Gazeta Esportiva

Foto: AFPVirginia Beach (EUA) – Nos Estados Unidos e na Inglaterra, chamar um chinês de “chink” é ofensivo – tão ofensivo, ou mais, do que, no Brasil, chamar um português de “galego” ou um polonês de “polaco”. Acontece porém que a expressão “a chink in the armor” (or “armour”, se quisermos adotar a ortografia inglesa) é inofensiva. Significa o ponto fraco em uma armadura, uma rachadura ou fissura no sistema.

As duas interpretações se combinaram de forma explosiva quando alguns empregados da ESPN americana resolveram, por escrito na Internet e em nota de rodapé na tela, ou oralmente, em comentário,empregá-la em relação ao sino-americano Jeremy Lin, do New York Knicks, nova sensação do basquete na NBA. Jeremy Lin nasceu nos Estados Unidos, filho de imigrantes de Taiwan.

Eles a usaram porque, no jogo com o New Orleans Hornets, perdido pelo Knicks, Jeremy Lin falhou diversas vezes (ele já se redimiu, na vitória sobre o Dallas Mavericks). Os funcionários acharam que a expressão “a chink in the armor” – uma rachadura na armadura – seria uma piada muito engraçada.

Não foi. Foi uma piada de mau gosto. Há uma diferença entre a graça e a grosseria. O resultado é que um empregado foi demitido, outro suspenso por um mês e um terceiro (o que usou a expressão apenas oralmente) advertido.

Bristol (EUA) – Infelizmente, não foi no Brasil. Foi na China. O vice-presidente da Federação de Futebol, Yang Yimin, e o Diretor do Departamento de Árbitros, Zhang Jiaquing, foram condenados, respectivamente, a 10 anos e meio e 12 anos de prisão, e multas de 32 mil dólares e 35 mil dólares, por corrupção. Os advogados de ambos disseram que não vão recorrer.

Vocês sabem por que eles não vão recorrer? Porque, nos dois casos, os crimes que cometeram podem resultar em condenação à morte.

Outros diversos cartolas foram também comdenados. Eu ia começar por Duyunqi Qingdau, presidente de um clube importante, mas vi que a lista de dirigentes já no xilindró, ou prestes a para lá seguir, é longa e desisti. Afinal, não é fácil escrever todos  estes nomes chineses.

Enquanto isto, no Brasil…

Bristol (EUA) – No dia 2 de janeiro de 1971 eu estava no Ibrox Stadium, em Glasgow, na Escócia, para assistir ao grande clássico do futebol do pais: Celtic x Rangers. Ao fim do jogo, um tumulto, um corre-corre, resultou na morte de 66 pessoas esmagadas e asfixiadas nas estreitas escadas que levavam da arquibancada ao nivel da rua.

Rangers x Celtic sempre foi o Fla-Flu da Escócia. Na verdade, mais do que isto, pois a Liga Escocesa, como a Liga Espanhola, é a Liga de dois times só. Agora o Rangers está no buraco, com sua insolvência financeira judicialmente decretada. O time deve mais de 77 milhões de dólares, só ao Imposto de Renda, sem contar as multas. Não tem como pagar, por isto foi imposta a intervenção sobre suas finanças.

O Rangers tem ainda muitos outros credores e não se sabe se poderá continuar a existir. Fica a pergunta: e o campeonato escocês ficará sendo o campeonato de um time só? Se a grande rivalidade Celtic x Rangers acabar (o Celtic é predominantemente o time de católicos e o Rangers o time de protestantes), o que será da Liga Escocesa?

A pergunta vale também para o futebol europeu como um todo. Na Inglaterra, o Portsmouth também está com a insolvência decretada, pela segunda vez em dois anos, embora tenha ganho a Copa da Inglaterra em 2008. Michel Platini, presidente da UEFA, já disse que para a temporada 2013-2014 apenas os clubes que puderem provar que tem mais rendas do que despesas  serão admitidos na Liga dos Campeões e na Liga da Europa.

Manchester City, Chelsea, Mílan, Paris Saint-Fermain, Barcelona e Real Madrid já garantiram que vão cumprir a derterminação. Afinal, ela é feita para seu próprio benefício. Toda a economia europeia se encontra em crise e, se os clubes de futebol não se compenetrarem de que também estão sendo afetados, irão juntos para o buraco.

Bristol (EUA) – O Rio vai ganhar uma nova Maratona. Será a Maratona Pro Adidas, que se realizará pela primeira vez no dia 9 de setembro, domingo. O percurso  está medido e certficado. A maratona já está aprovada pela Federação Internacional de Atletismo e será inscrita entre os eventos da AIMS (Associação de Maratonas Internacionais).

A novidade está no percurso, em três voltas de 14 quilômetros mais um trecho de 195 metros, que termina no Monumento aos Mortos da II Guerra, no Aterro do Flamengo. No ano que vem a Maratona terá que ser medida de novo e re-certificada, pois a Perimetral, que faz parte de seu percurso, será derrubada, como uma das obras previstas para a realização da Olimpíada de 2016.

O conceito do percurso porém será mantido, com três voltas de 14 quilômetros mais 195 metros.

Foto: AFPBristol (EUA) – Como eu previ no dia 3 deste mês (vejam  A Saga de Tevez), Roberto Mancini resolveu engulir sua frase “Carlos Tevez jamais jogará outra vez pelo Manchester City enquanto eu for técnico do clube” e, em consequência, o complicado (sim, ele é complicado) argentino estará desembarcando na manhã desta terça-feira na Inglaterra.

Afinal, faltam 13 rodadas para o fim do campeonato inglês, o Manchester City está apenas dois pontos à frente do Manchester United na liderança da tabela, os gols  andam escasseando e Carlos Tevez pode ter todos os defeitos do mundo, mas é um artilheiro nato.

Além do que, é um jogador de muita garra que, quando está em campo, se empenha a fundo, qualquer que seja o relacionamento que tenha fora das quatro linhas com o técnico. Quando o campeonato acabar e nova janela de transferência se abrir, Tevez vai outra vez afirmar que quer sair. Mas os donos do Manchester City já disseram a Mancini e aos seus auxiliares na Comissão Técnica que, no momento, não querem vê-los hostilizando Tevez.

Bristol (EUA) – Por três vezes, a partir do dia 28 de novembro (naquela ocasião com o título “Entre o Cansaço e o Declínio”) alertei que o time do Barcelona mostrava sinais de que não vinha conseguindo manter o ritmo tão elevado que o consagrou. Voltei a escrever, no dia 16 de janeiro, sob o título “A dificuldade do Barcelona”. Mesmo tema. As pessoas celebravam ainda a goleada sobre o Santos, que deveria ter  sido vista na verdade como imenso demérito do time brasileiro.

Finalmente, no dia 30 de janeiro, escrevi o “post” com o título “O Campeonato é do Real”. Todas as vezes houve gente me criticando, mas acho que agora, com dez pontos de diferença, não há mais dúvida alguma de que o campeonato espanhol está decidido, muito antes do fim, e o Real Madrid é o campeão.

Alguém ainda duvida? O mais lamentável em tudo isto é o que chamo campeonato de duas notas só. A Federação Espanhola, os clubes e a federação tem que fazer alguma coisa para acabar com este desequilíbrio, que, a longo prazo, será prejudicial até para os dois super-grandes: o Real  e o Barça.

Foto; AFP

Bristol (EUA) – Antigamente os times de futebol entravam em campo, cada um por seu túnel, faziam o aquecimento, alinhavam-se e a partida  era iniciada. Um dia um gênio de relações públicas inventou que eles tinham que entrar e sair juntos pelo mesmo túnel, perfilarem-se em campo e trocarem apertos de mãos.

Tudo isto, aparentemente, em nome do cavalheirismo, das regras de “fair-play”. A verdade é que há jogadores que se odeiam e o aperto de mãos é muitas vezes uma formalidade hipócrita. Em outras vezes, quando a antipatia de um pelo outro é mais profunda, transforma-se em ocasião para tornar os espíritos ainda mais exarcebados.

Foi o que aconteceu neste sábado na Inglaterra na partida entre o Manchester United e o Liverpool, em Manchester, pela Premier League. O francês Patrice Evra, do Manchester United, e o uruguaio Luis Suarez, do Liverpool, são inimigos figadais desde o dia em que Patrice Evra acusou Suarez de té-lo chamado de “negro”, Suarez retrucou dizendo que “negro”, em sua terra, não é um termo ofensivo, mas mesmo assim foi punido pela Federação com suspensão e uma pesada multa.

Hoje era a primeira vez em  que eles se encontravam em campo depois do episódio. Resultado: criou-se uma expectativa maior em torno do ritual de aperto de mão entre os jogadores do que aquela que naturalmente já cerca uma partida entre os dois times. As câmeras entraram em “close-up”, Suarez passou por Evra, não apertou sua mão, Evra agarrou-o pelo braço, Suarez repeliu-o, Suarez seguiu adiante e, no seguimento, foi a vez de Rio Ferdinand, do Manchester United, recusar-se a apertar a mão do uruguaio.

O jogo começa.Bola pra cá, bola pra lá, vem o intervalo e, no túnel,  a caminho do vestiário, Evra foi tomar satisfações de Suarez. Ninguém sabe ainda ao certo o que aconteceu, mas certamente não foi uma troca da amabilidades própria de um “tea-party” no Palácio de Buckingham.

Ao fim e ao cabo, o Manchester United derrotou o Liverpool por 2 a 1, com dois gols de Wayne Rooney contra um de Luis Suarez . Ao fim da partida, Evra foi provocar Suarez, comemorando ao seu lado, os juízes  tiveram que se colocar entre os dois, alguns jogadores do Liverpool acharam que Evra já estava exagerando – e realmente estava. Felizmente Suarez ignorou a provocação e, pelo menos ao que no momento se saiba, não ocorreu nada de mais sério daí para a frente.

Incidentalmente, o Manchester United mereceu a vitória e, pelo menos por 24 horas, é o líder isolado da Premier League. Mas talvez estivesse na hora de acabar com o ritual inútil e besta do aperto de mãos antes das partidas. Como escrevi acima, há jogadores que se detestam e não é um aperto de mãos a contra-gosto que vai modificar seus ânimos.

Bristol (EUA) – Prometi uma palavra sobre a corrida de cinco quilômetros em New Haven, como preparativo para o Mundial de Triathlon,  e aqui vai: fui o terceiro colocado em minha faixa etária, de 70 a 79 anos. Na verdade, consegui o mesmo tempo que o segundo colocado, Bill Gagnon, com 30:19, que não é nada mal para uma prova em que metade do percurso é ladeira acima. Mas a organização disse que ele foi o segundo colocado e eu o terceiro, decisão no photochart. Parabéns ao Bill.

O ganhador em nosso grupo de idade, Jim Quinn, conseguiu 28:50, tempo que eu considero excelente. Mais importante do que tudo foi que meu joelho esquerdo, que vinha baleado há muito tempo, comportou-se bem. Nada senti, parece que estou recuperado.

Minha mulher, Dawn Werneck, com problemas no joelho – em seu caso, joelho direito – não correu, mas deverá reaparecer dentro em breve. Se tudo transcorrer bem, estaremos ambos no Mundial de Triathlon em Auckland, na Nova Zelândia, em outubro.

Em tempo: nosso neto, David Stephenson, foi o segundo colocado na faixa etária de 12 anos para baixo, com 23:14.

Foto: AFP

Um dos melhores jogadores da NFL, marido de Gisele perdeu a decisão para o New York Giants

Bristol (EUA) – Parece que Gisele Bundchen (perdão, Gisele, pela falta de trema) perdeu a calma e disse uma palavra pouco recomendável a um torcedor do Giants, depois da derrota do Patriots, de seu marido Tom Brady, no Super Bowl. Nao consegui ouvir, porque estou no escritório, mas tudo indica que seja uma palavra iniciada pela letra “f”.

Vi alguns momentos do Super Bowl, não todos, pois confesso  que não me comovo muito diante de um esporte em que 80% dos personagens comparecem apenas como montanhas de músculos (muitas vezes, de banha) escaladas para confrontos físicos com os adversários. Nunca sequer chegam a tocar na bola – que é, afinal, a razão de ser da batalha.

Entre os  que jogam mesmo o mais importante,  claro, é o quarterback, e o marido de Gisele, Tom Brady, é um dos mais badalados entre eles. Na semana do clássico, Gisele andou enviando e-mails e amigos e parentes pedindo  que “rezassem por Tommy” (como ela o chama, carinhosamente.)

Não deu certo, assim como não dera certo com o único quarterback ainda mais badalado do que Tom Brady, o Atleta de Cristo Tim Tebow, do Denver Broncos, que rodou antes.

Bem que Tom tentou e chegou até a estabelecer um recorde de passes completos em partidas do Super Bowl, mas, na hora da onça beber água, seu recebedor Wes Welker falhou, o passe não se completou e a vitória foi do Giants.

Pode ser que haja mais coisas entre o Céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia, mas nem  sempre funcionam como os devotos desejam em matéria de futebol americano.

Bristol (EUA) – Nosso amigo Richard Donovan completou a façanha em quatro dias, 22 horas e três minutos. Portanto, 1h57mi9n abaixo do tempo limite.

Richard começou na base aérea russa de Novo (nome completo Novolazarevskaya), na Antárctica, na Queen Maud Land, um território norueguês que fica bem abaixo da África do Sul, no dia 1º de fevereiro, às 9h53min, hora do Meridiano de Greenwich. De lá ele pegou uma carona num avião cargueiro russo, correu outra Maratona na Cidade do Cabe e, dali para a frente, em vôos comerciais, levando apenas bagagem de mão, corrreu maratonas em São Paulo, Orlando (Flórida), Londres, Hong Kong e Sydney, na Austrália, todas certificadas por medidores oficiais da AIMS (Associação de Maratonas Internacionais).

No Brasil, onde, se a memória não me falha (vocês podem checar abaixo) ele correu a maratona em 4h19min, o medidor foi Rodolfo Eichler.

Richard Donovan completou a façanha para levantar fundos para vítimas de fome na África. Vocês podem contribuir acessando seu site em www.worldmarathonchallenge.com. Ele pessoalmente também terminou a odisséia com um gigantesco apetite, sobretudo porque, durante a peregrinação, com o cansaço, não estava conseguindo reter sólidos e líquidos no estômago.