Presidente do COI é um “gentleman”

AFP

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Esteve em visita ao Brasil o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, para avaliar os preparativos para 2016.

Esta era a segunda viagem à sede dos próximos Jogos Olímpicos. Na primeira vez, ele voltou seriamente preocupado com o atraso das obras, mas como homem educado não assumiu a posição agressiva do presidente e do secretário da FIFA em relação ao Mundial de Futebol, que, em idênticas circunstâncias, afirmaram que o Brasil merecia um pontapé nos “fundilhos”.

O presidente do COI desta vez mostrou-se muito bem impressionado com o avanço dos trabalhos em todas as áreas envolvidas pelo maior certame esportivo do mundo e expressou sua confiança em que tudo ficará pronto a tempo.

Em reunião de duas horas com a presidente Dilma, ele recebeu a garantia que o Governo Federal vai assumir despesas no valor de 100 milhões de reais e responsabilidades como fornecimento de energia durante o período dos Jogos, isto é, que não vai haver “apagão”. Thomas Bach também recebeu a promessa de que competidores, dirigentes e turistas de mais de duzentos países receberão plena garantia de segurança. As polícias Federal, Estadual e Municipal estarão unidas para que não ocorra qualquer incidente que venha empanar o brilho da competição e a imagem do nosso país no exterior.

Brincando, ele disse que o primeiro atleta que chegar para competir vai cumprimentar o último operário que, terminando seu trabalho, estará deixando a obra de um dos locais das quarenta modalidades que estão na programação dos Jogos.

 

NO PÉ

 

Já escrevemos este conceito várias vezes em nosso Blog, mas sentimos sempre vontade de repetir o emprego errôneo da palavra “Olimpíadas”.

“Olimpíadas” não é sinônimo de Jogos Olímpicos e sim uma unidade de tempo, é o espaço de quatro anos entre dois Jogos. É o mesmo que quadriênio. Mesmo assim, erradamente lemos e ouvimos o emprego do termo nos principais veículos de comunicação de nosso país e do exterior.

 

Tomie Ohtake e o Esporte

O falecimento de Tomie Ohtake, que repercutiu de forma intensa em todos os setores de nossa sociedade, chegou até a área do esporte. Eu a conheci no limiar dos anos 50, quando fui sócio de Kanichi Sato em um curso de férias de natação, (provavelmente o primeiro de São Paulo) que funcionava na piscina do colégio Rio Branco. Entre as múltiplas funções que exerci na vida, esteve a de ensinar a nadar.

Tomie, que estava ainda nas primeiras obras de sua carreira, levava seus dois filhos Ruy e Ricardo para dar as suas primeiras braçadas, onde assistia embevecida as aulas nas bordas daquele natatório. Ninguém chamava o Ricardo pelo nome, mas pelo apelido Cáo. Ambos figuram hoje entre os arquitetos de maior prestígio em nosso país.

Foi com Ruy que mantive o maior contato. Ele tornou-se dirigente da Liga Aquática Colegial e, juntamente com Hiroo Sato (filho de Kanichi Sato), já falecido, e Antonio Hori lançaram o boletim “Vida Aquática”, noticiando tudo sobre a natação nas escolas.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Ruy Ohtake, filho de Tomie Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Neste período da vida Ruy frequentou A Gazeta , onde eu já trabalhava no início de minha carreira jornalística. Levavam informações e queriam “dicas” da minha profissão. Em uma ou outra ocasião, cruzava-me com Ruy e ele me contava novidades de sua gloriosa carreira e também me dava notícias de sua mãe, sempre ativa.

Até hoje, quando contemplo o monumento de Tomie, na Av. 23 de Maio, logo após a Beneficência Portuguesa, eu digo para mim ( e continuarei dizendo): “ela é minha amiga!”

Meu convívio com Ricardo foi menor. Ambos escrevemos um livro sobre o Rio Tietê, mas de ângulos diferentes. Nunca conversamos sobre o assunto.

Este artigo tem a finalidade de homenagear a principal pintora e arquiteta de nossa geração e, mais uma vez, mostrar que o esporte é a melhor maneira de se manter uma amizade.

Civismo no Hino Nacional

Foto: AFP

Foto: AFP

Não é a primeira vez que voltamos ao tema do Hino Nacional no início das partidas de futebol. Quando as câmeras focalizavam a abertura do jogo do qual participou o time colombiano Once Caldas, ficamos impressionados com o fervor patriótico com que os jogadores cantavam o hino de seu país, com as mãos no peito e soltando a voz. Naquele ato, estava sendo prestada uma verdadeira homenagem à nação, externando uma grande amizade à terra em que nasceram.

Em atitude digna de aplauso, a Confederação Brasileira de Futebol (e a de muitas outras modalidades) além da maioria das federações estaduais também instituíram a execução do Hino Nacional antes das partidas de seus campeonatos. É na interpretação do hino que se nota a grande diferença entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Bem menos de cinquenta por cento canta como ele deveria ser cantado (boca prá fora e bem alto). A maioria apenas balbucia ou fica totalmente em silêncio, numa atitude despida de civismo.

Trata-se indiscutivelmente de uma atitude de desvalorização do Brasil, ou de ignorância da letra por falta de escolaridade.

Os gestores dos clubes ou os próprios técnicos poderiam ensaiar a música que representa a nossa nação e fazer de cada time um coro que, indiscutivelmente, irradiar-se-ia para as arquibancadas, contribuindo para melhorar a disciplina em campo e fora dele. O dirigente que assumir esta atitude em favor do nosso hino marcará para sempre a sua gestão.

Civismo faz bem para o esporte e para a nossa própria pátria, é um índice de civilização.

 

E os Jogos Olímpicos?

Divulgação

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Quem acompanha a divulgação dos temas ligados à atividade esportiva nos veículos de comunicação impressa e eletrônica deve estar notando a carência de notícias sobre os Jogos Olímpicos.

Parece que o maior evento do esporte mundial (que será sediado pelo Brasil) está marcado para daqui algumas décadas, quando apenas um ano e meio nos separam da data em que atletas de mais de duzentas nações estarão desfilando no Maracanã.

Este mega evento reunirá competidores de mais de quatro dezenas de modalidades. Somente contar como vai o preparo das equipes nacionais em cada uma delas já daria para preencher o espaço de um jornal inteiro.

A veiculação da Copa São Paulo de Futebol Junior, realizada com sucesso espetacular e a participação de mais de 100 equipes, cujos destaques poderão ser aproveitados para disputar os Jogos Olímpicos excepcionalmente foi muito boa. Como se sabe, há o limite de 23 anos para a participação na Olimpíada, com a permissão de apenas três acima da faixa etária.

Também a disputa Sub-20, que se efetua atualmente no Uruguai, tem servido de instrumento para a avaliação do nível técnico da seleção que nos defenderá no futebol no certame olímpico do Rio de Janeiro.

Abrindo um parênteses, achamos que é preocupante a atuação da seleção brasileira no torneio de jovens em Montevidéu. Daqui 18 meses, serão eles a esperança de mais de 200 milhões de brasileiros na conquista do título olímpico.

O anonimato que agora criticamos na divulgação dos Jogos Olímpicos inclui os informes sobre os principais atletas de todo o mundo, que estarão em nosso país lutando para chegar ao mais alto degrau da escada da eficiência esportiva. Já começou o momento para a discussão das perspectivas de quem ganharia as medalhas de ouro, prata e bronze, que perpetuariam por toda a vida a glória de quem vier a conquistá-las.

Todas estas disputas estão muito próximas de acontecer e o noticiário da mídia está concentrado na singela transferência de jogadores modestos entre os times de futebol e outros temas de interesse secundário.

Chegou a hora de entusiasmarmos o público, principalmente a juventude, para assuntos que fujam do dia a dia do futebol.

Estamos no momento de ampliar a escala de valores de nossa sociedade, diversificando a divulgação olímpica e a de modalidades que merecem ser valorizadas.

2015 – Amigos perdidos

Em começo de ano cheio de notícias de falecimentos de amigos meus, tenho que acrescentar mais um: o de Paulo Roberto Lobo Leandro, especialista em TV com importantes passagens pelas emissoras Tupi, Globo, Bandeirantes e Cultura. Ele faleceu de uma doença do aparelho digestivo, aos 67 anos.


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Paulo Roberto Lobo Leandro tinha sido um destacado aluno meu na década de sessenta no Colégio Estadual Prof. Macedo Soares. Seu espírito participativo, revelado nas sessões de Educação Física, deve tê-lo levado a um grande êxito profissional.

Neste 2015 já perdi quase uma dezena de amigos e ex alunos, entre eles Haroldo de Melo Lara e Alcina Carneiro da Silva, ambos da modalidade de natação.

No final dos anos 60, ainda recém formado, fui técnico de natação da seleção de Santos, campeã dos Jogos Abertos do Interior de 1963. Alcina foi várias vezes campeã santista e Lara foi o primeiro santista a baixar um minuto nos 100 metros livres. Ele tornou-se um grande tenor lírico, com o mesmo nível com que fora nadador. Vivia na Itália, onde as oportunidades que tinha no mundo lírico eram maiores. Visitando o Brasil para as festas de fim de ano, foi acometido por um AVC, deixando milhares de admiradores.

No Panathletismo, entidade internacional em favor do esporte ético, à qual eu me dedico há 40 anos, também perdemos Célio de Angelis Nunes de Assis, o Celinho, de Taubaté, e Silvio Silva Sampaio, ex professor do Colégio Alarico da Silveira, da Barra Funda.

Minha longa carreira ligada ao esporte, à educação esportiva e ao jornalismo levou-me a uma grande e estimada coleção de amigos, cuja perda dói muito, mesmo com alguns deles vivendo distante de mim no espaço e no tempo.

 

Pacaembu é inalienável

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com a construção pelo Corinthians da arena de Itaquera e com o Palmeiras tendo reformado o seu campo no Parque Antártica, ressurge a triste notícia que o poder municipal pretende privatizar, isto é, vender o Pacaembu.

Eu discordo completamente desta ideia, nascida provavelmente da crise econômica que assola os poderes públicos.

O Pacaembu tem uma história da qual a cidade não pode abrir mão. Foi a sede de grandes espetáculos desde a sua fundação, em 1940. Aconteceram lá o desfile inaugural e as principais disputas de natação, atletismo, tênis, basquete e vôlei dos IV Jogos Desportivos Pan-americanos. Durante décadas o Pacaembu foi o teatro das finais dos Jogos Colegiais, com demonstrações de educação física e também foi sede da Escola Superior de Educação Física, mais tarde incorporada à Universidade de São Paulo.

Atualmente o estádio dos paulistas não é utilizado somente para grandes jogos. Ele pertence à população da cidade, que utiliza suas instalações para a prática de atletismo, natação, tênis, basquete, vôlei e outras modalidades.

Se o nosso estádio histórico permanecer nas mãos da municipalidade ele servirá para jogos em que não intervenham os clubes que já possuam suas arenas.

A mim, pessoalmente, a desmunicipalização do estádio causa uma grande desilusão. Creio que sou um dos poucos esportistas vivos que participaram do desfile inaugural daquele estádio. Como nadador do CR Tietê, integrei o grupo de seus militantes para representá-lo. Quando a Escola Superior de Educação Física de São Paulo funcionou naquele local, fiz todo o meu curso naquela casa do esporte. Nos Jogos Pan-americanos de 1963, como membro do conselho técnico da entidade que hoje seria a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, e como presidente da Federação Paulista de Natação, comandei a realização daquela Olimpíada das Américas.

Foi no Pacaembu que milhares de japoneses e descendentes asiáticos choraram durante a visita dos Peixes Voadores ao Brasil. Foi a primeira vez em que o hino nacional nipônico foi executado, após uma década do rompimento de relações diplomáticas causadas pela II Guerra Mundial.

O Pacaembu é um patrimônio público, até recentemente enriquecido neste aspecto como propriedade de nossa comunidade.

É uma imprudência deixar nas mãos de pessoas despreparadas a alienação de um patrimônio que representa a cultura da população de São Paulo. O Pacaembu é um bem cultural de nosso povo.

 

Jogos Olímpicos – só com fiscalização

Alex Ferro/Rio 2016

Alex Ferro/Rio 2016

A um ano e meio dos próximos Jogos Olímpicos, o Brasil vai enfrentar as mesmas vicissitudes que antecederam o Mundial de Futebol, pioradas pelo agravamento da situação econômica do país, além da perda de confiança na maioria dos dirigentes que terão a missão de gerenciar a maior competição esportiva do mundo.

É verdade que entre os dois eventos ocorreu um acontecimento que alterou a problemática que os Jogos Olímpicos vão enfrentar. Foi a realização das eleições presidenciais, o que trouxe mais transparência ao nosso país: vieram à luz fatos que demonstram o tsunami de corrupção que arrasou a economia e a imagem interna e externa do Brasil.

Logo após o pleito eleitoral começaram a ser divulgados casos de escândalos que mostram a existência de uma roubalheira coletiva. Onde houvesse obra pública havia desvio de recursos, suborno e apropriação indébita que comprometiam o desenvolvimento de todas as áreas da administração pública e de muitas empresas privadas. Denúncias como as da “Operação Lava Jato”, feitas pela Polícia Federal, puseram o conceito das empreiteiras no chão. Os órgãos públicos tornaram-se corruptores e corrompidos, deixando uma migalha da arrecadação destinada para os serviços essenciais de que necessita uma nação. Um exemplo é o de nossas estradas e outras vias, tão precárias que o transporte até o porto de um quilo de soja e outros grãos produzidos no oeste custa o mesmo que sua produção em si.

O que aconteceu com a Petrobrás envergonhou o Brasil, passou a ser o símbolo nacional da falta de escrúpulo. O que deveria ser a nossa fonte de recursos passou a ser a maior fonte de despesas do orçamento nacional.

Também no esporte tivemos exemplos semelhantes como nos Jogos Pan-americanos de 2007, orçados em 386 milhões, quando se gastou 3,5 bilhões, ou seja, 10 vezes mais, e as instalações construídas já estão obsoletas ou inúteis.

Para os Jogos Olímpicos, que vão trazer ao Brasil dirigentes, jornalistas, atletas e turistas de mais de 200 países, os governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, após reunião sigilosa, anunciaram que não colocarão nenhum tostão do dinheiro governamental para a realização do evento. Tudo deve sair da iniciativa privada, fato que cria uma situação ultrapreocupante.

Os Jogos Olímpicos estão orçados em sete bilhões e a atual crise econômica que atravessamos está afastando os potenciais investidores. Resta-nos, porém, um ângulo favorável para os Jogos. Foi nomeado Ministro da Fazenda Joaquim Levy, reconhecido unanimemente como um “não corrupto”. A ampla divulgação que os veículos de comunicação estão dando às falcatruas do governo também vai inibir os gestores administrativos dos próximos anos a pensar duas vezes antes de aderir à corrupção.

Tudo faz crer que vai-se optar pela redução de gastos e zelo específico em fiscalização de todos os recursos advindos, até os de patrocínios e donativos. Os próprios patrocinadores deveriam também ser transformados em órgãos controladores.

O Comitê Olímpico Internacional não virá com a mesma volúpia por lucros como ocorreu com a FIFA na Copa do Mundo. O COI demonstra ser uma entidade mais idônea do que a responsável pelo futebol, fato que ajuda a tornar viável a realização dos Jogos que muitos consideram hoje praticamente impossíveis.

O interesse que os Jogos Olímpicos despertam é enorme: a diversidade de modalidades envolvidas será um atrativo que arregimentará públicos tão grandes quanto os do futebol pela soma de universos a serem abrangidos.

O novo clima resultante das eleições poderá poupar o esporte brasileiro de mais um vexame. O fator que pode tornar os Jogos Olímpicos na grande festa projetada há dois anos será a fiscalização: usar o escasso dinheiro dos Jogos nos próprios Jogos.

 

Natação – somos os melhores do mundo!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O último dia 7 foi o mais glorioso da natação brasileira desde que o esporte aquático começou a ser praticado de forma organizada em nosso país.

O Brasil sagrou-se campeão mundial de natação em piscina curta (25 metros), em campeonato realizado na cidade de Doha, no Catar, fato que consagrou o nosso país como um dos mais poderosos na modalidade aquática.

Conquistamos sete medalhas de ouro contra seis da Hungria. Os Estados Unidos, que sempre lideraram a modalidade, não passaram do oitavo posto, embora tivessem obtido uma quantidade majoritária de pratas e bronzes. Em natação, como na economia, o ouro tem maior valor.

Nestes sete ouros estão incluídos dois recordes mundiais: no revezamento 4 x 50 medley masculino (1m30s51), e o de Etiene Medeiros, com 25,67 nos 50 metros, nado de costas.

Felipe França conquistou 5 dos 7 ouros que ganhamos e foi o maior vencedor do Mundial. Ele participou, juntamente com Guilherme Guido, Marcos Macedo e Cesar Cielo, do revezamento 4 x 100, quatro estilos, que marcou nossa consagração.

Aos poucos, o Brasil vai fixando o seu prestígio em diversas modalidades esportivas, tudo indicando que seremos protagonistas e não expectadores nos Jogos Olímpicos de 2016 que serão efetuados em nosso país.

O triunfo de Doha marcou o autor desta coluna que teve sua vida muito ligada à natação. Seus primeiros contatos com os esportes aquáticos foram no início da década dos anos 30, quando o CR Tietê não havia ainda construído a sua piscina. Na época, nadava-se em “cochos”, caixas correspondentes a quadriláteros de madeira mergulhados no rio. A piscina do Tietê foi inaugurada somente em 1934. Fomos um nadador tecnicamente medíocre, mas participamos das Travessias de São Paulo a Nado de 1939, 40, 41, 42 e 43. Em 1944 elas foram desativadas: João Havelange havia adquirido “tifo negro” em 1943, após vários triunfos a partir de 1936.

Fomos presidente da Federação Paulista de Natação em duas ocasiões e membro do conselho técnico de esportes aquáticos da CBD, entidade eclética que dirigia várias modalidades, inclusive o futebol e naturalmente a CBF. Este Conselho tinha a função da atual Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

Existem cronistas que têm preferências por clubes. São os são-paulinos, corintianos, palmeirenses, santistas etc. Nós também somos partidários, não de clubes, mas da natação, razão de minha alegria com estas sete medalhas de ouro.

 

A importância do verbo querer

Fernando Torres/Paysandu

Fernando Torres/Paysandu

Na profusão de transmissões que a TV nos ofereceu no último sábado, eu escolhi assistir ao encontro entre Paysandu e Macaé, na decisão do Campeonato da terceira divisão.

Quando as câmeras deram várias tomadas do público presente, que chegava a 40.000 espectadores, eu senti a confirmação arraigada das minhas convicções há mais de meio século, e que serão o objeto do meu livro ainda em elaboração.

Dezenas de vezes já escrevi que “na pirâmide do esporte a altura do vértice técnico depende da extensão da base quantitativa”. Quanto maior for o número de praticantes de uma modalidade esportiva, maior a possibilidade da revelação de talentos que atingirão o nível internacional. Esta generalização dos esportes em toda a população corresponde ao primeiro degrau de uma escada que leva ao pódio olímpico.

Os nossos gestores do esporte e até os veículos de divulgação estão sempre olhando para o alto, para o firmamento, não dando a merecida importância às categorias intermediárias que levam ao topo, ao destaque mundial.

No futebol, por exemplo, torneios Sub-20 ou Sub-17 (juvenis e infantis), certames nacionais da terceira e da quarta divisões, ou mesmo de campeonatos municipais (efetuados em pelo menos mil municípios brasileiros, sem contar os times de várzea), representam uma infraestrutura que poucos países possuem. O esporte brasileiro dará um passo à frente no momento em que um presidente da CBF se dignar a entregar a taça de campeão ao vencedor de um torneio municipal.

Este princípio não é aplicável somente ao futebol, mas à quase uma centena de outras modalidades. Os praticantes que não se destacarem pelo talento técnico aproveitar-se-ão dos benefícios que as atividades físicas trazem para a saúde e os esportes para a educação, a solidariedade e o fair play. É dessa camada que saem os dirigentes, os espectadores, os árbitros e todo o universo vinculado à regência do esporte.

O grande espetáculo oferecido neste último sábado no norte do país, o jogo entre Macaé e Paysandu, mostrou que tudo isto é possível. Falta somente os gestores começarem a conjugar o verbo “querer”.

NO PÉ

Confirmando a tese defendida neste blog, o Macaé vai entrar na série B do Brasileirão, acimentando o “peso específico”. Vai aparecer mais vezes na televisão e estimular a frequência da população de sua região aos estádios no certame de 2015. Seus jogadores valerão mais e o aporte financeiro será muito maior. O mesmo se pode dizer também do CRB, do Mogi Mirim e do próprio Paysandu que já jogaram em divisões mais evoluídas do futebol brasileiro.

Os clubes de prestígio, quando são rebaixados, não perdem tanto. Tornam-se estrelas da divisão logo abaixo. Vejam o exemplo do Vasco da Gama que, lotando com sua torcida várias vezes o Maracanã, recebeu mais divulgação na série B do que se estivesse na A.

 

O Jatene esportista

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Os jornais de sábado passado, dia 15 de novembro, ao lado das cotidianas notícias sobre a economia do país, escândalos da Petrobrás, descrédito do Governo e leniência do judiciário, trouxeram mais uma péssima notícia, estarrecedora para nossa população escolarizada: faleceu Adib Jatene, um dos maiores nomes da medicina do Brasil. Ele morreu do coração, órgão ao qual se dedicou desde o início da sua carreira. Foi o primeiro cirurgião a usar a ponte de safena, além de ter utilizado outras inovações na área médica. Pertenceu à equipe de Zerbini, autor do primeiro transplante de coração no Brasil.

Adib nasceu em Xapuri, no Acre, e chegou a Ministro da Saúde, Secretário Estadual da Saúde, e fundador do INCOR, que leva seu nome.

Todos os jornais dos dias 15 e 16 foram pródigos em relatar brilhantes fatos de sua vida, quer na medicina quer na política. Entretanto, não encontramos referências à sua presença no esporte.

Adib chegou a ser vice-campeão brasileiro de remo nos “out-rigger” a dois sem patrão. Seu colega de guarnição era Miguel Zuppo, também médico. Defendiam o Esperia. Naturalmente, nas MAC-MEDs, em provas de remo, eram ponto certo para a MED. Adib Jatene foi associado do Pinheiros, onde se dedicou ao basquete e ao vôlei. O futebol de salão era praticado no campo do Hospital Dante Pazzanese.

Seu filho Fábio, também médico, foi um voleibolista de prestígio, galgando o time principal do clube da Rua Tucuman. Adib se interessava tanto pela eficiência de seu filho que chegava, no período do almoço, a dar treino específico e individualizado para ele. Isto, naturalmente, sem descuidar de sua carreira médica.

É para nós um fato altamente gratificante poder acrescentar à biografia de um dos maiores nomes da história médica de nosso país o seu lado esportivo. É mais um tema para que a atividade física esteja na escala de valores da população, trazendo benefícios para jovens e adultos.