O técnico do Atlético-PR, Antônio Lopes, apesar de não ser psicólogo, nem especialista no assunto, utiliza duas ferramentas para tentar incentivar o grupo na luta para fugir da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Uma é o trabalho de motivação comandado por profissionais da área – que também não são psicólogos do esporte – e sim, aqueles animadores culturais típicos de cruzeiros marítimos. Outra é a experiência do próprio treinador e de membros da comissão técnica, como o preparador físico Riva Carli.
Pois bem – fala-se tanto em ansiedade, concentração e motivação (temas relacionados com a Psicologia) e nunca o profissional “psicólogo do esporte” é mencionado para atender tais demandas. O pessoal apela até para bingo com os jogadores. Normalmente a escala é essa mesma: muda o treinador – o resultado não vem. Muda de novo e chama um treinador que se auto denomina “psicólogo” e logo o sujeito cai sem dar explicações sobre esta grave afirmação. Chama o novo treinador – aí já com a corda no pescoço – muda jogadores, faz bingo, chama animadores culturais e motivadores. Depois disso, em geral, o caminho é subir os morros, procurar os orixás. No final, talvez, irão se lembrar que existem profissionais que atuam com os aspectos científicos da mente – preparados para esta função e desafio.
No entanto, é aí que mora o grande perigo e o maior acidente da Psicologia Esportiva: há psicólogos que ainda topam este tipo de roubada. Explico. Roubada porque este trabalho deve ser iniciado na pré-temporada junto com os exames físicos e início do aprimoramento das qualidades técnicas. Do contrário, o melhor é nem aceitar o convite. Não adianta entra em barco que já está quase afundando e que seus marinheiros apelam desordenada e superficialmente para todos os lados buscando uma solução para o caos iminente. O fortalecimento mental e emocional merece uma atenção digna e correta. Chamar malabaristas, circenses, promotores de festas infantis e coordenadores culturais não leva a nada.
Cordeiro, Lopes, Riva e vários profissionais dançando num quarto escuro – batendo cabeça e atestando, mais uma vez, a total falta de conhecimento e modernidade no treinamento esportivo. Afinal, palestrinhas e reuniões – para estes (e tantos outros) senhores parece resolver o caminho que poderia ser trilhado de forma correta e consistente.
Próximo número? 22 – dois patinhos na lagoa…





