Lampard e o sublime momento do futebol

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Ainda sem palavras para descrever a emoção que senti ao acompanhar a reação da torcida no jogo entre Manchester City e Chelsea. Especialmente após a entrada de Lampard, no segundo tempo, para enfrentar seu ex-clube – equipe que ajudou a conquistar os principais títulos de sua carreira. Confesso que há muito tempo não me emocionava – de verdade – com algum fato relacionado ao futebol.

Hoje, no City, Lampard mostrou que seu amor e respeito pelo clube londrino permanecerão intocáveis para sempre. Especialmente após entrar no segundo tempo e marcar o gol de empate do City, quando a equipe jogava com um jogador a menos e sofreu o gol aos 35 minutos da etapa final. Lampard não comemorou – apenas abraçou seus companheiros.

O melhor ainda estava por vir. Após o apito final – o estádio inteiro cantou a mesma música – ovacionando Lampard – que não sabia para onde correr, nem a quem agradecer pelo carinho que recebeu.

Deu uma volta inteira pelo gramado – aplaudindo as duas torcidas que, juntas, gritavam seu nome. Abraçou todos os jogadores do Chelsea e a comissão técnica adversária. Os torcedores do Chelsea e do City estavam ali – naquele momento, apenas por Lampard. Duas equipes de grande rivalidade que, por alguns minutos, se uniram para reverenciar o grande astro.

Os torcedores do Chelsea, pelo passado glorioso do atleta. Os do City, pelo gol de empate no jogo. O futebol saiu vitorioso na partida de Manchester.

Uma realidade diametralmente oposta a que vivemos no Brasil – quando o jogador de um time passa a atuar pelo adversário e, na primeira oportunidade, ao enfrentar o ex-time, é xingado e vaiado cada vez que toca na bola. É bem certo que produzimos, aqui, poucos “Lampards” – com a classe e talento desse fantástico atleta inglês.

Obrigado sir Fran Lampard pelo espetáculo de hoje e por nos lembrar o real sentido do esporte. De minha parte, você ganhou meu respeito e admiração irrestritos. Sempre gostei do seu futebol – mas não sabia que ele poderia me proporcionar um momento tão mágico.

Frankie, como é chamado pelos ingleses – povo mais contido e cerimonioso, ganhou uma pitada de sangue latino – claro,muito mais desenvolvido em termos humanos, éticos, de cidadania e espírito esportivo. É uma espécie de volta ao tempo que – pelo visto, aqui, não voltará jamais.

Que bom que o dia de hoje existiu.

Aplausos para Bellucci

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A vitória diante dos espanhóis pela Copa Davis foi – sem dúvida, um grande marco na carreira do tenista Thomaz Bellucci. O brasileiro precisava comprovar – para si mesmo e boa parte da mídia esportiva – sua força e talento e – ao vencer Roberto Bautista, o 15º melhor jogador do mundo e virar a partida contra Pablo Andujar – salvando, inclusive, um match point – escreveu uma página vitoriosa em sua carreira e na história do tênis brasileiro.

Gostaria também de parabenizar minha colega – a psicóloga do esporte Carla Di Pierro, pelo trabalho de qualidade que tem sido desenvolvido ao lado de Bellucci.

No momento em que o tênis mundial está cada vez mais equilibrado
(especialmente nas esferas física e técnica) , os fatores psicológicos e emocionais fazem toda a diferença. Boa parte dos principais tenistas do ranking da ATP atua com psicólogos do esporte e não abrem mão desse acompanhamento tão importante e fundamental quanto as demais áreas da preparação esportiva.
Bellucci jogou com a torcida.

Mesmo com o jeito tímido e introvertido, traduziu o apoio irrestrito dos torcedores em alto rendimento. Um tenista, sem dúvida, diferente – mais maduro e intenso nas duas partidas. Ainda que – com dificuldades nos primeiros dois sets da partida contra Andujar, Bellucci se impôs técnica e psicologicamente sob o adversário. Gostei demais de vê-lo socando o ar – comemorando os pontos com a torcida. Foi um resgate importante, necessário e, esperamos, definitivo de sua confiança.

O brasileiro tem um dado empírico a seu favor e que deve ser reforçado: venceu o 15º melhor jogador do planeta. E era isso o que mais precisava: entender que pode subir ainda mais no ranking – que merece um lugar de maior destaque e, acima de tudo, tem capacidade para chegar lá.

As brilhantes conquistas na Davis podem ser o tempero que faltava a ele para chegar ao lugar de merecimento e capacidade. Fiquei feliz por ele – pela equipe inteira e por minha colega Carla. Antes que alguém questione a Psicologia do Esporte como área primordial na preparação dos atletas e equipes – lembrando a Copa do Mundo e nosso fiasco comportamental – friso que a psicóloga atua com Bellucci há muitos anos e essa parceria de grande sucesso deve servir como exemplo ao esporte brasileiro. Especialmente às vésperas das Olimpíadas que por aqui serão disputadas – o emocional e mental dos atletas serão exigidos ao extremo. Infelizmente, pouco – ou nada – tem sido feito nesse caminho. Depois, haja sofrimento e lamentação.

Vai em frente, Thomaz! Acredite hoje e sempre. Parabéns por sua superação. Foi um grande exemplo para muita gente!

 

Rogerinho e a derrota na Davis

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Nossos atletas pedem socorro. E não é de hoje!
Rogerinho, na estréia do Brasil na Copa Davis, admitiu que “não entrou no jogo” diante do espanhol Roberto Bautista Agut pela primeira rodada do torneio. Tá certo que – dificilmente, o número 201 do mundo venceria o 15 melhor tenista do mundo. Por outro lado – e se deixarmos o resultado efetivo de lado – constataremos que o desempenho do brasileiro foi muito abaixo daquele que pode produzir.

A derrota esmagadora e contundente (6-0, 6-1 e 6-3) do tenista expõe, uma vez mais, a fragilidade emocional de muitos atletas brasileiros que – nos momentos mais agudos – demonstram imensas dificuldades no gerenciamento da concentração e ansiedade.

Infelizmente ainda existe muito preconceito e desinformação diante da intervenção psicológica e dos imensos benefícios gerados através dessa fundamental área da preparação esportiva.

No tênis, principalmente, que é uma modalidade extremamente mental – o trabalho com técnicas modernas de biofeedback – neurofeedback – controle da ativação psicológica – equilíbrio emocional – representam formas fundamentais de aprimoramento do rendimento e equilíbrio psicológico nas partidas.

A performance de Rogerinho foi apenas mais um capítulo da falta de modernidade e atualização dos treinadores e dirigentes sobre os benefícios gerados pelos aspectos científicos da Psicologia Esportiva.

E o que o psicólogo do esporte faz – efetivamente – nesses e em tantos outros casos?

-A leitura do mapeamento e das demandas psicológicas e emocionais através da aplicação de testes específicos;
-Acompanhamento e observação de jogos e treinos para constatar e ampliar os resultados obtidos nas avaliações iniciais;
-Trabalhos multi e interdisciplinares no permanente contato com os demais membros da comissão técnica (leitura ampliada do conceito de “atleta”)
-Aplicação de técnicas modernas e cientificamente aprovadas – tais como o bio e neurofeedbak
- Orientação psicológica
- Formulação de metas para evolução psicológica no esporte

Mesmo com tantos benefícios – ainda assistimos, com tristeza, atletas com corpos de aço – bem treinados, mas com a base de barro.

Uma pena.

 

Basquete – faltou equilíbrio mental e emocional

AFP

AFP

Após a aula de basquete em cima dos argentinos – hoje sofremos uma surra monumental dos sérvios (adversários que vencemos na primeira fase pela diferença de 8 pontos). O que teria mudado daquele jogo para cá? Vários fatores.

Além das alterações (ou a falta delas) durante os dois primeiros quartos – o treinador Magnano adotou uma postura extremamente passiva no plano técnico e, em alguns momentos, parecia presenciar uma partida totalmente distante da realidade. Nossa defesa não funcionou. O ataque errou demais. Não há milagres no basquete – nem em qualquer outra modalidade esportiva.

O time, visivelmente nervoso, não conseguiu manter a estabilidade emocional nos principais momentos da partida – especialmente no segundo tempo (terceiro quarto) da partida, permitindo que a Sérvia alargasse demais sua vantagem.

Faltando 7min41s, os europeus venciam por 43 a 34. A situação ficou crítica quando Varejão fez uma falta, Splitter e Marquinhos reclamaram e levaram uma falta técnica cada, dando seis lances livres de graça ao adversário – demonstrando que, a partir da li, o barco ficou à deriva. Resultado final – Sérvia 84 x 56 Brasil – uma pena.

Quando será que os treinadores apostarão mais nos trabalhos de prevenção e promoção do fortalecimento psicológico (individual e coletivo) de nossas equipes e nossos atletas? A eterna repetição de catástrofes (muitas delas, perfeitamente evitáveis) parece apenas reforçar o senso comum na visão e concepção de atleta e ser humano por parte dos comandantes esportivos (das quadras, campos, piscinas e ginásios).

Onde será que eles não entendem que – sem um trabalho de base – de preparação (sim, “pré-paração”) – uma ação que antecipa as demandas e gera um clima favorável no desempenho individual e coletivo dos atletas – continuaremos naufragando diante de nossas próprias falhas e fragilidades?

Essa mentalidade jurássica precisa parar. Necessitamos de uma nova ótica na preparação esportiva – considerando as avaliações e intervenções permanentes de psicólogos do esporte nas equipes nacionais. Do contrário, sofreremos essa ciclotimia perversa – um dia, heróis consagrados – dois dias depois – vítimas de suas próprias culturas defasadas e desintegradas sobre “a ação esportiva”.

Há 23 anos escrevo e falo sobre o tema. Muitas coisas começam a mudar. Já, outras, insistem em permanecer no mesmo local – perdidas no tempo e espaço. Vamos engrossar a mensagem sobre a importância de trabalhos sérios e coerentes da Psicologia do Esporte nesse país. Além de uma Olimpíada se aproximar – temos muito a avançar nos benefícios devidos aos nossos representantes esportivos.

Basquete brasileiro dá aula no Mundial

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Estou sem palavras para descrever o MASSACRE que impusemos ao time da Argentina no Mundial de basquete.
Vencemos por VINTE – sim, amigo, VINTE pontos, e o melhor: demos uma AULA de basquete!

Uma defesa fantástica – extremamente bem treinada e postada em quadra e o ataque equilibrado com o armador Raulzinho dando um SHOW – acerto de 90% dos arremessos.

Foi para lavar a alma. Há quanto tempo não assistia a Seleção brasileira de basquete jogar de forma tão leve – tecnicamente impecável e psicologicamente muito bem centrada. Nem mesmo quando estivemos 8 ou 9 pontos atrás do marcador os jogadores comandados pelo treinador argentino Magnano sentiram a pressão. Aliás, pelo contrário: nesse momento a equipe cresceu e os argentinos sumiram em quadra.

Fica a esperança que – assim como nosso volei melhora a cada dia e conquista os principais torneios internacionais – o basquete possa acompanhar a evolução e também ganhar um lugar ao sol.

Parabéns a todo o grupo – ao treinador e os dois auxiliares-técnicos.
Hoje vai todo mundo dormir de alma lavada!
Por essa Seleção – das quadras – dá gosto torcer!
Guerreiros que se superam todos os dias e que fazem a alegria de todos os que apreciam o esporte bem jogado!

A crise psicológica e emocional do Palmeiras

 

O gerente de futebol, Brunoro, já decretou: “o problema do Palmeiras é emocional”. O time não entrosa e acumula derrotas nos campeonatos que disputa. Hoje, a equipe alviverde foi eliminada da Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro, trabalha para não ser rebaixado – uma vez mais – para a segunda divisão.

Em momentos de crise aguda – fatores psicológicos e emocionais ficam á deriva e – quando não existe um departamento de Psicologia do Esporte atuante no clube – a responsabilidade de retomar o equilíbrio do grupo fica inteiramente nas mãos do treinador.

Faltando 3 meses e meio para o final da temporada – o Palmeiras precisará se superar para não repetir o pior dos pesadelos no ano que comemora o centenário.

Uma avaliação sociométrica detalhada do grupo (medição, análise e descrição das relações internas) – seguida de um mapeamento completo do perfil individual e coletivo – e a formação de um vínculo positivo entre os atletas e comissão técnica deveria ser realizada – e não é de hoje que falo sobre esse tema. Além disso – e com conhecimento das demandas do grupo previamente analisadas – psicólogos do esporte podem contribuir no resgate da auto estima, equilíbrio, foco e auto confiança do grupo. Além disso, certamente a ansiedade está jogando contra o time e exercícios que seguem o protocolo tecnológico do biofeedback auxiliam – e muito – no resgate da tranquilidade e, consequentemente, do melhor rendimento.

O problema é que o preconceito e a desinformação sobre os benefícios da Psicologia do Esporte no futebol ainda são os principais vilões para que os atletas tenham os benefícios que lhes são devidos.

Enquanto isso – clubes sofrem pela falta de conhecimento e valorização das ciências humanas. O Palmeiras tem atletas competentes fisicamente e até tecnicamente. O problema principal – concordo com Brunoro – é base de barro que tem afundado o time num dos piores momentos de sua história.

 

Brasil – há tempos: “o país do vôlei”

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Enquanto o futebol consegue contar até cinco – há bastante tempo não consegue passar desse número – (PENTA – figura geométrica com cinco lados – cinco títulos mundiais) – o voleibol está revolucionando o conhecimento do brasileiro sobre essa ciência tão exata como abstrata – a se considerar a administração, conhecimento e evolução no treinamento esportivo – 10 mil anos à frente do futebol – resultado: é DECACAMPEÃ (DEZ vezes) do Grand Prix de volei feminino.

Além disso, já conquistou a medalha de ouro olímpica – tanto no feminino, como no masculino (o futebol olímpico nunca ganhou essa medalha – aliás, um novo fantasma a ser encarado nas próximas Olimpíadas).

O vôlei aposta no trabalho psicológico desde as categorias de base (nada de convocar psicólogos em caráter emergencial – por lá, essa área da preparação é valorizada como se deve : bom senso, conhecimento, tempo, promoção e prevenção de saúde em todas, eu disse, TODAS as áreas!) – formando atletas vencedores – além de priorizar metodologias extremamente atualizadas de treinamento e concepção de esporte.

Parabéns ao treinador José Roberto Guimarães – e sua equipe de atletas e profissionais que dignificam o esporte brasileiro com seriedade – profissionalismo, ética, conhecimento e valorização dos aspectos esportivos e humanos dos atletas.

Pena que o brasileiro só consegue enxergar uma bola – enquanto outras nos trazem títulos e consagram trabalhos sensacionais que deveriam servir de modelos para o futebol e dirigentes.

Valeu, meninas! Vocês nos representaram com amor – equilíbrio, dedicação – força e garra.
Podem chorar: agora é a hora e o momento de vocês.

Ensinem os meninos do Felipão: extravasem de verdade!

Guilherme Murray: atleta e ser humano de verdade

guiEstamos acostumados aos espetáculos teatrais de jogadores de futebol que adoram levar vantagem nos lances – simulam penalidades, fazem cera – brigam, ferem o espírito esportivo, se envolvem em escândalos sociais e, assim, criam um ambiente distante para serem exemplos aos mais jovens atletas.

Ainda assim, somos brindados por exemplos magníficos de garotos que dão lições de respeito, correção, ética, justiça e cidadania. E hoje, quero demais agradecer o jovem esgrimista Guilherme Murray.

Guilherme Murray tem 11 anos e está disputando o Campeonato Pan-americano de Esgrima pelo Brasil, em Aruba, no Caribe, numa categoria dois anos acima de sua idade. Portanto, um desafio ainda mais agudo para suas ambições. Pois bem, hoje ele foi eliminado nas oitavas de final. Perdeu de 10 a 9.

O detalhe é que, quando o jogo estava 9 a 9 – o árbitro apontou – equivocadamente, um ponto a favor de Guilherme, o que resultaria em sua (injusta) vitória. Após essa marcação – Guilherme foi ao árbitro e disse que havia um engano, que ele não havia tocado o adversário. Conclusão: o árbitro tirou-lhe o ponto e o menino deixou as pessoas impressionadas com seu espírito olímpico.

Um garoto, no meio dos grandes , que poderia estar entre os oito melhores da América, vai ao árbitro, comunica o erro e é eliminado da prova por sua atitude, ao recusar um ponto que não era dele.

Também fruto dos ensinamentos de ética no esporte que os Mestres Régis Trois, Ricardo Ferazzi e Carla Evangelisti professam na sala de esgrima do Club Athletico Paulistano. Afinal, antes de formarem atletas, se preocupam em formar pessoas de caráter.

Meus sinceros parabéns também aos pais de Guilherme – agentes fundamentais nos ensinamentos, formação do caráter e da identidade do jovem atleta e ser humano.

Sou testemunha desse processo por já ter trabalhado com esgrimistas do mesmo clube. A preocupação maior, sem dúvida, é com o espírito esportivo e na formação de seres humanos capacitados para interagir positivamente no universo social.

Hoje Guilherme Murray, campeão brasileiro, sul-americano, e de tantos outros torneios nacionais e internacionais, saiu de Aruba mais campeão do que nunca.

Que sirva de exemplo para muitos marmanjos – políticos, treinadores, jogadores , dirigentes de clubes, profissionais e tantos outros que estão por aí – e que adoram tirar proveito em tudo!

Especialmente quando medalhas, troféus, status, poder e dinheiro estão em jogo.

Valeu, Guilherme! Você representa, com muito talento, a concretização do desejo de muitos que lutam por um esporte de verdade e COM verdade!

(Fonte: Blog do Juca – Uol)

O escuro labirinto financeiro do futebol

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No Brasil, o futebol é – sem dúvida, a modalidade que pior trabalha com a noção de “esporte empresa”. Fico impressionado ao acompanhar a velocidade com que atletas trocam de camisas de clubes. Jogador chega no clube, atua 10 ou 12 partidas e logo é comercializado com outras equipes. Não há tempo de adaptação. Ou o sujeito arrebenta dentro de campo ou é rua. Não tem direito a fase ruim ou período de adaptação. A coisa é feita no laço: pegar ou largar.

Curioso é que esse estilo “fast food” – originalmente, vem dos Estados Unidos e é lá que, justamente, os dirigentes esportivos estão realizando projetos a longo prazo no futebol , incluindo a modernidade na preparação de atletas – periodização dos treinamentos – estabelecimento de metas – um marketing bem adequado ao crescimento e popularização do esporte. Ou seja:o investimento focado nos processos de formação de jogadores e técnicos – além da preocupação com o profissionalismo total na geração do espetáculo no mundo da bola. Aguardem os americanos nas próximas duas ou três Copas do Mundo.

Por aqui, fica difícil – de fato, pensar em trabalhar os aspectos humanos de um jogador de futebol partindo do princípio que eles quase não conseguem esquentar o uniforme de um time – além, claro, da mentalidade absolutamente retrógrada de boa parte dos dirigentes e treinadores que simplesmente desconhece (ou concebe com preconceito, senso comum e desinformação) os benefícios gerados por um programa de Psicologia do Esporte a longo prazo e com métodos científicos e modernos.

No Brasil, a política e cultura vigentes não permitem (e não concebem) a elaboração do futebol num programa de profissionalismo estratégico – em todas suas áreas. Jogadores e técnicos ganham fortunas com as multas rescisórias – jogos andam entendiantes e desinteressantes (eu mesmo não consigo mais ficar 90 minutos diante de uma televisão).

Enquanto isso, outras modalidades estão crescendo no país – com atletas altamente talentosos e comprometidos – mas que ainda necessitam de apoio financeiro para competir e brilhar no cenário internacional.

Pessoalmente, acho uma pena – e até certo ponto – patético, acompanhar esse mundo do futebol tentando, a todo custo (e com o dinheiro do povo), manter o coração cultural do brasileiro batendo – na UTI – cercado por médicos que tiraram suas licenças por correspondência.

 

Neymar é repreendido no Barça : exagerou na exposição

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*Aos fãs de Neymar e admiradores de seu futebol: muita calma! Essa é apenas uma reflexão sobre o comportamento de um jogador que pode atrapalhar sua carreira.

Muito mais que – indiscutivelmente –  um grande jogador, Neymar tem sido um ótimo visitante nas colunas sociais dos jornais de todo o mundo. E não é pra menos. O atleta, fotografado nas festas no Japão, no seu barco em Ibiza repleto de amigas e amigos, nas discussões adolescentes com a namorada e nas postagens sem fim no instagran – expõe demasiadamente sua vida pessoal e foi repreendido pela cúpula do Barcelona na reapresentação dos atletas. Lá, o pessoal zela pela imagem da instituição e o jogador é um dos ícones do mega time espanhol.

Além de tudo isso, uma coisa me chamou a atenção. Menos de 30 dias depois de sermos massacrados pela Alemanha, Neymar aparece abraçado com Bastian Schweinsteiger na festa de aniversário do meia alemão que, por sinal, também foi para Ibiza passar férias. Aqui creio que existe (mais) uma questão de bom senso – ou da falta dela (as fotos refletem melhor minha sensação de estranheza).

Com a irmã e as amigas (uma delas fazendo carinha de triste mostrando sete dedinhos em referência à goleada de 7 a 1) – Neymar poderia ter poupado sua imagem (e a nossa também). Tudo bem, jogadores podem ser amigos (e são) – fora de campo o jogo já terminou – ok! – mas poxa, não dá para esperar o defunto esfriar, não? Sair abraçando um dos algozes do maior vexame do futebol brasileiro é, no mínimo, uma falta de coerência e capacidade de raciocínio e bom senso do indivíduo.

Nessa hora, gostaria de ouvir a opinião do Sérgio Ramirez ex-jogador uruguaio – que defendeu a Celeste com raça, amor e dedicação. Protagonizou aquela cena antológica no Maracanã quando correu atrás do Rivelino – ao final da partida e após tantas provocações do brasileiro. Rivelino chegou a escorregar nas escadas de acesso ao vestiário. Trabalhei com Ramirez quando ele foi treinador do Ituano. Tenho certeza que ele reprova a atitude do Neymar e parece que até ouço o amigo uruguaio dizendo: “um absurdo! falta de patriotismo e respeito com o seu povo!”. Não precisa ir muito longe: vocês conseguem imaginar algum jogador da Argentina, por exemplo, festejando com um alemão e tirando fotos para colocar nas redes sociais ao lado de amiguinhas brincando com a derrota da Seleção? Como se diz no interior: “tem mas demora!”. O sujeito nem volta pro seu país!

Alguém precisa orientar esse garoto. Por mais genial que possa ser o seu futebol – ele será cobrado exatamente na medida (ou até além) de sua exposição. E uma hora, acreditem, o talento pode não estar a altura de tanta farra e ostentação.

Com os milhões de euros que ganha por ano – o jogador tem todo o direito de se divertir – com responsabilidade e privacidade. Certamente não lhe faltam recursos financeiros que garantam diversões com menos exposições que desgastam sua imagem e colocam em cheque sua condição de ídolo.

Por hora, ainda se garante dentro de campo – mas friso: corre o sério risco de desgastar – desnecessariamente – sua imagem e pagar um alto preço por isso.