Por que há hipnólogos no futebol?

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Historicamente, o futebol é a modalidade que mais resistência demonstrou diante dos avanços da ciência e da efetividade dos métodos empíricos e funcionais.

A nutrição, por exemplo, passou a ser valorizada nos clubes a partir de meados da década de 90. Até então, a tia da cozinha fazia o feijão preto e era o que havia para o momento. Treinadores acumulavam cargos de preparadores físicos e a parte psicológica simplesmente inexistia. Com o tempo, esse panorama começou a mudar.

No entanto, hoje no Globo Esporte, foi reforçado o trabalho de um hipnólogo que está atuando na Portuguesa de Desportos com o intuito de evitar a queda do time para a série C. Um bloco inteiro falando do tal hipnólogo de entretenimento – portanto, NÃO CLÍNICO – e o desespero da Lusa para não ser rebaixada novamente esse ano. Depois de sua chegada, o time perdeu todos os jogos – aliás, nada diferente do que acontecia antes de sua chegada na instituição.

Depois dos últimos absurdos que associaram a “Psicologia” – com todas as aspas possíveis e imagináveis – com o futebol, fica a questão: “o futebol estaria preparado para receber os novos recursos modernos e científicos já desenvolvidos em diversos países e com sucesso comprovado na prática?”.

Por hora e infelizmente, a resposta é “não”.
No futebol – não é possível pensar o atleta e o treinamento esportivo de forma inter e multidisciplinar. Dirigentes e treinadores ainda vivem a dinastia cartesiana em que há a cisão (dicotomia) mente/corpo. Médicos para um lado – psicólogos (ou “psicólogos”) do outro. Até quando esse quadro permanecerá ativo no futebol? A questão é complexa e exige uma compreensão sociocultural e histórica no Brasil.

Por enquanto, o recipiente que comporta “trabalhos psicológicos” no futebol não ultrapassa os limites das artes circenses – dos animadores culturais e dos cultos evangélicos chamados – equivocada e perigosamente de “coaching esportivo”.

Métodos modernos como o biofeedback e neurofeedback – além da concepção de que psicólogos do esporte devem ser bem formados e informados para atuar ao lado médicos, treinadores, preparadores físicos e demais profissionais da saúde dos atletas – são espaços que devem ser abertos através de trabalhos sérios, com ética e respeito diante das modernas e atuais concepções de “ser atleta” e ser humano.

Até lá – o Globo Esporte e tantos outros programas reforçarão o senso comum e a banalização completa da Psicologia Esportiva – como uma apresentação de circo – um espetáculo triste e que retrata a superficialidade com que os aspectos mentais, sociais e emocionais são abordados e concebidos pelo universo futebolístico nacional.

Pobre Lusa que, hipnotizada, segue a passos largos para 3a divisão do nosso futebol e o Conselho Regional de Psicologia – bem que poderia se manifestar diante de matérias como essa do Globo Esporte , certo?

 

Motivador e hipnólogo : futebol banalizado

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A forma de abordar e trabalhar os fatores psicológicos e emocionais no futebol está cada vez mais caótica (se é que isso pode ser possível) . Depois do “motivador” chegar ao Palmeiras para tentar salvar o time da degola – agora foi a vez da Portuguesa se entregar às malhas do senso comum e contratar um hipnólogo (não de formação clínica – apenas para apresentações e entretenimento) para ajudar o time a não cair para a série C. Eu mesmo já assisti alguns vídeos desse hipnólogo – em que fazia jogadores do Juventus dançarem em estado de hipnose. Uma coisa impressionante!

Ainda mais chocante é a forma pela qual os dirigentes e treinadores acreditam que modelos comportamentais podem ser alterados da noite para o dia e com a utilização de práticas nada convencionais e de caráter científico absolutamente questionáveis.

Em vez de estruturar departamentos de Psicologia do Esporte – com psicólogos formados e com conhecimento no esporte – atuando desde as categorias de base até o profissional – assessorando na transição de categorias e fortalecendo os atletas e as equipes – a maioria dos clubes espera o caos se estabelecer para, então, tomar iniciativas de pleno desespero e agonia. Pior: se os resultados positivos vierem, serão atribuídos a esses trabalhos emergenciais – o que reforça ainda mais o senso comum e a banalização sobre as demandas e processos mentais, emocionais e sociais do ser atleta e ser humano.

A imprensa precisa ser parceria da ciência. Não é possível que – depois de tantas catástrofes vividas pelo futebol brasileiro – boa parte dos amigos do jornalismo esportivo não compreendeu que Psicologia do Esporte é diferente de pronto socorro ou corpo de bombeiros. Ainda se lê muita gente escrevendo que – tanto o motivador como o hipnólogo cuidarão do mental e das emoções do Palmeiras e da Portuguesa respectivamente.

Em pleno século XXI – crenças sórdidas e ultrapassadas habitam o universo futebolístico brasileiro, deixando a ciência e todos os seus benefícios trancados a sete chaves no mundo cultural e intelectual limitado daqueles que, a priori, deviam zelar pelo bem estar e alto rendimento dos atletas.

Deixo aqui, uma vez mais, em nome da Associação Paulista da Psicologia do Esporte – dos alunos e colegas de pesquisa do laboratório de alta performance e de Psicossociologia do Esporte da USP – nossa nota de repúdio por mais um gol contra do futebol diante de tudo aquilo que está sendo produzido não apenas no Brasil, mas no mundo, em termos de avanço e metodologia de trabalho da Psicologia do Esporte e no caráter multi e interdisciplinar na inserção dessa área fundamental da preparação esportiva.

Acreditar que meia dúzia de palestras ou apresentações de hipnose salvarão equipes do rebaixamento é tão banal como crenças centrais que habitam o futebol desde sua chegada no Brasil – na mala do estudante inglês Charles Miller – quando trouxe uma bola de capotão da Inglaterra. As tecnologias evoluíram na infraestrutura e nos materiais.

No lado humano, ainda, formamos atletas de aço – em bases de barro. É a cultura da banalização e da crença dos milagres cotidianos desse esporte. E a ciência? Bem, essa assiste de camarote – aguardando a renovação futura na concepção de treinamento esportivo e dos processos humanos dentro e fora dos gramados.

Que bom que terei, em breve, a chance de representar a Associação Paulista da Psicologia do Esporte no Congresso Paulista de Medicina do Esporte. Conversar com os médicos e falar da ciência “Psicologia do Esporte” será de grande valia para uma necessária reavaliação dos modelos e paradigmas culturais sobre a área.

 

 

Psicologia Esportiva no Cruzeiro – você sabia?

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Vocês sabiam que o Cruzeiro mantém, desde 2008, um departamento de Psicologia do Esporte sério, correto e metodologicamente científico e ético?
Tive a imensa alegria de trabalhar por lá entre 1999 e 2002 – e pude perceber como os dirigentes do clube valorizam a Psicologia Esportiva como área fundamental na preparação esportiva.

Se o Cruzeiro tem ganho títulos importantes nesses últimos anos? Me parece que sim. É só por conta do departamento de Psicologia? Claro que não! Costumo dizer que “a presença de psicólogos esportivos não garantem a vitória – mas a ausência desses profissionais, quase sempre é fatal”.

Parabéns aos meus amigos da Raposa que ainda estão por lá. Uma honra ter participado desse processo de valorização da área num clube grande do país. Os frutos estão aí para quem quiser ver.

A realidade do futebol paulista – bem diferente dos mineiros – é a seguinte: o São Paulo aposta em psiquiatras aplicando o mesmo “teste” (POMS – perfil dos estados de humor – se validação científica no nosso território) – aliás, o mesmo que foi aplicado na seleção brasileira e com o resultado que todos sabem.

O São Paulo pensa a Psicologia dentro de um formato médico/psiquiátrico. O Corinthians não conta com profissionais no clube. Parece que existe uma onda médica por lá contrária a presença de psicólogos do esporte. O Palmeiras conta com a presença de um motivador que não é formado em Psicologia – é ex-boleiro e fez um curso de coaching.

A tabela do campeonato? Hum, aí vai. O desempenho é ainda mais contundente. O Brasil demora a aprender.

Até lá, conviveremos com o #eterno7a1

Palmeiras e a banalização do futebol

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Alô alô, motivador, e agora?  o que você vai falar para o Valdívia?
Quando o Palmeiras ganhava por 1 a 0 do Figueirense, o Valdívia fez uma firula na frente do goleiro e tocou a bola de lado – buscando o companheiro,  em vez de afundar o pé, fazer 2 a 0 e ajudar o time a trazer os 3 pontos fundamentais para a permanência na elite do futebol brasileiro.

Sabem o que aconteceu?

O Figeira colocou logo 3 bolas no fundo do Palmeiras , virou a partida – e manteve o equipe alviverde no calvário da zona de rebaixamento. De quebra – Natan foi expulso e os narradores e comentaristas estão dizendo: ” isso por que contrataram um motivador. Imaginem se não tivessem contratado?”
Enfim, uma vergonha total e completa! A banalização institucional e esportiva no último grau! O Palmeiras – a torcida e sua história não merecem esse circo sem fim. Uma tragédia perfeitamente evitável se os comandantes do clube tivessem o mínimo de bom senso e coerência na condução do futebol profissional.

Apesar de não ser o único culpado pela pífia campanha da equipe, Valdívia foi irresponsável – evidentemente não demonstra comprometimento e falta comportamento competitivo a esse rapaz. Em alguns momentos, dá a impressão que ele está numa pelada entre casados e solteiros.

Enquanto o Palmeiras não perceber isso e negociar urgentemente o atleta – o time ficará refém de seus caprichos e falta de responsabilidade e seriedade com o grupo. Além disso, me parece que o presidente Paulo Nobre não percebeu, ainda, a seriedade e gravidade da situação do time: a pior defesa do campeonato – um time quebrado, desequilibrado e tecnicamente dos mais fracos da história da instituição. Dorival Jr. não tem o pulso necessário para mudar esse quadro. O fim da história – se nada mudar – me parece triste e previsível para os palmeirenses.

E quando se espera uma ação de Brunoro – dirigente sério e com história de vitórias no esporte brasileiro – eles resolvem contratar um “motivador” – sem formação em Psicologia – ex-jogador de futebol que fez um curso de coaching no esporte e que chega para “cuidar do emocional do grupo”. Enquanto isso, a ciência “Psicologia Esportiva” sofre mais uma derrota para o senso comum e banalização do universo futebolístico nacional.

Para o recipiente cultural do futebol – a ideia de se ter um “motivador” até que está de bom tamanho. No entanto, o Palmeiras – a cada rodada, caminha a passos largos para comemorar seu centenário na segunda divisão em 2015.

Querem saber?

Só Leão salva!

Sempre vale lembrar: #eterno7a1

São Paulo expõe suas fragilidades psicológicas no Morumbi

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São Paulo Futebol Clube é dominado em pleno Morumbi e dá adeus a qualquer possibilidade de título. Perdeu para o Flu por 3 a 1 e, de quebra, tomou uma aula de futebol no segundo tempo. O Flu, com malícia, soube armar situações em que os jogadores são paulinos caíram de forma ingênua – perdendo o equilíbrio e, consequentemente, a partida. Não houve uma cabeça pensante dentro de campo para colocar ordem no grupo – nem Kaká, nem Rogério Ceni. O time, hoje, tornou-se refém de suas fragilidades.

Fico impressionado com a ingenuidade e falta de controle mental e emocional do time. E não é de hoje que falo isso. O time pode até ter boas apresentações – mas essa falta de equilíbrio e regularidade (também nas esferas psicológica e emocional) tem sido determinantes para a queda do time no campeonato.

Enquanto os diretores entenderem que chamar psiquiatras para aplicar testes no clube e depois ir embora – atribuindo a isso, o nome de “trabalho psicológico” – continuarão jogando a sujeira para baixo do tapete.

O time, obviamente, é frágil mentalmente – tanto em termos coletivos – como muitos jogadores individualmente já comprovaram as demandas nessa área do treinamento esportivo. A área da preparação mental do time é um ponto que deveriam pensar e repensar. O time tem ótimos talentos individuais – mas se o comportamento competitivo for abalado por questões psicológicas, me parece que encarar essas necessidades de forma séria e científica – é um caminho fundamental para o resgate da confiança do grupo. O problema é que – falar da Psicologia do Esporte – como uma área científica ainda é um idioma que boa parte dos treinadores e dirigentes não conseguem alcançar.

Outra coisa: essa é a terceira derrota (além de um empate) depois que os cardeais Aidar e Juvenal romperam publicamente. Muito foi dito sobre a blindagem do time diante dessa briga política sem precedentes no Morumbi. Coincidência – ou não – depois que tudo veio a tona, o São Paulo não venceu mais um jogo sequer e o rendimento dos atletas foi para o espaço, literalmente!

Juvenal disse que Aidar está louco para demitir Muricy, mas, e agora Aidar? Muricy será demitido em plena UTI ?

Se ele vai ou não – não sei. Só sei que as emoções e o campo mental dos atletas está com todos os aparelhos ligados. O futebol, claro, sucumbe uma vez mais por conta da falta de conhecimento – teimosia e preconceito dos governantes da bola. Uma grande contradição para o clube que passou a ser conhecido como “soberano” e que sempre se vangloriou por estar na vanguarda do futebol brasileiro. E agora?

Os motivadores no futebol e a banalização da ciência

 

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Historicamente o futebol é a modalidade que mais resistência impôs aos avanços técnicos  e científicos da preparação esportiva. Profissionais, não raro, acumulavam cargos de treinador, preparador físico e conselheiro dos atletas.  As esferas física e técnica ganharam espaço. A ciência do movimento cresceu e o futebol começou a criar máquinas de jogar bola. Em paralelo, muitos trabalhos e pesquisas foram realizados – especialmente no campo motivacional de atletas e equipes.

O que, infelizmente ainda presenciamos, é a banalização dos processos emocionais, psicológicos e motivacionais nos clubes de futebol. Boa parte deles espera chegar no fundo do poço para chamar – em caráter de urgência, alguém que aceite o convite para ministrar meia dúzia de palestras – enquanto boa parte da imprensa insiste em categorizar essa ação como “trabalho psicológico”.

Muito bem. Em nome da Associação Paulista da Psicologia do Esporte e nos meus 22 anos de empenho, pesquisas, publicações e atuações na área – manifesto, uma vez mais, a falta de coerência adotada pelas equipes ao se lidar com o fator humano dos atletas. Explico.

O campo motivacional (os tais “motivos que nos levam a agir”) é dinâmico e exige estudo, tempo de trabalho, análise específica e acompanhamento do grupo para que uma ação – de qualquer tipo – possa ser tomada com o mínimo de ética, cientificidade e critério. De nada adianta um palestrante – que literalmente caiu do céu – falar por horas com um grupo de atletas – que, certamente o encarará como um “estranho no ninho” – recém acoplado ao grupo e dizendo aqueles monte de coisas que, para a maioria, não fará o menor sentido.

Outra coisa: muitos jogadores pensam o seguinte: “quem é esse sujeito que acabou de chegar aqui, não me conhece, não sabe nada da minha vida, história, dificuldades do grupo e fica aí falando esse monte de abobrinhas?”. Sim,  nos diversos clubes que já atuei como psicólogo do esporte, tive a infelicidade de escutar os atletas relatando o terror que adquiriram diante desse tipo de “profissional”. É preciso iniciar o trabalho com tempo – confiança do grupo, conhecimento de causa e do repertório motivacional do time para dirigir a palavra de forma coletiva, séria e com o mínimo de conteúdo e coerência com as demandas previamente estudadas.

Digo sempre aos meus alunos: “quando iniciarem um trabalho psicológico num clube – equipe – seja lá qual for a modalidade, procurem fazer,  inicialmente, uma palestra informando a todos o que é a Psicologia do Esporte – seus conceitos básicos e benefícios, para desmistificar as ideias continuamente reforçadas pelo senso comum e soluções imediatistas (mágicas) que habitam os clubes de futebol”.

No futebol isso não é novidade. Já tivemos humoristas, engenheiros, comandantes de polícia  – gente de tudo o que é lado conduzindo essas questões motivacionais – como último recurso e no auge do desespero de causa dos clubes – no abismo do rebaixamento. Depois de demitir o treinador – afastar jogadores, mergulhar na crise, lembram da existência dessa classe que aceita os convites mais sórdidos e perigosos para deixarem, ali, sua palavra de incentivo aos jogadores. E onde fica a ciência nisso tudo? Cada vez mais distante (quase invisível) dos olhos dos dirigentes e treinadores.

A pior parte desse quadro é a seguinte: se o clube vence alguns jogos e sai da degola, vão dizer que foi por conta do trabalho do palestrante motivacional. Se o time não vence, vão dizer que “esse troço de Psicologia” não funciona pra lado. É só blá blá blá e perda de tempo e dinheiro. E pensar que, na maioria dos grandes clubes, 5% do salário de um jogador (aquele, por exemplo, que não consegue jogar duas partidas seguidas) seriam suficientes para se estruturar um departamento psicológico completo e atuante – de forma contínua – para o grupo de atletas e dentro de uma leitura e atuação multi e interdisciplinar.

Se nada mudar por aqui, a tendência é a de acumularemos outros tantos 7 a 1 – diante de potências futebolísticas que avançaram em sua maneira de conduzir o processo de preparação esportiva – enquanto, por aqui, vivemos ainda nos tempos do Charles Miller – um inglês que no início do século XX trouxe uma bola da Inglaterra e fez os brasileiros se apaixonarem por esse esporte.

Mais de cem anos se passaram, mas a poeira dos séculos insiste em cegar os olhos e as ideias daqueles que, supostamente, deveriam zelar pelo avanço e desenvolvimento da ciência no esporte que costumava ser a marca do nosso país e que – ultimamente, só tem perdido o respeito dos adversários.

Não tem jeito. Como dizia minha avó: “onde se planta feijão, não nasce manga”.

Só Leão salva

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Sim, amigos. Estou melhor e sem febre.  Obrigado pelas mensagens de apoio. A pneumonia está cedendo e logo devo estar bem. Não quero que imaginem que o título desse post seja um delírio ou alucinação.
Entendo – com todas as reservas do mundo em relação a ele (vocês sabem bem disso!) que apenas Leão salvaria o Palmeiras do rebaixamento.
Ele é treinador que muda o comportamento institucional e dinâmico do grupo com rapidez e a duríssimas penas – e tem o prazo de validade de 3 meses. Depois ninguém suporta seu  comportamento hostil – e sempre arrumam um jeito de demiti-lo. E não é pra menos. Tem um passado de vitórias e polêmicas com a equipe alviverde de Palestra Itália. Por outro lado, o time caminha – rapidamente – para o rebaixamento e não há muito mais a fazer a não ser um belo choque comportamental na equipe.
Por hora – acredito que a única solução para o Verdão está no Mato Grosso – em sua fazenda – cuidando dos gados!
Paulo Nobre e Brunoro – pensem nisso. O ” bom mocismo” de Dorival não vai mexer com os brios da equipe. É hora de dar um choque de 880 volts no grupo- como última tentativa! Pelo amor não funciona mais. Então…
Coloquem o Leão e 3 meses de contrato . Depois é reformular a casa para 2015 e pensar num projeto maior – a altura das tradições do clube.
Vou pegar meu termômetro – apenas para me certificar que a febre não voltou.

Lampard e o sublime momento do futebol

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Ainda sem palavras para descrever a emoção que senti ao acompanhar a reação da torcida no jogo entre Manchester City e Chelsea. Especialmente após a entrada de Lampard, no segundo tempo, para enfrentar seu ex-clube – equipe que ajudou a conquistar os principais títulos de sua carreira. Confesso que há muito tempo não me emocionava – de verdade – com algum fato relacionado ao futebol.

Hoje, no City, Lampard mostrou que seu amor e respeito pelo clube londrino permanecerão intocáveis para sempre. Especialmente após entrar no segundo tempo e marcar o gol de empate do City, quando a equipe jogava com um jogador a menos e sofreu o gol aos 35 minutos da etapa final. Lampard não comemorou – apenas abraçou seus companheiros.

O melhor ainda estava por vir. Após o apito final – o estádio inteiro cantou a mesma música – ovacionando Lampard – que não sabia para onde correr, nem a quem agradecer pelo carinho que recebeu.

Deu uma volta inteira pelo gramado – aplaudindo as duas torcidas que, juntas, gritavam seu nome. Abraçou todos os jogadores do Chelsea e a comissão técnica adversária. Os torcedores do Chelsea e do City estavam ali – naquele momento, apenas por Lampard. Duas equipes de grande rivalidade que, por alguns minutos, se uniram para reverenciar o grande astro.

Os torcedores do Chelsea, pelo passado glorioso do atleta. Os do City, pelo gol de empate no jogo. O futebol saiu vitorioso na partida de Manchester.

Uma realidade diametralmente oposta a que vivemos no Brasil – quando o jogador de um time passa a atuar pelo adversário e, na primeira oportunidade, ao enfrentar o ex-time, é xingado e vaiado cada vez que toca na bola. É bem certo que produzimos, aqui, poucos “Lampards” – com a classe e talento desse fantástico atleta inglês.

Obrigado sir Fran Lampard pelo espetáculo de hoje e por nos lembrar o real sentido do esporte. De minha parte, você ganhou meu respeito e admiração irrestritos. Sempre gostei do seu futebol – mas não sabia que ele poderia me proporcionar um momento tão mágico.

Frankie, como é chamado pelos ingleses – povo mais contido e cerimonioso, ganhou uma pitada de sangue latino – claro,muito mais desenvolvido em termos humanos, éticos, de cidadania e espírito esportivo. É uma espécie de volta ao tempo que – pelo visto, aqui, não voltará jamais.

Que bom que o dia de hoje existiu.

Aplausos para Bellucci

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A vitória diante dos espanhóis pela Copa Davis foi – sem dúvida, um grande marco na carreira do tenista Thomaz Bellucci. O brasileiro precisava comprovar – para si mesmo e boa parte da mídia esportiva – sua força e talento e – ao vencer Roberto Bautista, o 15º melhor jogador do mundo e virar a partida contra Pablo Andujar – salvando, inclusive, um match point – escreveu uma página vitoriosa em sua carreira e na história do tênis brasileiro.

Gostaria também de parabenizar minha colega – a psicóloga do esporte Carla Di Pierro, pelo trabalho de qualidade que tem sido desenvolvido ao lado de Bellucci.

No momento em que o tênis mundial está cada vez mais equilibrado
(especialmente nas esferas física e técnica) , os fatores psicológicos e emocionais fazem toda a diferença. Boa parte dos principais tenistas do ranking da ATP atua com psicólogos do esporte e não abrem mão desse acompanhamento tão importante e fundamental quanto as demais áreas da preparação esportiva.
Bellucci jogou com a torcida.

Mesmo com o jeito tímido e introvertido, traduziu o apoio irrestrito dos torcedores em alto rendimento. Um tenista, sem dúvida, diferente – mais maduro e intenso nas duas partidas. Ainda que – com dificuldades nos primeiros dois sets da partida contra Andujar, Bellucci se impôs técnica e psicologicamente sob o adversário. Gostei demais de vê-lo socando o ar – comemorando os pontos com a torcida. Foi um resgate importante, necessário e, esperamos, definitivo de sua confiança.

O brasileiro tem um dado empírico a seu favor e que deve ser reforçado: venceu o 15º melhor jogador do planeta. E era isso o que mais precisava: entender que pode subir ainda mais no ranking – que merece um lugar de maior destaque e, acima de tudo, tem capacidade para chegar lá.

As brilhantes conquistas na Davis podem ser o tempero que faltava a ele para chegar ao lugar de merecimento e capacidade. Fiquei feliz por ele – pela equipe inteira e por minha colega Carla. Antes que alguém questione a Psicologia do Esporte como área primordial na preparação dos atletas e equipes – lembrando a Copa do Mundo e nosso fiasco comportamental – friso que a psicóloga atua com Bellucci há muitos anos e essa parceria de grande sucesso deve servir como exemplo ao esporte brasileiro. Especialmente às vésperas das Olimpíadas que por aqui serão disputadas – o emocional e mental dos atletas serão exigidos ao extremo. Infelizmente, pouco – ou nada – tem sido feito nesse caminho. Depois, haja sofrimento e lamentação.

Vai em frente, Thomaz! Acredite hoje e sempre. Parabéns por sua superação. Foi um grande exemplo para muita gente!

 

Rogerinho e a derrota na Davis

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Nossos atletas pedem socorro. E não é de hoje!
Rogerinho, na estréia do Brasil na Copa Davis, admitiu que “não entrou no jogo” diante do espanhol Roberto Bautista Agut pela primeira rodada do torneio. Tá certo que – dificilmente, o número 201 do mundo venceria o 15 melhor tenista do mundo. Por outro lado – e se deixarmos o resultado efetivo de lado – constataremos que o desempenho do brasileiro foi muito abaixo daquele que pode produzir.

A derrota esmagadora e contundente (6-0, 6-1 e 6-3) do tenista expõe, uma vez mais, a fragilidade emocional de muitos atletas brasileiros que – nos momentos mais agudos – demonstram imensas dificuldades no gerenciamento da concentração e ansiedade.

Infelizmente ainda existe muito preconceito e desinformação diante da intervenção psicológica e dos imensos benefícios gerados através dessa fundamental área da preparação esportiva.

No tênis, principalmente, que é uma modalidade extremamente mental – o trabalho com técnicas modernas de biofeedback – neurofeedback – controle da ativação psicológica – equilíbrio emocional – representam formas fundamentais de aprimoramento do rendimento e equilíbrio psicológico nas partidas.

A performance de Rogerinho foi apenas mais um capítulo da falta de modernidade e atualização dos treinadores e dirigentes sobre os benefícios gerados pelos aspectos científicos da Psicologia Esportiva.

E o que o psicólogo do esporte faz – efetivamente – nesses e em tantos outros casos?

-A leitura do mapeamento e das demandas psicológicas e emocionais através da aplicação de testes específicos;
-Acompanhamento e observação de jogos e treinos para constatar e ampliar os resultados obtidos nas avaliações iniciais;
-Trabalhos multi e interdisciplinares no permanente contato com os demais membros da comissão técnica (leitura ampliada do conceito de “atleta”)
-Aplicação de técnicas modernas e cientificamente aprovadas – tais como o bio e neurofeedbak
- Orientação psicológica
- Formulação de metas para evolução psicológica no esporte

Mesmo com tantos benefícios – ainda assistimos, com tristeza, atletas com corpos de aço – bem treinados, mas com a base de barro.

Uma pena.