A Quinta Divisão

Além de ações discretas, o Bom Senso F.C. ganha respeito por ideias e planos apresentados ao grande público.

Outro dia deparamos com uma declaração de Rogério Ceni que o Bom Senso defende “a criação de uma quinta divisão para uma maior capilaridade do futebol“. Seria possível assim levá-lo a regiões mais afastadas dos grandes centros, aumentando sensivelmente a base da atividade futebolística.

Será mais gente jogando, arbitrando e dirigindo o esporte mais popular de nosso país.

Em nossos artigos deste Blog temos repetido com alguma frequência a ideia de que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice técnico da qualidade de bons jogadores depende da base quantitativa, do número de pessoas que praticam sistematicamente o futebol.

Este incremento será bastante profundo, pois trata-se de uma divisão que beira uma centena de clubes, caras novas no cenário futebolístico.

A grande preocupação de que esta ideia excelente não vingue origina-se do fato de que os dirigentes do alto escalão estão ocupados com discordâncias, rivalidades e outras atividades pouco construtivas. Faltam-lhes idealismo e visão para defender uma grandiosa ampliação do futebol brasileiro, conforme sugere o Bom Senso FC. Lamentavelmente, estão olhando somente para as estrelas do céu e não se importando com o chão em que estão pisando.

A sugestão da quinta divisão é um grande bom senso do Bom Senso FC, corresponde em ampliar os primeiros degraus da escada que leva ao pódio de campeão mundial e olímpico.

O Esporte precisa voltar para as escolas

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O esportista Walter da Silva, assessor de Esporte e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo e membro do Conselho Diretivo do Panathlon Club de nossa cidade, está lançando uma campanha para incrementar a prática da Educação Física e dos Esportes nas escolas.

Segundo ele, há uma corrente nos órgãos governamentais (e mesmo privados) preconizando uma tendência de reduzir ou mesmo suprimir as sessões de Educação Física do currículo escolar nos dois níveis de ensino que antecedem a chegada até a universidade.

Para piorar a situação, existe atualmente uma verdadeira onda de “pedagogismo” que repele o esporte estudantil, que vilipendia qualquer atividade fora dos muros da escola, atitude que está acabando com disputas inter-escolares.

Para tratar desta questão e o empenho de Walter da Silva, vai ser realizado, de 7 a 10 de abril, no Plenário e em um dos salões nobres da Assembléia, um seminário em defesa do esporte e da educação física nas escolas.

Eu estou plenamente de acordo com esta campanha (trabalhei nesta área entre 1948 e 1962) e tenho as vivências suficientes para aprovar aquela iniciativa da retomada do valor do esporte.

Naqueles anos, o Major Sylvio de Magalhães Padilha, diretor do então Departamento de Educação Física do Estado de São Paulo, em plena sintonia com a Secretaria da Educação, realizava campeonatos de várias modalidades de âmbito estadual, com um sucesso em todos os sentidos. Este certame promovia um saudável intercâmbio entre os estudantes do Interior e os da Capital.

O auge desta ação ocorria no dia 7 de Setembro, com as disputas finais dos colegiais e uma magnífica demonstração de ginástica, com a participação de 1.500 jovens de São Paulo inteiro e a presença do Governador do Estado no palanque.

Já escrevi dois comentários neste Blog sobre meu trabalho em Educação Física, os quais ressaltam a importância desta matéria do currículo escolar. Os alunos, além das sessões de ginástica, competiam em campeonatos internos de basquete e vôlei. A participação era de todos e desenvolvia o gosto pelo esporte.

O grupo de basquete do meu colégio, o Prof. Macedo Soares, na Barra Funda, no final dos anos 50, saiu-se campeão da nossa cidade. A S.E. Palmeiras aproveitou os meninos do time que sagraram-se campeões paulistas. Parte desses jogadores veio a integrar a seleção paulista que, por sua vez, venceu o torneio nacional.

Mas não foram somente os campeões que se uniram. Até hoje, mais de meio século depois, um grupo de aproximadamente 50 ex-alunos ainda se reúne anualmente para um churrasco no meu sítio.

Um jovem que praticou esporte na infância e na adolescência continua sempre ligado à essa atividade. Ocupa seu tempo de lazer em jogos, em corridas, mantendo suas amizades que professam os mesmos valores.

Este lazer, se não for ocupado pelos esportes, desvia o adolescente para outros hábitos, como as baladas, os bailes funk, onde a moral não encontra espaço e é até desprezada. O tempo livre mal preenchido é a base do uso de tóxicos que vão desde a maconha até o crack.

O verdadeiro craque, o jovem exímio na prática de uma modalidade esportiva e até os participantes do alto rendimento em regra são aqueles que foram beneficiados pela valorização do esporte na escola. Kanichi Sato, filósofo e técnico de natação, dizia que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice técnico é consequência de uma base quantitativa.

Estamos com os Jogos Olímpicos à vista e uma boa atuação do Brasil poderia ser muito melhor se a educação física não tivesse sido abandonada nas escolas.

É por isto que o movimento que terá sua sede na Assembléia Legislativa em favor da Educação Física e dos Esportes nas Escolas é um marco que necessita crescer para mudar a situação preocupante de boa parte da nossa juventude. Meus parabéns aos seus organizadores.

 

Pacaembu ainda útil aos 74 anos

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Lemos com prazer que o Santos F.C. pretende mandar a maioria de seus jogos no Pacaembu. O clube reconheceu que o número de seus adeptos na capital é maior do que os do litoral. A Vila Belmiro servirá para os encontros que mobilizarão menor público.

Esta informação é muito importante, pois caso contrário o Estádio Municipal ficaria inútil, sem destino, após uma gloriosa história de 74 anos.

O Corinthians construiu o Itaquerão, o Palmeiras está se atualizando para ser o anfitrião de grandes eventos.

A condição de pouco útil não se coaduna com o Pacaembu que foi o centro de espetáculos inesquecíveis, como a abertura dos IV Jogos Pan-americanos, grandiosas demonstrações de ginástica de 7 de Setembro, jogos decisivos de campeonatos futebolísticos estaduais, nacionais e internacionais.

Eu tenho uma estima muito especial pela praça de esportes da municipalidade. Aos 14 anos, como membro da equipe de natação do CR Tietê, integrei a delegação deste clube no desfile de inauguração do Pacaembu, ocorrida em 1940. Mais tarde, ainda nos anos quarenta, cursei naquele local a Faculdade Superior de Educação Física do Governo Estadual, a primeira de caráter civil do nosso país.

Minha maior intimidade com o Estádio não foi com o campo de futebol, mas com a piscina. Como presidente da Federação Paulista de Natação, vimos a colônia japonesa chorando nas tribunas, quando após uma década o hino nacional nipônico voltou a ser executado em nosso país. O evento aconteceu durante a visita ao Brasil dos “Peixes Voadores”.

Tivemos também o prazer de dar o nome de Kanichi Sato àquele natatório, grande técnico e educador na natação brasileira.

Em abril de 1963, na qualidade de presidente da Federação Paulista de Natação, tive a oportunidade de hastear a bandeira brasileira na abertura dos esportes aquáticos do Pan-americano.

O Pacaembu é um patrimônio de nossa cidade e gerador de grande afetividade do seu povo. São poucos os paulistas que não têm uma recordação de alguma passagem de sua vida ocorrida naquele local. É por isso que qualquer tentativa de privatização, como já se cogitou há algum tempo, deve ser repelida veementemente.

Salve o Pacaembu!

Proposta para se esconder

ALEXANDER NEMENOV / AFP

ALEXANDER NEMENOV / AFP

Quando vimos a maravilha que foi o encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizada na cidade russa de Sochi, achamos que o nosso artigo publicado ontem merecia ter uma continuação e um complemento.

A Rússia, num espetáculo inesquecível, teve oportunidade de exibir toda a sua riqueza cultural, todos os seus balés, encabeçados pelo Bolshoi, todos seus compositores, com músicas de Stravinsky, Rachmaninoff e outros, a arquitetura de suas principais cidades e tudo o que era susceptível de ser mostrado.

Os espectadores não eram apenas os 40 mil que cabiam no estádio olímpico, mas metade da população mundial que ligou seus receptores de TV, de manhã, a tarde ou a noite, de acordo com o fuso horário em que cada nação se encontrava.

Muita gente presenciando aquele espetáculo mudou sua opinião sobre a Rússia, tão difamada pelas revoluções e pela guerra fria.

Como a Grã-Bretanha, a Rússia e a China, que tiveram a possibilidade de mostrar nos últimos anos a cultura e a beleza de seus países, agora surge a oportunidade do Brasil, portador de um cenário exótico, para ser comparado aos anteriores. Aqui teremos uma música que vai sacudir o povo de mais de 200 países que estarão com a televisão ligada. Vamos mostrar as lindas praias de 8 mil quilômetros de extensão. Uma mais bela que a outra. Vamos exibir a grandiosidade do Rio Amazonas, a modernidade de Brasília, a criatividade arquitetônica de Oscar Niemeyer, o Corcovado e o Cristo Redentor, Copacabana, a confecção de um churrasco gaúcho, tudo o que a Bahia tem a oferecer e muitas outras coisas que o próprio leitor deve estar lembrando neste instante.

Poderemos conquistar com o roteiro do final dos Jogos Olímpicos e da própria Copa a admiração de todas as nações do mundo e ser invejados por outros países para com os quais Deus não foi tão generoso.

Encarando a questão, também por este ângulo, vemos o contra senso das faixas das manifestações pregando o cancelamento dos mega eventos em nossa terra, privando da alegria brasileira, do abraço afetuoso que caracteriza nosso povo toda a população mundial que nunca saberia o quanto somos hospitaleiros. A autoestima dos brasileiros iria por água abaixo.

Autoestima de um povo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

É com grande desalento que eu vejo os cartazes e faixas contra a Copa do Mundo (e até contra os Jogos Olímpicos) nas manifestações de rua que se tornam cada vez mais frequentes em nosso país.

Eu não me conformo que haja pessoas que sejam contra os mega eventos que tiram o Brasil de um obscurantismo e de um anonimato que não ajudam em nada a nossa nação em um contexto internacional.

Para mim este tema, assumido por diversos grupos políticos em um ano de eleições e da Copa do Mundo, procura dar a essas manifestações um cunho de uma ação pacífica, mas elas abrem um oceano de oportunidades para mascarados destruírem instituições particulares e até oficiais. A desmoralização das polícias civil e militar é outro objetivo para quem quer terminar com a autoridade, com a segurança pública.

Shakespeare dizia em uma de suas falas: “Existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor a sua vã filosofia”.

Aceitamos que as despesas com os mega eventos venham reduzir os recursos destinados a outras finalidades, como educação, saúde e segurança, mas as futuras vantagens (como o incremento do turismo e os resultados econômicos desta exposição mundial) compensarão um aperto no nosso orçamento governamental durante meia década.

As manifestações contrárias às duas maiores competições esportivas do mundo se justificariam se elas estivessem voltadas contra a locupletação de muitos dirigentes esportivos e governamentais, já evidenciada nas obras e serviços necessários à implantação dos dois grandes eventos que teremos pela frente. Marcha contra a desonestidade, comissões ilícitas, sobrepreços justificariam as passeatas. Elas seriam a favor da moralidade e delas até eu, com 88 anos, participaria com prazer. Entretanto, já está na hora de deixarmos de ser caudatários, uma nação secundária num âmbito mundial e passarmos da plateia para o palco.

Fiquei aturdido quando tomamos conhecimento de pesquisas feitas pelo Ibope/Estadão, publicadas no último sábado, afirmando que 38 por cento da população brasileira é contra a realização da Copa do Mundo em nossa terra. A turma da passeata minou um entusiasmo que deveria ser autêntico, unânime e coletivo.

Esta crônica é a expressão do coração de quem, em 65 anos de carreira, somente cobriu ou acompanhou grandes competições sempre fora de nossas fronteiras. Chegou a hora de realizá-las aqui, contrariamente ao que pregam as faixas das passeatas.

Se houver idoneidade na implementação do evento, o custo-benefício será altamente vantajoso, principalmente para a autoestima de um povo e a educação, a segurança ou a saúde, pouco ou nada sofrerão.

 

Patriotismo – A nova bandeira

Foto: Nelson Almeida/AFP

Foto: Nelson Almeida/AFP

A realização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi elevou a imagem da Rússia.

São frequentes as referências elogiosas da mídia, não só àquela iniciativa, mas ao próprio país anfitrião, elevando uma imagem desgastada que já durava algum tempo. A organização do evento e o aplauso causaram grande benefício ao país e justificaram despesas que foram classificadas entre as maiores já despendidas por ocasião das realizações olímpicas.

Esta atitude é contrastante com alguns grupos de brasileiros, de diversas facções, que agora, quatro meses antes do Campeonato Mundial de Futebol, estão anunciando a realização de movimentos contra aquele certame. Estas manifestações, obviamente, não serão pacíficas e, naturalmente, centralizarão a atenção dos veículos de comunicação de duas centenas de países que estarão cobrindo a Copa do Mundo.

Nada mais vergonhoso para o nosso país. Se isto realmente ocorrer, a nossa imagem estará indo para a lata do lixo e as consequências serão drásticas. Os brasileiros perderão a autoestima. A honra e a alegria de ser filho deste país irão por água abaixo. A perda do prestígio influirá na nossa economia e a falta de segurança afastará o turismo receptivo. Até no câmbio e no valor da nossa moeda perderemos confiabilidade.

A luta partidária da política interna, que tem sido a causa desta super frequência de movimentos populares, quando se desvia para a violência, transforma-se em antipatriotismo. O Brasil, mesmo enfrentando todas as suas crises, poderia estar entre as maiores nações do mundo. Vamos descer uma infinidade de degraus na escada do prestígio por causa de um pequeno grupo de inconsequentes. Aos interessados em transformar manifestações em violência será creditada esta humilhante queda.

Esperamos que um bafejo de patriotismo surja no âmago de uma maioria consciente de nossa população e nenhum ato vergonhoso venha nos humilhar nas semanas da Copa, num momento em que todo o mundo está olhando para a gente.

Patriotismo deve ser a nova bandeira.

 

O C.R. Tietê ainda é notícia!

A reportagem escrita pelo colega Bruno Ceccon no exemplar do último dia 6/2 impressionou-nos muito. Saber que patos navegam na primeira piscina olímpica do país é um tema que exalta os meus sentimentos voltados ao clube vermelhinho, agora em poder da municipalidade, como consequência da pouca idoneidade de algumas das últimas diretorias, reduzindo ao nada uma das maiores glórias esportivas.

Eu acompanhei a construção deste natatório, dos seis aos oito anos de idade. Estive presente na sua inauguração e descrevi no meu livro “Tietê – O Rio do Esporte” o surto de progresso que o ano de 1934 causou no esporte aquático paulista.

Maria Lenk (que escreveu o prefácio do meu livro) foi a grande estrela das águas represadas pela empresa de engenharia Adolfo Lindenberg. Ela começou na adolescência no Clube Estrela, da colônia germânica que ficava atrás de onde se localiza hoje a Associação Atlética São Paulo.

Piscina_Olímpica_640Com a inauguração da piscina deste clube, em dezembro de 1929, Maria passou ai a treinar com o famoso técnico Carlos de Campos Sobrinho, que a acompanhou aos Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles, fato cujas vicissitudes comportam um romance.

Em 1934 o Tietê, num momento de um amadorismo dogmático, quis tê-la no seu elenco de militantes. Este clube resolveu esta questão oferecendo um emprego a Paulo Lenk, genitor de Maria, como professor de natação e uma espécie de gerente da piscina, principalmente no tocante às suas águas.

Em 1936, Maria foi com Carlito aos Jogos Olímpicos de Berlim, onde conheceu o americano Davies, o criador do nado borboleta – “butterfly” na época. Esse nado passou a integrar a modalidade “nado peito” no clássico. Somente meia década mais tarde o borboleta tornou-se um estilo a parte.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A excelente reportagem de Bruno Ceccon cita com veemência a corrupção das últimas diretorias, o que determinou o fim do clube. Corrupção esta que contrasta com a idoneidade e esforço das primeiras diretorias e que foi a causa da grande evolução tieteana.

Após a construção da nova piscina, o Clube Tietê teve tamanho surto progressista, o que permitiu pagar o custo da obra dois anos antes do previsto.

O Tietê assumiu os débitos do clube vizinho, a Associação Atlética das Palmeiras, e ficou assim de posse do terreno que este clube ocupava, incluindo neste particular uma quadra de tênis e um campo de futebol. Assumiu igualmente as dívidas do São Paulo FC da Floresta. No campo de futebol do Floresta foi construída uma pista que sediou o extraordinário Campeonato Sul-americano de Atletismo de 1937.

O autor destas linhas assistiu a este evento e se lembra até hoje dos atletas que aí competiram, entre eles, Bento de Assis, José Carlos Figueiredo Ferraz, Ícaro de Castro Mello, Bento de Camargo Barros, Assis Naban e outros.

Um ano antes (1936), pagando os débitos da AA São Bento, o Tietê também havia ficado de posse do estádio deste clube. Quando o Corinthians saiu do Bom Retiro, em 1917, foi para a Ponte Grande, onde permaneceu até 1926, ano em que se transferiu para o Parque São Jorge, deixando o estádio da Ponte Grande para a Associação Atlética São Bento (que fora fundada por estudantes do colégio homônimo).

No estádio em que o Corinthians tinha sido campeão do centenário, em 1922, o Tietê construiu quadras de tênis e vestiários classe A.

Foto: Reprodução

Henrique Nicolini ao lado do irmão Oswaldo na piscina do Tietê

Foi nestas quadras em que aprendeu a jogar tênis a maior jogadora de nossa história, Maria Esther Bueno, que chegou a merecer uma estátua então localizada em frente ao Tietê. Com o início da decadência, a bela estátua foi para o Pacaembu. Para manter a história tieteana, colocou-se no local uma placa de bronze em homenagem à nossa vencedora de Wembley.

Quando vemos tantos espaços tieteanos, que representaram parte da história esportiva de São Paulo, concluímos que é preciso reconstruir a parte degradada e, principalmente, transformar em um museu público os documentos, os troféus, as fotografias, os diplomas que representam a história do clube e da região, local onde os estudiosos do futuro teriam muito a aprender.

Se pertencêssemos à Secretaria Municipal de Esportes, nós abriríamos as instalações, depois de reformadas, para as escolas da região, tornando-as uma unidade para a participação do esporte de competição.

Reveja a reportagem de A Gazeta Esportiva.net:

Divulgando a falta de Fair Play

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Giacomo Santini, presidente do Panathlon International, teve uma ideia original para estimular o comportamento ético no esporte. Trata-se de uma sugestão pessoal do principal mandatário de uma entidade de âmbito mundial e que conta com um currículo invejável. Ele terminou no ano passado seu mandato como senador da República Italiana, cargo ao qual chegou por sua popularidade como jornalista esportivo da RAI-Uno, onde cobriu vários Jogos Olímpicos de Verão e Inverno, as Voltas Ciclísticas da França e Itália e outros grandes eventos de ampla repercussão.

A proposta de Santini é a atribuição do diploma “Falta de Fair Play” pelo gesto mais condenável no esporte, que tem se caracterizado atualmente pela violação da disciplina, pela violência, pelos atos de corrupção.

A atribuição deste prêmio embute uma atitude de discordância para com a mídia que não dá prioridade e espaço a dados edificantes, como solenidades de entrega de prêmios e troféus de Fair Play, ou a boa conduta de seus vencedores.

Trata-se de uma forma de, pelo lado oposto, atingir o mesmo resultado de moralização do esporte.

É óbvio que a equipe ou atleta escolhidos pela falta de Fair Play não irão buscar o seu diploma, mas as possibilidades de divulgação e repulsa a um ato condenável surtirão o devido resultado. Esta atitude não deixa de constituir uma grande contribuição à tão desejável moralização do esporte.

Premiar o melhor e denunciar o pior foi uma recomendação dada por Santini a todos os mais de duzentos clubes do Panathlon International, entidade voltada para a ética no esporte e presente nos cinco continentes.

Trata-se de uma ideia diferente de quem é “do ramo” e conhece sobejamente o comportamento humano.

 

Mega eventos e a escola

Divulgação/Prefeitura de Mogi das Cruzes

Divulgação/Prefeitura de Mogi das Cruzes

Quem abre os jornais ou liga a televisão encontra um farto noticiário de críticas ao atual governo. Eu mesmo, em artigo anterior, já me referi a este aluvião, um fato que é desanimador. Todo o ânimo destinado à programação de algum trabalho esvai-se com as notícias de corrupção, ineficiência e descumprimento de prazos.

Nesta segunda-feira tomamos conhecimento de um fato que, desta vez, quebrou a rotina e deu-nos o otimismo necessário para enfrentar o dia.

Estão lançados projetos de incluir o esporte na grade curricular das doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo. Não somente o esporte será objeto de ensino. A Geografia, a História e os costumes dos países visitantes ampliam este universo de conhecimento que, certamente, será recebido com grande interesse pelo corpo discente.

Este panorama entusiasmante poderá ser ampliado com as cidades que hospedarão equipes: Ribeirão Preto receberá a França, Cotia a Colômbia, Águas de Lindoia a Costa do Marfim, Guarulhos o Irã, Itu a Rússia e o Japão, Sorocaba a Argélia, Porto Feliz receberá Honduras, Mogi das Cruzes a Bélgica, Campinas a Nicarágua e Portugal, Santos terá o México e a Costa Rica.

Fomos informados que a Secretaria Municipal de Mogi das Cruzes (cidade da família de minha esposa) elaborou um minucioso estudo sobre a Bélgica que já foi incluído na grade escolar. A cidade vai inaugurar uma estátua para aquele país europeu.

Creio que estes atos de cortesia para com estas nações serão retribuídos por visitas dos futebolistas às escolas locais que, através de intérpretes, poderão discursar diretamente para os alunos. Nenhuma equipe de futebol aguentará 24 horas de concentração. O contato com a juventude não deixa de ser um estímulo também para os jogadores.

Se esta perspectiva já é tão entusiasmante, o que dizer da inclusão do estudo dos Jogos Olímpicos em toda a rede nacional de ensino pelo Ministério da Educação em 2015 e 2016? A juventude estaria recebendo noções da história grega, a escala de valores do helenismo e dos filósofos esportistas, a localização geográfica de 200 países participantes numa visão ampla da geografia e da história universal. Estudaria o restabelecimento dos Jogos Olímpicos em 1896, a figura do Barão Pierre de Coubertin, a presença do Brasil desde os Jogos de 1920, em Antuérpia, quando conquistamos nosso primeiro ouro, e a nossa história em um século de participação.

Com esta atitude das autoridades nacionais, os Jogos ampliarão sua importância de uma forma inimaginável, com milhões de cidadãos conhecendo a significação do evento que se realizará pela primeira vez em nosso país (e na América do Sul) cento e vinte anos após o seu restabelecimento pelo Comitê Olímpico Internacional.

Este programa, no Rio de Janeiro, pode incluir atenção, cordialidade e respeito não só para com os mais de 10.000 atletas concorrentes, mas para com os técnicos, dirigentes e principalmente jornalistas, que poderão, em suas informações, até falar bem de nós e melhorar nossa imagem no exterior.

Temos algo de muito construtivo pela frente, não podemos perder esta oportunidade.

Jogos Olímpicos – começar já!

A concentração do interesse da maioria dos habitantes dos cinco continentes na Copa do Mundo de Futebol tem, de certa forma, prejudicado a expectativa pelos Jogos Olímpicos, que também serão sediados pelo nosso país.

O tempo destinado aos preparativos daquele evento poliesportivo está sendo consumido com as obras e a organização do mundial futebolístico, sobrando muito pouca disponibilidade das autoridades, recursos públicos e privados em obras de infraestrutura para que realizemos um certame olímpico à altura dos efetuados na Grécia, China ou na Grã-Bretanha. A exposição na mídia, fundamental para o êxito de um mega evento, também está com nítida preferência direcionada para o torneio da FIFA.

Quando a Copa terminar e terminarmos de arrumar a casa, estarão faltando apenas dois anos para se organizar os Jogos Olímpicos, indiscutivelmente muito maiores e mais abrangentes que o certame deste ano. Enquanto do certame de futebol participam 32 países, no torneio de 2016 teremos duas centenas. Em vez de uma única modalidade, teremos a soma de 33, numa saudável diversidade que tem até influência cultural, pela difusão de esportes pouco praticados em nosso país.

Esta é a primeira vez que o Brasil sedia os Jogos Olímpicos desde seu restabelecimento em 1896. Esta competição com raízes gregas tem uma história de três séculos. Tanta amplitude diversifica o interesse dos vários países, em particular, cada qual voltado para as modalidades de que estão participando, indo dos esportes de força, como o levantamento de pesos, até a ginástica artística, dos esportes individuais aos coletivos, dos participantes masculinos aos femininos, que estão concorrendo com quase 50 por cento dos inscritos.

O Brasil está entre os mais cotados ao ouro em diversos esportes, principalmente os coletivos, como voleibol (masculino e feminino), futebol (masculino e feminino), handebol (feminino), vela, futebol de areia (masculino e feminino), além de algumas provas da programação individual.

Mas em uma disputa de Jogos Olímpicos não está no rol das atrações apenas o aspecto competição. Há também o da superação humana. Juntamente com a restauração da tradição grega, o barão Pierre de Coubertin instituiu o lema “Altius, Citius, Fortius” – Mais alto, mais rápido, mais forte. Através de recordes e performances pode-se avaliar o ápice que um ser humano pode atingir em uma prova de corrida, de salto ou de força. É importante verificar os resultados e compará-los com os Jogos anteriores e prognosticar onde podemos chegar.

Dois anos para tudo o que deve ser feito não são nada. Dessa maneira, neste 2014, embora com uma Copa em curso, devemos iniciar os trabalhos para os Jogos Olímpicos. Estes devem também entrar para a ordem do dia. Apesar do “estouro” de todos os orçamentos da Copa do Mundo de Futebol, os primeiros recursos para as arenas e locais de treinamento de 33 modalidades devem começar já.

 

NO PÉ

Olimpíadas

O leitor deve ter observado que nós não utilizamos neste artigo a palavra “Olimpíadas”. Ela não substitui a denominação “Jogos Olímpicos”. Olimpíada é uma unidade de tempo, um termo ligado à cronologia. Corresponde ao período de quatro anos entre um “Jogos Olímpicos” e o seguinte. Nos anos de 1940 e 1944 não houve Jogos Olímpicos, mas contaram como Olimpíadas.