande ampliação da exportação de bons jogadores provenientes desta base quantitativa que ganharia novas vitrines para aparecer. Grandes talentos, anônimos pela ausência de oportunidade, terão chance de se revelar.

Mais uma vez, cabe aqui a máxima que escrevemos em quase todos os artigos de nosso blog: na pirâmide do esporte, a largura da base quantitativa é razão da altura do vértice qualitativo.
Uma quantidade enorme de jogadores precisa de um primeiro degrau para chegar ao vértice.

O Bom Senso do Bom Senso

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O surgimento da entidade autodenominada Bom Senso não deixa de ter algo de estranho. Ela dá voz aos jogadores na organização do futebol brasileiro, ação de competência das Federações e Confederações. Mesmo com este toque de “estranho no ninho”, foi divulgada na mídia do segundo dia deste 2014 uma posição de extremo Bom Senso da entidade do Bom Senso.

Nas declarações de Paulo André, zagueiro do Corinthians, ele diz que sua principal missão “é expandir as fronteiras para o interior do País, mobilizando os atletas das séries C e D do Brasileiro”. Esta é a melhor maneira de fortalecer o nível técnico das divisões principais.

Um levantamento feito recentemente mostrou que existem 641 clubes nas quatro divisões de âmbito nacional e que somente 15% deles têm atividade o ano inteiro.

A tese do Bom Senso calha com o que temos escrito com grande frequência no nosso blog, dizendo que na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da base quantitativa. À medida em que as divisões C e D receberem a divulgação que merecem, o nível de seus jogadores melhorará consideravelmente, contribuindo para que as 1ªs. e 2ªs. divisões também recebam um grande progresso qualitativo mantendo o nosso país como o melhor futebol do mundo. O Brasil nunca vai precisar gastar dólares ou euros com jogadores do exterior. Ao contrário, passará a ser exportador de craques.

Este esforço para o progresso das divisões C e D também terá reflexos no êxito dos Campeonatos das Federações Estaduais. Para as agremiações dos Estados colocarem seus clubes em divisões C e D nacionais, elas terão também que melhorar seus eventos.

A instituição Bom Senso, se for bem sucedida nas metas que se propôs, já estará dando a sua contribuição para que nenhum talento que esteja perdido anonimamente no imenso território nacional deixe de ser descoberto.
O movimento proposto corresponde a uma grande escada cujos degraus nos darão condições para chegar ao título mundial e ao pódio olímpico, isto é, à hegemonia mundial.

Se for conseguido todo o apoio que o pessoal do Bom Senso está buscando, é possível que também se consiga maior arrecadação nos jogos e maior interesse nos contratos do mercado publicitário. Tudo isto representa recursos que evitarão o atraso tão frequente da folha de pagamento dos jogadores. O Bom Senso (instituição) estará ajudando a própria categoria profissional.

NO PÉ

O Bom Senso segundo Descartes

O Bom Senso foi um termo muito bem escolhido pela entidade dos futebolistas. Essa ideia ocupa um lugar histórico na própria filosofia, pois consta da estrutura do “Discurso sobre o Método de Bem Conduzir a Razão”, da obra de René Descartes.
Esse filósofo afirmava, em uma das quatro partes de seu livro, que o “Bom Senso é a base do raciocínio”, e ele é muito bem distribuído (plus bien partagé) entre as pessoas e não há nenhum indivíduo que se queixe de não tê-lo.

“COPINHA”

Já escrevi sobre este assunto há um ano, mas volto a repeti-lo por uma forte convicção. Eu não concordo que a Copa S.Paulo de Futebol Junior seja chamada de “Copinha” por alguns veículos de comunicação. Embora pareça um diminutivo carinhoso, esta denominação não deixa de ser uma diminuição em relação às suas proporções. A Copa S. Pauo reúne 104 equipes em 26 grupos localizados em diversas cidades do nosso Estado. Das 104, uma é do exterior, do Japão. Trata-se de uma verdadeira “Copona” que corresponde à principal atividade futebolística do nosso país em todo o mês de janeiro. Ela envolve todos os estados brasileiros. É uma grande vitrine dos “new faces” da temporada que está para iniciar.
“Copinha” é muito pouco pelo que ela representa para o futebol nacional.

São Silvestre ainda no apogeu!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Dia 31 tivemos a 89ª edição da Corrida de São Silvestre, uma prova com diversas matizes e que, em cada época, tem apresentado atrações específicas do momento.

No começo dos anos 30, Nestor Gomes era o símbolo da prova e falar neste atleta era falar na São Silvestre. Na metade dos anos 40 (1946), a São Silvestre tornou-se internacional, incorporando entre os primeiros estrangeiros os atletas do Cone Sul: Argentina, Uruguai e Chile. Foi o período de destaque de Oscar Moreira, uruguaio, do chileno Inostroza e do argentino Oswaldo Sanches.

Quando Carlos Joel Nelli convidou Viljo Heino , o maior do mundo e da história do pedestrianismo da época, começou a fase de grande prestigio pela presença dos super nomes. Em um tempo em que ainda predominava o amadorismo olímpico, vieram Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, Ken Norris, da Inglaterra, o russo Wladimir Kutz, Franjo Mihalic, da Iugoslávia, e outros tantos que despontavam nas corridas de fundo, como o etíope Abebe Bikila que havia vencido a Maratona dos Jogos Olímpicos de 1960 em Roma.

A organização do evento até então apenas pagava a passagem e a estadia dos participantes, mas com o decurso do tempo os grandes nomes passaram a exigir enormes cachês o que foi recusado pela A Gazeta Esportiva. Este fato deu origem a uma fase em que os atletas africanos passaram a dominar os principais postos no evento, uma vez que eles participavam em busca dos prêmios que as provas ofereciam. A África tornou-se o grande núcleo do pedestrianismo mundial, colocando este ano cinco atletas como primeiro classificados.

Este fato poderia sugerir uma decadência da São Silvestre, como citaram algumas reportagens de outros veículos de comunicação. Ledo engano. Se em cada época a prova tem apresentado uma atração própria, na fase atual temos outras constatações para nos animar e encher o nosso peito: um número nunca visto de disputantes. Mais de 27 mil atletas representa um recorde absoluto de corredores. A presença de atletas voluntários sempre existiu e fez parte da história da prova. Em 1925 eram menos de uma centena. Eles aumentaram com o transcorrer dos anos, todavia chegar à quantidade atual mostra que a S. Silvestre ainda está no seu apogeu. Ela conseguiu reunir atletas provenientes de 41 nações, número de países superior ao das provas do tempo em que correram Zatopek ou Kutz.
Quando se mencionar a prova de 31 de dezembro é para os esportistas brasileiros continuarem tirando o chapéu ela é o símbolo do pedestrianismo mundial .

Corinthians monta fábrica de craques

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O objetivo da coluna de hoje é aplaudir o Corinthians por uma decisão extraordinariamente lúcida. O clube alvinegro decidiu construir uma mega estrutura para a divisão de base.

A obra, segundo divulgou o “Estadão” é integrada por três campos para treinamento. Um chega a ter arquibancadas para receber 2000 expectadores. O conjunto tem ainda alojamento para 150 jogadores, restaurantes e um setor administrativo informatizado.

O clube do Parque São Jorge superou nesta área de prospecção de valores os seus concorrentes. Três campos e interesse pelos atletas sub 17 e sub 20 correspondem a uma verdadeira fábrica de craques. Os 36 milhões que o plano custará não chegarão a cobrir o total que poderia ser eventualmente dispendido com a contratação de jogadores já consagrados, vindos de outros clubes ou até do exterior, o que seria lamentável para um país de mais de 200 milhões de habitantes, os quais poderão produzir muitas joias para serem garimpadas para a primeira camada de profissionais.

Se os dirigentes corinthianos complementarem este trabalho providenciando educação de base, e escolaridade para estes jovens, terá feito uma obra de inclusão social que tornará os responsáveis por este programa dignos de aplausos e alta consideração.

Se faltarem recursos para este plano, creio que haverá uma legião de corinthianos que queiram ajudar espontaneamente o clube e os jovens candidatos aos jogos da Série A.

Este movimento massivo também produzirá um excedente de atletas promissores que poderão ser negociados com outros clubes do país e do exterior.

Para o autor destas linhas, esta medida do Corinthians está plenamente de acordo com o livro que está sendo escrito e que terá o título “Esporte: da Base ao Vértice”. Nesta obra, é defendido para todas as modalidades o princípio de que, na pirâmide da atividade esportiva, a altura do vértice técnico depende da base quantitativa.

Seguindo este princípio, o Corinthians igualmente economizaria recursos com contratações externas, pois a promoção dos jovens “feitos em casa” compensaria o custo de jogadores de outras origens sem a necessária dose de amor ao clube que teria a “prata da casa”.

A Copa São Paulo de Futebol Jr., os certames nacionais sub 17, e sub 20 e até o sub 15 serão excelentes vitrines para os futuros valores do nosso futebol demonstrarem talentos. Eles correspondem à escada que, a partir do primeiro degrau, chega aos degraus do pódio olímpico.

Quem poderá dizer que a nossa seleção dos jogos de 2016 não terá um representante deste excelente programa que está sendo planejado.

 

NO PÉ

O entusiasmo com que defendemos este programa poderá ser interpretado com fruto de uma paixão futebolística.

Não é o que ocorre. Com 67 anos de militância na crônica esportiva (sou decano da ACEESP), sou do tempo em que, por razões éticas, um jornalista tinha a obrigação de ser apartidário, não ser cronista torcedor.

Gostaríamos que outros clubes, que igualmente têm uma boa infraestrutura, também aumentassem a produção desta fábrica de craques e assim não tivessem necessidade de importar jogadores do exterior.

Jogador de futebol seria mais um item de nossa pauta de exportações. Este trabalho ajudaria ainda mais a economia do país.

Esporte: antídoto contra o pessimismo

A primeira coisa que eu costumo fazer após despertar é ler o jornal matutino que encontro na minha porta, trazido pontualmente pelo porteiro do meu prédio.

Com aquele exemplar tomo o primeiro banho de desânimo do dia. A manchete é invariavelmente sobre algum fato ruim que aconteceu no dia anterior. Os comentários, os artigos de fundo e o noticiário nacional estão longe de estimular o ânimo da gente para enfrentar mais um dia. São informações sobre as péssimas condições econômicas do nosso país, sobre o crescimento do contrabando, o tráfico de entorpecentes, assaltos e insegurança nas grandes capitais.

Dá um pavor sentir que a insegurança, principalmente nos morros cariocas, seja tema diário no noticiário policial, justamente quando o Brasil está às vésperas de receber os dois maiores eventos do desporto mundial: a Copa de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Como grande parte dos leitores, eu procuro avidamente algum noticiário que eleve o meu astral para encarar o dia que, apesar da minha idade, é muito atribulado.

O recurso é buscar alguma coisa boa nas páginas de esporte que sempre apresentam algo de agradável, embora elas também possam trazer notícias vexatórias, como o atraso das obras das arenas da Copa, os puxões de orelha da FIFA, a lamentável conduta de Ricardo Teixeira na área financeira, a recente briga no jogo realizado em Joinville, ou ainda o tapetão sofrido pela Portuguesa numa decisão política para favorecer o Fluminense. Entretanto, existe naquelas páginas um conteúdo de vitórias que se diferenciam completamente do negativismo das demais do jornal.

Nestes últimos dias, pudemos registrar fatos animadores, alguns dos quais neste final de semana.
O Brasil venceu o Torneio Internacional de Futebol Feminino, realizado em Brasília. O Chile foi o adversário do último jogo mas confirmamos nossa liderança nessa modalidade com uma brilhante exibição e um triunfo por 5×0.

Na Copa das Nações de Futebol de Areia o Brasil venceu na semifinal por goleada o seu tradicional rival o Uruguai e, na final, superou Portugal por 7×4, tornando-se a principal equipe mundial em um evento efetuado em Recife.

Foto: AFP

Foto: AFP

O triunfo, porém, que mais empolgou a torcida brasileira foi a ascensão da modalidade de handebol feminino de nosso país. Vencemos a Dinamarca na semifinal e depois enfrentamos a Sérvia, quando triunfamos por 22×20 e nos sagramos campeões mundiais invictos, com um título que ninguém esperava. Até então, o principal posto obtido por nosso país em um evento internacional nessa modalidade havia sido um quinto lugar.

Também na frente interna aconteceram partidas muito atrativas e de alto nível técnico como as da Super Liga de Voleibol, tanto no setor masculino, mas principalmente no feminino. Todos os jogos com grande público e apresentando espetáculos de enorme entusiasmo.

O Palmeiras venceu o Campeonato Brasileiro da Categoria Sub 20, a maioria dos clubes revelando talentos, grandes promessas para os anos próximos. O certame, realizado em Gravataí, mostrou que cada clube continua sendo uma fábrica de craques.

Também os jogos da Liga Nacional de Basquete têm mostrado equilíbrio entre os concorrentes e partidas que agradam o público, tanto no estádio quanto na TV.

O antídoto antipessimismo está para o brasileiro no esporte.

A expectativa é que este espírito de otimismo prossiga no ano que está para se iniciar. Mais do que nunca, precisamos dele para criar a atmosfera de que tanto necessitamos para obter aplausos e não críticas na mega cobertura de imprensa que o Brasil está por receber. O Mundial de Futebol e as Olimpíadas serão o espelho do nosso país para mais de 200 nações do exterior.