A sujeira não tem fim

AFP

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Bristol (EUA) – Aproxima-se a data do evento teste de iatismo para a Olimpíada de 2016 e a sujeira na Baía de Guanabara não tem fim.

O mais recente golpe foi a recusa da ONG Rumo Náutico, da família Grael, historicamente ligada ao iatismo, de aceitar uma proposta do governo pela qual, sem licitação, seria encarregada de fazer a despoluição  da baía, ou ao menos de parte dela, para permitir que as provas de iatismo não venham a ser um testemunho internacional das lamentáveis condições de suas águas.

Não tenho conhecimento das razões da recusa da família Grael, mas suponho duas coisas:

1 – O governo fluminense, tendo fracassado miseravelmente em sua promessa de limpar a baía,  quer agora neutralizar justamente as vozes que tem sido mais críticas: as  dos diversos membros da família Grael, a começar por Lars e Torben, seus dois nomes mais conhecidos.  Chegado o dia do evento-teste e o dia das competições olímpicas, os Grael teriam passado de críticos a comparsas da sujeira ambiente.

2 – Por  ética, a família Grael achou errado aceitar um contrato sem licitação. Em outras palavras, o governo iria colocá-los no bolso, suborná-los.

Mais um passo lamentável nesta história de poluição. Poluição que, entendemos agora, não é apenas a de esgotos, poluentes, efluentes e lixo flutuante, mas  também moral.

Esta históra da sujeira na Baía de Guanabara está rapidamente se tornando o aspecto mais lamentável e ridículo da Olimpíada do ano que vem.

 

As câmeras não perdoam

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – No futebol de hoje a riqueza de detalhes das câmeras espalhadas pelos quatro cantos do estádio nos oferece às vezes cenas insólitas (como a do torcedor pilhado a limpar uma meleca no cabelo de uma sorridente torcedora, sem que ela sequer suspeitasse) e, com mais frequência, rico material para que jogadores que cometem agressões covardes sejam punidos a posteriori.

Não sei se isto se aplica a partidas internacionais amistosas (ao menos nominalmente), como a de Brasil 1 x 0 Chile, em Londres. Nominalmente apenas, pois a violência prevaleceu em campo, bem ilustrada pelo covarde pisão do chileno Gary Medel em Neymar.

A imprensa internacional foi unânime em registrar a agressão, não percebida pelo juiz Martin Atkinson, mas notou também, com razão, que Neymar certamente gozaria de muito mais simpatia pelo mundo afora, tanto por parte de juízes como da parte de torcedores adversários, se não transformasse as faltas que sofre em cenas tão espalhafatosas.

É certo que em muitas ocasiões Neymar é vitima de entradas criminosas, com  aquela do colombiano na Copa do Mundo, mas um pouco menos de quedas espalhafatosas a longo prazo atuaria em seu favor.

Acho  que os juízes muitas vezes – e com certa razão – acreditam que Neymar está exagerando.

Velha escola, nova escola

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Bristol (EUA) – Amigos, em sua segunda passagem como técnico da Seleção Brasileira, Dunga comandou o time em sete partidas, com sete vitórias, algumas delas importantes, como as sobre a Argentina, Colombia e França.

Convenhamos, um bom trabalho até agora. Temi pela volta de Dunga, porque ele ficara marcado como “perdedor”.

Mas ao mesmo tempo devo dizer que meu histórico de comentários sobre Dunga mostra que não me inscrevo entre os que permanentemente o criticavam, quer como jogador, ao tempo do Vasco da Gama, quer depois como técnico da Seleção Brasileira.

Não sou amigo de Dunga. Na verdade, conversei com ele apenas duas vezes na vida, uma quando fazia parte da mesa-redonda da TV-E, nas noites de domingo, na década de 80, outra em Turim, na concentração brasileira, quando eu era colunista do Jornal dos Sports na Copa do Mundo da Itália.

Mas nunca achei que Dunga fosse o exemplo do “anti-futebol” como diziam os que o criticavam como jogador no Vasco, enquanto enalteciam seu companheiro de meio-de-campo, Geovani, o “Pequeno Príncipe”.

Dunga levou o Brasil a uma boa campanha nas eliminatórias para a Copa de 2010, conduzindo a Seleção a uma classificação antes mesmo da última partida (por coincidência contra o Chile, que enfrentaremos domingo, em Londres). O Brasil foi o time que marcou mais  gols e sofreu menos gols naquelas eliminatórias, com um saldo bem superior ao da Argentina comandada por  Maradona, adepto do futebol “ofensivo”.

É verdade que perdemos da Holanda nas quartas-de-final, na África do Sul, mas é verdade também que vencíamos por 1 a 0, houve um pênalti em Kaká ainda no primeiro tempo, não marcado pelo juiz japonês, e,  no segundo tempo,  tudo o que podia dar errado para um time  deu errado para o Brasil.

Mas agora  isto é menos importante do que a constatação de que o novo trabalho de Dunga não pode ser medido em termos de um sucesso em resgatar a “escola” do futebol brasileiro – porque tal escola, que existiu no passado, não existe mais.

Ela deixou de existir porque, depois da Lei Pelé, nossos clubes se transformaram em meras fábricas de jogadores – escolhidos mais pela saúde e pelo físico do que pelo talento – de exportação para o futebol europeu.

A exceção é Neymar, mas este, quando foi para o Barcelona, já estava amadurecido como jogador .

Os demais vão muito jovens, são feitos na Europa, amoldados na Europa, para o futebol da Europa.

Continuamos a produzir jogadores em grande quantidade e para tanto basta ver o número deles em clubes que estão nas quartas-de-final da Champions League.

Mas mesmo que Dunga continue a acumular vitórias e reabilite o prestígio de nossa Seleção, ele estará trabalhando com uma nova “escola”.

Porque a antiga escola  fechou as portas.

 

 

 

 

Um novo velho Brasil

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Bristol (EUA) – Preciso pedir desculpas aos leitores pela ausência nos últimos dias, mas tive problemas particulares a resolver e, por isto mesmo, vi apenas um tempo relativamente curto do amistoso contra a França.

Lamento porque, pelo que vi, foi um amistoso levado a sério pelas duas seleções, ambas, por sinal, derrotadas pela Alemanha na Copa de 2014, embora a da França por um placar bem mais decoroso.

Lá estavam de novo, como adversários, Didier Deschamps e Dunga, os dois capitães daquela final de 1998. Na plateia, Zinedine Zidane, que acabou com nosso time,  e Ronaldo – aquele do mal-estar nunca devidamente esclarecido.

Um amistoso levado tanto a sério que o Brasil só foi fazer substituições a seis minutos do fim.

Só pude me concentrar mais no jogo entre os dez minutos finais do primeira etapa, a tempo de ver o empate numa bela jogada entre Firmino e Oscar, e a parte da segunda até o gol de Neymar, num ângulo aparentemente impossível.

Provavelmente estes foram de fato os melhores momentos do Brasil, embora a França, logo depois do gol de Neymar, tenha tido, em seguida, três oportunidades para empatar.

Mas nossos jogadores realmente eram melhores e não apenas tinham mais posse de bola mas, com ela, mostravam imaginação.

Parece que é um novo Brasil que vai se formando sob a direção de Dunga. Ou  talvez, o velho Brasil, do bom futebol, que começa a reaparecer.

Recado de Vieira a Blatter

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Bristol (EUA) – Quando Sepp Blatter diz que “os governos devem deixar  de intervir no futebol e até a ONU já reconheceu que o esporte é autônomo” está por vias traversas convidando a CBF a se insurgir contra a Medida Provisória do governo brasileiro limitando os mandatos dos cartolas a uma reeleição.

Blatter oferece “ajuda legal da FIFA” e está claramente advogando  em causa própria. Ele aprendeu com João Havelange a se reeleger o maior número de vezes possível (outro bom aluno, Carlos Arthur Nuzman, do COB) e agora tenta mais um mandato na FIFA, repudiando a promessa que fez  de que não procuraria uma nova eleição.

Blatter precisa aprender que autonomia não suplanta a soberania. O governo brasileiro publicou uma Medida Provisória à qual os clubes não estão obrigados a aderir. Se quiserem aderir – e com isto gozar do benefício que lhes permite um modo bastante camarada de saldar suas dívidas – tem que concordar com algumas condições.

Entre elas, a de que os cartolas podem se reeleger apenas uma vez.

Se os clubes querem o benefício, precisam dar a contrapartida. O  assunto é entre eles e o governo brasileiro, entidade soberana. (Esperemos que a nefanda Bancada da Bola não estrague tudo no Congresso.)

Blatter e os cartolas brasileiros, aí incluídos os da CBF, são insaciáveis. Cabe lembrar a  eles uma frase muito a propósito do Padre Antônio Vieira, em um de seus famosos sermões:

“Aquele a quem convém mais do que é lícito, sempre quer mais do que convém”.

Estupidamente gelada

DSC01330Bristol (EUA) – Escrevi que sábado nevou, em plena primavera, na prova em que minha neta Hannah e eu fomos campeões em nossas faixas etárias, e que no domingo, mesmo com sol, a temperatura prevista seria ainda mais baixa.

Dito e feito, na prova de cinco quilômetros em Hartford para comemorar o St. Patrick’s Day, o sol brilhava, a temperatura era de cinco abaixo de zero e havia um vento glacial, capaz de convencer um esquimó a pedir asilo no Brasil

Desta vez a vitória foi de minha mulher, Dawn Werneck, em sua faixa etária, de 65 a 69 anos, com o tempo de 28:09, reaparecendo depois de uma contusão no quadríceps.

Os organizadores, bons irlandeses,  com aquele frio todo, em vez de chocolate quente serviram cerveja. Cerveja que, como  de hábito naquelas paragens, foi servida na chamada “room temperature”. A temperatura ambiente.

Só que a temperatura ambiente deixava a cerveja gelada. Estupidamente gelada.

Nunca vi isso!

Paul Ellis/AFP

Paul Ellis/AFP

Bristol (EUA) – Amigos, estou de saída e provavelmente voltarei ao assunto. Talvez eu esteja enganado e alguém me corrigirá, mas nunca antes vira um jogador ser expulso de campo com apenas 38 segundos.

Foi o que aconteceu com Steven Gerrard, ao entrar no segundo tempo pelo Liverpool contra o Manchester United, para substituir o machucado Lallana.

Expulsão justa, sepultando as chances para o Liverpool, que mesmo assim ainda diminuiu a diferença no marcador, que chegara a 2 a 0 para 2 a 1.

A única coisa  que Steven Gerrard poderia  ter feito de pior teria sido marcar dois gols contras.

A boa campanha que o Liverpool vinha ultimamente fazendo foi por água abaixo.

EM TEMPO: Leiam nos comentários abaixo minha troca de informações com o leitor Mário Carranza sobre a expulsão do uruguaio José Batista na Copa de 1986.

 

Vitória na neve

Divulgação

Arquivo Pessoal

Bristol (EUA) – Neste segundo dia de primavera, voltou a nevar aqui neste recanto do nordeste dos Estados Unidos, em consequência do tal “vórtice polar”, enquanto no resto do planeta registram-se temperaturas mais elevadas do que o normal. Anuncia-se que amanhã o dia será ainda mais frio, com temperaturas o tempo inteiro abaixo de zero.

O mau tempo porém não impediu que participássemos, minha neta Hannah Werneck Stephenson e eu,  de mais uma Shamrock Race, prova em terreno ondulado, com diversas distâncias. Eu ganhei minha faixa etária, de 70 anos para cima, e ela ganhou a faixa etária de até dez anos.

Hannah tem nove anos e completou as cinco milhas em 46:03. Eu corri as duas milhas em 20:10, nada mal, considerando que estou bem mais próximo dos 80 anos do que dos 70 e derrotei adversários mais jovens.

Automóveis 1 x 0 São Paulo

Divulgação

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Bristol (EUA) – Em todo o mundo a construção de ciclovias nas grandes cidades é um exemplo de modernidade, de despoluição, de melhoria na qualidade de vida, de descongestionamento das vias públicas.

Mas sou informado de  que em São Paulo a Justiça acaba de mandar suspender a construção de ciclovias. Dizem-me ainda que a promotora que entrou com o pedido argumentou em defesa dos automóveis, dizendo que eles são “os veículos que movimentam a economia”.

São Paulo não pode parar? Com esta promotora e com esta Justiça, parou.

Torço para que o bom senso venha a prevalecer, a ordem judicial seja derrubada e São Paulo se alinhe com o que ocorre em todas as grandes cidades do mundo.

Quanto à promotora, cortem sua verba de gasolina.

 

Novidades na Maratona

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Parque do Flamengo – Divulgação

Bristol (EUA) – Meus prezados leitores podem ler no “post” abaixo um link enviado por Alex Rio sobre a Maratona Olímpica a ser disputada no ano que vem.

É uma matéria da Folha de São Paulo e na verdade está equivocada quanto ao trajeto da prova.

A Maratona Olímpica sairá e chegará no Sambódromo. Passa pela Presidente Vargas e pela Rio Branco, indo ao Aterro do Flamengo, onde dará três “loops” de dez quilômetros cada. Na volta, passa pela rua Primeiro de Março e a Praça Quinze, atingindo a Praça Mauá,  onde entra no “Porto Maravilha”.

Sempre defendi este percurso.

Acho-o muito interessante por passar por locais do Rio que são históricos mas que foram renovados, a exemplo do Porto, em áreas como a da Gamboa e rua Barão de Teffé. Percorri-os a pé há dois ou três anos e logo me pronunciei em favor de seu aproveitamento para o percurso da Maratona Olímpica.

O único melhoramento que eu desejaria seria uma chegada no Maracanã, na Cerimônia de Encerramento, mas tal ideia mostrou ser logisticamente impraticável.

A Maratona Olímpica será também notável  pelas três voltas (ou “loops”), no Aterro do Flamengo, aproveitando o percurso dos Dez Quilômetros da Corja, dos anos 80.

A Corja, para os que não sabem, era a sigla de Corredores do Rio de Janeiro, clube pioneiro em corridas de rua no Brasil, que infelizmente acabou.

Outra novidade é a volta da Maratona de Nova York à AIMS, a Associação de Maratonas Internacionais, depois de uma briga de alguns anos.

Foram trocadas cartas entre a Maratona de Nova York e a AIMS, como os leitores poderão ver em  <TCS New York City Marathon 9MAR2015.pdf>

A AIMS continua a ser expandir na América Latina e na próxima semana será feita a medição do percurso de uma nova filiada, a Maratona das Flores, em Medellin, Colômbia. Consultem o link www.aimsworldrunning,com.

(Continuo defendendo a tese de que a Maratona de Porto Alegre deveria passar para a última semana de junho ou primeira semana de julho. Uma pequena mudança, que a deixaria em condiçoes de ser talvez a melhor maratona latino-americana.)

Por fim, mas não de modo derradeiro, reproduzo abaixo o e-mail que minha filha Rebecca Werneck Stephenson recebeu nesta última quartga-feira da organização da DC Rock N’Roll Marathon, em Washington, capital americana.

When did you check last? It was updated yesterday.

Search Results (Search Criteria : Runner Number (bib) = 1115)
OvrPl Bib Name City, State Time
148 1115 Rebecca Stephenson Unionville, CT 03:21:30

Este e-mail tem uma história que ilustra os perigos de controle de prova por “chips”. Estávamos acompanhando o desempenho de Rebecca pelo computador mas, pouco depois da passagem pela Meia Maratona, ela sumiu do mapa. O “chip” entrara em pane, talvez porque a prova toda foi disputada debaixo de intensa chuva.

Depois de muito pesquisar, para evitar fraudes (lembram-se do caso da Rose Ruiz em Boston?) a DC Rock N’Roll Marathon estabeleceu a verdade dos fatos. Rebecca, aos 42 anos, foi a ganhadora da faixa etária dos 40 aos 44 anos, faixa que tinha 125 competidoras, num tempo de 3:21:30.

No geral, entre homens e mulheres, ela ficou com a 148a. posição entre as 2.503 pessoas que completaram a prova.

O mais notável em tudo isto é que Rebecca treinou apenas 40 quilômetros semanais de corrida. O resto de seu treinamento foi feito com natação, ciclismo e “core strength”.

Bem diz Alberto Salazar, agora, que seu maior erro como maratonista foi treinar distâncias muito longas.

A Rock N’ Roll é uma gigantesca organização que atualmente realiza Maratonas em 25 cidades americanas, além de Dublin, Edinburgo, Lisboa, Madrid, Montreal, Vancouver, Nice e Cidade do México.

Maratonas e provas menores, como Meia Maratona, Dez  Quilômetros e Cinco Quilômetros.

Vocês podem ter mais informações em runrocknroll.competitor.com/dc.