Alhos com bugalhos

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Volta e meia leio em nossa imprensa comparações entre clubes americanos e brasileiros feitos por pessoas que mostram não conhecer a realidade do esporte nos Estados Unidos.

Há quem seja contrário ao acesso e descenso no Campeonato Brasileiro com a alegação de que os clubes americanos nunca são rebaixados. Mas são rebaixados, deixam de existir, são  alijados de suas divisões e conferências de outras formas, mudam-se de sul a norte, de leste a oeste.

Alguém já imaginou o Flamengo  mudando-se para São Paulo ou o Corinthians para Belo Horizonte? Ou o Barcelona para Madrid? Os clubes americanos não são clubes no sentido que se dá à palavra clube no Brasil. São “franchises” – isto é, um “direito de estabelecer um negócio”. Se o negócio não vai bem ali, fecham as portas, mudam de dono, mudam de local, sem dar satisfações a seus sócios (no sentido adotado no Brasil  - isto é, um membro contribuinte de uma agremiação -)  ou a seus torcedores.

Isto acontece em todos os esportes americanos, do basquete ao futebol da bola oval, passando pelo hóquei no gelo. O Utah Jazz, da NBA,  joga em Salt Lake City, cidade que nunca se destacou por seu jazz, porque na verdade era um time de Nova Orleans. Outros casos estão diariamente na imprensa.

O New York Giants e o Brooklyn Dodgers,  times de beisebol, foram para San Francisco e Los Angeles, do outro lado do continente. O Cleveland Browns , do futebol da bola oval, saiu de Cleveland, foi para Baltimore e virou o Baltimore Ravens. Depois, com outro dono, estabeleceu-se outro negócio em Cleveland chamado  Cleveland Browns. Times de hóquei no gelo, um esporte que pede frio, são de repente transportados para o deserto ou áreas sub-tropicais.

Dizer que não se deve rebaixar  times brasileiros com muitos torcedores  para a Segunda Divisão é desconhecer a essência do amor por uma camisa e cometer uma injustiça com clubes cujo mérito, ao ganhar um lugar ao sol da Primeira Divisão, permite-lhes se tornarem mais populares, formarem novas gerações de torcedores. A torcida do Botafogo cresceu geometricamente quando o clube tinha Garrincha.

Estão misturando as estações, confundindo alhos com bugalhos.

2 comentários em “Alhos com bugalhos

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