Ainda Nova York

Bristol (EUA) – Por incrível que pareça, ainda não terminaram os trabalhos de limpeza e recuperação das áreas afetadas pelo furacão Sandy que atingiu a cidade de Nova York em fins de outubro. Ainda neste domingo estive em Long Island, onde meu neto Timothy Inácio participou do campeonato regional de “cross-country”, e pude comprovar de corpo presente que a devastação causada pela inundação, impelida pelos ventos fortíssimos, foi de fato gigantesca.

Em dois outros planos ainda acontecem ramificações. Um é no plano político. O prefeito Michael Bloomberg, que apoiou Barack Obama dias antes de sua vitoriosa releição, continua a pressionar para a formação de uma grande coalizão de políticos de prestígio internacional para combater o aquecimento global. Um de seus aliados deve ser o ex-presidente Bill Clinton, que acaba de ter participação decisiva na já mencionada reeleição de Barack Obama.

Climatologistas seguem  alertando para o perigo do aquecimento global. Barack Obama tem conseguido adotar algumas providências de âmbito do governo federal, como a imposição de maior eficiência em motores de veículos, mas sua mais poderosa  iniciativa legislativa até agora, a adoção de um “cap and trade” para o consumo de combustíveis fósseis, ainda é obstruída pelos republicanos.

Mas Michael Bloomberg, mal orientado pelo New York Road Runners Club, a organização responsável pela Maratona, cometeu um grande erro estratégico que continua a lhe valer críticas. Ele deveria ter cancelado a Maratona de Nova York antes que a grande maioria de corredores estrangeiros (eles em geral são mais numerosos do que os americanos nas estatísticas dos que completaram a prova) viajasse para a cidade.

Ao garantir que a Maratona seria realizada, Bloomberg levou esta autêntica multidão (cerca de 20 mil) a viajar para a cidade, apenas para sofrer dura decepção menos de 48 horas antes da largada, quando finalmente foi anunciado o cancelamento.

Muitos corredores procuraram outras cidades americanas onde se realizavam maratonas no mesmo fim de semana, para de todo não desperdiçar seu dinheiro e sua energia. Mas mesmo estes voltaram para seus países com lembranças amargas.

Até que ponto isto afetará a atração que a Maratona de Nova York sempre exerceu sobre estrangeiros- eis um ponto a ser ainda esclarecido.

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