Neste mês de maio, muitos fatos referentes a um mesmo conteúdo, por uma coincidência inédita, acumularam-se em minha agenda. São temas ligados à idoneidade no esporte, ao fair play e às críticas bastante contundentes à invasão antiética do dinheiro na atividade esportiva.
Ainda no último dia 10, contemplamos com grande satisfação o XV de Piracicaba ser premiado com o Troféu Fair Play e com o título de Campeão Paulista da Disciplina. Foi uma iniciativa resultante de uma parceria da Federação Paulista de Futebol com o Panathlon Club São Paulo, filiado ao Panathlon International.
O “Nho Quim” conquistou o troféu e o diploma correspondente ao ser a equipe que recebeu o menor número de pontos perdidos durante a fase de classificação do Campeonato Paulista. O critério prevê a perda de 1 ponto para cada cartão amarelo e 3 pontos por cartão vermelho. Na mesma cerimônia, o técnico Estevam Soares recebeu um diploma, como reconhecimento da função educativa desse tipo de profissional na disciplina de uma equipe. O bom comportamento dos jogadores enriqueceu a galeria do XV este ano com um significativo prêmio.
A equipe mais violenta, o Guaratinguetá, foi rebaixada para a Série A2.
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A antítese desta vitória da boa conduta é acompanhada de perto pela mídia impressa e eletrônica que, a cada edição, noticia diariamente fatos que agridem a ética, como o superfaturamento de obras, negociações escusas, dirigentes que recebem altos salários e até aposentadoria, quando a boa ética prevê um trabalho voluntário. Os atuais confrontos do Brasil com a FIFA em relação aos interesses econômicos da próxima Copa do Mundo são vergonhosos, dentro dos princípios que devem orientar o esporte em todos os continentes.
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Talvez pela presença de todos estes problemas, além do racismo vigente no futebol europeu e da agressividade entre as torcidas (que aumenta preocupantemente em todo o mundo), o Panathlon International escolheu para o seu próximo congresso, programado para 18, 19 e 20, em Siracusa, na ilha da Sicilia, o tema “Integridade no Esporte”. Assunto que será debatido por representantes de mais de duas dezenas de países, principalmente da Europa, América Latina e África.
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Para grande satisfação pessoal, fui convidado para ser um dos cinco expositores deste congresso, que acontecerá na terra em que nasceu o matemático Arquimedes. Neste trabalho, já redigido, defendo com ênfase o esporte como instrumento educativo. Que haja uma união de todos os países para que o comportamento ético venha a integrar a escala de valores de todos os povos. Acrescento também que o nosso país será anfitrião de dois dos maiores eventos esportivos internacionais, no período de quatro anos – Mundial de Futebol e Jogos Olímpicos – e estará no centro das atenções de todo o mundo. Mais do que nunca, o Brasil precisa de um comportamento idôneo dos dirigentes dos órgãos governamentais, dos dirigentes esportivos, da polícia e da população. Nossa imagem estará exposta à crítica dos meios de comunicação de mais de 200 países que nos visitarão em cada um destes dois mega eventos.
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Para completar a defesa do esporte ético, no mesmo dia 10 de maio, quando o XV era homenageado, o Santos FC ganhava por 8 a 0 do Bolívar. Este clube tinha sido protagonista, no jogo efetuado em seu campo, na primeira partida, de uma brutalidade que entrará na história do futebol sul-americano. Não revidar a agressão e jogar esportivamente talvez seja a conduta mais recomendável e responsável por aquele placar tão dilatado. Creio que, de agora em diante, times que queiram fazer da violência uma tática para a vitória venham a pensar duas vezes antes de fazê-lo.
Maio está sendo, mesmo, o mês da ética.
O “Estadão”, visando criar desde já uma atmosfera de interesse para os Jogos Olímpicos de 2016, está publicando aos domingos um caderno sobre cada modalidade. Fala naquelas páginas das possibilidades de nossos atletas para o evento programado para o Rio de Janeiro e conta um pouco da história de cada esporte olímpico.