“Por extensão”, organizadas de Corinthians e Palmeiras são banidas dos estádios do Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro baniu dos estádios fluminenses as torcidas Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde. Por determinação da 4a Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, os torcedores estão proibidos de levar às partidas instrumentos musicais, bandeiras, faixas, camisas ou qualquer objeto com símbolos das duas organizadas.

A medida foi tomada depois de 45 torcedores da Gaviões da Fiel terem sido presos em flagrante na cidade de Piraí/RJ, quando se dirigiam ao Rio de Janeiro para acompanhar o jogo entre Botafogo e Corinthians, no Engenhão (2-2). Na Via Dutra, a Polícia Militar apreendeu com o grupo objetos como barras de ferro, pedaços de pau e pedras que, segundo o MP, seriam usados para confrontar torcidas rivais. Foi instaurado inquérito para investigar o caso.

Se restou claro que o banimento da torcida corintiana serve como resposta ao incidente registrado no Rio, o mesmo não ocorre quanto ao afastamento imposto à Mancha Alviverde. Conforme noticiou o jornal O Globo, o MP teria atribuído “caráter preventivo” à punição imposta à agremiação palmeirense.

Segundo o promotor Pedro Rubim, existe “justíssima causa” para estender os efeitos da deliberação da Federação Paulista de Futebol (FPF) que afastou dos estádios paulistas as principais organizadas de Corinthians e Palmeiras.

O blog consultou o criminalista Rafael Maluf, que qualificou como surpreendente a ampliação territorial da decisão da FPF: “Sem entrar no mérito da legitimidade do ato da federação, é pouco usual que uma medida como essa seja tomada sem o crivo do Judiciário”, acrescentou o advogado.

Embora medidas isoladas sejam sempre bem recebidas pela opinião pública, e independentemente da atuação do MP neste caso, uma real solução para a violência no futebol depende de ações que reúnam representantes de diversos setores envolvidos no tema, como representantes de federações, clubes, juristas, MP e governo federal.