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Bristol (EUA) – A decisão do campeonato inglês neste fim-de-semana é o melhor exemplo da vantagem do sistema de pontos ganhos, com turno e returno. Chegamos à última rodada com Manchester City e Manchester United empatados em pontos ganhos, times brigando pela classificação à Champions League, outros lutando para não serem rebaixados.
Entre os que lutavam para não serem rebaixados estava o Queens Park Rangers, que enfrentava o Manchester City no Etihad Stadium e tinha uma longa tradição de surpreender o adversário, sobretudo sob o comando do treinador Mark Hughes. O drama foi inigualável, de começo ao fim, pois o Manchester United ia derrotando o Sunderland, em Sunderland, e com isto anulava a diferença de gols em favor do City.
Se acrescentarmos que o City duas vezes saiu de trás no marcador e só conseguiu os dois gols de que necessitava nos acréscimos, seria normal que qualquer viajante espacial julgasse que estava diante do impossível. Realmente estava,mas o impossível às vezes acontece no futebol.
Houve uma outra ocasião em que algo parecido se passou e foi há 13 anos, quando o Manchester United perdia por 1 a 0 e fez dois gols nos acréscimos, no Bayern de Munique, para ganhar a Champions League. Mas o drama deste fim de semana foi maior porque havia dois jogos sendo disputados simultâneamente, um dependendo do outro, e – como escrevi acima – outros times também precisando de resultados, por outras razões. Quando levamos em consideração que o capitão do Queens Park Rangers, Joey Barton, foi acometido de loucura, agrediu Tevez e depois, já com cartão vermelho, agrediu Sérgio Aguero – e, mesmo assim, o Queens Park Rangers passou à frente no marcador – temos que concordar que o drama no campo estava adquirindo contornos shakesperianos.
Desde 1968 o Manchester City não era campeão inglês. Como eu previ aqui, em dois “posts” anteriores, corria sério risco nesta última rodada. Só os mais inexperientes podiam se atrever a acreditar que o time já era campeão. Ao fim de tudo, vejam as seguintes estatíscas: 44 finalizações para o Manchester City, apenas três para o Queens Park Rangers (sendo que duas entraram), 19 escanteios para o Manchester City, nenhum para o Queens Park Rangers, 81% de posse de bola para o Manhester City, 19% para o Queens Park Rangers.
Com todos esses números em seu favor, ainda assim o Manchester City deixaria o título escapar se não ocorressem aqueles dois gols nos acréscimos. Não podemos acreditar, mas temos que acreditar.