O leitor e a São Silvestre

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Como comentei no “post” mais abaixo, meus leitores certamente mandariam suas impressões sobre a São Silvestre, sobretudo por causa do novo horário. Mas devo dizer que, por algum motivo técnico de que não me dei conta, meu leitor Rafael Proença tinha me enviado há algum tempo um comentário que me passou despercebido. Foi antes de São Silvestre e  ele me prometia uma análise para depois da prova, mas fazia  também algumas considerações a respeito de corridas de rua em geral que achei interessante partilhar com vocês. Elas seguem:

“Estarei lá na São Silvestre e depois te mandarei as minhas impressões. No último final de semana estive em Belo Horizonte fazendo a Volta da Pampulha, onde os organizadores anunciaram um público de 14 mil corredores participantes. A corrida que oficialmente, pelo menos até o ano passado, tinha 17.8 km, sofreu uma alteração e deixou de ser realizada somente no entorno da Lagoa. A largada e a chegada passaram para uma rua ao lado, bem em frente ao Estádio do Mineirão. Os gênios da logística só esqueceram – ou deram de ombros – que esta rua era uma ladeira cruel. Ou seja, na largada, para baixo, sem problemas. Já na chegada… Meu GPS já apontava 18.6 km quando rasguei a curva para a subida derradeira. Foram 400 metros sofridos, buscando motivação, chamando os que desistiam e resolviam caminhar e assim foi. 19.03 km marcou o aparelho ao fim do percurso.
Eu já esperava pelo acréscimo de distância justamente por causa dessa “tacada de mestre” ou “jogada de marketing”, caso prefira. No entanto, o fato da organização negligenciar a informação foi algo negativo. Houve ainda tropeços em pontos cruciais, como oferecer somente um posto de hidratação com bebida esportiva ao longo do trajeto, no sexto quilômetro. Aliás, eu mesmo não consegui me hidratar, pois quando passei pelo local não havia um só copo cheio. Alguns corredores preferiram parar e esperar, coisa que não fiz. Nos postos de água, tudo bem.
De qualquer maneira, fica uma ponta de preocupação para a São Silvestre, pois estamos falando de provas organizadas pela mesma empresa. Não nego que a mudança de horário para o turno da manhã me foi bastante confortável, pois terei tempo de voltar ao Rio para os festejos de ano novo. No entanto, o fato de se mexer na prova todo ano, me parece capaz de minar um pouco sua identidade. Obviamente que a São Silvestre é um evento quase centenário e com um apelo grandioso – inclusive da mídia, algo raro no Brasil em se tratando de corridas de rua -, o que o faz ser um sucesso absoluto de público sem que nenhuma outra prova chegue ao menos perto por aqui. Mesmo assim, já há alguns movimentos crescentes de pessoas descontentes que vêm boicotando a corrida. Acho que isso merece uma reflexão. Posso estar falando uma bobagem, pois não tenho informações, mas creio que eventos como a Maratona de Nova York ou a Maratona de Boston, eventos esses globais das corri das de rua, não tenham movimentos contrários de atletas insatisfeitos. Se há a ideia de se fazer da São Silvestre também um evento global para os próximos anos, com participações da primeira linha do atletismo mundial, certos pontos precisam ser repensados.

Estarei lá na São Silvestre e depois te mandarei as minhas impressões. No último final de semana estive em Belo Horizonte fazendo a Volta da Pampulha, onde os organizadores anunciaram um público de 14 mil corredores participantes. A corrida que oficialmente, pelo menos até o ano passado, tinha 17.8 km, sofreu uma alteração e deixou de ser realizada somente no entorno da Lagoa. A largada e a chegada passaram para uma rua ao lado, bem em frente ao Estádio do Mineirão. Os gênios da logística só esqueceram – ou deram de ombros – que esta rua era uma ladeira cruel. Ou seja, na largada, para baixo, sem problemas. Já na chegada… Meu GPS já apontava 18.6 km quando rasguei a curva para a subida derradeira. Foram 400 metros sofridos, buscando motivação, chamando os que desistiam e resolviam caminhar e assim foi. 19.03 km marcou o aparelho ao fim do percurso.
Eu já esperava pelo acréscimo de distância justamente por causa dessa “tacada de mestre” ou “jogada de marketing”, caso prefira. No entanto, o fato da organização negligenciar a informação foi algo negativo. Houve ainda tropeços em pontos cruciais, como oferecer somente um posto de hidratação com bebida esportiva ao longo do trajeto, no sexto quilômetro. Aliás, eu mesmo não consegui me hidratar, pois quando passei pelo local não havia um só copo cheio. Alguns corredores preferiram parar e esperar, coisa que não fiz. Nos postos de água, tudo bem.
De qualquer maneira, fica uma ponta de preocupação para a São Silvestre, pois estamos falando de provas organizadas pela mesma empresa. Não nego que a mudança de horário para o turno da manhã me foi bastante confortável, pois terei tempo de voltar ao Rio para os festejos de ano novo. No entanto, o fato de se mexer na prova todo ano, me parece capaz de minar um pouco sua identidade. Obviamente que a São Silvestre é um evento quase centenário e com um apelo grandioso – inclusive da mídia, algo raro no Brasil em se tratando de corridas de rua -, o que o faz ser um sucesso absoluto de público sem que nenhuma outra prova chegue ao menos perto por aqui. Mesmo assim, já há alguns movimentos crescentes de pessoas descontentes que vêm boicotando a corrida. Acho que isso merece uma reflexão. Posso estar falando uma bobagem, pois não tenho informações, mas creio que eventos como a Maratona de Nova York ou a Maratona de Boston, eventos esses globais das corri das de rua, não tenham movimentos contrários de atletas insatisfeitos. Se há a ideia de se fazer da São Silvestre também um evento global para os próximos anos, com participações da primeira linha do atletismo mundial, certos pontos precisam ser repensados.”

Um comentário em “O leitor e a São Silvestre

  1. Participei pela primeira vez na corrida internacional 88 são silvestre. como uns dos atletas numero-19557 – me sentir honrado em poder concluir a prova e receber uma linda medalha. Sai da são silvestre maravilhado. um grande evento inesquecivel. já estou me preparando para este ano de 2013. Um feliz ano novo para todos os corredores do Brasil e do Mundo

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