A escolha de Ana Moser

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Acredito que os recursos governamentais e da iniciativa privada serão melhor aproveitados para os próximos Jogos Olímpicos do que os do Pan-americano de 2007 e do último Mundial de Futebol, quando houve desvios das finalidades para as quais a verba fora destinada. Nestes eventos, constatou-se um aumento desmesurado do orçamento inicial.

A atmosfera que reina neste momento no Brasil, em que políticos, membros do Governo e das empreiteiras estão sendo presos ou alvo de pesadas acusações de corrupção, sem dúvida, irá colocar em risco de difamação e prisão quem tiver a intenção de se aproveitar do minguado orçamento destinado aos Jogos Olímpicos, que serão realizados pela primeira vez na América Latina. Existem muitas autoridades do Judiciário, do Legislativo e do próprio Executivo de olhos bem abertos, observando os gestores das diversas áreas envolvidas pelos Jogos.

Nestas áreas surgiu uma grande polêmica sobre quem ocuparia a APO, entidade suprema entre todos os setores envolvidos com os Jogos, ou seja, municipais, estaduais e federais. A esportista Ana Moser recebeu uma pré-indicação. Com ela, a fiscalização da aplicação dos recursos seria confiável, pois sua reputação de idoneidade é inatacável.

Seu nome vem recebendo alguma restrição em certas áreas, mas nós não acreditamos que seja por questão de acesso às verbas, mas causada por vaidades. Muitos políticos municipais, do Estado ou do próprio Governo Federal, além dos gestores do Comitê Olímpico Nacional, gostariam de se arvorar em “donos dos Jogos Olímpicos”.

A questão ainda não está resolvida, mas perder Ana Moser seria desperdiçar o pouco de credibilidade que existe para organizar o maior evento esportivo do mundo, que atrairá milhões de visitantes de 205 países e a presença de todos os veículos de divulgação dos cinco continentes.

Magnífica conferência de Nádia Campeão

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Estivemos ontem na abertura do V Seminário “Esporte, Atividade Física e Saúde”, efetuado na sede da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e realizado pela mesa diretora dessa entidade e pela Comissão de Assuntos Esportivos, uma iniciativa do Deputado Enio Tatto com apoio do Panathlon e da Secretaria Estadual de Esportes.

Foi uma sessão prestigiada por altas autoridades, que teve como ponto máximo a conferência da vice-prefeita Nádia Campeão sobre os Jogos Olímpicos do próximo ano.

Seu pronunciamento foi extraordinário, abrangendo todos os aspectos referentes ao evento que teremos em 2016, não deixando de fora nada que não fosse relevante. O lado econômico do certame, o andamento das obras onde serão efetuadas disputas de 42 modalidades esportivas, as instalações urbanísticas necessárias para a mobilidade de competidores e turistas de 205 nações participantes e a imagem que os Jogos deixarão do Brasil no exterior.

Os aplausos do auditório corresponderam aos méritos da apresentação. Vários minutos de um público que se colocou em pé para demonstrar seu agrado.

Este seminário prosseguirá hoje, amanhã e dia 16 deste mês, das 8:30 às 18 horas, em vários recintos do conjunto da Assembléia Legislativa.

Na sessão de encerramento, falará o Prof. Dr. José Martins Filho, Ex-Reitor e Prof. Titular Emérito da UNICAMP, sobre “Estresse tóxico precoce e saúde em crianças e adolescentes”.

Logo depois haverá a entrega de certificados aos que frequentaram o curso.

Mancada nossa

Tiramos do blog a crônica “A nossa Olimpia”. Demos uma mancada. Pensamos que o nome da cidade de Olimpia fosse uma homenagem ao berço dos Jogos Olímpicos, conforme publicamos em 23/03/15.

Fomos, porém, alertados pelo nosso leitor Angelo Cuzzolin que a origem da denominação era outra.

Vejam a mensagem que eu recebi:

“Caro amigo, legal suas idéias, porém o Município de Olímpia tem esse nome por uma homenagem do seu fundador a sua filha Maria Olímpia. Abraço.

Angelo Cuzzolin”

Jogos Olímpicos – Diversificação cultural

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil vai trazer grandes vantagens para o nosso esporte. Uma delas é a diversificação de disputas programadas para o maior certame esportivo do mundo, com algumas modalidades pouco conhecidas de nosso público.

A competição programada para o Rio de Janeiro contará com vários eventos nas modalidades de:

  • Atletismo
  • Basquetebol
  • Boxe
  • Canoagem
  • Ciclismo
  • Esgrima
  • Futebol
  • Ginástica
  • Golfe
  • Halterofilismo
  • Handebol
  • Hipismo
  • Hóquei sobre grama
  • Judô
  • Lutas
  • Nado sincronizado
  • Natação
  • Pentatlo moderno
  • Polo aquático
  • Remo
  • Rugby
  • Saltos ornamentais
  • Taekwondo
  • Tênis
  • Tênis de mesa
  • Tiro
  • Tiro com arco
  • Triatlo
  • Vela
  • Voleibol

A reunião de modalidades até então praticadas por minorias estará introduzindo novas culturas entre nós, fato que constitui um índice a favor de nosso esporte e uma contribuição para nosso índice de civilização. Passaremos da mono à policultura.

É verdade que em março de 2015 já deveríamos ter detonado a realização das competições pouco praticadas entre nós. Os meios de comunicação já deveriam estar plenos de notícias sobre esses esportes, a fim de que em todos os locais onde, no ano que vem, eles estejam sendo disputados, as competições não sejam acompanhadas exclusivamente por um público composto pelos estrangeiros.

A diversificação esportiva será mais uma herança que os Jogos Olímpicos deixarão para a nossa pátria. Nesta altura dos acontecimentos, a pouco mais de um ano do desfile inaugural, deveríamos estar em plena atividade olímpica. Lamentavelmente, o brasileiro deixa tudo para a última hora.

É verdade que a situação econômica nacional é bastante preocupante, a ponto de levar um milhão de pessoas à Avenida Paulista, em São Paulo, e mobilizar populares de 26 Estados e do Distrito Federal para reclamar contra quase tudo o que está ocorrendo. Felizmente, não vimos nenhum cartaz contra os Jogos Olímpicos, evento acolhido com simpatia pelos brasileiros, desejosos de abraçar esportistas de outras 205 nações.

O nome de Marcello

DivulgaçãoNa última sexta-feira, assisti pela televisão a um jogo de voleibol emocionante, entre SESI e Osasco. A peleja teve lugar nos redutos do SESI, ao qual o locutor se referia como Ginásio Vila Leopoldina.

Confesso o meu desapontamento em não ouvir, nem ao menos uma vez, o nome do patrono daquele ginásio, Marcello de Castro Leite, já falecido e que em vida foi um dos meus melhores amigos.

Marcello foi durante quase meio século diretor da Divisão de Esportes do SESI e, neste posto, deixou uma grande obra em favor do esporte do trabalhador. Ele levou ao apogeu os Jogos Esportivos Operários, que mobilizavam milhares de empregados das indústrias de São Paulo, além de desenvolver um ativo calendário que movimentava as principais modalidades esportivas paulistas.

Era de sua responsabilidade administrar a área de educação física e de esportes da rede de núcleos do SESI distribuída por todo o Estado de São Paulo.

Eu, no início de minha carreira jornalística, tive oportunidade de cobrir os Jogos Operários, aos quais A Gazeta Esportiva dava grande destaque.

Foi justíssima a atribuição do nome de Marcello de Castro Leite à unidade da Vila Leopoldina, assim como a atuação dos locutores que cobrem eventos naquela arena quando citam o nome de Marcello, a primeira pessoa que eu consultei se “topava” fundar o Panathlon Club São Paulo há quarenta anos.

Uma verdadeira amizade não termina nem com a morte.

Presidente do COI é um “gentleman”

AFP

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Esteve em visita ao Brasil o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, para avaliar os preparativos para 2016.

Esta era a segunda viagem à sede dos próximos Jogos Olímpicos. Na primeira vez, ele voltou seriamente preocupado com o atraso das obras, mas como homem educado não assumiu a posição agressiva do presidente e do secretário da FIFA em relação ao Mundial de Futebol, que, em idênticas circunstâncias, afirmaram que o Brasil merecia um pontapé nos “fundilhos”.

O presidente do COI desta vez mostrou-se muito bem impressionado com o avanço dos trabalhos em todas as áreas envolvidas pelo maior certame esportivo do mundo e expressou sua confiança em que tudo ficará pronto a tempo.

Em reunião de duas horas com a presidente Dilma, ele recebeu a garantia que o Governo Federal vai assumir despesas no valor de 100 milhões de reais e responsabilidades como fornecimento de energia durante o período dos Jogos, isto é, que não vai haver “apagão”. Thomas Bach também recebeu a promessa de que competidores, dirigentes e turistas de mais de duzentos países receberão plena garantia de segurança. As polícias Federal, Estadual e Municipal estarão unidas para que não ocorra qualquer incidente que venha empanar o brilho da competição e a imagem do nosso país no exterior.

Brincando, ele disse que o primeiro atleta que chegar para competir vai cumprimentar o último operário que, terminando seu trabalho, estará deixando a obra de um dos locais das quarenta modalidades que estão na programação dos Jogos.

 

NO PÉ

 

Já escrevemos este conceito várias vezes em nosso Blog, mas sentimos sempre vontade de repetir o emprego errôneo da palavra “Olimpíadas”.

“Olimpíadas” não é sinônimo de Jogos Olímpicos e sim uma unidade de tempo, é o espaço de quatro anos entre dois Jogos. É o mesmo que quadriênio. Mesmo assim, erradamente lemos e ouvimos o emprego do termo nos principais veículos de comunicação de nosso país e do exterior.

 

Tomie Ohtake e o Esporte

O falecimento de Tomie Ohtake, que repercutiu de forma intensa em todos os setores de nossa sociedade, chegou até a área do esporte. Eu a conheci no limiar dos anos 50, quando fui sócio de Kanichi Sato em um curso de férias de natação, (provavelmente o primeiro de São Paulo) que funcionava na piscina do colégio Rio Branco. Entre as múltiplas funções que exerci na vida, esteve a de ensinar a nadar.

Tomie, que estava ainda nas primeiras obras de sua carreira, levava seus dois filhos Ruy e Ricardo para dar as suas primeiras braçadas, onde assistia embevecida as aulas nas bordas daquele natatório. Ninguém chamava o Ricardo pelo nome, mas pelo apelido Cáo. Ambos figuram hoje entre os arquitetos de maior prestígio em nosso país.

Foi com Ruy que mantive o maior contato. Ele tornou-se dirigente da Liga Aquática Colegial e, juntamente com Hiroo Sato (filho de Kanichi Sato), já falecido, e Antonio Hori lançaram o boletim “Vida Aquática”, noticiando tudo sobre a natação nas escolas.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Ruy Ohtake, filho de Tomie Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Neste período da vida Ruy frequentou A Gazeta , onde eu já trabalhava no início de minha carreira jornalística. Levavam informações e queriam “dicas” da minha profissão. Em uma ou outra ocasião, cruzava-me com Ruy e ele me contava novidades de sua gloriosa carreira e também me dava notícias de sua mãe, sempre ativa.

Até hoje, quando contemplo o monumento de Tomie, na Av. 23 de Maio, logo após a Beneficência Portuguesa, eu digo para mim ( e continuarei dizendo): “ela é minha amiga!”

Meu convívio com Ricardo foi menor. Ambos escrevemos um livro sobre o Rio Tietê, mas de ângulos diferentes. Nunca conversamos sobre o assunto.

Este artigo tem a finalidade de homenagear a principal pintora e arquiteta de nossa geração e, mais uma vez, mostrar que o esporte é a melhor maneira de se manter uma amizade.

Civismo no Hino Nacional

Foto: AFP

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Não é a primeira vez que voltamos ao tema do Hino Nacional no início das partidas de futebol. Quando as câmeras focalizavam a abertura do jogo do qual participou o time colombiano Once Caldas, ficamos impressionados com o fervor patriótico com que os jogadores cantavam o hino de seu país, com as mãos no peito e soltando a voz. Naquele ato, estava sendo prestada uma verdadeira homenagem à nação, externando uma grande amizade à terra em que nasceram.

Em atitude digna de aplauso, a Confederação Brasileira de Futebol (e a de muitas outras modalidades) além da maioria das federações estaduais também instituíram a execução do Hino Nacional antes das partidas de seus campeonatos. É na interpretação do hino que se nota a grande diferença entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Bem menos de cinquenta por cento canta como ele deveria ser cantado (boca prá fora e bem alto). A maioria apenas balbucia ou fica totalmente em silêncio, numa atitude despida de civismo.

Trata-se indiscutivelmente de uma atitude de desvalorização do Brasil, ou de ignorância da letra por falta de escolaridade.

Os gestores dos clubes ou os próprios técnicos poderiam ensaiar a música que representa a nossa nação e fazer de cada time um coro que, indiscutivelmente, irradiar-se-ia para as arquibancadas, contribuindo para melhorar a disciplina em campo e fora dele. O dirigente que assumir esta atitude em favor do nosso hino marcará para sempre a sua gestão.

Civismo faz bem para o esporte e para a nossa própria pátria, é um índice de civilização.

 

E os Jogos Olímpicos?

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Quem acompanha a divulgação dos temas ligados à atividade esportiva nos veículos de comunicação impressa e eletrônica deve estar notando a carência de notícias sobre os Jogos Olímpicos.

Parece que o maior evento do esporte mundial (que será sediado pelo Brasil) está marcado para daqui algumas décadas, quando apenas um ano e meio nos separam da data em que atletas de mais de duzentas nações estarão desfilando no Maracanã.

Este mega evento reunirá competidores de mais de quatro dezenas de modalidades. Somente contar como vai o preparo das equipes nacionais em cada uma delas já daria para preencher o espaço de um jornal inteiro.

A veiculação da Copa São Paulo de Futebol Junior, realizada com sucesso espetacular e a participação de mais de 100 equipes, cujos destaques poderão ser aproveitados para disputar os Jogos Olímpicos excepcionalmente foi muito boa. Como se sabe, há o limite de 23 anos para a participação na Olimpíada, com a permissão de apenas três acima da faixa etária.

Também a disputa Sub-20, que se efetua atualmente no Uruguai, tem servido de instrumento para a avaliação do nível técnico da seleção que nos defenderá no futebol no certame olímpico do Rio de Janeiro.

Abrindo um parênteses, achamos que é preocupante a atuação da seleção brasileira no torneio de jovens em Montevidéu. Daqui 18 meses, serão eles a esperança de mais de 200 milhões de brasileiros na conquista do título olímpico.

O anonimato que agora criticamos na divulgação dos Jogos Olímpicos inclui os informes sobre os principais atletas de todo o mundo, que estarão em nosso país lutando para chegar ao mais alto degrau da escada da eficiência esportiva. Já começou o momento para a discussão das perspectivas de quem ganharia as medalhas de ouro, prata e bronze, que perpetuariam por toda a vida a glória de quem vier a conquistá-las.

Todas estas disputas estão muito próximas de acontecer e o noticiário da mídia está concentrado na singela transferência de jogadores modestos entre os times de futebol e outros temas de interesse secundário.

Chegou a hora de entusiasmarmos o público, principalmente a juventude, para assuntos que fujam do dia a dia do futebol.

Estamos no momento de ampliar a escala de valores de nossa sociedade, diversificando a divulgação olímpica e a de modalidades que merecem ser valorizadas.

2015 – Amigos perdidos

Em começo de ano cheio de notícias de falecimentos de amigos meus, tenho que acrescentar mais um: o de Paulo Roberto Lobo Leandro, especialista em TV com importantes passagens pelas emissoras Tupi, Globo, Bandeirantes e Cultura. Ele faleceu de uma doença do aparelho digestivo, aos 67 anos.


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Paulo Roberto Lobo Leandro tinha sido um destacado aluno meu na década de sessenta no Colégio Estadual Prof. Macedo Soares. Seu espírito participativo, revelado nas sessões de Educação Física, deve tê-lo levado a um grande êxito profissional.

Neste 2015 já perdi quase uma dezena de amigos e ex alunos, entre eles Haroldo de Melo Lara e Alcina Carneiro da Silva, ambos da modalidade de natação.

No final dos anos 60, ainda recém formado, fui técnico de natação da seleção de Santos, campeã dos Jogos Abertos do Interior de 1963. Alcina foi várias vezes campeã santista e Lara foi o primeiro santista a baixar um minuto nos 100 metros livres. Ele tornou-se um grande tenor lírico, com o mesmo nível com que fora nadador. Vivia na Itália, onde as oportunidades que tinha no mundo lírico eram maiores. Visitando o Brasil para as festas de fim de ano, foi acometido por um AVC, deixando milhares de admiradores.

No Panathletismo, entidade internacional em favor do esporte ético, à qual eu me dedico há 40 anos, também perdemos Célio de Angelis Nunes de Assis, o Celinho, de Taubaté, e Silvio Silva Sampaio, ex professor do Colégio Alarico da Silveira, da Barra Funda.

Minha longa carreira ligada ao esporte, à educação esportiva e ao jornalismo levou-me a uma grande e estimada coleção de amigos, cuja perda dói muito, mesmo com alguns deles vivendo distante de mim no espaço e no tempo.