Jeptoo dopou-se mesmo

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Bristol (EUA) – O exame da amostra “B’, da queniana Rita Jeptoo, confirmou o que já fora revelado pela amostra”A”: ela dopou-se com EPO, que aumenta a capacidade do sangue de absorver oxigênio.

Os leitores devem se lembrar que o resultado da amostra “A” foi divulgado dois dias antes da mais recente Maratona de Nova York. Como consequência, ficou em suspenso o pagamento de meio milhão de dólares a Rita Jeptoo, como vencedora da séria da World Marathon Majors.

Agora está praticamente decidido  que ela não verá mesmo a  cor do dinheiro.

A confirmação do doping pela amostra “B” foi revelada nesta sexta-feira, em Lausanne, na Suíça, pela WADA, a Agência Mundial Anti-Doping.

Além de perder o dinheiro, Rita Jeptoo estará sujeito a outras sanções.

Ela tem o direito de recorrer, o que poderá fazer em janeiro. Mas é possível que nem o faça.

Fica no ar a pergunta: até quando a imensa superioridade queniana em corridas de longa distância deve-se, ao menos em parte, ao uso de “doping” por seus atletas?

Rita Jeptoo não é a primeira a ser pega em flagrante.

Lambança natalina

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Bristol (EUA) – É Natal e o já desmoralizado Congresso Nacional desmoralizou-se mais ainda, com a repugnante manobra de incluir na  adoção de uma medida provisória de isenção tributária de importações uma emenda  que permite aos permanentemente endividados clubes brasileiros pagar suas dívidas em 20 anos, sem qualquer contrapartida.

As festas natalinas viram farra, com o dinheiro da Viúva – isto é, do contribuinte.

Segundo o Congresso, a incapacidade administrativa, a bagunça, a irresponsabilidade, a incompetência  de nossos cartolas, traduzidas em estádios vazios e no êxodo de nossos melhores jogadores para paragens onde impera um verdadeiro profissionalismo, podem continuar,  sem serem molestadas.

Eu escrevi incapacidade, bagunça, irresponsabilidade e incompetência? Quero acrescentar: desonestidade.

Como foi desonesta também a manobra parlamentar, proposta por – adivinhem – um deputado que é também cartola, dirigente de clube.

Legislou em causa própria.

Até quanto tais pessoas abusarão de nossa paciência?

Agora é  de se esperar que a presidente Dilma Rousseff vete a trampolinice.

E, paralelamente, instrua seus auxiliares a continuarem a negociar uma Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Uma lei que ajude os clubes que, primeiramente, queiram se ajudar a si mesmos, organizando-se administrativamente e elegendo cartolas mais sérios.

 

O home run de Obama

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Bristol (EUA) – Para usar uma linguagem de beisebol,  esporte predileto de  Fidel Castro e também o mais popular entre o povo cubano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu esta semana um home run.

 

Sua histórica rebatida, mandando a bola  além, muito além do alcance dos adversários, já deixou os  times de beisebol nos Estados Unidos assanhados, pois agora vai ser muito mais fácil contratar grandes jogadores saídos da ilha caribenha.

 

De repente o tímido Barack Obama, apesar de se encontrar em minoria no Senado e na Câmara de Deputados, parece ter encontrado a coragem de suas convicções em seus dois últimos anos de mandato.

 

Já não era sem tempo. No recente mês de novembro, Barack Obama sofreu uma derrota nas  eleições para a Câmara dos Deputados e parte do Senado.

 

São as chamadas eleições “mid-term”, que ocorrem em meio a um mandato presidencial e se constituem em uma singularidade americana.

 

Muitos são contra a ideia da renovação da Câmara de Deputados a cada dois anos, notando, com razão, que isto leva os representantes do povo a viverem em permanente campanha eleitoral.

 

Outro ponto muito discutido é que tradicionalmente apenas uma pequena parte do eleitorado se interessa pelas eleições “mid-term”. Há um elevado  nível de abstenção (é importante lembrar que nos Estados Unidos o voto não é obrigatório).

 

Os eleitores que mais se interessam pelas eleições parlamentares – e para alguns governos estaduais – “mid-term” são justamente os mais velhos (estão aposentados e as eleições nos Estados Unidos são sempre em dia útil) e mais conservadores, em sua imensa maioria brancos.

 

Não é de admirar portanto  que Obama tenha amargado uma derrota em novembro e agora se encontre, no Congresso, à mercê do Partido Republicano, que está doido para inflingir aos democratas uma derrota na eleição presidencial de 2016.

 

Mas de súbito Obama, talvez cansado de ser acusado de timidez e covardia – e talvez por achar que não tem mais nada a perder – recuperou a iniciativa política, voltando aos pontos principais de sua campanha.

 

Foi assim em três áreas, todas em flagrante confronto com os republicanos.

 

A primeira foi a reforma da imigração, livrando  um grande número de estrangeiros em situação irregular, em especial latino-americanos, de deportação.

 

A segunda, a adoção de medidas de proteção ao meio-ambiente, sobretudo na esfera de combate aos combustíveis fósseis. Para tanto, Obama manteve negociações secretas com a China, levando a um acordo para diminuir a emissão de gases do efeito-estufa.

 

A terceira ocorre agora, com  o anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, numa negociação intermediada pelo papa Francisco.

 

Nas três, Obama usou de seus poderes executivos e em todas elas será em parte cerceado pela maioria republicana no Congresso.

 

Mas a marcha da história está ao  seu lado e há ainda também negociações para um acordo nuclear com o Irã.

 

Na questão cubana, o embargo econômico que existe contra o governo caribenho é sacramentado em lei e portanto só o Congresso poderá revogá-lo. Mesmo assim, há medidas que Obama pôde tomar, como a elevação do teto para  remessas de dinheiro ao país.

 

A grande pergunta agora é esta: como tais medidas, especialmente o restabelecimento de relações com Cuba, influenciarão o resultado da eleição presidencial em menos de dois anos?

 

Creio que favoravelmente. Na questão cubana, por exemplo, vai se tornando notório que os cubanos-americanos mais jovens são favoráveis ao restabelecimento de relações diplomáticas.

 

Este ponto poderá decidir a eleição na Flórida em 2016 em favor dos democratas. E a Flórida é, cada vez mais, desde a eleição que os juízes republicanos  da Suprema Corte roubaram em 2000 para George W. Bush, o estado que age como fiel da balança, nacionalmente,  em sucessões presidenciais.

 

Cuba também tem desempenhado um papel importante, junto com os Estados Unidos, no combate à Ebola, na África, e agora talvez seja possível que as duas nações unam seus esforços.

 

No campo esportivo, um intercâmbio maior entre Cuba e Estados Unidos também será muito produtivo, e não apenas no beisebol. Apesar de suas dificuldades econômicas, Cuba  tem sido consistentemente uma potência em esportes. Basta lembrar que na última Olimpíada, em 2012, em Londres, Cuba conquistou uma medalha para cada 800 mil de seus habitantes, enquanto o Brasil conquistou uma para cada 11 milhões de seus habitantes.

 

O argentino tem razão

Bristol (EUA) – A propósito da superbactéria encontrada na Baía de Guanabara, o iatista argentino Santiago Lange , vice-campeão mundial na Nacra, não se limitou a lamentar o fato, que envergonha a todos os cariocas e brasileiros.

Ele disse algo que precisa ser ressaltado: o local em que se disputarão as provas de iatismo e windsurfing – isto é, a baía, com suas diferentes raias – é espetacular.

Isto é muito importante, porque deveria servir de incentivo aos nossos péssimos políticos e dirigentes esportivos para se conscientizarem da necessidade de fazer algo para despoluir a baía.

Há anos – como observou um leitor em “post” mais abaixo – verbas internacionais  tem sido dedicadas a despoluir a baía ou ao menos ajudar em sua despoluição.

E o que temos até agora?

Temos notícias cada vez piores quanto a sujeira, detritos, móveis, cadáveres de animais e até humanos flutuando nas águas da baía.

É uma vergonha internacional, agravada pelo fato de que a baía é belíssima e deveria ser um foco de atração para o  turismo no Rio de Janeiro, não motivo de chacota internacional.

Será que nossos políticos e cartolas tomarão vergonha?

Nova baixaria

Bristol (EUA) – Este episódio da renúncia de Michael Garcia, o ex-promotor que estava encarregado de investigar as tramoias da FIFA, revela que a entidade se tornou irrecuperável.

Michal Garcia renuncia depois que o Comitê de Apelações da FIFA decidiu, simplesmente, que ele nada tinha a apelar contra uma decisão de seu superior, o alemão Hans-Joachim Eckert, porque a “decisão” de Eckert (a de não publicar na íntegra o relatório de Garcia sobre as tramoias na entidade) não era uma “decisão”, mas uma “opinião”.

Assim, de sofisma em sofisma, a FIFA continua a enrolar o respeitável público.

Michael Garcia poderia ter recorrido à Court of Arbitration for Sport, mas ela não tem na verdade poder sobre a FIFA e nada adiantaria.

O problema da FIFA só pode ser resolvido por seus próprios membros, que são as Federações de Futebol nos diversos países.

É um problema de cultura e, enquanto as federações continuarem a reeleger Sepp Blatter, nada mudará.

Ou melhor, as baixarias mudarão para um nível ainda mais baixo.

A razão do segundo nível

Bristol (EUA) – Carlos Alberto Parreira, ignorando o bom senso que o aconselha a manter-se calado, voltou a se manifestar, desta vez para dizer que o povo brasileiro já esqueceu o 7 a 1.

Não esqueceu nem vai esquecer.

Há três resultados que ficarão sempre na memória nacional: o 2 a 1 de 1950, o 3 a 2 de 1982 e o 7 a 1 de 2014.

Fui testemunha dos três.

Cada um deles marca, à sua maneira, divisores de água no futebol brasileiro.

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O 3 a 2 de 1982 tem um lugar especial, porque seus reflexos são evidentes até hoje.

Aquela foi uma brilhante Seleção, tão brilhante ou mais do que a de 1970, sepultada numa tarde em que Toninho Cerezo e Júnior cometeram erros incaracterísticos e Dino Zoff fez uma extraordinária defesa nos últimos segundos naquela cabeçada de Oscar.

Logo depois da partida o senhor João Havelange, então Presidente da FIFA,  chamou Telê Santana de “perdedor nato”.

Era uma observação errada, é claro, tanto que Telê depois foi bicampeão mundial de clubes com o São Paulo, mas foi o sinal de partida para a mentalidade que se instalou entre nossos treinadores, a de “futebol de resultados”.

Jogadores grandes e fortes preferencialmente a jogadores de habilidade.

Quanto o jogador tinha de impulsão? Em quantos segundos ele corria os cem metros?

O futebol de “track and field”.

Parreira fez parte desta filosofia.

Enquanto isto, os europeus começaram a preparar jogadores de qualidades técnicas.

Por isto, estamos hoje no segundo nível do futebol mundial. Como disse César Luis Menotti outro dia, entre as grandes seleções, só o Brasil piorou.

Agora, as super bactérias

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Bristol (EUA) – Primeiro foi a reportagem no New York Times com o casal de americanos que foi ao Brasil assistir à Copa do Mundo e voltou com leishmaniose. O rapaz conseguiu se curar, mas a moça ainda sofre com um caso renitente.

Agora, a Fox Sports noticia que o Instituto Osvaldo Cruz descobriu nas águas da Baía de Guanabara –  onde se realizarão as competições olímpicas de iatismo e wind surfing –   super-bactérias, resistentes ao tratamento com anti-bióticos.

A notícia cita a Associated Press e a coordenadora do estudo, Ana Paula D’Alincourt Carvalho Assef.

Esta diz, literalmente, o seguinte: “Como as super bactérias são resistentes à maioria dos medicamentos modernos, os médicos precisarão recorrer a drogas que raramente são usadas, por serem tóxicas ao organismo humano”.

A notícia da Fox Sports vai por aí, falando de matéria fecal nas águas da baía.

Termina por citar Ben Remocker, iatista canadense, em cuja opinião “o caso é grave”.

 

Gebrselassie na política

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Bristol (EUA) – Haile Gebrselassie, dono de 27 recordes mundiais em pistas e ruas, além de duas medalhas de ouro nos 10.000 metros, nas Olimpíadas de Atlanta e Sydney, é hoje um dos homens mais ricos da Etiópia.

Ao todo, sua carreira atlética já durou 23 anos e,  aos 41 anos de idade, ele diz que pensa em correr ao menos mais uma Maratona antes de se aposentar.

Dizem na Etiópia que Gebrselassie na verdade é mais velho, com 44 ou 45 anos.

Dono de plantações de café, revendedora de automóveis, complexo de hotéis, complexo de cinemas  e acionista em uma mina de ouro, Gebrselassie não precisa mais do esporte.

Se correr mais uma maratona, será apenas para se divertir.

(Mesmo assim aposto que há diretores de corridas dispostos a lhe pagar um bom dinheiro, só para comparecer.)

Agora Gebrselassie diz que pensa em se tornar político.

Acho que ninguém se surpreenderá. No mundo inteiro, astros do  esporte resolvem entrar em política.

Alguns são bem sucedidos, como Sebastian Coe, na Inglaterra, que foi eleito para a Câmara dos Comuns, tornou-se Barão, Chefe da Candidatura de Londres para a Olimpíada de 2012, Chairman do Comitê Organizador da mesma Olimpíada e Vice-Presidente da Federação International de Atletismo, à cuja Presidência  agora pretende candidar-se.

Ou Romário, Deputado Federal no Brasil e no momento Senador.

Gebrselassie diz ter receio de, uma vez político, perder parte de sua popularidade.

O receio é mais do que fundado. Mesmo um político de sucesso, como Romário, não goza hoje da metade da popularidade que tinha como jogador.

Lição para a NBA

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Bristol (EUA) – Volta e meio leio gente mal informada no Brasil insistir na tolice de que devemos acabar com o Brasileirão em pontos corridos, com  subida e descida, e seguir o exemplo da NBA, onde tal coisa não existe.

De saída, ignoram que os dois sistemas – campeonato em pontos corridos e copas em mata-mata – podem coexistir, embora sejam diferentes.

Mas agora seria interessante que lessem um  artigo publicado neste sábado, no New York Times, que, em longo arrazoado, diz que a melhor coisa para a NBA seria adotar o formato de subida e descida “seguido no soccer europeu” para seus clubes.

Para haver subida e descida é claro que tem que haver pontos corridos.

Ao final da temporada da NBA os times com menos pontos seriam rebaixados para divisões inferiores.

O artigo diz, literalmente, o seguinte: “A temporada regular melhoraria imensamente, como os campeonatos europeus de futebol provam todos os anos. No momento na NBA as partidas em março ou abril pouco decidem além de estabelecer se um time será o número cinco ou número seis na pré-classificação para a pós-temporada”.

O artigo diz que a NBA “é um monopólio” em que os times sabem que jamais serão rebaixados e muitas vezes preferem perder para  ter preferência no “draft”  para a próxima temporada. O draft é a seleção ou recrutamento de jogadores.

Isto, por exemplo, é que parece que o Philadelphia 76ers já começou a fazer este ano.

Quem  quiser pode ler o  artigo inteiro, que em um de seus dois títulos, diz simplesmente o seguinte: “Soccer shows how NBA could make losing hurt”. Como tornar a derrota uma coisa desagradável.

O título principal diz mais ou menos a mesma coisa: “How the NBA could make losing hurt”.

Assim vai mal

Bristol (EUA) A Olimpíada da NBC, a ser realizada em 2016 no Rio de Janeiro, continua a merecer destaque negativo na imprensa internacional.

Nos últimos dias, como deve ter sido fartamente noticiado aí no Brasil, houve o assalto a duas iatistas inglesas, Hannah Mills e Saskia Clark, que conquistaram a medalha de prata na classe 470 na Olimpíada de Londres, em 2012.

Elas estão ou estavam no Rio por duas semanas, para treinar,  e, ao caminharem de volta ao hotel, foram assaltadas por dois homens armados de facas que as empurraram e agarraram o que carregavam. Não foi muito, mas levaram seus uniformes de licra.

O iatismo já vinha recebendo notícias desfavoráveis por causa da poluição da Baía de Guanabara. O noticiário sobre criminalidade não ajudará em nada a atrair turistas estrangeiros ao Rio.

Por que existe a criminalidade? As causas são óbvias e antigas:

1 – Injusta distribuição de renda.

2 –  Clima de corrupção,  que começa na cervejinha ao guarda da esquina e vai até os mais altos escalões da República.

3 – Consumo crescente e tráfico crescente de drogas.

Não há nenhuma esperança de que tais problemas sejam resolvidos até 2016.

Sem falar na poluição da baía.