Gazeta Esportiva

Ídolos do esporte e mitos comuns
As necessidades afetivas e sociais do povo

O ser humano, por natureza, é carente de imagens representativas de sua legitimidade, possibilidades e essências. Para isso, buscam nos mitos a projeção dos anseios sociais, afetivos e ontológicos. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, experiências humanas acumuladas ao longo dos tempos que emprestam significados importantes na compreensão de alguns fenômenos genética, cultural e socialmente herdados.

O atleta, concebido como uma “instituição” – tem sofrido alterações em sua composição, conteúdo e sentido nas malhas do senso comum e da permanente carência humana destes símbolos abstratos e cada vez mais fragilizados.

O que um ídolo necessita para merecer sua atenção e devoção? Certamente não são os “heróis” do Pedro Bial – que, confinados numa mansão de luxo, disseminam a essência de uma inesgotável ignorância na combalida televisão aberta brasileira.
E no campo esportivo, qual o atleta que melhor representa o ideal de nosso povo? Por que o ser humano é tão carente deste personagem? É aqui que habita boa parte da reflexão sociocultural e comportamental das faces humanas do ser e saber. Explico.

A idolatria é uma perigosa e recorrente forma de atribuição de poder e constituição de valores. O peso sustentado por esse processo segue a contramão da condição humana – genuinamente passível de erros e desencontros.

Ídolos históricos de nosso esporte – rápida e instantaneamente acessados pela consciência do brasileiro – são Ayrton Senna e Pelé. Todos os demais são apenas sombras longinquamente refletidas desses ícones: ecos julgados e desafinados pelos limites irreais das demandas do ser humano. Novos e talentosos atletas que surgem com potencial para este processo de mitificação – sofrem com as cobranças de uma sociedade carente de vitórias e superações.

A responsabilidade social atribuída ao ídolo varia de acordo com a cultura e status de carência de seu país. Ídolos são construídos e – mais rotineiramente destruídos pela voracidade das mídias e incoerências comportamentais não toleradas pelo julgamento do ordinário senso comum.

Todos devem se lembrar do corte de cabelo no estilo “Cascão” de Ronaldo na final da Copa de 2002. Naquele ano, milhares de crianças copiaram o jogador – assim como os que seguem as tendências de moda lançadas pelo Neymar. Qual deles você gostaria que seu filho seguisse? Se você parou para pensar e não teve uma convicção plena na resposta, estamos no caminho certo.

Por um lado, as exigências sociais de ídolos andam cada vez mais frágeis e flexíveis. Por outro, a crítica e execração pública estão afiadas e sempre de prontidão para entrar em cena. Experimentem, por um instante, não falar bem do Neymar ou Ronaldo para constatar a agressividade que o desnudar (humanizar) o ídolo gera na coletiva e automatizada consciência do povo.

O ídolo está em crise – na sua forma, conteúdo simbólico e cultural. O ser humano parece ter se esquecido do que precisa – e aceita qualquer voluntário para ocupar esse papel. Aqueles que se habilitam para o cenário dissociado entre razão e emoção arriscam-se como protagonistas deste vulcão afetivo – desenhado pelo instinto da sobrevivência das demandas sociais.

Entre surpresas e decepções, ídolos anônimos ou pouco conhecidos desfilam diante dos olhos cegos por um cotidiano viciado em imagens elaboradas pela literatura, ficção e projeções fantasiosas da alma humana. Verdadeiros heróis que moram em nossas casas – trabalham em bibliotecas – atuam em equipes amadoras – constroem, silenciosamente, estruturas dignas de respeito e admiração – habitam o mundo real, urbano e podem estar mais perto do que você imagina. Afinal, o mito do herói pode aproximar o homem de sua essência ou afastá-lo – definitivamente – do contexto sólido de sua existência.

Emprestado pelo Botafogo e incapaz de ficar mais de 4 meses num clube, o atacante Jobson se envolveu em mais uma polêmica. Dessa vez, acusado pela própria esposa de agredi-la, o jogador foi para a delegacia prestar depoimentos. Com um passado repleto de escândalos envolvendo o consumo de drogas, Jobson pede socorro mais uma vez.

O futebol abriga uma perigosa possibilidade de proporcionar um futuro melhor ou superdimensionar os ecos de um passado de pobreza, fome, violência e ausência de referências afetivas e educacionais. Jobson talvez seja, hoje, o exemplo mais agudo, radical e cruel da dissipação da identidade que – por origem é sinônimo de falta e presença.

Os clubes estão muito preocupados na formação de atletas e, quase sempre, ignoram sumariamente as questões humanas no desenvolvimento dos atletas. Meninos que deixam a família (quando as tem) por conta de um sonho, de uma ideia, de um devaneio ou até mesmo para oferecer uma vida melhor aos pais e irmãos.

Acompanho com tristeza o caso desse menino Jobson que não consegue ficar fora das manchetes sensacionalistas por mais de 6 meses. Drogas, expulsões, agressões, brigas e violência – o desequilíbrio em forma de gente – a deformação natural de tudo o que, a princípio, é incongruente com a dignidade e formação da personalidade e dos valores  humanos e sociais.

Jobson é o representante mais agudo de uma família institucionalmente abandonada – relegada a segundo, terceiro, milésimo plano. Crianças que não tiveram orientação nem afeto no período infantil – de um ano para o outro, recebem imensas quantias de dinheiro – como se estivessem soltas, livres e com os bolsos pesados de dólares numa Disneylândia cercada de tentações insinuantes e perigosas.

O mais triste de tudo isso é a falta de perspectiva de mudanças nesse quadro caótico e dramático. Desde o ano passado, os clubes são obrigados a contar com psicólogos  nas categorias de base. Eu, pessoalmente, recebi  diversos convites de clubes para “trabalhar” com os garotos. No entanto, tal não foi minha surpresa quando percebi que, de atuação, efetivamente, pouco (ou nada) poderia ser feito. Os clubes estavam apenas preocupados com a multa que a ausência de um psicólogo poderia gerar. Obviamente que neguei os convites e agora, aqui, lamento os desencontros contínuos de mais uma alma que pede socorro através de um comportamento que censura os temas mais óbvios da carência e dignidade  humana.

SEEDORF E A PRONTIDÃO COMPETITIVA

Próximo de completar 37 anos de idade e nascido no Suriname – Seedorf é um exemplo de atleta. Como poucos e raros joradores brasileiros, Seedorf demonstra garra, entrega ao clube, espírito de liderança e uma lealdade absolutamente singular.

Em 21 anos de carreira, jamais foi expulso e acumulou poucos cartões amarelos se a conta for feita de acordo com as centenas de partidas disputadas.

Já vi Seedor chorar – nunca de tristeza ou de pena de si mesmo (fato comum na frágil emocionalidade do jogador brasileiro)- mas sim, por raiva pela derrota, ou por ter de sair do campo de jogo por conta de lesão.

Essa nossa nova geração deveria se espelhar em Seedorf nos mais variados aspectos – em especial na PRONTIDÃO COMPETITIVA: conjunto de fatores cognitivos, emocionais, comportamentais que compõe o equilíbrio e a manutenção da ótima performance. Raramente desiste de lutar e as adversidades são concebidas como oportunidades de superação.

Um jogador extremamente forte e bem preparado física, técnica, tática e psicologicamente. É o primeiro a chegar e o último a sair nos treinos do Botafogo (e nas demais equipes que atuou). O atleta usa o uniforme do time que defende como se fosse sua segunda pele. Naquele momento, nada, rigorosamente nada é mais importante que sua doação dentro de campo.

Seedorf é um atleta diferenciado e, hoje, comemora o título do primeiro turno com seus companheiros. Uma coquista mais que merecida – o prêmio para um atleta que, tomara, demore muito para encerrar a carreira. Até porque, dá um banho de inspiração e exemplo para essa nossa molecada que – por pouca coisa – expõe tanta fragilidade psicológica e física.

Parabéns a Seedorf e a todo o time do Botafogo pela conquista do título!

Olhos abertos, pessoal : Seedorf e raros atletas separam os meninos dos  homens no mundo do futebol.

Será que por cinco minutos é possível esquecer a cor da camisa, o valor mensal recebido e tudo o que esse garoto já fez dentro de campo? Se a resposta for “sim”, continue a ler o texto. Do contrário, infelizmente não conseguiremos um diálogo apropriado.

Fico feliz que tenha optado em seguir a leitura e já adianto que a linha da vida é sábia: infância, pré-adolescência, adolescência, fase adulta e terceira idade (o que passou a ser chamada de “melhor idade”). Pois bem, assim como uma escada de degraus longos e altos, não é possível ultrapassar etapas do desenvolvimento humano. Entretanto, no futebol e em várias modalidades no Brasil, esse processo é mais comum que se imagina.

O caso de Neymar é apenas mais um nessa ditadura que marcha contra os rumos naturais do crescimento de nossos atletas. A matemática, nesse caso, é irrefutável. Quanto mais sucesso, maior a lacuna do autoconhecimento, identidade e, em última análise, a inevitável oscilação de rendimento dentro de campo.

Você que está lendo o texto deve se lembrar da primeira paixão. Não lembra? Cabulava aulas para encontrar a namorada, inventava desculpas para não sair com os amigos, contava os minutos para ter algumas horas com a amada. Pois bem – o caso de Neymar – nas nuances humanas, em nada difere de sua (nossa) experiência. O garoto está apaixonado e isso vai além das redes sociais, fotos de amor e  declarações de paixão eterna – está, sim, em seu caminhar, no jeito de olhar, na intempestiva busca do afeto vendido ao futebol e que, agora, encontrou o necessário colo amado da moça pura da novela.

A torcida – no papel quase sempre tirano de superego – cobra atitude e bom futebol do rapaz que está visivelmente cansado e desmotivado para manter o desempenho e a genialidade que o consagraram nos campos da vida.

Neymar cansou, precisa mudar de ares (falo isso há muito tempo), ver o mundo, buscar novas imagens, novos mitos, conhecer um pouco mais suas possibilidades e fragilidades. Sua autoimagem está embaçada e o espelho já não mostra mais um rosto por ele conhecido. A cada jogo aparece com um novo penteado – como se buscasse, freneticamente, a definição para um eu que foi jogado no passado na busca da realização de um sonho.

Como um adolescente (de 21 anos) – Neymar procura um espaço para acertar suas contas afetivas e sociais negociadas com o futebol ao mesmo tempo em que, dentro de campo, alcançou o status de ídolo no futebol brasileiro. Aliás, muito mais que isso: é a grande esperança da Seleção Brasileira no próximo Mundial.

Não é possível – nem humano, esperar que Neymar jogue 100% das partidas no melhor de sua qualidade técnica, tática e, especialmente, comportamental. Visivelmente entediado, o garoto quer mais é correr para o abraço de sua amada. E é bom – e prudente – que isso aconteça logo. Aliás, o quanto antes, melhor. Para Neymar virar gente grande, é vital que tenha um pouco de vida adolescente. Do contrário, vagará pelos campos do mundo (e da vida) – desengonçado emocionalmente, buscando entender, no melhor estilo Cecília Meireles, “em qual espelho perdi minha face”.

Assim sou eu – meu jeito de expressar afeto – minha paixão. Possuo e perco , te tenho em recomensa – te perco em identidade. Meu time expressa os anseios, as dúvidas, as angústias – meu medo, prazer e amor. Voz social ou herói mudo – respiro as palavras do cântico de meu povo. Coloco mais números na minha identidade. Número dos desencontros da vida, dos encontros da alma – da sabedoria popular e mais íntimo sentimento de legitimidade. Não sei quem sou – para onde vou. Sei que preciso disso. Nada mais que isso. Posso sofrer com a dor alheia – mas a minha paz depende de ti. Me transformo em linguagem e propriedade – de privada para pública – de formal para anônimo – aliás, anonimato preso na posse de tudo o que não me pertence e, ao mesmo tempo, vive em mim. Busco meu nome, encontro o nosso – não entendo, vocês me explicam – o que de mim faz em automatismo e sentimento, de luz – as trevas, do pão – o sangue, da canção – o pranto. O cimento do asfalto frio que abraça minha esperança compõe o cenário de meu instinto, da luta pelo espaço do afeto, da revolta pela injustiça, do momento quase eterno. O pranto que enverga o mastro da bandeira grita a mais íntima forma de comunicação e expressão do ser que em mim habita e que em nós sobrevive. Roubo sua malha para vestir meu corpo – rede unida – meu campo articula. Tremula o legado da família de sangue, da alma e das cores. Sou o que vejo em ti – tu, em mim, extravasas o som, a luz e as imagens de um tom melhor. Não me reconheço mais – envolto na atmosfera e no parque da ilusão – sacrifico o som pela tua emoção – para sempre, a razão do mais irracional dos comportamentos. Não evito, brigo. Não contesto, afirmo. Não vivo, crio. Não duvide, essa é minha maior verdade.
Já não sei mais quem sou eu e quem somos nós!

João Ricardo Cozac – torcidas organizadas – pânico, reflexão e identidade.

AINDA SOBRE O EPISÓDIO NA BOLÍVIA:

1. O Tite disse que “daria seu título mundial” em troca da vida do garoto.
Pergunta: será que ele daria a vida de sua filha em troca da do garoto que se foi? Trocar um título mundial por vida não me parece uma equação justa. Afinal, um troféu, uma alegria, uma conquista pessoal não pode – e nem deve – ser comparada a uma vida.

2. Mesmo a gente pedindo para os corintianos (e anti-corintianos) esquecerem a camisa – muita bobagem se falou – e ninguém , em momento algum, tentou imaginar a situação contrária:
Pergunta: e se o jogo fosse no Pacaembu e  um torcedor boliviano tivesse matado um corintiano. Vocês imaginaram a comoção nacional que tomaria o futebol e o povo brasileiro? O pessoal colocaria até a ONU no meio do processo.

É aquela coisa: pimenta nos olhos dos outros, é refresco! O Corinthians ameaça sair do campeonato em sinal de represália contra a medida da Conmebol. Uma pena que o motivo seja esse. Seria digno se abandonassem o torneio em represália a atitude do seu torcedor. Mas para isso, teria de haver uma evolução imensa na mentalidade desse povo do futebol.

Os torcedores estão presos – e se fosse aqui, duvido que algum boliviano atravessaria a fronteira. É preciso um pouco de bom senso nesta barbaridade toda. Embora, falar em bom senso num caso desses me parece algo difícil e pouco provável.

Ps. nos posts anteriores – recebi mensagens coléricas por conta de torcedores que não conseguem enxergar – de forma ampla – o absurdo da morte desse menino. Peço que reflitam com cautela para que possamos estabelecer um diálogo minimamente coerente – em meio a tanto repúdio!

E agora?
O Corinthians já havia vendido 85 mil ingressos para os jogos da primeira fase da Libertadores!

E a tv, o que irá fazer? Silêncio nas transmissões?

E os patrocinadores?

E o clube, vai devolver o dinheiro aos torcedores? Como?

Futebol – o reflexo da doença psicossocial cada vez mais presente na rotina do ser humano.

Vamos ver qual será a próxima manobra – não confio na Conmebol e desconfio seriamente dos interesses envolvidos nesta trama sinistra!

Não vai resolver nada e não trará a vida do garoto de volta. O problema, amigos, é muito mais embaixo! Existe um distanciamento perigoso entre indivíduo e instituição – quando interessa a uma das partes. Quando não, joga-se a sujeira para debaixo do tapete da ignorância e ganância (leia-se “interesses políticos e financeiros da mídia”).
Se um jogador é expulso e prejudica a equipe, a torcida vaia, cobra, xinga. Se um torcedor – chefe da maior torcida organizada do clube – está envolvido no caso de assassinato – o que o time faz? Nada. Aliás, quando casos de violência aguda envolvendo integrantes das torcidas organizadas ocorrem – em geral, o presidente, diretor ou supervisor vem a público explicar que é impossível controlar tudo e todos. Agora, quando um chefe destas torcidas está diretamente envolvido – como explicar?

Bom, o Corinthians jogará com as arquibancadas vazias. Aliás, vazio fica o sentimento nisso tudo.
Ah! e o menino que se foi? perguntará o amigo:
- Logo todo mundo esquece. Responderá o senso comum (em silêncio e nem envergonhado).

Essa é a Conmebol, uma entidade desorganizada e sem moral alguma. A Libertadores é o campeonato continental mais importante da América e o mais bagunçado. Na UEFA Champions League, times com torcidas racistas são punidos, não com estádios fechados, mas com perdas de pontos, desclassificação, etc. Isso porque não há mortes envolvidas (ainda).

A questão está mais na prevenção e, por aqui, prevenir – quase sempre, significa punir. Foi assim desde nossa colonização e, pelo visto, não vai mudar tão cedo!

Ps. Novamente, peço aos fanáticos de plantão que pensem – uma vez na vida – com a razão e não com a emoção antes de fazer comentários passionais-destrutivos e que nada ajudarão no momento.

O Corinthians está correndo o sério risco de ser eliminado da Libertadores 2013 por conta da morte de um garoto de 14 anos no jogo de ontem, na Bolívia, por conta de um rojão que a torcida paulista disparou dentro do estádio – na direção dos bolivianos. Tite disse que “trocaria seu título mundial pela vida do garoto” – e, conhecendo o treinador, estou certo que ele falou a verdade.

Fato é que o futebol, há tempos, virou refúgio de bandidos que se aproveitam da cegueira que ocorre por conta da paixão e da autodissolução da identidade pessoal em prol da coletiva – para expor o lado mais negro da alma humana.

Tiros, pisoteamentos, rojões, pedras e facas não são utilizados apenas por ladrões e arruaceiros – nos campos de futebol e arredores – a guerra urbana é declarada e até agendada virtualmente. Os metrôs costumam ser as arenas de encontro para estes animais.

Pessoalmente, não vou mais a estádios desde 1997. Compareço aos jogos apenas quando estou trabalhando com alguma equipe e, mesmo assim, chego no campo dentro do ônibus do time e saio de lá junto com todos.

Outra coisa: na Libertadores é comum assistirmos àquela famosa chuva de objetos na cobrança de escanteios nos estádios colombianos, equatorianos, peruanos. Policiais utilizam escudos para proteger os atletas – e rigorosamente NADA acontece contra estas equipes. Se voa uma pilha de rádio por aqui,o mundo cai em cima do clube. E ninguém fala nada. Parece que já virou regra: por lá, pode tudo. Que mensagem estranha é essa?

A cor da camisa do torcedor que atirou o sinalizador e matou o garoto na Bolívia poderia ser azul, tricolor, grená, alvi-rubro, colorada ou verde. Não creio que seja prudente – nem produtivo execrar o clube por conta de um imbecil – o que não  livra a instituição  de uma condenação forte. Até porque, na história social e esportiva moderna – um infinito número de torcedores de equipes  variadas se envolveram em crimes, vandalismos e cenas deploráveis de violência contra o ser humano e seu patrimônio.

Uma possível exclusão do Corinthians na Libertadores abriria uma discussão sobre a conduta das torcidas de futebol. Do contrário, “apenas” mais uma vida terá sido perdida e nada mudará. O ser humano, pelo visto, não muda suas atitudes – a não ser por aquele velho – e ainda atual ditado: pelo amor ou pela dor.

Voltando ao triste acontecimento desta última quarta-feira, se a Sulamericana fosse uma entidade séria, cancelava a Libertadores 2013, sem campeão, sem nada, em memória a alma da criança que se foi.

Ps. por favor, evitem comentários desnecessários e fanáticos neste momento – procurem olhar para além da camisa do clube – do time de coração e vamos pensar um pouco mais além dos fatos. Obrigado.


Querida Bruna Marquezine – boa noite!
Sabedor de seu amor incondicional pelo Neymar – gostaria imensamente de te pedir alguns favores listados abaixo:

1. Converse no pé do ouvido do seu  loirinho e diga a ele que – nem sempre – ele vai ganhar.
2. Fale pra ele – no momento apropriado – que há zagueiros que, SIM, conseguirão pará-lo e nem por isso ele deixará de ser amado pelo povo brasileiro. Ele não precisa ficar bravo por isso! Até Pelé já foi parado na marcação!
3. Ah, sim, claro, diga a ele que, obviamente, ele não é Deus, tá? Sabe como é – né – muita beleza e glamour juntos pode confundir a cabeça do garoto.
4. Avise a ele – talvez num momento mais íntimo – que chutar as partes íntimas de um atleta durante uma partida pode resultar num baita problemão pra ele – ainda que ele tenha tentado atingir a terceira bola – pode haver duas antes dela e aí o cartão vermelho vai colocá-lo no chuveiro.
5. Explique pra ele o que significa futebol chato – gente chata – momento chato – porque ele entende que “tudo o que vai contra ele – é chato” – ele cresceu, certo? para ter um mulherão como você ao lado dele – creio que já não é mais um menino de 17 anos.

Por fim, minha amiga Bruna, avise ao Ney que ele precisa, urgentemente sair do país para enfrentar uns zagueiros dinamarqueses, suecos, finlandeses, suíços, alemães – para ele conhecer, finalmente, o que é “ser chato”. Nossa preocupação é que o país projeta nele – neste garoto que muda o visual a cada 10 dias, a conquista de uma Copa e não dá para este rapaz ficar de birra quando as coisas não saem do jeito que ele gostaria.

Aproveite que “Salve Jorge” está no final – convide ele – com passagem apenas de ida – para conhecer melhor a Espanha ou Inglaterra. Tenho certeza que vocês serão muito felizes por lá – imagine você ganhando a camisa do Messi? Nada mal, certo?

Afinal, se ele pode até te namorar – como lidará diante de oponentes truculentos que o impedem ele de brincar?

Um abraço, Bruna, e que Deus te ilumine (assim, iluminará nossa esperança em 2014)

Ps. as lembranças do romance entre o Ronaldo e a Susana Verner ainda estão vivas, certo? os franceses, em 98, agradecem até hoje!

Sempre disse que algo grave – gravíssimo – ou, como gosta um grande amigo, “urgente, urgentíssimo”, deveria ocorrer para que o futebol brasileiro mergulhasse no poço profundo, nas mais tenra desgraça e, pelo visto, está tudo se desenhando de forma clara. Basta tirar um pouco a areia do fanatismo que cega pela paixão e observar os fatos.
Além de um treinador ultrapassado e que recentemente rebaixou o Palmeiras para 2a. divisão – temos uma time recheado de jogadores inexperientes – tecnicamente, no âmbito nacional, excelentes, mas no contexto internacional, jogadores comuns ou bons. Mesclado a isso, atletas que demonstram pouca disposição e motivação para disputar mais um Mundial. O time não tem cara, é desprovido de identidade e, novamente, uma imensa colcha de retalhos humanos está se formando – e, vale dizer, sem super visão psicológica alguma. Eventualmente, a elaboração de um ou outro perfil mapeado e nada mais.
O Parreira gosta do trabalho dos motivadores – pessoas que montam videos motivacionais de alto impacto sem, ao menos, ter a certeza e conhecimento das demandas que as próprias imagens mobilizam.

Neymar agora deu para reclamar. Ontem soltou o verbo, revoltado pelo fato do Santos aceitar o jogo contra o Paulista de Jundiaí, no Pacaembu, em pleno domingo de carnaval. Onde já se viu? o garoto ganha mais de dois milhões de reais por mês e ainda tem a ousadia de vir a público cornetar a instituição que defende. Aliás, com este comportamento, vai ter problemas no exterior. Este menino vai penar no Mundial – falta experiência internacional a ele – aprender a sair das faltas dos ingleses, alemães, franceses, italianos e holandeses. Jogar o Paulistão e dar balão no centroavante do Botafogo de Ribeirão me parece mais fácil que encarar o Lampard em seu pescoço.

Com tudo isso, amigos, é bom começarmos a nos preparar para o pior – e o que poderia ser pior que a Argentina levantando o Mundial em nosso país? Aliás, com a bola que o Messi está jogando, não será surpresa se isso acontecer. Muita gente vai detestar esta possibilidade. E não é para menos. Por outro lado, vejo apenas esta chance única para que uma mudança brusca, radical, densa e profunda ocorra no nosso futebol. Ainda que, na visão de alguns, esta Copa já é do Brasil – por motivos que não são passíveis de explicações públicas.
O mais absurdo de tudo isso é ver tanto dinheiro sendo enterrado no futebol e tantas modalidades – recheadas de atletas fabulosos no Brasil – sofrendo pela mais total e completa ausência de patrocínio.

Dizem que “somos o país dos contrastes” – sei não. Acho que já mudamos nosso status para “o país dos absurdos”! O maior de todos, muito possivelmente, será a festa de Messi no nosso quintal.