De olho no vil metal

AFP

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Bristol (EUA) – Enfim, cheguei à minha casa (leiam “posts” anteriores), a caminho da Maratona de Nova York neste domingo. Não para correr, pois me basta o Mundial de Triathlon que acabei de disputar na Nova Zelândia, mas para assistir.

A  decisão de realizar a Maratona, a ferro  e fogo, foi do prefeito da cidade, Michael Bloomberg. Ele quer mostrar que a cidade pode funcionar, mesmo na situação caótica criada pelo furacão Sandy. Além do que ele considera uma injeção de moral, Michael Bloomberg está também de olho nas centenas de milhões de dólares que a maratona gera para a cidade.

O furacão Sandy teve outro efeito curioso no prefeito. Ele até agora vinha em cima do muro quanto à eleição presidencial da próxima semana. Dizia que não estava disposto a apoiar nem Barack Obama nem Mitt Romney. Mas, com o furacão, ele resolveu apoiar Obama. Por que? Porque o prefeito acredita que catástrofes climáticas vem ocorrendo em consequência do aquecimento global e Mitt Romney, apoiado pelos republicanos, não acredita que exista aquecimento global. Já Barack Obama não apenas acredita que existe aquecimento global como tem procurado, no governo (apesar da oposição republicana), passar legislação e tomar outras providências para combatê-la.

A verdade é um pouco mais complicada do que parece. Mitt Romney, na verdade,  sabe que o aquecimento global é verdadeiro, mas é um político que um dia diz uma coisa e no outro diz o oposto, de acordo com  as conveniências eleitorais. Como a descrença no aquecimento global é ponto de fé para os republicanos, ele finge que também não acredita.

Como estou com Obama, estou  também com Michael Bloomberg, mas daí a confiar que a Maratona transcorra às mil maravilhas neste domingo que se aproxima, vai uma boa distância. Digamos, mais do que os 42.195 metros da prova.

Em primeiro lugar, não vai haver transporte  por “ferry” de Manhattan para Staten Island, local de largada da prova. Os corredores que haviam reservado transporte por “ferry” irão agora de ônibus, com saída na esquina da rua 42 com a Quinta Avenida. Como quase 20 mil corredores haviam pedido transporte por “ferry”, prevejo grande confusão.

A Parada das Nações e a “fun-run” de cinco quilômetros, no sábado, foram canceladas. Mas isto é o de menos.

Creio que o que poderá aliviar um pouco a pressão em cima dos organizadores é que muitos corredores, dos 47 mil inscritos, devem desistir  e preferir guardar seu direito de correr no próximo ano (embora pagando de novo o preço da inscrição). Acho que a presidente do New York Road Runnerss Club, Mary Wittenberg, deve estar secretamente torcendo para isto.

No momento  em que escrevo, nomes importantes, como o do sul-africano Mark Plaatjes, campeão mundial de maratona em 1993, criticam a decisão de realizar a prova.

Os atletas de elite afinal estão chegando, depois de viagens complicadas. Um grupo de seis quenianos, por exemplo, viajou de avião de Nairobi a Londres e de Londres a Boston, onde alugaram um carro para chegar a Nova York. Outros talvez não consigam chegar e, se chegarem, dificilmente estarão no melhor de sua forma. Os que já chegaram vem treinando em pistas em recintoss fechados, pois não tem sido p0ssível efetuar treinos ao ar livre no Central Park.

Mas os atletas de elite são os mais interessados na realização da Maratona e por uma razão muito simples. Eles ganham “appearance money”, dinheiro de comparecimento, e as vultosas quantias são parte importante de seu orçamento anual.

Para os corredores de elite e para Michael Bloomberg, o importante é não perder o dinheiro de vista

5 comentários em “De olho no vil metal

  1. Outro que parece que embarca hoje (quinta-feira) para a Maratona é o bicampeão Marilson. Desejo-lhe toda a sorte. A propósito: o aquecimento global é apenas UMA HIPÓTESE, e não uma certeza científica. Hipótese, aliás, cada vez mais contestada.

  2. Também desejo boa sorte ao Marílson, mas discordo do Carlos Eduardo quanto ao aquecimento global. Está PROVADO que o CO2 provoca o efeito-estufa e o CO2 é produzido em quantidades gigantescas pela queima de combustíveis fósseis. É fácil estabelecer a relação de causa e efeito.

  3. Caro amigo, o próprio “papa” (se me permite o termo) do aquecimento global, James Lovelock, admite o caráter alarmista de tal “teoria”. Te passo o assunto por via indireta, oK? Aqui: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/guia-espiritual-da-turma-do-%E2%80%9Caquecimento-global%E2%80%9D-confessa-era-alarmismo-leia-dilma-antes-de-se-submeter-a-patrulha-no-caso-do-codigo-florestal/ Trata-se de uma página do blog do jornalista Reinaldo Azevedo.

    Há mais dois cientistas brasileiros que também questionam o AG; Um é o climatologista Ricardo Felício (deu uma esclarecedora entrevista no programa do Jô Soares), o outro é o meteorologista Luiz Carlos Molion, convidado de um programa Canal Livre, da TV Bandeirantes.

  4. Desculpem meter a minha colher, mas acho que o Werneck já escreveu sobre estas pessoas citadas acima no site Direto da Redação e discordou delas.

  5. Não sabia que o excelente comentarista esportivo José Inácio Werneck é também um especialista em questões climáticas (rsrsrs).

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