Diplomas e competência

scolari_werneck
Bristol (EUA) – Recebi de meu amigo e leitor Edgard Knirien, a consulta que transcrevo  abaixo:

“Seguinte: o Dunga e o Taffarel são formados em Educação Física? Têm curso de Técnicos de Futebol reconhecido pelos órgãos competentes do Governo? Se não têm não seria o caso de falsidade ideológica, portanto crime?”

O que eu respondi foi minha confissão de ignorância em relação ao Taffarel, embora saiba, pois é público e notório, que  Dunga não tem diploma de Professor de Educação Física. Mas no Brasil será obrigatório o cidadão ter diploma em Educação Física para ser técnico de futebol?

Minha opinião é que deveria ser exigido um diploma em Educação Física ou Curso de Técnico de Futebol para uma pessoa poder exercer a profissão. Acho também que um técnico de futebol precisa ter passagem como jogador profissional, para adquirir experiência. Mesmo esta última qualidade é duvidosa, pois Felipão também foi jogador profissional. Aliás, Telê Santana me disse numa ocasião que ele só chutava de bico.

Chutando de bico, Felipão agora está outra vez como técnico do Grêmio, depois de ser indenizado pela CBF em R$ 4 milhões em seguida à Copa do Mundo. A indenização não deveria ter sido outra? Felipão indenizando o povo? Que tal se ele enviasse o dinheiro da indenização a uma instituição de caridade?

Em tempo: se há alguma coisa boa em relação ao Dunga é que ele parece não dar muita bola para a TV-Globo. Pelo menos foi assim no passado. Aguardemos a nova edição.

A Maratona do Rio e a Olímpica

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Estou disposto a concordar com o leitor Alex sobre suas observações quanto à Maratona do Rio, no “post” abaixo, mas quero lembrar que, mantidas todas as outras condições (como a qualidade dos inscritos e a premiação em dinheiro) uma Maratona corrida com temperatura entre 9 e 12 centígrados vai ter um resultado melhor do que uma corrida com temperatura entre 17 e 20 centígrados e esta por sua vez terá um resultado melhor do que uma corrida com temperatura entre 27 e 30 centígrados.

Daí minha insistência em dizer que uma Maratona corrida em Porto Alegre, em julho, com um orçamento que atraísse grandes corredores,  apresentaria resultados superiores ao de qualquer outra no Brasil.

A meu ver, é um erro realizá-la em abril, como fazem agora.

Quanto à Maratona Olímpica, em 2016, acho que ela deveria ser projetada, como foi no passado – entre outros lugares em Los Angeles, em 1984, quando a vitória foi do português Carlos Lopes, e  em 1976, em Montreal, com o alemão oriental Waldemar Cierpinski (assisti às duas) – para ser disputada no último dia, com chegada no estádio (no caso, o Maracanã), imediatamente antes da cerimônia de encerramento.

É assim que a Maratona justifica sua condição de  evento olímpico por excelência.

Outra boa ideia, como a de Londres em 2012, é de realizar a Maratona em “loops”, nos pontos nobres da cidade, com grande participação do público, em vez de um percurso linear, como é a atual Maratona do Rio.

Poderiam ser utilizadas áreas como o Aterro do Flamengo e pontos históricos ou nobres do Centro, como a Avenida Rio Branco e o Porto Maravilha, com chegada  no Maracanã.

Temo que nada disto esteja sendo levado em consideração.

Há ainda uma observação curiosa. A Maratona Olímpica faz parte dos chamados “Jogos de Verão” no Hemisfério Norte e sofre, em consequência, porque a temperatura está sempre acima do ideal, como foi o caso de Londres, que teve o vencedor Stephen Kiprotich correndo em 2:08:01, num dia em que a temperatura chegou acima de 25 centígrados.

Mal tal temperatura é a média do que se pode esperar num inverno carioca, como será em agosto de 2016. Por isto, o resultado da Maratona Olímpica do Rio não terá muito a temer em comparação com o obtido em Londres ou outras cidades do Hemisfério Norte.

Mas seria bom ter um traçado que favoreça os atletas.

 

 

 

 

A Maratona do Rio

Tiago Diniz/Divulgação

Tiago Diniz/Divulgação

Bristol (EUA) – Este domingo marcou a passagem de mais uma Maratona do Rio, prova que, com altos e baixos, vem ocorrendo desde novembro de 1980. A propósito, registro abaixo manifestação de dois leitores e a resposta que dei ao primeiro, Alex.

Quando o segundo leitor, Rafael Proença (que estava em dúvida se iria ou não disputar a Maratona), se pronuncia, o que ele diz em relação à temperatura que –  em caráter raro e excepcional –  esteve baixa para o Rio, confirma o que eu sugeri, em resposta ao Alex, quanto à conveniência de uma boa Maratona em Porto Alegre, no inverno.

Abaixo, as transcrições:

“Aproveitando o embalo de vitorias brasileiras no atletismo,  o brasileiro Edmilson Santana venceu hoje, domingo, a Maratona do Rio. O tempo, porém, 2:17.14 (e apenas quatro corredores abaixo de 2:20) mostra a completa desimportância internacional que a nossa maratona tem hoje. Foi-se a época em que trazia grandes corredores e estava no time de cima das maratonas internacionais. Trinta anos atrás quem ganhava a Maratona do Rio fazia um tempo 3/4 minutos mais rápido que o tempo de hoje. (30 anos atrás!) Sem patrocinio à altura, hoje ela é irrelevante. (Volta, Werneck!)

Entre as mulheres deu a queniana Ednah Mukhwana em 2:40.26, outro tempo muito fraco em termos internacionais. Alex.”

“Caro Alex: gostaria de ver os organizadores no Brasil se unirem para realizar uma Maratona em Porto Alegre, no inverno, em julho, em um percurso plano. Seria o único modo de haver uma prova brasileira em condições de apresentar tempos internacionais de bom nível, desde que, é claro, tivesse uma boa premiação e atraísse maratonistas de elite. Por uma questão de clima, em nenhum outro lugar do Brasil se poderia fazer uma maratona de alto nível. Mas, pelo que sei, a Maratona de Porto Alegre é realizada em abril, o que é um erro. José Inácio.”

“Werneck: Acabei optando por correr a Maratona do Rio hoje, domingo. Deixei pra trás a falta de treinos no período da Copa do Mundo e optei por fazer os 42 quilômetros. Se no ano passado sofremos com o implacável calor, neste ano tivemos uma temperatura bastante agradável para se correr, variando entre os 17ºC e os 20ºC.

Temendo as cãibras que me atingiram no 27º quilômetro em 2013 e o treinamento inadequado, optei por uma largada extremamente conservadora. Aliás devo ressaltar que o fato de estar em minha segunda maratona já me permitiu uma visão bem mais tática da prova. A maratona em si pede uma tática bem definida, do contrário paga-se um alto preço. Inicialmente pensei em manter um ritmo de 9,0 km/h desde o Recreio até o Aterro do Flamengo, mas “sentindo” a corrida achei melhor fazer os primeiros 15 km na casa dos 8,5 km/h, pois me sentia  confortável. Foram os piores 5 e 10 quilômetros e 10 milhas da minha vida, mas em nenhum momento isso me desesperou. Já na Barra da Tijuca, quase na meia maratona, aumentei um pouco o ritmo e passei a correr levemente acima do que havia programado inicialmente. Passaram-se o Elevado do Joá, São Conrado e foi exatamente no calcanhar de Aquiles do ano passado, a Avenida Niemeyer, que tive a sensação de que a maratona estava sob controle. Muitos quebraram ali e eu apertei o passo. No Leblon, a chuva fina apareceu, mas parando logo à frente, em Ipanema e Copacabana. Pouco depois, já nos últimos quilômetros, a chuva apareceu com muita força em Botafogo e nos acompanhou até a chegada no Flamengo.
Como gosto do tempo frio e de correr na chuva, não me senti incomodado. Pelo contrário. Foi como se toda aquela água tivesse vindo para coroar um final apoteótico. A confiança foi tanta que corri os quatro quilômetros derradeiros em ritmo de meia maratona, variando entre os 12 e 13 km/h e fazendo um “ split” negativo.
Curiosamente meu tempo foi o mesmo do ano passado, 4h29min. Tenho planos para fazer a maratona na casa dos 3h40min ainda, logo o resultado de hoje não pode ser considerado dos mais animadores. No entanto, por ter feito todo o percurso correndo, sem quebras, e tendo treinado bem menos do que em 2013, o resultado torna-se bastante satisfatório.”

O charme vistoso de Paris

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Acho difícil, impossível mesmo, haver um local mais esplêndido para a chegada de uma competição esportiva do que os Champs-Élysées, em Paris, encimados pelo Arco do Triunfo, mandado construir por Napoleão Bonaparte.

Quando acrescentamos que no último dia do Tour de France os ciclistas dão oito voltas no famoso boulevard, apinhado de gente, passando ainda por outros pontos históricos como a Place de La Concorde, com seu Obelisco egípcio, e com as imagens do Sena e da Torre Eiffel, temos uma verdadeira festa para os olhos.

Uma festa também para as torcidas italiana e francesa, presentes com um grande número de bandeiras. A italiana pela vitória de Vincenzo Nibali, dando ao país um título que não conquistava desde 1998, com Marco Pantani, o “Pirata”. Para os franceses, pelo surgimento de novos valores de seu ciclismo, com a segunda colocação de Jean-Christophe Péraud e a terceira de Thibault Pinot. Acrescente-se que outro francês, Romain Bardet, só perdeu a quinta posição para o americano Tejay Van Garderen pela infelicidade de ter um pneu furado no “contra-relógio” de sábado.

A competição em Paris foi espetacular, com a vitória da etapa, pelo segundo ano consecutivo, para o alemão Marcel Kittel, que só ultrapassou o norueguês Alexander Kristoff nos últimos cinco metros de uma prova de 137,5 quilômetros, a partir de Évry. Kittel e Kristoff  lutaram na chegada com o lituano Ramunas Navardauskas, outro excelente “sprinter”, embora a camisa verde para o melhor “sprinter” ao longo das três semanas  tenha ficado mesmo com o eslovaco Peter Sagan.

Nibali junta-se a uma elite de apenas seis ciclistas que até hoje ganharam tanto o Tour de France quanto o Giro d’Italia e a Vuelta a España. Teria ele ganho o Tour este ano se Chris Froome e Alberto Contador não tivessem abandonado, por causa de acidentes?

Quando considero  que Nibali vestiu o “maillot jaune” em 19 das 21 etapas, que foi o vencedor de quatro etapas, sendo que três em montanha,  e  que seus ataques incisivos ao longo de toda a prova justificaram seu apelido de “Tubarão”, sou levado a concluir que este ano seria dele, mesmo se Froome, Contador e ainda Bradley Wiggins (que não competiu) estivessem presentes.

Só espero que Nibali se mantenha afastado de estimulantes, os estimulantes que, justa ou injustamente, marcaram a carreira de Marco Pantani, um herói nacional que, desclassificado do Giro d’Italia, entrou em depressão e acabou morrendo muito moço, aos 34 anos, por overdose de cocaína.

Uma faixa dizia neste domingo, em Paris: “Vincenzo Nibali e Marco Pantani, orgulho de ser italiano”.

Que Nibali realmente justifique tal sentimento.

 

Nibali ganha, franceses exultam

Foto: ERIC FEFERBERG / AFP

Foto: ERIC FEFERBERG / AFP

Bristol (EUA) – Neste domingo, na tradicional chegada nos Champs-Élysées, o italiano Vincenzo Nibali vai se sagrar campeão do Tour de France de 2014, mas a torcida da casa também terá muitos motivos para comemorar.

Os franceses estão muito bem colocados para subir ao pódio na segunda posição, com Jean Christophe Péraud, e na terceira, com Thibault Pinot.

É justo também destacar que neste sábado, outro francês, Romain Bardet, teve muito azar, com um pneu furado quando se aproximava da chegada no “contra-relógio” de 54 quilômetros, entre Bergerac e Périgueux.

Se não fosse o imprevisto, a esta altura Bardet estaria na quinta posição geral. Quem a assumiu, porém, foi o americano Tejan Van Garderen.

O primeiro colocado no “contra-relógio” foi o alemão Tony Martin, com um sensacional desempenho de 1:06:21 para a distância.

Vincenzo Nibali leva quase oito minutos de vantagem sobre Péraud na colocação geral deste Tour de France  que vem marcando o ressurgimento do ciclismo francês.

Os franceses dizem que a explicação para o aparecimento de bons competidores do país no Tour de France está no controle anti-doping, agora que todos os países estão adotando o chamado “passaporte biológico”.

O fato é que a última vitória francesa ocorreu em 1985, quando Bernard Hinault derrotou o americano Geg LeMond (que, como o nome indica, descende de franceses).

De lá para cá surgiu a “era Armstrong” marcada pelo uso de doping. Os franceses reconhecem  que também tiveram ciclistas que se doparam no passado, como Richard Virenque, mas alegam que, ao contrário de outros países, adotaram bem cedo medidas para combater o uso de estimulantes.

Dizem os analistas que o ciclismo agora é um esporte mais limpo do que, por exemplo, o atletismo. E os franceses garantem que, por causa do “passaporte biológico”, uma nova geração de bons ciclistas vem surgindo no país.

Garantem ainda que o melhor representante da nova geração é Warren Barguil, de 22 anos, que ainda não participou de um Tour de France.

Tudo indica que será selecionado para o ano que vem.

 

A mal-amada Argentina

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Uma análise do New York Times feita através da internet durante a final da Copa do Mundo em diversos países  mostrou que a grande maioria deles tinha mais gente torcendo pela Alemanha do que pela Argentina.

Especificamente, torcendo pela Argentina só os Estados Unidos (creio que por causa da fama de Messi por aqui), México, Honduras, Equador, a própria Argentina, Portugal, Itália, Grécia (é bom lembrar que os alemães são extremamente impopulares nos países do sul da Europa, por causa da atitude antipática que  adotaram, exigindo medidas econômicas duras quando tais nações entraram em crise econômica) – e só.

Pela Alemanha, torceram o Brasil, o Uruguai, o Chile, a Colombia, Costa Rica, Espanha, Inglaterra, França (até a França, tradicional inimiga), Holanda, Bélgica, a própria Alemanha, a Áustria, a Croácia, a Bulgária, o Irã, a Rússia, a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália, a Argélia, a Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

Por que será que nossos vizinhos não desfrutam de  grande popularidade?

Um amigo meu brasileiro, residente nos Estados Unidos, mas que foi ao Rio de Janeiro assistir à Copa, diz que, a julgar pelo comportamento dos torcedores argentinos que apareceram na cidade, a explicação não é difícil: arrogância e falta de educação.

Em tempo: aproveito para, sobre assunto relacionado, recomendar aos leitores o seguinte site, que me foi enviado por minha filha, Sarah Jane Werneck Brown: http://www.foxnews.com/world/2014/07/25/to-brazil-consternation-hordes-young-argentines-make-themselves-at-home-after/

Nibali e a transparência

AFP

AFP

Bristol (EUA) – A esta altura pode-se dizer que o italiano Vincenzo Nibali será o campeão do Tour de France deste ano, desde que não sofra um acidente nos três últimos dias, um dos quais, sábado, é para um “time-trial”, um contra-relógio.

Nesta quinta-feira, ao ganhar mais uma etapa, perguntaram-lhe se ele podia comparar seu domínio do Tour com as atuações de hepta-campeão Lance Armstrong e a resposta foi quase indignada:

- Minha carreira sempre foi marcada pela transparência. Meu domínio este ano é devido em grande parte às ausências de Chris Froome e de Alberto Contador, em virtude de acidentes, algo fora de meu controle.

Nibali disse ainda:

- Lance se focalizava no Tour, mas eu sempre me concentrei também em outras provas, como a Vuelta a España, que ganhei em 2010, e ao Giro d’Italia, onde fui o campeão em 2013. Em todas as competições em que entro procuro ganhar etapas, mesmo que não possa ser o vencedor geral. No momento estou em grande forma e só este ano resolvei me concentrar especialmente no Tour de France.

Uma coisa porém o siciliano Nibali tem em comum com o texano Armstrong: ele compete pela equipe Astana, a mesma de Lance Armstrong em 2009.

Bolt tem razão

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Quando até o cavalo da rainha é apanhado com doping, precisamos temer pelos  esportes no mundo – todos os esportes.

A rainha “foi informada e acompanha o caso com atenção”, divulgaram as agências internacionais.

Como a rainha evidentemente tem um mordomo, aponto-o desde já como o principal suspeito.

Quanto a seres humanos, nosso caro amigo e leitor Alex/Rio dizia outro dia andar tão decepcionado com futebol que agora só acompanha atletismo.

Mas eis que uma notícia ruim também nos chega do atletismo.

Como é mais ou menos do conhecimento geral, a punição prevista para atletas que se dopam é de dois anos, na primeira vez.

Na segunda, podem ser banidos.

Entretanto, a USADA, o órgão anti-doping dos Estados Unidos, deu a Tyson Gay, apanhado com o estimulante oxilofrine, uma suspensão de apenas um ano.

O motivo, segundo a USADA, é que Tyson Gay “cooperou” com a agência.

Tal cooperação em geral envolve dedurar outros culpados, mas Lance Armstrong, o do ciclismo, também vem cooperando com a USADA mas continua banido.

A WADA, a agência mundial anti-doping, aprovou a leniência da USADA, assim como fez a IAAF, a Federação Internacional de Atletismo.

Mas o bicampeão olímpico Usain Bolt reclamou, achando a punição muito pequena – e está com a razão.

Bolt cita o caso de seu conterrâneo jamaicano Asafa Powell, que também cooperou com a WADA e teve sua suspensão reduzida apenas de dois anos para 18 meses.

Ele acha que Gay está merecendo tratamento especial e considera que isto é um mau exemplo para o atletismo.

Bolt está certo. Aliás, a redução da suspensão de Asafa Powell de dois anos para 18 meses também está errada.

O caso de Gay porém é mais escandaloso.

O Império dos Agentes

Foto AFP

Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Bristol (EUA) – Há mais abaixo um comentário de um leitor que fala da habilidade e da criatividade do jogador brasileiro. Acho que este ponto, sempre repisado no passado, nos leva a conclusões enganosas.

O jogador brasileiro não é diferente dos outros terráqueos nem caiu de Marte por descuido. É um ser humano, como o de qualquer outro país, nem pior, nem melhor.

A ficção de uma habilidade natural superior do jogador brasileiro vem muito das crônicas de Nélson Rodrigues, mas, como ele mesmo dizia, “se os fatos me contrariam, bolas para os fatos”.

Segundo Nélson, um suíço, um alemão, para poder jogar futebol tão bem quanto um brasileiro teria que primeiro fazer estágio como camelô no Largo da Carioca.

Se Nélson estivesse vivo, certamente teria achado uma explicação pitoresca para os 7 a 1 que sofremos diante da Alemanha e quem dicordasse seria inevitavelmente um “idiota da objetividade”.

Analisemos  a Seleção Brasileira da Copa de 2014. O único jogador nosso que poderia figurar numa seleção “dos melhores” seria Neymar. Quanto a todos os outros dez, havia melhores em cada uma das posições, em outras seleções.

O leitor ainda defende Dunga e pessoalmente nada tenho contra Dunga, mas a verdade é que ele formou em 2010 uma Seleção que só sabia jogar no contra-ataque e que, quando defrontada com a necessidade de sair de um marcador desfavorável, como aconteceu contra a Holanda, não tinha um repertório de jogadas ofensivas.

Precisamos mudar, vamos nos convencer.

Outra mudança que precisa ocorrer é na Lei Pelé, que virou o paraíso e o refúgio dos “agentes de jogadores”.

Mas o que temos agora? Temos um agente, ou (segundo ele) ex-agente de jogadores, Gilmar Rinaldi, amigo íntimo de Dunga, exercendo as funções de Coordenador de Seleções.

Enquanto vivermos uma situação em que nossas revelações se tornam propriedade de agentes, que os negociam de Seca em Meca, para os quatro cantos do mundo, nosso futebol continuará no caminho errado.

O problema está na mesa. Temos o Bom Senso F. C. conversando com o governo, procurando solucioná-lo.

Vamos por mãos à obra. Mas vamos partir da realidade de que o jogador brasileiro não é intrìnsicamente superior a nenhum outro e colocar um ponto final no Império dos Agentes.

 

 

Dureza no Tour de France

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Nesta segunda-feira o Tour de France teve um dia de descanso. Foi merecido, pois amanhã, terça-feira, começa a arrancada para a grande chegada, domingo, em Paris.

O trecho desta terça-feira, nos Pirineus, é talvez o mais duro de toda a prova. É pelo menos o mais longo, com 237,5 quilômetros, e inclui a subida bastante íngreme do Col de Portet-d’Aspet.

Foi lá que o italiano Fabio Casartelli, campeão olímpico, morreu em um acidente em 1995.

Mas a etapa não  termina aí. Em seguida vem a subida de Port de Balès e, depois, 22 quilômetros de descida até a faixa de chegada em Luchon.

Os competidores vão colocar o máximo de pressão no camisa amarela, o italiano Vincenzo Nibali, mas para mim ele continua o favorito para levantar o Tour este ano.

Vai ser também interessante a luta pelo segundo lugar do espanhol Alejandro Valverde contra os franceses Romain Bardet e Thibaut Pinot.

Num capítulo à parte, registra-se o reaparecimento no Tour de Mark Cavendish, o ciclista da Isle of Man, que se acidentou seriamente logo na primeira etapa do Tour deste ano, em Harrogate, na Inglaterra, e precisou colocar um parafuso no ombro. Ele voltou não para competir, mas para assistir e dar entrevistas.

Cavendish já está treinando e ainda disputará provas de ciclismo este ano.