E POR FALAR EM BRASIL X CHILE

Foto: Jose Duran/AFP

Foto: Jose Duran/AFP

Aproveito o meu blog para inserir um texto de Lauret Godoy, uma das maiores estudiosas da história do esporte. Catedrática em Olimpismo, na vida de Santos Dumont e outros temas, ela é uma grande historiadora, razão da cessão deste espaço.
Eis o e-mail que ela nos mandou:

“ Olá, querido Professor Nicolini
Aconteceu há 25 anos….

Decidi registrar, para que os jovens saibam o que aconteceu no Maracanã em 1989, durante o jogo entre Brasil e Chile.

Como amanhã é dia de novo confronto, é bom espalhar, o senhor não acha?”

Um abraço,

Laurete Godoy

ROSEMARY E O ROJÃO

Laurete Godoy*

A cada quatro anos a mesma história: Copa do Mundo de Futebol e a esperança de um novo título para o Brasil. Vem à lembrança a bonita figura dos capitães do passado, com a taça brilhante levantada lá no alto e depois, o desfile dos jogadores, em carro aberto, pelas capitais do país.

Era um futebol de lindos passes, dribles miraculosos, pernas que corriam o campo inteiro, pé bem treinado, batendo forte na bola ensinada a encontrar o caminho do gol. Bons tempos aqueles! Cada jogador com sua mágica, procurando vencer, mas respeitando o adversário. Vez ou outra o tempo esquentava contra argentinos e uruguaios, nossos eternos rivais sul-americanos. Mas os chilenos eram amigos. Até vencemos uma Copa do Mundo em solo chileno! E foi aquela bruta festa! Mas faz tanto tempo… Isso aconteceu em 1962.

Com o passar dos anos as coisas mudaram. Em 1989 explodiu uma guerra envolvendo, justamente, Brasil e Chile. O mais forte de nervos venceria, porque chute e cabeçada não eram apenas na bola, mas, de preferência, no adversário.

Em um Maracanã lotado, no dia 3 de setembro o Brasil disputou uma vaga para a Copa de 1990. O time da casa jogando pelo empate, mas o desejo era mesmo de vencer os chilenos, de goleada, para comemorar na Avenida Atlântica e na Paulista. Até o “bicho” dos jogadores ficou sofisticado. Americanizou-se. Em vez de ser pago em cruzados novos, moeda nacional vigente na época, seria em dólares.

No segundo tempo, o Brasil vencia por 1 x 0. Os chilenos estavam nervosos, à espera de uma oportunidade que, de repente, aconteceu. Foi apenas um gesto. Com o puxar do cordão de um sinalizador da Marinha, o céu iluminou-se no Maracanã. O clarão, a fumaça no gramado e Rojas, o goleiro chileno, foi ao chão, mãos segurando a cabeça e contorcendo-se. O jogo foi interrompido e a confusão generalizou-se. Os chilenos abandonaram o campo e a partida não terminou.

Indagada, Rosemary, a autora, disse que não sabia de nada, que foi sem querer. Com relação ao Chile, mais tarde a verdade veio à tona. Rojas confessou que estava com um plano preparado para anular a partida. Descoberta a fraude, ele foi banido do Futebol. E tudo isso por quê? Por causa do rojão de Rosemary, que a levou para as páginas da revista Playboy, transformando a fogueteira em estrela temporária e apagando, por longo tempo, a estrela de Rojas.

Coisas do esporte… Que podem ser relembradas neste ano de 2014, em que o mundo vive as emoções de mais uma Copa do Mundo de Futebol.

E de outro confronto entre Brasil e Chile…

* Laurete Godoy é pesquisadora e escritora

NO PÉ

Após o artigo publicado ontem, a autora nos escreveu acrescentando um anexo importante àquele texto.

Informou-nos ela:

Rosemary, a que disparou o petardo, faleceu em 2011, vítima de um aneurisma quando tinha 47 anos. O Rojas, após ter sido perdoado, virou treinador de goleiros do S.Paulo F.C. e nestes dias está na fila de espera para um transplante de fígado por causa de uma grave hepatite.

 

A “capilarização” do futebol

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

São Paulo (SP) – Teremos em 2014 a maior temporada do futebol brasileiro e a possibilidade de uma das principais transformações estruturais desta modalidade esportiva em nosso país.

Vários fatos ocorridos recentemente mostram que caminhamos em direção a um fenômeno que foi tema de nossas ultimas colunas e que poderíamos chamar de “capilarização”.

O futebol do Brasil, país de mais de 200 milhões de habitantes e de muitos campeonatos mundiais no seu acervo de conquistas, tem características metropolitanas. As grandes equipes e os grandes jogadores estão concentrados nas capitais estaduais ou cidades interioranas com mais de 500 mil habitantes, caso de Santos, Campinas, Ribeirão Preto e Joinville, por exemplo.

Temos defendido com ardor a tese de que esta modalidade esportiva deve desenvolver-se também em alto nível em cidades menores e de todos os Estados do Brasil.

A mídia deve também contribuir para este objetivo com maior noticiário voltado para agremiações que representam estas comunidades menos populosas e mais distantes dos grandes polos de futebol.
Este fortalecimento da base do futebol já começou nesta direção este ano de 2014 com a Copa São Paulo, que registrou 104 conjuntos de jogadores Sub 20, com grande incidência de equipes provenientes de regiões distantes, ou de clubes poucos conhecidos.

Numerosas localidades de fronteira com times que não frequentam o noticiário jornalístico diário, ganharam a chance de enfrentar o Corinthians e o Flamengo. Na lista que se segue estão alguns exemplos de “cinderelas” que tiveram esta chance para aparecer: Aquidauanense (MT), J.V.Lideral (MA), Rondonópolis (MT), Guaicurus , Real Deodorense, São Mateus (ES), Ji-Paraná(RO), Primavera , Sumaré de São Paulo.

É estimulante para uma equipe e para a própria população de uma pequena cidade o intercâmbio com esquadrões da Divisão “A”, notadamente Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Flamengo ou Botafogo, Cruzeiro ou Grêmio. Este intercâmbio aumenta o entusiasmo das torcidas, bem como a arrecadação, o prestígio e a consistência do futebol e nas comunidades envolvidas.

De acordo com informações da CBF, o mesmo principio de capilarização do futebol que existe há anos na Taça São Paulo acontecerá na Copa Brasil, programada entre 12 de março e o fim de novembro. Este evento é conhecido como um caminho mais curto para o Libertadores da América.

Este ano a Confederação está estimulando a realização de partidas das grandes equipes em locais distantes de suas sedes, estabelecendo o contacto de clubes que dificilmente se cruzariam em outros campeonatos. Na primeira rodada, por exemplo, estão programados encontros entre Vilhena e o Palmeiras, o Goianense e o Barueri, o Fluminense e o Horizontino (AM). Este princípio da CBF de fazer os clubes viajar evitará que a Copa Brasil deixe de ser a mesma “mesmice”, apresentando um diferencial de inegáveis vantagens da valorização dos clubes distantes do eixo Rio – São Paulo.

Em outro caminho, nesta mesma direção, caminham os dirigentes do grupo denominado “Bom Senso” que acaba de se pronunciar a favor da interiorização do esporte (ao lado de outros interesses de futebolistas como a pontualidade salarial, o direito a férias e outras ações importantes para a classe que vive do futebol). Os dirigentes deste movimento sentiram a importância do fortalecimento das series C e D do Campeonato Brasileiro. (Detalhes sobre este assunto o leitor encontrará no nosso blog publicado em 07/01/2014).

A própria organização da Copa do Mundo de Futebol, sediada este ano no Brasil, também contribui para a capilarização da modalidade. As 32 melhores equipes da seleção do mundo estarão realizando jogos decisivos distribuídos em cidades que cobrem toda a extensão do território nacional, como Natal, Cuiabá, Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba e não somente São Paulo, Rio e Brasília.

Cremos que, após 2014, nosso futebol poderá ser diferente e sofrer uma grande evolução especialmente causada por esta capilaridade.

Como consequência, os jogos de todas as categorias poderão ter mais público e divulgação, divulgação esta que ocuparia o espaço que hoje é dedicado aos campeonatos de outros países, o que está superando em transmissão os eventos nacionais.

Talvez o aparecimento de um Neymar em Rondonópolis, Ji-Paraná ou em Sabiá do Maranhão venha a ganhar o espaço resultante desta capilarização. A balança comercial será incrementada com a redução quase que completa da importação de craques e uma grande ampliação da exportação de bons jogadores provenientes desta base quantitativa que ganharia novas vitrines para aparecer. Grandes talentos, anônimos pela ausência de oportunidade, terão chance de se revelar.

Mais uma vez, cabe aqui a máxima que escrevemos em quase todos os artigos de nosso blog: na pirâmide do esporte, a largura da base quantitativa é razão da altura do vértice qualitativo.
Uma quantidade enorme de jogadores precisa de um primeiro degrau para chegar ao vértice.

O Bom Senso do Bom Senso

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O surgimento da entidade autodenominada Bom Senso não deixa de ter algo de estranho. Ela dá voz aos jogadores na organização do futebol brasileiro, ação de competência das Federações e Confederações. Mesmo com este toque de “estranho no ninho”, foi divulgada na mídia do segundo dia deste 2014 uma posição de extremo Bom Senso da entidade do Bom Senso.

Nas declarações de Paulo André, zagueiro do Corinthians, ele diz que sua principal missão “é expandir as fronteiras para o interior do País, mobilizando os atletas das séries C e D do Brasileiro”. Esta é a melhor maneira de fortalecer o nível técnico das divisões principais.

Um levantamento feito recentemente mostrou que existem 641 clubes nas quatro divisões de âmbito nacional e que somente 15% deles têm atividade o ano inteiro.

A tese do Bom Senso calha com o que temos escrito com grande frequência no nosso blog, dizendo que na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da base quantitativa. À medida em que as divisões C e D receberem a divulgação que merecem, o nível de seus jogadores melhorará consideravelmente, contribuindo para que as 1ªs. e 2ªs. divisões também recebam um grande progresso qualitativo mantendo o nosso país como o melhor futebol do mundo. O Brasil nunca vai precisar gastar dólares ou euros com jogadores do exterior. Ao contrário, passará a ser exportador de craques.

Este esforço para o progresso das divisões C e D também terá reflexos no êxito dos Campeonatos das Federações Estaduais. Para as agremiações dos Estados colocarem seus clubes em divisões C e D nacionais, elas terão também que melhorar seus eventos.

A instituição Bom Senso, se for bem sucedida nas metas que se propôs, já estará dando a sua contribuição para que nenhum talento que esteja perdido anonimamente no imenso território nacional deixe de ser descoberto.
O movimento proposto corresponde a uma grande escada cujos degraus nos darão condições para chegar ao título mundial e ao pódio olímpico, isto é, à hegemonia mundial.

Se for conseguido todo o apoio que o pessoal do Bom Senso está buscando, é possível que também se consiga maior arrecadação nos jogos e maior interesse nos contratos do mercado publicitário. Tudo isto representa recursos que evitarão o atraso tão frequente da folha de pagamento dos jogadores. O Bom Senso (instituição) estará ajudando a própria categoria profissional.

NO PÉ

O Bom Senso segundo Descartes

O Bom Senso foi um termo muito bem escolhido pela entidade dos futebolistas. Essa ideia ocupa um lugar histórico na própria filosofia, pois consta da estrutura do “Discurso sobre o Método de Bem Conduzir a Razão”, da obra de René Descartes.
Esse filósofo afirmava, em uma das quatro partes de seu livro, que o “Bom Senso é a base do raciocínio”, e ele é muito bem distribuído (plus bien partagé) entre as pessoas e não há nenhum indivíduo que se queixe de não tê-lo.

“COPINHA”

Já escrevi sobre este assunto há um ano, mas volto a repeti-lo por uma forte convicção. Eu não concordo que a Copa S.Paulo de Futebol Junior seja chamada de “Copinha” por alguns veículos de comunicação. Embora pareça um diminutivo carinhoso, esta denominação não deixa de ser uma diminuição em relação às suas proporções. A Copa S. Pauo reúne 104 equipes em 26 grupos localizados em diversas cidades do nosso Estado. Das 104, uma é do exterior, do Japão. Trata-se de uma verdadeira “Copona” que corresponde à principal atividade futebolística do nosso país em todo o mês de janeiro. Ela envolve todos os estados brasileiros. É uma grande vitrine dos “new faces” da temporada que está para iniciar.
“Copinha” é muito pouco pelo que ela representa para o futebol nacional.

São Silvestre ainda no apogeu!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Dia 31 tivemos a 89ª edição da Corrida de São Silvestre, uma prova com diversas matizes e que, em cada época, tem apresentado atrações específicas do momento.

No começo dos anos 30, Nestor Gomes era o símbolo da prova e falar neste atleta era falar na São Silvestre. Na metade dos anos 40 (1946), a São Silvestre tornou-se internacional, incorporando entre os primeiros estrangeiros os atletas do Cone Sul: Argentina, Uruguai e Chile. Foi o período de destaque de Oscar Moreira, uruguaio, do chileno Inostroza e do argentino Oswaldo Sanches.

Quando Carlos Joel Nelli convidou Viljo Heino , o maior do mundo e da história do pedestrianismo da época, começou a fase de grande prestigio pela presença dos super nomes. Em um tempo em que ainda predominava o amadorismo olímpico, vieram Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, Ken Norris, da Inglaterra, o russo Wladimir Kutz, Franjo Mihalic, da Iugoslávia, e outros tantos que despontavam nas corridas de fundo, como o etíope Abebe Bikila que havia vencido a Maratona dos Jogos Olímpicos de 1960 em Roma.

A organização do evento até então apenas pagava a passagem e a estadia dos participantes, mas com o decurso do tempo os grandes nomes passaram a exigir enormes cachês o que foi recusado pela A Gazeta Esportiva. Este fato deu origem a uma fase em que os atletas africanos passaram a dominar os principais postos no evento, uma vez que eles participavam em busca dos prêmios que as provas ofereciam. A África tornou-se o grande núcleo do pedestrianismo mundial, colocando este ano cinco atletas como primeiro classificados.

Este fato poderia sugerir uma decadência da São Silvestre, como citaram algumas reportagens de outros veículos de comunicação. Ledo engano. Se em cada época a prova tem apresentado uma atração própria, na fase atual temos outras constatações para nos animar e encher o nosso peito: um número nunca visto de disputantes. Mais de 27 mil atletas representa um recorde absoluto de corredores. A presença de atletas voluntários sempre existiu e fez parte da história da prova. Em 1925 eram menos de uma centena. Eles aumentaram com o transcorrer dos anos, todavia chegar à quantidade atual mostra que a S. Silvestre ainda está no seu apogeu. Ela conseguiu reunir atletas provenientes de 41 nações, número de países superior ao das provas do tempo em que correram Zatopek ou Kutz.
Quando se mencionar a prova de 31 de dezembro é para os esportistas brasileiros continuarem tirando o chapéu ela é o símbolo do pedestrianismo mundial .

Corinthians monta fábrica de craques

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O objetivo da coluna de hoje é aplaudir o Corinthians por uma decisão extraordinariamente lúcida. O clube alvinegro decidiu construir uma mega estrutura para a divisão de base.

A obra, segundo divulgou o “Estadão” é integrada por três campos para treinamento. Um chega a ter arquibancadas para receber 2000 expectadores. O conjunto tem ainda alojamento para 150 jogadores, restaurantes e um setor administrativo informatizado.

O clube do Parque São Jorge superou nesta área de prospecção de valores os seus concorrentes. Três campos e interesse pelos atletas sub 17 e sub 20 correspondem a uma verdadeira fábrica de craques. Os 36 milhões que o plano custará não chegarão a cobrir o total que poderia ser eventualmente dispendido com a contratação de jogadores já consagrados, vindos de outros clubes ou até do exterior, o que seria lamentável para um país de mais de 200 milhões de habitantes, os quais poderão produzir muitas joias para serem garimpadas para a primeira camada de profissionais.

Se os dirigentes corinthianos complementarem este trabalho providenciando educação de base, e escolaridade para estes jovens, terá feito uma obra de inclusão social que tornará os responsáveis por este programa dignos de aplausos e alta consideração.

Se faltarem recursos para este plano, creio que haverá uma legião de corinthianos que queiram ajudar espontaneamente o clube e os jovens candidatos aos jogos da Série A.

Este movimento massivo também produzirá um excedente de atletas promissores que poderão ser negociados com outros clubes do país e do exterior.

Para o autor destas linhas, esta medida do Corinthians está plenamente de acordo com o livro que está sendo escrito e que terá o título “Esporte: da Base ao Vértice”. Nesta obra, é defendido para todas as modalidades o princípio de que, na pirâmide da atividade esportiva, a altura do vértice técnico depende da base quantitativa.

Seguindo este princípio, o Corinthians igualmente economizaria recursos com contratações externas, pois a promoção dos jovens “feitos em casa” compensaria o custo de jogadores de outras origens sem a necessária dose de amor ao clube que teria a “prata da casa”.

A Copa São Paulo de Futebol Jr., os certames nacionais sub 17, e sub 20 e até o sub 15 serão excelentes vitrines para os futuros valores do nosso futebol demonstrarem talentos. Eles correspondem à escada que, a partir do primeiro degrau, chega aos degraus do pódio olímpico.

Quem poderá dizer que a nossa seleção dos jogos de 2016 não terá um representante deste excelente programa que está sendo planejado.

 

NO PÉ

O entusiasmo com que defendemos este programa poderá ser interpretado com fruto de uma paixão futebolística.

Não é o que ocorre. Com 67 anos de militância na crônica esportiva (sou decano da ACEESP), sou do tempo em que, por razões éticas, um jornalista tinha a obrigação de ser apartidário, não ser cronista torcedor.

Gostaríamos que outros clubes, que igualmente têm uma boa infraestrutura, também aumentassem a produção desta fábrica de craques e assim não tivessem necessidade de importar jogadores do exterior.

Jogador de futebol seria mais um item de nossa pauta de exportações. Este trabalho ajudaria ainda mais a economia do país.

Esporte: antídoto contra o pessimismo

A primeira coisa que eu costumo fazer após despertar é ler o jornal matutino que encontro na minha porta, trazido pontualmente pelo porteiro do meu prédio.

Com aquele exemplar tomo o primeiro banho de desânimo do dia. A manchete é invariavelmente sobre algum fato ruim que aconteceu no dia anterior. Os comentários, os artigos de fundo e o noticiário nacional estão longe de estimular o ânimo da gente para enfrentar mais um dia. São informações sobre as péssimas condições econômicas do nosso país, sobre o crescimento do contrabando, o tráfico de entorpecentes, assaltos e insegurança nas grandes capitais.

Dá um pavor sentir que a insegurança, principalmente nos morros cariocas, seja tema diário no noticiário policial, justamente quando o Brasil está às vésperas de receber os dois maiores eventos do desporto mundial: a Copa de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Como grande parte dos leitores, eu procuro avidamente algum noticiário que eleve o meu astral para encarar o dia que, apesar da minha idade, é muito atribulado.

O recurso é buscar alguma coisa boa nas páginas de esporte que sempre apresentam algo de agradável, embora elas também possam trazer notícias vexatórias, como o atraso das obras das arenas da Copa, os puxões de orelha da FIFA, a lamentável conduta de Ricardo Teixeira na área financeira, a recente briga no jogo realizado em Joinville, ou ainda o tapetão sofrido pela Portuguesa numa decisão política para favorecer o Fluminense. Entretanto, existe naquelas páginas um conteúdo de vitórias que se diferenciam completamente do negativismo das demais do jornal.

Nestes últimos dias, pudemos registrar fatos animadores, alguns dos quais neste final de semana.
O Brasil venceu o Torneio Internacional de Futebol Feminino, realizado em Brasília. O Chile foi o adversário do último jogo mas confirmamos nossa liderança nessa modalidade com uma brilhante exibição e um triunfo por 5×0.

Na Copa das Nações de Futebol de Areia o Brasil venceu na semifinal por goleada o seu tradicional rival o Uruguai e, na final, superou Portugal por 7×4, tornando-se a principal equipe mundial em um evento efetuado em Recife.

Foto: AFP

Foto: AFP

O triunfo, porém, que mais empolgou a torcida brasileira foi a ascensão da modalidade de handebol feminino de nosso país. Vencemos a Dinamarca na semifinal e depois enfrentamos a Sérvia, quando triunfamos por 22×20 e nos sagramos campeões mundiais invictos, com um título que ninguém esperava. Até então, o principal posto obtido por nosso país em um evento internacional nessa modalidade havia sido um quinto lugar.

Também na frente interna aconteceram partidas muito atrativas e de alto nível técnico como as da Super Liga de Voleibol, tanto no setor masculino, mas principalmente no feminino. Todos os jogos com grande público e apresentando espetáculos de enorme entusiasmo.

O Palmeiras venceu o Campeonato Brasileiro da Categoria Sub 20, a maioria dos clubes revelando talentos, grandes promessas para os anos próximos. O certame, realizado em Gravataí, mostrou que cada clube continua sendo uma fábrica de craques.

Também os jogos da Liga Nacional de Basquete têm mostrado equilíbrio entre os concorrentes e partidas que agradam o público, tanto no estádio quanto na TV.

O antídoto antipessimismo está para o brasileiro no esporte.

A expectativa é que este espírito de otimismo prossiga no ano que está para se iniciar. Mais do que nunca, precisamos dele para criar a atmosfera de que tanto necessitamos para obter aplausos e não críticas na mega cobertura de imprensa que o Brasil está por receber. O Mundial de Futebol e as Olimpíadas serão o espelho do nosso país para mais de 200 nações do exterior.

Nossa primeira medalha olímpica é fruto do Fair Play

Gazeta Press

Gazeta Press

A vitória do Brasil na Copa das Confederações, a celeuma que aconteceu colateralmente a este evento, o noticiário amplo sobre o próximo mundial de futebol, as exigências e a avidez da FIFA nos rendimentos econômicos deste evento têm ocupado todo o espaço na mídia. Para os Jogos Olímpicos, o maior acontecimento esportivo do mundo, não tem sobrado quase nada. Vemos aproximar-se a data em que hospedaremos mais de 200 nações do planeta com pouquíssimo noticiário a respeito. Os Jogos ainda são anônimos para o nosso grande público, o que é uma pena.

O alvoroço do mundial de futebol vai terminar no final do próximo ano. Vai restar muito pouco tempo para divulgar o evento olímpico com intensidade suficiente para se criar um clima que ele merece.

Nós, fazendo nossa parte, estamos preparando a 2ª edição do nosso livro “Olimpismo no Brasil”, escrito em parceria com o Prof. Aristides Almeida Rocha. Ele narra a atuação do Brasil naquele evento quadrienal. Até 2016 procuraremos fazer algo que diminua o desequilíbrio que citamos sobre a   divulgação dos mega eventos, contando fatos que ajudem aumentar o interesse de nossos leitores pelo certame olímpico cuja tradição vem desde a Grécia.

Começamos contando um fato pouco comentado: as nossas duas primeiras medalhas nos jogos foram fruto do fair play de nossos adversários, os Estados Unidos.

O estágio cultural primitivo do Brasil permitiu que participássemos pela primeira vez dos Jogos somente no ano de 1920, em Antuérpia, na Bélgica. Levamos nadadores, saltadores, aquapolistas, remadores e participantes de tiro.

Mas, o nosso estágio era tão primário que, se fôssemos utilizar o equipamento que havíamos levado, a nossa participação no tiro teria sido nula.

Acontece que nossos atiradores tornaram-se amigos dos norteamericanos que, apiedados das condições dos brasileiros ofereceram-lhes as próprias armas e munições.

Resultado: Guilherme Paraense foi medalha de ouro na prova de tiro rápido, individual, 30 metros e o Ministro Afrânio Costa foi prata na prova de pistola, tiro livre, individual, 50 metros. Havíamos vencido os próprios norteamericanos que nos ofereceram suas armas.

Para dar maior divulgação deste fato, um dos mais importantes da historia do fair play, pretendemos, quase um século depois, propor através do Panathlon Club Internacional (órgão do qual sou membro de honra) que, mesmo “in memoriam”, os responsáveis pela delegação dos Estados Unidos recebam uma láurea do Comitê Internacional do Fair Play, vinculado ao Comitê Olímpico Internacional.

Nunca é tarde para se fazer justiça e dar um exemplo histórico. Se as autoridades mundiais concordarem, a entrega da láurea poderá acontecer no cerimonial dos Jogos do Rio de janeiro.

NO PÉ

O BRASIL É O TERCEIRO EM SALTOS ORNAMENTAIS.

Eu não encontrei, em nenhum órgão de comunicação, os resultados do Campeonato Sulamericano Juvenil de Saltos Ornamentais, realizados na primeira semana do mês passado em Mendelin, na Colômbia. Tomei conhecimento de detalhes do transcurso desse evento através de um comunicado da Orden de Los Caballeros de Natacion Sudamericana, da qual sou membro.

Este certame deveria ter sido efetuado em Arica, no Chile, em março. Mas depois foi para a Colômbia. A Colômbia, país sede, foi o vencedor coletivo com trezentos e setenta pontos. Em segundo lugar ficou a Venezuela, com trezentos e nove. O Brasil foi o terceiro com duzentos e quarenta e sete. O Equador com vinte e seis e o Peru com treze.

O BASQUETE PERDE EDÉSIO

Faleceu, no mês de maio, aos noventa anos, o grande cestobolista Edésio Del Santoro. Ele foi um dos principais astros da história do nosso basquete. Começou em Sorocaba, sua cidade natal, defendendo-a nos Jogos Abertos do Interior que, nas décadas de 40, 50, 60 e 70 foram um dos eventos mais divulgados do país. Ele defendeu ainda a cidades de Taubaté e São José dos Campos, terminando sua carreira em Santos, cidade a que chegou como professor de educação física e terminou como diretor do Colégio Estadual e Instituto de Educação Canadá, o mais importante estabelecimento oficial de ensino daquela cidade praiana.

Vendo nossos problemas de longe

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Rapallo, 9 de julho.

Estamos escrevendo este texto diretamente da cidade de Rapallo, que fica perto de Genova, na Itália. A localidade é um dos lugares mais sofisticados do velho continente, localizada na Riviera italiana, um prolongamento da própria “Côte D’Azur”.

É neste lugar lindo que se situa a sede do Panathlon Internacional, onde, como Membro de Honra desta entidade, estou presidindo a juria da avaliação de um Concurso de Arte Gráfica Estudantil, de âmbito mundial. Estive presente também a uma reunião do Conselho Presidencial, que foi realizada ontem.

Com tanta beleza ao meu derredor, não deixo porem de estar com o pensamento voltado para a realidade brasileira, para os fatos publicados nos jornais, no dia que antecedeu o meu embarque, principalmente no que foi escrito sobre o destino do nosso lindíssimo Maracanã, e sobre algumas figuras que estão urdindo o seu destino. Ele foi entregue a um consórcio de entidades privadas, composto pela Odebrecht, por um grupo americano e pela empresa de Eike Batista, por 35 anos. Tal fato constitui uma autêntica alienação de um bem público, patrimônio do qual todos os brasileiros se orgulham e se sentem proprietários, pois foi construído com dinheiro brasileiro.

O que mais nos estarrece é que as empresas de Eike Batista correm o risco de um enorme calote no mercado de petróleo e em outras áreas a que estão vinculadas.

Num momento em que a capacidade de gerir é fundamental, principalmente num contrato de quase meio século de duração, constatamos um panorama calamitoso que atinge um dos mais influentes sócios do “triunvirato”. Trata- se de Eike, que há pouquíssimo tempo foi incluído como o mais rico do Brasil e o sétimo do mundo, e passa agora a ser candidato a um dos maiores caloteiros do mercado mundial.

A ganância do grupo, que não se contentava com o lucro já auferido na reforma do Maracanã, nas obras que superaram em mais de 500 por cento o primeiro orçamento, tem por meta agora derrubar o conjunto aquático Julio Delamare e o de Atletismo, Célio de Barros, obras prontas que, com uma simples garibada, serviriam como importantes locais de treinamento dos atletas nos Jogos Olímpicos, que concentrará participantes de mais de 200 países filiados ao C.O.I.

O interesse na abertura de novas obras de necessidade duvidosa e gastos exagerados levaram verdadeiras multidões a protestar nas ruas. O próprio esporte precisa compreender a situação econômica que atravessamos e levar em conta que existem prioridades também nas áreas da educação, saúde e segurança pública que precisam ser respeitadas.

Também a ganância das entidades internacionais necessita ser contida. O Estadão publicou recentemente uma matéria de Jamil Chade, seu correspondente na Europa, declarando que a Copa de 2014 será a mais cara da história. O lucro da FIFA em 2002, no Japão e Coréa, foi de 10,1 bilhões de dólares, a de 2006, na Alemanha, de 10,7 bilhões, a de 2010, na África do Sul, de 7,3 bilhões e a previsão do Brasil é de 28 bilhões.
Com toda esta problemática em minha mente, somada aos compromissos e reuniões no Panathlon Internacional, confessamos que não tivemos nenhuma oportunidade de desfrutar o cenário maravilhoso que se apresentava com a abertura da janela do hotel.

Preocupar-me com o meu país é um sentimento que trago comigo desde a infância.

Henrique Nicolini

NO PÉ

Vitória do rebolado

Da série de reformas propostas para com o Maracanãzinho, após os Jogos Olímpicos com o objetivo de faturar, consta a construção de um grande palco para a realização de shows,  com perda da capacidade para o público dos torneios esportivos. Nova vitória do rebolado frente ao evento esportivo.

O que estou fazendo aqui

O autor destas linhas orgulha-se de ter sido o introdutor do movimento panathlético no Brasil e, atualmente, ocupa o posto de membro de honra do Panathlon Internacional. Panathlon é uma bandeira em favor do esporte limpo e ético, e contra a corrupção, o doping, o racismo e outras inconveniências que ocorrem em todo o mundo. Vim participar de uma reunião da diretoria do P.I. e presidir uma comissão de avaliação de um concurso mundial de arte gráfica para jovens, cujo tema é voltado à ética nos esportes.
Uma semana sem ouvir falar em constituinte, plebiscito e outras iniciativas criadas para manter nossa impunidade histórica.

Na volta

Na minha volta ao país, li na reportagem de capa da Veja que Eike Batista está efetivamente à beira da falência e prestes a dar um dos maiores desfalques na história da economia. Ele, um dos concessionários por 35 anos do Maracanã.
As páginas de esportes dos jornais estavam dizendo que Flamengo e Botafogo recusaram-se a fazer qualquer negócio com o consórcio que administra o estádio da decisão do Mundial de 2014. Só o Fluminense entrou em acordo.
Já está na hora de revermos este contrato, que é um dos temas dos protestos das passeatas que acontecem em todo o Brasil.

Perdemos Olímpio Sá

Acervo/Gazeta Press

Na foto, Olimpio da Silva e Sá aparece ao lado do famoso tenista Thomaz Kock e do colunista deste blog (Gazeta Press)

A Fundação Cásper Líbero recebeu neste fim de semana uma triste notícia. A do falecimento de Olímpio da Silva e Sá, aos 97 anos, um dos pioneiros de A Gazeta Esportiva.

Ele começou como redator de esportes amadores, quando este jornal era bi-semanal e publicado sob a forma de tabloide. Dedicou-se especialmente ao beisebol, chegando a ser presidente da Federação Paulista desta modalidade esportiva.

Assumiu o cargo de subsecretário e, posteriormente, de secretário de A Gazeta Esportiva após 1947, quando este jornal passou a ser publicado diariamente, em formato normal.

Em 1951, chefiou um grupo de redatores de A Gazeta Esportiva que fez a cobertura dos primeiros Jogos Pan-americanos em Buenos Aires.

Em 1970, Carlos Joel Nelli, o grande nome de A Gazeta Esportiva, afastou-se do jornal, indicando para diretor Olímpio da Silva e Sá.

Durante mais de duas décadas, Olímpio dirigiu o mais completo jornal esportivo do continente e assumiu toda a ativíssima programação promocional, como a organização da Corrida Internacional de São Silvestre, a Prova Ciclística 9 de Julho, o Campeonato Popular de Boxe (A Forja dos Campeões) e outros eventos tradicionais do calendário.

Olímpio criou um Departamento de Promoções e Provas e confiou a direção a mim. Foi responsável por outra série de eventos que ficaram na história, como o Revezamento Gigante de Natação (50 x 50), que obteve sua inclusão no Guinness Book (1.300 nadadores em uma só prova), a Operação Juventude (350.000 jovens competindo em um único ano) e a Copa Arizona, que reuniu 2.500 equipes de futebol amador de todo o país.

Olímpio sobreviveu a quase totalidade dos jornalistas que trabalharam com ele, deixando, nos que ainda restam neste conturbado mundo atual, recordações alegres do convívio na Av. Cásper Líbero, na Avenida Paulista e na Alameda Barão de Limeira.

Descanse em paz, velho companheiro. O percurso de sua vida foi muito além da São Silvestre, foi maior do que muitas maratonas juntas.

50 anos de uma epopéia

Foto: Gazeta Press

Um dos campeões mundiais de basquete em 1963, Mosquito rega árvore no Bosque da Fama no Ibirapuera

A gazetaesportiva.net está dando especial atenção ao cinqüentenário de um triunfo histórico do desporto brasileiro: a conquista do título mundial do basquetebol.

Este fato relevante ocorreu num momento em que o esporte da cesta atravessava um dos maiores momentos desde a sua introdução em nosso país, no início do século passado. Decidimos, com este texto, dar nossa contribuição a este importante tema, fugindo da rigidez dos números e datas, nos concentrando no contexto e na atmosfera que cercava o nosso time.

Estas informações, provavelmente, poderão nos levar a chegar até as causas da vitória. Elas foram conseguidas através de uma longa conversa com um dos principais protagonistas do grupo que conquistou tão grande feito. Trata-se do cestobolista Carlos Domingos Massoni, nosso amigo pessoal, muito mais conhecido pela alcunha de “Mosquito”.

Contou-nos ele que a maioria dos integrantes do time campeão mundial jogou em conjunto por mais de 10 anos e sempre partilhou de grande amizade, sem malquerenças entre seus componentes.

A equipe estava “mordida” por ter perdido, um mês antes, no próprio 1963, a modalidade de basquete dos Jogos Pan-americanos, realizados em São Paulo.

 

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Mosquito com a camisa da Seleção

Preparo estafante

O inconformismo com a derrota levou-os a iniciar o treinamento com quatro semanas de antecedência. Foi um período de plena concentração, uma vida entre a quadra e o alojamento. A hospedagem variou entre a Ilha das Enxadas, nas instalações da Marinha, e o Hotel das Paineiras, famoso também por ter abrigado concentrações das principais equipes cariocas de futebol. Os treinos, no Rio de Janeiro, eram realizados nas quadras do Tijuca TC e do próprio Maracanãzinho.

O preparo era estafante, ocupava o dia inteiro e eram raras as autorizações para alguma folga. A determinação para obter um triunfo diante de equipes como a dos Estados Unidos era imensa. Transformou-se em uma obsessão de todos, tanto que eles entraram “tinindo” no primeiro jogo do torneio. Todos no melhor de sua forma, física e técnica, e com moral elevada.

Médicos

O acompanhamento do estado físico do time foi igualmente exemplar. Todos os testes possíveis na época foram aplicados e, em alguns dias, os próprios médicos ficaram concentrados com os jogadores.
Antes do início da primeira partida, tudo o que poderia ter sido realizado para que a equipe estivesse no seu máximo foi feito. Estava muito melhor do que durante o Pan. Como fator suplementar havia a harmonia, nenhuma pendência entre os elementos da equipe.

A grande glória

Aos poucos o Brasil foi superando seus adversários nos jogos classificatórios até o dia da final, naturalmente contra os Estados Unidos. Mosquito nos disse que na decisão o Maracanãzinho estava repleto, recorde de público, portador de um entusiasmo nunca antes visto. Atmosfera que faz crescer qualquer equipe e estimula todos os jogadores. O equilíbrio da partida que estava sendo disputada formava um espetáculo inesquecível. Quando, nos minutos finais, a “torcida” começou a sentir que tendia a uma vitória do Brasil, o público foi descendo e se aproximando paulatinamente das grades. Mosquito neste momento integrava o quinteto que estava na quadra.

Com o apito final, veio uma explosão apoteótica. Os abraços e outras manifestações foram tão intensos que alguns jogadores chegaram quase a ficar desnudados (segundo Mosquito).

Todos queriam um “souvenir”. Inclusive o nosso depoente, que levou consigo as cordinhas da cesta. Anos mais tarde, ele doou esta relíquia a uma entidade que fazia um leilão beneficente.

A gazetaesportiva.net, ao publicar esta série de trabalhos sobre nosso grande triunfo do basquete, cumpre o seu dever cultural de preservar para as novas gerações de leitores um dos principais capítulos da história esportiva do nosso país.

Outros informes:

As Olimpíadas de Mosquito

Mosquito integrou a equipe brasileira em quatro Jogos Olímpicos:

1960 – Roma – onde conquistamos a medalha de bronze
1964 – Tóquio – também medalha de bronze
1968 – México
1972 – Munique

O time do Brasil

A equipe do Brasil, campeã mundial de 1963, era integrada por Succar, Menom, Amaury, Waldemar, Victor, Fritz, Ubiratan, Rosa Branca, Jathir, Wlamir, Paulista e Mosquito.

1963

O ano de 1963 foi muito especial para o Brasil. Nesse ano vencemos o campeonato sul-americano em Lima, no Peru. Fomos, como informamos, vice-campeões pan-americanos, em evento realizado em São Paulo, e campeões mundiais no Rio de Janeiro, a maior conquista da história do basquete brasileiro.

Os integrantes da seleção brasileira tornaram-se tão famosos quanto os principais futebolistas da época.
No mundial, o Brasil venceu os seis jogos de que participou, marcando 485 pontos e sofrendo 411. A média de pontos marcados pelo nosso país foi de 80 e a de pontos sofridos foi de 68.