Mundial de Triathlon – 54

Auckland (Nova Zelândia) – Parabéns a Dawn Werneck, bicampeã mundial na faixa etária de 65 a 69 anos, com 1:47:22, repetindo o feito de Pequim, no ano passado, embora um ano mais velha. Parabéns a Beatri Nunes, medalha de prata na faixa etária de 25 a 29 anos, com 1:11:24. Parabéns a André Limmi, medalha de bronze na categoria de 20 a 24 anos, com 1:05:31. Parabéns a Rogério Martins, Guilherme Coutinho, Eduardo Beretta, que se classificaram entre os top 10 em suas faixas etárias, e parabéns até a mim, que terminei em oitovo na minha faixa etária de 75 anos para cima. Parabéns a todos os brasileiros que fizeram tantos sacrifícios para aqui comparecer e até aos que não compareceram, como os três gaúchos que perderam a conexão aérea em Santiago do Chile.

Preciso dar uma palavra em relação a Dawn que, para mim, é maior atleta que já surgiu na modalidade de  triathlon no Brasil, por uma razão muito simples: só começou a praticar esporte aos 35 anos de idade, já mãe de dois filhos, inspirada pelos treinos que eu comandava para a Maratona Atlântica-Boavista. Classificou-se para ir ao Mundial Feminino de Maratona em Osaka e completou a prova em 3:01. Quando o triathlon começou no Brasil, resolveu praticá-lo, embora soubesse nadar apenas no estilo cachorrinho. Aprendeu o nado de peito, ,mas nunca o estilo livre.

Com todas estas desvantagens, ganhou praticamente todas as provas importantes que disputou no Brasil, classificando-se duas vezes para o Ironman, no Havaí, onde foi a quinta em sua faixa etrária, competindo com uma bicicleta de ferro que eu comprei para ela no Carrefour. A única prova importante que, ao que eu me lembre, Dawn não ganhou, foi uma com início em Guaratiba em que, por culpa da organização, a natação tinha 2.200 metros de comprimento, em vez dos 1.500 programados, o que se constituiu em um obstáculo insuperável.

Tudo isto com duas filhas em idade escolar. Fomos para os Estados Unidos, onde parou muitos anos, inclusive por ter cinco netos e resolver cursar uma faculdade. Mas, quando voltou a competir em triathlons, começou a ganhar todos em sua faixa etária, sempre nadando peito e agora é bicampeã mundial, nadando peito.

Qual o segredo de Dawn? Nunca se dopou e sempre considerou o esporte como uma parte de sua vida, mas não uma obsessão em sua vida, que a levasse a deixar de lado marido, filhas e netos.

Quanto a mim, nunca sofri tanto em uma prova de triathlon, Meu tempo foi dez minutos inferior ao que consegui recentemente no Rio de Janeiro, nas mesmas distâncias. Mas aqui foi infinitamente mais difícil, a começar pela água gelada, uma transição que tinha um quilômetros entre natação e bicicleta e depois bicicleta e corrida, um percurso de ciclismo extremamente técnico. No momento sinto-me como um zumbi, não sei se porque estou no começo de uma gripe, da diferença de fuso horário ou de uma bursite no joelho.

Ou talvez tudo isto. Ou talvez a idade avançada. Acho que é a idade avançada. Mas ao menos completei e não fui desclassificado, como no ano passado em Pequim.

4 comentários em “Mundial de Triathlon – 54

  1. Sr. Werneck em primeiro lugar, parabéns ao senhor e sua esposa, são exemplos a serem seguidos por todos.No sábado dia 20/10/2012 passou no Sportv Repórter um especial sobre Triatlo, e os 30 anos do esporte no Brasil.Sei que o senhor teve participação na implantação do esporte no País, porém não foi falado na reportagem,embora o senhor apareça na prova que esteve no Rio de Janeiro.Se o senhor puder, assista e comente o que tem de verdade e mentira no documentário.
    http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-reporter/

  2. Caro senhor Lage: Tudo o que posso dizer a respeito é que alguém da Sportv me enviou um e-mail dizendo que queriam me entrevistar para o programa. Eu respondi dizendo que morava nos Estados Unidos, ao que veio novo e-mail dizendo que “era muito longe”. Acho que algum gênio da Sportv deve ter achado que, como eu morava muito longe para ser entrevistado, o fato de que eu levei o Triathlon para o Brasil passou a ser “não existente”. Isto é documentário?

  3. Realmente Sr. Werneck eu errei na palavra.Documentários são feitos com base em pesquisa para se terem informações corretas.Acho que o pessoal do Sportv não conheçe o termo vídeo conferência, que elimina qualquer distância.Mas quem ama triathlon e conheçe do esporte sabe bem da sua contribuição,não só para o triathlon mas para as corridas de rua.

  4. Caro senhor Lage: Obrigado. Em fins de agosto o programa “Vamos Correr”, da ESPN Brasil, me entrevistou sobre este mesmo asunto: os 30 anos de Triathlon no Brasil. Até hoje porém não sei se o programa foi ao ar ou não.

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